Eunício Oliveira Archives - Página 5 de 6 - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Eunício Oliveira

Justiça barra tentativa governista de impedir candidatura de oposição no Ceará

Por Wanfil em Eleições 2014

24 de julho de 2014

Eu sei, eu sei. Os ânimos estão aflorados no Ceará e os ressentimentos turvam o bom senso nessas eleições, mas é preciso discernimento para impedir o impulso da intolerância, afinal, política é o espaço das convergências e também das divergências. Na falta de respeito pelos adversários e pela própria imagem, que isso seja feito pelo menos em consideração ao digníssimo eleitor.

Ameaça
Vou explicar onde quero chegar com essa conversa. A Justiça Eleitoral julgou improcedente o pedido de impugnação feito pela coligação do petista Camilo Santana, candidato à sucessão estadual ungido pelo governador Cid Gomes, contra a coligação do peemedebista e ex-aliado Eunício Oliveira.

Nada contra ações judiciais, que isso é natural e civilizado, mas é preciso levar em consideração a intenção do processo. A candidatura governista buscou impedir judicialmente uma candidatura de oposição, aliás, a única que representa ameaça ao seu projeto de manutenção. Como ainda existem juízes no Ceará, a coisa não prosperou e acabou rejeitada por unanimidade no Tribunal Regional Eleitoral.

O caso
Vamos ao caso. Camilo Santana questionava o conteúdo das atas dos partidos que apoiam Eunício Oliveira, alegando que algumas siglas não registraram os nomes dos demais partidos da coligação feita com o PMDB. Segundo a acusação, alguns desses partidos acabaram enganados, pois ao se aliarem com dois partidos, acabaram incluídos numa aliança com outras sete agremiações.

Em seu voto, o juiz Luis Praxedes citou jurisprudência mostrando que só os partidos da própria coligação questionada teriam legitimidade para mover a ação. O relator do processo no Ministério Público Eleitoral, Rômulo Conrado, afirmou que o fato apontado pela acusação não passa de “mero erro formal”, insuficiente para invalidar a candidatura da oposição.

Quem decide é o eleitor
Como eu já disse, é normal candidatos, partidos e coligações acionarem a justiça, especialmente em período eleitoral. Mas uma coisa é questionar adversários juridicamente sobre eventuais erros de conduta ou vantagens indevidas, como propaganda irregular, uso da máquina pública ou abuso de poder político ou econômico; outra bem diferente é tentar impedir que a oposição tenha uma candidatura. Não se trata de ser a favor deste ou daquele, mas de preservar a prerrogativa básica dos eleitores: o direito ao voto livre.

Uma candidatura, claro, pode ser impugnada e o Ministério Público já acionou a justiça nesse sentido em várias ocasiões. Mas no caso em questão, provocado por candidatura oficial com base em argumentos insustentáveis, vale dizer: operou-se tentativa de interditar o processo eleitoral. Ao contrário do que acontece em regimes autoritários, nas democracias, opositores podem apresentar candidaturas contra os governos de plantão, sem risco de sabotagens ou de intimidações de qualquer natureza. Isso faz parte do conceito de alternância: ninguém é dono do poder, que emana do povo.

Má impressão
No final, a marmota acaba prejudicando a imagem da própria coligação governista. Quando um governo não quer compreender ou aceitar a legitimidade de grupos opositores, buscando deixar o eleitor sem qualquer opção que não seja o seu indicado, é sinal, no mínimo, de arrogância e prepotência. Ou então, de insegurança no próprio candidato que escolheu para manter-se no poder. Não fica bem. Que prevaleça o bom senso.

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Ibope mostra diferença de capital político entre candidaturas naturais e as fabricadas

Por Wanfil em Eleições 2014

22 de julho de 2014

Na primeira pesquisa Ibope feita no Ceará após a oficialização das candidaturas, Eunício Oliveira (PMDB) lidera para o governo do Estado com 44% das intenções de voto, seguido por Camilo Santana (PT), que aparece com 14%. Para o Senado, Tasso Jereissati (PSDB) parte na frente com 58%, contra 14% de Mauro Filho (Pros).

Os números, encomendados pela TV Verdes Mares, refletem o peso eleitoral de cada um na largada. Enquanto Eunício e Tasso dispensam padrinhos políticos, Camilo e Mauro, lançados de última hora, surpreendendo até aliados, dependem da transferência de parte do capital político do governador Cid Gomes. Não por acaso, ambos cravaram o mesmo índice. A questão é saber até onde essa influência poderá carregar os candidatos governistas.

