Fortaleza Archives - Página 6 de 15 - Blog do Wanfil 
Publicidade

Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Fortaleza

Simpatizantes da maconha e antitabagistas realizam eventos em Fortaleza, uns por menos fumaça, outros por mais

Por Wanfil em Fortaleza

25 de Maio de 2016

Estão marcadas para o final deste mês, em Fortaleza, a Marcha da Maconha (dia 29), organizada pela entidade Coletivo Plantando Informação, e a comemoração pelo Dia Mundial sem Tabaco (31), organizado pela Sociedade Brasileira de Cardiologia.

O primeiro pedindo liberdade para, entre outros usos, fumar um baseado; o segundo alertando contra o fumo de cigarros normais. Mas as diferenças não se encerram aí. O tabaco é legal, a maconha é ilegal. Mesmo assim, tabagistas não fazem apologia ao tabaco, pelo contrário, o que pega bem é ser um antitabagista. Questão de saúde. Médicos alertam para o risco de seu consumo. Ativistas lutam pela restrição de espaços para fumantes.

Já os maconheiros, simpatizantes e seus “coletivos” defendem em marchas públicas o uso da maconha para fins “diversos”, como o medicinal e o “recreativo”. Questão de liberdade de expressão, dizem. Pelo visto, em breve sugerirão que o consumo de maconha, além de saudável e recreativo, ajuda a combater os males do tabagismo.

O que eu acho? O consumo, digamos, recreativo da maconha não faz mal? Sua, por exemplo, inalação só faz bem?Os médicos poderiam dizer. Particularmente, não fumo nem um, nem outro. Corrijo: um cigarro (tabaco) ou charuto, muito, muitíssimo raramente. Mas, como dizia Dr. Sigmund Freud, às vezes um charuto é apenas um charuto.

Publicidade

Desemprego cresce e autoridades divulgam carta sobre fusão entre Cultura e Educação: muita confusão, pouco resultado

Por Wanfil em Ceará

20 de Maio de 2016

Manifestantes 'ocupam' prédio do Iphan em Fortaleza contra a fusão de ministérios. O emprego deles é protestar

Manifestantes ‘ocupam’ prédio do Iphan em Fortaleza contra a fusão de ministérios. O emprego deles é protestar (Divulgação)

O governador do Ceará, Camilo Santana (PT), junto com os demais governadores de estados nordestinos, divulgou carta contra a “extinção” do Ministério da Cultura. Horas antes, o prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio (PDT) , e o presidente da Câmara de Vereadores, Salmito Filho (PDT), também assinaram texto contra a “extinção do Ministério da Cultura” e sua “incorporação ao Ministério da Educação”.

Essas iniciativas aconteceram no mesmo dia (19/05) em que o IBGE anunciou que o desemprego no Brasil chegou a 10,9% no primeiro trimestre deste ano. O Nordeste foi a região mais afeta, com índice de 12,8%  (o Sul está com 7,3%). No Ceará os desempregados são 10,8% e na Região Metropolitana de Fortaleza, 11,5%. E o que tem a ver uma coisa com a outra, Wanfil? Vamos por partes.

Não é o fim da Cultura
Dizer que o Ministério da Cultura será extinto pode dar a impressão de que as políticas públicas para a área serão também extintas. Não é por aí. A pasta será incorporada ao Ministério da Educação, no esforço para reduzir o número de ministérios. Menos custos, mais investimentos, diz o governo. Além do mais, a fusão entre cultura e educação não é nenhuma jabuticaba. No Japão é assim, acrescida de ciência e tecnologia no mesmo ministério.

O que está acontecendo aqui é uma disputa política por influência e verbas. O MinC é loteado entre grupos bem articulados, com direito a especialistas em editais e licitações. Seu campo de atuação pode ir desde a reforma de prédios históricos até o financiamento de festivais com as mais variadas temáticas (geralmente com viés ideológico sintonizado com bandeiras de partidos políticos de esquerda). Pois bem, durante anos esse universo foi aparelhado por entidades partidárias, artistas sem público (nem todos, óbvio) e grupos privados interessados em fazer do acesso aos recursos públicos um meio de vida. O receio é que um novo enfoque na aplicação desse dinheiro possa prejudicar esses grupos.

