estelionato eleitoral Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

estelionato eleitoral

Era uma refinaria muito engraçada, não tinha projeto, não tinha nada…

Por Wanfil em Ceará

13 de Março de 2015

Lula e Cid apresentam projeto da refinaria da Petrobras no Ceará. Um show!

Lula e Cid apresentam projeto da refinaria da Petrobras no Ceará, inspirado em Vinícius de Moraes. Um show!

Os cearenses ficaram sabendo nesta semana que o projeto da refinaria da Petrobras prometida por Lula, Dilma, Cid e companhia em diversas campanhas eleitorais nunca foi submetido à Agência Nacional de Petróleo. Ou seja, a obra existiu somente nos discursos de palanque e nas propagandas eleitorais de governistas. A refinaria não foi uma iniciativa bem planejada que depois, por circunstâncias externas, não vingou. Como resta claro e inequívoco, foi desde o início uma tapeação.

Por não existir no mundo real, o empreendimento remete à famosa música infantil A Casa, do poeta Vinícius de Moraes.

Era uma casa
Muito engraçada
Não tinha teto
Não tinha nada
Ninguém podia
Entrar nela, não
Porque na casa
Não tinha chão…

O resto todos conhecem. Parece ou não parece a refinaria prometida aos cearenses? Dá até para imaginar uma versão adaptada:

Era uma refinaria
Muito engraçada
Não tinha projeto
Não tinha nada
Ninguém podia
Refinar nela, não
Porque a obra
Era enrolação
Ninguém podia
Assentar tijolo
Porque o ouro
Era de tolo
Ninguém podia
Imaginar o mal
Daquela pedra fundamental
Lançada em festa
Pra comemorar
Aqueles dos votos
No Ceará

Falando sério
Vale reforçar que no caso da refinaria de araque as vítimas são os cearenses e o Estado do Ceará, que não deve ser confundido de forma alguma com seus governantes e aliados. Esses tinham a obrigação de saber que não havia nem sequer um pedido de autorização na ANP para a obra.

Assim, além de terem sido parceiros de Lula e Dilma no estelionato eleitoral, no que diz respeito às suas obrigações, os gestores foram incompetentes, omissos, negligentes ou imprudentes, ao torrarem cerca de 650 milhões de reais dos cearenses em um negócio que só existiu nos palanques e nas propagandas eleitorais.

As vítimas, evidentemente, têm que ser ressarcidas não só pela Petrobras, mas também pelos agentes públicos que contribuíram para gerar esse prejuízo, nos termos do Artigo 37 da Constituição Federal.

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E você, é contra ou a favor do impeachment de Dilma?

Por Wanfil em Brasil

12 de Fevereiro de 2015

Dilma, João Santana e Lula: depois das mentiras eleitorais, o descrédito que alimenta a crise de confiança no governo.  (Arte sobre foto de Roberto Stucker/divulgação).

E no escurinho do gabinete, a luz vermelha acendeu: depois das mentiras eleitorais, o descrédito que alimenta a crise de confiança no governo. (Arte sobre foto de Roberto Stucker/divulgação).

O segundo mês do novo mandato da presidente Dilma Rousseff começa marcado pelo fantasma do impeachment. Nas redes sociais, eventos marcados para o dia 15 de março pedindo sua deposição. Concordando-se ou não com os argumentos de quem defende ou rejeita essa possibilidade, o fato incontornável é que o debate está posto nas ruas, na fazenda ou numa casinha de sapê. Já chegou ao Congresso Nacional e mesmo na festa de aniversário do PT, onde Dilma e Lula fizeram alusões ao que chamam de “golpismo”. Trata-se, portanto, de uma realidade que exige posicionamento de governistas e opositores.

Desconfiança generalizada
Classificar esse processo como golpe das oposições é procurar um bode expiatório para negar o óbvio: esse debate só prospera porque o ambiente político se deteriorou intensamente em diversas frentes: crises na base aliada, na economia, no setor elétrico, de popularidade e com o Parlamento e o surreal escândalo de corrupção na Petrobras. Indo mais além, na raiz desse conjunto de convulsões está outro fato inegável: a quebra de confiança da população no governo. Sem isso, a conversa de impeachment não iria adiante. Com a aprovação ao governo Dilma derretendo em velocidade impressionante, a pergunta é: por que a população não confia mais no governo e na presidente?

