esquerda Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

esquerda

Pornografia política explícita

Por Wanfil em Crônica

07 de Março de 2019

Muito debate, pouca serventia

A polêmica sobre o vídeo compartilhado pelo presidente Jair Bolsonaro, com três pessoas expondo nudez e mau gosto estético em via pública, com direito a um escatológico e grotesco banho de urina, mostra que até a pornografia na política brasileira também está a degenerar. O governo soltou nota com explicações, lideranças da oposição afetaram indignação.

Antes, desde tempos imemoriais, a variante política da pornografia na política era produzida como segredo como instrumento de chantagem, sedução, intriga, aliança ou manipulação. Agora é objeto de debates abertos. O que digo aqui é que pelo menos o distinto público era, no passado, poupado do conteúdo explícito desses espetáculos. A pornografia na política se limitava, para os de fora, ao seu caráter metafórico, aquela licenciosidade grupal de políticos e apaniguados com as indecências do poder.

Pois bem, obsessões que deveriam estar confinadas a espaços reservados, secretos, íntimos, agora estão nas ruas e nas redes sociais. “Tanto melhor”, dirão alguns, “que sejam desmascaradas”. Não sei, não. Algo me diz que tanta exposição pode atiçar os piores instintos da política nacional. Receio ter pesadelos com o Brasil inundado por uma ininterrupta e degradante golden shower.

Nada contra criticar ou defender certas práticas. O que impressiona é a dimensão que o assunto – convenhamos, sem importância real – tomou. E mais: no vídeo que agora centraliza o debate público no Brasil, curiosamente, há uma sintomática inversão de papéis. A direita cuidou de divulgar a imoralidade abjeta que condena e a esquerda se pôs a criticar algo que fere os bons costumes. Os reacionários não resistem a um vídeo pornográfico e nossos progressistas, que adoram cantar as glórias das liberdades sexuais e denunciam a suposta hipocrisia dos padrões normativos celebrados pelo conservadorismo, pedem o impeachment do presidente por quebra de decoro. Decoro!

Antes que me apedrejem, não generalizo direita e esquerda, mas é impossível particularizar, uma vez que os mais engajados na discussão formam verdadeiras legiões cuja ansiedade de expor o adversário é capaz de agredir até mesmo a lógica dos princípios que juram, cada uma, defender.

Há nisso boa dose de alucinação de parte a parte, afinal, se pensarmos bem, quem é que ainda se escandaliza com o uso da pornografia ou da nudez com a intenção de chocar o espírito conservador do brasileiro? De tão comuns de serem expostos, o escândalo, o sexo, a corrupção (variante pornográfica muito praticada ainda) e a sujeira política perderam o impacto no Brasil.

Por isso tudo é que o obsceno esforço de governistas e opositores, na falta de ideias melhores e de intimidade com soluções para os problemas reais e urgentes da nação, não passa de uma espécie de orgia acusatória onde os participantes se esbaldam com a voracidade típica das taras mais arraigadas.

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Eleições: UECE divulga nota aos pupilos do senhor Reitor

Por Wanfil em Eleições 2018

18 de outubro de 2018

A Universidade Estadual do Ceará divulgou nota “em defesa da democracia” e contra a “iminente possibilidade de um profundo retrocesso social, político e econômico”. O texto cita ainda a “assustadora disseminação do ódio contra pessoas em razão das suas diferenças sociais, de gênero, étnico-raciais e ideológicas”, mas não aponta episódios – seja nas suas dependências  ou mesmo fora delas – em que essas ameaças tenham se materializado. Não há menção sobre quem seriam os seus agentes.

A nota, assinada em conjunto pelo reitor José Jackson Coelho Sampaio e o vice-reitor Hidelbrando dos Santos Soares, se resume ao um amontoado de chavões, que apesar de não apontar nomes de grupos ou de lideranças que estariam atuando para agravar os riscos alardeados no texto, se dirige indiretamente, por meio de insinuações, às eleições presidenciais.

A falta de objetividade é compensada por um jogo de associações induzidas, pois o alinhamento com o discurso da candidatura de Fernando Haddad (PT) contra Jair Bolsonaro (PSL). Que professores, alunos, servidores e reitores tenham suas preferências, isso não é da conta de ninguém, mas ao usar o site (pago com dinheiro de impostos) e o nome de uma universidade pública para promover argumentos utilizados por um candidato à Presidência da República, é um desrespeito às instituições e a pluralidade que a mesma nota afirma defender. Se o mesmo artifício fosse usado para espalhar mensagens cifradas de Bolsonaro contra Haddad, estaria errado do mesmo jeito.