Indignação seletiva
A rigor, ser contra ou a favor da fusão não interfere no problema do desemprego. É perfeitamente possível que governadores e prefeitos discordem da decisão, afinal, estamos numa democracia. Mas é curioso que não tenham adotado atitude semelhante quando, por exemplo, o golpe da refinaria que não veio foi consumado. Onde estavam? Por que não fizeram uma carta cobrando ressarcimento ao Estado? E agora, o que dizem sobre o desemprego?

Aliás, poderiam nossas autoridades aproveitar o embalo e registrar, por escrito, repúdio ao rombo fiscal nas contas federais, assumindo publicamente o compromisso de ajudar, com suas bancadas, na aprovação de medidas de ajuste. Bom mesmo seria um documento pedindo desculpas aos brasileiros e aos cearenses desempregados pelo apoio que deram  ao governo e à gestora que arruinaram a economia com suas pedaladas fiscais. Problemas são muitos, ma a prioridade é tirar o País do buraco. O resto é perfumaria.

Publicidade

Camilo e RC anunciam obras do IJF2: ano eleitoral deve ser apenas coincidência

Por Wanfil em Política

13 de Abril de 2016

Camilo Santana e Roberto Cláudio, governador do Ceará e prefeito de Fortaleza, ambos eleitos com o apoio de Cid Gomes e parceiros inseparáveis nas suas respectivas campanhas, anunciaram em entrevista coletiva as obras para ampliação do Instituto Doutor José Frota, na capital.

Naturalmente, ninguém é contra um empreendimento que pode aumentar o atendimento de um hospital público. Isso não significa, porém, abrir mão do discernimento necessário na hora de observar os devidos cuidados para que o projeto tenha o melhor resultado possível.

É preciso levar em conta se a obra está em consonância com prioridades definidas junto aos profissionais da área, se há condições financeiras para sua manutenção, se o momento é o ideal para contrair novos empréstimos, se os parceiros anunciados estão em condição de arcar com os compromissos assumidos e por aí vai.

Nesse sentido, no presente caso, alguns pontos precisam ser esclarecidos. Como é que o Governo do Estado e o Governo Federal anunciam um novo hospital quando o hospital regional de Quixeramobim, inaugurado há mais de um ano, não funciona por falta de verbas?

Como é que o Governo do Estado e a Prefeitura da capital irão equipar o novo IJF, se médicos reclamam da falta de insumos e remédios? Pela lógica, se não é possível dar conta da estrutura existente, aumentá-la não parece ser a melhor solução para dar mais eficiência aos serviços oferecidos.

Não se está a dizer aqui que o IJF2 tem caráter predominante eleitoreiro, afinal, por coincidência, a obra começa no final do mandato de um provável candidato a reeleição. Trata-se apenas de alertar para o risco de ver tanta ansiedade dos nossos gestores acabar em equívoco, levantando mais um elefante branco no Ceará ou criando um ponto de desequilíbrio financeiro que para funcionar, sugará recursos de outras áreas. E isso, suponho, ninguém quer.

Publicidade

Prefeito diz que solução agora é eleger aliados de quem criou a crise

Por Wanfil em Fortaleza

11 de Março de 2016

Do prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio (PDT), em evento da sigla de aluguel PROS, defendendo que o PT de Camilo Santana (e Dilma Rousseff) apoie sua candidatura à reeleição, segundo matéria de O Povo :

“É muito importante que uma cidade como Fortaleza tenha uma aliança administrativa entre Prefeitura e Governo que possibilite recursos a mais e apoio político a mais para fazer o que a gente deve fazer em época de crise.”

Esse argumento perdeu a validade desde que o governo federal não cumpriu a promessa eleitoreira de construir uma refinaria da Petrobras no Ceará. Nesse caso, a única coisa que essa “aliança administrativa” conseguiu produzir foi o silêncio e a omissão dos governistas cearenses, que evitaram denunciar e cobrar o golpe, fingindo que nada aconteceu.