Há muitos anos assisti a uma palestra do publicitário Lucas Pacheco na qual ele disse: “o marketing eleitoral não deve inviabilizar o marketing governamental”. Em outras palavras: promessas irreais podem ajudar a vencer eleição, mas depois serão fonte de descrédito. E aí temos mais alguns fatos: a campanha de Dilma, comandada por João Santana (de pé, no centro da foto), abusou dos ataques maledicentes (adversários aumentariam juros), das mentiras (o governo que mais combate a corrupção), a falsificação da realidade (as contas públicas estariam em ordem e a inflação sob controle), das promessas irrealizáveis (como as refinarias do Ceará e do Maranhão). Resultado: credibilidade zero!

Sem reação 
Governistas tentam reagir, mas nada podem fazer senão alegar teorias conspiratórias para tentar posar de vítima. Como estão desmoralizados, não cola. Sem contar que o sumiço de Dilma na hora de anunciar as más novas, o pacote de maldades, as trapalhadas dos articuladores políticos do governo e os crimes do seu partido, o PT, minaram ainda mais a governabilidade. E vejam quem será o responsável por tentar recuperá-la: o deputado petista José Guimarães! Exato, aquele…

Haverá um processo de impeachment?
Impossível adivinhar. Se ficar comprovado que a campanha presidencial do PT foi financiada com dinheiro roubado da Petrobras ou que Dilma sabia do esquema quando foi presidente do conselho da estatal, dificilmente ela se manterá no cargo. As delações premiadas estão correndo soltas. Mas ainda que nada seja comprovado, mesmo assim lembro que o ex-presidente Collor nunca foi condenado por crime algum, tendo caído devido ao repúdio da sociedade brasileira ao governo e de um julgamento político que pode ser perfeitamente legítimo. Não é preciso esperar por condenação nas esferas judiciais para mandar embora um presidente (ou presidenta) sem condições morais e políticas de comandar o país.

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Golpe da refinaria gera reação pífia dos representantes do Ceará. Que papelão!

Por Wanfil em Política

30 de Janeiro de 2015

A repercussão no Ceará ao golpe eleitoreiro aplicado por Lula e Dilma, que se valeram da Petrobras para ludibriar os incautos, infelizmente foi decepcionante.

O governo do Estado divulgou nota informando que o governador Camilo Santana, que também é do PT, ficou surpreso e indignado com a decisão – atentem para o alvo – da Petrobras. Vale lembrar que os cearenses não votaram para eleger presidentes da Petrobras, mas para eleger quem os nomeasses, devidamente informados do compromisso assumido por Lula e Dilma, supostamente com base em informações técnicas. Deu no que deu. A dupla obteve votações recordes e a refinaria não veio. Nem virá, diga-se. Mais adiante explico melhor os motivos (e seus números).

Na mesma linha, o deputado Zezinho Albuquerque, do partido de aluguel Pros, presidente da Assembleia Legislativa, muito polidamente classificou a farsa de “descortesia”. Será que Graça Foster não sabe que o parlamento cearense promoveu um concurso de redação para estudantes sobre a importância do empreendimento? Parece que não.

Pois bem, com a má repercussão do calote (sim, pois promessa é dívida), as autoridades locais ficam politicamente fragilizadas, afinal, a parceria com o governo federal era alardeada como condição fundamental para o desenvolvimento do Ceará, ressaltando sempre que a refinaria dobraria o PIB do Estado. Desse modo, Camilo e Zezinho anunciaram a reação.

Ficamos sabendo, ainda pela nota, que o governador ligou o chefe da Casa Civil da Presidência da República, o petista Aloízio Mercadante, para pedir uma audiência com Dilma. Na hora de pedir voto, ela soube vir aqui sem a necessidade de intermediários, mas na hora de dar explicações, tem que marcar hora com o secretário da chefe. Quem sabe ela faça o favor de receber Camilo, não é? Já Zezinho avisou que continuará cobrando a refinaria, como se isso fizesse alguma diferença para o Palácio do Planalto. A falta de senso aí beira a uma psicopatia. Parece delírio esquizofrênico.

