Eunício Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Eunício

Quem vota em um, vota no outro?

Por Wanfil em Eleições 2018

07 de agosto de 2018

(FOTO: Divulgação)

Nas eleições de 2010 o então presidente Lula, no auge da popularidade, gravou um vídeo pedindo a seus eleitores que votassem em José Pimentel (PT) e Eunício Oliveira (PMDB, hoje MDB), para o Senado.

“Quem vota ni um, vota no outro (SIC); quem vota no outro, vota no outro, e não precisa votar em mais ninguém, só nos dois”, ensinava o petista.

Agora, em 2018, a estratégia de vinculação não poderá se repetir. Em razão das coligações e com a aliança informal do PT e PDT com o MDB no Ceará, e mesmo com Eunício declarando apoio a Lula, o único candidato a presidente que poderá pedir votos para o senador do MDB nos programas eleitorais será… Henrique Meirelles, seu correligionário e de Michel Temer. O candidato oficial na chapa de Camilo, do PT de Lula, é Cid, do PDT de Ciro.

Evidentemente, com a perspectiva de fiasco de Meireles, a estratégia para a reeleição de Eunício desta vez será “melhor só do que mal acompanhado”.

E antes que alguém faça objeção, adianto que sim, realmente são circunstâncias muito diferentes. Lembrando que nessa condição que mora o perigo, afinal, nas circunstâncias do passado, deu tudo certo, agora, vamos aguardar.

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Ciro Gomes critica aproximação entre PT e PMDB: abre o olho, Eunício

Por Wanfil em Política

10 de novembro de 2017

O acirramento de ânimos no PSDB nacional acabou reduzindo a repercussão, no Ceará, sobre um episódio importante para as articulações eleitorais por estes lados. Mais precisamente, uma fala de Ciro Gomes, pré-candidato à presidência da república pelo PDT, em Minas Gerais, na última quinta-feira. Reproduzo trecho, segundo relato do Estadão:

“O PT votou no Eunício para a presidência do Senado. Como é que a gente diz pro povo que houve ‘golpe’ e, ato contínuo, pratica a contradição de confraternizar com o chefe dos ‘golpistas’?”.

Opa! Como é que fica então o acordão entre o PT de Camilo e o PMDB de Eunício, costurado com consentimento do PDT de Cid Gomes? Se o PMDB não presta para a candidatura de Ciro, por que então seria aceitável no Ceará?

Imaginem o presidenciável sendo confrontado por adversários na campanha, que o acusariam de operar com dois pesos e duas medidas, de pregar rompimento em âmbito nacional e ao mesmo tempo se aliar em casa com aqueles aos quais critica.

Sem contar que Eunício já havia dito que seu candidato é Lula, evidenciando que não pretende pedir votos para Ciro, ou seja, que o limite para a composição é justamente a indisposição pessoal entre os dois.

Bem observadas as coisas, o possível acordão entre adversários das eleições passadas no Ceará tem um imenso empecilho: as eleições presidenciais. As conversas entre Camilo e Eunício, com Cid se limitando a dizer que não se nega apoio de ninguém, tiveram até agora dois efeitos práticos: dividir a oposição e deixar o governo estadual compartilhar o bônus político da liberação de verbas federais. Enquanto for útil para quem está tirando proveito da situação, isso será mantido. Porém, está muito claro que a presença de Eunício numa coligação com Camilo e de Cid seria uma contradição incontornável para o discurso de Ciro.

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As estratégias de campanha na primeira semana do horário eleitoral

Por Wanfil em Eleições 2014

22 de agosto de 2014

A horário eleitoral de 2014 começou, com aquele conjunto de regras e conceitos estéticos muito bem demonstrados pelo humorista Marcelo Adnet no vídeo Propaganda Eleitoral Gratuita A Verdadeira. As músicas, os enquadramentos, os testemunhos de sempre estão todos lá, com variações de cor, direção e qualidade, mas sem inovações.

