Enade Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Enade

Prova do Enade para avaliar estudantes de jornalismo diz que sociedade civil quer regular a imprensa

Por Wanfil em Ideologia

29 de novembro de 2012

Questão discursiva nº 5 do Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade), do caderno de Comunicação Social – Jornalismo), realizado no último domingo (clique na imagem para ampliá-la):

Indução descarada

O exame se propõe a avaliar a qualidade do ensino superior no Brasil. Em tese, o aluno pode discordar do enunciado da questão; na prática, o conjunto é induz a uma resposta. Se o objetivo fosse incentivar o raciocínio crítico livre, o correto seria a apresentação de uma segunda opinião contrária à primeira para que o aluno, diante dos argumentos confrontados, expusesse o seu pensamento. O velho silogismo da tese, antítese e síntese. Isso é tão óbvio que os próprios autores do exame procuram se eximir de qualquer suspeita avisando que “o texto acima têm caráter unicamente motivador”. O cinismo, às vezes,  equivale a confissão de culpa.

Qual aluno, sendo testado, diria que um texto escolhido como referência para uma questão dissertativa, supostamente escolhido com base nos critérios mais isentos, não passa de um panfleto ideológico? Nesses casos, a tendência é justamente a de buscar alinhamento para agradar. Qual aluno diria que a primeira assertiva do texto é uma cascata e que a sociedade civil nada representa senão interesses localizados e bem particulares? Por que apostariam na polêmica, podendo aderir ao clichês seguros de sempre? Ademais, o texto reproduz a cantilena repetida por doutrinadores de esquerda que aparelham o sistema de educação brasileiro, fazendo propaganda, inclusive, do Fórum Mundial Social, o convescote que nunca criou uma mísera solução para problema algum.

O truque

Vejam como esse terreno é movediço. Quem é a sociedade civil? Você, leitor, já autorizou alguma entidade privada a falar por você? “Sociedade civil organizada”, aliás, é um termo utilizado pelo comunista Antônio Gramsci para designar um conjunto de organizações a serviço de uma agenda proposta por um partido político. Em outras palavras, é o braço civil de um grupo de militância ideológica. São militantes camuflados. Uma boa pista disso é a inútil distinção de gênero “todos e todas” (bastaria todos), que tem DNA bem conhecido nos “coletivos” da vida.

Sempre que alguém falar em “sociedade civil”, troque a expressão por um partido de esquerda e você saberá quais interesses estão em jogo. Por que ninguém lê algo como: “A sociedade civil comemora a prisão de José Dirceu”? Ou: “A luta da sociedade civil agora é provar que o presidente Lula sabia do mensalão”? E que tal: “A sociedade civil parabeniza a imprensa por cobrir os escândalos do governo”?. Simples, porque a sociedade civil – sindicatos e movimento estudantil, entre outros – é instrumento político a serviço de José Dirceu, Lula da Silva e seu partido.

Portanto, quem deseja o marco regulatório para a imprensa não são as pessoas que acordam de manhã para trabalhar, mas o grupo de ativistas mobilizados, nesse caso em particular, pelo Partido dos Trabalhadores, sigla que está no poder e que sofre perda de credibilidade por causa das revelações de suas heterodoxias éticas. A regulamentação, uma vez inserida no contexto de chavões bem conhecidos, é desculpa para atacar um alvo é certo: a liberdade de imprensa. Hugo Chavez, Cristina Kirchner, Fidel Castro e Mahmoud Ahmadinejad, poderiam muito bem assinar o texto indutor da questão 5.

Enade aparelhado

O aparelhamento do Enade como peça de doutrinação é apenas mais um esforço no sentido de pressionar os veículos de comunicação que incomodam o poder. O exame foi repleto de citações outras, sempre de petistas e marxistas como o economista Paul Singer e o geógrafo Milton Santos (clique aqui para ver a prova na íntegra).

Os universitários avaliados provavelmente se sairão bem na prova, uma vez que foram adestrados em marxismo desde a educação infantil. E o governo dirá que a qualidade do ensino está aumentando.

Já vejo as declarações em tom triunfal proferidas pelo ministro Aloísio Mercadante, o mesmo envolvido no escândalo do aloprados, para forjar dossiês contra adversários, o mesmo que toma decisões em caráter irrevogável, para no dia seguinte voltar atrás. O triunfo não será da educação formal, que visa a alta cultura, mas do proselitismo que transforma indivíduos em seres diluídos na figura amorfa da tal “sociedade civil organizada”.

