Domingos Filho Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Domingos Filho

Assembleia tenta enquadrar TCM e acaba enquadrada pelo STF e o Senado

Por Wanfil em Política

10 de Março de 2017

Sede da Assembleia Legislativa do Ceará, devidamente enquadrada

Segue tramitando na Comissão de Constituição e Justiça do Senado Federal, a PEC que proíbe a extinção de tribunais de contas por iniciativa dos legislativos estaduais. A informação foi confirmada pelo presidente da Casa, Eunício Oliveira (PMDB), após encontro com Domingos Filho, do Tribunal de Contas dos Municípios do Ceará.

Como todos sabem, no final do ano passado a maioria governista na Assembleia Legislativa aprovou um projeto do deputado de oposição Heitor Férrer (PSB), acabando com o TCM, alegando corte de gastos. Foi uma retaliação contra Domingos, por causa de um racha na base aliada.

O caso foi parar no STF, que suspendeu a decisão por causa de problemas na tramitação do projeto, tocado às pressas no apagar das luzes de 2016. Governistas chegaram a ameaçar entrar com outro projeto, mas nesse meio tempo Eunício Oliveira assumiu o comando do Senado e acabou com a brincadeira.

A humilhação é o preço que os aliados de Cid e Ciro Gomes e o próprio Heitor pagam por deixarem o parlamento ser rebaixado a instrumento de vingança do governo estadual. Pior ainda que mesmo com o apoio do governador Camilo Santana e do presidente da AL, Zezinho Albuquerque, a base fracassou, dando tempo a uma reação.

O Senado também aceitou entrar nesse jogo de intriga, é verdade, mas não foi, como aqui, por subserviência. Ninguém realmente está muito preocupado em melhorar o controle de contas públicas, mas que a base aliada na Assembleia não precisava de mais esse vexame, não precisava.

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O Ceará entre PECs e beicinhos

Por Wanfil em Política

03 de Fevereiro de 2017

“A minha emenda está longe dessa brigas, desses beicinhos, de aliados de ontem. No caso, Cid Gomes, Ciro Gomes, Domingos Filho, Chico Aguiar. Esses aliados de ontem estão de beicinhos hoje e nada me interessa essa briga. Aliás, me interessa muito porque dessa briga sobrou votos para eu aprovar um desejo que é antigo e que nós defendemos há muitos anos.”

Deputado estadual Heitor Férrer (PSB), para a Tribuna Band News, sobre a polêmica PEC que extingue o Tribunal de Contas dos Municípios do Ceará, aprovada a mando de Cid e Ciro Gomes (PDT) pelos governistas na Assembleia Legislativa, suspensa por liminar do STF e que agora corre o risco de ser invalidada por uma PEC de Eunício Oliveira (PMDB) no Senado, que propõe impedir que tribunais de contas sejam extintos.

O Ceará conseguiu fazer do beicinho uma categoria política.

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Instituições rebaixadas no Ceará: manda quem pode, obedece quem tem medo

Por Wanfil em Ceará

06 de Janeiro de 2017

Na política, peões são descartáveis e sabem disso

O ex-deputado e ex-vice-governador Domingos Filho tomou posse, nesta sexta-feira, na presidência do Tribunal de Contas dos Municípios, em mais um capítulo da briga política com os Ferreira Gomes (ver mais nos posts Ajuste de contasConsequências da extinção do TCM pela AL a mando do governo).

Na solenidade, Domingos criticou a decisão da Assembleia Legislativa de extinguir o TCM por ordem do governo, o que só não aconteceu ainda por causa de uma liminar do STF. Porém, ninguém ouviu as queixas do presidente empossado. É que nem o Executivo nem o Legislativo enviaram representantes para a cerimônia, numa clara demonstração de que as instituições definitivamente subjugadas por interesses particulares, tornadas meros instrumentos de conveniência.

A ausência de muitas autoridades foi observada, o que é sintomático. Sabe como é, quem estivesse presente poderia ser visto com desconfiança por Cid e Ciro Gomes. Não há inocentes nessa história e sobram acusações mútuas, mas ainda que se detestem, seria preciso cumprir as liturgias da democracia. As instituições deveriam estar acima das diferenças pessoais.

A política no Ceará chegou a um ponto que nem as aparências parecem ter mais importância: manda quem pode, obedece quem tem medo. E ai de quem discordar.

