Ferreira Gomes Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Ferreira Gomes

Sem os Ferreira Gomes, Fernando Haddad veste azul no Ceará, mas o vermelho o persegue

Por Wanfil em Eleições 2018

22 de outubro de 2018

A semiótica me fascina e muitas vezes, como é comum em quem a aprecia, quando vejo uma imagem, fico a procurar signos e significantes organizados em sistemas deliberadamente produzidos ou criados ao sabor do acaso. Vejam essa foto de Fernando Haddad, candidato do PT à Presidência da República, em passagem pelo Ceará no último sábado (20).

Fernando Haddad, de azul, destoa em meio ao “mar vermelho” (FOTO: Ricardo Stuckert/Divulgação)


Azul X vermelho

Como todos sabem, o PT mudou a identidade visual da campanha para o segundo turno, adotando as cores utilizadas pela campanha do adversário, Jair Bolsonaro (PSL), na esperança de conquistar indecisos e moderados.

Pois bem, como é possível constatar na foto, por mais que Haddad tente escapar do vermelho, o vermelho insiste em segui-lo. O que é um pontinho azul em meio a uma multidão de bandeiras e camisas vermelhas na Praça do Ferreira? É Fernando Haddad.

Cadê os Ferreira Gomes?
Outra significação possível de extrair, não apenas dessa imagem, como de outras produzidas durante os eventos de sábado, é uma espécie de solidão, mesmo em meio a tanta gente.  Ciro e Cid Gomes (atualmente no PDT) – líderes do maior grupo político do Ceará e aliados dos governos petistas nas gestões de Lula e Dilma – definitivamente pularam fora da campanha.

Cid ainda distribuiu adesivos de Haddad em Sobral, pedindo votos para, palavras dele, “o menos ruim”. Isso uma semana após ter dito que o PT merecia perder a eleição. A ausência dos Ferreira Gomes preenche uma lacuna, como dizia Stanislaw Ponte Preta.

Antipetismo e autopreservação
Matutar com imagens é bom para estimular conexões. Foi então que li, no mesmo dia, números de uma pesquisa do Datafolha mostrando que o antipetismo é realmente a maior força destas eleições. Basta ver que apenas 1% dos eleitores de Bolsonaro votam nele por rejeitarem Fernando Haddad. Outros 69% são declaradamente contrários ao PT ou a valores relacionados por eles ao petismo, como corrupção.

Esta não é a primeira eleição que Lula e o PT atrapalharam a campanha de Ciro Gomes. Das outras vezes, os Ferreira Gomes não romperam por puro pragmatismo: os petistas tinham alta popularidade e controle da máquina federal. Agora o sinal mudou. Ciro e Cid são hábeis leitores dos movimentos políticos e muito antes de qualquer pesquisa já sentiram as mudanças de humor no eleitorado. Por isso, não foi só por ressentimento que se afastaram do partido, sem tirar nem sequer uma foto com Haddad no Ceará. É também, e principalmente, por senso de autopreservação.

Realmente uma imagem pode dizer mais que mil palavras.

(Texto publicado originalmente para o Portal Jangadeiro – especial eleições)

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Eleições 2016: Sobral e o preço de uma hegemonia

Por Wanfil em Eleições 2016

03 de outubro de 2016

A eleição para a Prefeitura de Sobral adquiriu um valor simbólico no Ceará, por se tratar do berço político da família Ferreira Gomes. Não por acaso, ao constatar a disputa acirrada na cidade, o governador Camilo Santana (PT), aliado de Ciro e Cid Gomes, disse que Sobral era prioridade para a campanha.

Durante um bom tempo as pesquisas mostravam o caçula da família, o deputado estadual Ivo Gomes (PDT), atrás de Moses Rodrigues (PMDB), candidato do senador Eunício Oliveira (PMDB) e que somente às vésperas da eleição recebeu apoio do senador Tasso Jereissati. Para reverter a situação, além do apoio das máquinas estadual e municipal, os irmãos ex-governadores precisaram atuar praticamente em tempo integral em seu reduto eleitoral.

Além disso, a campanha de Ivo foi uma das mais ricas destas eleições, com receita de R$1.222.500,00 e despesa, até esta segunda feira (3), de R$688.645,07. Os dados são do TRE. No final, o deputado venceu com 57.908 votos, que corresponde a 51,44% do total. Uma média de 12 reais por voto, contra pouco menos de RS 8,00 per capita gastos por Moses, que obteve 40,16% da votação.

