EUA Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

EUA

Camilo Santana busca investimentos nos EUA (mas sem reforma da Previdência, fica difícil)

Por Wanfil em Política

08 de Abril de 2019

Governador procura convencer investidores nos EUA, mas antes é preciso convencer os aliados no Congresso

O governador Camilo Santana participou nos Estados Unidos do 2019 Brazil Summit, evento com empresários e investidores.

No Facebook, Camilo explicou que “a exposição internacional das ações do Estado é muito positiva para atrair novos negócios e, com isso, melhorar a economia e aumentar a geração de empregos para os cearenses”.

O problema é que para atrair investimentos que realmente possam realmente promover desenvolvimento e um salto no PIB estadual, é preciso considerar a conjuntura nacional. Nesse ponto, o grande entrave para a retomada do crescimento (não o único, mas o de maior evidência), é a reforma da Previdência.

De acordo com levantamento feito pelo Estadão, atualmente 197 deputados federais são favoráveis da reforma, 217 não se posicionam e 99 são contra. São necessários 308 votos.

No Ceará, dos 22 membros da bancada, 9 votam a favor, 4 não quiseram responder, 3 não foram encontrados e 6 são contra. Dos que são contra, quatro são do PDT, e 2 são do PT – siglas da base de Camilo que apoiaram a reforma da Previdência estadual. Governadores não mandam em deputados, pelos menos formalmente, mas são fundamentais no trabalho de convencimento de suas bancadas.

De pouco adianta viajar o mundo enquanto o rombo da Previdência não for equacionado. Qualquer retomada do crescimento passa por essa questão. Para ser convincente lá fora, é preciso convencer, primeiro, dentro de casa.

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Segurança pública: do Ceará para Harvard

Por Wanfil em Crônica

02 de Abril de 2019

“Todo mundo já ganhou o prêmio Nobel, menos o brasileiro”, dizia Nelson Rodrigues, tripudiando de intelectuais e expondo um traço de nossa cultura, que é a ânsia pelo reconhecimento internacional.

Mais ou menos por isso é que nas Olimpíadas, desconhecidos atletas de remo ou tiro, subindo ao pódio, automaticamente viram heróis nacionais por alguns dias, embora o país siga irrelevante no ranking das nações com medalhistas. E todo ano, para decepção geral, o Oscar de filme estrangeiro nos escapa. Até no futebol essa baixa autoestima é visível: a grande esperança dos nossos jogadores é justamente ir embora do Brasil, de preferência para a Europa. É o auge, a realização, o ápice.

Faço essas considerações depois de ler na imprensa que o governador Camilo Santana vai aos Estados Unidos – em Harvard! – falar sobre “estratégias para superação da criminalidade”. Confesso que estranhei um pouco a escolha do tema, já que os índices de violência no Ceará apontam, ao longo dos últimos dez anos, para uma intensa degradação. Mas o o que importa nesse texto é Harvard e o mundo desenvolvido.

Complexado como um bom brasileiro, ainda incrédulo, fui buscar detalhes no site da famosa universidade por já onde passaram dezenas de ganhadores do Nobel que nunca conquistamos. Encontrei palestras sobre tradução de poesias coreanas e a convivência com tubarões brancos, mas sobre o Brasil, os destaques eram um documentário do João Moreira Salles e um seminário sobre desmatamento na Amazônia. A respeito das lições cearenses para a superação da criminalidade, nenhum registro.

Foi então que descobri que a conferência é uma realização de alunos brasileiros em Harvard, com autorização da universidade. É o Brazil Conference at Harvard & MIT 2019. – Hã? Como assim? Um colunista chegou a dizer que os americanos queriam ouvir o governador!

Antes que me acusem de inveja e despeito – já que nunca sai do Brasil, jamais fui premiado em lugar algum e nem convidado a palestrar no exterior – informo que a conferência dos estudantes brasileiros de Harvard reúne uma impressionante quantidade de personalidades de diferentes áreas e ideologias: Jorge Paulo Lemann, FHC, Guilherme Boulos, Tite, Dias Toffoli, Ciro Gomes, Pelé, Geraldo Alckmin e outros. De governadores, além de Camilo, a lista inclui Wilson Witzel (RJ), Flávio Dino (MA) e Fátima Bezerra (RN). Até o vice presidente Hamilton Mourão vai. Só gente importante.

