Fortaleza Archives - Página 15 de 15 - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Fortaleza

Fortaleza no Spaece-Alfa: o bê a bá de um fracasso na educação

Por Wanfil em Fortaleza

22 de Maio de 2012

O resultado do exame Space-Alfa contrasta com a propaganda oficial da Prefeitura de Fortaleza: ilusão não gera resultado. Imagens: Youtube

Fortaleza ficou em penúltimo lugar no exame Spaece-Alfa, o ranking da educação no Ceará, elaborado pela secretaria estadual de Educação e divulgado na segunda-feira (21). Alunos da rede pública de 183 municípios conseguiram melhores resultados nas provas de proficiência que os alunos da capital.

Nos próximos dias, certamente, técnicos e especialistas em educação irão debater os números do levantamento. No campo político, a prefeita Luizianne Lins e o secretário de Educação, Elmano de Freitas, reagiram no mesmo dia da divulgação da pesquisa.

Justificativas

Luizianne sugeriu que a metodologia aplicada no exame seria inadequada para comparar redes de ensino grandes com outras pequenas. A queixa pode ter a sua razão de ser, mas é preciso que a prefeitura prove isso, que mostre em que ponto exato uma possível distorção poderia ter acontecido. Sem isso, o argumento vira bravata.

Já Elmano – pré-candidato do PT para as eleições de outubro em Fortaleza – afirmou que o Spaece, na verdade, comprova que as coisas estão melhorando “significativamente”. O secretário afirma que a capital saltou de 14 escolas com nível desejado em 2003 para 55 em 2011, perfazendo um ritmo nada impressionante de cinco escolas melhorando por ano.

Realidades comparadas

O mérito do Spaece está justamente na comparação entre municípios. O argumento da prefeita não leva em consideração que os recursos das grandes cidades são maiores e o de Elmano peca ao não reconhecer que o problema não está em 2003, mas no presente em que todas as demais cidades do Ceará conseguiram melhorar mais suas notas do que Fortaleza.

De pouco adianta comparar uma realidade somente com ela mesma. É preciso confrontá-la com outras realidades. Uma empresa pode até aumentar suas vendas em relação ao ano anterior, mas se as concorrentes principais tiverem crescido muito mais, avançando sobre o mercado, o sucesso desta empresa será ilusório. Se não quiser ver isso, ela fatalmente quebrará em pouco tempo.

Autismo

Esse autismo analítico é uma praga generalizada na administração pública nacional. No Ceará comemoramos crescimento atrás de crescimento, ignorando alegremente que, por algum motivo, o vizinho Pernambuco cresce muito mais. No Brasil é a mesma coisa. Temos a impressão de experimentar um salto na educação, mas ficamos no 57º lugar entre os 65 participantes do último PISA, o exame de qualidade educacional mais respeitado do mundo. Triste desempenho.

A educação é ponto fraco na atual gestão de Fortaleza, segundo indica o Spaece. E vem piorando. No último ano de mandado, quaisquer que sejam as causas do problema, não há mais tempo para saná-lo. A próxima gestão deverá avaliar criteriosamente essa realidade. Quais regionais têm pior desempenho? Caso existem, quais metas não foram batidas? Como replicar os casos de sucesso? Qual o impacto do crescimento populacional no repasse de recursos a longo prazo? Quem são os melhores gestores para liderar um processo de recuperação?

De tudo isso, fica uma lição: dar uniforme de graça pode até alegrar os pais eleitores, mas não ensina o bê a bá para as crianças. Um desastre que será sentido adiante, quando necessitarmos de mão de obra qualificada para atrair investimentos.

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Cid quer encontro com Lula: direto na fonte

Por Wanfil em Eleições 2012

21 de Maio de 2012

Mário Quintana: "Não me ajeito com os padres, os críticos e os canudinhos de refresco: não há nada que substitua o sabor da comunicação direta". Pois é. Quando o assunto é eleição, Cid também dispensa intermediários.

