Eleições 2014 Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Eleições 2014

Suposta quebra de sigilo de Camilo e Cid repercute na Assembleia Legislativa do Ceará

Por Wanfil em Assembleia Legislativa

08 de Março de 2019

Heitor Férrer sugeriu que a notícia do jornal O Globo fosse acompanhada de perto. É o mínimo que se espera do parlamento. (Foto: Edson Júnior Pio /AL)

O deputado estadual Heitor Férrer (SD) comentou – apenas comentou – no plenário da Assembleia Legislativa, na quinta-feira (7), a respeito de uma matéria do jornal O Globo sobre a quebra dos sigilos fiscal e bancário do governador Camilo Santana e do senador Cid Gomes, por determinação da Justiça Federal do Ceará. Segundo Heitor, é preciso “acompanhar de perto para chegarmos à verdade, doa a quem doer”.

Tudo isso por causa de um inquérito que investiga um suposto propinoduto para financiar campanhas eleitorais no Ceará com dinheiro público do Fundo de Desenvolvimento da Indústria (FDI), intermediado pela J&F, conforme delação dos notórios Joesley e Wesley Batista. Outras 66 pessoas estariam envolvidas. Em nota para o portal Tribuna do Ceará, Camilo e Cid afirmaram desconhecer a decisão.

Voltando ao plenário da Assembleia, os deputados Julio César Filho (PPS), Sérgio Aguiar (PDT) e Romeu Aldigueri (PDT), da base aliada, questionaram a veracidade da notícia.

Júlio César disse que a matéria não expôs as fontes da informação. Não é bem assim que funciona, deputado. Sem o sigilo da fonte, por exemplo, o Washington Post não teria revelado o Watergate. Sérgio Aguiar, seguindo o exemplo de São Tomé, foi cético: “Não vi em nenhum momento qualquer letra que fosse, assinada por qualquer juiz, de quebra de sigilo fiscal e bancário dessas duas autoridades que reputo de grande relevância”. Tudo bem, cada um com suas incredulidades. E Romeu Aldigueri, cuidadoso como os demais, lembrou que “vivemos num mundo de fake news“.

Os deputados disseram ainda que governadores e senadores só podem ser processados pelo STJ e pelo STF. Não sou jurista, mas à época do esquema denunciado pelos irmãos Batista, em 2014, Camilo não era governador e Cid não era senador. E se não me engano, em 2018 o STF decidiu que o foro privilegiado para deputados e senadores só vale para casos ocorridos no exercício do cargo. O novo entendimento pode ser estendido a outras autoridades.

De todo modo, no que diz respeito ao papel da Assembleia Legislativa, a questão não é essa. O parlamento tem a prerrogativa e o dever de fiscalizar o Executivo, e portanto, o uso dos recursos do FDI, afinal, realmente a J&F recebeu R$ 95 milhões em créditos fiscais após doar R$ 20 milhões para campanhas. É muito dinheiro e muita coincidência. Por isso mesmo, o parlamento poderia solicitar informações aos órgãos responsáveis e pelo menos confirmar – ou não – a existência do inquérito, mesmo que corra em segredo de justiça. Se não houve nada de errado, o melhor para os implicados é passar tudo a limpo o mais rápido possível. Não é?

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JBS está entre os maiores doadores de campanha também no Ceará

Por Wanfil em Corrupção

18 de Maio de 2017

As primeiras informações sobre a delação premiada de Joesley Batista, dono da JBS, atingem diretamente o presidente Michel Temer (PMDB), Aécio Neves (PSDB) e Guido Mantega (PT). Existe, porém, a expectativa de que muitos outros políticos – de todo o Brasil – tenham sido ou ainda sejam mencionados pelo empresário.

A JBS ostenta o título de maior doadora de campanhas em 2014, com R$ 366,8 milhões (39,56% do lucro líquido registrado em 2013), à frente até da Odebrecht, que doou R$ 111 milhões. A empresa também está entre as maiores doadoras de campanhas no Ceará no mesmo ano, conforme registros publicados no site do TSE.

Ao todo, oficialmente, foram R$ 13,8 milhões entre doações diretas aos candidatos ou aos comitês eleitorais de seus partidos ou coligações. A maior parte das doações foram para Camilo Santana, do PT, que recebeu R$ 7,3 milhões. Em segundo lugar ficou o senador Eunício Oliveira, do PMDB, com R$ 3,5 milhões.