A vitória de Ivo consolida uma liderança política iniciada em 1996 e que hoje, apesar da aliança com o petismo, se mantém como a maior do Ceará. O consolo para os adversários é que, uma vez na oposição ao governo federal, nunca foi tão difícil e caro para o grupo dos Ferreira Gomes, que entre 2012 e 2016 pulou do PSB para o PROS e depois para o PDT, manter essa hegemonia.

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O preço da governabilidade no Ceará é ter um Ferreira Gomes no secretariado

Por Wanfil em Política

28 de julho de 2015

O governador Camilo Santana nomeou Lúcio Ferreira Gomes para substituir Ivo Ferreira Gomes no comando da Secretaria das Cidades do Ceará. Ambos são irmãos dos ex-governadores Ciro Ferreira Gomes e Cid Ferreira Gomes, este último, padrinho político do governador Camilo Santana.

Reparação
A troca de um Ferreira Gomes por outro na secretaria se deu em circunstâncias que deixam no ar vestígios de imposição. Não que o governador tenha sido obrigado a nomear o parente do responsável por sua eleição, mas é inegável que diante da insatisfação de Ivo, que saiu criticando a falta de recursos em sua passagem pela secretaria, a escolha parece uma espécie de reparação.

Cota
Camilo tem buscado criar uma marca própria como gestor. Dialogou com policiais, dispensou a foto oficial e não quer as caríssimas Hilux como viaturas. O isolamento de Danilo Serpa, nome de confiança de Cid, na equipe de Camilo e a falta de condições para Ivo nas Cidades, deram a impressão de que o novo governador, como é comum acontecer, tem seu time de conselheiros. Rapidamente surgiram dúvidas sobre o relacionamento entre Cid e Camilo. Restava ver quem assumiria o posto de Ivo. E aí prevaleceu o sobrenome Ferreira Gomes.

Note-se: ainda que não seja assim ou que todos neguem, o entendimento preponderante no meio político é que a escolha foi um tributo, uma forma de reconhecer quem realmente lidera o processo político na atual configuração do poder no Ceará. É claro que Camilo não ganharia nada rompendo ou criando rusgas com seus parceiros da família Gomes, mas resta evidente que existe um simbolismo na nomeação de Lúcio Ferreira Gomes. Não se trata das famosas cotas partidárias, em que aliados indicam nomes para a administração. São cotas de parentesco.

Refém
Se por um lado essa ciranda apazigua qualquer ruído entre o grupo comandado por Cid e Ciro, por outro não pega bem para nenhum dos lados.

Para os Ferreira Gomes fica a imagem que tanto os incomoda, da oligarquia que não consegue largar o Estado. Para o governo Camilo, ficam arranhadas a autoridade e a liderança, como se estivesse refém de terceiros.

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Heitor, Cid e o PDT: abre o olho André Figueiredo!

Por Wanfil em Política

16 de julho de 2015

Quem trabalha com jornalismo opinativo acaba associado de tal modo ao tema que escolheu para tratar profissionalmente, que é difícil falar de outra coisa. Faz parte. O comentarista esportivo é sempre chamado, em qualquer situação, a falar sobre o esporte, seja em aniversários ou consultórios médicos. O mesmo acontece, por exemplo, com o crítico de cinema. Onde ele anda, todos querem saber o que ela acha deste ou daquele filme. Com política não é diferente. Particularmente, aprecio ouvir as pessoas para sentir como o noticiário está repercutindo por aí.

Quando vou cortar o cabelo, o proprietário do salão, meu amigo Edmilson, que é quem me atende, sempre aproveita para conversar sobre política. Hoje, quando lá estive, ele mandou ver: “E o Heitor Férrer, hein? Será que fica no PDT, se o Cid for para lá?”. Nessas horas, gosto de instigar o interlocutor: “Não sei. Dizem que sai. O que você acha?”. E aí o Edmilson emendou: “Acho que se ele sair, fica ruim para o PDT. Fica feio. Se eu fosse o André Figueiredo [presidente estadual do PDT], ficava de olho aberto. Vai que o Cid se junta com o Brizola Neto [ex-ministro do Trabalho] e toma o partido dele? Não é sempre assim? Mas disso eu não entendo, deixo pra vocês jornalistas e políticos”.