Como todos sabem, as universidades, especialmente as públicas, e mais ainda nas áreas de humanas, são espaços dominados por uma – digamos assim – produção acadêmica mais à esquerda. Não por acaso os signatários da nota dizem que estão “sendo convocados a se posicionar”. Quem os convoca? Isso acontece há tanto tempo que, para seus dirigentes, parece não haver vida fora dessa redoma.

A nota que se anuncia como instrumento de resistência “contra a violência, a opressão e todas as formas de preconceito e discriminação”, não passa de pregação aos convertidos, de afago aos pupilos, de panfleto panfleto em “defesa dos bens e serviços públicos”, que curiosamente não se posiciona sobre temas como corrupção e aparelhamento, que tanto prejudicam bens e serviços públicos.

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Esquerda e direita nas eleições do Ceará

Por Wanfil em Eleições 2018

17 de setembro de 2018

Nestas eleições o Brasil se divide em dois grandes grupos que ainda podem ser mais ou menos identificados a partir dos conceitos clássicos de esquerda e direita. O fenômeno parece um tanto mais restrito aos centros urbanos, mas seu impacto é inegável.

É verdade que as coisas são um pouco mais complexas, afinal, existem nestes trópicos conservadores liberais e progressistas (liberais nos costumes) que são estatistas na economia. É que por aqui a dualidade antagônica que distingue direita e esquerda guarda importantes diferenças (e distorções) com outros países, sobretudo com os EUA e nações europeias. De todo modo, mesmo simplificadas, essas noções servem para qualificar (ou desqualificar) alguns grupos políticos, além de servir de bússola (com ou sem Norte) para parte do eleitorado.

Entre os candidatos que se destacam nas pesquisas, representam o eleitorado de direita e de centro-direita, os candidatos Bolsonaro, Alckmin, Amoedo, Álvaro Dias e Henrique Meireles; e mais à esquerda, do extremo ao centro, estariam Ciro Gomes, Fernando Haddad e Marina Silva. Sempre há quem conteste essas, digamos assim, rotulações, até mesmo os candidatos, porém, grosso modo, certo ou errado, é assim que são vistos.

No Ceará essas clivagens são diferentes. Os grupos se dividem entre apoiadores ou opositores do governo. E só. A perspectiva de orientação ideológica praticamente desapareceu. É que a liderança apartidária e ideologicamente flutuante dos Ferreira Gomes ao longo dos anos, a omissão dos partidos na construção de identidades e o recente acordão fisiologista que reúne na coligação governistas partidos como o DEM, PT, PR e PCdoB, tornaram essas marcações mais fluidas e imprecisas.

E aí temos candidatos a deputado estadual que estava na oposição mas que agora é da base levantando a bandeira do conservadorismo, afirmando que é contra o aborto, mas apoiando candidato ao governo de partido que não é contra o aborto. Temos entidades empresariais que anunciam apoio a partidos que pregam aumento de impostos. Tem eleitor que vota no Cid, mas não vota no Eunício, porque não aceita a parceria entre PDT e MDB, mas escolhe candidato da oposição ao Camilo, que é alinhado com Cid. Já conversei com eleitor anti-Lula e anti-PT que vota em Camilo, alegando que o governador não é petista de coração.

A confusão é grande, porém, não é acidental. Esquerda e direita ainda existem no Ceará, é claro, mas estas estão ocupadas nas trincheiras das eleições presidenciais. Nas estaduais, quase não aparecem. A lógica do poder pelo poder, o excesso de pragmatismo eleitoreiro, o oportunismo descarado, tudo isso vai apagando as mais básicas linhas divisórias do pensamento político, que poderiam ajudar o eleitor a situar suas escolhas em parâmetros conhecidos. Sem debate de ideias, não há política.

(Texto publicado originalmente no portal Tribuna do Ceará)

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Governo e oposição disputam para ver quem tem menos credibilidade

Por Wanfil em Ideologia

29 de junho de 2017

O governo Temer conseguiu aprovar o relatório da reforma trabalhista na Comissão de Constituição e Justiça do Senado. Em breve deverá ser votada em plenário. A oposição cerrou fileiras contra o projeto.

