facções Archives - Blog do Wanfil 
Publicidade

Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

facções

Antes tarde do que nunca

Por Wanfil em Segurança

14 de Janeiro de 2019

Os esforços em conjunto feitos pelo governo do Ceará e o governo federal mostram que certas  responsabilidades devem mesmo pairar acima de divergências políticas e até mesmo ideológicas. Crises agudas pedem ações imediatas.

Na Assembleia Legislativa do Ceará, situação e oposição se uniram em sessão extraordinária para aprovar (e ampliar) mensagens do Executivo estadual. Apoio irrestrito.

Tudo isso sinaliza a construção de uma maturidade política que, como toda e qualquer maturidade, leva tempo para ser consolidada, resultante de aprendizados colhidos na observação de erros e acertos no tempo. Por isso, é importante não deixar que grupos políticos tentem reescrever (ou apagar) erros e acertos conforme suas conveniências.

Nos últimos dez anos poucas vozes no parlamento e na imprensa apontaram para os equívocos nas políticas de segurança pública, que apesar de serem evidentes e gritantes, eram solenemente ignorados ou mesmo desprezados pelos governistas, que agora se apresentam como vigilantes infalíveis.

A verdade é que ao longo desses anos, deputados e ex-deputados estaduais como Heitor Férrer, Tomás Filho, Ely Aguiar e Capitão Wagner, que cito de memória, foram duramente criticados por apontarem discrepâncias entre os altos investimentos e a piora nos índices de violência. Foram acusados de alarmismo irresponsável, de torcerem contra os cearenses, de inveja e oportunismo. A maioria preferia aplaudir tudo o que sucessivos governos anunciavam. Deu no que deu.

Se hoje o governo e sua base aliada na Assembleia Legislativa tomam às pressas medidas corretas no enfrentamento ao crime organizado, é porque no passado insistiram teimosamente no que não estava dando certo. Mesmo sem a devida a autocrítica, antes tarde do que nunca.

Publicidade

Domínio das facções no Ceará não é crise, é rotina

Por Wanfil em Segurança

04 de Janeiro de 2019

Muito antes, mas muito antes mesmo, de o secretário da Administração Penitenciária, Luís Mauro Albuquerque, dizer que o Estado é quem deve mandar no sistema prisional, as ondas de ataques organizados desde dentro das cadeias cearenses por facções criminosas já eram comuns. No atual contexto, sempre haverá um motivo para esses grupos pressionarem o governo estadual da forma que vem dando certo. Não é ruptura da ordem, é a ordem estabelecida. Desagradou o crime, tome fogo em ônibus e ataques a prédios públicos e privados. Qual a novidade? Nenhuma.

Foi assim durante todo o primeiro governo de Camilo Santana (PT), encerrado não por acaso com as mortes de seis reféns em Milagres, e que agora inicia o segundo mandato em meio a mais uma onda de ataques. É incrível como, diante da certeza de que facções estão dispostas a agir do mesmo modo quando contrariadas, não se tenha um procedimento emergencial nos presídios e nos locais onde esses bandos atuam.

A única esperança de que essa rotina não continue por mais quatro anos está no pedido de socorro feito pelo governador ao Ministério da Justiça, de Sérgio Moro (a quem Camilo acusou publicamente de ser parcial enquanto juiz). Claro que eventuais disputas políticas devem ser colocadas de lado, porém, é preciso entender que, administrativamente, o novo desenho institucional da pasta ainda está se concretizando. Em outras palavras, ao contrário das políticas estaduais de segurança pública, com os resultados conhecidos, a nova gestão federal ainda será testada. Que o Ceará seja o local para esse teste, infelizmente, também não é surpresa.

Aos leitores, informo que estou em final de férias, interrompidas brevemente para dividir essas reflexões com vocês.

Publicidade

O fim de semana em que cearenses ficaram entre facções e convenções

Por Wanfil em Eleições 2018

29 de julho de 2018

Fortaleza foi palco de onda de ataques entre a noite de sexta e a madrugada de domingo (FOTO: Arquivo)

O final de semana no Ceará foi marcado pela realização de convenções e encontros partidários e pelos ataques a ônibus e a prédios públicos e privados, ao que tudo indica, por obra de facções criminosas.

Nada poderia ser mais representativo de uma realidade do que o encontro entre essas agendas. Eleições e segurança, protagonizam o noticiário político desde a disputa de 2006, quando Cid Gomes foi eleito com seu Ronda do Quarteirão.

Nem sempre os ataques ocorrem em sincronia com o calendário eleitoral. Todo ano é a mesma coisa. Mas agora, com a recente onda chamando a atenção do noticiário nacional desde a sexta-feira, o assunto se coloca como imposição dos fatos.

