Fortaleza Archives - Página 10 de 15 - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Fortaleza

Dilma para Roberto Cláudio: “Olha aqui, meu filho!”

Por Wanfil em Brasil, Política

25 de junho de 2013

Governadores e prefeitos reunidos com a presidente. Muita pose e pouca ação. Divulgação.

Governadores e prefeitos reunidos com a presidente. Muita pose e pouca ação. Divulgação.

O jornal O Globo publicou matéria sobre os bastidores da reunião entre a presidente Dilma, governadores e prefeitos, realizada na segunda-feira, por um pacto de melhoria dos serviços público. Segue em azul reprodução de trecho em que o prefeito de Fortaleza é citado (grifos meus):

Quando o prefeito de Fortaleza, Roberto Claudio (PSB), reclamou da dificuldade de os municípios reduzirem as tarifas de ônibus, foi enquadrado com muita irritação por Dilma.

Olha aqui, meu filho! Eu conheço muito bem todos esses números! — interrompeu a presidente, de dedo em riste na direção do prefeito.

Comentário

Que dias confusos. Um pacto não pode ser imposto com irritação, apesar da gravidade do momento. Trata-se, pois, de um acordo. Roberto Cláudio não merecia ser tratado, pelo que se lê, como um subalterno inconveniente, um intrometido que não sabe o próprio lugar.

Além de sujeito cordado e educado, o prefeito é também uma figura institucional. Não pode ser levado na base do “meu filho”, especialmente em encontro oficial. Ali, na condição de autoridade constituída, Roberto Cláudio representa não um aliado qualquer, mas o povo de Fortaleza. Respeito no trato é o mínimo que se espera de outra autoridade, especialmente de uma que está em apuros. Ainda que as circunstâncias do momento possam servir de atenuante, não justificam a deselegância.

Dilma merecia ouvir, em resposta, a seguinte constatação: “Presidente, se a senhora sabe de tudo, não precisamos estar aqui. Com todo o respeito, tenho muito trabalho a fazer na minha cidade”. Mas isso falo eu, que não devo nada a Sua Excelência, que escrevo movido pelo orgulho ferido de cidadão indignado com o descaso e o desdém com os quais o Ceará vem sendo tratado nos últimos anos, na base de promessas que nunca são cumpridas, como a refinaria, afinal, o voto aqui é fácil.

Por outro lado, é bem verdade que quem muito se sujeita, acaba menosprezado. E isso explica, em parte, a postura da presidente. Como se diz por aí, é o encontro da fome com a vontade de comer.

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Governo divulga nota desastrada sobre o Fortaleza Apavorada

Por Wanfil em Segurança

11 de junho de 2013

Sobre a nota oficial do governo do Ceará a respeito da manifestação organizada pelo grupo Fortaleza Apavorada contra a violência, marcada para a próxima quinta (13), em frente ao Palácio da Abolição, cabem algumas considerações.

O texto é assinado por Danilo Serpa, chefe do Gabinete do Governador, a mais  nova autoridade em segurança do Ceará. Diz a nota: “Chegou ao conhecimento deste Gabinete que grupos partidários e marginais de uma milícia que está sendo combatida dentro do organismo policial, pretendem se infiltrar na manifestação com o intuito de provocar violência e gerar repressão que escandalize a opinião pública”.

Pergunta 1: Como foi obtida essa informação e quem são esses marginais? Sem isso, a disposição manifesta de reprimi-los mediante uso da força se transforma em ameaça genérica e difusa. Se o governo não sabe quem são, a conclusão é que todos os que lá estiverem serão suspeitos em potencial. Se sabe, e se fazem parte de milícia, já deveriam estar presos.

Continua o Sr. Serpa: “Aproveitamos para pedir aos participantes do movimento que evitem trazer crianças para a manifestação e não aceitem provocações de indivíduos infiltrados”.

