estilo Archives - Blog do Wanfil 
Publicidade

Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

estilo

Cid Gomes escorrega mais uma vez ao falar demais

Por Wanfil em Política

02 de Maio de 2016

Nomeado ministro da Educação no início do segundo mandato de Dilma Rousseff, Cid Gomes caiu após três meses à frente da pasta. Não disse a que veio. Perdeu o cargo (e o foro privilegiado) depois que um áudio em que o então ministro chamava genericamente deputados federais de achacadores veio a público. Convocado a dar explicações no Congresso, repetiu a acusação. Seu afastamento foi anunciado ao vivo pelo presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB).

Agora sem mandato e sem cargo, Cid voltou a ser notícia por causa de gravações. Disse o ex-governador, em evento político realizado na cidade de Sobral, no último final de semana: “Teori Zavascki [ministro do STF], eu digo: o Senhor é corno. O Senhor é corno se eu estiver nessa Operação [Lava Jato]. O Senhor é corno, corno. É corno. Se eu estiver ele é corno. Se eu estiver o Janot [procurador-geral da República] é ladrão. Se eu estiver, o Moro [juiz federal] é um picareta.”

Dizer o quê? Os piores momentos de Cid são aqueles em que ele tenta emular o estilo de seu irmão Ciro Gomes, que apesar de ser hábil orador, peca por excesso e vez por outra fala demais, característica que, bem o mal, é a sua assinatura política, bem distinta do modo de agir que levou Cid ao governo do Ceará: alguém capaz de dialogar com os diferentes sem perder o rumo e de articular alianças com diferentes forças. Por isso, e pela experiência acumulada na vida pública, essa postura surpreende. Cid discursava no interior (ouça o áudio aqui), talvez isso tenha exercido algum efeito. Como sabemos, a tradição política dos grotões nordestinos, construída sobretudo com os coronéis do sertão, ressalta a valentia como atributo indispensável para o líder. Mas deixo essas considerações para os sociólogos.

Na prática, a fala de Cid, por mais tola que seja, deixa evidente o incômodo do ex-governador com o fato de seu nome constar de uma lista de doações eleitorais feitas pela construtora Odebrecht. Cid afirma que a doação foi legal e o próprio Sérgio Moro já disse que muitos dos políticos citados na lista receberam dinheiro de modo correto, sendo preciso, portanto, investigar para separar o joio do trigo. Se ele quis mostrar indignação, ficou estranho. Indignação por quê? Se não há nada de errado, Cid poderia ter dito que apoia a Lava Jato, parabenizando Teori Zavascki, Rodrigo Janot e Sérgio Moro pelo trabalho, dizendo-se ainda à disposição para quaisquer esclarecimentos, pois quem não deve não teme, etc., etc. Ou então, poderia ter cobrado mais rapidez no processo, para que tudo seja passado a limpo o quanto antes e tal. Se quis dizer que a possibilidade de ser acusado é tão impossível quanto os adjetivos que associou às figuras que conduzem os processos, a execução dessa intenção foi um desastre.

Ao optar pelo uso de expressões chulas e sem graça para dizer que é inocente, e ainda atacando os que cumprem o dever de investigar, Cid se expõe gratuitamente, deixando que a forma ofusque o pretenso conteúdo de sua argumentação.

Publicidade

O estilo Cid Gomes e o incidente da BR-116

Por Wanfil em Noticiário

18 de outubro de 2014

Cid Gomes protagoniza mais uma vez um episódio inusitado nos noticiários locais e nacionais. É que por causa de um incidente de trânsito sem gravidade envolvendo um carro de dois ônibus na BR-116, em Fortaleza, o governador do Ceará tentou, sem sucesso e de modo intempestivo, desobstruir a parte da via interditada pelo pequeno acidente.

Filmado por populares, Cid se ofereceu, com impaciência, para pagar o prejuízo, desde que os carros saíssem do local; ameaçou retirar os veículos sem a autorização dos proprietários (“vou tirar agora”); usou o cargo como argumento: “eu sou o governador”; discutiu com anônimos e com militantes do PMDB. Com a chegada da imprensa, o governador ficou mais comedido e passou a orientar, no meio da rua e sem necessidade alguma, os carros que passavam ao lado. Jornais e sites de todo o país destacaram a atuação de Cid Gomes como “agente de trânsito” ou “dono da rua”, a maioria em tom de deboche.