Entre deputados federais e estaduais estão registradas doações para Antonio Balhman (então no Pros e hoje no PDT), com R$ 1,6 milhão; Gorete pereira (PR), com R$ 700 mil; Gelson Ferraz (PRB), com R$ 500 mil; Ronaldo Martins (PRB), também com R$ 500 mil; Francisco Pinheiro (PT), com R$ 300 mil; Zezinho Albuquerque (Pros/PDT), com R$ 100 mil; Leônidas Cristino (Pros/PDT), com R$ 43 mil; André Figueiredo (PDT), com R$ 100 mil; e Ivo Gomes (Pros/PDT), com R$ 385 mil. Também foi registrada doação para Mauro Filho (Pros/PDT), candidato ao Senado, no valor aproximado de R$ 350 mil.

Todas essas são doações devidamente declaradas ao TSE. Muito candidatos, inclusive, receberam o dinheiro por repasse das campanhas de seus candidatos ao governo estadual. Por último, não há crime em receber dinheiro da JBS, a não ser que a delação de Joesley aponte eventuais desvios de dinheiro obtido com empréstimos no BNDES para financiar campanhas. Mas isso, por enquanto, é só especulação.

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Em defesa de Dilma: pacote de maldades mostra que presidenta é mais uma vítima da propaganda eleitoral

Por Wanfil em Política

20 de Janeiro de 2015

Com a economia no buraco, o governo Dilma tomou medidas para tentar salvar as contas públicas, severamente comprometidas nos últimos quatro anos. O IOF passou de 1,5% para 3%; as alíquotas sobre importados subiram de 9,25% para 11,75%; o reajuste de 6,5% na tabela do Imposto de Renda foi vetado (em breve quem ganha salário mínimo pagará IR no Brasil); o PIS/Cofins sobre gasolina e diesel aumentou; combustíveis terão mais um imposto com o ressurgimento da Cide. A esse conjunto podemos somar ações anunciadas recentemente, como cortes em benefícios previdenciários e trabalhistas; aumento na taxa Selic, na energia e nos juros para crédito imobiliário.

Como tudo isso vai na contramão do que foi prometido na campanha eleitoral, os defensores da presidente andam calados e seus críticos cobram a fatura da incoerência. Aliás, a própria Dilma ainda não falou sobre as medidas, tamanho o constrangimento. Cadê a líder segura e sem medos da campanha eleitoral? Pois é, essa é a chave para compreendermos como chegamos a esse ponto.

De que forma Dilma chegou ao poder? Neófita na política, sem formação adequada ou experiência relevante no setor privado, carente de liderança, ela acreditou na personagem criada por Lula e seus marqueteiros: a Dilma eficiente. Assim como milhões de brasileiros, a ex-guerrilheira acreditou ser mesmo uma grande gestora. Uma vez Collor de Mello acreditou ser realmente um “caçador de marajás” e deu no que deu. Não se trata de ingenuidade, mas de falta de senso crítico. Lula também não tinha preparo técnico, nem experiência administrativa. Tinha liderança política e sagacidade. Ciente disso, manteve a política econômica de FHC e deu carta branca para o então tucano Henrique Meireles no Banco Central. Também fez o contrário do que pregou a vida toda, mas nesse caso, preservou as conquistas do Plano Real e aumentou programas assistencialistas, seus maiores trunfos para eleger uma sucessora sem brilho próprio. Muita gente acha isso genial, eu acho picaretagem, mas essa é outra história.

Em defesa de Dilma é possível alegar que a fantasia da personagem autossuficiente e preparadíssima escolhida pelo ex-presidente visionário foi incorporada a ponto de se tornar em uma segunda natureza. Atores profissionais podem entrar em seus papéis, mas depois voltam a si. Com Dilma isso não aconteceu e sua persona fictícia assumiu o lugar da verdadeira: saiu a aspone que vivera de indicações políticas, entrou a executiva fantástica. Acontece que os fatos se impõem. O inepto, ainda que acredite ser apto, será desmentido por seus resultados.

É claro que quando falo em defesa, estou sendo irônico. Dilma acreditou nessa construção que fizeram porque isso a interessava. Sabia se tratar de uma criação, tinha conhecimento de que o Brasil supimpa cantado em verso e prosa por João Santana era falso como um balanço da Petrobras. Tanto que escondeu números durante a campanha. Na verdade, tinha total consciência de que as coisas eram muito piores do que os “pessimistas” imaginavam. Assim, ao contrário de parte de seus eleitores, ela não pode fugir da responsabilidade alegando mero engano.

Ao nomear Joaquim Levy para a Fazenda e consentir com o pacote ortodoxo agora anunciado para tirar a economia do caminho que ela mesma a conduziu, Dilma dá sinais de que talvez – talvez! – tenha começado a suspeitar que por debaixo daquele verniz de eficiência apresentado na propaganda eleitoral, exista mesmo uma gestora inepta ou – o que é mais provável -, pelo menos falível. O problema é que agora é tarde e a conta será paga pelos brasileiros. E olha que nem falamos de corrupção.