Essas lamúrias, beicinhos e queixumes não têm efeito prático algum nesse caso, porque não dão nome aos bois, nem indicam atitudes concretas. Além do mais, o silêncio do agora ministro Cid Gomes, principal avalista da promessa não cumprida e líder de Camilo e Zezinho, é sinal de que o remédio para a base é mesmo se conformar e pronto. Sabe como é: aliados bem comportados não devem constranger Dilma e Lula. Portanto, qualquer aceno de que datas podem ser revistas mais adiante para a retomada da refinaria não passará de mentira grande. Volto agora à explicação sobre os motivos pelos quais a refinaria não virá pelas mãos dessa turma: o balanço não auditado da Petrobras, divulgado com dois meses de atraso, mostra que a dívida bruta da estatal em 2014 é de 331,704 bilhões de reais, um aumento de 157% em relação a 2011. Assim, Petrobras tem a maior dívida corporativa do mundo.

De resto, o momento de cobrar a refinaria já passou: era antes da eleição. Agora não adianta chorar o petróleo que não vem. A saída seria falar a verdade, que a refinaria não vem porque nas gestões Dilma e Lula a ineficiência e a corrupção descapitalizaram a Petrobras, em benefício da patota governista e de algumas empreiteiras. Mas isso a maior parte das nossas autoridades não pode falar, por motivos óbvios. Isso não impediria, no entanto, que a bancada cearenses, sob o comando do Palácio da Abolição, mostrassem disposição para romper com o governo nas votações de interesse do governo federal. Se aliados, são tratados assim, quem lhes pode cobrar obediência? Vale lembrar que o Ceará, um Estado pobre, gastou 657 milhões de reais por causa da refinaria de mentira. Portanto, motivos para brigar não faltam, o que falta é independência, coragem e indignação de verdade.

PS. Já que a Assembleia Legislativa se empenhou tanto em lutar pela refinaria, embora nada pudesse fazer, talvez possa pelo menos tornar “personas non gratas” no Ceará os senhores Sérgio Gabriele e Lula, e as senhoras Graça Foster e Dilma Rousseff. Hummm… Deixa pra lá né?

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Agora é oficial: refinaria no Ceará não passou de tapeação

Por Wanfil em Ceará

28 de Janeiro de 2015

A Petrobras desistiu de construir uma refinaria no Ceará. A decisão foi anunciada junto com o balanço da companhia, enrolada em problemas financeiros, criminais e políticos.

Agora é oficial: os cearenses foram tapeados. Pelo menos, a maioria dos cearenses, especialmente os aliados de espírito subalterno, alegres animadores de discursos da presidente Dilma e do ex-presidente Lula, principais beneficiários da promessa não cumprida. Além de aplausos da claque, ambos obtiveram votações recordes no Estado, anunciando um futuro que nunca chegou.

Na verdade, para os mais desconfiados, ou prudentes, a refinaria nunca chegou nem perto de se materializar, pois o início da obra sempre foi adiado, ano após ano, com a adição de novas exigências, todas atendidas sem maiores questionamentos, embora custassem tempo e dinheiro. O governo do Ceará gastou R$ 657 milhões do nosso dinheiro em obras de infraestrutura que agora ficarão a contemplar o vazio. Não foram poucas as vezes que denunciei aqui e na rádio Tribuna Band News FM (101.7) os factoides criados para dar a impressão de que as coisas estavam acontecendo, quando na saia do lugar.

Agora é oficial: os aliados de Dilma e Lula no Ceará não têm prestígio algum. Tudo atrasa emperrado pela combinação de corrupção, burocracia e falta de pressão política. (“Este é o país do descontínuo, onde nada congemina”, lamenta o poeta Affonso Romano). Para dar a impressão de que tinham algum peso, encamparam ainda, via Assembleia Legislativa, uma campanha “cobrando” a refinaria. O resultado é esse que vemos anunciado.

Agora é oficial: no lugar de uma refinaria de US$ 11 bilhões – “uma das maiores do mundo”, com 90 mil empregos e produção de “300 mil barris por dia”, teremos mesmo é aumento no preço dos combustíveis para cobrir o rombo do “Petrolão”.

Aos sócios locais da falsa promessa, restam duas opções, se não quiserem oficializar a conivência com o embuste: ou pedem desculpas ao povo pela má liderança ou denunciam a presidente e seu partido, o PT, por mais um estelionato eleitoral. Não souberam se vangloriar da obra que não virá? Pois então. Silêncios  ou conversinhas esfarrapadas serão apenas atestados de culpa.

