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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

festa

A fugaz alegria do Carnaval

Por Wanfil em Cultura

09 de Fevereiro de 2013

Carnaval, 1970, óleo sobre tela, de Di Cavacanti.

Carnaval, 1970, óleo sobre tela –  Di Cavacanti

Qual o significado do Carnaval? A resposta, evidentemente, pode assumir formas distintas, dependendo dos aspectos histórico-culturais do lugar, da religião, idade e personalidade das pessoas, e infinitas outras variáveis individuais ou de grupo.

O certo é que, diferenças à parte, o Carnaval é a maior festa popular do país, capaz de mobilizar atenções e recursos, fazendo que tudo o mais se torne secundário nesse período.

Existem ainda as explicações didáticas, que remetem às origens europeias ou pagãs da festa, posteriormente adaptadas a preceitos religiosos diversos. Mas o Carnaval, na prática, possui características bem mais imediatas, que ignoram toda essa teorização. É algo facilmente observável nas imagens e entrevistas feitas com famosos e anônimos: a manifestação de uma alegria histriônica, por vezes histérica, advinda da busca obsessiva por diversão e da obrigação de externar felicidade, como se o contentamento e a alegria fossem bens de consumo fast food e não estados de espírito resultantes de ações e crenças duradouras.

Via de regra (as exceções confirmam a regra), nas entrevistas as pessoas recorrem a lugares-comuns como “tudo é festa!”, “momento de extravasar”, “esquecer os problemas”, “beijar muito!”, “beber até cair”, “vale tudo”, enfim, um conjunto de frases feitas que denotam uma ansiedade de aproveitar aquele momento limitado em detrimento das obrigações cotidianas. É a celebração do fugaz. Leia mais

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Réveillon com dinheiro público é festa de desperdício e politicagem

Por Wanfil em Fortaleza

20 de dezembro de 2012

Festa é bom. Festa de graça, para muitos, é melhor ainda. Para um grupo seleto, festa paga com dinheiro público é supimpa. Já tive oportunidade de conversar, reservadamente, com procuradores, jornalistas e conselheiros dos tribunais de contas do estado e do município. Sempre que toquei nesse assunto, a conclusão foi a mesma: festa é escândalo. Festa de governo, via de regra, é politicagem barata.

Por conta do povo

Por que gostam tanto de festas? Porque é a modalidade preferida de superfaturamento nos dias atuais. Os festeiros profissionais da grana pública alegam que cachês de artistas não podem ser comparados uns com os outros, o que impossibilita contratação pelo expediente do menor preço. Como no Brasil dinheiro público é tratado como recurso infinito e sem dono, todos ficam felizes, enquanto uns poucos se locupletam.

E ainda assim, quando é tudo feito com rigor, é difícil aceitar certos gastos. Lembram do show de Plácido Domingo na inauguração do novo Centro de Convenções? Pois é. Não tivesse sido realizado, seriam 500 mil reais a mais para cuidar de problemas sérios.

No final, todo gestor quando indagado sobre a lisura ou a qualidade desses gastos, tem sempre a mesma resposta na ponta da língua: “A festa é da cidade e o povo merece”. Pronto. Quem pode ser contra a cidade e o povo? Só um reacionário elitista, diria a prefeita.

Sem festa, é mais economia ou menos dívidas

Por isso, comemorei quando soube que a prefeitura não realizará o réveillon de Fortaleza. É mais dinheiro no caixa para a próxima gestão. Ou menos dívida.

Ao cancelar a comemoração, Luizianne Lins desmonta seu principal argumento sacado para defender o evento. A suposta convicção de que sua realização seria uma forma de investimento no turismo. E ainda deixa no ar a impressão de ressentimento com o eleitorado, que assim seria punido. Mas Wanfil, e a festa da cidade? Ora, quem precisa de prefeitura para comemorar o réveillon? Ainda mais correndo o risco de ser vítima de arrastões? Se o trade turístico quer a festa, se lucra com ela, se precisa dela, que a faça. Que eu saiba, não há lei proibindo.