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E você que brigou por causa de candidato, com que cara fica agora?

Por Wanfil em Eleições 2014

07 de novembro de 2014

Durante a campanha eleitoral – e vou me ater aqui apenas à disputa presidencial, muita gente encarnou o clima de vale tudo dos programas eleitorais e mandou ver nas redes sociais. Ofensas e melindres estremeceram muitas amizades. A justificativa, de modo geral, era de que acima de tudo estava em jogo o futuro do Brasil, nessa guerra entre bons (os que votariam no mesmo candidato) e maus (os que votariam nos adversários).

Vi, por exemplo, muitos amigos meus brigando com outros amigos em comum na defesa da candidata Dilma Rousseff (PT) contra o retrocesso que representariam as candidaturas de Aécio Neves (PSDB) e Marina Silva (PSB). E vice-versa. O fim da história, todos sabemos: Dilma ganhou com pequena margem.

Mas na campanha, abatida ainda no primeiro turno, Marina foi acusada de estar a serviço de banqueiros, pois uma de suas coordenadoras de campanha, a educadora Neca Setúbal, é uma das herdeiras do banco Itaú. É antológica a propaganda em que a comida desaparecia do prato da família pobre, enquanto o narrador acusava a candidata adversária de estar a serviço dos bancos. Foi uma forma engenhosa (muitos consideram desonesta) de dizer que política econômica que se vale de aumento de juros só beneficia os mais ricos. O vídeo foi compartilhado sem reservas como prova de que Marina era um embuste. Já Aécio, derrotado no segundo turno, representava o (ai, meu Deus!) neoliberalismo que teria “quebrado o Brasil três vezes”! Seria, portanto, a reedição de uma política econômica que não saber fazer outra coisa senão aumentar juros para combater a inflação, sacrificando o consumo dos mais pobres no altar do mercado financeiro. A solução? Dilma.

Pois bem, passadas as eleições, ver agora a presidente fazer o inverso do que anunciou a candidata me constrange na medida em que me desses amigos queridos, que agora pouco se manifestam.

Vamos a alguns exemplos: após a eleição, o governo Dilma (garantia de que a pobreza continuaria diminuindo, diziam seus entusiastas) liberou o anúncio de dados oficiais que foram proibidos de serem divulgados para não atrapalhar a campanha. A saber: o déficit nas contas públicas é recorde, a presidente não conseguirá cumprir a meta fiscal de 2014, a pobreza voltou a crescer, segundo informações do IPEA e do IBGE. Reeleita, só então Dilma confessou que realmente a inflação é um problema urgente e que por isso apoia o… aumento de juros decidido pelo Banco Central! Lembram da discussão sobre a independência do BC? Pois é. E ainda tem o aumento de preços represados dos combustíveis e da energia elétrica. Esse conjunto de ações basta para comprovar que estamos diante de um dos maiores estelionatos eleitorais da história do Brasil. Só perde, a meu juízo, para o Plano Cruzado, do governo Sarney.

Já pelo lado da oposição, é mais difícil cobrar coerência, pois, afinal, perderam e não podem por à prova o que prometeram fazer (ou não fazer). De todo modo, ser oposição não significa ausência de responsabilidade. O noticiário dá conta de um suposto acordo entre PT e PSDB para preservar alguns de seus membros na CPI da Petrobras, no Congresso Nacional. Os tucanos negam, os petistas alardeiam, como a mostrar: viram, são iguais a nós! O fato é que políticos deixaram de ser convocados para prestar depoimentos. Aécio já disse que acordos assim são inaceitáveis e tal. Seus eleitores aguardam cenas dos próximos capítulos, temerosos de que a mudança prometida acabe em piza. Dilma não se pronunciou a respeito, mas na campanha, Dilma disse que sobre a corrupção na Petrobras, seu governo iria “até o fundo, doa a quem doer”. Não foi o que se viu na CPI.

É isso. Como é que a gente fica? Como é que ficam os que desfizeram laços de amizade por acreditar em discurso de político em campanha eleitoral? O calor dos debates acalorados deu lugar agora, especialmente por parte de quem votou em Dilma, a um silêncio desconfiado. Hora de cada um perguntar a si mesmo: E aí, valeu a pena?

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Refinaria no Ceará adiada logo após a eleição? Não seria a primeira vez…

Por Wanfil em Economia

30 de outubro de 2014

Não é oficial, mas segundo a agência de notícia Reuters, a Petrobras estuda adiar mais uma vez o projeto da refinaria Premium II, no Ceará. Entre os motivos estariam os escândalos de corrupção e problemas de mercado. Pode ser, pode não ser; ninguém confirma, muito menos nega. O fato é que devido ao histórico de adiamentos da obra que nunca saiu do papel (lá se vão quase dez anos), a gente acaba desconfiando, não é mesmo?