Pergunta 2: E se os milicianos, que segundo o governo estão soltos para criar pânico na cidade, resolverem agir durante a Copa das Confederações, infiltrando-se entre os torcedores, o conselho de não levar crianças ao Castelão deve ser considerado?

Tiro no pé

Há algo de estranho no ar. Muito se fala em possíveis interesses partidários no Fortaleza Apavorada, mas não há provas até o momento de que o movimento não seja uma reação espontânea ao quadro de violência que assusta os cidadãos cearenses.

A nota oficial carece, naturalmente, da chancela de alguma autoridade da área de segurança. A divulgação das informações que “chegaram ao conhecimento do Gabinete”, vagas e imprecisas, não ajudam a resolver nada, nem tranquilizam a população, pelo contrário, reforçam o clima de tensão que alimenta a insatisfação geral com o avanço da violência. Pior ainda: se houver algum confronto, se algum inocente sair ferido, a nota serve de recibo para que se acuse o governo incompetência pela incapacidade de garantir a segurança dos manifestantes.

O que poderia ser uma ótima oportunidade para o governo trabalhar canais de diálogo, virou um tiro no pé, que ao final chama mais atenção ainda para o protesto. Seria muito mais eficaz anunciar que o governador estaria aberto para receber os organizadores do movimento, pois toda ajuda é seria bem vinda, etc. e tal. Isso ajudaria a desarmar os espíritos e ganharia a simpatia de todos que querem uma saída para a situação difícil que vivemos.

Contradição

A nota se vale do fantasma sem rosto de uma suposta milícia para reafirmar a tese de que o maior problema de segurança no Ceará não são os bandidos ou a gestão, mas uma intriga política dentro da polícia. É uma contradição, pois aliados do governo impediram a criação de uma CPI na Câmara do Vereadores de Fortaleza para investigar, justamente, essas milícias. Na Assembleia, a ideia também foi abortada, embora a denúncia seja do próprio governo que tem maioria na Casa.

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Morreu em Fortaleza atrapalhando o tráfego na Copa das Confederações

Por Wanfil em Ceará

06 de junho de 2013

A notícia de que enterros próximos ao Castelão serão restritos em dias de jogos durante a Copa das Confederações repercutiu intensamente nas redes sociais da Tribuna do Ceará. Certos temas possuem o condão de mobilizar a pessoas e a morte é um desses. Nesse caso, não a morte em si, mas os rituais funerários marcados pelo respeito à dor dos parentes e amigos do ente que parte. Nessas horas, tudo mais fica em segundo plano: trabalho, encontros sociais, férias, obrigações legais, qualquer outro compromisso é adiado diante da necessidade de se prestar a última homenagem. É um tipo de solidariedade que nos irmana porque todos estamos sujeitos a isso.

Ainda que involuntariamente, a proposta tem dois pontos que afrontam a liturgia dos cortejos fúnebres: a impressão de eleger uma festa como prioridade em detrimento ao luto, e a suspeita de que a ordem social e administrativa, portanto coletiva, está submetida a interesses particulares.

Respeito 

No fundo, até compreendo a preocupação da Autarquia Municipal de Trânsito (AMC), uma vez que, como ficou comprovado no recente show do cantor Paul McCartney em Fortaleza, o grande problema para um evento no Castelão é justamente a debilidade das vias de acesso ao local.

É função da autoridade responsável pelo trânsito pensar em soluções que atenuem essa realidade,  mas é preciso bom senso. É necessário respeito não apenas pelos cidadãos, mas pelos valores compartilhados pela comunidade. As medidas tomadas para organizar e minimizar transtornos no tráfego não podem exceder os direitos básicos de quem vive na cidade. Cadastrar carros de moradores, impedindo pessoas de outros bairros de visitarem casas na região do estádio beira ao abuso.

Algumas ações podem até maquiar realidade, mas tem coisas que impossíveis de disfarçar. E a precariedade no que tange à acessibilidade ao Castelão é uma delas.

