Eunício Oliveira Archives - Página 4 de 6 - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Eunício Oliveira

Datafolha: Camilo 45%, Eunício 40% – empate técnico e o fator abstenção

Por Wanfil em Eleições 2014

16 de outubro de 2014

A primeira pesquisa Datafolha/O Povo para o segundo turno no Ceará mostra o seguinte quadro: Camilo Santana (PT) lidera com 45% das intenções de voto, seguido de Eunício Oliveira (PMDB), que marca 40%, em situação de empate técnico, uma vez que a margem de erro do levantamento é de 3% para mais ou para menos. Considerando apenas os votos válidos, o placar é de 53% a 47%.

Disputa continua acirrada
Fica confirmada então a tendência das últimas pesquisas, reforçada nas urnas, que apontavam uma lenta ascensão do petista e uma estabilização do peemedebista. Tudo decidido? Nada disso. Os 9% de indecisos formam um considerável número que pode alterar esse quadro.

Há também as taxas de rejeição, de 37% para Camilo e 35% para Eunício, que mostram uma situação de equilíbrio, com potencial de crescimento um pouco maior para o peemedebista. A eleição continua apertada.

Fator abstenção
No entanto, mais do que o contingente formado pelos que não sabem ainda em quem votar, o elemento crucial de indefinição e imponderabilidade não pode ser registrado por pesquisa alguma: a abstenção. Ainda que estes estejam contemplados nas margens de erro, estas tem se apresentado muito incertas nas últimas eleições, quando as urnas mostram variações acima dessas margens de cálculo. Existe, no entanto, um histórico, mas esse mostra uma flutuação nas abstenções que dificultam projeções. Vejamos.

No primeiro turno deste ano a abstenção foi de 20,12%, que corresponde a pouco mais de um milhão e duzentos mil eleitores, num universo de 6,2 milhões. Em 2010 foi de 20,05%, já em 2006 de 17,38%. Em 2002, quando também houve segundo turno, o índice nessa etapa foi de 23%.

Tradicionalmente, a abstenção tende a ser maior nas regiões de menor densidade populacional, ou seja, nas áreas rurais e cidades pequenas, e menor nos grandes centros, o que aumenta o peso da região metropolitana na eleição. Assim, cabe aos candidatos, prevendo uma alta quantidade de eleitores que não devem comparecer às urnas.

Avaliação da gestão
A pesquisa mostra que 47% da população aprovam o governo Cid Gomes. É justamente o eleitoral de Camilo. Avaliam a gestão como regular 34% e como ruim 15%, que somados chegam a 49%. Falta a Eunício conquistar uma pequena parte desse grupo, que oferece um bom espaço para avançar. Sua campanha deve falar a essa parcela nessa reta final.

Talvez um tom mais crítico em relação aos pontos fracos da administração, associando o adversário a áreas mal avaliadas, possa surtir efeito, mas isso é lá com os estrategistas. Camilo, naturalmente, tem se dirigido aos que aprovam o governo, e busca acenar para os que o consideram regular, mostrando um perfil de conciliador, já que o papel de ataque contra o concorrente fica reservado aos seus padrinhos, e evitando ao máximo falar a fundo de segurança pública.

A nota atribuída ao governador Cid Gomes é de 6,6%. Bastante modesta para quem o imagina como o maior governador da história, mas suficiente para deixar seu candidato numericamente à frente no empate técnico do Datafolha.

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MP pede tropas federais para garantir eleições limpas no Ceará: a que ponto chegamos!

Por Wanfil em Eleições 2014

14 de outubro de 2014

Diante do risco de não haver uma eleição institucionalmente isenta e íntegra no Ceará, a Procuradoria Regional Eleitoral encaminhou ao TRE “requisição de força federal necessária ao cumprimento da lei e das decisões da Justiça Eleitoral”. É um vexame para o Executivo estadual. Aliás, mais um para sua coleção de constrangimentos.

A solicitação ainda será examinada pelo tribunal. Razões não faltam para justificar o pedido e o procurador Rômulo Conrado os elenca de forma clara e objetiva, a começar pelo fato de que o secretário de Segurança Pública do Ceará, que no início do ano chegou a participar de encontro partidário do Pros e do PT, é investigado por “possível prática de abuso de poder político”, em razão de “fatos relacionados à atuação da Polícia Militar durante o 1° Turno das Eleições de 2014”. Existe a suspeita de que viaturas tenham recebido ordens de não fazer patrulhamento ostensivo em determinados locais de votação. Nas palavras do Ministério Público o caso configura “omissão institucionalizada”, deixando de coibir ou impedir crimes eleitorais típicos desses processos.

No ofício da Procuradoria estão relacionadas as identificações de diversas viaturas que ficaram paradas por horas, sem circular, no dia da eleição, contrariando diretrizes da própria Polícia Militar do Estado do Ceará, que “preveem horário de ponto base de 15 (quinze) minutos, em condição expectante, conforme cartão-programa, alternadamente com 45 (quarenta e cinco) minutos de patrulhamento ostensivo e visitas operacionais”.