Vez por outra, com especial ênfase nos anos eleitorais, os governos federal e estadual realizaram reuniões, assinam documentos, falam em parcerias com o setor privado, tudo para mostrar que algo está sendo feito. Apesar de tanto alarde, o tempo passa e nada de concreto acontece. Nadinha. Chegou a um ponto em que a situação começou a constranger os aliados locais de Lula e Dilma, autores da promessa. A distância entre o que é anunciado e o que (não) é entregue passou a soar como falta de prestígio. Eduardo Campos conseguiu uma refinaria da Petrobras para Pernambuco…

Nesse sentido, desde o ano passado uma caravana organizada pela Assembleia Legislativa, sob a presidência do deputado Zezinho Albuquerque (PROS), percorre cidades do interior para cobrar a refinaria, embora a obra não tenha nada a ver com o legislativo estadual. Ocorre que nas vezes em que Dilma esteve no Ceará durante esse período, ninguém deu um pio, o assunto passou batido e ficou tudo por isso mesmo. Essa postura valente de longe e calada de perto explica em grande medida o descaso do Planalto com o Ceará: base de apoio é dócil, mansa e politicamente irrelevante em Brasília, não é prioridade.

Como a notícia, mesmo não sendo oficial, já repercute no país, cabe ao governador Cid Gomes e ao governador eleito Camilo Santana, além da bancada cearense no Congresso, pedirem um esclarecimento à Petrobras: afinal, vai fazer ou não? E quando? É preciso mostrar ao governo federal que o Ceará não se contenta apenas com Bolsa Família, já que o Estado fez a sua parte para receber a refinaria anunciada. É muito cômodo para Lula e Dilma usar a Petrobras para fins políticos e eleitorais, mas na hora de cumprir a palavra, alegar questões de mercado. Vale lembrar que ninguém está pedindo esmolas ou favores, mas exigindo respeito. Os cearenses são credores de uma promessa que vem sendo feita reiteradamente eleição após eleição, mas que nunca vira realidade.

Promessa é dívida.

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Dilma reeleita, Camilo governador: depois da festa, os desafios

Por Wanfil em Eleições 2014

26 de outubro de 2014

Nas eleições mais acirradas desde 1989, a presidente Dilma Rousseff, do PT, foi reeleita para mais quatro anos de mandato, com 51% dos votos, contra 48% de Aécio Neves, do PSDB, em números arredondados. No Ceará o petista Camilo Santana foi eleito para o governo do estado com 53%, contra 46% de Eunício oliveira, do PMDB.

Parabéns, claro, aos eleitores, que apesar do clima acirrado, sabem sempre aceitar com tranquilidade o resultado das urnas. Parabéns também aos eleitos, que conseguiram vitórias apertadas, mas ainda assim, vitórias. Entretanto, sem desmerecer os escolhidos, o fato de as eleições terem sido decididas somente no segundo turno e por uma diferença tão pequena de votos precisa ser levado em consideração, pois os cenários políticos no Brasil e no Ceará saem bastante alterados. A oposição cresceu nas casas legislativas e a divisão manifestada nas urnas projeta um ambiente de cobranças intensas sobre as gestões que iniciam em 2015.

O momento, para os vencedores, é de comemoração, mas na política não existem vácuo ou pausa. Por isso os partidos governistas certamente já iniciam movimentações em busca de espaços nos novos arranjos de poder. Mesmo no caso de Dilma, que já tem uma estrutura formada, uma vez que a presidente prometeu mudanças na equipe, notadamente na área econômica.

Como as eleições mostraram o eleitorado dividido, esses aliados, que se unem a qualquer governo por conveniência e não por convicção, sabem que gestões eleitas com dificuldade e com oposição maior ficam mais dependentes da boa vontade deles, na medida em que não possuem apoio massivo da população, ao mesmo tempo em que precisam dar respostas para questões levantadas na eleição, especialmente, de novo, na economia (crescer e manter os empregos preservando ganhos reais para o salário mínimo, sem inflação e sem aumentar os juros). Em outras palavras, Dilma deverá manter boa parte de sua base de apoio, mas essa exigirá novos cargos e verbas (“mais participação nas políticas públicas”, dizem seus líderes) para dar maioria à presidente no Congresso.

Camilo Santana precisa acomodar o PT e o Pros no governo do Estado. Parece simples, mas não é. Existem secretarias estratégicas, com maior volume de recursos e potencial eleitoral. Evidentemente, haverá disputa por essas pastas.