O desempenho das candidaturas menores não deve ser menosprezado. Para o governo estadual, Eliane Novais (PSB) tem 6% e Ailton Lopes (Psol) 3%. Juntos, conseguem quase 10% dos votos, que no final podem fazer falta aos líderes. Já para o Senado, Rachel Dias (Psol) tem 5% e Geovana Cartaxo (PSB), 2%.

Certamente os números deverão variar conforme a dinâmica das campanhas. Fatores como a eventual influência de padrinhos políticos, a capacidade de articulação dos candidatos, as taxas de rejeição, a disputa presidencial, a experiência política de cada um, a propaganda eleitoral e os debates, ainda surtirão efeito.

Por enquanto, nesse começo, Eunício e Tasso trabalham sem grandes contratempos. Na verdade, respiram aliviados por terem conseguido reunir mais apoio do que imaginavam antes das convenções. Já Camilo e Mauro, sob o comando de Cid, por um lado contam com a máquina governista, mas por outro lutam para conter o ressentimento dos pré-candidatos descartados pelo Pros e o racha interno no PT.

Tem ainda a briga para ver quem terá o apoio de Dilma. Entretanto, com a presidente caindo pesquisa após pesquisa, já é o caso de pensar se essa companhia pode realmente ajudar. No Planalto, a preocupação não é mais evitar um segundo turno, mas estar no segundo turno.

A primeira pesquisa mostra uma considerável diferença na largada. Não é sinal de vitória fácil de quem parte na frente, mas indício forte de que a reta final será disputada como há muito tempo não se vê.

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Bolsa Família e eleições: tudo a ver

Por Wanfil em Eleições 2014

21 de julho de 2014

Os presidenciáveis Eduardo Campos (PSB) e Aécio Neves (PSDB) marcaram presença na região do Cariri, sul do Ceará, no final de semana. Visitaram, separados, é  claro, a ExpoCrato, famoso evento de agropecuária. Aécio depois foi a Juazeiro do Norte, acompanhado do ex-governador e candidato ao Senado Tasso Jereissati, onde participou de uma missa em memória aos 80 anos da morte do Padre Cícero.

Lideranças locais e candidatos ao governo estadual também estiveram pelos municípios da região. Eunício Oliveira (PMDB), Eliane Novais (PSB), Camilo Santana (PT), este acompanhado do notório deputado José Guimarães (PT), e Ailton Lopes (Psol), marcaram presença.

Geopolítica eleitoral
Se por um lado o Cariri conseguiu atrair os principais nomes da oposição ao governo federal para os mesmos eventos, por outro, não seduziu os estrategistas da campanha à reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT). Por quê? Ora, não é difícil deduzir a resposta. Existe nisso, como em tudo o mais numa eleição, logica e cálculo. É que se no Sul e Sudeste do Brasil Dilma tem seu pior desempenho nas pesquisas, é no Norte e no Nordeste que tem alguma folga. O corolário é óbvio: cada um precisa manter o que conquistou e avançar onde o adversário é mais forte.

No caso das oposições, reduzir a diferença de intenção de votos no Nordeste, que tem mais densidade populacional do que o Norte, é fundamental para levar a disputa para o segundo turno.

De resto, aliás, isso é coisa antiga: presidentes costumam a ter mais popularidade justamente nas regiões mais pobres do país, onde a população depende mais da assistência do governo.

Bolsa Família
Além da convergência de agenda, Campos e Aécio também coincidiram na estratégia de discurso, que focou o compromisso de manter o Bolsa Família. Segundo o tucano, o PT faz terrorismo eleitoral quando diz que a oposição pretende acabar com o programa, o que seria, a seu ver, sinal de que governistas estariam à beira de um ataque de nervos com a queda de Dilma nas pesquisas. De fato, a tática de anunciar a manutenção do programa é uma manobra de defesa.

Isso tudo faz parte do jogo. Agora, a verdade é que, independente das pesquisas, o uso eleitoreiro do Bolsa Família tem sido recorrente, o que é ruim não apenas do ponto de vista ético, mas também é preocupante pelos aspectos econômico e social. Afinal, após dez anos do seu lançamento, com a promessa de reduzir a miséria, seu evidente peso no debate eleitoral é sinal de que a pobreza e a falta de educação ainda falam alto na nossa democracia.