Nos encontros dos partidos de oposição, não faltaram críticas e cobranças. Mais do que normal, é necessário. Foi assim com o PSL e também na convenção do PSDB e Pros. Já na reunião do PT, no sábado, a principal pauta foi a acomodação de aliados na chapa governista.

Nada mais representativo de uma realidade.

(Texto publicado no portal Tribuna do Ceará)

Publicidade

Força-Tarefa no Ceará: a palavra-chave é Controle

Por Wanfil em Segurança

19 de Fevereiro de 2018

A Força-Tarefa com 36 homens enviada pelo Governo Federal ao Ceará para ajudar (ou assumir?) a área da inteligência na segurança pública é boa notícia, pois a necessidade realmente existe. Isso é consenso. A questão, política, está no intervalo entre o anúncio desse reforço e seus resultados. Esse intervalo será palco de uma disputa de “narrativas” na composição dos discursos eleitorais.

De cara, a iniciativa repercute politicamente nas seguintes questões: 1) há o reconhecimento de que o Estado não tem mesmo condições de combater sozinho as facções, ou seja, nem tudo está sob controle como garante o governo; 2) essa responsabilidade está doravante compartilhada com o governo federal, que assume o controle na frente investigativa, embora todos neguem que haja transferência de controle; 3) o governo cearense ganha tempo diante das cobranças por redução nos crimes (e se for o caso, qualquer ônus por eventual insucesso será transferido para os federais); 4) reforça, neste início, a imagem do senador Eunício Oliveira, que controla a mediação entre o presidente Michel Temer e Camilo Santana. Em caso de insucesso, ou de agravamento nos índices, o senador poderá ser cobrado junto com o Governo Federal.

O risco, como já disse, reside na possibilidade de fracasso. Foi gerada muita expectativa em cima da atuação federal. Em tese, a oposição poderia se beneficiar, mas precisa tomar cuidado e controlar a ansiedade para não ser acusada de torcer contra, portanto, tem que se mostrar propositiva e até, por incrível que pareça, colaborativa. Por outro lado, sem prazos definidos ou metas claras (na primeira entrevista nada foi apresentado nesse sentido), a presença da Força-Tarefa pode alimentar aquele tipo de lorota que os cearenses escutam há onze anos, de que tudo está sendo feito e que os efeitos pacificadores vão aparecer logo, logo. Tomara que dessa vez apareçam, é claro, pelo bem de todos.

Resumindo, o governo diz que tem o controle da situação, mesmo assim pede a ajuda da Força-Tarefa para manter o controle, sem que se anunciem quais são as metas para o controle de avaliação, na expectativa de reduzir o controle das facções.

Publicidade

Deputados estaduais evitam CPI do Narcotráfico por medo das facções. Mas o salário…

Por Wanfil em Ceará

16 de Fevereiro de 2018

“Assim não, pessoal!”, diria Max Weber

O maior problema hoje no Ceará é a segurança pública, fato comprovado pelos sucessivos recordes de violência. Chegou-se a um ponto em que o próprio líder do governo na Assembleia Legislativa, Evandro Leitão (PDT), ao rebater críticas do  Capitão Wagner (PR), confessou ter medo de assinar a CPI do Narcotráfico: “É muito fácil estar se cobrando nesta Casa a CPI do Narcotráfico. Eu botar minha assinatura, não boto, não. Eu tenho três filhos para criar, eu tenho um neto, eu não ando com segurança 24 horas do meu lado”.

A declaração contradiz o discurso oficial que estaria “tudo sob controle”, mas isso é lá com eles da base aliada. E o deputado não é o único. Silvana Oliveira (MDB) já posicionou em plenário contra a investigação alegando que o assunto é perigoso. Na verdade esse sentimento é partilhado por muitos outros deputados que não se manifestam para preservar o governo, mas que também não assinam o pedido de jeito nenhum.

É compreensível. Em 2016 um carro bomba foi deixado ao lado da Assembleia como recado das facções contra a instalação de bloqueadores de celulares nos presídios. A questão é que deputados são autoridades que encarnam o poder legislativo e que representam os cidadãos do estado. Se não querem, por medo, enfrentar o problema mais urgente dos seus representados – um medo que, repito, é compreensível –, não podem seguir na condição de representantes do povo. É um imperativo moral que renunciem aos cargos aqueles que não desejarem o início da CPI, obrigação imposta pelas circunstâncias e pelos cargos que ocupam.

Antes de continuar, faço um breve desvio: Max Weber observou a tensão entre o que chamou de Ética da Convicção e Ética da Responsabilidade. Para resumir, a primeira diz respeito as decisões individuais, e a segunda, no caso das autoridades, versa sobre decisões que deve ser tomadas para o bem geral. Por exemplo: um pacifista convencido de jamais reagir a uma agressão, uma vez na condição de presidente, estaria obrigado a declarar guerra caso seu país fosse atacado por outra nação, situação em que a ética pessoal estaria vencida pela ética da função que exerce.