A vida supera a arte

Por fim, toda essa história me fez lembrar da música de Chico Buarque sobre um operário que despenca de uma Construção. Reproduzo alguns trechos e retomo em seguida:

Morreu na contramão atrapalhando o tráfego / Morreu na contramão atrapalhando o público / Morreu na contra-mão atrapalhando o sábado / E pela paz derradeira que enfim vai nos redimir, Deus lhe pague

A canção fala da insensibilidade geral diante da morte do cidadão simples, afinal, a construção não pode parar. Em Fortaleza, a realidade caminha para além da ficção. Além da morte como contratempo para a grande festa, nem mesmo a “paz derradeira que redime” é permitida aos que partirem durante dia de jogo na Copa das Confederações.

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Marcha da Maconha? Mas se a maconha não marcha, quem marcha então?

Por Wanfil em Ceará

27 de Maio de 2013

Maconha em formato "recreativo", segundo os defensores da legalização, popularmente conhecido como "baseado"

Maconha em formato “recreativo”, segundo os defensores da legalização, popularmente conhecido como “baseado”

Cerca de 300 pessoas participaram, no domingo (26), da terceira Marcha da Maconha em Fortaleza. A estimativa é da Polícia Militar. Nada tenho contra esses manifestante, que apenas exercem o direito à livre expressão, conforme entendimento do STF, desde que não incitem o consumo da droga, o que seria crime, conforme o artigo 33, § 2º da Lei 11.343.

Preocupados com a saúde e o bem-estar geral da humanidade, esses abnegados entusiastas da causa lutam pela legalização da maconha para uso medicinal e recreativo. Alguns certamente militam em causa própria, mas até onde se sabe, durante a passeata não deram efeito às suas, digamos, convicções. Os argumentos a favor e contra são muitos e estão aí na internet para quem quiser pesquisar.

Marcha dos inocentes admiradores da maconha

Todavia, faço aqui meu protesto contra o nome do evento: Marcha da Maconha. Maconha marcha? Não, quem marcha são as pessoas. Não gosto de nada que projete em coisas inanimadas comportamentos humanizados. O pessoal de marketing é craque nisso, mas é algo feito para induzir um comportamento, no caso, a compra de um produto, o que não combina com a intenção cívica dos manifestantes de “conscientizar” as pessoas.

Por isso, reproduzo trecho de post que escrevi no ano passado:

“Pessoalmente, prefiro chamar a marcha da maconha de “Marcha dos Maconheiros”,  não por provocação gratuita, mas por um motivo simples: maconha – a planta natural ou sua forma recreativa batizada de “baseado” – não marcha. Poderia chamá-la de Marcha dos Maconhados, mas aí estaria dizendo que os participantes estariam sob efeito da droga. Talvez de “Marcha dos Apologistas da Maconha”, o que seria arriscado, pois a apologia é crime. Portanto, com todo o respeito, opto pelo substantivo ‘maconheiro’ para me referir aos defensores da liberação desse entorpecente.”

Voltando ao presente, pensei melhor e percebi que os engajados defensores da maconha acreditam lutar por um mundo melhor. Pelo menos é o que afirmam. Mesmo não concordando com eles, lhes devo o crédito da boa intenção. Até dizem que legalizar a maconha é uma forma de acabar com o tráfico de drogas, coisa que não aconteceu em nenhum lugar onde o consumo dela tenha sido liberado. De qualquer forma, como por algum motivo a palavra “maconheiro” carrega uma conotação pejorativa, pensei em uma nova denominação: Marcha dos Inocentes Admiradores da Maconha. A expressão ainda tem o conveniente de não admitir uma relação mais íntima dos manifestantes com o mundo das drogas.