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Ajuste de contas

Por Wanfil em Ceará

09 de dezembro de 2016

Começou a tramitar na Assembleia Legislativa uma proposta de autoria do deputado Heitor Férrer, para unificar o Tribunal de Contas do Estado com o Tribunal de Contas dos Municípios.

A iniciativa conta com o entusiasmado apoio dos governistas. Por isso a oposição, com exceção de Heitor, afirma que o projeto é na verdade uma retaliação, contra Domingos Filho, presidente eleito do TCM, apontado por Ivo Gomes como responsável pelo racha na base aliada durante a tumultuada reeleição de Zezinho Albuquerque para a Presidência da Assembleia. Seria a utilização dos tribunais de contas para, vejam a ironia, um ajuste particular de contas.

Os apoiadores da medida garantem que o fato de o projeto tramitar logo após o racha e de impedir que Domingos assuma o comando do TCM não tem nada a ver com suas intenções. Então, tá. Vamos supor que Heitor Férrer tenha apresentado o projeto justo agora apenas por acaso e que, por coincidência, só coincidência os governistas tenham adorado a proposta apenas por seu conteúdo. É preciso pois, debater o mérito.

Além das questões legais para uma fusão que nunca aconteceu em lugar algum do Brasil, temos aí uma oportunidade para passar um pente fino nos gastos e nos quadros de cada tribunal, bem como no processo de escolha dos conselheiros. A maioria é indicada pelo Executivo. Alguns cargos já foram preenchidos pelo parentesco dos escolhidos ou como moeda de troca para acordos políticos.

Mas parece que o projeto não está interessado nessas questões. Deve ser outra coincidência.

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O racha na Assembleia

Por Wanfil em Assembleia Legislativa

30 de novembro de 2016

Sentindo que a estratégia de intimidação para forçar nova eleição de Zezinho Albuquerque (PDT) para a presidência da Assembleia não foi bem recebida pelos deputados, o grupo liderado pela família Ferreira Gomes corre para inverter a situação, buscando espaços na imprensa para acusar apoiadores de Sérgio Aguiar (PDT), também candidato ao cargo, de interferência indevida no processo. Nesse caso, apontam para o ex-deputado Domingos Filho, atualmente conselheiro do Tribunal de Contas dos Municípios.

Mais ou menos como na piada em que o sujeito rouba a carteira de um desavisado e sai gritando “pega ladrão” para confundir o público.

É certo que Domingos apoia Sérgio e articula junto a parlamentares nesse sentido. Mas entre o poder de de um conselheiro e o poder somado do governo estadual, da prefeitura da capital e da própria Assembleia, vai uma distância muito grande. Ademais, plantar notícias não muda a realidade.

Uma das versões em curso conta que cargos foram oferecidos a Sérgio Aguiar para que este desistisse de enfrentar Zezinho, o escolhido. Como não aceitou, teria então criado, junto com Domingos, um racha na base. Não está claro porque Zezinho não poderia desistir de um inusitado terceiro mandato, mantendo a unidade da base, especialmente agora, quando não tem a mesma unanimidade das outras vezes em que foi eleito. Qual o problema se são todos do mesmo partido e existe a tradição de rodízio para o comando da Casa?

O fato é que a base rachou. E a culpa não é nem de Zezinho, nem de Sérgio Aguiar. Muito menos, de Domingos Filho.

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O Pros contra os cacos espalhados – Ou: meu partido é um coração partido…

Por Wanfil em Partidos

11 de julho de 2014

Ao indicar na última hora o petista Camilo Santana para a sucessão estadual na chapa governista no Ceará, Cid Gomes criou uma saia justa entre alguns dos seus correligionários do Pros, que nos últimos meses foram estimulados pelo próprio governador a fazer pré-campanha entre os aliados, mas acabaram preteridos.

Peões
Por diversas vezes, afinal, Cid disse que a escolha recairia sobre um nome do partido, o maior da sua base de apoio. Cinco nomes apareceram concorriam: Zezinho Albuquerque, presidente da Assembleia Legislativa; o vice-governador Domingos Filho; o ex-prefeito de Sobral, Leônidas Cristino; o deputado estadual Mauro filho; e Izolda Cela, ex-secretária da Educação. Do grupo, dois lideravam as bolsas de apostas: Domingos Filho, que articulou intensamente com lideranças políticas, e Zezinho Albuquerque, que percorreu o Estado em campanhas contra as drogas e em defesa da refinaria, todas bancadas pela Assembleia Legislativa.