A formação das equipes e a distribuição dos cargos serão os primeiros sinais que os eleitos darão à população sobre os rumos dos seus governos. Mas isso fica para as próximas semanas.

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Pesquisas lavam as mãos e agora é com você eleitor: Eunício ou Camilo? Aécio ou Dilma?

Por Wanfil em Pesquisa

26 de outubro de 2014

Diversos institutos de pesquisa divulgaram levantamentos na véspera das eleições mostrando um situação de absoluta incerteza quanto ao resultado final para o governo do Ceará e para a Presidência da República. Alguns institutos divergem e outros mudam cenários numa dança de números que acrescenta mais emoção a esta que já pode ser considerada a mais disputada de todas as eleições.

No Ceará
Para o governo estadual, o Datafolha, contratado pelo jornal O Povo, mostra números que pulverizam o favoritismo do petista Camilo Santana em relação ao peemedebista Eunício Oliveira apontado, em seu levantamento anterior. Já no Ibope, contratado pela TV Verdes Mares, tudo segue indefinido, em situação de empate técnico.

No dia 16 de outubro o Ibope mostrava Camilo com 51% e Eunício com 49; no dia 25 o placar é de 52% a 48%. A variação, portanto, se dá dentro da margem de erro, que é de três pontos percentuais.

O Datafolha realizou mais pesquisas, mostrando uma movimentação intensa do eleitorado. No dia 15 Camilo tinha 53%, saltou para 57% no dia 22, quando muitos passaram a acreditar que não havia mais como o adversário reagir, mas agora no dia 25 o petista cai cinco pontos e aparece com 52%. Já Eunício, que tinha 47% no dia 15 e 43% no dia 22, ressurge como surpresa no sábado que precede a eleição, com 48%.

O Ibope mostra estabilidade, mas a distância entre seus levantamentos pode ter deixado de captar eventuais subidas e descidas nesse meio tempo. O Datafolha preocupa mais os governistas, na medida em que aponta uma forte tendência de crescimento de Eunício e de descida de Camilo, bem acima da margem de erro de dois pontos percentuais: a diferença que era de 14 pontos caiu para 4! O que poucos dias atrás parecia definido, agora é dúvida. Se o Datafolha realmente captou uma onda pró-Eunício, somente no final do dia saberemos.

No Brasil
Para as eleições presidenciais, tudo é suspense. Pesquisas mostrando Aécio ou Dilma na frente, não faltam, basta ver o noticiário. No geral, a tendência do início da semana, quando Dilma apareceu à frente no Ibope e Datafolha, se inverteu e Aécio aparece agora em ascendência, voltando a empatar o jogo. Percebe-se medo entre os que desejam a reeleição da presidente e esperança entre os que preferem Aécio.

A disputa de de tal forma intensa que, tudo indica, a mínima diferença metodológica já altera o resultado dessas amostragens. Os institutos estão sob severa crítica. O fato é que numa eleição disputada voto a voto, a imponderabilidade aumenta demais.

Fatores como a regionalização da abstenção ou a definição de última hora dos indecisos (ou então, uma opção de quem se dizia decidido mas que depois resolve votar nulo, ou o nulo que decide por um dos candidatos), qualquer movimento desses podem fazer a diferença. A rigor, diante dessa dança de números e alternância de tendências, a única pesquisa realmente exata será feita neste domingo: a das urnas!

 

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O oráculo das pesquisas e o frenesi eleitoral

Por Wanfil em Eleições 2014

24 de outubro de 2014

Quanto mais próximo fica o dia da decisão nas urnas, maior é a ansiedade geral pelas revelações das pesquisas eleitorais, esses oráculos da cultura empirista. Entre militantes partidários e ocupantes de cargos comissionados a expectativa pode degenerar até em manifestações de histeria nas redes sociais. Para os demais torcedores, fica o frenesi típico das competições. Para a satisfação desse público ávido por indícios de vitória para os seus preferidos ou de derrota para os adversários, uma saraivada de levantamentos realizada nesta semana.

Para a Presidência da República, Ibope e Datafolha mostram que Dilma Rousseff (PT) abriu uma vantagem sobre Aécio Neves (PSDB) que supera as margens de erro de cada instituto. Margens de erro, vale lembrar, bastante questionadas por todos, uma vez que os erros têm avançado para muito além dessas margens em eleições recentes.