No pedido, há ainda menções a um possível “cerceamento das atividades funcionais” de policiais que tenham realizado “detenções de cabos eleitorais ligados ao candidato apoiado” pelo governo estadual, citando a exoneração do ex-Controlador-Geral de Disciplina dos Órgãos de Segurança Pública do Estado Santiago Amaral Fernandes, que afirma ter sido afastado por não ter instaurado processos administrativos contra policiais que declaravam apoio ao candidato de oposição.

Para o MP outro fato agravante é o clima de acirramento entre o “grupo político liderado pelo governador Cid Gomes” e o deputado estadual eleito Capitão Wagner, que apoia o candidato de oposição Eunício Oliveira (PMDB), e é acusado por autoridades do governo de comandar atos de perseguição contra aliados da coligação governista. Como eu venho dizendo, se o próprio governador assume publicamente que não tem o controle da polícia, admitindo que ela estaria sob a influência de Wagner, é preciso então que as autoridades eleitorais se manifestem, pois o segundo turno está bem aí. É o que cobra o Ministério Público ao TRE, com razão.

Por fim, o procurador Rômulo Conrado encerra com um conclusão óbvia que, por si só, e como eu mesmo assinalei em outros textos, bastaria para comprovar que as eleições no primeiro turno não foram limpas: “Destaca-se, nesse sentido, a informação de que a maioria das prisões por crimes verificada no dia das eleições incidiu sobre candidatos ou simpatizantes ligados ao atual Governador do Estado do Ceará, tornando imprescindível a atuação de força policial isenta e eficiente”.

Notas breves

1 – Ao decidir agir como cabo eleitoral, deixando de lado a compostura que se espera de um governante e dando declarações contra o adversário incompatíveis com suas funções, Cid Gomes perdeu a autoridade moral para ser o fiador de um processo eleitoral isento. Toda suspeita sobre a parcialidade do governo ganha verossimilhança, por força de sua atuação. O MP nem sequer lembrou que Cid foi pessoalmente a uma delegacia em Sobral pressionar pela soltura de um vereador preso acusado de crime eleitoral. Não foi preciso. Todos viram;

2 – Ao justificar a quantidade de prisões de aliados acusando setores da polícia sem apresentar provas, o governo acaba transferindo para o processo eleitoral e para seu candidato, Camilo Santana, seu maior problema: a crise de segurança que vive o Ceará;

3 – Eunício Oliveira apoia o pedido de reforço federal para garantir eleições isentas. Camilo Santana não descarta a necessidade da medida. Só Cid Gomes diz que a ideia atenta contra o bom senso. A insensatez, nesse caso, é deixar o eleitor ir às urnas sem a garantia de que sua vontade seja respeitada nos termos da lei eleitoral.

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Segundo turno é disputa entre Eunício e os Ferreira Gomes. E só!

Por Wanfil em Eleições 2014

08 de outubro de 2014

As primeiras declarações feitas por alguns dos principais protagonistas das eleições no Ceará após o primeiro turno fornecem pistas valiosas a respeito das estratégias de Camilo Santana (PT) e Eunício Oliveira (PMDB) para o segundo turno.

Na coligação que reúne Pros e PT (Pros na frente porque é quem banca a candidatura), Cid e Ciro Gomes reforçam os ataques contra o adversário, preservando Camilo do desgaste de parecer agressivo enquanto provoca Eunício. O risco é deixar o candidato governista sem personalidade. Sacrifica-se qualquer imagem de liderança escondendo o candidato atrás de seu padrinho, para então ressaltar seu equilíbrio e “respeito pela família cearense”.

Resta a Eunício ignorar ou responder aos ataques. Como o silêncio ou a demora em revidar podem ser interpretados pelo público como sinais de insegurança (mais ou menos o que aconteceu com Marina Silva diante dos ataques do PT), o peemedebista optou por responder aumentando o tom em relação às críticas contra a gestão e denunciando a ingerência de Cid e Ciro no processo eleitoral.

Como resultado nesse primeiro instante, véspera da volta da propaganda eleitoral, o debate acaba polarizado entre o candidato Eunício e os Ferreira Gomes, como se Camilo não existisse.

Assim, quanto mais Cid e Ciro atacam o adversário, mais os eleitores que desaprovam o governo do Estado passam a ver no peemedebista um opositor de verdade, não mais um ex-aliado. Nessa condição, Eunício pode herdar boa parte dos votos de Eliane Novais (PSB) e Ailton Lopes (Psol).

Teremos, portanto, uma eleição plebiscitária. De um lado estão os que aprovam o governo, do outro, os que rejeitam o modo Ferreira Gomes de fazer política; e no meio, os indecisos, com Camilo buscando convencê-los a deixar as coisas como estão, enquanto Eunício procura mostrar por que – e como – elas deveriam mudar.

