ecochatos Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

ecochatos

Carta contra eu mesmo

Por Wanfil em Crônica

27 de setembro de 2013

Ser gentil com quem concorda conosco é fácil. Fica a dica.

Ser gentil com quem concorda conosco é fácil. Fica a dica.

Fiquei surpreso com a repercussão do post Enquanto impasse no Cocó não é resolvido, manifestantes fazem a festa nas redes sociais do Sistema Jangadeiro. O que impressiona nos comentários é a emoção exacerbada, tanto por parte de quem condena a ocupação, como de quem a defende. No entanto, o primeiros são dispersos, agem de modo desordenado; enquanto os outros são mais organizados, atuam com método e em parceria com grupos políticos já constituídos.

Com o fanatismo ferido, alguns “militantes” tentaram me intimidar com xingamentos e rotulações. O problema é que, aos poucos, estamos criando uma cultura de intolerância travestida de humanismo progressista. Por acreditar que lutam por algo justo e belo, esses jovens, boa parte estudantes universitários, imaginam que todos os que não comungam da mesma visão de mundo são essencialmente maus.

Diante dessa reação improdutiva, resolvi mostrar aos meus detratores que é possível discordar de modo decente e civilizado, escrevendo uma carta contra o que eu mesmo escrevi. A primeira regra – atenção galerinha super bacana – é ser educado. Palavrões e clichês ultrapassados podem massagear os egos de quem já é convertido à militância dos manifestantes, porém, assusta e afasta o leitor neutro, como ensina qualquer manual básico de marketing político. É que o radical é mal visto, moçada. Mas vamos ao que interessa. Se eu fosse escrever contra o que eu escrevi, diria algo mais ou menos assim:

“Caro Wanderley, li seu post sobre a festa no acampamento do Cocó e fiquei incomodado com o tom, ora sarcástico, ora irônico, com que os ativistas foram pintados. Escrever em um veículo de grande audiência implica em responsabilidade com os fatos e também com os sentimentos das pessoas. O que para você parece uma brincadeira, para nós acampados e apoiadores da causa, é coisa séria. Seu espaço poderia ser bem mais útil se mostrasse como anda a questão ambiental na cidade. Não custa lembrar que, graças aos protestos, a Prefeitura precisou rever sua forma de atuação, obrigando-se a cumprir a lei e a buscar os devidos licenciamentos ambientais. Você tem o direito de discordar e de ser a favor dos viadutos ou até do desmatamento, mas a contrapartida para isso é justamente respeitar o nosso direito que lutar pelo que acreditamos. Venha até o acampamento e conheça-nos um pouco mais. Aqui a imprensa é sempre bem-vinda”.

Viram, caros críticos? É fácil para quem sabe. Podem copiar, se quiserem. Eu responderia, claro, e poderia até fazer um mea-culpa, quem sabe. Mas poderia ser realmente duro com vocês, mas com toda a educação. Só não venham me xingar, que aí não tem conversa. O destempero interdita o debate. Sei que isso pode parecer-lhes pouco revolucionário, mas é assim que funciona. Boas maneiras para com supostos adversários ainda é sinal de espírito civilizatório. Sejam mais gentis doravante.

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Carta contra eu mesmo

Por Wanfil em Crônica

27 de setembro de 2013

Ser gentil com quem concorda conosco é fácil. Fica a dica.

Ser gentil com quem concorda conosco é fácil. Fica a dica.

Fiquei surpreso com a repercussão do post Enquanto impasse no Cocó não é resolvido, manifestantes fazem a festa nas redes sociais do Sistema Jangadeiro. O que impressiona nos comentários é a emoção exacerbada, tanto por parte de quem condena a ocupação, como de quem a defende. No entanto, o primeiros são dispersos, agem de modo desordenado; enquanto os outros são mais organizados, atuam com método e em parceria com grupos políticos já constituídos.

Com o fanatismo ferido, alguns “militantes” tentaram me intimidar com xingamentos e rotulações. O problema é que, aos poucos, estamos criando uma cultura de intolerância travestida de humanismo progressista. Por acreditar que lutam por algo justo e belo, esses jovens, boa parte estudantes universitários, imaginam que todos os que não comungam da mesma visão de mundo são essencialmente maus.

Diante dessa reação improdutiva, resolvi mostrar aos meus detratores que é possível discordar de modo decente e civilizado, escrevendo uma carta contra o que eu mesmo escrevi. A primeira regra – atenção galerinha super bacana – é ser educado. Palavrões e clichês ultrapassados podem massagear os egos de quem já é convertido à militância dos manifestantes, porém, assusta e afasta o leitor neutro, como ensina qualquer manual básico de marketing político. É que o radical é mal visto, moçada. Mas vamos ao que interessa. Se eu fosse escrever contra o que eu escrevi, diria algo mais ou menos assim:

“Caro Wanderley, li seu post sobre a festa no acampamento do Cocó e fiquei incomodado com o tom, ora sarcástico, ora irônico, com que os ativistas foram pintados. Escrever em um veículo de grande audiência implica em responsabilidade com os fatos e também com os sentimentos das pessoas. O que para você parece uma brincadeira, para nós acampados e apoiadores da causa, é coisa séria. Seu espaço poderia ser bem mais útil se mostrasse como anda a questão ambiental na cidade. Não custa lembrar que, graças aos protestos, a Prefeitura precisou rever sua forma de atuação, obrigando-se a cumprir a lei e a buscar os devidos licenciamentos ambientais. Você tem o direito de discordar e de ser a favor dos viadutos ou até do desmatamento, mas a contrapartida para isso é justamente respeitar o nosso direito que lutar pelo que acreditamos. Venha até o acampamento e conheça-nos um pouco mais. Aqui a imprensa é sempre bem-vinda”.

Viram, caros críticos? É fácil para quem sabe. Podem copiar, se quiserem. Eu responderia, claro, e poderia até fazer um mea-culpa, quem sabe. Mas poderia ser realmente duro com vocês, mas com toda a educação. Só não venham me xingar, que aí não tem conversa. O destempero interdita o debate. Sei que isso pode parecer-lhes pouco revolucionário, mas é assim que funciona. Boas maneiras para com supostos adversários ainda é sinal de espírito civilizatório. Sejam mais gentis doravante.