A razão da minha frustração, na verdade, é outra. Por um instante, em delírio bairrista, imaginei o Ceará sendo reconhecido por uma das maiores instituições americanas, e numa área em que todos, até os fatos, diziam ser um desastre. Seria a nossa redenção. Aposto que políticos e empresários nicaraguenses dão palestras para alunos nicaraguenses que estudam em Harvard. Chilenos falam a chilenos, moçambicanos, argelinos e por aí vai. Um monte de gente dá palestras para alunos estrangeiros de Harvard, até o brasileiro.

Difícil mesmo é o Nobel.

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Falta um Mitt Romney nas eleições de Fortaleza. Aliás, faltam Romneys no Brasil

Por Wanfil em Brasil, Ideologia, Política

04 de outubro de 2012

Debate Mitt Romney e Barack Obama: Embate de visões opostas e bem colocadas. Uma real oportunidade de escolha para o eleitor. Em Fortaleza (e no Brasil), todos repetem o mesmo discurso e as mesmas promessas.

Leio no jornal O Estado de São Paulo que para os americanos Romney foi o vencedor do debate contra Obama. Candidato da oposição pelo Partido Republicano, Mitt Romney disputa a presidência dos Estados Unidos contra o democrata Barack Obama, que busca um segundo mandato. Segundo a CNN, uma pesquisa de opinião mostra que o desafiante levou a melhor para 67% dos entrevistados, contra 25% atribuido ao presidente. Obama lidera as intenção de votos com 50%, tecnicamente empatado com o republicano.

Como fazer uma campanha de oposição combativa

Como o oposicionista Romney consegue um desempenho desses mesmo enfrentando o famoso Obama? Ora, fazendo o que é óbvio para o público americano: buscando ressaltar o contraste de ideias entre os dois. Enquanto no Brasil todos os candidatos se esmeram na arte de parecer iguais, nos EUA, candidato de oposição, vejam só, aponta erros do adversário e sugere soluções.

Obama fala em aumento dos gastos públicos e de impostos para financiar políticas sociais. Romney diz que essa política vicia o cidadão e que irá cortar impostos para incentivar investimentos privados. Um choque de visões feito de forma polida. Nessas horas, lembro de Lula, Cid Gomes e Luizianne Lins, que costumam tomar qualquer crítica como ofensa pessoal. Esse é um aspecto da nossa cultura política que deixo para outra oportunidade.

Como fazer uma campanha onde todos dizem a mesma coisa

Por enquanto, da eleição americana, vale ressaltar o valor positivo das diferenças entre candidatos que defendem plataformas distintas de governo. Trilhando caminho inverso, a disputa pela Prefeitura de Fortaleza é protagonizada por candidatos competem para ver quem é o pedinte mais competende diante do governador ou da presidente. É o cúmulo da sujeição e da falta de altivez. Ninguém se mostra como alguém mais preparado para cobrar ou denunciar eventuais omissões dos governos estadual ou federal.

Em Fortaleza, candidatos falam em aumento dos gastos públicos no município prometendo mais assistencialismo a fundo perdido. Não falam nunca em receita ou em qualidade dos gastos. Nada disso parece estar entre as prioridades do horizonte ideológico de nenhum deles.

Sobram rótulos, mas faltam alternativas reais

Vivemos sob o signo de uma brutal assimetria na construção ideológica da política, com predominância absoluta, em qualquer esfera social ou administrativa, do receituário de inspiração “progressista”.

Por isso candidatos não ousam combater o novo paternalismo com receio de ser rotulado de elitista, reacionário ou direitista. E não adianta dizer que Moroni Torgan é de direita. Onde estão os pressupostos liberais do candidato? A direita aceita no Brasil é a social-democracia, fato que basta para demonstrar o atual estado de indigência intelectual que vivemos.