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Camilo 47%; Eunício 46%: a máquina e o sentimento de mudança

Por Wanfil em Eleições 2014

06 de outubro de 2014

O segundo turno no Ceará não foi exatamente uma surpresa, afinal, as pesquisas mostravam uma disputa acirrada. No sábado, véspera da eleição, o Ibope apontava empate técnico no limite, com ligeira vantagem para o peemedebista Eunício Oliveira: 50% a 44% contra o petista Camilo Santana. A tendência se repetiu no Datafolha: 49% a 45%. Os dois levantamentos apontavam uma apertada possibilidade de segundo turno, fato que se confirmou nas urnas, mas com posições invertidas: Camilo ficou com 47,81% dos votos, e Eunício com 46,41%.

Decisão nos detalhes
Vamos falar mais adiante sobre as causas dessa flutuação nas intenções de voto registrada no dia da votação. Mas antes chamo a atenção para a diferença entre os candidatos que continuam na disputa, em números absolutos: 59.734 votos. Para se ter uma ideia do que isso representa, basta observar que Eliane Novais (PSB) e Ailton Lopes (PSOL) terminaram juntos com 46.901 votos (5,79% do total), quatro vezes mais do que a soma de votos que separam Eunício de Camilo. Significa dizer que o segundo turno será decidido nos detalhes.

Mudança
A mudança de posições será naturalmente capitalizada pelo governo estadual como um sinal de aprovação da gestão Cid Gomes, mas é preciso cautela. Se compreendermos que os votos de Eliane e Ailton são essencialmente contrários à gestão atual, teremos uma inversão de tendência: 52,2% de não votos na candidatura oficial, contra 47,8% conferidos ao indicado do governador Cid Gomes.

É também significativo o fato de que o candidatado a deputado estadual mais votado no Ceará tenha sido Capitão Wagner (PR), justamente o maior opositor ao governo estadual. E ainda é possível contabilizar nesse quadro a votação conferida ao senador Tasso Jereissati (PSDB), outro nome de oposição que, com 2.314.796 votos (57,91%), conseguiu mais sufrágios que os candidatos ao governo.

Isso mostra que existe um sentimento de mudança no ar, mas não significa dizer que a votação desses candidatos seja integralmente transferida para Eunício no segundo turno. Não existe essa lógica linear em política e é exatamente por isso que o candidato da situação fala em mudança, para buscar seduzir esse grupo. Todavia, com a disputa acirrada, esse é o caminho para a oposição: mostrar que pode ser realmente diferente. Já o governo precisa sinalizar que mudanças devem ser feitas com cuidado, por quem já conhece o que está sendo feito; só não pode falar em continuísmo.

A máquina
Se existe um sentimento de mudança, por que então o crescimento da candidatura governista na reta final? As pesquisas estavam erradas? Bom, é preciso algumas considerações. A precisão das pesquisas tende a se volatilizar em eleições muito disputadas e com abstenção elevada. No Ceará, esse índice foi de 20% nesta eleição (igual a 2010). Não é possível afirmar em quais candidatos esses eleitores que, por diversos motivos, não compareceram às urnas, iriam votar. Por ser um grande contingente, é possível que essa ausência tenha alterado o resultado final. De qualquer modo, as tendências se confirmaram: indefinição no primeiro turno e Tasso eleito senador.

Esse é um ponto. Existe outro mais polêmico que também atuou na eleição, especialmente no domingo (5): a força da estrutura política mobilizada pelas máquinas administrativas. A ação de um exército de aliados, funcionários com cargos comissionados, militantes profissionais, prestadores de serviços, enfim, os inquilinos do poder, não pode ser menosprezada.

Abusos e falta de autoridade
Quanto mais acirrada a eleição, mais passionais ficam esses agentes. Até o próprio governador do Ceará, embora licenciado do cargo na última semana de campanha para atuar como cabo eleitoral (o único no Brasil a fazer isso), virou notícia nacional ao aparecer numa delegacia para ajudar um vereador acusado de fazer boca de urna em Sobral. Se a principal autoridade do Estado se rebaixa a esse tipo de atuação, imagine o resto.

Assim, outros casos chamaram a atenção neste final de semana, como o assessor do vereador de Fortaleza Evaldo Lima coagindo eleitores, a acusação de compra de votos contra o vereador Carlos Mesquita, denúncia de distribuição ilegal de material de campanha, carreatas irregulares e malas de dinheiro no interior, e por aí vai. Coincidentemente, esses episódios são ligados à candidatura de Camilo, fato que deveria ser levado em consideração pela justiça eleitoral. Para evitar suspeitas de ação coordenada, o governador procurou desqualificar os agentes envolvidos na contenção desses casos, acusando o Capitão Wagner de usar a polícia contra o governo, numa inacreditável confissão de carência de autoridade por parte de quem deveria, constitucionalmente, ter o comando das forças de segurança no Estado.

A impressão que ficou neste primeiro turno é de que na hora de votar, tudo o que é proibido não passa de detalhe sem importância para quem se acha acima das regras. Desse modo, o que mais impressiona mesmo é que, apesar de tudo, ainda haverá segundo turno. Se eu fosse candidato de oposição, diria que votar no candidato da situação seria optar por continuar assim como está: sem lei e sem comando. Se eu fosse governista, diria que tudo é armação do Capitão Wagner e dos institutos de pesquisa.