Após uma reunião entre governadores do Nordeste, realizada na semana passada, o governador do Ceará Cid Gomes cedeu espaço para que o presidente do PSB cearense, Cid Gomes, revelasse que irá procurar o ex-presidente Lula em São Paulo, nesta terça (22), para falar de cenários eleitorais em Fortaleza.

A dupla condição de autoridade pública e presidente de partido assumida por Cid serve para lembrar que a relação de Lula com o Ceará tem igualmente uma forma dupla, constituída de partes teoricamente separadas, mas que na prática se misturam: a administrativa e a eleitoral. Relação sempre muito bem conduzida e explorada pelo político Cid Gomes, mas de pouco proveito para o governador Cid Gomes. Explico.

Parceria administrativa

Lula foi presidente do Brasil por dois mandatos, conquistando votações impressionantes no Ceará. Sobre a área de infraestrutura, não foram poucas as vezes que o ex-presidente veio ao Estado prometer: 1) uma refinaria, 2) uma siderúrgica, 3) a ferrovia Transnordestina e 4) a transposição do Rio São Francisco. Nada disso aconteceu, apesar dos anúncios grandiosos do PAC.

De concreto, os cearenses conseguiram uma usina de biodiesel a base de mamona. Os demais ganhos foram de ordem econômica, com forte componente conjuntural e experimentados por todos os entes da Federação. A rigor, Cid não tem muito o que mostrar em termos de obras federais no Ceará. As estradas, por exemplo, continuam na mesma precariedade de sempre, conforme já denunciou o próprio governador.

A parceria administrativa não rendeu o que prometia ou o que poderia nesse campo, apesar da aliança política anunciada como vantagem nas eleições.

Parceria eleitoral

Candidato crônico à Presidência, Lula conseguiu mudar a imagem de eterno perdedor para a de político imbatível. Algo sem precedentes na história do Brasil. E foi nessa condição de vitorioso que o petista tornou-se aliado de Cid e Ciro Gomes. Veio por cima.

Aí sim, o político Cid não tem do que reclamar da parceria.

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A marcha dos maconheiros em Fortaleza

Por Wanfil em Movimentos Sociais

12 de Maio de 2012

Maconha em formato "recreativo", segundo os defensores da legalização, popularmente conhecido como "baseado".

A Praia de Iracema será palco, neste sábado (12), da “Marcha da Maconha Fortaleza”. A manifestação foi liberada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que a entende como legítimo exercício da liberdade de expressão. O movimento em até um jingle: “O cultivo é consciente, o consumo é consciente, a viagem nem tanto”.

Sujeitos da ação

Pessoalmente, prefiro chamar a marcha da maconha de “marcha dos maconheiros”,  não por provocação gratuita ou ironia hipócrita, mas por um motivo simples: maconha – a planta natural ou sua forma recreativa batizada de “baseado” – não marcha. Poderia chamá-la de marcha dos maconhados, mas aí estaria dizendo que os participantes estariam sob efeito da droga. Talvez de marcha dos apologistas da maconha, mas nesse caso estaria acusando seus participantes de outro crime, em discordância com o STF, intenção que não tenho.

É verdade que o artigo 33, § 2º da Lei 11.343, é bastante claro: Induzir, instigar ou auxiliar alguém ao uso indevido de droga: Pena – detenção, de 1 (um) a 3 (três) anos, e multa de 100 (cem) a 300 (trezentos) dias-multa”. Mas como o STF considera que uma passeata pedindo a legalização da maconha não é o mesmo que instigar o seu consumo, então não posso usar o termo apologia. Para a Corte, seria necessário que os manifestante portassem cartazes do tipo: “Experimente maconha” ou “maconha é bom”, coisa que eles não farão, pois tais mensagens estão, obviamente, implícitas na causa. Para efeito de comparação , é mais ou menos assim: pedófilos poderiam organizar uma marcha da pedofilia em favor do amor livre, desde que não abusassem de crianças na caminhada ou incentivassem o comportamento explicitamente, afinal, estariam apenas exercendo sua liberdade de expressão…

Alguns defendem o uso medicinal da planta, mas tenho a impressão de que médicos e cientistas têm mais o que fazer do que ir a passeatas.