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E você que brigou por causa de candidato, com que cara fica agora?

Por Wanfil em Eleições 2014

07 de novembro de 2014

Durante a campanha eleitoral – e vou me ater aqui apenas à disputa presidencial, muita gente encarnou o clima de vale tudo dos programas eleitorais e mandou ver nas redes sociais. Ofensas e melindres estremeceram muitas amizades. A justificativa, de modo geral, era de que acima de tudo estava em jogo o futuro do Brasil, nessa guerra entre bons (os que votariam no mesmo candidato) e maus (os que votariam nos adversários).

Vi, por exemplo, muitos amigos meus brigando com outros amigos em comum na defesa da candidata Dilma Rousseff (PT) contra o retrocesso que representariam as candidaturas de Aécio Neves (PSDB) e Marina Silva (PSB). E vice-versa. O fim da história, todos sabemos: Dilma ganhou com pequena margem.

Mas na campanha, abatida ainda no primeiro turno, Marina foi acusada de estar a serviço de banqueiros, pois uma de suas coordenadoras de campanha, a educadora Neca Setúbal, é uma das herdeiras do banco Itaú. É antológica a propaganda em que a comida desaparecia do prato da família pobre, enquanto o narrador acusava a candidata adversária de estar a serviço dos bancos. Foi uma forma engenhosa (muitos consideram desonesta) de dizer que política econômica que se vale de aumento de juros só beneficia os mais ricos. O vídeo foi compartilhado sem reservas como prova de que Marina era um embuste. Já Aécio, derrotado no segundo turno, representava o (ai, meu Deus!) neoliberalismo que teria “quebrado o Brasil três vezes”! Seria, portanto, a reedição de uma política econômica que não saber fazer outra coisa senão aumentar juros para combater a inflação, sacrificando o consumo dos mais pobres no altar do mercado financeiro. A solução? Dilma.

Pois bem, passadas as eleições, ver agora a presidente fazer o inverso do que anunciou a candidata me constrange na medida em que me desses amigos queridos, que agora pouco se manifestam.

Vamos a alguns exemplos: após a eleição, o governo Dilma (garantia de que a pobreza continuaria diminuindo, diziam seus entusiastas) liberou o anúncio de dados oficiais que foram proibidos de serem divulgados para não atrapalhar a campanha. A saber: o déficit nas contas públicas é recorde, a presidente não conseguirá cumprir a meta fiscal de 2014, a pobreza voltou a crescer, segundo informações do IPEA e do IBGE. Reeleita, só então Dilma confessou que realmente a inflação é um problema urgente e que por isso apoia o… aumento de juros decidido pelo Banco Central! Lembram da discussão sobre a independência do BC? Pois é. E ainda tem o aumento de preços represados dos combustíveis e da energia elétrica. Esse conjunto de ações basta para comprovar que estamos diante de um dos maiores estelionatos eleitorais da história do Brasil. Só perde, a meu juízo, para o Plano Cruzado, do governo Sarney.

Já pelo lado da oposição, é mais difícil cobrar coerência, pois, afinal, perderam e não podem por à prova o que prometeram fazer (ou não fazer). De todo modo, ser oposição não significa ausência de responsabilidade. O noticiário dá conta de um suposto acordo entre PT e PSDB para preservar alguns de seus membros na CPI da Petrobras, no Congresso Nacional. Os tucanos negam, os petistas alardeiam, como a mostrar: viram, são iguais a nós! O fato é que políticos deixaram de ser convocados para prestar depoimentos. Aécio já disse que acordos assim são inaceitáveis e tal. Seus eleitores aguardam cenas dos próximos capítulos, temerosos de que a mudança prometida acabe em piza. Dilma não se pronunciou a respeito, mas na campanha, Dilma disse que sobre a corrupção na Petrobras, seu governo iria “até o fundo, doa a quem doer”. Não foi o que se viu na CPI.

É isso. Como é que a gente fica? Como é que ficam os que desfizeram laços de amizade por acreditar em discurso de político em campanha eleitoral? O calor dos debates acalorados deu lugar agora, especialmente por parte de quem votou em Dilma, a um silêncio desconfiado. Hora de cada um perguntar a si mesmo: E aí, valeu a pena?