Edmilson talvez não suspeite de que ele entende mais do que pensa. As premissas estão bem casadas na sua leitura. Os Brizola andam meio isolados no PDT, é verdade, mas pelo peso do nome, sempre podem causar rachas na sigla. Já Heitor Férrer, que sempre foi do PDT, é nome forte para concorrer à prefeitura de Fortaleza. Por isso mesmo recebeu convites de vários partidos, como PMDB, PPS e PSB. Por outro lado, há um histórico de intrigas que acompanha as andanças partidárias do grupo do ex-governador do Ceará. Por onde passou, houve briga e disputa. Por que agora seria diferente?

Abre o olho, André. Escuta o Edmilson.

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Câmara de Fortaleza acata indicação do Pros (Cid) para a presidência da Casa: é barba, cabelo e bigode

Por Wanfil em Política

18 de novembro de 2014

As articulações para a eleição do novo presidente da Câmara de Vereadores de Fortaleza, no próximo dia 2 de dezembro, revelam que partidos políticos não passam de abrigos para projetos particulares. Também mostram quem é que manda de fato no pedaço. Ações, todos sabem, valem mais do que palavras.

Ao que tudo indica, salvo uma improvável manobra de última hora, o vereador Salmito Filho, do Pros, secretário municipal do Turismo, será o eleito. Na sexta-feira, o vereador Elpídio Nogueira, que também é do Pros, desistiu de concorrer ao cargo. Na segunda, foi a vez do vereador José do Carmo (PSL), abrir mão da disputa, abrindo caminho para a construção de uma chapa única.

Salmito tem toda legitimidade para voltar ao comando da Câmara, que já presidiu entre 2009 e 2010, quanto era do PT. Acontece que a forma como esse processo foi conduzido deixa a impressão de que o Executivo municipal ultrapassou os limites da autonomia entre os poderes, afinal, o prefeito Roberto Cláudio indicou um membro do seu secretariado para assumir a presidência do Legislativo, que tem, entre suas prerrogativas, fiscalizar o governo. Mal comparando, é como se Dilma escolhesse, sem mais nem menos, o ministro Aloísio Mercadante para presidir a Câmara dos Deputados, passando por cima dos partidos e dos demais postulantes que já vinham trabalhando pelo cargo. Lá, isso nunca aconteceria, mas por aqui as coisas são mais provincianas. Manda quem pode, obedece quem tem juízo.

Na verdade, na hierarquia de poder hoje estabelecida no Ceará, a escolha de Salmito pelo Pros foi mera formalidade para dar ares de autonomia a uma indicação feita por Roberto Cláudio, conferindo ao prefeito um papel de liderança que, no fundo, não existe, já que é Cid Gomes quem dá a palavra final. Ou alguém imagina esse tipo de decisão sendo tomada à revelia do governador ou contra a sua vontade?

Desse modo, os fatos não deixam dúvida. O grupo político liderado por Cid, hoje instalado no Pros, comandará diretamente em 2015 a Assembleia Legislativa, a Prefeitura de Fortaleza e, muito provavelmente, a Câmara de Fortaleza, último reduto institucional de relevância política que ainda não estava completamente dominado pelos Ferreira Gomes. Não que fosse um espaço de resistência, mas de qualquer modo, nos últimos dois biênios, a Câmara tinha sido presidida pelo PT e depois pelo PMDB, siglas que saem enfraquecidas nessa história. E de modo indireto, o grupo continua no controle do governo do Estado, já que Camilo Santana, apesar de ser petista, foi eleito pelo Pros, que já mostrou seu peso ao indicar três dos cinco nomes para a equipe de transição anunciada pelo governador eleito.

Trata-se de uma hegemonia inédita no Ceará desde a redemocratização. É barba, cabelo e bigode.

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Segundo turno é disputa entre Eunício e os Ferreira Gomes. E só!

Por Wanfil em Eleições 2014

08 de outubro de 2014

As primeiras declarações feitas por alguns dos principais protagonistas das eleições no Ceará após o primeiro turno fornecem pistas valiosas a respeito das estratégias de Camilo Santana (PT) e Eunício Oliveira (PMDB) para o segundo turno.

Na coligação que reúne Pros e PT (Pros na frente porque é quem banca a candidatura), Cid e Ciro Gomes reforçam os ataques contra o adversário, preservando Camilo do desgaste de parecer agressivo enquanto provoca Eunício. O risco é deixar o candidato governista sem personalidade. Sacrifica-se qualquer imagem de liderança escondendo o candidato atrás de seu padrinho, para então ressaltar seu equilíbrio e “respeito pela família cearense”.