Como a campanha ainda está no começo, a estratégia das campanhas consiste na apresentação dos candidatos.  É o momento de tentar fixar as primeiras impressões. Assim, resumo em poucas linhas o que foi, a meu ver, essa semana de estreias das principais candidaturas, segundo as últimas pesquisas de opinião:

PRESIDENTE

Dilma Rousseff (PT): foram os melhores programas para essa disputa. Não me refiro ao conteúdo político, mas ao  objetivo primordial de promover uma candidatura, sua estrutura técnica e estratégica. Neles, Dilma surge como a gestora eficiente que também é sensível e gosta de cozinhar, aquele que venceu (verbo no passado) a crise internacional e que toca grandes obras. A campanha sacrifica a imagem de liderança que se espera de um presidente, para reforçar a condição de ministra escolhida por Lula. É a continuação previsível da propaganda de 2010. Não por acaso, Lula aparece para referendar a candidata e acusar a impressa de agir como oposição, com o evidente intuito é desqualificar críticas e cobranças que deverão ser feitas no decorrer da disputa pelos adversários.

Aécio Neves (PSDB): ainda não disse a que veio. É apresentado como bom moço, político jovem e experiente, popular e competente governador de Minas Gerais. Não conseguiu ainda estabelecer contrastes com Dilma. de modo genérico fala em retomada de crescimento e intolerância contra a inflação. Pode ser estratégia, com o típico jeitinho mineiro de comer pelas beiradas, chegando de mansinho, como quem não quer nada. Enfoca bastante a expressão “bem-vindo”, para reforçar a ideia de novidade e provocar a hospitalidade do eleitor. Só depois de ganhar a confiança do público é que os programas devem ser mais incisivos.

– Marina Silva (PSB): é a surpresa do momento. Não precisa dizer nada, pois a cobertura sobre a morte do candidato Eduardo Campos a colocou em evidência. Trabalha para aparar arestas internas em sua coligação. Como já era conhecida da eleição passada, seu recall é alto.

GOVERNADOR

Eunício Oliveira (PMDB): foram os melhores programas para governador nesse começo, também no sentido estratégico, sem avaliar conteúdo político. Eunício é apresentado como um autêntico self made man. A narrativa cinematográfica é construída, com começo meio e fim. Apresenta o candidato na casa humilde em que nasceu, com direito a dramatização, seguido de uma trajetória de sucesso. É um roteiro que o público aprova. Busca testemunhos de populares e da família. No geral, os programas procuram mostrar que Eunício concilia capacidade administrativa e experiência política, tendo como maior qualidade a disposição para ouvir. Mostrou ainda imagens ao lado de Lula, de quando foi ministro do ex-presidente~. Até o momento, nem o PT, nem Lula, reclamaram.

Camilo Santana (PT): os programas lembram muito a campanha de Roberto Cláudio para prefeito de Fortaleza, em 2012: texto, música, cores e cenários parecidos, talvez para compensar o fato de que o candidato é pouco conhecido, correndo o risco de não construir uma identidade própria para o candidato. O tempo dos programas é dividido entre falas curtas de Camilo, testemunhos de Cid Gomes e membros do governo estadual, e do prefeito Roberto Cláudio. Os programas mostram obras e projetos das secretarias que foram comandadas por Camilo, para conferir sentido à escolha de Cid Gomes. Curiosamente, Camilo destaca sua capacidade de ouvir, uma reação que tenta anular o discurso de Eunício Oliveira.

Eliane Novais (PSB): é apresentada simplesmente como a candidata do partido de Eduardo Campos. Boa parte do seu tempo foi marcado por homenagens, que além de compreensíveis, ajudam a fazer uma associação da candidata com o líder agora mais do que conhecido do público. Os textos também ressaltam a coragem como qualidade inata da candidata.

Senador

Tasso Jereissati (PSDB): como dispensa apresentações para eleitores acima de 30 anos, a mensagem dos programas focou o público jovem. A aposta é deixar a história política do candidato falar por ele, mostrando imagens de realizações de Tasso enquanto governador e projetos aprovados no Senado. A imagem de político independente, sem padrinhos e com liderança própria, consciente de sua responsabilidade e apaixonado pelo Ceará é trabalhada de forma ágil e leve. Ao mostrar que foi o responsável por obras como o Porto do Pecém e o Castanhão, a campanha busca resgatar empreendimentos que até hoje aparecem na propaganda governamental, mas que aos mais jovens pareciam realizações de gestões mais recentes.