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Prova do Enade para avaliar estudantes de jornalismo diz que sociedade civil quer regular a imprensa

Por Wanfil em Ideologia

29 de novembro de 2012

Questão discursiva nº 5 do Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade), do caderno de Comunicação Social – Jornalismo), realizado no último domingo (clique na imagem para ampliá-la):

Indução descarada

O exame se propõe a avaliar a qualidade do ensino superior no Brasil. Em tese, o aluno pode discordar do enunciado da questão; na prática, o conjunto é induz a uma resposta. Se o objetivo fosse incentivar o raciocínio crítico livre, o correto seria a apresentação de uma segunda opinião contrária à primeira para que o aluno, diante dos argumentos confrontados, expusesse o seu pensamento. O velho silogismo da tese, antítese e síntese. Isso é tão óbvio que os próprios autores do exame procuram se eximir de qualquer suspeita avisando que “o texto acima têm caráter unicamente motivador”. O cinismo, às vezes,  equivale a confissão de culpa.

Qual aluno, sendo testado, diria que um texto escolhido como referência para uma questão dissertativa, supostamente escolhido com base nos critérios mais isentos, não passa de um panfleto ideológico? Nesses casos, a tendência é justamente a de buscar alinhamento para agradar. Qual aluno diria que a primeira assertiva do texto é uma cascata e que a sociedade civil nada representa senão interesses localizados e bem particulares? Por que apostariam na polêmica, podendo aderir ao clichês seguros de sempre? Ademais, o texto reproduz a cantilena repetida por doutrinadores de esquerda que aparelham o sistema de educação brasileiro, fazendo propaganda, inclusive, do Fórum Mundial Social, o convescote que nunca criou uma mísera solução para problema algum.

O truque

Vejam como esse terreno é movediço. Quem é a sociedade civil? Você, leitor, já autorizou alguma entidade privada a falar por você? “Sociedade civil organizada”, aliás, é um termo utilizado pelo comunista Antônio Gramsci para designar um conjunto de organizações a serviço de uma agenda proposta por um partido político. Em outras palavras, é o braço civil de um grupo de militância ideológica. São militantes camuflados. Uma boa pista disso é a inútil distinção de gênero “todos e todas” (bastaria todos), que tem DNA bem conhecido nos “coletivos” da vida.

Sempre que alguém falar em “sociedade civil”, troque a expressão por um partido de esquerda e você saberá quais interesses estão em jogo. Por que ninguém lê algo como: “A sociedade civil comemora a prisão de José Dirceu”? Ou: “A luta da sociedade civil agora é provar que o presidente Lula sabia do mensalão”? E que tal: “A sociedade civil parabeniza a imprensa por cobrir os escândalos do governo”?. Simples, porque a sociedade civil – sindicatos e movimento estudantil, entre outros – é instrumento político a serviço de José Dirceu, Lula da Silva e seu partido.

Portanto, quem deseja o marco regulatório para a imprensa não são as pessoas que acordam de manhã para trabalhar, mas o grupo de ativistas mobilizados, nesse caso em particular, pelo Partido dos Trabalhadores, sigla que está no poder e que sofre perda de credibilidade por causa das revelações de suas heterodoxias éticas. A regulamentação, uma vez inserida no contexto de chavões bem conhecidos, é desculpa para atacar um alvo é certo: a liberdade de imprensa. Hugo Chavez, Cristina Kirchner, Fidel Castro e Mahmoud Ahmadinejad, poderiam muito bem assinar o texto indutor da questão 5.

Enade aparelhado

O aparelhamento do Enade como peça de doutrinação é apenas mais um esforço no sentido de pressionar os veículos de comunicação que incomodam o poder. O exame foi repleto de citações outras, sempre de petistas e marxistas como o economista Paul Singer e o geógrafo Milton Santos (clique aqui para ver a prova na íntegra).

Os universitários avaliados provavelmente se sairão bem na prova, uma vez que foram adestrados em marxismo desde a educação infantil. E o governo dirá que a qualidade do ensino está aumentando.

Já vejo as declarações em tom triunfal proferidas pelo ministro Aloísio Mercadante, o mesmo envolvido no escândalo do aloprados, para forjar dossiês contra adversários, o mesmo que toma decisões em caráter irrevogável, para no dia seguinte voltar atrás. O triunfo não será da educação formal, que visa a alta cultura, mas do proselitismo que transforma indivíduos em seres diluídos na figura amorfa da tal “sociedade civil organizada”.