Voltando ao Ceará, certamente a CPI não seria a solução mágica da qual os governistas, com impressionante desfaçatez, se dizem injustamente cobrados (quem afinal cobrou isso?), mas seria um esforço a mais em busca de uma política de segurança realmente eficaz. 

Imaginem Vossas Excelências que comunidades inteiras vivem sob a lei do estado paralelo do crime, que diariamente testemunham execuções. Lembrem-se de que existem crianças no Ceará que arriscam a vida para ir a escola. O risco existe, sim. Realmente é um tema perigoso. E por isso mesmo seu enfrentamento é necessário.

Não dá pra ficar escolhendo qual tema é mais confortável discutir, que problema é conveniente ou não, e depois ainda receber no final do mês o generoso salário de parlamentar (com seus penduricalhos), enquanto os cearenses, além de pagar a conta, permanecem expostos a uma taxa de violência que não para de crescer.

Publicidade

Segurança pública: uma dica para o governo, outra para a oposição

Por Wanfil em Segurança

22 de junho de 2017

Tenho dito na coluna que tenho da rádio Tribuna Band News e escrito aqui no blog que o governo do Ceará, diante do recrudescimento dos índices de homicídios, que voltaram a subir vertiginosamente, tem errado na estratégia de comunicação. Ao projetar culpar, com excessiva ênfase, o governo federal, que falha no controle das fronteiras nacionais, a gestão estadual deixa a impressão de que não pode – ou não sabe – reagir mais com recursos próprios.

Dei então uma dica: aceitar o fato de que a raiz do problema está nas facções dos presídios que controlam o crime do lado de fora, para focar ações na restauração de investimentos na Secretaria da Justiça, responsável pelo setor.

Presídios
Talvez por coincidência, o governador Camilo Santana anunciou, nesta semana, que aguarda do Ministério da Justiça a autorização para a construção de um presídios de segurança máxima. Não há data confirmada para a obra, mas em ano pré-eleitoral, tem-se ao menos um novo discurso e finalmente um foco de atuação diferente.

Batalhão de Divisas
Sendo assim, vai que andam lendo o que escrevo e ouçam o que digo, tenho também uma dica para a oposição – ou para opositores, pois o grupo é disperso -, sempre pensado, é claro, em contribuir com o debate. Se um dos problemas apontados pelo governo do Estado é a falta de policiamento nas fronteiras com países produtores de drogas, é razoável perguntar às autoridades locais como anda o trabalho do Batalhão de Divisas da Polícia Militar do Ceará, criada em 2015 com muita expectativa, justamente para combater o tráfico de drogas, de armas e os ataques a banco.

Será que o contingente é suficiente para cobrir as fronteiras estaduais? Quanto policiais atuam no batalhão e quantos seriam necessários? Quais são as áreas mais vulneráveis?

Fiscalizar para melhorar
São informações pertinentes que devem ser cobradas, não como forma de constranger adversários, mas por dever de ofício, afinal, é para isso que a população vota na oposição. Além do mais, verificar a eficiência das ações de segurança em execução hoje, no presente, é a melhor forma de evitar que erros se repitam nas novas ações que estão sendo propostas para o futuro próximo.

Publicidade

Aumento nos homicídios coloca em risco “trunfo” da gestão Camilo

Por Wanfil em Segurança

13 de junho de 2017

Os homicídios no Ceará aumentaram 65% em maio, na comparação com o mesmo período do ano passado. Foram nada menos que 471 assassinatos. Em abril foram 377 mortes, contra 274 de 2016. Certamente especialistas não faltam para sugerir medidas e fazer análises técnicas sobre a nova escalada de violência.

Do ponto de vista político, de imagem para a gestão e consequentemente para o governador Camilo Santana, provável candidato à reeleição, os números atingem um dos poucos setores que, nesse momento de crise, gerou resultados positivos, devidamente reivindicados pelo governo estadual.

Agora o discurso de eficiência nas ações de segurança está em risco, na medida em que a inversão da tendência reforça a hipótese bastante difundida de que a redução dos homicídios teria sido consequência de um acordo de paz entre facções criminosas. O governo sempre negou essa possibilidade, mas a dinâmica dos índices casa com as informações sobre o suposto pacto entre bandidos.

Na tentativa de explicar a má notícia, autoridades locais reclamam do governo federal. E assim, se antes o sucesso era fruto de esforços locais, hoje o discurso mudou. Dificilmente esse conveniente deslocamento de responsabilidade surtirá efeito aos olhos do cidadão cearense. Fazer da lamentação o centro de uma explicação defensiva não parece boa estratégia de comunicação. Afinal, se nada pode fazer contra a violência a não ser esperar por ajuda federal, o que o governo estadual dirá aos eleitores no ano que vem? Que fez tudo o que podia e só nos resta aguardar? Sem contar que, na campanha passada, ninguém disse que a redução dos crimes estaria vinculada a fatores externos.