Ação e reação

Portanto, com todo o respeito, opto pelo substantivo maconheiro para me referir aos defensores da liberação desse entorpecente.

Como nem tudo são flores, discordo desses ativistas em alguns pontos. Primeiro, todo direito corresponde, inalienavelmente, a um dever. O direito a liberdade de expressão está vinculado ao dever de arcar com as consequências do que é expressado. Assim, exortar a maconha pedindo sua legalização é um direito cuja consequência final é o reforço de uma cadeia produtiva liderada pelo crime organizado (maconha importada será legalizada? Fernandinho Beira-Mar seria um empresário doravante?), como bem mostrou o filme Tropa de Elite.

Segundo, passeata é propaganda. Realmente eu acredito que existam pessoas dispostas a debater com seriedade a liberação da maconha com especialistas em saúde e segurança. No entanto, isso é coisa para fóruns adequados, não para festas ou oba-oba. Lugar de propor legalização de algo não é a praia, mas o Congresso Nacional. Vamos ver se algum parlamentar defende a causa. Junto com os bem-intencionados amigos da maconha, é bom lembrar, estão os empreendedores que fornecem e distribuem a droga, também denominados de traficantes.

Desafio Jovem

No Ceará, uma instituição luta bravamente para ajudar dependentes químicos. É o Desafio Jovem, criado pelo falecido Dr. Silas Munguba. Visitei o lugar duas vezes, o suficiente para que eu entendesse uma coisa: não há argumento a favor do afrouxamento do combate as drogas – qualquer uma – que resista ao encontro com aquelas pessoas destruídas pelo vício. É brutal. Dos pacientes que lá vi alquebrados, humilhados e doentes, muitos – a maioria – encontraram no “inocente” uso recreativo da maconha a porta de entrada para o mundo das drogas pesadas.

Quando minhas filhas estiverem maiores, já na idade de ser tentadas pelo discurso de progressistas bacanas que acham que certas substâncias possuem um charme transgressor e libertador, vou levá-las ao Desafio Jovem – endereço que certamente não constará nunca da marcha – para que elas vejam os riscos reais das drogas, sejam elas liberadas ou não.

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Ibope: Heitor cresce e Cals surpreende; o resto é recall e dúvida

Por Wanfil em Pesquisa

10 de Maio de 2012

Corrida eleitoral: largar bem não é garantia de vitória, no entanto, largar mal é certeza de esforço adicional na busca de recuperar terreno.

A pesquisa Ibope divulgada nesta quarta-feira com nomes de pré-candidatos para a Prefeitura de Fortaleza mostra uma quadro sem grandes surpresas. Encomendada pelo PSB, a consulta simulou quatro cenários de disputa, mudando os indicados de alguns partidos, uma vez que as convenções que definem as candidaturas ainda não foram realizadas.

Inácio e Moroni: recall

Em todos os cenários Inácio Arruda (PC do B) e Moroni Torgan (DEM) lideram. Nada mais natural, por serem nomes mais conhecidos, beneficiados com a exposição de campanhas passadas. Ambos já concorreram – e perderam – diversas vezes na capital, com bons desempenhos. Nesse momento, sem nomes definidos e faltando pouco mais de cinco meses para o pleito, o eleitor ainda não parou para avaliar opções. dessa forma, a pesquisa Ibope é recall, ou seja, o registro dos nomes mais lembrados. De qualquer forma, Moroni e Inácio, pelo histórico, começam com a vantagem de sempre: são candidatos bons de largada, mas que perdem fôlego na reta final. O desafio para eles é ultrapassar os 25% de preferência e segurar a vantagem.

Heitor Férrer e Marcos Cals: bem posicionados

Próximos aos líderes aparecem os nomes de Heitor Férrer (PDT) e Marcos Cals (PSDB). Férrer, de ator coadjuvante em outras campanhas majoritárias, desponta desta vez como alternativa real de poder. O deputado cresceu ao atuar como um dos poucos opositores de Cid Gomes na Assembleia Legislativa. Se conseguir sair candidato, tem boa perspectiva de desempenho.