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Segurança Pública: o que dizem os programas de governo dos candidatos

Por Wanfil em Eleições 2014

07 de julho de 2014

Os partidos e as coligações que disputarão o governo do Ceará nas eleições de outubro entregaram à Justiça Eleitoral suas propostas de governo. No geral, são textos de pouca informação técnica, repletos de clichês, mas que servem para indicar mais ou menos o tom da abordagens de cada um sobre diversas áreas.

Para ler na íntegra as quatro propostas registradas, basta ir ao site do Tribuna Superior Eleitoral. Aqui no blog selecionei trechos referentes ao tema Segurança Pública, área que promete ser um dos temas centrais das campanhas. Seguem abaixo, reproduzidos na cor azul, tópicos de cada candidatura a respeito do assunto, acompanhados de breves comentários meus.

Camilo Santana – PT – Coligação Para o Ceará Seguir Mudando

– Definir a atuação da política de segurança pública de forma integrada com as demais políticas públicas atuando de forma sistêmica no território, criando nos locais mais vulneráveis ações relacionadas à segurança, saúde, educação, emprego e infraestrutura pública, envolvendo as Secretarias de Governo;
– Estudar o fortalecimento do Programa Ronda do Quarteirão, baseado na cultura da paz e não violência;
– Estabelecer parcerias permanentes com o Governo Federal, através do Programa “Crack é possível vencer” e com os governos municipais;
– Desenvolvimento de um SISTEMA GESTOR OPERACIONAL DE SEGURANÇA PÚBLICA. Esse sistema deverá ter a capacidade de saber “quantos e onde estão posicionados cada PM e PC, carros, motos, equipamentos em qualquer dia do ano, bem como todas as operações realizadas no estado do Ceará com acompanhamento de resultados, além de acompanhar, monitorar e avaliar a performance das Áreas Integradas de Segurança.

É visível o constrangimento no texto da coligação governista, que procura passar uma mensagem de mudança ao mesmo tempo em que precisa dizer que as escolhas do atual governo foram corretas. A primeira proposta é simplesmente uma cópia do programa Pacto pela Vida, implantado em Pernambuco pelo ex-governador Eduardo Campos (PSB), desafeto de Cid e Ciro Gomes, padrinhos de Camilo Santana. Talvez por isso o devido crédito não tenha sido dado, o que é uma desonestidade intelectual.

Manter o Ronda do Quarteirão e uma cultura de não violência é uma homenagem forçada ao que não deu certo na gestão Cid. Dizer que fará parcerias com o governo federal é discurso velho: essa aliança já existe há oito anos e não deu resultados na área. Por fim, dizer que será desenvolvido um sistema de gestão operacional implica em reconhecer que passados dois governos, esse sistema não existe ou não funciona adequadamente. É mais um confissão de má administração do que uma promessa.

Eunício Oliveira –PMDB – Coligação Ceará de Todos

– Basear os esforços pela segurança pública no binômio gente e gestão;
– Aperfeiçoar a inteligência e eficácia da investigação científica;
– Qualificar a gestão da segurança pública;
– Valorizar os profissionais de segurança;
– Aumentar a mobilidade e a presença dos policiais nas ruas.

Por enquanto, são generalidades sem efeito prático. Quem pode dizer que é contra o aperfeiçoamento da segurança e a valorização de seus agentes? De boas intenções, como sabemos, o inferno está cheio. O último tópico é o que mais se parece com uma proposta efetiva: para aumentar a presença da polícia, é presumível um aumento do contingente.

No programa de governo apresentado pela coligação que apoia Eunício Oliveira faz um bom diagnóstico do problema, mas ainda precisa melhorar suas proposições se quiser convencer o eleitor de que pode resolvê-lo.

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E o candidato do Pros é… do PT!

Por Wanfil em Eleições 2014

30 de junho de 2014

Em convenção realizada neste domingo (29), filiados do Pros e aliados finalmente souberam quem foi o candidato escolhido pelo governador Cid Gomes para disputar a sucessão estadual: será Camilo Santana, um nome do… PT! Pois é. Depois de tanto suspense, de uma disputa interna entre dedicados seguidores de Cid no Pros, a decisão acabou contemplando outra sigla.

A ironia é que durante a pré-campanha, lideranças do Pros justificaram o rompimento com o PMDB de Eunício Oliveira com o argumento de que o partido tinha o direito natural a indicação da cabeça de chapa. No fim, o Pros acabou no colo do PT. O objetivo, claro, foi trazer de fato Dilma e Lula para o palanque governista.