Contando apenas os votos válidos, o Ibope mostra a petista com 54%, contra 46% de Aécio. No Datafolha, o placar é de 53% a 47%. Pesquisas não revelam o futuro, claro, mas captam tendências do presente, a partir das quais é possível fazer projeções que são, no fundo, apostas. Nesse sentido, servem para ajustar propagandas e a comunicação de candidaturas. É como tirar uma fotografia na ventania: tudo está em movimento o tempo todo e o que parece ir para um lado, de repente, pode ir para outro. Dilma, por exemplo, ganhou no primeiro turno, depois Aécio a ultrapassou no início do segundo turno e agora a presidente volta à liderança. Haverá tempo para uma nova troca de posições? Só as urnas dirão. Essas essas amostragens já foram traídas pelos eleitores nesta mesma eleição.

Até certo ponto, essa imprevisibilidade tem alimentado também uma disposição para o vale-tudo eleitoral. O governo federal impediu, nesta semana, a divulgação de números sobre a pobreza e a educação, levantando suspeitas de que não seriam bons para a candidata oficial.

No Ceará, uma pesquisa Datafolha encomendada pelos jornais Folha de São Paulo e O Povo mostra Camilo Santana (PT) com 57% e Eunício Oliveira (PMDB) com 38%. Aí já se trata de uma distância considerável, mas que não serve de antecipação de resultado, uma vez que destoa do equilíbrio que caracterizou a disputa na últimas quatro semanas.

Todo cuidado é recomendado para não confundir pesquisa com eleição. Não estou aqui desconfiando de nada. Acredito que os institutos busquem fazer o melhor que podem, pois vivem da credibilidade que conquistam. O problema é que as últimas eleições mostraram que boa parte dos eleitores deixa para consolidar suas escolhas no dia de votar. Além dessa variável, digamos, cultural, é preciso considerar as abstenções, que podem atingir as candidaturas de forma diferente, com maior ou menor intensidade.

É isso. Os institutos de pesquisa captam tendências, mas estas, pelo que temos visto, podem mudar bastante em curto espaço de tempo. Foi assim no primeiro turno. Pesquisas eleitorais são como previsões meteorológicas: tem ciência, mas são demasiadamente imprecisas por conta do imponderável. Por isso a tensão continuará grande até o próximo domingo.

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Esqueça o “se bater, perde”, a moda agora é “desconstruir” o adversário

Por Wanfil em Eleições 2014

21 de outubro de 2014

Os brasileiros acostumaram-se com a regra de ouro do publicitário Duda Mendonça para campanhas eleitorais: quem bate, perde. Foi assim que ele criou o personagem “Lulinha Paz e Amor”, para eleger até então candidato petista derrotado três vezes para a Presidência da República. O resto da história todos conhecem e Duda lucrou bastante com recursos não contabilizados pagos a sua  empresa offshore Dusseldorf, com sede nas Bahamas.

Ocorre que esse modelo só funciona em condições específicas de temperatura e pressão. Se o candidato estiver com vantagem relativamente segura, acima da margem de erro, a crítica mais incisiva não rende, pois antipatiza o emissor e vitimiza o oponente. Trocando em miúdos, fica a impressão de quem está atrás apelou para o jogo sujo. No entanto, como estamos vendo neste exato instante, se a disputa está acirrada, com candidatos tecnicamente empatados dependendo dos eleitores indecisos, a coisa muda de figura e surge então o recurso da “desconstrução do adversário”.

Por desconstruir o adversário entenda-se anular a imagem esculpida pela comunicação dele junto ao eleitorado. Se o opositor é visto como mudança pelos eleitores que desejam mudança, a saída é apresentá-lo como ameaça de instabilidade; se a candidata oficial diz que a inflação está sob controle, é preciso mostrar os índices verdadeiros para desmascarar o truque. Acontece que, na prática, o artifício da “desconstrução” virou eufemismo para as mentiras e para o vale-tudo que embalam o festival de baixaria nestas eleições.

Foi o que aconteceu com a candidata Marina Silva, do PSB, no primeiro turno, vítima da propaganda agressiva da candidata Dilma Rousseff, do PT, candidata à reeleição, que não pensou em duas vezes antes de bater com força e sem limites éticos na concorrente. Alguém realmente acredita que Marina estava mancomunada com um grupo de banqueiros para tirar a comida da mesa dos pobres? Marina seria a perversa criatura que iria prejudicar os investimentos em educação acabando com a exploração do pré-sal? Claro que não, mas para boa parte do eleitorado, notadamente os com menos instrução e menor renda, a mistificação grosseira assustou. A decisão de não responder na mesma moeda custou a Marina a chance de seguir adiante na eleição.

Agora no segundo turno não é diferente. Esqueça o “quem bate, perde” de Duda Mendonça. Agora, com a surpresa do empate entre Dilma e Aécio Neves, do PSDB, o que vale é a “desconstrução” de João Santana, marqueteiro do PT. Como a onda de ascensão do oposicionista foi contida, segundo as pesquisas, a ordem é manter a artilharia contra o inimigo, misturando críticas aceitáveis com ataques pessoais, como os que foram vistos nos debates. Já Aécio decidiu adotar a tática do “bateu, levou”, para evitar o mesmo destino de Marina.