Resta a Eunício ignorar ou responder aos ataques. Como o silêncio ou a demora em revidar podem ser interpretados pelo público como sinais de insegurança (mais ou menos o que aconteceu com Marina Silva diante dos ataques do PT), o peemedebista optou por responder aumentando o tom em relação às críticas contra a gestão e denunciando a ingerência de Cid e Ciro no processo eleitoral.

Como resultado nesse primeiro instante, véspera da volta da propaganda eleitoral, o debate acaba polarizado entre o candidato Eunício e os Ferreira Gomes, como se Camilo não existisse.

Assim, quanto mais Cid e Ciro atacam o adversário, mais os eleitores que desaprovam o governo do Estado passam a ver no peemedebista um opositor de verdade, não mais um ex-aliado. Nessa condição, Eunício pode herdar boa parte dos votos de Eliane Novais (PSB) e Ailton Lopes (Psol).

Teremos, portanto, uma eleição plebiscitária. De um lado estão os que aprovam o governo, do outro, os que rejeitam o modo Ferreira Gomes de fazer política; e no meio, os indecisos, com Camilo buscando convencê-los a deixar as coisas como estão, enquanto Eunício procura mostrar por que – e como – elas deveriam mudar.

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Os Ferreira Gomes no teatro presidencial de 2014

Por Wanfil em Eleições 2014

28 de Fevereiro de 2013

As forças políticas que pretendem disputar a Presidência da República em 2014 já começaram a encenar publicamente o que foi ensaiado nos bastidores dos seus interesses de grupo. Abrem-se as cortinas para o teatro eleitoral. Os primeiros cenários, figurinos e diálogos começam a ser apresentados ao distinto público, mais especificamente, nesse início, aos distintos aliados e financiadores de campanha.

O drama (ou seria comédia? ) que se desenrola é protagonizado por  Marina Silva (Rede Sustentabilidade), Eduardo Campos (PSB), Aécio Neves (PSDB) e Dilma Rousseff (PT). Mas existe o elenco de apoio. É nesse grupo que o governador Cid Ferreira Gomes e o ex-ministro Ciro Ferreira Gomes atuam. E apesar de serem do PSB, ao que tudo indica, atuam para fazer brilhar o roteiro da  presidente Dilma Rousseff, que disputa a reeleição. Trata-se de uma aposta, pois política (e eleição), além da arte de representar, também é jogo. Vejamos os atos apresentados recentemente nos palcos da política:

ATO I – A DISSIDÊNCIA
Eduardo Campos como alvo

No dia 24 de fevereiro Ciro Gomes diz em entrevista que o governador de Pernambuco e seu correligionário, Eduardo Campos, assim como Marina Silva e Aécio Neves, não estaria preparado para governar o Brasil. No dia seguinte, Campos rebate dizendo que Ciro é voz isolada no PSB.

Está em curso a construção de um discurso de apoio para a candidata Dilma e a tentativa de fragilizar a candidatura do PSB. Só ela, por dedução lógica a partir do raciocínio de Ciro, estaria preparada para o cargo. Cid, por sua vez, respondea Eduardo Campos dizendo que pode sair do PSB caso haja imposição de uma candidatura própria. Campos, que em 2010 atuou para impedir a candidatura de Ciro, fica na delicada situação de ter que tratar de uma dissidência interna em sua sigla, posição que sugere fragilidade perante financiadores. Para o público, se ele não consegue unir o próprio partido, dificilmente terá força para vencer.

ATO II – A PROMESSA
A volta da refinaria

Dois dias após as declarações de Ciro, o governador Cid Gomes é recebido pela presidente/candidata Dilma. Em seguida, Cid resgata a antiga promessa de construção de uma refinaria da Petrobras no Ceará, apesar de todas as dificuldades financeiras da empresa. Segundo o governador, uma parceria com chineses ou coreanos (falta combinar com eles?) possibilitaria o empreendimento. Se Cid e Ciro, no fundo do coração, realmente acreditam nisso, só eles podem dizer. É mais plausível acreditar que a dupla atua pensando na sobrevivência política de seu próprio grupo, historicamente pouco afeito a compromissos partidários.