Por outra ainda, se aliança é garantia de ação, por que então o Hospital de Quixeramobim, inaugurado em 2014, ainda não funciona?

Quando o ex-prefeito Juraci Magalhães governava, dizia justamente o contrário: ter adversários nesses cargos evitaria acomodações e geraria uma disputa para ver quem faria mais. E aí? São ideias adaptáveis, conforme os interesses do momento.

De todo modo, mesmo compreendendo, digamos assim, o apelo eleitoral dessas formulações, o mais incrível agora é ver governistas dizendo que a melhor forma de enfrentar a crise é manter no poder a mesma aliança que a produziu.

Publicidade

Desabamento na Raul Barbosa: tragédia ameaça transformar trunfo eleitoral em prejuízo de imagem

Por Wanfil em Fortaleza

23 de Fevereiro de 2016

O desabamento de parte das obras na ponte sobre o canal do Lagamar, na Avenida Raul Barbosa, em Fortaleza, é um daqueles eventos que exigem todo o cuidado na análise de suas causas e consequências, de modo a evitar precipitações, erros e injustiças. E principalmente, por respeito aos feridos e às duas vítimas que perderam a vida no desastre.

Por outro lado, como laudos técnicos demoram a ser concluídos, é inevitável que nesse meio tempo hipóteses sejam levantadas e debatidas pela população em geral e especialistas via imprensa. Nesse caso, não adianta autoridades e aliados da prefeitura reclamarem de possível exploração política, na esperança de impedir críticas. Mesmo sendo óbvio que ainda é cedo para apontar categoricamente o que causou o desabamento, suposições ocupam o vazio de respostas imediatas. É algo natural e acontece sempre, por exemplo, na sequência de desastres aéreos.

No episódio da ponte, comentários nas redes sociais vão de suspeitas de erro técnico, passando pela ação das chuvas, até uma suposta pressa na execução da obra, com objetivos eleitorais. A conexão com eleições é ainda previsível, afinal, não se pode negar mesmo que estamos em ano eleitoral. Da mesma forma que obras podem ser trunfos explorados em campanhas e propagandas, acidentes assim podem ser objetos de questionamentos e de prejuízo de imagem para o gestor, no caso, na imagem de Roberto Cláudio, caso as respostas gerenciais e a comunicação governamental não sejam bem trabalhadas.

A manifestação de solidariedade com as famílias das vítimas e o anúncio de medidas para apurar as causas do acidente, além de obrigações, são as reações possíveis para a Prefeitura nesse momento inicial. Resta agora esperar agilidade no resultado das investigações, firmeza na cobrança dos responsáveis e explicações claras para tranquilizar a população em relação a outras obras. Agir assim, sem tergiversações, assumindo o que deve ser assumido, responsabilizando quem deva ser responsabilizado, é mostrar compromisso com a verdade e, acima de tudo, questão de justiça.

Publicidade

Investimentos públicos em Fortaleza despencam 30% em 2015: culpa de quem?

Por Wanfil em Fortaleza

27 de dezembro de 2015

Na comparação entre os anos de 2014 e 2015, o investimentos feitos pela Prefeitura de Fortaleza caíram 29,98%, segundo informações divulgadas neste domingo pelo jornal O Globo, com base nos relatórios apresentados no início do mês por 22 prefeitos de capitais ao Tesouro Nacional. Desse total, 14 estão no vermelho.

Fortaleza está em situação bem menos ruim do que Natal (-89,75%) e Curitiba (-63,71%), e pouco menos ruim que Vitória (-46,42%) e Belo Horizonte (-41,97%). No entanto, algumas poucas capitais conseguiram aumentar os investimentos, como Goiânia (+ 113,81%) e Cuiabá (+197,35%). Essas, entretanto, são exceções. No geral, o investimento nas capitais desabou.

O Globo ouviu o consultor econômico Irineu de Carvalho, da Associação dos Municípios do Estado do Ceará, que didaticamente explicou: “Num primeiro momento, o prefeito reduz o custeio, depois o investimento. Mas chega um momento que não tem muito mais o que fazer, e aí vai ter que começar a reduzir serviços”.