O tema é de relevância indiscutível, mas acaba servindo, ao final, pelo menos para a maioria, de pretexto. Governistas buscando sobrevida com uma agenda que fuja dos escândalos, opositores de olho nas eleições do ano que vem. Um fala de futuro, mas vive assombrado pelo passado; o outro convoca greves que são solenemente ignoradas pelos trabalhadores de verdade. Sem poder confiar em ninguém, o cidadão espera para ver como é que fica.

Uma coisa é certa, a história recente mostra: caso a não seja aprovada agora, a reforma voltará como prioridade em breve, não importa quem estiver no poder, mesmo partidos de esquerda. Foi assim com a privatização. Basta ver a alegria com que essas forças comemoram no Ceará o fato de uma empresa privada europeia ter arrematado as operações no Aeroporto Pinto Martins, embora fizessem da pregação contra as privatizações um ato de fé e convicção inabaláveis.

O PMDB é de direita? Não. O PSDB é de direita? Claro que não. São de centro esquerda. E onde está a direita? Um pouco no mercado, um pouco nas tais equipes econômicas que rearrumam a casa de tempos em tempos. Mas só um pouco, que nossa direita adora juros subsidiados.

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Odebrecht mostra que o PT não inventou a corrupção? Certo. Mas questão não é bem essa…

Por Wanfil em Ideologia

13 de Abril de 2017

Os depoimentos de executivos da Odebrecht e especialmente de seus donos, Emílio e Marcelo, revelam que a corrupção é prática disseminada que atinge instâncias de poder, partidos políticos e ideologias distintas. Uma amiga, pessoa honesta e trabalhadora, me disse que é a comprovação de que a corrupção não começou com o PT, como, segundo ela, insinuam os grandes veículos de comunicação.

Com todo respeito, trata-se, com efeito, de um sofisma, uma vez que não há quem diga que a corrupção tenha começado com o PT. Seria ingenuidade demais até para o mais ferrenho antipetista.

Na verdade, esse argumento é uma fuga para muitos que acreditaram (ou que ainda acreditam) na ideia de que a ética fosse monopólio do PT em particular e da esquerda em geral. Hoje isso parece absurdo, mas basta ver como militantes e políticos do PSOL do do PCdoB falam, embora nunca tenham denunciado coisa alguma.

Muitos esquerdistas comuns, sem filiação, para não dar o braço a torcer ao fatos, com o orgulho ferido, olham para a queda do PT e afirmam que a sigla cedeu a práticas da direita (transferindo o pecado para o adversário) ou que, no máximo, por pragmatismo, lideranças do partido usaram as armas do inimigo para vencer a luta eleitoral e aí poder fazer as mudanças, no que foram impedidos pelas elites e tal.

Para esses, reconhecer que ser de esquerda não significa uma elevação moral, um desprendimento atávico do mundo material, uma condição natural de solidariedade e inteligência ou um estado de pureza ética, corresponde a declarar que estiveram enganados todo esse tempo, que depositaram esperanças num pensamento pueril, e isso é difícil demais para quem se via como refinado crítico da realidade.

Confessar ter acreditado no discurso de que o PT representaria a negação da corrupção por causa de rótulos ideológicos é admitir o próprio erro. Daí que acabem usando a prova de que o sonho era uma frágil ilusão como argumento de superioridade analítica, alardeando: “viram, a corrupção não começou com o PT”, para assim disfarçar o que antes pregavam com a certeza dos profetas: “o PT e a esquerda mudarão tudo isso o que está aí”.

Dizer que o PT não é pior do que os outros é o consolo de quem aceitou a farsa do monopólio da ética por uma ideologia que, não obstante, foi responsável pelos maiores crimes e ditaduras do século XX.

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Desocupados, uni-vos!

Por Wanfil em Ideologia

04 de novembro de 2016

Na falta de trabalhadores e de uma revolução...

Na falta de trabalhadores e de uma revolução…

Uma minoria de estudantes da Universidade Federal do Ceará anunciou greve e decidiu ocupar prédios da instituição, em protesto contra medidas de ajuste fiscal do governo Michel Temer.

Minoria? Mas, Wanderley, tinha uma multidão na Reitoria! Bom, de fato era um bocado de gente. Manifestantes falam em duas mil pessoas. Não se sabe, porém, quantos eram estudantes mesmo. E de onde eram. De todo modo é minoria, uma vez que existem uns 30 mil alunos nos cursos de graduação e pós-graduação na UFC.

