Francisco Bezerra Archives - Blog do Wanfil 
Publicidade

Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Francisco Bezerra

Cai o secretário de Segurança do Ceará. E a política de segurança do governo, continua?

Por Wanfil em Ceará, Segurança

07 de setembro de 2013

A queda do secretário de Segurança do Ceará, coronel Francisco Bezerra, nesta sexta-feira (6), foi antecipada por alguns sinais inequívocos de desgaste. Entre os mais significativos estão críticas feitas por Ciro Gomes, que recentemente atuou como consultor voluntário na pasta. Na Tribuna BandNews, não faz muitos dias, o irmão do governador admitiu publicamente o que todos já sabiam: que os índices de criminalidade no Ceará estão fora de controle. Era a senha que abria a brecha para eventuais mudanças no setor.

Encenação

Cid Gomes, que fez dessa área o mote de sua primeira campanha eleitoral, sempre relutou em reconhecer a gravidade da situação, fechando os ouvidos ao clamor geral até o limite do insuportável. Para não dar o braço a torcer (qualquer recuo poderia ser visto como reconhecimento de que o governo fracassou), Cid anunciou, na última quinta-feira (5), pela internet, que faria no dia seguinte uma espécie de mini-reforma no secretariado. Não foi bem isso o que aconteceu.

Na verdade, o governador adiantou em sete meses a saída dos secretários que deverão disputar mandatos nas eleições no ano que vem, para dar ares de normalidade burocrática à mudança. A própria saída de Bezerra estaria condicionada a uma hipotética candidatura a deputado estadual, algo difícil de acreditar.

Nos bastidores, fala-se que trocas de mais nomes na cúpula da segurança podem acontecer nos próximos dias.

Reação tardia

De qualquer forma, ainda que sem um mea culpa do governador, a exoneração do secretário e a perspectiva de mais alterações indicam que finalmente o governo entendeu que era preciso agir. Se a essa altura do campeonato, faltando pouco mais de três meses para começar o último ano do mandato, as mudanças terão o efeito que se deseja, e espera-se tenham, para o nosso próprio bem, é outra coisa. Até porque essa não é a primeira troca de secretário de Segurança na atual gestão. Quando o ex-titular da pasta, Roberto Monteiro foi exonerado, Bezerra surgiu como homem da absoluta confiança de Cid, capaz de cumprir à risca o que lhe fosse determinado. Deu no que deu.

Portanto, aproveitando a deixa, é importante que o governo reconheça, ainda que apenas internamente, que o modelo de política de segurança pública vigente no Ceará, idealizado lá em 2006 como peça de campanha eleitoral, não vingou. Trocar de secretário na ingênua esperança de que ele venha a fazer funcionar algo cuja concepção estratégica está errada, é trocar seis por meia dúzia.

Publicidade

Apresentação do secretário da Segurança na Assembleia Legislativa reforça aposta do governo no que não deu certo

Por Wanfil em Assembleia Legislativa, Segurança

08 de agosto de 2013

O Secretário da Segurança Pública do Ceará, Francisco Bezerra, foi à Assembleia Legislativa ontem para falar sobre as ações no setor que é o calcanhar de Aquiles do governo Cid Gomes.

Centrou foco na demonstração de investimentos (algo que ninguém questiona), evitou apresentar uma linha do tempo com a evolução das estatísticas e fazer comparações com outros números de outros estados. Na esperança de mostrar convicção, cometeu alguns exageros, como dizer que o programa Ronda do Quarteirão é um exemplo para o Brasil. E os resultados na efetiva redução da criminalidade? Segundo o secretário, diante de tudo o que se faz, eles aparecerão logo, logo. Enfim, mais do mesmo.

O momento mais emocionante foi quando uma deputada sugeriu a renúncia do secretário. Mordaz, ele sugeriu o mesmo para a parlamentar, e com vigor, reiterou o seu compromisso com a missão que lhe foi confiada. Certamente Francisco Bezerra gostaria de ver a situação melhorar, disso não há dúvidas. A questão é isso não importa.

A verdade é que o secretário não é o idealizador da política de segurança pública no Ceará. Sua função é justamente a de cumprir o roteiro traçado pelo governador Cid Gomes, pensado desde sua primeira campanha eleitoral do governo estadual. A essa altura do campeonato, uma alteração no comando serviria apenas para fins políticos, mas, na prática, operacionalmente, seria a troca de seis por meia dúzia.

De resto, ao insistir no discurso de que estamos no caminho certo, contrariando o sentimento popular e a realidade dos números, Francisco Bezerra mostra que o problema do governo nessa matéria não é a falta de rumo, mas sim de rumo errado, teimosamente mantido, apesar do agravamento da situação.

