Florbela Espanca Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Florbela Espanca

Bons textos não envelhecem: Ser Poeta – Florbela Espanca

Por Wanfil em Textos escolhidos

17 de Março de 2014

Flor Bela de Alma da Conceição Espanca. OU simplesmente Florbela Espanca. Para arejar o blog.

Flor Bela de Alma da Conceição Espanca. OU simplesmente Florbela Espanca. Para arejar o blog.

Retomo o blog após uma pausa forçada, com mais um post da série “Bons textos não envelhecem”, com a qual, vez por outra, procuro arejar o blog. Lufadas de inteligência para limpar os miasmas da pesada atmosfera dos vícios da política e dos problemas do cotidiano. A vida é mais do que truques e armadilhas, é paixão, é também entrega, é buscar a nossa própria essência individual.

Abaixo, reproduzo um texto da poetisa Florbela Espanca, cujo nome de batismo já era em si uma poesia: Flor Bela de Alma da Conceição Espanca. Portuguesa de vida e texto audaciosos, marcada pelo temperamento depressivo. Apesar dos infortúnios de Florbela (quem não os tem?), aprendi com meu saudoso pai a admirá-la em seu ofício: as letras. Escritora de técnica precisa, mestre das regras e das métricas poéticas, intensa, sonetista como poucos na língua portuguesa. No domínio de sua lira, a mulher foi maior do que as angústias que lhes abreviou a vida (matou-se aos 36 anos, em 1930).

Ser poeta

Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!

É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!

É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim…
é condensar o mundo num só grito!

E é amar-te, assim, perdidamente…
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!

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Bons textos não envelhecem: Ser Poeta – Florbela Espanca

Por Wanfil em Textos escolhidos

17 de Março de 2014

Flor Bela de Alma da Conceição Espanca. OU simplesmente Florbela Espanca. Para arejar o blog.

Flor Bela de Alma da Conceição Espanca. OU simplesmente Florbela Espanca. Para arejar o blog.

Retomo o blog após uma pausa forçada, com mais um post da série “Bons textos não envelhecem”, com a qual, vez por outra, procuro arejar o blog. Lufadas de inteligência para limpar os miasmas da pesada atmosfera dos vícios da política e dos problemas do cotidiano. A vida é mais do que truques e armadilhas, é paixão, é também entrega, é buscar a nossa própria essência individual.

Abaixo, reproduzo um texto da poetisa Florbela Espanca, cujo nome de batismo já era em si uma poesia: Flor Bela de Alma da Conceição Espanca. Portuguesa de vida e texto audaciosos, marcada pelo temperamento depressivo. Apesar dos infortúnios de Florbela (quem não os tem?), aprendi com meu saudoso pai a admirá-la em seu ofício: as letras. Escritora de técnica precisa, mestre das regras e das métricas poéticas, intensa, sonetista como poucos na língua portuguesa. No domínio de sua lira, a mulher foi maior do que as angústias que lhes abreviou a vida (matou-se aos 36 anos, em 1930).

Ser poeta

Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!

É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!

É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim…
é condensar o mundo num só grito!

E é amar-te, assim, perdidamente…
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!