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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

foco

Segurança Pública: bons exemplos não faltam

Por Wanfil em Segurança

23 de Maio de 2013

Aconteceu o indesejável, o tosco, o deplorável: o debate sobre a onda de criminalidade no Ceará perdeu qualquer sentido prático e descambou em baixaria infrutífera. No lugar da lógica, a confusão que turva a realidade. Autoridades, deputados e vereadores, abordam o tema, mas não como objeto de políticas públicas e sim como espetáculo de intrigas, sem que nada seja produzido ajuda para amenizar o problema.

Tudo isso apesar do clamor geral da população, do medo generalizado, das mortes e dos assaltos. O ex-governador Ciro Gomes e a deputada Patrícia Saboya se valem de xingamentos para criticar o vereador Capitão Wagner. Opositores do governo retrucam em linguagem parecida. É um festival de “picareta”, “marginal”, “desocupado”, entre outros adjetivos de igual qualidade. Produz-se assim um fogo sem calor e sem luz, mas que basta para encobrir a realidade e mudar o foco das discussões, enquanto o cidadão continua aí refém dos bandidos.

Direto ao ponto

As brigas que tomam o noticiário, fortes nas aparências mas vazias de conteúdo, contribuem para misturar alhos com bugalhos e diluir responsabilidades. E aí é preciso voltar à realidade: é dever do governo, nesse momento crítico, resgatar a razão e colocar o interesse público de volta no centro do debate. Nesse sentido, esse papel cabe ao próprio governador Cid Gomes. É dele que se espera um sonoro “por que não te calas?” dirigido aos que atrapalham a condução de uma saída para a situação que constrange seu governo e a sociedade.

Apesar de ver equívocos de lado a lado, não tomo partido, nem digo que o governo deva agir contra suas convicções ou que policiais esqueçam suas reivindicações. Agir assim seria repetir a tática dos brigões. Ressalto apenas que uma trégua temporária é uma necessidade diante do quadro crítico na segurança.

Bons exemplos de civilidade e eficácia

O tempo e a energia desperdiçados até agora poderiam ser utilizados na mobilização de uma ampla frente de combate ao crime. Exemplos não faltam, como mostra a série especial Por um Ceará mais Seguro, do Sistema Jangadeiro.

No Rio de Janeiro as Unidades de Polícia Pacificadora ocuparam territórios dominados por traficantes e implantaram um policiamento mais próximo da comunidade. Em entrevista à rádio Tribuna BandNews, o secretário de Segurança do Rio, José Beltrame, explicou que a operação envolveu o Ministério Público, o Judiciário, ONGs e associações de moradores.

Em Pernambuco os elevados índices de homicídios recuaram após uma ação que reuniu governo, Legislativo, Judiciário e sociedade civil. As forças policiais mapearam as regiões mais violentas de Recife e tiraram de circulação os elementos mais perigosos. Depois uma força-tarefa de 14 secretarias atuaram em cima de problemas sociais que fragilizavam essas regiões. (Sobre isso, recomendo o artigo Oito das tantas perguntas sobre a insegurança em Fortaleza, do jornalista Hélcio Brasileiro).

Em São Paulo o governo anunciou um plano de metas vinculado ao pagamento de prêmios aos policiais que conseguirem cumpri-las. Se vai dar certo ou não, isso é uma incógnita, e há quem o critique. Mas o fato é que lá, onde os índices são bem inferiores aos registrados no Ceará, as autoridades vieram a público dar algum encaminhamento à questão.

Trabalho conjunto

Em todos esses casos, o que fica evidente é que os esforços foram coordenados por seus governos estaduais e contaram com a consciência de que algumas situações exigem o pragmatismo da união de competências.

No Ceará, perde-se tempo, perdem-se vidas, perde-se paz. Bem vistos os exemplos acima, o governo cearense e seus aliados tem nas mãos carta branca da sociedade para agir, mas não sabe o que fazer com ela, ocupados que estão em brigas de comadres.