Trata-se, vamos ser claros, de uma manifestação de viés ideológico esquerdista, que reuniu movimentos sociais, militantes partidários e simpatizantes (ah, os jovens) usados como massa de manobra, aquela fauna que ama a cor vermelha e os ambientes esfumaçados, que grita emocionada palavras de ordem contra o capitalismo e contra a opressão da sociedade judaico-cristã enquanto dança.

Não há nada de errado nisso, muito menos em protestar contra um governo. O problema é quando resolvem “ocupar” prédios públicos, no sentido de invadir e restringir o uso de um espaço que não lhes pertence. Arbitrariedade que nas democracias ganha o ranço de expressão autoritária. Notem a diferença: milhões de pessoas protestaram contra a ex-presidente Dilma Rousseff sem violência alguma.

No fundo, as lideranças dessa presepada sabem que nada conseguirão além de algumas entrevistas e atrapalhar a vida de quem quer e precisa estudar de verdade. Sem contar os estudantes que precisam fazer o Enem. De todo modo, estão ali os “rebeldes” marcando posição enquanto brincam de revolução, fingindo não saber que a insustentável trajetória dos gastos públicos levou o país à maior recessão de sua história.

Pensam ser a vanguarda, mas são o passado. Foi-se o tempo em que a esquerda se inspirava na conclamação de Marx e Engels: “trabalhadores do mundo, uni-vos!” Sobrou-lhe estudantes sem ocupação (no sentido de ter aula), já que os trabalhadores lutam mesmo é para manter seus empregos ou conseguir um. E todos sabem de quem é a culpa.

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‘Fora Temer’ inova com possibilidade de dinheiro honesto

Por Wanfil em Brasil

08 de setembro de 2016

O ‘Fora Temer’ em Fortaleza, neste de Sete de Setembro, mostrou que o momento político nacional já está produzindo frutos. Militantes de esquerda já podem voltar a falar contra a corrupção, embora não façam a defesa da Operação Lava Jato, nem portem cartazes de apoio ao juiz Sérgio Moro, o que é sintomático, convenhamos.

Outra novidade é a possibilidade de ganhar dinheiro longe das verbas ministeriais ou sinecuras políticas, como mostra o portal Tribuna do Ceará:

“A escolha da Praia de Iracema para ser o palco da manifestação, segundo os participantes, teve o intuito de mostrar aos moradores da região e turistas a quantidade de pessoas insatisfeitas e contrárias ao governo de Michel Temer. O vendedor ambulante Deoclécio Ferreira, que trabalha há 1 ano na Beira-Mar, disse apoiar o protesto e ainda conseguir tirar lucro nas vendas de água e refrigerante. ‘Estou vendendo mais, faturando’, comemora.”

É isso aí. Faturar sem cobrar propina em licitações viciadas é a melhor forma de evitar as prisões preventivas, as delações premiadas, as condenações por corrupção, a PF, o MP, a Lava Jato e o juiz Sério Moro.

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Olha os protestos contra o aumento nas passagens de ônibus! Por que não protestam contra a corrupção?

Por Wanfil em Movimentos Sociais

16 de Janeiro de 2015

Alguns grupos têm feito protestos em diversas capitais brasileiras contra aumentos nas passagens de ônibus. Por algum motivo, parecem acreditar que tudo pode subir – combustível, salários, energia, inflação e impostos -, menos os preços do transporte coletivo, que devem permanecer em estado de congelamento. Qual a lógica dessa indignação seletiva?

Para responder essa questão é preciso verificar quem está a protestar. Em Fortaleza, onde a passagem subiu de R$ 2,20 para R$ 2,40, as manifestações foram organizadas por um tal Levante Popular da Juventude, junto com o MST (o que isso tem a ver com reforma agrária?) e de um troço chamado Motu (Movimento Organizado dos Trabalhadores e Trabalhadoras Urbanos).