Mauro Filho (Pros): sua propaganda vem no conjunto da coligação de situação. Mauro é o candidato do Camilo, que por sua vez é o candidato do Cid. Os programas não focam, portanto, na liderança, mas na capacidade técnica do candidato, construindo um perfil que conjuga na mesma pessoa o professor acadêmico com o político e o gestor público. Também recorre aos padrinhos para ficar mais conhecido, o que é natural nessa situação, diga-se. No começo, é isso, uma escolha de confiança do governo.

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Gaudêncio diz que aliança “foi boa enquanto durou”. Boa pra quem?

Por Wanfil em Eleições 2014

02 de Maio de 2014

Nesse chove-não-molha da novela eleitoral no Ceará, diante da um iminente um racha na base aliada, o vice-prefeito de Fortaleza, Gaudêncio Lucena (PMDB), sócio do senador e Eunício Oliveira, declarou que a parceria entre Pros e PMDB na gestão Cid Gomes “foi boa enquanto durou”. Claro que Gaudêncio não fala por conta própria. Apenas extravasa um sentimento dominante no seu partido. Por isso a fala é significativa. Ademais, não duvido que tenha sido boa, ótima mesmo. A questão é saber: boa pra quem?

No Ceará, Pros (sigla de aluguel que hoje abriga dissidentes do PSB ligados ao governador), PMDB e PT são as forças que contam nessa aliança. Juntas nos governos municipal (Fortaleza), estadual e federal, são elas que conduzem esse conjunto de administrações que, uma vez nas mãos de aliados, teriam maior sinergia e harmonia na hora de promover obras e serviços públicos. Especialmente as que deveriam ficar a cargo da União, que tem maior capacidade orçamentária.

Disso que deveria ser o “espetáculo do crescimento”, passados oito anos de Lula e quatro de Dilma, os cearenses podem contabilizar quatro grandes promessas não cumpridas: refinaria da Petrobras, metrô de Fortaleza, ferrovia Transnordestina e transposição do São Francisco. Sem contar os escândalos no BNB. Nem sequer uma simples reforma aeroporto internacional Pinto Martins, obra para a Copa do Mundo, não conseguiram fazer. O Ceará ainda é, basicamente, Orós, Castanhão e Porto do Pecém, obras de governos anteriores.

Enquanto por aqui nada congemina, Pernambuco não tem do que se queixar em relação a empreendimentos.  Lá realmente a aliança (entre PSB e PT) foi boa enquanto durou.

Uma boa pista

Depois da conversa entre o governador Cid Gomes e a presidente Dilma Rousseff, na última segunda-feira, a turma de Cid garante que Dilma deu carta branca ao governador para tocar a sucessão, lavando as mãos com se não tivesse o que perder. Já o pessoal de Eunício diz que a presidente fez questão de esclarecer a Cid que a aliança com o senador deve ser mantida a qualquer custo.

Essas versões, independente de quem tenha razão, são indicativos que podem ajudar na compreensão da relação, digamos, superficial, entre nossas autoridades e o poder central. Existe aí uma posição demasiadamente subalterna dessas lideranças diante da presidente. É diferente, por exemplo, vou comparar de novo com Pernambuco, da postura do ex-governador Eduardo Campos. Sabe como é, quem muito se sujeita, perde o respeito e a importância.

Ao pedirem, obsequiosos, as bênçãos de Dilma, Cid e Eunício se fragilizam enquanto lideranças aptas a  conduzir o processo eleitoral. Deixam no ar a impressão que necessitam de autoridade. No lugar de qualquer um deles, eu diria: “A presidente tem grandes serviços prestados aos nosso Estado e algumas dívidas a saldar com os cearenses. Estamos aqui para colaborar na realização desses compromissos. Espero que ela esteja conosco”.  E pronto! Esse disse me disse parece coisa de menino. Assim discutem os nossos estadistas: – “Ela disse que me apoia”.  -“Não! Ela prometeu me ajudar”. – “Eu sou amigo dela”. – “E eu sou amigo do Lula”.

Enfim, tudo miúdo demais.

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Quadrilha eleitoral

Por Wanfil em Política

24 de Fevereiro de 2014

O poema Quadrilha, de Carlos Drummond de Andrade, é de uma atualidade e de uma amplitude próprias dos grandes escritores. Em diversas situações podemos fazer alusões e paralelos com o ritmo dos pares que se fazem e se desfazem no texto do poeta:

João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história.