Marcos Cals colhe os frutos da exposição obtida nas eleições para o governo estadual em 2010, quando terminou em segundo lugar com quase 20% dos votos, contrariando pesquisas. Boa parte dessa votação se deu na capital. O tucano não deixa de ser uma surpresa. Postula o cargo sem ter a cobertura de um mandato ou cargo público (o que gera visibilidade) e sem poder contar com uma militância partidária forte. Com um piso de mais ou menos 15%, mostra competitividade.

O resto é dúvida

Renato Roseno reaparece com a eterna missão de marcar território para o seu partido. Está onde sempre esteve, com 7% das intenções.

O restante dos candidatos gera mais dúvidas do que certezas. Artur Bruno (PT), Ferrucio Feitosa (PSB), Roberto Cláudio (PSB) e Elmano Freitas (PT) aparecem nas últimas posições, bem distantes dos líderes. Na verdade, ainda não entraram em campo, enquanto os adversários já se aquecem. O grupo ficar com a lanterna da pesquisa é algo esperado, posto que seus partidos, apesar de serem aliados na atual gestão, estão em processo de disputa interna justamente para saber quem será o escolhido, com risco iminente de racha.

A essa altura, o que deve preocupar o PT e o PSB é o passar do tempo. O romano Tito Lívio já alertava: “periculum in mora” ou “o perigo está na demora”.

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Mensalão em Fortaleza, mensalão em Brasília… Afinal, o que é o mensalão?

Por Wanfil em Corrupção

04 de Maio de 2012

D. Sebastião, o rei português desaparecido em batalha no séc. 16, que deu origem ao termo sebastianismo: a falsa esperança de que a realidade mude a partir de um evento. Não é assim que funciona.

O Ministério Público pediu ao  Tribunal de Contas dos Municípios (TCM) uma auditoria nas emendas repassadas pela prefeitura de Fortaleza aos vereadores da capital entre os anos de 2010 e 2011. O objetivo é investigar um suposto mensalão na Câmara de Vereadores de Fortaleza.

Paralelamente, há grande expectativa sobre o desfecho do mensalão original, aquele denunciado por Roberto Jefferson, derrubou José Dirceu, que poderá ser julgado ainda neste semestre no Supremo Tribunal Federal.

Esperança vã

Os mais indignados com a corrupção alimentam a esperança de que esses processos sirvam de lição aos corruptos. Alguns, mais inocentes ainda, anseiam pelo resgate da aura esquerdista carregada por partidos que alardeavam ter o monopólio da ética. Querem voltar a ser especiais, numa espécie de sebastianismo ideológico (Ver definição abaixo ou no link).

Ainda que nos dois casos as acusações sejam comprovadas e todos os envolvidos sejam punidos, é preciso dizer, para o desencanto geral, que  isso não representará nada mais do que um mero arranhão no invólucro da estrutura de poder vigente, que protege o seu núcleo, a hegemonia cultural da esquerda brasileira, patrocinadores dos mensalões em vigor. No mínimo, alguns soldados da infantaria poderão cair; no máximo, um oficial condecorado, como o próprio Dirceu, pode ser abatido, embora permaneça influente nas altas esferas do poder.

Os mensalões da vida serão vistos como pequenas nódoas derivadas de eventuais desvios particulares, crimes levados a efeito por agentes que se desviaram do caminho, nunca como método de conquista e consolidação de poder, de enriquecimento pessoal e partidário.

A verdadeira novidade

É bem verdade que a corrupção e a compra de parlamentares existem no Brasil desde antes da proclamação da República. A novidade é que a revelação destes crimes agora não abala em nada o prestígio moral de seus maiores beneficiários: presidentes, governadores ou prefeitos. Sarney percebeu a mudança de eixo, se mostrou aliado útil, e de vilão nacional foi alçado por Lula à condição de “brasileiro incomum”.