De todo modo, é uma sugestão despretensiosa, de caráter meramente restrito o campo da comunicação. É o meu direito ao uso da liberdade de expressão defendida pelos… andarilhos da Marcha da Maconha. Leia mais

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Debate sobre segurança no Ceará não pode virar briga pessoal entre Ciro e Capitão Wagner

Por Wanfil em Segurança

21 de Maio de 2013

As acusações do ex-governador Ciro Gomes contra o vereador Capitão Wagner, pelas quais o parlamentar seria chefe de uma milícia criminosa, ofuscaram a notícia de que Fortaleza, segundo avaliação de risco divulgada pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin), é a cidade-sede mais perigosa para turistas na Copa das Confederações, no mês que vem.

Eis o único efeito prático da acalorada discussão entre essas duas figuras públicas: mudar o foco do noticiário. Se para os turistas a coisa não é boa, imagine para quem vive no local…

Não é impulso, é cálculo

Ciro é conhecido pelas declarações polêmicas e impulsivas, no entanto, essas últimas estão em perfeita sintonia com as recentes manifestações de outras autoridades do governo estadual, todas convergindo para a denúncia de supostos interesses políticos na área de segurança, numa sincronia que não pode ser creditada ao acaso, mas que antes revela método e cálculo nessas abordagens.

O próprio governador Cid Gomes e o secretário de Planejamento Eduardo Diogo já disseram que uma greve de policiais militares será punida com a prisão dos envolvidos, no que agora são repetidos por Ciro, com o seu peculiar estilo de sempre: “cabeças rolarão”.

Diogo estreitou o alvo para “meia dúzia” de líderes. Ciro agora aponta Wagner como a cabeça por trás de uma espécie de complô contra o governo estadual, mas não apresenta provas para os crimes que denuncia. Assim, além de mudar o enfoque e de colocar em pauta a versão do governo para os problemas de segurança, as intervenções de Ciro ainda possuem a vantagem adicional de preservar a imagem de Cid, principal autoridade responsável por dar respostas a eles.

Em resposta, Wagner afirma que irá acionar a Justiça e chama Ciro, nas redes sociais, de “comentarista esportivo” e de “desequilibrado”, na intenção de desqualificá-lo para o debate, sem atentar para o fato de que o ex-ministro não possui cargo no governo, o que bastaria para evitá-lo como interlocutor.

De tudo isso, temos os seguintes resultados:

a) a impressão de que o problema da explosão de criminalidade no Ceará não passa de uma briga entre policiais e o irmão do governador, ou seja, uma questão meramente pessoal, destituída de qualquer conteúdo mais profundo;

b) a fuga do que realmente interessa tratar: formas de recuar os índices de violência que avançam e que já colocam o Ceará como o estado mais violento do Nordeste;

c) a decomposição da autoridade do secretário efetivo de Segurança, coronel Francisco Bezerra, diante do protagonismo de Ciro, que passa a atuar como um secretário informal da pasta.

Enquanto eles brigam, perdemos a guerra

Não quero menosprezar os riscos desse impasse entre a cúpula do governo e os policiais militares. Nem sequer entro no mérito da questão, pois, a essa altura, pouco importa ao cidadão quem tem razão. Parece estranho dizer isso, mas é a verdade. Seria como ver o país ser invadido por um exército inimigo enquanto lideranças civis e militares permanecessem inertes, ocupadas demais em trocar acusações entre si.

Os gravíssimos problemas de segurança pública no Ceará e a falta de eficácia das medidas adotadas nos últimos anos não podem ser resolvidos a partir das premissas colocadas na briga entre Ciro Gomes e Capitão Wagner. Nada disso mudará a constatação de que a situação aqui é crítica, fato, inclusive, que já ultrapassa as fronteiras do Estado, tornada pública até pela Abin.

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Paciência tem limite!

Por Wanfil em Tribuna Band News FM

25 de Abril de 2013

Agricultores bloqueiam diversas rodovias no Ceará para protestar contra a demora nas ações de combate à seca. No mérito da questão, fazem coro às reclamações feitas recentemente por empresários cearenses em uma carta para a presidente Dilma.