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Segurança Pública: bons exemplos não faltam

Por Wanfil em Segurança

23 de Maio de 2013

Aconteceu o indesejável, o tosco, o deplorável: o debate sobre a onda de criminalidade no Ceará perdeu qualquer sentido prático e descambou em baixaria infrutífera. No lugar da lógica, a confusão que turva a realidade. Autoridades, deputados e vereadores, abordam o tema, mas não como objeto de políticas públicas e sim como espetáculo de intrigas, sem que nada seja produzido ajuda para amenizar o problema.

Tudo isso apesar do clamor geral da população, do medo generalizado, das mortes e dos assaltos. O ex-governador Ciro Gomes e a deputada Patrícia Saboya se valem de xingamentos para criticar o vereador Capitão Wagner. Opositores do governo retrucam em linguagem parecida. É um festival de “picareta”, “marginal”, “desocupado”, entre outros adjetivos de igual qualidade. Produz-se assim um fogo sem calor e sem luz, mas que basta para encobrir a realidade e mudar o foco das discussões, enquanto o cidadão continua aí refém dos bandidos.

Direto ao ponto

As brigas que tomam o noticiário, fortes nas aparências mas vazias de conteúdo, contribuem para misturar alhos com bugalhos e diluir responsabilidades. E aí é preciso voltar à realidade: é dever do governo, nesse momento crítico, resgatar a razão e colocar o interesse público de volta no centro do debate. Nesse sentido, esse papel cabe ao próprio governador Cid Gomes. É dele que se espera um sonoro “por que não te calas?” dirigido aos que atrapalham a condução de uma saída para a situação que constrange seu governo e a sociedade.

Apesar de ver equívocos de lado a lado, não tomo partido, nem digo que o governo deva agir contra suas convicções ou que policiais esqueçam suas reivindicações. Agir assim seria repetir a tática dos brigões. Ressalto apenas que uma trégua temporária é uma necessidade diante do quadro crítico na segurança.

Bons exemplos de civilidade e eficácia

O tempo e a energia desperdiçados até agora poderiam ser utilizados na mobilização de uma ampla frente de combate ao crime. Exemplos não faltam, como mostra a série especial Por um Ceará mais Seguro, do Sistema Jangadeiro.

No Rio de Janeiro as Unidades de Polícia Pacificadora ocuparam territórios dominados por traficantes e implantaram um policiamento mais próximo da comunidade. Em entrevista à rádio Tribuna BandNews, o secretário de Segurança do Rio, José Beltrame, explicou que a operação envolveu o Ministério Público, o Judiciário, ONGs e associações de moradores.

Em Pernambuco os elevados índices de homicídios recuaram após uma ação que reuniu governo, Legislativo, Judiciário e sociedade civil. As forças policiais mapearam as regiões mais violentas de Recife e tiraram de circulação os elementos mais perigosos. Depois uma força-tarefa de 14 secretarias atuaram em cima de problemas sociais que fragilizavam essas regiões. (Sobre isso, recomendo o artigo Oito das tantas perguntas sobre a insegurança em Fortaleza, do jornalista Hélcio Brasileiro).

Em São Paulo o governo anunciou um plano de metas vinculado ao pagamento de prêmios aos policiais que conseguirem cumpri-las. Se vai dar certo ou não, isso é uma incógnita, e há quem o critique. Mas o fato é que lá, onde os índices são bem inferiores aos registrados no Ceará, as autoridades vieram a público dar algum encaminhamento à questão.

Trabalho conjunto

Em todos esses casos, o que fica evidente é que os esforços foram coordenados por seus governos estaduais e contaram com a consciência de que algumas situações exigem o pragmatismo da união de competências.

No Ceará, perde-se tempo, perdem-se vidas, perde-se paz. Bem vistos os exemplos acima, o governo cearense e seus aliados tem nas mãos carta branca da sociedade para agir, mas não sabe o que fazer com ela, ocupados que estão em brigas de comadres.