A reputação de partidos de esquerda que cresceram prometendo mudar “tudo o que está aí”, mas que agora se beneficiam dos métodos que antes condenavam, continuará preservada nos ambientes de influência cultural: escolas/universidades, redações e sindicatos. Bandido é o Bolsonaro, não o Romero Jucá ou o João Paulo Cunha.

Mensalão atual e os mensalões do passado

A diferença entre o mensalão atual e os mensalões de sempre está na força política de seus operadores. Leia mais

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O perigo de andar de ônibus ou ir ao banco em Fortaleza: muito mais que uma sensação de insegurança

Por Wanfil em Fortaleza, Segurança

19 de Abril de 2012

Apesar dos investimentos crescentes em segurança, os números da violência aumentam ano após ano. É hora do governo debater com a sociedade.

As notícias que sobre nove saidinhas bancárias em dois dias e mais de 100 assaltos a ônibus nos primeiros 3 meses do ano em Fortaleza, publicadas pelo Jangadeiro Online, mostram que a realidade já ultrapassou muito aquilo o que alguns especialistas chamam de “sensação de insegurança”. Vivemos na pele mesmo é uma onda crescente de insegurança real. Atividades comuns como pegar um coletivo ou ir a uma agência bancária, agora causam justificado medo nas pessoas. Medo que se transforma em paranoia, na medida em que nos obriga a manter um estado de alerta constante, tal como nas cidades que correm risco de atentados terroristas.

Violência crescente
Os números, sempre os números, mostram que essa percepção tem razão de ser. De acordo com o mais recente Mapa da Violência, divulgado pelo Instituto Sangari em parceria com o Ministério da Justiça, mostra que em 2010 a taxa de homicídios por grupo de 100 mil habitantes no Ceará 2010, ultrapassou, pela primeira vez, a média nacional, que foi de 26,2. Em 1994, a taxa estadual era de 9,5. Uma alta de 16,7 no índice. Uma calamidade.

Desculpas sobram aos montes, mas resultados impactantes no combate à criminalidade simplesmente inexistem. E como se o problema não fosse grave o bastante, o mais urgente e angustiante que vivemos, a maior preocupação do governo e de seus opositores é a construção de um aquário. Parecem não saber que para se ter aquário, emprego, turismo, educação e saúde, a premissa básica é no mínimo estar vivo.  Leia mais

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Uma conversa sobre eleições 2012 em Fortaleza, com Lídia Cavalcante

Por Wanfil em Entrevista

18 de Abril de 2012

Leio no blog da jornalista Kézya Diniz que alguns partidos em Fortaleza começam a se movimentar de olho no processo eleitoral deste ano. Propagandas de televisão, reuniões, ensaios e entrevistas. Sem contar o clima de racha entre as siglas que atualmente comandam a capital cearense, PT e PSB. Com o avançar do calendário, as eleições 2012 entram no noticiário paulatinamente.

Ainda é cedo para definir favoritos. O importante agora é tentar enxergar tendências e a movimentação em torno da expectativa de poder gerada por um processo eleitoral em que o chefe do executivo não poderá concorrer à reeleição. Para isso, conversei com a cientista política Lídia Cavalcante Freitas, que atua como consultora de marketing político e de comunicação. Pensei muito antes de convidar alguém para falar sobre esse assunto. Evitei os medalhões acadêmicos de sempre, cujas ideias já são pra lá de conhecidas, e procurei alguém que reúna conhecimento teórico com prática, juventude com experiência. Daí nasceu a conversa com a Lídia Cavalcante, a quem agradeço a gentileza. Segue o bate-papo.

Wanfil –  Quais forças políticas polarizam, com real expectativa de poder, a disputa eleitoral em Fortaleza neste ano?