A matéria mostra ainda que contando as com as demais prefeituras, as que não são capitais de estados, que 62% delas devem a fornecedores. Em algumas, o investimento caiu 90%. Imaginem, por dedução lógica, a situação das prefeituras no interior do Ceará.

No título do post, pergunto de quem é a culpa. Como a maioria dos prefeitos cearenses é aliada ao governo Dilma por orientação do grupo político liderado pelo ex-governador Cid Gomes, eles responderiam mais tecnicamente ao questionamento. Diriam (como têm feito, com Roberto Cláudio à frente) que a conjunção de queda na arrecadação, redução do FPM e cenário de crise criou esse cenário de dificuldades e que a solução é enterrar a ideia de impeachment e voltar com a CPMF. Na verdade, eles ainda não se arriscam a chamar a recessão econômica criada pelos erros do governo federal pelo nome verdadeiro: Dilma Rousseff. Talvez em 2016, ano eleitoral, mudem de postura e resolvam não arcar sozinhos com os ônus do Palácio do Planalto.

 

Publicidade

Como ficaria o Ceará num eventual governo Temer?

Por Wanfil em Política

09 de dezembro de 2015

Michel Temer arte

Possível governo Temer já provoca debates. No Ceará, o eixo de poder mudaria radicalmente

Brasília, 2016. O governador Camilo Santana, do PT, vai a Brasília conversar com o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha. Na pauta, ações contra a seca. Santana é informado que novas verbas já foram alocadas a pedido do senador Eunício Oliveira, que divulgará a notícia no mesmo dia aos cearenses, junto com o ministro da Integração, José Serra. Com as bênçãos do Planalto, Oliveira trabalha com o PSDB para confirmar o hub da TAM no Ceará. Agradecido, o governador elogia o espírito republicano do novo presidente. Roberto Cláudio não é recebido, por ter acusado o PMDB de ser chantagista. O governo federal prefere esperar pelo próximo prefeito de Fortaleza a ser eleito em breve, de preferência, alguém do próprio PMDB ou aliado. Enquanto isso, Ciro e Cid Gomes, sem mandatos, acusam Temer de ser chefe de quadrilha, o que isola ainda mais Camilo Santana e Roberto Cláudio.

Esse é o pior pesadelo do grupo liderado por Ciro no Ceará. E depois da sova que o governo tomou na Câmara, quando a oposição e dissidentes do PMDB, sob o comando de Temer, elegeram uma chapa pró-impeachment para a Comissão Especial que irá analisar o pedido de afastamento de Dilma, o pesadelo ganha contornos de realidade em formação. Pesadelo político. Administrativamente, o Ceará sempre foi desprezado pelas gestões petistas no Planalto, ao contrário de Pernambuco e Alagoas.

Na verdade, o Ceará foi humilhado no caso da refinaria e enormemente prejudicado com os atrasos na transposição do São Francisco. Portanto, as mudanças, a princípio, seriam mesmo de caráter estritamente político, com a transferência do eixo de poder para o PMDB estadual. O PT estaria na difícil situação de ser oposição nacionalmente e precisar conviver institucionalmente com os peemedebistas como situação local. Os Ferreira Gomes, inimigos de Temer e do PMDB, ficariam por conta própria, buscando defender seu feudo em Sobral, já que a base aliada de Dilma no estado mudaria rapidinho de lado, fazendo juras de amor ao governo de plantão.

O futuro é imprevisível e tudo ainda está no campo das hipóteses. Não é questão de torcer contra ou a favor, mas de fazer uma projeção pragmática, com base em premissas que estão sim na ordem do dia, independente das vontades. Se pode acontecer, então é preciso estar minimamente preparado. Até porque a derrota do governo, que está em indiscutível minoria na Câmara, reforça um pouco mais a expectativa – com o medo dos governistas e a ansiedade mal disfarçada dos oposicionistas – de que essas possibilidades possam a vir se tornar realidade. Na política, a perspectiva de poder é o centro gravitacional onde orbitam candidatos e partidos. E, no momento, esse centro de atração parece mais forte para os que estão a favor do impeachment.