Também no domingo o PMDB confirmou o que todos já sabiam: Eunício Oliveira será seu candidato ao governo do Ceará. A convenção do partido contou com a presença de Tasso Jereissati, selando a aliança com o PSDB, que buscava um palanque forte para Aécio Neves no Ceará.

O ânimo nas convenções
Estive rapidamente nos dois eventos para sentir o ânimo das forças comandadas pelos ex-aliados Cid e Eunício. Nos dois eventos, muita gente, caravanas do interior e militantes. Os ginásios onde foram realizados estavam igualmente lotados. Mas havia uma diferença bastante reveladora dos processo políticos que culminaram na formalização das candidaturas.

Pros
Na convenção do Pros, Perguntei aos “militantes” do Pros que balançavam bandeiras na Av. Heráclito Graça quem era o candidato. A maioria ou não sabia, ou ignorava qual o partido de Camilo. Em compensação, havia um clima de confiança no poder da máquina.

No ginásio da Faculdade Farias Brito, faixas alardeavam apoio ao candidato de Cid, sem citar nome algum. Provavelmente haviam sido confeccionadas antes da definição. De qualquer forma, eram significativas: não importa o nome, importa que seja o candidato oficial.

PMDB
Na convenção do PMDB, o clima era de quase euforia com a presença do candidato Eunício, enquanto o som tocava jingles de campanha exaltando seu nome. Ali, todos sabiam quem era o candidato, afinal, não é de hoje que Eunício se apresenta nessa condição.

Além disso, o peemedebista já protagonizou uma disputa majoritária, quando foi eleito senador em 2010.

Nada disso garante vitória ou derrota a ninguém. O jogo está começando e cada um larga com seus trunfos. Camilo se vale do padrinho Cid, Eunício de um projeto trabalhado há mais tempo.

O escolhido de Cid
Camilo é uma aposta que se pode dizer supreendente. Não era o favorito entre os postulantes, até porque não é do Pros e o PT trabalhava para dar a vaga ao Senado para José Guimarães, que acabou, como eu alertei várias vezes, rifado na hora H.

De todos os pré-candidatos que circularam no noticiário nas últimas semanas, Camilo era um dos menos comentados. Além das questões partidárias, o petista está associado ao maior caso de corrupção que atingiu a gestão de Cid Gomes: o escândalo dos banheiros fantasmas, em 2010, revelado pelo Ministério Público. Camilo, ex-secretário da Cidades, foi um dos responsáveis pela liberação dos recursos desviados por falsas associações comunitárias. O caso culminou na queda do então presidente do Tribunal de Contas do Estado, Teodorico Menezes. Camilo não foi condenado, mas sua imagem de gestor está diretamente ligada ao episódio.

Se isso será explorado pelos adversários, aí é outra conversa. Pelo tom dos discursos de Cid e Ciro Gomes, a campanha será agressiva. É aguardar para ver.

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O recado de Ciro Gomes

Por Wanfil em Eleições 2014

26 de junho de 2014

Ciro Gomes (Pros) passou a atacar o ex-aliado Eunício Oliveira (PMDB). Chama agora o novo adversário de “biruta de aeroporto”, “lambanceiro” e “riquinho”, além de fazer insinuações sobre suposta prática de suborno (crime tipificado) e ilações desabonadoras sobre as atividades empresarias do senador pelo PMDB.

Sem entrar no mérito desse, digamos assim, estilo retórico carente de provas, cabe observar que o expediente já se tornou um padrão que não surpreende ninguém, afinal, nada mais previsível do que Ciro batendo em alguém, enquanto seu irmão Cid opta por uma atuação mais discreta. A estratégia já perdeu a capacidade de atingir seus alvos com impacto. As falas dos irmãos parecem formas opostas de lidar com a situação, mas são ações sincronizadas e complementares. Tanto é assim que Ciro nunca é desautorizado, muito menos convidado a calar-se. É um porta-voz informal a passar recados que não cairiam bem se pronunciados pelo governador.

E que recados são esses? Tolices, na maioria. Indiretas que revelam o estado de espírito no Palácio da Abolição. Juras de inimizade. Sugestões de que segredos podem ser revelados. Ameaças veladas. Um conjunto de declarações que acabam revelando que há um nervosismo no ar, misto de mágoa, raiva e medo.

Se no passado a palavra de Ciro tinha o peso de um potencial candidato competitivo à Presidência da República, no presente guarda a autoridade limitada de um secretário estadual. Daí que Eunício, líder do PMDB no Senado Federal, nem se deu ao trabalho de responder-lhe as críticas, como quem dissesse ter mais o que fazer. Fosse o governador a fazê-las, seria outra a reação.