O MST dispensa apresentações: é ligado ao PT e financiado com dinheiro público há anos. O Levante, pelas informações oferecidas em seu site, é um mistério: ninguém sabe quem comanda a entidade, muito menos quem paga a conta, mas quer transformar a sociedade sem criticar o governo federal, fato que já revela muita coisa. Já o Motu se define como “Organização Popular Anticapitalista, feminista, em constante luta pelo socialismo”. Onde está escrito isso? Ora, no Facebook da entidade! Sabe como é, a luta anticapitalista não dispensa algumas conquistas do capitalismo. (Cartão de crédito é outra coisa que ainda estou pra ver um revolucionário dispensar).

Esses grupelhos tem em comum o perfil esquerdista, com suas frases feitas que emulam um espírito crítico, mas que no fundo disfarçam seu peleguismo. São militantes profissionais a serviço do projeto de poder em curso no Brasil. No fundo, querem mudar o foco das atenções, concentradas em escândalos de corrupção e no pacote de maldades de dona Dilma. Aproveitam o reajuste nas passagens, algo natural, para passar a impressão de que o grande problema  no Brasil fosse esse; como se não estivéssemos com a economia estagnada, como se não fossem assassinados 50 mil brasileiros por ano.

Por que não protestam contra a roubalheira na Petrobras ou contra o choque fiscal do governo federal? Por que não protestam contra o aumento de impostos, cobrando do governo o fim dos ministérios inúteis? Se dizem lutar contra o capitalismo, por que não protestaram contra a nomeação de Joaquim Levy? Não se sentiram traídos? Ora, a explicação é simples: é porque fazem parte do consórcio que reelegeu Dilma. A causa de um é a causa do outro: fazem e acontecem, culpam adversários pelos próprios erros, roubam e deixam roubar, para depois escolherem algum tema e posarem de criaturas preocupadas com a justiça social.

Pela natureza do protesto é que se conhece a intenção de seus promotores.

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Xico Graziano lembra que PSDB é de esquerda e que a direita é órfã no Brasil. Mas só falou após a eleição…

Por Wanfil em Ideologia

05 de novembro de 2014

Xico Graziano foi um dos coordenadores da campanha de Aécio Neves à Presidência da República. Ao comentar sobre o protesto em São Paulo no qual 2.500 pessoas pediam o impeachment da presidente Dilma Rousseff – e onde alguns poucos pediam intervenção militar -, Xico disse que não concordava com essas teses. Foi por isso criticado por radicais que existem às pencas nas redes sociais. O tucano então resolveu deixar as coisas claras:

Existe no Brasil uma ideologia própria da direita que se encontra desamparada do sistema representativo, quer dizer, sem partido político. Sua força se mostra na rede da internet. Essa corrente luta para destruir o PT, acusando-o de querer implantar o comunismo por aqui. Defendem as liberdades individuais, combatem tenazmente a corrupção organizada no poder, desprezam totalmente as lutas sociais, mostrando-se intolerante com o direito das minorias.”

É verdade que existe uma direita sem representação. Inclusive, boa parte dessa direita órfã votou em Aécio não por acreditar nele, mas por ser contra o PT. Mas é falso que exista um movimento intolerante que despreze as minorias. Existem divergências de ordem conceitual, o que é bem diferente. Também é falso que exista ação organizada para destruir o PT. Graziano falou de gente intolerante, eu sei, mas tomou a parte pelo todo. É como se eu dissesse que todo esquerdista é defensor da corrupção, uma vez que dirigentes do PT foram presos por esse tipo de crime. Ou que todos os que protestaram em junho de 2013 fossem partidários dos black blocs. Ou que todo torcedor é violento como facções de torcidas organizadas.

Há no texto de Graziano uma mistura entre fatos concretos e interpretações equivocadas, pois colocam o governo contra qual ele mesmo se opõe no papel de vítima de uma truculência que, na prática, não existe. A gestão Dilma não corre o risco de instabilidade política por causa desses gatos pingados que pedem a ditadura, mas por suas próprias ações, a começar pelo estelionato eleitoral relacionado à política fiscal. Vale lembrar: a presidente acusou adversários de planejarem aumento de juros e uma vez eleita, três dias depois, liberou o Banco Central (que não é independente) para anunciar o quê? Aumento de juros! Agora se as pessoas protestam, uns de forma correta, outros apelando a histrionismos, a responsabilidade é somente da Sra. Rouseff. Misturar alhos com bugalhos só beneficia o governo federal nesse momento de descrédito.