Em Fortaleza, motoristas e trocadores de ônibus paralisam terminais rodoviários em protesto contra a violência, depois que um motorista foi baleado no olho por um adolescente em mais um assalto.

Essas manifestações possuem um objetivo comum: exigir soluções para problemas gravíssimos e de conhecimento geral. Devem, ou deveriam, servir também de alerta aos gestores.

É que nos últimos anos, as únicas instâncias que cobravam isso ou aquilo do poder público eram o Ministério Público e a imprensa. Tanto que, não por acaso, projetos de lei que visam coibir a ação de ambos tramitam no Congresso Nacional.

Agora, setores da sociedade se organizam para fazer, eles próprios, essas cobranças que, aliás, são justíssimas. E não adianta culpar a oposição, porque essa, coitada, não consegue mobilizar ninguém mesmo. Também não adianta fingir que o problema não existe, pois isso apenas demonstraria que os responsáveis pela situação não sabem como resolvê-lo.

Os governos podem fazer muitas coisas, como estádios para copas, shows internacionais, promover torneios de luta e até construir hospitais, o que seja, mas tudo isso acaba menor quando a insegurança e a fome batem à porta das pessoas.

Propagandas e discursos podem até servir para ganhar algum tempo, mas os fatos, sempre os fatos, acabam se impondo. É quando a paciência do distinto público, não suportando mais tanta conversa para tão pouca ação, chega ao fim.

Ouça o áudio:

[haiku url=”http://tribunadoceara.uol.com.br/blogs/wanderley-filho/files/2013/04/POLITICA-WANDERLEYFILHO-25-04-13.mp3“]

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Barracas da Praia do Futuro: passado de omissão, presente de incerteza

Por Wanfil em Tribuna Band News FM

23 de Abril de 2013

Como areia da praia, o tempo passa pelas mãos e nada se resolve: sem passado e sem futuro

Como areia da praia, o tempo passa pelas mãos e nada se resolve: presos num presente que não se desenrola, sem passado e sem futuro.

A Justiça Federal decide nesta terça-feira se as barracas da Praia do Futuro, em Fortaleza, devem ou não ser retiradas do local. A ação foi movida ainda em 2005 pelo ministério público federal. O órgão afirma que a ocupação é ilegal e os proprietários dos estabelecimentos, claro, dizem que não ferem a legislação.

É a velha história. A omissão do poder público no que diz respeito a temas ligados ao meio ambiente e à urbanização permitiu que a ocupação de importantes áreas de Fortaleza se desse de forma desorganizada e na base do improviso. Agora, caberá à Justiça definir quem tem razão na peleja. Quanto a isso, conforme seja a decisão, que se proceda com as devidas ações.

No entanto, apesar dessa obviedade, o procurador da República Alessander Sales criticou a Prefeitura de Fortaleza pela intenção de formar um grupo de trabalho para estudar a realocação das barracas, chegando a dizer que atos nesse sentido poderão ser interpretados como improbidade administrativa.

Sinceramente, é desnecessário polemizar ainda mais a questão. Primeiro, quem decide a legalidade da situação é a Justiça e não o Ministério Público ou a prefeitura; segundo, qualquer que seja a decisão, ainda caberá recurso em instâncias superiores; e terceiro, o estudo de alternativas para a situação é sim necessário, uma vez que a Praia do Futuro possui grande apelo turístico, além de ser, apesar da poluição e da violência, um dos poucos espaços públicos de lazer capazes de atrair os próprios cearenses.

O debate sobre a melhor forma de usar esse patrimônio natural de Fortaleza é fundamental e sempre oportuno. O problema, entretanto, não são as partes em litígio, mas a demora em resolver o impasse. Essa discussão já se arrasta por longos oito anos e não tem data para acabar.