Publicidade

Quebraram o Castelão de novo. Qual a surpresa? (Ou: Que moral têm nossos cartolas e autoridades para criticar vândalos?)

Por Wanfil em Cultura

18 de outubro de 2015

Leio que torcedores do Fortaleza quebraram cadeiras do estádio Castelão por causa de mais uma frustração em campo. Não sou especialista em futebol, mas qualquer pessoa que acompanhe o noticiário percebe que o esporte, cada vez mais, degenera em brigas de torcida e escândalos financeiros, eventos mais comuns de serem notados nas páginas policiais ou políticas. De modo que isso não surpreende mais.

Sempre que depredações como a do Castelão acontecem, invariavelmente seguem-se os lamentos pela a selvageria e pela falta de respeito ao bem comum e aos espaços públicos. Estão certos, claro, mas em certa medida, tudo isso é previsível. Basta ver o ambiente que cerca o mundo do futebol.

Não existem mais jogadores que assumam a postura de referência para os torcedores, especialmente para as crianças. Aliás, a maioria dos principais craques acabam confundindo sucesso com ostentação, deslumbrados com seus contratos. Mas são, de todo modo, a matéria prima do espetáculo. São eles que se doam pra valer, que perdem a privacidade, que são vaiados e cobrados e por aí vai. Dos males, o menor.

Pior são os cartolas. Dirigentes da FIFA e da CBF estão presos. Isso basta para qualificar o negócio. São esses os que fazem as regras do jogo. Como confiar nisso? Eu, sinceramente, não dou um centavo a esse pessoal. Vamos adiante. No juiz, coitado, ninguém confia mesmo. NO Brasil, os estádios feitos para a “maior Copa de todos os tempos” são quase todos objeto de suspeitas de órgãos como o Ministério Público. Custaram aos cofres públicos muito mais do que similares na Europa. No Ceará, o governo fez o diabo (para usar uma expressão da moda) para engavetar uma CPI. São monumentos à prática do superfaturamento. Mas, vá lá, é a paixão nacional e a roubalheira sempre existiu, conformam-se os apaixonados pelo esporte. Isso, no entanto, contamina outras esferas.

Não justifica, mas…
A grande vítima, claro, é o bom torcedor. Sei que s maus torcedores são minoria, mas são muitos, em número suficiente para atrapalhar os demais. Deveriam ser banidos, mas além de sentirem-se à vontade para ignorar as regras por conta dos exemplos dos chefões do futebol, também apostam na impunidade. Isso não justifica a ação desses vândalos, porém, convenhamos, acaba por estimulá-los, infelizmente. E ninguém faz nada, por que ninguém quer fazer nada.

No final das contas, as cadeiras quebradas são o menor dos prejuízos nesse universo de negociatas. De fato, somos o país do futebol.

Publicidade

Roberto Cláudio: “PMDB está mergulhado na corrupção, tanto quanto o PT”

Por Wanfil em Política

09 de outubro de 2015

Em entrevista concedida à rádio Tribuna Band News FM (101.7) na quinta-feira (8), o prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio, recém filiado ao PDT, anunciou em primeira mão um pacote de cortes de gastos em razão da crise econômica que o país vive.

Sobre as eleições do ano que vem, o prefeito disse não fazer questão alguma de ter o PMDB, partido do vice-prefeito Gaudêncio Lucena, como aliado. E justificou: “O PMDB exerce a política da extorsão, da chantagem, do jogo mais mesquinho, mais sujo, envolvido até o pescoço na corrupção, tanto quanto o PT nacionalmente”.

O discurso converge com o de Ciro Gomes, pré-candidato à Presidência pelo PDT, com a evidente intenção de se dissociar das lambanças e dos escândalos protagonizados pelo governo federal e seus principais partidos de sustentação. No entanto, dadas as circunstâncias locais, há riscos nessa abordagem.