Por fim, Ciro cobra lealdade e coerência ideológica do peemedebista. Não deixa de ter razão, uma vez que Eunício foi governista até um dia desses, mas o problema é que o próprio Ciro nunca criou raízes em partido político algum e leva consigo um histórico de ex-aliados deixados de lado em períodos eleitorais. Ciro, aliás, generaliza dizendo que o PMDB é um ajuntamento de assaltantes, mas nunca viu problema em se aliar com o partido que ele mesmo desqualifica. Assim, fica difícil ser levado a sério nesses quesitos.

Ao final, o recado de Ciro Gomes não altera nada, não repercute como outrora, não gera ansiedade nos adversários e talvez nem anime os aliados. É  mais do mesmo.

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Questão de reciproCIDade

Por Wanfil em Eleições 2014

12 de Maio de 2014

Durante encontro do PMDB em Crateús, no final de semana, Eunício Oliveira disse que esperava reciprocidade de Cid Gomes. A qualidade de recíproco pressupõe relação de igualdade, desde que haja acordo nos termos da equação. E parece que, no presente caso, não há.

Para o senador, o apoio dado a Cid Gomes (ex-PSB e atual Pros) nas duas vezes em que este foi eleito governador, merece uma retribuição: agora que é pré-candidato ao Palácio da Abolição, a parceria se manteria invertendo posições. A falta de contrapartida corresponderia, portanto, a uma deslealdade.

Já para o governador, o apoio prestado ao peemedebista em sua eleição para o Senado Federal quitou a dívida eleitoral pendente entre os dois.

Toda essa conversa também é um jogo de empurra, com cada uma das partes buscando atribuir para a outra a responsabilidade pelo rompimento. E aí, por falta de provas, resta ao distinto público escolher a versão que mais lhe agrada.

Disso tudo, duas coisas merecem ser pontuadas:

1) a discussão sobre quem deve apoio a quem apenas mostra a natureza real de uma aliança feita da junção ocasional de projetos pessoais que, no fundo, cedo ou tarde se mostrariam mesmo inconciliáveis;

2) as recentes declarações de lado a lado explicitam que o acordo selado entre as principais lideranças do Ceará na atualidade se baseou na velha troca de favores.

Não existe aí um rompimento de fundo moral, administrativo ou ideológico. Dado o padrão ético da política brasileira, nada disso é novidade.

O fato é que, quando lhes foi conveniente, PMDB e Ferreira Gomes (qualquer que seja o partido em que estejam), souberam tirar proveito eleitoral da aliança. Agora que estão separados, Eunício ensaia um discurso moderadamente crítico, o que é legítimo, principalmente quando o desgaste e o choque de visões acontece ao longo da gestão. Caso contrário, quando essas divergências surgem de repente e às vésperas de uma nova eleição, fica parecendo oportunismo.

Assim, por exemplo, quando Eunício afirma que é possível resolver a crise na segurança pública, é preciso lembrar que o conceito reciprocidade em alianças governistas não se resume à distribuição de cargos ou de apoios eleitorais, mas também no compartilhamento de responsabilidades, no que diz respeito ao conjunto da obra. Se a gestão acerta, acertam todos, se falha, falham igualmente todos.

Nessa situação de fiel ex-aliado, a credibilidade de eventuais críticas precisa do apoio de um devido mea culpa. Afinal, acertos e erros devem ser repartidos entre os que endossaram as mesmas promessas. Nada pessoal. É só  uma mera questão de reciprocidade.

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Ibope mostra Eunício na frente: por que Cid rejeita seu nome?

Por Wanfil em Eleições 2014

06 de Maio de 2014

A nova pesquisa Ibope sobre as eleições no Ceará divulgada na segunda-feira (5) não trouxe novidades ou surpresas. O senador Eunício Oliveira (PMDB) segue na dianteira, orbitando na casa dos 45%, com pequenas variações, a depender do adversário.

Como o clima é de racha na base aliada, o contraste com os baixos números dos pré-candidatos do Pros, sigla liderada pelo governador Cid Gomes, chama a atenção. Nesse grupo, o melhor desempenho é do deputado Mauro Filho, fiel aliado de diversas gestões nos últimos 20 anos, com 8%.

Calma lá

Isso significa que o PMDB é imbatível e que o Pros não tem perspectiva de vitória? Não é bem assim. É preciso prudência.