Enquanto isso, no entorno da Praia do Futuro, a falta de políticas de urbanização faz saltar aos olhos a decadência de prédios abandonados, a falta de equipamentos turísticos, a proliferação de favelas e o aumento da criminalidade. Essa demora, essa capacidade de empurrar tudo para adiante, é que lasca.

Ouça o áudio:

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Atentado em frente ao Fórum de Fortaleza: O que mais falta acontecer para mudar o time da segurança?

Por Wanfil em Tribuna Band News FM

20 de Abril de 2013

Geralmente quando a violência atravessa as fronteiras das favelas e dos bairros periféricos para avançar sobre as áreas mais prósperas de uma cidade, suas autoridades buscam agir rapidamente para fazer recuar os marginais e assim delimitar uma linha de contenção. Quando essas medidas falham, todos acabam reféns do medo imposto pelos criminosos e as autoridades passam então a cuidar pelo menos da própria segurança, valendo-se das prerrogativas dos cargos que ocupam.

A ilusão de segurança experimentada por essas autoridade é temporária, pois inevitavelmente a situação degenera sempre mais, já que a ousadia dos criminosos aumenta à medida que o poder público não consegue reagir. É quando juízes, promotores, deputados, prefeitos, seja quem for, percebem que estão no mesmo barco das pessoas comuns.

Esse roteiro da escalada da violência é precisamente o que vivenciamos agora em Fortaleza.

Na sexta-feira (19), um homem foi executado à bala em frente ao Fórum Clóvis Beviláqua! Outros dois ficaram feridos. Não é preciso entrar detalhes para perceber que o atentado, feito diante de um prédio público guardado por policiais e que representa a Justiça, tem um valor simbólico gravíssimo: os poderes do Estado já estão acuados em suas próprias instalações. Isso equivale a dizer que a sociedade está encurralada pelo crime.

Não quero parecer dramático ou alarmista, pois isso nem sequer é necessário. Qualquer pessoa que viva em Fortaleza sabe do que estou falando.

O governo do Estado começa a reconhecer, timidamente, que a situação é alarmante. Acontece que isso, o cidadão já descobriu faz tempo. É preciso disposição política para uma ação radical, a começar por mudanças concretas e oficiais no comando dos órgãos de segurança. O que mais falta acontecer para que isso seja feito?!

É preciso pedir ajuda a quem já enfrentou problema semelhante. Tudo isso o quanto antes! Os bandidos, não respeitam – e muito menos temem! – o Estado e seus titulares. O crime perdeu todo e qualquer limite.

Ouça o áudio:

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Governador e prefeito de Fortaleza resolvem problema da segurança… deles!

Por Wanfil em Tribuna Band News FM

17 de Abril de 2013

Meu comentário na rádio Tribuna BandNews FM – 101.7, sobre a criação, pelo governo do Estado, da Coordenadoria Militar da Prefeitura de Fortaleza.

Ouça o áudio:

[haiku url=”http://tribunadoceara.uol.com.br/blogs/wanderley-filho/files/2013/04/POLÍTICA-WANDERLEY-Coordenadoria-Militar-da-Prefeitura-de-Fortaleza.mp3″]

 

Segue a transcrição:

Agora é oficial! A segurança do prefeito Roberto Cláudio será feita por policiais militares, conforme decreto do Governo do Estado. Antes, essa atribuição era da Guarda Municipal.

Vereadores da oposição criticam a iniciativa e dizem que policiais serão retirados das ruas justamente quando os índices de violência só aumentam. E lembram que a medida abre um precedente óbvio, caso prefeitos de outras cidades do Ceará também queiram a providencial segurança feita pela Polícia Militar.

Apesar da polêmica, em todo o mundo autoridades precisam de segurança especial, afinal, elas representam o próprio Estado. Mas existem, nesse caso de Fortaleza, algumas particularidades que ilustram bem o momento que vivemos.