Novo modelo

Mas para a minha frustração, o governador Cid Gomes resolveu garantir a festa. Pelo menos, segundo o anunciado, algumas empresas irão patrocinar parte do evento. É uma forma menos danosa para os cofres públicos (as micaretas podem servir de modelo para o futuro). Assim, enquanto Luizianne Lins, que durante anos defendeu o réveillon pago pelo contribuinte, a peso de ouro, se despede melancolicamente da gestão, Cid marca pontos perante a população, sempre sequiosa de festejos. De qualquer forma, só com fogos serão 700 mil reais.

Essa presteza seria bem mais útil, a bem da verdade, na cobrança de resultados efetivos na área de segurança pública. Mas, nessa época do ano, quem liga?

PS. Quem for ao réveillon de Fortaleza, cuidado. Não leve muito dinheiro, nem use objetos valiosos. Aprendi isso assistindo a entrevistas de autoridades policiais. Sabem como é: para a bandidagem, dia de festa é uma ótima oportunidade de faturar algum…

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Réveillon com dinheiro público é festa de desperdício e politicagem

Por Wanfil em Fortaleza

20 de dezembro de 2012

Festa é bom. Festa de graça, para muitos, é melhor ainda. Para um grupo seleto, festa paga com dinheiro público é supimpa. Já tive oportunidade de conversar, reservadamente, com procuradores, jornalistas e conselheiros dos tribunais de contas do estado e do município. Sempre que toquei nesse assunto, a conclusão foi a mesma: festa é escândalo. Festa de governo, via de regra, é politicagem barata.

Por conta do povo

Por que gostam tanto de festas? Porque é a modalidade preferida de superfaturamento nos dias atuais. Os festeiros profissionais da grana pública alegam que cachês de artistas não podem ser comparados uns com os outros, o que impossibilita contratação pelo expediente do menor preço. Como no Brasil dinheiro público é tratado como recurso infinito e sem dono, todos ficam felizes, enquanto uns poucos se locupletam.

E ainda assim, quando é tudo feito com rigor, é difícil aceitar certos gastos. Lembram do show de Plácido Domingo na inauguração do novo Centro de Convenções? Pois é. Não tivesse sido realizado, seriam 500 mil reais a mais para cuidar de problemas sérios.

No final, todo gestor quando indagado sobre a lisura ou a qualidade desses gastos, tem sempre a mesma resposta na ponta da língua: “A festa é da cidade e o povo merece”. Pronto. Quem pode ser contra a cidade e o povo? Só um reacionário elitista, diria a prefeita.

Sem festa, é mais economia ou menos dívidas

Por isso, comemorei quando soube que a prefeitura não realizará o réveillon de Fortaleza. É mais dinheiro no caixa para a próxima gestão. Ou menos dívida.

Ao cancelar a comemoração, Luizianne Lins desmonta seu principal argumento sacado para defender o evento. A suposta convicção de que sua realização seria uma forma de investimento no turismo. E ainda deixa no ar a impressão de ressentimento com o eleitorado, que assim seria punido. Mas Wanfil, e a festa da cidade? Ora, quem precisa de prefeitura para comemorar o réveillon? Ainda mais correndo o risco de ser vítima de arrastões? Se o trade turístico quer a festa, se lucra com ela, se precisa dela, que a faça. Que eu saiba, não há lei proibindo.

Novo modelo

Mas para a minha frustração, o governador Cid Gomes resolveu garantir a festa. Pelo menos, segundo o anunciado, algumas empresas irão patrocinar parte do evento. É uma forma menos danosa para os cofres públicos (as micaretas podem servir de modelo para o futuro). Assim, enquanto Luizianne Lins, que durante anos defendeu o réveillon pago pelo contribuinte, a peso de ouro, se despede melancolicamente da gestão, Cid marca pontos perante a população, sempre sequiosa de festejos. De qualquer forma, só com fogos serão 700 mil reais.

Essa presteza seria bem mais útil, a bem da verdade, na cobrança de resultados efetivos na área de segurança pública. Mas, nessa época do ano, quem liga?

PS. Quem for ao réveillon de Fortaleza, cuidado. Não leve muito dinheiro, nem use objetos valiosos. Aprendi isso assistindo a entrevistas de autoridades policiais. Sabem como é: para a bandidagem, dia de festa é uma ótima oportunidade de faturar algum…