De todo modo, a sincronia entre as datas e o apelo eleitoral de uma promessa que há anos gera expectativas concorrem para reforçar a percepção de que há nesses acontecimentos muito mais do que mera coincidência. No plano simbólico, reforça a posição de Cid Gomes como interlocutor preferido de Dilma junto ao PSB. Os demais governadores da sigla percebem que essa é a postura mais adequada para encaminhar seus pleitos junto ao governo federal.

ATO III – O CHEFE
Lula entra em cena

Quatro dias após as declarações de Ciro e 48 horas depois do encontro de Cid e Dilma, o PT realiza em Fortaleza um seminário com a presença do ex-presidente Lula, cujo título denota notório sentido eleitoral: “O Decênio que mudou o Brasil”. A ideia subjacente é comparar o governo petista com o governo tucano, reforçando a estratégia utilizada nas duas eleições de Lula e na de Dilma, que é a de polarizar a disputa entre dois candidatos já no primeiro turno.

Mais uma vez é possível ver que a peça apresenta alegorias de valor simbólico. A escolha da capital cearense como a primeira das dez onde o seminário será realizado, logo após a sucessão de notícias que mostram o engajamento de Ciro e Cid com o projeto nacional do PT, é mais um recado aos adversários que desejam polarizar a campanha: a prioridade agora são os aliados de 2014.

FINAL – …
Reticências para 2014

“As reticências são os três primeiros passos do pensamento que continua por conta própria o seu caminho”, já dizia Mário Quintana. É isso aí. Não dá para prever o final desse teatro, afinal, muita coisa pode mudar. A crítica, nesse caso, pode avaliar apenas o momento, pois esse é um roteiro que ainda está sendo escrito a muitas mãos. Antecipar o resultado é torcida. Esse é um capítulo que será concluído apenas em 2014.

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PSB e PT cearenses encenam trama antiga de aliança e traição

Por Wanfil em Eleições 2012, Partidos, Política

30 de Março de 2012


Ivo Gomes e Luizianne Lins unidos pelas circunstâncias em passado recente, agora afastados. O que mudou? As circunstâncias, claro.

A aliança vitoriosa entre PSB e PT no Ceará obedece a uma velha prática do frágil partidarismo brasileiro: é baseada em circunstâncias, não em convicções. Onde se lê aliança programática, entenda-se divisão de espaços (e verbas) na máquina pública. Essa realidade não resulta de um desvio ocasional ou particular, mas atende, sobretudo, a essa nefasta regra geral em nosso país, que pode se mostrar mais ou menos acentuada, a depender do governo avaliado.

Garantia expirada
No Ceará, a parceria entre o PT dono do poder federal e o PSB comandado pela família Ferreira Gomes, em 2006, derrotou a longa hegemonia do PSDB no Estado. Os fiadores desse projeto foram o governador Cid Gomes e a prefeita Luizianne Lins, que sem maiores dificuldades administraram a desconfiança mútua que seus grupos – adversários no passado – nutrem um pelo outro no presente. No entanto, agora que os líderes desse processo não concorrerão mais a uma reeleição, as expectativas e especulações sobre uma nova configuração de poder aumentam.

Com popularidade em baixa (o que siginifica pouca capacidade de transferir votos), Luizianne não consegue emplacar um discurso de continuidade e nem apresenta um nome viável de sua confiança para sucedê-la.

Sem perdão
Os Ferreira Gomes, naturalmente, sentiram a oportunidade proporcionada pelo momento. E assim começam a escalar os próceres de seu grupo político, Ivo, Ciro e Arialdo Pinho, para criticar a gestão petista na capital cearense. A intenção óbvia é tentar descolar a imagem do PSB e do governador da gestão petista em Fortaleza, como se não tivessem tido responsabilidade alguma nas duas eleições de Luizianne. Não se trata de ser leal ou ingrato. É sobrevivência, é projeto de poder. É feio, mas é assim. Embarcar numa candidatura bancada por uma liderança fragilizada é um risco.

Assim é que, após quase oito anos de aliança, aparecem os três, muito surpresos com tantos problemas e preocupados com o bem-estar da população, apontando dificuldades administrativas e até corrupção. Isso mesmo. Ivo Gomes afirmou que dinheiro público é repassado a um hospital particular apenas para beneficiar um vereador, que seria o seu dono (bem que a Câmara de Vereadores poderia convidar o Chefe de Gabinete do governador do Estado, autoridade com imensas responsabilidades, para explicar melhor essa história e dar nomes aos bois, afinal, se trata de dinheiro do contribuinte).