Tanto esforço de nada valeu. Mais do que a frustração com o desfecho na composição da chapa oficial, restava a todos a vergonha de aparecer publicamente como de meros peões de tabuleiro no xadrez eleitoral.

Prêmio de consolação
Como prêmio de consolação, Mauro filho ganhou a chance de disputar o Senado; Domingos tem prometida uma vaga no Tribunal de Contas do Município. Zezinho foi convidado para concorrer como vice de Camilo, mas recusou, sendo então substituído por Izolda. Aliás, sobre prêmios e acordos eleitorais, vale conferir matéria do Tribuna do Ceará sobre a relação entre a ocupação de cargos públicos e o contexto das alianças.

Juntando os cacos
Para desfazer a má impressão e dar ares de republicanismo ao processo sucessório entre os aliados, Zezinho organizou um almoço de apoio a Camilo Santana, em restaurante de Fortaleza na última quarta-feira. O encontro virou um ato de afago a Zezinho, que foi abraçado por Ciro e elogiado por Camilo, todos felizes com a humildade e a compreensão dos parceiros.

Domingos e Zezinho, assim como os torcedores da seleção brasileira, agora sabem a dor de um sonho interrompido de um modo que ninguém esperava, bem no meio do caminho.

Olho aberto
Corre em rodas políticas que a vaga de conselheiro do TCM negociado com Domingos Filho teria sido oferecida também a Mauro Filho, se este perder a eleição para Tasso Jereissati (PSDB). Para evitar riscos, Domingos esperaria assumir em julho ou agosto, antes da eleição. Se ficar para depois, não tem acordo.

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Cid, Eunício e Domingos Filho juntos: aliança ressuscitada ou jogo de cena?

Por Wanfil em Eleições 2014

28 de Abril de 2014

O exercício da política como espetáculo é uma atividade carregada de simbolismos. Seus profissionais capricham nas reticências. O que é dito e o deixou de ser dito, as fotos, os eventos, as amizades, tudo acaba objeto de avaliação.

Partindo dessa premissa, e lembrando que nada é por acaso, reparem nas duas fotos que seguem abaixo, feitas sábado (26), no aniversário do deputado estadual Domingos Neto (Pros), em Tauá. Na primeira, vejam quanta amizade fraternal.

Cid Gomes cumprimenta Eunício Oliveira: aliados à beira de um racha. Foto: Facebook/Eunício Oliveira.

Domingos (centro), ao lado de Eunício e Cid. Foto: Facebook/Eunício Oliveira.

 

Quem vê, pensa: no Ceará, a turma do Pros convive em harmonia com o PMDB. Assim, o anfitrião e vice-governador Domingos Filho (Pros), posa ao centro ao lado do senador peemedebista Eunício Oliveira (de branco), tendo, mais à direita, a companhia do governador Cid Gomes (Pros). Ao fundo, olhando de soslaio, aparecem o senador Inácio Arruda (PCdoB) e o vice-prefeito de Fortaleza, Gaudêncio Lucena (PMDB), sócio de Eunício.

Na imagem, Domingos é o centro gravitacional de atração que reaproxima aliados que andavam distantes. É o poder da articulação do vice, me disse um prefeito ligado a Eunício. Pois é. Nem parece que Cid deixou de renunciar para não entregar o cargo para Domingos, atendendo ao irmão Ciro Gomes, que não compareceu. Muito menos que existe alguma tensão entre Cid e Eunício. Imagem é tudo, dizia uma propaganda de refrigerante. Coisa de marketing… Assim, notem a curiosidade: Inácio aparece na exata posição em que se encontra politicamente: atrás e de escanteio, a esperar pela sorte.

Agora a segunda imagem. 

Cid Eunício

Cid Gomes cumprimenta Eunício Oliveira: aliados à beira de um racha. Foto: Facebook/Eunício Oliveira.