Pedindo desde já perdão por misturar arte com política, especialmente arte de qualidade com política ruim, o poema me fez lembrar as relações estremecidas na imensa base do governo estadual no Ceará. É só trocar o “amor” por “apoio”. Vejamos.

Cid apoiava Luizianne, que apoiava Pimentel, que apoiava Eunício, que apoiava Cid. Juntos, todos apoiavam Lula, que elegeu Dilma, garantindo tratar-se de grande gestora. Cid e Luizianne romperam. Eunício e Pimentel nunca foram mesmo muito próximos e Inácio foi descartado. Cid agora procura um nome que ainda não entrou nessa história.

Na mesma toada, Luizianne avisa que Eunício será traído por Cid. Em resposta, Cid jura que nunca traiu ninguém e sempre cumpriu acordos, que é um modo de dizer que não deve a quem agora lhe cobra.  Guimarães coloca o PT cearense a serviço do candidato que Cid escolher, pois espera, em retribuição, contar com seu apoio para o Senado.

Fisiologismo
O que vale no poema como ponto de apoio para a crônica política é o seguinte: ninguém é de ninguém. Quando um grupo político cresce demais, na base da cooptação, reduzindo assim a oposição a um ou outro nome isolado, a unidade desse grupo passa a correr riscos de implosão quando seu idealizador não pode mais se reeleger, pois o amálgama de sua coesão é o fisiologismo.

Política é assim: sem o perigo da ameaça externa, o caminho que resta para alcançar o poder é a disputa interna. O que está em jogo, para essa turma, é saber quem comandará a banca que distribui cargos e verbas.

Dicionário
No poema, a palavra ‘quadrilha‘ é relacionada à dança caracterizada por grupos de quatro ou mais pares, originária da Europa. O significado de ‘quadrilha’ como  grupo de ladrões ou malfeitores, neste texto, é apenas coincidência.

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Quadrilha eleitoral

Por Wanfil em Política

24 de Fevereiro de 2014

O poema Quadrilha, de Carlos Drummond de Andrade, é de uma atualidade e de uma amplitude próprias dos grandes escritores. Em diversas situações podemos fazer alusões e paralelos com o ritmo dos pares que se fazem e se desfazem no texto do poeta:

João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história.

Pedindo desde já perdão por misturar arte com política, especialmente arte de qualidade com política ruim, o poema me fez lembrar as relações estremecidas na imensa base do governo estadual no Ceará. É só trocar o “amor” por “apoio”. Vejamos.

Cid apoiava Luizianne, que apoiava Pimentel, que apoiava Eunício, que apoiava Cid. Juntos, todos apoiavam Lula, que elegeu Dilma, garantindo tratar-se de grande gestora. Cid e Luizianne romperam. Eunício e Pimentel nunca foram mesmo muito próximos e Inácio foi descartado. Cid agora procura um nome que ainda não entrou nessa história.

Na mesma toada, Luizianne avisa que Eunício será traído por Cid. Em resposta, Cid jura que nunca traiu ninguém e sempre cumpriu acordos, que é um modo de dizer que não deve a quem agora lhe cobra.  Guimarães coloca o PT cearense a serviço do candidato que Cid escolher, pois espera, em retribuição, contar com seu apoio para o Senado.

Fisiologismo
O que vale no poema como ponto de apoio para a crônica política é o seguinte: ninguém é de ninguém. Quando um grupo político cresce demais, na base da cooptação, reduzindo assim a oposição a um ou outro nome isolado, a unidade desse grupo passa a correr riscos de implosão quando seu idealizador não pode mais se reeleger, pois o amálgama de sua coesão é o fisiologismo.

Política é assim: sem o perigo da ameaça externa, o caminho que resta para alcançar o poder é a disputa interna. O que está em jogo, para essa turma, é saber quem comandará a banca que distribui cargos e verbas.

Dicionário
No poema, a palavra ‘quadrilha‘ é relacionada à dança caracterizada por grupos de quatro ou mais pares, originária da Europa. O significado de ‘quadrilha’ como  grupo de ladrões ou malfeitores, neste texto, é apenas coincidência.