Lídia Cavalcante – Em um cenário de sucessão, onde a prefeita não pode mais se candidatar, emergem várias forças, inicialmente dentro do próprio partido que está no governo e que apresenta seus nomes. No campo das oposições, o PDT tem o deputado estadual Heitor Férrer como pré-candidato; no PSDB, a expectativa gira em torno do nome do ex-deputado estadual Marcos Cals; há a expectativa em torno do DEM, com o já conhecido candidato Moroni Torgan; e o PSOL, que deverá apresentar Renato Roseno, que conseguiu excelente votação para deputado federal em 2010. O PMDB ainda mantém diálogo interno para definir se apresentará candidato ou se irá compor a aliança com o PT.

Pode haver ainda uma divisão da base da prefeita Luizianne Lins e o surgimento de duas novas candidaturas, com Roberto Cláudio pelo PSB (embora existam outros nomes à disposição) e Inácio Arruda pelo PC do B. O cenário do momento, entre os partidos, basicamente é esse.

Wanfil – PT e PSB compuseram uma aliança bem sucedida no Ceará nos últimos 8 anos, mas que agora mostra desgaste. Além disso, nem Cid Gomes, nem Luizianne Lins, podem concorrer à reeleição. Como isso afeta essa parceria?

LD – A parceria entre o governador e a prefeita refere-se à manutenção do poder de seus grupos no Ceará e em Fortaleza. No entanto, são projetos distintos. O processo de sucessão é encarado por ambos como mais um degrau estratégico para casa um, pois a escolha do sucessor reflete a influência de ambos dentro de seus partidos, não necessariamente às diretrizes partidárias. Como presidentes de seus partidos, conseguiram manter até o momento a aliança eleitoral, mas esta se apresenta corroída pelos questionamentos internos de ambos os partidos.

Não há, hoje, dentro do PSB e do PT, uma convicção de que a aliança deva ser mantida a todo custo, nem de que ela seja vital para cada um dos partidos, e é crescente o desejo no PSB de desvincular sua imagem à gestão de Luizianne. As rachaduras na parceria ganham mais extensão na impossibilidade de reeleição de ambos, o que traz a oportunidade para novos nomes assumirem as posições principais de gestores municipais e estaduais, respectivamente. Para os partidos da base aliada, inclusive para parte do PT, a sustentação da aliança gira em torno da apresentação de uma nova ideia de gestão, diferente da desenvolvida por Luizianne nos últimos 8 anos. Leia mais

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É hora de resgatar o espírito inovador de Fortaleza

Por Wanfil em História

13 de Abril de 2012

Fortaleza em 1935 (Rua Floriano Peixoto): Arquitetura imponente, vias limpas e bem desenhadas, bondes e fios. A cidade exalava modernidade e organização, fruto de um espírito inovador.

Em visita a Fortaleza durante uma expedição científica pelo Brasil, o casal Louis e Elizabeth Agassiz relatou da seguinte forma a cidade: “Sente-se aqui movimento, vida e prosperidade”. Isso foi em 1866, conforme registro da Revista do Instituto Histórico do Ceará.

O olhar estrangeiro reconheceu na capital cearense um ambiente criativo e salutar justamente no momento em que Fortaleza se transforma num dos principais centros urbanos do país, com o crescimento das exportações de algodão. Nesses 286 anos de vida, podemos dizer que a década de 60 do século XIX foi o ponto de afirmação de um estado de espírito que marcou Fortaleza e o Ceará: uma inquietude alegre, o anseio de ser moderno, não apenas fisicamente, mas um centro de efervescência política e intelectual.

Nesse período, figuras proeminentes se destacavam nacionalmente em diversas áreas. Na política, o Partido Liberal foi conduzido por nomes como Martiniano de Alencar, Thomaz Pompeu (o futuro senador Pompeu), Nogueira Accioly e Vicente Alves de Paula Pessoa. Já o Partido Conservador contava com líderes como Antônio Rodrigues Ferreira (o boticário que deu nome à Praça do Ferreira), o senador Fernandes Vieira e os barões de Ibiapaba e Aquiraz.

A cidade também era retratada, com críticas e elogios, em artigos e obras literárias de Oliveira Paiva, José de Alencar, Adolfo Caminha e Antônio Sales, que abordavam temas como urbanização, modernidade, filosofia, moda e comportamento. A pujança criativa culminou na criação da Padaria Espiritual em 1892, movimento literário que antecipou diversos pontos da Semana de Arte Moderna, de 1922.