Dito isso, é correto afirmar que o PSDB é de esquerda. Quem duvida, basta ler Hélio Jaguaribe. Eu li. A social democracia, a meu ver, é uma esquerda ciente de que o marxismo é uma furada e que reconhece aspectos positivos no liberalismo, mas, ainda assim, uma esquerda genuína. Não é mais aquela social democracia de meados do século passado, mas uma versão, digamos assim, modernizada pelos tons rosas da “Terceira Via” de Anthony Giddens, Tony Blair, Bill Clinton e FHC. Não estou dizendo que PSDB e PT são iguais, nada disso. Existem matizes na esquerda e na direita. Há no PT um visível ranço autoritário típico de quem se considera o imperativo categórico da história, enquanto os tucanos ficam mais ao centro e, portanto, mais palatável ao direitista sem representação. De todo modo, quem diz que o PSDB é de direita é analfabeto político ou deturpa conceitos deliberadamente. E antes que me crucifixem no altar das heresias esquerdistas, cito aqui o maior santo dessa seita no Brasil, Lula da Silva:

“Pela primeira vez não vamos ter um candidato de direita na campanha. Não é fantástico isso? Vocês querem conquista melhor do que numa campanha neste país a gente não ter nenhum candidato de direita?” 

A frase foi dita em 15 de setembro de 2009, durante solenidade no IPEA (confira o vídeo aqui). Lula comentava sobre a eleição do ano seguinte, na qual sua escolhida, Dilma Rousseff, iria enfrentar Serra ou Aécio, pelo PSDB, além de Marina Silva pelo PV. Ciro Gomes corria por fora para tentar ser candidato pelo PSB, mas foi barrado pelo próprio partido.

Xico Graziano e Lula têm razão. A direita não tem partido formalizado. A direita no Brasil não tem candidato. Existem apenas indivíduos de direita. Graziano, como eu disse, toma delírios de radicais como se fossem expressão de um pensamento partidarizado. Lula ressuscita o fantasma dos “trogloditas da direita” quando lhe convém, mas sua opinião mesmo, da qual se orgulha e como vimos acima, é outra.

Por fim, Xico Graziano diz que é normal existirem as alianças eleitorais, e para tal existe o segundo turno. O problema surge quando os militantes da direita exigem que nós, os sociais democratas, encampemos sua ideologia, o que seria um absurdoNada contra. Mas o correto seria dizer isso antes das eleições. Aí, sim, seria bonito. Algo como: “Ei você que é anti-PT e de direita, não vote na gente pois também somos de esquerda. Vote nulo, pois ninguém aqui o representa”.

PS – 1. Sobre intervenção militar, sou absolutamente contra, por convicção. Não apenas aqui no Brasil, mas também em qualquer outro país, como em Cuba, por exemplo, ditadura militar financiada com ajuda do atual governo brasileiro e que é fetiche do esquerdismo nacional;
PS – 2. Pedir impeachment nas ruas não é crime, nem sinal de intolerância. Pelo menos, não era na época do ex-presidente Collor de Mello.

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Faça você também justiça com as próprias mãos: nas urnas!

Por Wanfil em Brasil

07 de Fevereiro de 2014

De uns tempos pra cá, no Brasil, diante da falta de resposta dos poderes públicos para inúmeros problemas, a moda agora é a do protesto violento, eufemisticamente chamado por aí de ativismo. Se um grupo é contra pesquisas com animais, que se quebrem laboratórios; se é contra os transgênicos, que se destruam plantações. E se o sujeito achar que a reforma agrária ainda não foi feita? Ora, é só invadir uma propriedade privada e coitado de quem for obrigado a cumprir uma reintegração de posse. O caseiro fez uma denúncia contra o ministro? É só violar o sigilo bancário dele. Os exemplos são muitos. Basta ter uma causa apresentada em linguagem politicamente correta.

Na verdade, não há diferença conceitual entre grupos de extermínio, Black Blocs, MST, ou a professora de filosofia da UECE que desacatou policiais no Cocó e agora foi indiciada por participação no incêndio criminoso na Prefeitura de Fortaleza: todos querem e agem nome de uma nova ordem, que aos seus olhos, é a mais justa. Variam apenas no grau das ilegalidades que praticam, e ai de quem não concordar.