A ênfase na crítica ao PT nacional é profilática, para prevenir ser contaminado pela rejeição ao partido e à presidente Dilma. Ocorre que seu principal aliado, o governador Camilo Santana, é do PT, assim como uma de suas principais adversárias, a ex-prefeita Luizianne Lins. Roberto Cláudio precisa do apoio do PT estadual, mas Luizianne defende candidatura própria. Dizer que o PT está mergulhado na corrupção, embora seja uma verdade, pode gerar desgastes com os militantes do partido no Ceará e fortalecer a tese da ex-prefeita.

Sobre o PMDB, é preciso lembrar que o discurso do grupo a que pertence Roberto Cláudio foi, durante muito tempo, exatamente esse. O partido seria nacionalmente ruim, tendo Michel Temer, segundo Ciro Gomes, como chefe do “ajuntamento de ladrões”, mas enquanto Eunício Oliveira foi aliado de Cid Gomes, a sigla, no estado, prestava. Só depois de romper é que o tratamento foi integralizado em seu conjunto.

Além do mais, o vice-presidente Michel Temer foi eleito, junto com Dilma, com o apoio, aqui no Ceará, de Cid, Ciro, Camilo e Roberto Cláudio. Se não é de hoje que Ciro bate no PMDB, seus alertas foram solenemente ignorados pela presidente. Deu no que deu. A ironia é que seu grupo ajudou a fortalecer aqueles que, agora, eles dizem ser o pior para o Brasil.

Publicidade

Fortaleza é capital mais violenta do Brasil: a culpa não é só de Cid

Por Wanfil em Segurança

02 de outubro de 2015

Em entrevista para a Rede TV exibida na segunda-feira (28/09), o ex-ministro Ciro Gomes classificou de extraordinária a gestão de seu irmão Cid Gomes à frente do governo do Ceará, algo “sem rival”. Dois dias depois a Folha de São Paulo publicou matéria sobre uma realização de Cid de grande repercussão nacional: Fortaleza é a a capital mais violenta do Brasil. Os dados são do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, referentes ao ano de 2014.

Recorde de violência
A capital cearense lidera o ranking de homicídios com 77,34 casos por grupo de 100 mil habitantes. No Rio de Janeiro a taxa é de 20,22. Em São Paulo o índice cai para 11,43. A boa notícia, se é que podemos dizer assim, é que em Fortaleza, entre 2013 e 2014 houve uma redução de 0,97%.

É claro que essa realidade é um legado da gestão de Cid Gomes. É preciso dizer isso para evitar certas mistificações e autoelogios desmedidos. Isso não apaga méritos da referida administração em outras áreas, mas inegavelmente é uma nódoa da qual não ele poderá fugir e que será devidamente registrada pela História: nunca a criminalidade avançou tanto em Fortaleza e no Ceará inteiro como nos anos em que Cid governou. Mas, para evitar injustiças, é preciso situar a questão no tempo e no espaço.

Atenuantes e agravantes
A violência tem crescido em todo o país, principalmente na região Nordeste. Ou seja, o Ceará e sua capital acompanharam um tendência devidamente registrada. O fato, entretanto, de Fortaleza figurar como a mais violenta entre as capitais mais violentas, isso é pode ser debitado na conta de problemas de gestão. Vale dizer que nesse mesmo período, Maceió, que em 2013 era a capital mais perigosa do Brasil, conseguiu reduzir seu índice de 81,37 para 69,53, sendo ultrapassada agora por Fortaleza. Não há como fugir da conclusão de que as políticas de segurança no Ceará foram mal planejadas.

Diferença fundamental
Outro ponto que vale a pena destacar é a conjuntura política. Em São Paulo e no Rio de Janeiro, como vimos, estados com capitais muito, mas muito, muito mesmo, menos violentas do que a capital do Ceará, os governadores estaduais são duramente cobrados em matéria de segurança pela oposição, pela imprensa, por entidades não governamentais, pela OAB, pela Igreja e pela própria população. Qualquer crime mais chocante, lá estão seus governadores, responsáveis pela política de segurança, dando explicações, anunciando medidas, pedindo desculpas, colocando-se à frente do problema.