O problema é que isso rebaixa o próprio confronto de ideias que deveria prevalecer nas eleições. O confronto, o ataque, as contestações e as denúncias fazem parte do jogo eleitoral, mas devem, ou deveriam, atinar para os problemas reais do país. Não é o que estamos vendo. Dizer que Aécio não gosta dos pobres ou que o Bolsa Família não tem parentesco algum com os programas de compensação instituídos por FHC no passado, para insinuar que essas iniciativas serão cortadas, é apelação. É claro que os governistas não assumem a responsabilidade por essa situação e sua candidata, que antes acusou Marina de ser despreparada para o exercício da Presidência por ser excessivamente sensível, agora posa de vítima.

Com isso, todos acabam igualados na baixaria e ninguém discute a sério a estagnação da economia, os efeitos da pressão inflacionária, a corrupção nas estatais e os índices obscenos da violência no país. Para o indeciso saber quem tem razão nessa troca de acusações, basta fazer a seguinte perguntar: a quem interessa desviar desses assuntos? A resposta não é difícil. Embarcar no bate-boca eleitoral só beneficia quem não quer falar sobre os problemas urgentes do Brasil.

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Debate Jangadeiro – Eunício e Camilo buscam o confronto como ele deve ser: intenso, mas com respeito ao público

Por Wanfil em Eleições 2014

21 de outubro de 2014

De olho nos votos dos eleitores indecisos, os candidatos Eunício Oliveira (PMDB) e Camilo Santana (PT), que disputam o governo do Ceará, protagonizaram ataques e trocas de acusações durante o debate promovido pelo Sistema Jangadeiro de Comunicação, realizado nos estúdios da Tribuna Bandnews nesta segunda (20). Descontadas as diferenças de estilo e postura, a estratégia de ambos foi a mesma: buscar aumentar a rejeição ao adversário, que os especialistas chamam de “desconstrução”.

A lógica é simples. Empatados tecnicamente, com as pesquisas registrando uma diferença entre os dois menor do que a quantidade de indecisos, a prioridade é convencer esse eleitor a não votar no concorrente. Isso pode aumentar o número de votos nulos e brancos, mas a intenção mesmo é evitar o crescimento do oponente nessa reta final e, de quebra, conquistar votos na condição de opção menos ruim para esse grupo. Qualquer um por cento a mais ou a menos pode ser a diferença entre a vitória e a derrota.

Assim, durante o debate, Eunício Oliveira, que já foi ministro das Comunicações no governo Lula, fez questão de ressaltar que Camilo Santana nunca ocupou cargos de relevância nacional, para destacar a inexperiência do petista, que acusou o golpe ao responder em outro bloco: “Posso não ter audiência com o Lula, mas tenho com o povo”. Por sua vez, Camilo afirmou que Eunício nunca teria ido a uma UPA (Unidade de Pronto Atendimento) em Fortaleza, na tentativa de mostrar um candidato distante das pessoas, especialmente dos mais pobres.

Em outro momento, Eunício disse que não tem patrão e que Camilo seria controlado pelo governador Cid Gomes (PROS). De outra feita, Camilo afirmou o peemedebista desconhece as ações do governo estadual por não passar muito tempo no Ceará.

No geral, como está numericamente atrás do petista, ainda que em situação de empate técnico, e sabendo da força da máquina no dia da eleição, Eunício assumiu uma postura mais contundente, mas foi habilidoso para não deixar espaço para pedidos de direito de resposta. Ao ser indagado por um ouvinte sobre corrupção, Eunício disse que trabalharia para aprovar uma lei que impedisse pessoas com bens bloqueados na justiça de serem candidatos. Foi uma indireta clara para o adversário que, no entanto, manteve, dentro dos limites possíveis, a cabeça fria e não passou recibo.

O mais difícil nesse jogo de desconstrução do adversário é controlar as emoções e os impulsos. Uma resposta errada, mais agressiva, pode render efeito contrário. No entanto, mesmo nos momentos mais tensos, tanto Eunício como Camilo evitam as adjetivações grosseiras. Em vez de “mentiroso”, preferem acusar um ao outro de “faltar com a verdade”. Esse é um detalhe de grande relevância. O confronto faz parte do embate eleitoral, mas não devemos confundir o ataque legítimo que pode ser necessário em determinado momento de uma campanha, com baixaria, que é coisa diferente.