A imprensa igualmente fazia refletir essa multiplicidade de posições, com publicações de linha editorial conflitantes. Circulavam na época seis jornais em Fortaleza, como os diários Pedro II e Constituição (conservadores), opostos do Cearense e do Jornal de Fortaleza (liberais), além do jornal maçom Fraternidade, de 1873.

Não quero aqui afirmar que a moral política ou o tônus intelectual fossem mais elevados no passado e que tenham se deteriorado com o tempo. Não. Digo apenas que em Fortaleza as discussões de interesse coletivo ensejavam o envolvimento de cidadãos e personalidades marcantes, desde estudante de origem humilde a líderes de segmentos diversos. A cidade cresceu sob o signo dessas disputas que, nos dias de hoje, arrefeceram, causando certa anemia política e paralisia administrativa. Leia mais

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PSB e PT cearenses encenam trama antiga de aliança e traição

Por Wanfil em Eleições 2012, Partidos, Política

30 de Março de 2012


Ivo Gomes e Luizianne Lins unidos pelas circunstâncias em passado recente, agora afastados. O que mudou? As circunstâncias, claro.

A aliança vitoriosa entre PSB e PT no Ceará obedece a uma velha prática do frágil partidarismo brasileiro: é baseada em circunstâncias, não em convicções. Onde se lê aliança programática, entenda-se divisão de espaços (e verbas) na máquina pública. Essa realidade não resulta de um desvio ocasional ou particular, mas atende, sobretudo, a essa nefasta regra geral em nosso país, que pode se mostrar mais ou menos acentuada, a depender do governo avaliado.

Garantia expirada
No Ceará, a parceria entre o PT dono do poder federal e o PSB comandado pela família Ferreira Gomes, em 2006, derrotou a longa hegemonia do PSDB no Estado. Os fiadores desse projeto foram o governador Cid Gomes e a prefeita Luizianne Lins, que sem maiores dificuldades administraram a desconfiança mútua que seus grupos – adversários no passado – nutrem um pelo outro no presente. No entanto, agora que os líderes desse processo não concorrerão mais a uma reeleição, as expectativas e especulações sobre uma nova configuração de poder aumentam.

Com popularidade em baixa (o que siginifica pouca capacidade de transferir votos), Luizianne não consegue emplacar um discurso de continuidade e nem apresenta um nome viável de sua confiança para sucedê-la.

Sem perdão
Os Ferreira Gomes, naturalmente, sentiram a oportunidade proporcionada pelo momento. E assim começam a escalar os próceres de seu grupo político, Ivo, Ciro e Arialdo Pinho, para criticar a gestão petista na capital cearense. A intenção óbvia é tentar descolar a imagem do PSB e do governador da gestão petista em Fortaleza, como se não tivessem tido responsabilidade alguma nas duas eleições de Luizianne. Não se trata de ser leal ou ingrato. É sobrevivência, é projeto de poder. É feio, mas é assim. Embarcar numa candidatura bancada por uma liderança fragilizada é um risco.

Assim é que, após quase oito anos de aliança, aparecem os três, muito surpresos com tantos problemas e preocupados com o bem-estar da população, apontando dificuldades administrativas e até corrupção. Isso mesmo. Ivo Gomes afirmou que dinheiro público é repassado a um hospital particular apenas para beneficiar um vereador, que seria o seu dono (bem que a Câmara de Vereadores poderia convidar o Chefe de Gabinete do governador do Estado, autoridade com imensas responsabilidades, para explicar melhor essa história e dar nomes aos bois, afinal, se trata de dinheiro do contribuinte).