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Debate Jangadeiro: as estratégias na reta final

Por Wanfil em Eleições 2014

02 de outubro de 2014

Debate JangadeiroO debate realizado pelo Sistema Jangadeiro refletiu o clima desse final de campanha. Via de regra, ocasiões específicas costumam reproduzir o panorama geral na qual estão inseridas. Se uma campanha ataca um oponente de forma dura, qualquer debate que aconteça sob o efeito dessa ação será igualmente conflituoso; se o embate acontece quando os ânimos estão mais comedidos, a tendência é que seja menos agressivo. É uma tautologia, é verdade, mas serve para mostrar que nada é improvisado e os movimentos são calculados antes de qualquer execução.

O momento mais agudo da campanha para o governo do Ceará aconteceu entre o final da semana passada e o início desta, com o surgimento do escândalo dos “banheiros fantasmas” e a consequente troca de acusações entre Eunício Oliveira, do PMDB, e Camilo Santana, do PT, que lideram as pesquisas. Com o fim da propaganda eleitoral no rádio e televisão, a intensidade dessa etapa foi reduzida, pelo menos publicamente.

Assim, como o debate do Sistema Jangadeiro foi último confronto direto entre os candidatos nessa campanha, a maior preocupação dos participantes foi não errar.

Favoritos reforçam discursos
Os favoritos trataram de reforçar suas estratégias de comunicação. Camilo Santana, do PT, se apresentou como continuidade do projeto liderado pelo governador Cid Gomes. Nessa condição, aproveitou mais uma vez qualquer para apresentar números oficiais cuidadosamente escolhidos, com a intenção de mostrar que a atual administração é um sucesso absoluto.

Por outro lado, Eunício Oliveira, do PMDB, afirmou que é possível sim melhorar a gestão, principalmente nas áreas em que o governo é mais reprovado pela população, notadamente segurança pública e saúde. Apresentou-se então como gestor experiente e de sucesso nos setores privado e público, capaz de colocar ordem na casa.

Desconstrução
Já Eliane Novais, do PSB, e Ailton Lopes, do Psol, buscaram novamente desconstruir os discursos principais candidatos, no papel de polemizadores do debate. Como a chance de vitória dessas candidaturas é praticamente impossível, a intenção parece ser demarcar espaço como forças de oposição ao futuro governo, ganhe quem ganhar. Política de longo prazo.

Agora é com o eleitor
A bola agora está com o eleitor, que terá três dias para fazer um balanço do que viu na campanha, trocar impressões com outros eleitores, avaliar as posturas candidatos e comparar históricos. Ah, também é a hora das autoridades responsáveis pela lisura do pleito mostrarem serviço para conter eventuais abusos.

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Datafolha no Ceará: eleição está nas mãos dos indecisos

Por Wanfil em Pesquisa

01 de outubro de 2014

Dois pontos separam Eunício Oliveira (PMDB) de Camilo Santana (PT), segundo pesquisa Datafolha para o governo do Ceará: 39% a 37%. O levantamento foi publicado nesta quarta-feira pelo jornal O Povo, com margem de erro de três pontos para mais ou para menos, configurando empate técnico. Mesmo assim, numericamente, Eunício lidera e Camilo permanece em segundo. Eliane Novais (PSB) e Ailton Lopes (Psol) têm 1% cada.

Difícil leitura
A disputa está de tal forma apertada que ninguém arrisca dizer se haverá ou não segundo turno. Não é por acaso, portanto, que o governador Cid Gomes, provavelmente em caso único no Brasil, pediu licença do cargo na última semana de campanha, para ajudar seu escolhido. Comparando com a pesquisa anterior, divulgada no dia 19 passado, na qual Eunício tinha 41% e Camilo 34%, ambos oscilam agora dentro da margem de erro, mas com uma tendência à redução dessa diferença.

Para complicar a leitura desses dados,  na pesquisa espontânea, quando o eleitor não é apresentado a uma lista com os nomes dos candidatos, Eunício lidera com 27%, seguido por Camilo, com 25%. A diferença aí é que o candidato do PMDB oscilou dois pontos para cima (tinha 25% na anterior), em  movimento inverso ao registrado na pesquisa estimulada. Isso mostra a volatilidade da informação. Quanto mais equilibrada a eleição, mais difícil é ser preciso. Para os analistas, não há saída que não seja apelar ao velho clichê: nada está definido e tudo pode acontecer.

Indecisos
Para os candidatos, o alvo mesmo são os 14% de indecisos apontados pelo Datafolha. Desse grupo, é justo concluir que nenhuma das candidaturas o empolgou até o momento, faltando menos de uma semana para a eleição. A escolha, portanto, deverá se dar por exclusão. Mais do que dizer que deseja esse ou aquele, o eleitor indeciso deverá escolher quem ele não quer ver no Palácio Iracema. Pode então fazer o voto útil (escolher o que considera menos ruim), protestar votando em quem não tem chance ou anular o voto. Por isso os ataques e as propagandas negativas contra adversários surgiram nessa reta final.