Concurso de miss

Falta em Fortaleza alguém disposto a bater de frente com essa visão de governo. Aliás, faltam alternativas para o Brasil, onde qualquer eleição não passa de uma competição entre esquerdistas. Quando a pluralidade de visões é substituída por uma unidade doutrinária velada, a democracia não é vivenciada em sua plenitude. Sem diferenças de fundo, resta ao cidadão escolher a partir das aparências. É quando as eleições ganham um aspecto de concurso de miss, em que os adversários competem apenas para saber qual deles é o mais bem produzido.

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Falta um Mitt Romney nas eleições de Fortaleza. Aliás, faltam Romneys no Brasil

Por Wanfil em Brasil, Ideologia, Política

04 de outubro de 2012

Debate Mitt Romney e Barack Obama: Embate de visões opostas e bem colocadas. Uma real oportunidade de escolha para o eleitor. Em Fortaleza (e no Brasil), todos repetem o mesmo discurso e as mesmas promessas.

Leio no jornal O Estado de São Paulo que para os americanos Romney foi o vencedor do debate contra Obama. Candidato da oposição pelo Partido Republicano, Mitt Romney disputa a presidência dos Estados Unidos contra o democrata Barack Obama, que busca um segundo mandato. Segundo a CNN, uma pesquisa de opinião mostra que o desafiante levou a melhor para 67% dos entrevistados, contra 25% atribuido ao presidente. Obama lidera as intenção de votos com 50%, tecnicamente empatado com o republicano.

Como fazer uma campanha de oposição combativa

Como o oposicionista Romney consegue um desempenho desses mesmo enfrentando o famoso Obama? Ora, fazendo o que é óbvio para o público americano: buscando ressaltar o contraste de ideias entre os dois. Enquanto no Brasil todos os candidatos se esmeram na arte de parecer iguais, nos EUA, candidato de oposição, vejam só, aponta erros do adversário e sugere soluções.

Obama fala em aumento dos gastos públicos e de impostos para financiar políticas sociais. Romney diz que essa política vicia o cidadão e que irá cortar impostos para incentivar investimentos privados. Um choque de visões feito de forma polida. Nessas horas, lembro de Lula, Cid Gomes e Luizianne Lins, que costumam tomar qualquer crítica como ofensa pessoal. Esse é um aspecto da nossa cultura política que deixo para outra oportunidade.

Como fazer uma campanha onde todos dizem a mesma coisa

Por enquanto, da eleição americana, vale ressaltar o valor positivo das diferenças entre candidatos que defendem plataformas distintas de governo. Trilhando caminho inverso, a disputa pela Prefeitura de Fortaleza é protagonizada por candidatos competem para ver quem é o pedinte mais competende diante do governador ou da presidente. É o cúmulo da sujeição e da falta de altivez. Ninguém se mostra como alguém mais preparado para cobrar ou denunciar eventuais omissões dos governos estadual ou federal.

Em Fortaleza, candidatos falam em aumento dos gastos públicos no município prometendo mais assistencialismo a fundo perdido. Não falam nunca em receita ou em qualidade dos gastos. Nada disso parece estar entre as prioridades do horizonte ideológico de nenhum deles.

Sobram rótulos, mas faltam alternativas reais

Vivemos sob o signo de uma brutal assimetria na construção ideológica da política, com predominância absoluta, em qualquer esfera social ou administrativa, do receituário de inspiração “progressista”.

Por isso candidatos não ousam combater o novo paternalismo com receio de ser rotulado de elitista, reacionário ou direitista. E não adianta dizer que Moroni Torgan é de direita. Onde estão os pressupostos liberais do candidato? A direita aceita no Brasil é a social-democracia, fato que basta para demonstrar o atual estado de indigência intelectual que vivemos.

Concurso de miss

Falta em Fortaleza alguém disposto a bater de frente com essa visão de governo. Aliás, faltam alternativas para o Brasil, onde qualquer eleição não passa de uma competição entre esquerdistas. Quando a pluralidade de visões é substituída por uma unidade doutrinária velada, a democracia não é vivenciada em sua plenitude. Sem diferenças de fundo, resta ao cidadão escolher a partir das aparências. É quando as eleições ganham um aspecto de concurso de miss, em que os adversários competem apenas para saber qual deles é o mais bem produzido.