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E você que brigou por causa de candidato, com que cara fica agora?

Por Wanfil em Eleições 2014

07 de novembro de 2014

Durante a campanha eleitoral – e vou me ater aqui apenas à disputa presidencial, muita gente encarnou o clima de vale tudo dos programas eleitorais e mandou ver nas redes sociais. Ofensas e melindres estremeceram muitas amizades. A justificativa, de modo geral, era de que acima de tudo estava em jogo o futuro do Brasil, nessa guerra entre bons (os que votariam no mesmo candidato) e maus (os que votariam nos adversários).

Vi, por exemplo, muitos amigos meus brigando com outros amigos em comum na defesa da candidata Dilma Rousseff (PT) contra o retrocesso que representariam as candidaturas de Aécio Neves (PSDB) e Marina Silva (PSB). E vice-versa. O fim da história, todos sabemos: Dilma ganhou com pequena margem.

Mas na campanha, abatida ainda no primeiro turno, Marina foi acusada de estar a serviço de banqueiros, pois uma de suas coordenadoras de campanha, a educadora Neca Setúbal, é uma das herdeiras do banco Itaú. É antológica a propaganda em que a comida desaparecia do prato da família pobre, enquanto o narrador acusava a candidata adversária de estar a serviço dos bancos. Foi uma forma engenhosa (muitos consideram desonesta) de dizer que política econômica que se vale de aumento de juros só beneficia os mais ricos. O vídeo foi compartilhado sem reservas como prova de que Marina era um embuste. Já Aécio, derrotado no segundo turno, representava o (ai, meu Deus!) neoliberalismo que teria “quebrado o Brasil três vezes”! Seria, portanto, a reedição de uma política econômica que não saber fazer outra coisa senão aumentar juros para combater a inflação, sacrificando o consumo dos mais pobres no altar do mercado financeiro. A solução? Dilma.

Pois bem, passadas as eleições, ver agora a presidente fazer o inverso do que anunciou a candidata me constrange na medida em que me desses amigos queridos, que agora pouco se manifestam.

Vamos a alguns exemplos: após a eleição, o governo Dilma (garantia de que a pobreza continuaria diminuindo, diziam seus entusiastas) liberou o anúncio de dados oficiais que foram proibidos de serem divulgados para não atrapalhar a campanha. A saber: o déficit nas contas públicas é recorde, a presidente não conseguirá cumprir a meta fiscal de 2014, a pobreza voltou a crescer, segundo informações do IPEA e do IBGE. Reeleita, só então Dilma confessou que realmente a inflação é um problema urgente e que por isso apoia o… aumento de juros decidido pelo Banco Central! Lembram da discussão sobre a independência do BC? Pois é. E ainda tem o aumento de preços represados dos combustíveis e da energia elétrica. Esse conjunto de ações basta para comprovar que estamos diante de um dos maiores estelionatos eleitorais da história do Brasil. Só perde, a meu juízo, para o Plano Cruzado, do governo Sarney.

Já pelo lado da oposição, é mais difícil cobrar coerência, pois, afinal, perderam e não podem por à prova o que prometeram fazer (ou não fazer). De todo modo, ser oposição não significa ausência de responsabilidade. O noticiário dá conta de um suposto acordo entre PT e PSDB para preservar alguns de seus membros na CPI da Petrobras, no Congresso Nacional. Os tucanos negam, os petistas alardeiam, como a mostrar: viram, são iguais a nós! O fato é que políticos deixaram de ser convocados para prestar depoimentos. Aécio já disse que acordos assim são inaceitáveis e tal. Seus eleitores aguardam cenas dos próximos capítulos, temerosos de que a mudança prometida acabe em piza. Dilma não se pronunciou a respeito, mas na campanha, Dilma disse que sobre a corrupção na Petrobras, seu governo iria “até o fundo, doa a quem doer”. Não foi o que se viu na CPI.

É isso. Como é que a gente fica? Como é que ficam os que desfizeram laços de amizade por acreditar em discurso de político em campanha eleitoral? O calor dos debates acalorados deu lugar agora, especialmente por parte de quem votou em Dilma, a um silêncio desconfiado. Hora de cada um perguntar a si mesmo: E aí, valeu a pena?