Atenção na imagem. Cid se esforça para mostrar intimidade com Eunício. “Confie em mim”, parece acenar ao aliado em rota de colisão. O governador afirma que não é hora de falar em eleição, que só mais adiante definirá sua decisão sobre quem terá seu apoio na sucessão. Eunício tem pressa e na foto aparenta estar arredio. O corpo fala, dizem por aí. Surpreso, o senador se afasta, compondo involuntariamente uma imagem que combina muito com o ânimo de quem não deseja esperar por ninguém, para não acabar como alguns ex-aliados de Cid, abandonados no meio do caminho aguardando pelo apoio que não veio.

“Cuidado Wanderley, você está vendo coisas demais!” Sim, pode ser. É preciso entender que foi por isso mesmo, para deixar turvo o cenário, que tantos compareceram ao aniversário. Por amor a Domingos Neto é que não foi! Bastou correrem as primeiras notícias e imagens da festa que diversas leituras começaram a circular no mercado da boataria. Será que Cid capitulou e apoiará Eunício? O senador irá recuar da pré-candidatura ao governo estadual para manter palanque único para Dilma no Estado? Ou seria tudo jogo de cena? Ninguém sabe.

O problema desses simbolismos está justamente no caráter dúbio das aparências. Conversei com algumas lideranças partidárias governistas e de oposição no final de semana e a única certeza é que tudo é demasiadamente incerto no Ceará. O clima é de apreensão e, principalmente, de desconfiança generalizada.

Esse quadro pré-eleitoral me fez lembrar de uma outro foto, mais antiga, que mostra como políticos viram atores em frente de câmeras. No início de 2012, Cid Gomes, então no PSB, e a prefeita de Fortaleza Luizianne Lins (PT) na época, acompanharam uma visita de Dilma Rousseff, ocasião em que se deixaram fotografar assim:

Cid e Luizianne em 2012, já próximos de romperem a aliança que os unira. Foto: Kézya Diniz.

Cid e Luizianne em 2012, já próximos de romperem a aliança que os unira. Foto: Kézya Diniz.

 

Meses depois romperam a aliança para lançar, cada um, seu candidato em Fortaleza. Moral da história: quando o assunto é política, especialmente em tempo de eleição, nem tudo é o que se parece ver.

Traição?

Nesse jogo de mensagens cifradas, uma ausência chamou a atenção em Tauá: a do deputado federal José Guimarães, pré-candidato do PT ao Senado. Não teria sido convidado ou, tendo sido, não compareceu de propósito? O petista aguarda uma manifestação pública de Cid ou do Pros sobre o apoio ao seu projeto, mas, até agora, nada. A impressão é que há resistência ao seu nome. Guimarães teria sido rifado? Há um cheiro de fritura no ar…

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Vice serve pra quê?

Por Wanfil em Política

21 de Abril de 2014

Sou de uma geração que cresceu, em termos políticos, marcada pela figura do vice. Logo de cara, a volta ao regime democrático foi festejada com a eleição de Tancredo Neves (ainda que de forma indireta), seguida do drama de sua doença e morte. Em seu lugar, assumiu o vice… José Sarney. E a esperança acabou com a decepção do Plano Cruzado. Um trauma. Depois disso, fiquei desconfiado.

Assim, quando Collor sofreu o impeachment, Itamar Franco surgiu e deu início ao Plano Real, junto com Fernando Henrique Cardoso, cujas bases macroeconômicas são mantidas até hoje. Vinte anos depois, o remédio para o repique inflacionário de Dilma será aumento de juros. Se Itamar acertou aí, no resto não tinha liderança própria.

No Ceará, nessa época, quando Ciro Gomes foi assumir o ministério da Fazenda, durante o governo Itamar, Juraci Magalhães assumiu a Prefeitura de Fortaleza, mandando no pedaço enquanto teve saúde.

Isso foi na época em que vice tinha alguma utilidade. Agora… É diferente. O sujeito pode sair do país e permanecer conectado. Tem o celular… Videoconferências… O vice ficou obsoleto e agora, definitivamente, virou mera peça figurativa em chapas eleitorais.

Casos recentes

No Ceará, o vice-governador Domingos Filho, diante do misterioso afastamento do titular Cid Gomes, não aceitou assumir o cargo, dizem, para não ficar inelegível. Antes, um adendo: Oficialmente, o paradeiro e as condições de Cid são desconhecidos. O anúncio que fez pelo Facebook, dizendo que está internado em alguma clínica no Brasil, consternou a muitos, mas não serve como documento. Na prática, tudo é suposição. Voltemos aos vices.