O caso não tem relevância política ou administrativa imediata, pois em nada contribui para a solução, por exemplo, de problemas de mobilidade urbana em estradas federais nos perímetros urbanos. E, convenhamos, todos estamos sujeitos ao estresse, a uma discussão de trânsito ou a um desatino momentâneo. No entanto, por se tratar de autoridade constituída e pessoa pública, situações assim acabam atingindo a imagem do gestor e da própria gestão. Ainda mais quando o incomum passa a ser algo recorrente. O governador cearense já mergulhou em tanque de adutora, caiu ao andar de skate, andou de moto sem capacete, atravessou correndo pista de aeroporto e foi a uma delegacia em Sobral defender aliado preso por crime eleitoral. São atos que, não raro, chegam a ofuscar ações da administração.

Com efeito, todo político tem um estilo. Cid Gomes é discreto nas articulações de bastidores e espalhafatoso em suas aparições públicas. Para alguns, esse modo de agir reflete uma personalidade simples e autêntica, para outros denota deslumbramento e arrogância. Aí é da interpretação de cada um.

O certo é que, em período eleitoral, bater boca no meio da rua não é o tipo de iniciativa que ajuda seu candidato à sucessão estadual. Nesse caso em particular, pode até ter efeito contrário, pois a forma de interpelar as pessoas foi deselegante e inadequada, quase autoritária, postura que deixa dúvidas sobre o nível de autonomia que seu indicado terá, caso seja eleito. Mas, fazer o quê? Como me disse um assessor dele, comentando sobre as declarações intempestivas do governador no Facebook, “Cid é assim, é o jeito dele mesmo”.

Publicidade

O estilo Ciro Gomes

Por Wanfil em Ceará, Política

24 de julho de 2013

Nonato Albuquerque e Wanfil entrevistam Ciro Gomes na rádio Tribuna BandNews (FOTO: Daniel Herculano/Tribuna do Ceará).

Nonato Albuquerque e Wanfil entrevistam Ciro Gomes na rádio Tribuna BandNews (FOTO: Daniel Herculano/Tribuna do Ceará).

O noticiário político desta semana já está marcado pelas polêmicas declarações do ex-governador Ciro Gomes, feitas na terça-feira (23), em entrevista à rádio Tribuna BandNews FM (101.7), do Sistema Jangadeiro de Comunicação.

Entre outras coisas, Ciro Gomes chamou o vereador Capitão Wagner de lambanceiro e o vereador João Alfredo de inconsequente; disse que o procurador Oscar Costa Filho é exibicionista e sugeriu que o procurador Alessander Sales pintasse a bunda de branco para aparecer.

Destempero ou método?

Muitos ficam chocados com o estilo de Ciro, acusado de ser truculento. Eu estive entre os entrevistadores do ex-governador e o que eu pude perceber, na verdade, foi cálculo. O que a muitos parece destempero verbal, eu vejo como método, como ação premeditada. Se não, vejamos. As declarações foram feitas no rastro de questões sobre segurança pública e sobre o embargo da obra dos viadutos no entorno do Parque do Cocó, em Fortaleza.

Na prática, com Ciro imprimindo seu estilo desbocado, as discussões sempre acabam transferidas da esfera dos fatos para a das boas maneiras, onde o que se sobressai são as censuras ou os elogios à falta de polidez do entrevistado, com a vantagem adicional de deixá-lo em evidência mesmo sem mandato público ou cargo partidário, e de desviar o alvo natural das críticas, que seriam o governador e o prefeito, seus aliados.

Forma e conteúdo

E assim, a forma acaba ganhando mais relevo do que o conteúdo. É que as disputas políticas são diferentes das querelas judiciais ou dos debates acadêmicos. Na política, vale mais a versão do que o fato, já constatava o mineiro Tancredo neves. E a versão que prepondera é a que faz mais barulho.