É esperar pra ver
O fato é que a relação entre PT e PSB é a crônica de uma traição anunciada, assim como foi o pacto Ribbentrop-Molotov, tratado de não agressão firmado entre Rússia e Alemanha pouco antes da Segunda Guerra Mundial. Como tal, a questão é saber quem quebrará o acordo primeiro. Os canhões de ataque já estão perfilados, pressionando a prefeita. O PT, que sempre teve no PSB uma mera força de apoio, irá capitular e deixar que o governador indique o nome que disputará pela atual coligação? Quem sabe. Em termos políticos, eu nunca subestimo Luizianne. No entanto, como diz a musiquinha, quem sabe faz a hora, não espera acontecer.

*Texto meu publicado originalmente no blog Polítika, da jornalista Kézya Diniz.

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PSB e PT cearenses encenam trama antiga de aliança e traição

Por Wanfil em Eleições 2012, Partidos, Política

30 de Março de 2012


Ivo Gomes e Luizianne Lins unidos pelas circunstâncias em passado recente, agora afastados. O que mudou? As circunstâncias, claro.

A aliança vitoriosa entre PSB e PT no Ceará obedece a uma velha prática do frágil partidarismo brasileiro: é baseada em circunstâncias, não em convicções. Onde se lê aliança programática, entenda-se divisão de espaços (e verbas) na máquina pública. Essa realidade não resulta de um desvio ocasional ou particular, mas atende, sobretudo, a essa nefasta regra geral em nosso país, que pode se mostrar mais ou menos acentuada, a depender do governo avaliado.

Garantia expirada
No Ceará, a parceria entre o PT dono do poder federal e o PSB comandado pela família Ferreira Gomes, em 2006, derrotou a longa hegemonia do PSDB no Estado. Os fiadores desse projeto foram o governador Cid Gomes e a prefeita Luizianne Lins, que sem maiores dificuldades administraram a desconfiança mútua que seus grupos – adversários no passado – nutrem um pelo outro no presente. No entanto, agora que os líderes desse processo não concorrerão mais a uma reeleição, as expectativas e especulações sobre uma nova configuração de poder aumentam.

Com popularidade em baixa (o que siginifica pouca capacidade de transferir votos), Luizianne não consegue emplacar um discurso de continuidade e nem apresenta um nome viável de sua confiança para sucedê-la.

Sem perdão
Os Ferreira Gomes, naturalmente, sentiram a oportunidade proporcionada pelo momento. E assim começam a escalar os próceres de seu grupo político, Ivo, Ciro e Arialdo Pinho, para criticar a gestão petista na capital cearense. A intenção óbvia é tentar descolar a imagem do PSB e do governador da gestão petista em Fortaleza, como se não tivessem tido responsabilidade alguma nas duas eleições de Luizianne. Não se trata de ser leal ou ingrato. É sobrevivência, é projeto de poder. É feio, mas é assim. Embarcar numa candidatura bancada por uma liderança fragilizada é um risco.

Assim é que, após quase oito anos de aliança, aparecem os três, muito surpresos com tantos problemas e preocupados com o bem-estar da população, apontando dificuldades administrativas e até corrupção. Isso mesmo. Ivo Gomes afirmou que dinheiro público é repassado a um hospital particular apenas para beneficiar um vereador, que seria o seu dono (bem que a Câmara de Vereadores poderia convidar o Chefe de Gabinete do governador do Estado, autoridade com imensas responsabilidades, para explicar melhor essa história e dar nomes aos bois, afinal, se trata de dinheiro do contribuinte).

É esperar pra ver
O fato é que a relação entre PT e PSB é a crônica de uma traição anunciada, assim como foi o pacto Ribbentrop-Molotov, tratado de não agressão firmado entre Rússia e Alemanha pouco antes da Segunda Guerra Mundial. Como tal, a questão é saber quem quebrará o acordo primeiro. Os canhões de ataque já estão perfilados, pressionando a prefeita. O PT, que sempre teve no PSB uma mera força de apoio, irá capitular e deixar que o governador indique o nome que disputará pela atual coligação? Quem sabe. Em termos políticos, eu nunca subestimo Luizianne. No entanto, como diz a musiquinha, quem sabe faz a hora, não espera acontecer.

*Texto meu publicado originalmente no blog Polítika, da jornalista Kézya Diniz.