Profissionais de campanhas eleitorais sabem que a essa altura, faltando cinco meses para o pleito, pesquisas possuem uma limitação objetiva: poucas são as pessoas que estão preocupadas com eleição. Até porque os candidatos ainda não foram confirmados. Isso fica evidente na espontânea, onde 68% não têm preferência por ninguém. Assim, aparece na frente quem é mais conhecido, uma vantagem quase inercial.

O que importa agora são as pesquisas qualitativas, que indicam quais são os grandes problemas que mobilizam a opinião pública e qual o perfil ideal de candidato desejado pela população para enfrentá-los.

Por outro lado, as manchetes ancoradas nesses levantamentos ajudam a consolidar uma imagem de competitividade a quem lidera.

Qual a razão?

A pesquisa ainda sublinha, indiretamente, um constrangimento para o governador Cid Gomes, a quem caberia comandar a costura de um palanque único para Dilma no Ceará. É que Eunício e Cid foram aliados por sete anos e agora, de repente, estão em vias de romper oficialmente.

Como explicar para o eleitor e para os demais partidos da coalizão governista o que foi que mudou nessa relação? O que alegar para descartar o nome da base com melhor desempenho nas pesquisas? Ele não é de confiança? É incompetente? Ou aliança só é boa se o candidato for do Pros?

São perguntas que, sem respostas, deixam a impressão de que tudo não passa da velha disputa do poder, pelo poder. Ninguém quer largar o osso e a desconfiança é recíproca. Nesse história, não há vítimas, pois todos fizeram de suas conveniências particulares o eixo da aliança, alheios a qualquer conteúdo programático ou ideológico. É a sua natureza, é o seu destino.

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Cid, Eunício e Domingos Filho juntos: aliança ressuscitada ou jogo de cena?

Por Wanfil em Eleições 2014

28 de Abril de 2014

O exercício da política como espetáculo é uma atividade carregada de simbolismos. Seus profissionais capricham nas reticências. O que é dito e o deixou de ser dito, as fotos, os eventos, as amizades, tudo acaba objeto de avaliação.

Partindo dessa premissa, e lembrando que nada é por acaso, reparem nas duas fotos que seguem abaixo, feitas sábado (26), no aniversário do deputado estadual Domingos Neto (Pros), em Tauá. Na primeira, vejam quanta amizade fraternal.

Cid Gomes cumprimenta Eunício Oliveira: aliados à beira de um racha. Foto: Facebook/Eunício Oliveira.

Domingos (centro), ao lado de Eunício e Cid. Foto: Facebook/Eunício Oliveira.

 

Quem vê, pensa: no Ceará, a turma do Pros convive em harmonia com o PMDB. Assim, o anfitrião e vice-governador Domingos Filho (Pros), posa ao centro ao lado do senador peemedebista Eunício Oliveira (de branco), tendo, mais à direita, a companhia do governador Cid Gomes (Pros). Ao fundo, olhando de soslaio, aparecem o senador Inácio Arruda (PCdoB) e o vice-prefeito de Fortaleza, Gaudêncio Lucena (PMDB), sócio de Eunício.

Na imagem, Domingos é o centro gravitacional de atração que reaproxima aliados que andavam distantes. É o poder da articulação do vice, me disse um prefeito ligado a Eunício. Pois é. Nem parece que Cid deixou de renunciar para não entregar o cargo para Domingos, atendendo ao irmão Ciro Gomes, que não compareceu. Muito menos que existe alguma tensão entre Cid e Eunício. Imagem é tudo, dizia uma propaganda de refrigerante. Coisa de marketing… Assim, notem a curiosidade: Inácio aparece na exata posição em que se encontra politicamente: atrás e de escanteio, a esperar pela sorte.

Agora a segunda imagem. 

Cid Eunício

Cid Gomes cumprimenta Eunício Oliveira: aliados à beira de um racha. Foto: Facebook/Eunício Oliveira.


Atenção na imagem. Cid se esforça para mostrar intimidade com Eunício. “Confie em mim”, parece acenar ao aliado em rota de colisão. O governador afirma que não é hora de falar em eleição, que só mais adiante definirá sua decisão sobre quem terá seu apoio na sucessão. Eunício tem pressa e na foto aparenta estar arredio. O corpo fala, dizem por aí. Surpreso, o senador se afasta, compondo involuntariamente uma imagem que combina muito com o ânimo de quem não deseja esperar por ninguém, para não acabar como alguns ex-aliados de Cid, abandonados no meio do caminho aguardando pelo apoio que não veio.