Banheiros fantasmas
Assim, e não por acaso também, o resgate do escândalo dos “banheiros fantasmas” assombrou a candidatura governista, pois há nele considerável potencial de estrago. O caso reapareceu na propaganda de Eunício Oliveira na última sexta-feira, lembrando que Camilo é citado em processos judiciais relacionados ao episódio. O ex-secretário da Cidades, claro, nega. De qualquer modo, o assunto ganhou espaço e foi tema em dois debates, onde o próprio petista, em decisão arriscada, puxou o caso para explicar sua versão.

Qual o impacto disso? Ninguém sabe. Notícias assim levam algum tempo para aparecerem em pesquisas, quando os eleitores passam a trocar impressões sobre o escândalo, para depois consolidar uma opinião, principalmente os indecisos. Por isso, certamente o Datafolha ainda não captou esse efeito. Entretanto, não é garantido que a denúncia tenha o impacto desejado pelo denunciante. Pode acontecer que o eleitor não se importe ou que veja o denunciado como vítima de uma injustiça. Ocorre que, pela reação agressiva, a licença de Cid e a opção por abordar o caso na propaganda da candidatura governista (em vez de ignorá-la), fica a impressão de que análises qualitativas devem ter apontado o perigo dos “banheiros fantasmas” para o petista. Tanto é assim que, na ânsia de defender Camilo, o governador chegou a dizer, na segunda-feira, que “desvio de dinheiro público é natural”, numa declaração infeliz que reflete bem a pressão do momento.

O eleitorado no Ceará está dividido. E a bola está com os indecisos.

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Datafolha no Ceará: entre expectativas e frustrações

Por Wanfil em Pesquisa

21 de setembro de 2014

A mais recente pesquisa Datafolha para as eleições no Ceará, publicada pelo jornal O Povo neste sábado, mostra uma tendência à estabilidade na disputa, com 34% para Camilo Santana (PT), e 41% para Eunício Oliveira (PMDB), que mantém a dianteira.

O Datafolha confirma, por assim dizer, a análise que fiz na rádio Tribuna Bandnews  no dia 03 de setembro sobre a pesquisa anterior do instituto. Camilo havia avançado 12 pontos (pulando de 19% para 31%), dando a impressão de que uma onda favorável se formava. Entretanto, alertei que esse aumento se tratava ainda de transferência de votos do governador Cid Gomes para o seu escolhido. Quem quer que fosse o candidato governista, ele estaria ali na casa dos 30%, talvez um pouco mais, por herdar a preferência de parte dos que aprovam a atual gestão. Dali por diante, portanto, Camilo teria que conquistar seus próprios votos. E aí vimos que o ritmo caiu e o candidato agora apenas oscilou dentro da margem de erro de 3 pontos, frustrando aliados que nos bastidores já falavam em virada, probabilidade que causava inegável apreensão entre os partidários de Eunício.

Como eu já havia dito, o processo de transferência de Cid para Camilo atingiu o teto. Por outro lado, Eunício dá sinais de que também encontrou seu limite de intenção de voto. Se não caiu, deixando a impressão de que encontrou seu piso, também não conquistou indecisos, que são 13% dos entrevistados. Um feito, diga-se, pois descontados votos brancos e nulos, o peemedebista estaria eleito em primeiro turno com 51% das intenções de votos, contra um adversário que tem o apoio do governador e do prefeito de Fortaleza

Nessa reta final, faltando duas semanas para a eleição, um problema adicional para Camilo é o noticiário desfavorável criado pela reação desastrada de Cid Gomes,  seu fiador, no caso das denúncias do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa. A pesquisa não avalia o impacto do caso, mas é razoável suor que isso reduza o peso da imagem do governador como principal puxador de votos para o petista.

O Datafolha desta semana é isso: frustração para quem sonhava com uma virada e renovação das expectativas para os que a temiam.

Senado
Para o Senado, Tasso Jereissati (PSDB) subiu mais quatro pontos e aparece com 58% da preferência dos eleitores, aumentando a diferença para o segundo colocado, Mauro Filho (Pros), que registrou 19%. A diferença, de 39 pontos, quase três vezes o número de indecisos, que é de 14%. Contando somente os votos válidos, Tasso fica com 74%, contra 24% de Mauro.

A pesquisa mostra que essa é uma tendência que se repete em todos os segmentos avaliados. Como os governistas devem concentrar seus esforços na campanha de Camilo, a situação de Mauro fica mais difícil. Tasso caminha para retornar ao Senado, salvo reviravoltas monumentais de última hora.

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Justiça proíbe ofensas de Ciro a Eunício e sem querer ajuda Camilo

Por Wanfil em Eleições 2014

26 de agosto de 2014

A coligação “Ceará de Todos”, do candidato a governador Eunício Oliveira (PMDB), entrou com ação na Justiça Eleitoral contra integrantes da coligação “Para o Ceará Seguir Mudando”, do petista Camilo Santana, reclamando de ofensas e acusações dirigidas ao peemedebista. O pedido foi aceito e uma liminar determina que o governador Cid Gomes (Pros), o secretário da Saúde, Ciro Gomes (Pros) e o candidato Camilo Santana “se abstenham de promover propaganda eleitoral contendo suposta calúnia, difamação ou injúria” a respeito de Eunício.