A passagem do secretário pela Assembleia foi a expressão de uma gestão que, em seu sétimo ano no poder, sem tempo hábil para grandes mudanças de rota, reforça a aposta no que não deu certo, para sair alardeando que muito em breve tudo haverá de melhorar.

Publicidade

Ceará agora comanda Conselho de Segurança do Nordeste. Faz sentido!

Por Wanfil em Segurança

03 de agosto de 2013

Meu comentário deste sábado na coluna Política, da rádio Tribuna BandNews FM (101.7).

O secretário da Segurança Pública e Defesa Social do Estado do Ceará, Francisco Bezerra, foi eleito, por unanimidade, presidente do Conselho de Segurança Pública do Nordeste, em reunião realizada ontem [sexta-feira, 2] na Bahia. O Conselho é formado por secretários e outras autoridades da área nos estados do Nordeste.

Muita gente pode estranhar a escolha, uma vez que o Ceará apresenta um assustador quadro de criminalidade, com descontrole nos índices de assaltos e homicídios, tal como reconheceu o consultor informal da própria Secretaria de Segurança do estado, o ex-governador Ciro Gomes, aqui mesmo na Tribuna BandNews.

Ao comentar sobre a eleição, o secretário Francisco Bezerra disse que a violência está presente em todo o Brasil e que o Ceará se destaca pelo trabalho de inteligência e de cooperação com os outros estados da região Nordeste.

Ora, alguém por acaso nega que a violência esteja presente em todo o país em níveis alarmantes? A grande questão é saber porque aqui no Ceará ela cresce mais rápido do que nos vizinhos, em vez de recuar, tendo em conta os elevados investimentos. Na mesma sexta-feira, o portal Tribuna do Ceará mostrou que  o número de roubos a bancos no Estado cresceu 2.125%, entre 2008 e 2013.

Talvez essa seja a qualidade que os membros do Conselho de Segurança do Nordeste estivessem procurando: a capacidade de falar sobre o assunto evitando dados e números que possam constranger os governos, ou seja, a prevalência da habilidade política sobre a capacidade gerencial.

Nisso, quando o assunto é segurança, o Ceará é referência.

Publicidade

A eminência parda e a rainha da Inglaterra na Secretaria de Segurança do Ceará

Por Wanfil em Ceará, Segurança

08 de Abril de 2013

A Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS) agora conta com a ajuda extraoficial do ex-governador e ex-ministro Ciro Ferreira Gomes, que ultimamente tem comparecido ao órgão com frequência com a missão de acompanhar as ações da pasta, embora até o momento não haja nomeação alguma nesse sentido no Diário Oficial do Estado.

Segundo o governador Cid Gomes, irmão mais novo e herdeiro político de Ciro, a contribuição é voluntária e atende a um pedido pessoal do próprio governador.

Sem desculpas

É inegável que Ciro Gomes, que no passado já foi uma das maiores promessas políticas do Brasil, tem todo o  direito de querer ajudar o irmão a escapar do completo fiasco na área da segurança pública, bandeira de campanha mais famosa do governador. Pior que o mais implacável crítico e o mais ferrenho opositor (caso ainda exista um), é parecer fracassado diante da população que apostou suas fichas nessa gestão. E o fato é que a incompetência do governo em prover soluções para a alta da criminalidade no estado não pode mais ser disfarçada com pirotecnias ou desculpas.

Aliás, diga-se de passagem, o próprio pedido de ajuda do governador ao irmão mais experiente é sinal reluzente de que o incômodo que a sociedade vive nessa área finalmente chegou ao centro das preocupações governo. Talvez seja tarde demais para a atual administração. De qualquer forma, o sinal vermelho acendeu.

Quem manda na SSPDS?

O problema é que a informalidade da presença de Ciro na secretaria cria um quadro de confusão e de incertezas que termina por complicar ainda mais a situação. Afinal, Ciro presta contas a quem? Somente ao governador? Qual sua autoridade para emitir eventuais ordens ou determinações? O fato é que essa participação sem lastro oficial acaba criando a figura da eminência parda, ou seja, abre um comando paralelo que termina por enfraquecer o próprio secretário Francisco Bezerra, que agora fica com cara de rainha da Inglaterra, mero enfeite burocrático sem poder de fato.

Tanto isso é verdade, que Cid Gomes já precisou vir à público dizer que não pretende promover mudanças na cúpula da Segurança. Ora, quando um gestor se vê na situação de negar a possível demissão de um secretário é porque já existem pressões nesse sentido atuando fortemente. Além disso, fica a desconfiança de que a mudança não será necessária justamente porque é Ciro quem dá as cartas no órgão.