Primeiro, governantes da capital cearense não ocupam uma posição de risco quanto a crimes de natureza ideológica ou política, tal qual cidades ameaçadas, por exemplo, pelo terrorismo internacional.

Segundo, vivemos, pelo menos oficialmente, em tempos de paz, sem inimigos no exterior e sem grupos paramilitares agindo em território nacional.

Terceiro, Roberto Cláudio já dispunha sim de uma segurança, só que feita, como eu disse, pela Guarda Municipal. Acontece que seus membros não portam armas de fogo, enquanto bandidos, sequestradores, assaltantes e traficantes, que são os únicos perigos à segurança do excelentíssimo prefeito, estão armados até os dentes.

No fundo, o projeto enviado à Câmara pelo prefeito Roberto Cláudio e o decreto assinado pelo governador Cid Gomes não deixam de ser uma forma de reconhecimento sobre o perigo real e imediato que é viver no Ceará e especialmente em Fortaleza nos dias de hoje.

Agora que o prefeito e o governador estão com seus problemas de segurança particular resolvidos, é hora de ver a segurança da população, que além de custear o bem estar de seus representantes, precisa pagar, quando pode, por segurança privada. Ou então, rezar a Deus para viver mais um dia.

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Gestão Roberto Cláudio completa 100 dias: eu cobro assim como sou cobrado

Por Wanfil em Fortaleza

04 de Abril de 2013

Comigo é assim: cobro na mesma medida em que sou cobrado. A mim não é dado o direito de ignorar ou atrasar prazos. Portanto...

Comigo é assim: cobro na mesma medida em que sou cobrado. A mim não é dado o direito de ignorar ou atrasar prazos. Portanto…

Dias atrás, no post Governar é diferente de fazer campanha, registrei a perceptível mudança na estratégia de comunicação da Prefeitura de Fortaleza: “o ímpeto midiático dos primeiros dias da nova gestão arrefeceu”.

Na ocasião, ainda fiz um alerta: “O risco é justamente gerar mais expectativas, quando o momento é de baixá-las, mostrando que as promessas demandam tempo para serem cumpridas”.

Água na fervura

Parece que não sou o único a pensar assim. Tanto é que agora no começo de abril, em entrevista gravada ao programa Ideia Jangadeiro, o prefeito Roberto Cláudio aproveitou a marca de 100 dias (a ser completada no próximo dia 10) à frente do Paço Municipal, para falar sobre a gestão e botar água na fervura.

Como eu disse em minha coluna diária na Tribuna BandNews, é o trabalho de trazer o debate político, contaminado pela emoção da disputa eleitoral, para a realidade da administração. Se durante a campanha a ordem é gerar expectativas; depois da posse, o negócio é amoldá-las aos limites do orçamento.

Estrategicamente, para evitar qualquer impressão de paralisia operacional, a prefeitura elegeu a saúde, área de grande apelo e castigada nos últimos anos, como prioridade. Para outras demandas, Roberto Cláudio pontuou  que tudo a seu tempo e  que o prazo para atendê-las é de quatro anos.

Pai Nosso

Ainda é cedo para avaliações mais profundas sobre o estilo administrativo do novo prefeito, que merece, até o momento, um voto de confiança. Mas, em todo caso, sempre faço valer a lei de reciprocidade que aprendi com a bela oração Pai Nosso: “Perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido”.

Nesse caso, ressalto a função sintática e moral da conjunção subordinativa comparativa assim como. O ideal de justiça da prece reside no fato de que o pedido de perdão é legitimado pela capacidade de perdoar. Há, portanto, uma condição que legitima a concessão do perdão. Da mesma forma, por analogia, só deve receber o benefício da elasticidade dos prazos quem os estica aos outros.