Liberdade de expressão
Não se trata de censura prévia, mas de preservar a disputa eleitoral dentro dos limites da legalidade. Ciro Gomes anda dizendo em redes sociais e eventos eleitorais de Camilo que Eunício enriqueceu ilicitamente por meio de contratos obscuros com o governo federal (aliado de Ciro, Cid e Camilo). Cada um é livre para dizer o que quer, mas, nesse caso, sem provas, fica o dito pelo não dito. Uma coisa é o sujeito dizer que o ex-presidente nacional do PT José Genoíno é corrupto, afinal, o caso do mensalão foi julgado pelo STF; outra é sair falando genericamente que candidatos de oposição são corruptos na base do “deixa que eu tenho as costas largas”. Nesse nível, todos poderiam chamar os oponentes de traficantes ou de gangsteres, sem arcar com a responsabilidade do que dizem. Não é por aí. Se realmente sabem de alguma coisa que incriminem alguém, Ciro e Cid devem encaminhar suas acusações às autoridades competentes. Se existem suspeitas públicas contra o adversário, nada impede que sejam mostradas na campanha, desde que tratadas como o que são: suspeitas.

É claro que Eunício poderia entrar com processos de difamação e calúnia na justiça comum, mas como essas ações demoram, até lá, ganhando ou perdendo a questão, as eleições já teriam passado e o objetivo das acusações sem provas feitas pelos governistas teria sido alcançado. Nesse caso, afirmações criminosas poderiam afetar o pleito.

Por que não te calas?
Apesar de parecer um revés contra Camilo, a liminar acabou sendo um favor à sua candidatura, por obrigar o combativo e verborrágico aliado Ciro Gomes a não ofender seu adversário. Ciro possui uma inteligência rara, mas é de conhecimento geral que seus arroubos retóricos muitas vezes são inoportunos. A lista de confusões e contradições é grande, tanto que alongaria em demasia esse texto. Basta uma pesquisa no Google para conferir esse potencial desastroso.

De lados opostos e agora livre das amarras das conveniências, Ciro partiu para o ataque contra o ex-aliado do irmão, justamente no mais sensível dos momentos políticos: as eleições. De cara, ao fazer ainda na pré-campanha insinuações sobre o patrimônio de Eunício, chamando-o jocosamente de “riquinho”, alertou o adversário que, precavido, cuidou de trabalhar uma resposta indireta no horário eleitoral. Assim, a propaganda do PMDB enfatiza com competência a origem humilde do candidato Eunício e fez de sua ascensão financeira um valor positivo ligado ao trabalho. Ponto. Atento, o PMDB não caiu na tentação de retrucar na mesma moeda, rebaixando o debate a uma troca de insultos que soaria antipático ao eleitor, com o risco de parecer movido pelo despeito, o ressentimento e a inveja. Ponto de novo.

Recentemente, o advogado Reno Ximenes, amigo de Cid, publicou texto no Facebook alertando para o descontrole das “interferências” de Ciro, classificadas como “prejudiciais”. Pois bem, a Justiça fez o que muitos aliados do governador secretamente desejavam: tirar Ciro dessa linha de frente agressiva. Por vias tortas, acabou ajudando Camilo. Sem ter que ser preocupar com as gafes do aliado famoso, a campanha do Pros/PT (Pros na frente porque é quem manda) pode se concentrar melhor no próprio candidato.

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E o tema da eleição é: ‘milionários X profissionais da política’

Por Wanfil em Eleições 2014

04 de agosto de 2014

“Aqui não tem milionários”, diz Camilo Santana, candidato do PT ao governo do Ceará, que na verdade é um candidato genérico do Pros, partido que hoje comanda o Estado. É uma crítica aos patrimônios dos candidatos Eunício Oliveira, do PMDB, e Tasso Jereissati, do PSDB. Tecnicamente, é uma aposta na clivagem surrada, mas de algum apelo em países de grande desigualdade social, entre ricos e pobres. A mensagem é: somos nós, os pobres, contra eles, os ricos.

Marxismo de botequim como estratégia
Esse apelo ao marxismo de botequim não é à toa e tem função estratégica clara. Foi lançado nessas eleições por Ciro Gomes, outro que se quer humilde despossuído, com seu estilo peculiar. Camilo depois retoma o assunto, de forma mais moderada, para deixá-lo em evidência. De quebra, é uma alusão ao fato de Eunício possuir empresas que tem contratos com governos. Como um de seus clientes é o governo federal, seria bom que Ciro e Camilo alertassem Dilma caso realmente saibam de algo desabonador, não é?