Os debates locais têm se mostrado mais elegantes do que os nacionais, para presidente. Provavelmente isso reflete a natureza dos dois candidatos ao governo estadual, políticos de características conciliatórias e experiência no parlamento, ao contrário da disputa presidencial, onde a campanha candidata à reeleição adota uma postura de beligerância que só tem paralelo com a campanha de Collor contra Lula, em 1989, que hoje, inclusive, são aliados. Prova de que o exagero não passa mesmo de teatro eleitoral.

Eunício e Camilo estavam ali lutando o voto dos indecisos, imersos em ambiente de disputa acirrada e cercados de aliados que atiçam os nervos, mas conseguiram mostrar equilíbrio e respeito pelo público. Caberá aos indecisos dizerem nas urnas quem se saiu melhor.

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Debate Jangadeiro – Eunício e Camilo buscam o confronto como ele deve ser: intenso, mas com respeito ao público

Por Wanfil em Eleições 2014

21 de outubro de 2014

De olho nos votos dos eleitores indecisos, os candidatos Eunício Oliveira (PMDB) e Camilo Santana (PT), que disputam o governo do Ceará, protagonizaram ataques e trocas de acusações durante o debate promovido pelo Sistema Jangadeiro de Comunicação, realizado nos estúdios da Tribuna Bandnews nesta segunda (20). Descontadas as diferenças de estilo e postura, a estratégia de ambos foi a mesma: buscar aumentar a rejeição ao adversário, que os especialistas chamam de “desconstrução”.

A lógica é simples. Empatados tecnicamente, com as pesquisas registrando uma diferença entre os dois menor do que a quantidade de indecisos, a prioridade é convencer esse eleitor a não votar no concorrente. Isso pode aumentar o número de votos nulos e brancos, mas a intenção mesmo é evitar o crescimento do oponente nessa reta final e, de quebra, conquistar votos na condição de opção menos ruim para esse grupo. Qualquer um por cento a mais ou a menos pode ser a diferença entre a vitória e a derrota.

Assim, durante o debate, Eunício Oliveira, que já foi ministro das Comunicações no governo Lula, fez questão de ressaltar que Camilo Santana nunca ocupou cargos de relevância nacional, para destacar a inexperiência do petista, que acusou o golpe ao responder em outro bloco: “Posso não ter audiência com o Lula, mas tenho com o povo”. Por sua vez, Camilo afirmou que Eunício nunca teria ido a uma UPA (Unidade de Pronto Atendimento) em Fortaleza, na tentativa de mostrar um candidato distante das pessoas, especialmente dos mais pobres.

Em outro momento, Eunício disse que não tem patrão e que Camilo seria controlado pelo governador Cid Gomes (PROS). De outra feita, Camilo afirmou o peemedebista desconhece as ações do governo estadual por não passar muito tempo no Ceará.

No geral, como está numericamente atrás do petista, ainda que em situação de empate técnico, e sabendo da força da máquina no dia da eleição, Eunício assumiu uma postura mais contundente, mas foi habilidoso para não deixar espaço para pedidos de direito de resposta. Ao ser indagado por um ouvinte sobre corrupção, Eunício disse que trabalharia para aprovar uma lei que impedisse pessoas com bens bloqueados na justiça de serem candidatos. Foi uma indireta clara para o adversário que, no entanto, manteve, dentro dos limites possíveis, a cabeça fria e não passou recibo.

O mais difícil nesse jogo de desconstrução do adversário é controlar as emoções e os impulsos. Uma resposta errada, mais agressiva, pode render efeito contrário. No entanto, mesmo nos momentos mais tensos, tanto Eunício como Camilo evitam as adjetivações grosseiras. Em vez de “mentiroso”, preferem acusar um ao outro de “faltar com a verdade”. Esse é um detalhe de grande relevância. O confronto faz parte do embate eleitoral, mas não devemos confundir o ataque legítimo que pode ser necessário em determinado momento de uma campanha, com baixaria, que é coisa diferente.

Os debates locais têm se mostrado mais elegantes do que os nacionais, para presidente. Provavelmente isso reflete a natureza dos dois candidatos ao governo estadual, políticos de características conciliatórias e experiência no parlamento, ao contrário da disputa presidencial, onde a campanha candidata à reeleição adota uma postura de beligerância que só tem paralelo com a campanha de Collor contra Lula, em 1989, que hoje, inclusive, são aliados. Prova de que o exagero não passa mesmo de teatro eleitoral.

Eunício e Camilo estavam ali lutando o voto dos indecisos, imersos em ambiente de disputa acirrada e cercados de aliados que atiçam os nervos, mas conseguiram mostrar equilíbrio e respeito pelo público. Caberá aos indecisos dizerem nas urnas quem se saiu melhor.