Comando disperso

Nas questões de poder, não existe vácuo. Se o secretário Francisco Bezerra e Ciro Gomes divergirem em algum ponto, muito provavelmente a opinião do irmão do governador prevalecerá. Mas existe o outro lado da moeda. Ciro talvez não possa assumir oficialmente cargos na Segurança por não possuir liderança sobre o efetivo policial. Durante a greve que paralisou a Polícia Militar e o governador Cid Gomes no início de 2012, Ciro bateu de frente com a categoria. Em um de seus arroubos característicos, chamou os grevistas de marginais fardados. Assim, o ex-governador pode até contar com o aval do irmão para atuar, mas sua presença ali é causa de constrangimento diante dos comandados. Daí a necessidade de manter uma rainha da Inglaterra no organograma da pasta.

Desse jeito, a ajuda tal voluntária de Ciro acaba por se transformar em mais um ponto de dispersão de energia (e recursos) que tanto caracteriza a gestão Cid Gomes na Segurança Pública, sem que apareçam os devidos resultados.

Publicidade

A eminência parda e a rainha da Inglaterra na Secretaria de Segurança do Ceará

Por Wanfil em Ceará, Segurança

08 de Abril de 2013

A Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS) agora conta com a ajuda extraoficial do ex-governador e ex-ministro Ciro Ferreira Gomes, que ultimamente tem comparecido ao órgão com frequência com a missão de acompanhar as ações da pasta, embora até o momento não haja nomeação alguma nesse sentido no Diário Oficial do Estado.

Segundo o governador Cid Gomes, irmão mais novo e herdeiro político de Ciro, a contribuição é voluntária e atende a um pedido pessoal do próprio governador.

Sem desculpas

É inegável que Ciro Gomes, que no passado já foi uma das maiores promessas políticas do Brasil, tem todo o  direito de querer ajudar o irmão a escapar do completo fiasco na área da segurança pública, bandeira de campanha mais famosa do governador. Pior que o mais implacável crítico e o mais ferrenho opositor (caso ainda exista um), é parecer fracassado diante da população que apostou suas fichas nessa gestão. E o fato é que a incompetência do governo em prover soluções para a alta da criminalidade no estado não pode mais ser disfarçada com pirotecnias ou desculpas.

Aliás, diga-se de passagem, o próprio pedido de ajuda do governador ao irmão mais experiente é sinal reluzente de que o incômodo que a sociedade vive nessa área finalmente chegou ao centro das preocupações governo. Talvez seja tarde demais para a atual administração. De qualquer forma, o sinal vermelho acendeu.

Quem manda na SSPDS?

O problema é que a informalidade da presença de Ciro na secretaria cria um quadro de confusão e de incertezas que termina por complicar ainda mais a situação. Afinal, Ciro presta contas a quem? Somente ao governador? Qual sua autoridade para emitir eventuais ordens ou determinações? O fato é que essa participação sem lastro oficial acaba criando a figura da eminência parda, ou seja, abre um comando paralelo que termina por enfraquecer o próprio secretário Francisco Bezerra, que agora fica com cara de rainha da Inglaterra, mero enfeite burocrático sem poder de fato.

Tanto isso é verdade, que Cid Gomes já precisou vir à público dizer que não pretende promover mudanças na cúpula da Segurança. Ora, quando um gestor se vê na situação de negar a possível demissão de um secretário é porque já existem pressões nesse sentido atuando fortemente. Além disso, fica a desconfiança de que a mudança não será necessária justamente porque é Ciro quem dá as cartas no órgão.

Comando disperso

Nas questões de poder, não existe vácuo. Se o secretário Francisco Bezerra e Ciro Gomes divergirem em algum ponto, muito provavelmente a opinião do irmão do governador prevalecerá. Mas existe o outro lado da moeda. Ciro talvez não possa assumir oficialmente cargos na Segurança por não possuir liderança sobre o efetivo policial. Durante a greve que paralisou a Polícia Militar e o governador Cid Gomes no início de 2012, Ciro bateu de frente com a categoria. Em um de seus arroubos característicos, chamou os grevistas de marginais fardados. Assim, o ex-governador pode até contar com o aval do irmão para atuar, mas sua presença ali é causa de constrangimento diante dos comandados. Daí a necessidade de manter uma rainha da Inglaterra no organograma da pasta.

Desse jeito, a ajuda tal voluntária de Ciro acaba por se transformar em mais um ponto de dispersão de energia (e recursos) que tanto caracteriza a gestão Cid Gomes na Segurança Pública, sem que apareçam os devidos resultados.