A ordem e os justiçamentos
Agora assistimos a um debate sobre a ação de “justiceiros” que teriam capturado, espancado e deixado nu, preso a um poste, um adolescente acusado de praticar crimes no Rio de Janeiro. A jornalista Rachel Sherazade, do SBT, fez um comentário dizendo que a ação pode ser compreendida como “legítima defesa” de uma sociedade imersa em inacreditáveis índices de criminalidade. Por ser identificada como uma das porta-vozes da direita brasileira, os progressistas, carentes de alvos agora que são governo, aproveitaram a oportunidade e passaram a criticá-la, não sem razão. Ela pesou o tom. Sherazade é uma espécie de Jair Bolsonaro do jornalismo. Em vez de promover o que deveria ser um pensamento direitista, acaba queimando ainda mais o filme desse ideário pelo exagero com que às vezes aborda temas. Fosse um “rapper” a falar sobre a justiça das ruas, todos deitariam teses sociológicas sobre o negócio.

O fato é que um conservador ou um liberal de verdade se distinguem de ideais revolucionários justamente pela defesa intransigente da legalidade. Apostam em reformas, enquanto os demais acreditam em rupturas violentas. Justiça com as próprias mãos, no sentido de uso da força e da ilegalidade, é o pesadelo do direitista consciente. Só os radicais, por óbvia falta de sensatez e conhecimento de causa, advogam a derrocada da institucionalidade e da autoridade constituída.

Um vídeo divulgado pelo jornal Extra nesta quinta-feira (6) mostrando a execução, em via pública e à luz do dia, de um jovem na Baixada Fluminense, também no Rio, reforçou o alerta contra os chamados “justiçamentos”.

Em defesa do Estado de Direito
Nas redes sociais e portais da internet, os debates opõem a defesa dos direitos humanos contra a necessidade de se fazer algo contra a bandidagem. Poucos falam da ética intrínseca à legalidade, contrária aos julgamentos sumários e arbítrios passionais, por entender que pela própria natureza voluntarista que os anima, esses métodos acabam virando instrumento de perseguição sem distinção. Quem decide o que é crime ou quem é criminoso? Quem determina a pena? Se duas pessoas discordarem sobre algum ponto, quem fará a mediação? Para o legalista, é o Estado de Direito. Se ele é falho, cabe lutar pelo seu aprimoramento, dentro das regras estabelecidas. O parlamento existe para isso. Os tribunais superiores também.

Justiçamentos não são novidade, principalmente em áreas mais pobres das grandes cidades. Na falta de lei, a lei se faz assim, capenga, brutal. Conversava recentemente com um amigo jornalista aqui de Fortaleza, que me revelou o seguinte: sua esposa tem um comércio situado em bairro de periferia. Foi assaltada duas vezes. Depois um traficante da área “ofereceu” serviço de proteção. Evidentemente é caso de extorsão. Mas que vai denunciar algo assim? Os assaltos acabaram… Bandido que ataca comércio protegido por quadrilhas se dá mal. Rotina.

Nas nossas mãos
Os casos que agora chocam a classe média são mais um passo no processo de desmoralização das instituições. Quem ganha com isso? Quem enxerga nelas um obstáculo para o exercício poder. Sempre foi assim. Simples assim. Quem está no poder não se sente impelido a resolver a questão porque conta com esse clima de tensão para vender suas ideias. Em seus discursos, quem atrapalha a vida dos brasileiros é o STF, a imprensa, o Ministério Público, os órgãos de fiscalização e por aí vai.

A única forma real de justiça que um indivíduo pode exercer é justamente a que mais assusta quem tem a obrigação de preservar o aparato legal e institucional da nação: o voto. Esse é o melhor “justiçamento” a ser feito. É lá que esse descontentamento tem força. De resto, qualquer um que defenda ações violentas como forma legítima de reivindicar algo flerta com o perigo e não sabe.

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Faça você também justiça com as próprias mãos: nas urnas!

Por Wanfil em Brasil

07 de Fevereiro de 2014

De uns tempos pra cá, no Brasil, diante da falta de resposta dos poderes públicos para inúmeros problemas, a moda agora é a do protesto violento, eufemisticamente chamado por aí de ativismo. Se um grupo é contra pesquisas com animais, que se quebrem laboratórios; se é contra os transgênicos, que se destruam plantações. E se o sujeito achar que a reforma agrária ainda não foi feita? Ora, é só invadir uma propriedade privada e coitado de quem for obrigado a cumprir uma reintegração de posse. O caseiro fez uma denúncia contra o ministro? É só violar o sigilo bancário dele. Os exemplos são muitos. Basta ter uma causa apresentada em linguagem politicamente correta.