“Cuidado Wanderley, você está vendo coisas demais!” Sim, pode ser. É preciso entender que foi por isso mesmo, para deixar turvo o cenário, que tantos compareceram ao aniversário. Por amor a Domingos Neto é que não foi! Bastou correrem as primeiras notícias e imagens da festa que diversas leituras começaram a circular no mercado da boataria. Será que Cid capitulou e apoiará Eunício? O senador irá recuar da pré-candidatura ao governo estadual para manter palanque único para Dilma no Estado? Ou seria tudo jogo de cena? Ninguém sabe.

O problema desses simbolismos está justamente no caráter dúbio das aparências. Conversei com algumas lideranças partidárias governistas e de oposição no final de semana e a única certeza é que tudo é demasiadamente incerto no Ceará. O clima é de apreensão e, principalmente, de desconfiança generalizada.

Esse quadro pré-eleitoral me fez lembrar de uma outro foto, mais antiga, que mostra como políticos viram atores em frente de câmeras. No início de 2012, Cid Gomes, então no PSB, e a prefeita de Fortaleza Luizianne Lins (PT) na época, acompanharam uma visita de Dilma Rousseff, ocasião em que se deixaram fotografar assim:

Cid e Luizianne em 2012, já próximos de romperem a aliança que os unira. Foto: Kézya Diniz.

Cid e Luizianne em 2012, já próximos de romperem a aliança que os unira. Foto: Kézya Diniz.

 

Meses depois romperam a aliança para lançar, cada um, seu candidato em Fortaleza. Moral da história: quando o assunto é política, especialmente em tempo de eleição, nem tudo é o que se parece ver.

Traição?

Nesse jogo de mensagens cifradas, uma ausência chamou a atenção em Tauá: a do deputado federal José Guimarães, pré-candidato do PT ao Senado. Não teria sido convidado ou, tendo sido, não compareceu de propósito? O petista aguarda uma manifestação pública de Cid ou do Pros sobre o apoio ao seu projeto, mas, até agora, nada. A impressão é que há resistência ao seu nome. Guimarães teria sido rifado? Há um cheiro de fritura no ar…

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Quem muito espera, às vezes alcança, às vezes desespera

Por Wanfil em Eleições 2014

25 de Abril de 2014

No Ceará, exemplos de eleições recentes mostram que esperar demais por matar.

No Ceará, exemplos de eleições recentes mostram que esperar demais pode matar.

Quem espera sempre alcança, diz o ditado popular. A máxima, que enaltece a paciência e o otimismo, não serve de consolo aos partidos da aliança governista no Ceará, imersos em dúvidas e desconfianças que ameaçam rachá-la.

Pros

Enquanto o Pros do governador Cid Gomes deseja empurrar para junho qualquer decisão a respeito de eleições estaduais, PMDB e PT cobram um posicionamento para definirem suas estratégias.

PMDB

O senador Eunício Oliveira, pré-candidato à vaga no Palácio da Abolição, aguarda uma resposta de Cid para saber se o Pros irá com ele ou se lançará candidatura própria. Disse esperar uma resposta até o próximo dia 30. Depois disso, sem o apoio do governador, o PMDB fica livre par articular uma chapa com partidos de oposição. Outra possibilidade que acena no mercado de especulações seria o apio de Eunício à reeleição de Inácio Arruda, do PCdoB.

PSDB e PR

PSDB e PR esperam por uma candidatura de Tasso Jereissati ao Senado, alvo de muita especulação e nenhuma certeza. Se Tasso disputar, as legendas caminham juntas; se não, o PSDB segue sozinho para garantir o palanque do presidenciável da sigla, o mineiro Aécio Neves. Já o PR deve aderir ao projeto de Eunício. PSDB e PMDB não descartam uma conversa mais adiante, a depender do desenrolar dos fatos. O fato é que a oposição não tem motivos para se adiantar aos aliados de Cid. A pressão, nesse momento, está sobre o governo.

PT

O PT, por sua vez, abre mão de apresentar um nome ao governo estadual, para marchar com a candidatura do deputado federal José Guimarães ao Senado. No entanto, o partido vive dias de tensão. Espera uma manifestação explícita de apoio por parte do governador Cid Gomes, uma vez que o Pros desistiu de lançar Ciro Gomes para o Senado. O silêncio já incomoda e gera expectativas.