No Ceará, o tema foi tratado como tabu. Tudo o que aliados – e no Ceará quase todos os deputados estaduais são aliados de qualquer governo – se limitavam a fazer era, pasmem, elogiar os investimentos, como se isso bastasse. Quem lembrasse, seja no parlamento ou na imprensa, que os resultados não estavam aparecendo, era chamado, no mínimo, de pessimista. Esse estado de omissão dava a impressão de que boas medidas estavam sendo tomadas, quando isso era falso. Deu no que deu. Uma tragédia construída pelo governo, com o apoio de de muitos.

A esperança é que o governo, apesar de ser de continuidade, mudou.

Publicidade

Fortaleza é capital mais violenta do Brasil: a culpa não é só de Cid

Por Wanfil em Segurança

02 de outubro de 2015

Em entrevista para a Rede TV exibida na segunda-feira (28/09), o ex-ministro Ciro Gomes classificou de extraordinária a gestão de seu irmão Cid Gomes à frente do governo do Ceará, algo “sem rival”. Dois dias depois a Folha de São Paulo publicou matéria sobre uma realização de Cid de grande repercussão nacional: Fortaleza é a a capital mais violenta do Brasil. Os dados são do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, referentes ao ano de 2014.

Recorde de violência
A capital cearense lidera o ranking de homicídios com 77,34 casos por grupo de 100 mil habitantes. No Rio de Janeiro a taxa é de 20,22. Em São Paulo o índice cai para 11,43. A boa notícia, se é que podemos dizer assim, é que em Fortaleza, entre 2013 e 2014 houve uma redução de 0,97%.

É claro que essa realidade é um legado da gestão de Cid Gomes. É preciso dizer isso para evitar certas mistificações e autoelogios desmedidos. Isso não apaga méritos da referida administração em outras áreas, mas inegavelmente é uma nódoa da qual não ele poderá fugir e que será devidamente registrada pela História: nunca a criminalidade avançou tanto em Fortaleza e no Ceará inteiro como nos anos em que Cid governou. Mas, para evitar injustiças, é preciso situar a questão no tempo e no espaço.

Atenuantes e agravantes
A violência tem crescido em todo o país, principalmente na região Nordeste. Ou seja, o Ceará e sua capital acompanharam um tendência devidamente registrada. O fato, entretanto, de Fortaleza figurar como a mais violenta entre as capitais mais violentas, isso é pode ser debitado na conta de problemas de gestão. Vale dizer que nesse mesmo período, Maceió, que em 2013 era a capital mais perigosa do Brasil, conseguiu reduzir seu índice de 81,37 para 69,53, sendo ultrapassada agora por Fortaleza. Não há como fugir da conclusão de que as políticas de segurança no Ceará foram mal planejadas.

Diferença fundamental
Outro ponto que vale a pena destacar é a conjuntura política. Em São Paulo e no Rio de Janeiro, como vimos, estados com capitais muito, mas muito, muito mesmo, menos violentas do que a capital do Ceará, os governadores estaduais são duramente cobrados em matéria de segurança pela oposição, pela imprensa, por entidades não governamentais, pela OAB, pela Igreja e pela própria população. Qualquer crime mais chocante, lá estão seus governadores, responsáveis pela política de segurança, dando explicações, anunciando medidas, pedindo desculpas, colocando-se à frente do problema.

No Ceará, o tema foi tratado como tabu. Tudo o que aliados – e no Ceará quase todos os deputados estaduais são aliados de qualquer governo – se limitavam a fazer era, pasmem, elogiar os investimentos, como se isso bastasse. Quem lembrasse, seja no parlamento ou na imprensa, que os resultados não estavam aparecendo, era chamado, no mínimo, de pessimista. Esse estado de omissão dava a impressão de que boas medidas estavam sendo tomadas, quando isso era falso. Deu no que deu. Uma tragédia construída pelo governo, com o apoio de de muitos.

A esperança é que o governo, apesar de ser de continuidade, mudou.