Na verdade, não há diferença conceitual entre grupos de extermínio, Black Blocs, MST, ou a professora de filosofia da UECE que desacatou policiais no Cocó e agora foi indiciada por participação no incêndio criminoso na Prefeitura de Fortaleza: todos querem e agem nome de uma nova ordem, que aos seus olhos, é a mais justa. Variam apenas no grau das ilegalidades que praticam, e ai de quem não concordar.

A ordem e os justiçamentos
Agora assistimos a um debate sobre a ação de “justiceiros” que teriam capturado, espancado e deixado nu, preso a um poste, um adolescente acusado de praticar crimes no Rio de Janeiro. A jornalista Rachel Sherazade, do SBT, fez um comentário dizendo que a ação pode ser compreendida como “legítima defesa” de uma sociedade imersa em inacreditáveis índices de criminalidade. Por ser identificada como uma das porta-vozes da direita brasileira, os progressistas, carentes de alvos agora que são governo, aproveitaram a oportunidade e passaram a criticá-la, não sem razão. Ela pesou o tom. Sherazade é uma espécie de Jair Bolsonaro do jornalismo. Em vez de promover o que deveria ser um pensamento direitista, acaba queimando ainda mais o filme desse ideário pelo exagero com que às vezes aborda temas. Fosse um “rapper” a falar sobre a justiça das ruas, todos deitariam teses sociológicas sobre o negócio.

O fato é que um conservador ou um liberal de verdade se distinguem de ideais revolucionários justamente pela defesa intransigente da legalidade. Apostam em reformas, enquanto os demais acreditam em rupturas violentas. Justiça com as próprias mãos, no sentido de uso da força e da ilegalidade, é o pesadelo do direitista consciente. Só os radicais, por óbvia falta de sensatez e conhecimento de causa, advogam a derrocada da institucionalidade e da autoridade constituída.

Um vídeo divulgado pelo jornal Extra nesta quinta-feira (6) mostrando a execução, em via pública e à luz do dia, de um jovem na Baixada Fluminense, também no Rio, reforçou o alerta contra os chamados “justiçamentos”.

Em defesa do Estado de Direito
Nas redes sociais e portais da internet, os debates opõem a defesa dos direitos humanos contra a necessidade de se fazer algo contra a bandidagem. Poucos falam da ética intrínseca à legalidade, contrária aos julgamentos sumários e arbítrios passionais, por entender que pela própria natureza voluntarista que os anima, esses métodos acabam virando instrumento de perseguição sem distinção. Quem decide o que é crime ou quem é criminoso? Quem determina a pena? Se duas pessoas discordarem sobre algum ponto, quem fará a mediação? Para o legalista, é o Estado de Direito. Se ele é falho, cabe lutar pelo seu aprimoramento, dentro das regras estabelecidas. O parlamento existe para isso. Os tribunais superiores também.

Justiçamentos não são novidade, principalmente em áreas mais pobres das grandes cidades. Na falta de lei, a lei se faz assim, capenga, brutal. Conversava recentemente com um amigo jornalista aqui de Fortaleza, que me revelou o seguinte: sua esposa tem um comércio situado em bairro de periferia. Foi assaltada duas vezes. Depois um traficante da área “ofereceu” serviço de proteção. Evidentemente é caso de extorsão. Mas que vai denunciar algo assim? Os assaltos acabaram… Bandido que ataca comércio protegido por quadrilhas se dá mal. Rotina.

Nas nossas mãos
Os casos que agora chocam a classe média são mais um passo no processo de desmoralização das instituições. Quem ganha com isso? Quem enxerga nelas um obstáculo para o exercício poder. Sempre foi assim. Simples assim. Quem está no poder não se sente impelido a resolver a questão porque conta com esse clima de tensão para vender suas ideias. Em seus discursos, quem atrapalha a vida dos brasileiros é o STF, a imprensa, o Ministério Público, os órgãos de fiscalização e por aí vai.

A única forma real de justiça que um indivíduo pode exercer é justamente a que mais assusta quem tem a obrigação de preservar o aparato legal e institucional da nação: o voto. Esse é o melhor “justiçamento” a ser feito. É lá que esse descontentamento tem força. De resto, qualquer um que defenda ações violentas como forma legítima de reivindicar algo flerta com o perigo e não sabe.