Outro ponto interessante é que, apesar de fazer graça com a história de que não tem milionários na chapa, a coligação tem previsão de gastos de dezenas de milhões de reais. Pode parecer uma contradição, e milhões sem milionários é algo suspeito por natureza, mas como estamos falando de política, o raciocínio lógico nem sempre prevalece.

Notem que se trata de um cálculo. O candidato poderia dizer: “Aqui não tem corrupto”. Mas seu partido é o partido do mensalão. Melhor não ir por aí. Quem sabe um “aqui não tem traidor”, mas aí complicava o pessoal do Pros, aliados de Cid que mudam de partido vez por outra.

Revide
A resposta de Eunício e alguns aliados tem sido mais ou menos esta: “Não vamos baixar o nível e entrar em bate-boca, mas aqui não tem profissional da política”, em referência ao fato de Cid e Ciro Gomes, padrinhos da candidatura de Camilo, não possuírem atividade profissional conhecida fora da política, afinal, desde jovens ocupam cargos públicos.

Ficasse apenas na primeira parte, seria uma boa resposta, mas com o complemento, perde a eficácia, pois acaba servindo ao propósito dos ataques, pois termina dentro do tema proposto pelos adversários. Qualquer resposta que repercuta as acusações e ilações feitas por quem está atrás nas pesquisas tem o poder de colocá-lo no debate em condição estratégica favorável. Tem muito consultor dizendo que não responder é o pior. Nada disso. Responder aquilo o que espera o concorrente é que é o erro. O segredo aí é mudar o eixo da prosa. O revide precisa desmontar a intenção do outro candidato.

Se provocam com o “aqui não tem milionário”, a melhor resposta seria “aqui não tem incompetente”, ou “aqui tem gente indignada com a insegurança, com a seca, com a saúde precária”. Tirar o foco da discussão do patrimônio pessoal dos candidatos, que a rigor não tem nada demais (a não ser que existam provas de crimes), afinal, não é ilegal ser rico ou ter a política como profissão, e trazê-la para as questões administrativas.

Quem define o tema do debate leva vantagem
Aprendi que leva sempre vantagem quem estabelece os temas sobre os quais a campanha irá se desenrolar. Nesse momento, a luta é exatamente essa. Estamos com açudes secando, uma situação calamitosa, violência em alta e saúde desaprovada em pesquisas. Por enquanto, tudo isso aguarda por um debate. Pode ser que estejam esperando a propaganda de televisão. A demora, no entanto, beneficia quem não quer falar desses assuntos.

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Campanha no Ceará marcada por baixarias: mais respeito com o eleitor, senhores!

Por Wanfil em Eleições 2014

30 de julho de 2014

Começou mal a campanha eleitoral no Ceará. Troca de acusações, xingamentos, demonstrações de ressentimento e o uso de insinuações depreciativas sobre adversários ofuscam qualquer debate sobre os reais problemas do Estado. A maioria dessas manifestações são protagonizadas por membros das duas maiores coligações, geralmente aliados e correligionários dos candidatos.

Pelo lado de Camilo Santana (PT), Ciro Gomes, ex-governador e atual secretário de Saúde – área mais preocupante para o eleitor cearense segundo o Ibope -, abusa das declarações agressivas contra opositores. É do seu estilo, todos sabem, mas como tudo demais é veneno, por muitas vezes essa postura mais atrapalha do que ajuda. Com o agravante de que se trata de político experiente e de inteligência afiada, mas que não raro sucumbe ao apelo das emoções.

Durante a inauguração do comitê do candidato Camilo, Ciro chamou o candidato do PMDB, Eunício Oliveira, entre outras coisas, de “petralha”. O colunista Josias de Souza, do UOL, cravou: “ato falho”. Ciro veria o petismo como sinônimo de roubo, já que o termo petralha, criado pelo jornalista Reinaldo Azevedo, é a junção de petista com metralha, uma alusão aos criminosos “Irmãos Metralha”, personagens de histórias em quadrinhos. Nunca gostei do adjetivo e nunca o empreguei, por entendê-lo com uma espécie de infantilização do debate político. Seu contraponto, assinado por Paulo Henrique Amorim, é o PIG (porco em inglês), que significa Partido da Imprensa Golpista. Quanta bobagem! Voltando ao Ceará, Ciro explicou depois que foi um erro, mas que tem críticas a setores do PT, justamente o partido de Camilo. Ganhou o quê com isso? Nada.

Outro que tenta mostrar serviço como infantaria no front da baixaria foi o prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio, ao insinuar (repetindo Ciro) que Eunício “se serviu da política” para enriquecer. Se serviu como? Ninguém diz ou mostra indício, muito menos representa judicialmente o que afirma. Se uma autoridade sabe de crimes cometidos por outra e não os revela, então prevarica.

Do lado de Eunício, o vice-prefeito de Fortaleza, Gaudêncio Lucena, acusa a prefeitura de distribuir cargos para cooptar aliados. Assim como seus adversários, fala, mas não prova nada.