Guimarães ainda prefere não cogitar uma possível resistência dos Ferreira Gomes para compor com o Pros, afinal, se hoje o PT não faz oposição a Cid, isso se deve, em grande medida, ao trabalho de articulação de Guimarães. A manutenção da parceria com Cid seria, portanto, um gesto de reconhecimento à lealdade e ao esforço feito pelo petista para manter a aliança, mesmo após o rompimento entre o governador e a ex-prefeita Luizianne Lins. Caso o Pros decline, as consequências são imprevisíveis. Uma delas seria Guimarães cruzar os braços e deixar prosperar a sugestão de Luizianne em favor de uma candidatura do PT ao governo, contra o Pros. Nada certo, por enquanto.

Cobrança

É aquela história: boato é fogo de muita luz e pouco calor. Chama a atenção, mas não tem resultado prático. O problema de um emaranhado desses é que, inevitavelmente, e a história recente da política cearense é repleta de exemplos nesse sentido, alguém acabará esperando por quem não veio. E é por saberem que alguém ficará para trás, que os aliados de Cid cobram definições.

Como diz outro ditado popular: quem muito espera, desespera.

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Quem muito espera, às vezes alcança, às vezes desespera

Por Wanfil em Eleições 2014

25 de Abril de 2014

No Ceará, exemplos de eleições recentes mostram que esperar demais por matar.

No Ceará, exemplos de eleições recentes mostram que esperar demais pode matar.

Quem espera sempre alcança, diz o ditado popular. A máxima, que enaltece a paciência e o otimismo, não serve de consolo aos partidos da aliança governista no Ceará, imersos em dúvidas e desconfianças que ameaçam rachá-la.

Pros

Enquanto o Pros do governador Cid Gomes deseja empurrar para junho qualquer decisão a respeito de eleições estaduais, PMDB e PT cobram um posicionamento para definirem suas estratégias.

PMDB

O senador Eunício Oliveira, pré-candidato à vaga no Palácio da Abolição, aguarda uma resposta de Cid para saber se o Pros irá com ele ou se lançará candidatura própria. Disse esperar uma resposta até o próximo dia 30. Depois disso, sem o apoio do governador, o PMDB fica livre par articular uma chapa com partidos de oposição. Outra possibilidade que acena no mercado de especulações seria o apio de Eunício à reeleição de Inácio Arruda, do PCdoB.

PSDB e PR

PSDB e PR esperam por uma candidatura de Tasso Jereissati ao Senado, alvo de muita especulação e nenhuma certeza. Se Tasso disputar, as legendas caminham juntas; se não, o PSDB segue sozinho para garantir o palanque do presidenciável da sigla, o mineiro Aécio Neves. Já o PR deve aderir ao projeto de Eunício. PSDB e PMDB não descartam uma conversa mais adiante, a depender do desenrolar dos fatos. O fato é que a oposição não tem motivos para se adiantar aos aliados de Cid. A pressão, nesse momento, está sobre o governo.

PT

O PT, por sua vez, abre mão de apresentar um nome ao governo estadual, para marchar com a candidatura do deputado federal José Guimarães ao Senado. No entanto, o partido vive dias de tensão. Espera uma manifestação explícita de apoio por parte do governador Cid Gomes, uma vez que o Pros desistiu de lançar Ciro Gomes para o Senado. O silêncio já incomoda e gera expectativas.

Guimarães ainda prefere não cogitar uma possível resistência dos Ferreira Gomes para compor com o Pros, afinal, se hoje o PT não faz oposição a Cid, isso se deve, em grande medida, ao trabalho de articulação de Guimarães. A manutenção da parceria com Cid seria, portanto, um gesto de reconhecimento à lealdade e ao esforço feito pelo petista para manter a aliança, mesmo após o rompimento entre o governador e a ex-prefeita Luizianne Lins. Caso o Pros decline, as consequências são imprevisíveis. Uma delas seria Guimarães cruzar os braços e deixar prosperar a sugestão de Luizianne em favor de uma candidatura do PT ao governo, contra o Pros. Nada certo, por enquanto.

Cobrança

É aquela história: boato é fogo de muita luz e pouco calor. Chama a atenção, mas não tem resultado prático. O problema de um emaranhado desses é que, inevitavelmente, e a história recente da política cearense é repleta de exemplos nesse sentido, alguém acabará esperando por quem não veio. E é por saberem que alguém ficará para trás, que os aliados de Cid cobram definições.

Como diz outro ditado popular: quem muito espera, desespera.