Certamente o governo tem o que mostrar. Governos sempre pensam nisso. E há realizações como as promoções de policiais e criação de equipes do Raio no interior. O problema é quando os investimentos não são correspondidos pelos índices. No que diz respeito às eleições, não é possível dimensionar o impacto desses fatos. O que é possível dizer agora é que o governo tem que trabalhar para construir uma nova abordagem sobre uma área, a segurança, que parecia figurar como trunfo.

Publicidade

Candidatura de secretário arde no fogo dos ataques

Por Wanfil em Segurança

20 de Abril de 2017

Fotos de ataques assim não são postadas no Facebook das autoridades cearenses

O Ceará vive a maior onda de ataques a ônibus, carros, delegacias e bancos de sua história. A maioria dos casos, que começaram na quarta e prosseguiram nesta quinta, foi registrada em Fortaleza e Região Metropolitana.

Segundo o secretário de Segurança Pública do Estado, André Costa, as razões para esses ataques inesperados ainda estão sendo investigadas. Se os fins ainda são um mistério para o governo, os meios evidenciam ação coordenada para causar medo e transtornos, constrangendo as autoridades. Funcionou.

Desde que assumiu no início do ano, o secretário ganhou destaque por causa de seu estilo, digamos, midiático: manda recados para criminosos pelas redes sociais, participa pessoalmente de operações policiais, veste farda e usa frases de efeito. Ganhou a simpatia do público e dos policiais. Eu mesmo elogiei aqui no blog. E assim, não demorou em ser apontado como contraponto político ao deputado Capitão Wagner (PR), um dos principais nomes da oposição ao governador Camilo Santana (PT).

Se a retomada do diálogo entre o governo e os policiais, interditado na gestão de Cid Gomes, e a redução gradual nos índices de homicídios, são os principais trunfos de Camilo nessa área, pesam contra sua administração a rebelião com o maior número de mortos ocorrida no ano passado, e a agora, repito, a maior onda de ataques que já se viu no Ceará.

Para Costa, os ataques podem ser uma reação da bandidagem contra o trabalho do governo. É possível, mas a intensidade e a facilidade dessa reação indicam falhas no monitoramento do grupo (ou grupos) que organizou os atentados, além de dificuldades operacionais para desmobilizar as quadrilhas que atuam nas ruas. Não estamos falando de crime passional, de briga de vizinhos, mas de operações articuladas que demandam planejamento e hierarquia.

Se existe algum fundo de verdade nas supostas pretensões eleitorais para o secretário, elas sofreram duro golpe com os acontecimentos dos últimos dois dias.

Publicidade

Candidatura de secretário arde no fogo dos ataques

Por Wanfil em Segurança

20 de Abril de 2017

Fotos de ataques assim não são postadas no Facebook das autoridades cearenses

O Ceará vive a maior onda de ataques a ônibus, carros, delegacias e bancos de sua história. A maioria dos casos, que começaram na quarta e prosseguiram nesta quinta, foi registrada em Fortaleza e Região Metropolitana.

Segundo o secretário de Segurança Pública do Estado, André Costa, as razões para esses ataques inesperados ainda estão sendo investigadas. Se os fins ainda são um mistério para o governo, os meios evidenciam ação coordenada para causar medo e transtornos, constrangendo as autoridades. Funcionou.

Desde que assumiu no início do ano, o secretário ganhou destaque por causa de seu estilo, digamos, midiático: manda recados para criminosos pelas redes sociais, participa pessoalmente de operações policiais, veste farda e usa frases de efeito. Ganhou a simpatia do público e dos policiais. Eu mesmo elogiei aqui no blog. E assim, não demorou em ser apontado como contraponto político ao deputado Capitão Wagner (PR), um dos principais nomes da oposição ao governador Camilo Santana (PT).

Se a retomada do diálogo entre o governo e os policiais, interditado na gestão de Cid Gomes, e a redução gradual nos índices de homicídios, são os principais trunfos de Camilo nessa área, pesam contra sua administração a rebelião com o maior número de mortos ocorrida no ano passado, e a agora, repito, a maior onda de ataques que já se viu no Ceará.

Para Costa, os ataques podem ser uma reação da bandidagem contra o trabalho do governo. É possível, mas a intensidade e a facilidade dessa reação indicam falhas no monitoramento do grupo (ou grupos) que organizou os atentados, além de dificuldades operacionais para desmobilizar as quadrilhas que atuam nas ruas. Não estamos falando de crime passional, de briga de vizinhos, mas de operações articuladas que demandam planejamento e hierarquia.

Se existe algum fundo de verdade nas supostas pretensões eleitorais para o secretário, elas sofreram duro golpe com os acontecimentos dos últimos dois dias.