Se um candidato tem algo a informar sobre a postura ética ou moral do adversário no passado, e que seja de interesse geral, que o faça, mas desde que amparado em fatos comprovados. Ademais, ninguém é ingênuo de acreditar que uma campanha, parafraseando Nelson Rodrigues, só se faz com bons sentimentos. É preciso bom senso, maturidade.

A política é o espaço natural de confrontação de ideias, de visões de mundo, de concepções e métodos da administração pública. É também – como podemos testemunhar -, ambiente de choque de projetos pessoais, de traições sórdidas e de compromissos não cumpridos. Nada disso é exclusivo dos políticos cearenses, apenas está mais perto de nós que vivemos aqui. Mas com o tempo, ao perdurar esse tipo de instabilidade, a imagem coletiva do Estado se consolida e seu prestígio político míngua. Esse é um dos motivos da ausência de grandes obras federais no Ceará nos últimos anos: seus representantes não possuem unidade estratégica, pois as pontes de diálogo são dinamitadas a cada eleição. A grande coalizão governista aqui nunca passou de uma ilusão, como agora podemos constatar.

É preciso que os candidatos coloquem (se puderem), limites nos seus aliados, para que a campanha tenha algum espaço para proposituras. Como eu já disse em outro post, se não podem fazer isso em respeito ao adversário e à democracia, que façam em atenção ao eleitor.

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Campanha no Ceará marcada por baixarias: mais respeito com o eleitor, senhores!

Por Wanfil em Eleições 2014

30 de julho de 2014

Começou mal a campanha eleitoral no Ceará. Troca de acusações, xingamentos, demonstrações de ressentimento e o uso de insinuações depreciativas sobre adversários ofuscam qualquer debate sobre os reais problemas do Estado. A maioria dessas manifestações são protagonizadas por membros das duas maiores coligações, geralmente aliados e correligionários dos candidatos.

Pelo lado de Camilo Santana (PT), Ciro Gomes, ex-governador e atual secretário de Saúde – área mais preocupante para o eleitor cearense segundo o Ibope -, abusa das declarações agressivas contra opositores. É do seu estilo, todos sabem, mas como tudo demais é veneno, por muitas vezes essa postura mais atrapalha do que ajuda. Com o agravante de que se trata de político experiente e de inteligência afiada, mas que não raro sucumbe ao apelo das emoções.

Durante a inauguração do comitê do candidato Camilo, Ciro chamou o candidato do PMDB, Eunício Oliveira, entre outras coisas, de “petralha”. O colunista Josias de Souza, do UOL, cravou: “ato falho”. Ciro veria o petismo como sinônimo de roubo, já que o termo petralha, criado pelo jornalista Reinaldo Azevedo, é a junção de petista com metralha, uma alusão aos criminosos “Irmãos Metralha”, personagens de histórias em quadrinhos. Nunca gostei do adjetivo e nunca o empreguei, por entendê-lo com uma espécie de infantilização do debate político. Seu contraponto, assinado por Paulo Henrique Amorim, é o PIG (porco em inglês), que significa Partido da Imprensa Golpista. Quanta bobagem! Voltando ao Ceará, Ciro explicou depois que foi um erro, mas que tem críticas a setores do PT, justamente o partido de Camilo. Ganhou o quê com isso? Nada.

Outro que tenta mostrar serviço como infantaria no front da baixaria foi o prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio, ao insinuar (repetindo Ciro) que Eunício “se serviu da política” para enriquecer. Se serviu como? Ninguém diz ou mostra indício, muito menos representa judicialmente o que afirma. Se uma autoridade sabe de crimes cometidos por outra e não os revela, então prevarica.

Do lado de Eunício, o vice-prefeito de Fortaleza, Gaudêncio Lucena, acusa a prefeitura de distribuir cargos para cooptar aliados. Assim como seus adversários, fala, mas não prova nada.

Se um candidato tem algo a informar sobre a postura ética ou moral do adversário no passado, e que seja de interesse geral, que o faça, mas desde que amparado em fatos comprovados. Ademais, ninguém é ingênuo de acreditar que uma campanha, parafraseando Nelson Rodrigues, só se faz com bons sentimentos. É preciso bom senso, maturidade.

A política é o espaço natural de confrontação de ideias, de visões de mundo, de concepções e métodos da administração pública. É também – como podemos testemunhar -, ambiente de choque de projetos pessoais, de traições sórdidas e de compromissos não cumpridos. Nada disso é exclusivo dos políticos cearenses, apenas está mais perto de nós que vivemos aqui. Mas com o tempo, ao perdurar esse tipo de instabilidade, a imagem coletiva do Estado se consolida e seu prestígio político míngua. Esse é um dos motivos da ausência de grandes obras federais no Ceará nos últimos anos: seus representantes não possuem unidade estratégica, pois as pontes de diálogo são dinamitadas a cada eleição. A grande coalizão governista aqui nunca passou de uma ilusão, como agora podemos constatar.

É preciso que os candidatos coloquem (se puderem), limites nos seus aliados, para que a campanha tenha algum espaço para proposituras. Como eu já disse em outro post, se não podem fazer isso em respeito ao adversário e à democracia, que façam em atenção ao eleitor.