Claro que esse é um jeito arriscado de atuar nos debates públicos, pois a margem para erros é demasiada larga. Não há espaço para a hesitação ou vacilo, pois a palavra dita não tem volta. E não basta querer ser polêmico, é preciso ter uma personalidade que comporte essa técnica, que pode ser muito útil, como, por exemplo, na hora de enfrentar consensos politicamente corretos, ou um desastre, caso venha a ferir a suscetibilidade do grande público.

Ciro Gomes apareceu na política com esse estilo, do qual agora faz uso, e com ele se tornou uma grande promessa da política brasileira. E também por causa dele, depois um ou dois escorregões, perdeu uma eleição presidencial. Acontece. Tem hora que funciona, tem hora que não. Por mais que seja calculado, é sempre um risco.

 

Esse também foi o tema do meu comentário desta quarta na Tribuna BandNews:

[haiku url=”http://tribunadoceara.uol.com.br/blogs/wanderley-filho/files/2013/07/POLITICA-WANDERLEY-FILHO_2407_206¨.mp3″]

Publicidade

O estilo Ciro Gomes

Por Wanfil em Ceará, Política

24 de julho de 2013

Nonato Albuquerque e Wanfil entrevistam Ciro Gomes na rádio Tribuna BandNews (FOTO: Daniel Herculano/Tribuna do Ceará).

Nonato Albuquerque e Wanfil entrevistam Ciro Gomes na rádio Tribuna BandNews (FOTO: Daniel Herculano/Tribuna do Ceará).

O noticiário político desta semana já está marcado pelas polêmicas declarações do ex-governador Ciro Gomes, feitas na terça-feira (23), em entrevista à rádio Tribuna BandNews FM (101.7), do Sistema Jangadeiro de Comunicação.

Entre outras coisas, Ciro Gomes chamou o vereador Capitão Wagner de lambanceiro e o vereador João Alfredo de inconsequente; disse que o procurador Oscar Costa Filho é exibicionista e sugeriu que o procurador Alessander Sales pintasse a bunda de branco para aparecer.

Destempero ou método?

Muitos ficam chocados com o estilo de Ciro, acusado de ser truculento. Eu estive entre os entrevistadores do ex-governador e o que eu pude perceber, na verdade, foi cálculo. O que a muitos parece destempero verbal, eu vejo como método, como ação premeditada. Se não, vejamos. As declarações foram feitas no rastro de questões sobre segurança pública e sobre o embargo da obra dos viadutos no entorno do Parque do Cocó, em Fortaleza.

Na prática, com Ciro imprimindo seu estilo desbocado, as discussões sempre acabam transferidas da esfera dos fatos para a das boas maneiras, onde o que se sobressai são as censuras ou os elogios à falta de polidez do entrevistado, com a vantagem adicional de deixá-lo em evidência mesmo sem mandato público ou cargo partidário, e de desviar o alvo natural das críticas, que seriam o governador e o prefeito, seus aliados.

Forma e conteúdo

E assim, a forma acaba ganhando mais relevo do que o conteúdo. É que as disputas políticas são diferentes das querelas judiciais ou dos debates acadêmicos. Na política, vale mais a versão do que o fato, já constatava o mineiro Tancredo neves. E a versão que prepondera é a que faz mais barulho.

Claro que esse é um jeito arriscado de atuar nos debates públicos, pois a margem para erros é demasiada larga. Não há espaço para a hesitação ou vacilo, pois a palavra dita não tem volta. E não basta querer ser polêmico, é preciso ter uma personalidade que comporte essa técnica, que pode ser muito útil, como, por exemplo, na hora de enfrentar consensos politicamente corretos, ou um desastre, caso venha a ferir a suscetibilidade do grande público.

Ciro Gomes apareceu na política com esse estilo, do qual agora faz uso, e com ele se tornou uma grande promessa da política brasileira. E também por causa dele, depois um ou dois escorregões, perdeu uma eleição presidencial. Acontece. Tem hora que funciona, tem hora que não. Por mais que seja calculado, é sempre um risco.

 

Esse também foi o tema do meu comentário desta quarta na Tribuna BandNews:

[haiku url=”http://tribunadoceara.uol.com.br/blogs/wanderley-filho/files/2013/07/POLITICA-WANDERLEY-FILHO_2407_206¨.mp3″]