O governo tem quatro anos para fazer o que foi prometeu? Tecnicamente, sim. Seria até justo, se o contribuinte tivesse, por exemplo, quatros anos para pagar o IPTU, mediante a seguinte argumentação: olha, viajei e ao voltar para casa vi que a situação estava pior do que eu supunha, com as contas em desordem, falta de remédios e de material escolar, de forma que pagarei os impostos somente no ano que vem. Pois é, tem coisas que não dá para negociar.

Eu cobro com a mesma medida com que sou cobrado. Simples assim. Não sendo possível a realização de tudo agora, o mínimo que o governo tem a fazer é apresentar prazos para cada promessinha feita na campanha eleitoral. Se não for assim, as chances de estelionato eleitoral sempre aumentam. Tenhamos fé.

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Gestão Roberto Cláudio completa 100 dias: eu cobro assim como sou cobrado

Por Wanfil em Fortaleza

04 de Abril de 2013

Comigo é assim: cobro na mesma medida em que sou cobrado. A mim não é dado o direito de ignorar ou atrasar prazos. Portanto...

Comigo é assim: cobro na mesma medida em que sou cobrado. A mim não é dado o direito de ignorar ou atrasar prazos. Portanto…

Dias atrás, no post Governar é diferente de fazer campanha, registrei a perceptível mudança na estratégia de comunicação da Prefeitura de Fortaleza: “o ímpeto midiático dos primeiros dias da nova gestão arrefeceu”.

Na ocasião, ainda fiz um alerta: “O risco é justamente gerar mais expectativas, quando o momento é de baixá-las, mostrando que as promessas demandam tempo para serem cumpridas”.

Água na fervura

Parece que não sou o único a pensar assim. Tanto é que agora no começo de abril, em entrevista gravada ao programa Ideia Jangadeiro, o prefeito Roberto Cláudio aproveitou a marca de 100 dias (a ser completada no próximo dia 10) à frente do Paço Municipal, para falar sobre a gestão e botar água na fervura.

Como eu disse em minha coluna diária na Tribuna BandNews, é o trabalho de trazer o debate político, contaminado pela emoção da disputa eleitoral, para a realidade da administração. Se durante a campanha a ordem é gerar expectativas; depois da posse, o negócio é amoldá-las aos limites do orçamento.

Estrategicamente, para evitar qualquer impressão de paralisia operacional, a prefeitura elegeu a saúde, área de grande apelo e castigada nos últimos anos, como prioridade. Para outras demandas, Roberto Cláudio pontuou  que tudo a seu tempo e  que o prazo para atendê-las é de quatro anos.

Pai Nosso

Ainda é cedo para avaliações mais profundas sobre o estilo administrativo do novo prefeito, que merece, até o momento, um voto de confiança. Mas, em todo caso, sempre faço valer a lei de reciprocidade que aprendi com a bela oração Pai Nosso: “Perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido”.

Nesse caso, ressalto a função sintática e moral da conjunção subordinativa comparativa assim como. O ideal de justiça da prece reside no fato de que o pedido de perdão é legitimado pela capacidade de perdoar. Há, portanto, uma condição que legitima a concessão do perdão. Da mesma forma, por analogia, só deve receber o benefício da elasticidade dos prazos quem os estica aos outros.

O governo tem quatro anos para fazer o que foi prometeu? Tecnicamente, sim. Seria até justo, se o contribuinte tivesse, por exemplo, quatros anos para pagar o IPTU, mediante a seguinte argumentação: olha, viajei e ao voltar para casa vi que a situação estava pior do que eu supunha, com as contas em desordem, falta de remédios e de material escolar, de forma que pagarei os impostos somente no ano que vem. Pois é, tem coisas que não dá para negociar.

Eu cobro com a mesma medida com que sou cobrado. Simples assim. Não sendo possível a realização de tudo agora, o mínimo que o governo tem a fazer é apresentar prazos para cada promessinha feita na campanha eleitoral. Se não for assim, as chances de estelionato eleitoral sempre aumentam. Tenhamos fé.