É esperar pra ver
O fato é que a relação entre PT e PSB é a crônica de uma traição anunciada, assim como foi o pacto Ribbentrop-Molotov, tratado de não agressão firmado entre Rússia e Alemanha pouco antes da Segunda Guerra Mundial. Como tal, a questão é saber quem quebrará o acordo primeiro. Os canhões de ataque já estão perfilados, pressionando a prefeita. O PT, que sempre teve no PSB uma mera força de apoio, irá capitular e deixar que o governador indique o nome que disputará pela atual coligação? Quem sabe. Em termos políticos, eu nunca subestimo Luizianne. No entanto, como diz a musiquinha, quem sabe faz a hora, não espera acontecer.

*Texto meu publicado originalmente no blog Polítika, da jornalista Kézya Diniz.

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PSB e PT cearenses encenam trama antiga de aliança e traição

Por Wanfil em Eleições 2012, Partidos, Política

30 de Março de 2012


Ivo Gomes e Luizianne Lins unidos pelas circunstâncias em passado recente, agora afastados. O que mudou? As circunstâncias, claro.

A aliança vitoriosa entre PSB e PT no Ceará obedece a uma velha prática do frágil partidarismo brasileiro: é baseada em circunstâncias, não em convicções. Onde se lê aliança programática, entenda-se divisão de espaços (e verbas) na máquina pública. Essa realidade não resulta de um desvio ocasional ou particular, mas atende, sobretudo, a essa nefasta regra geral em nosso país, que pode se mostrar mais ou menos acentuada, a depender do governo avaliado.

Garantia expirada
No Ceará, a parceria entre o PT dono do poder federal e o PSB comandado pela família Ferreira Gomes, em 2006, derrotou a longa hegemonia do PSDB no Estado. Os fiadores desse projeto foram o governador Cid Gomes e a prefeita Luizianne Lins, que sem maiores dificuldades administraram a desconfiança mútua que seus grupos – adversários no passado – nutrem um pelo outro no presente. No entanto, agora que os líderes desse processo não concorrerão mais a uma reeleição, as expectativas e especulações sobre uma nova configuração de poder aumentam.

Com popularidade em baixa (o que siginifica pouca capacidade de transferir votos), Luizianne não consegue emplacar um discurso de continuidade e nem apresenta um nome viável de sua confiança para sucedê-la.

Sem perdão
Os Ferreira Gomes, naturalmente, sentiram a oportunidade proporcionada pelo momento. E assim começam a escalar os próceres de seu grupo político, Ivo, Ciro e Arialdo Pinho, para criticar a gestão petista na capital cearense. A intenção óbvia é tentar descolar a imagem do PSB e do governador da gestão petista em Fortaleza, como se não tivessem tido responsabilidade alguma nas duas eleições de Luizianne. Não se trata de ser leal ou ingrato. É sobrevivência, é projeto de poder. É feio, mas é assim. Embarcar numa candidatura bancada por uma liderança fragilizada é um risco.

Assim é que, após quase oito anos de aliança, aparecem os três, muito surpresos com tantos problemas e preocupados com o bem-estar da população, apontando dificuldades administrativas e até corrupção. Isso mesmo. Ivo Gomes afirmou que dinheiro público é repassado a um hospital particular apenas para beneficiar um vereador, que seria o seu dono (bem que a Câmara de Vereadores poderia convidar o Chefe de Gabinete do governador do Estado, autoridade com imensas responsabilidades, para explicar melhor essa história e dar nomes aos bois, afinal, se trata de dinheiro do contribuinte).

É esperar pra ver
O fato é que a relação entre PT e PSB é a crônica de uma traição anunciada, assim como foi o pacto Ribbentrop-Molotov, tratado de não agressão firmado entre Rússia e Alemanha pouco antes da Segunda Guerra Mundial. Como tal, a questão é saber quem quebrará o acordo primeiro. Os canhões de ataque já estão perfilados, pressionando a prefeita. O PT, que sempre teve no PSB uma mera força de apoio, irá capitular e deixar que o governador indique o nome que disputará pela atual coligação? Quem sabe. Em termos políticos, eu nunca subestimo Luizianne. No entanto, como diz a musiquinha, quem sabe faz a hora, não espera acontecer.

*Texto meu publicado originalmente no blog Polítika, da jornalista Kézya Diniz.