O substituto na Prefeitura de Fortaleza, Gaudêncio Lucena, acabou impedido de assumir porque o titular Roberto Cláudio, mesmo internado para uma cirurgia bariátrica, preferiu não sair. Disse que despacharia de casa. E assim, a cidade ficou uma semana sem prefeito. Na verdade, todos sabem o motivo para esse constrangimento: é que Gaudêncio é sócio do senador Eunício Oliveira (PMDB), que está em vias de romper com Cid, padrinho político do prefeito, por motivos eleitorais.

Agora, tanto o vice-governador do Estado como o vice-prefeito da capital possuem estruturas administrativas caríssimas à disposição de cada um. Ambos recebem, mensalmente, um belo salário pago pelos contribuintes, para caso de eventual necessidade. Se essa necessidade surge e ninguém pode, por um motivo ou outro, exercer o papel que lhes caberia, de que serve então essa figura?

Desconfiança mútua

Esses episódios revelam como funcionam as alianças políticas vigentes no Ceará. Não existe essa história de sintonia programática ou de compartilhamento de valores: existe somente o cálculo eleitoreiro em busca de tempo de televisão e controle de currais eleitorais, onde os interesses particulares pairam acima do interesse público. Por isso não confiam um no outro.

E nas eleições de outubro eles estarão aí de volta, titulares e vices, juntinhos em cartazes e santinhos, sorridentes sobre as letras de algum slogan bacana, para pedir, mais uma vez, o seu voto de confiança.

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A presepada da renúncia que não aconteceu

Por Wanfil em Eleições 2014

05 de Abril de 2014

Cid renunciou a renúncia que poderia ter sido anunciada, mas não foi. Na imprensa, mobilizou atenções; entre aliados, atiçou ambições e medos. Não comoveu o cidadão comum. Sem problemas. É que apesar de tudo ter se dado em razão de projeções eleitoreiras, o destinatário das mensagens encenadas no teatro político, nesse instante, não foi o eleitor, mas a própria comunidade política, seus partidos e lideranças. Os atos públicos, as declarações dúbias, as evasivas e o suspense serviram para dar dramaticidade aos eventos, conferindo ares de verossimilhança às bravatas da hora.

A semana do “pode ser que eu renuncie/não renuncio mais” entra como presepada no rodapé da História do Ceará. Foram dias perdidos para a administração, que agora segue em modo de piloto automático. Algo muito parecido com um reality show, com direito a indiretas, mal estar do governador, arroubos de seu irmão, palpites de parlamentares subalternos, sem que nada de importante fosse realmente discutido.

Projetos pessoais

O Ceará segue ao sabor de projetos pessoais reunidos numa aliança de conveniência entre Pros, PT e PMDB.

O projeto pessoal de Cid Gomes (que na verdade é um projeto de família) necessita, pelas atuais circunstâncias, de alguém de sobrenome diferente, mas suficientemente submisso para não escapar-lhe ao controle. O plano esbarrou no projeto pessoal do vice-governador Domingos Filho, que se negou a renunciar. Por não ser de confiança dos Ferreira Gomes, a desincompatibilização de Cid ficou impedida, sob pena de perder o comando da máquina para Domingos.

O PMDB é representado pelo projeto pessoal do senador Eunício Oliveira, pré-candidato ao governo estadual, e o PT caminha a reboque do projeto pessoal de José Guimarães, que sonha ser senador. Pros e PMDB querem o tempo de propaganda do PT, fiel da balança na rixa entre Cid e Eunício. O problema é que, nesse feudo vermelho, o senhor dos vassalos é Lula.

O futuro político é incerto, o que significa dizer que o ambiente continua favorável para mais confusões inúteis.

Sem rumo

Infelizmente, no jogo da sucessão, buscar propostas de soluções para os problemas que afligem a população não passa de detalhe a ser contornado mais à frente, com promessas bacanas boladas por marqueteiros caros. O importante é tramar em busca do poder.

Nessa toada, desperdiçamos uma boa oportunidade de falar sobre o Ceará. Qual o melhor rumo para desenvolver suas potencialidades? Ninguém diz. Rigor fiscal, atração de investimentos, políticas compensatórias e universalização da educação primária são conquistas antigas, de 15, 20 anos atrás, constantemente rebatizadas e reformadas para serem vendidas como novidades, mas que já dera o que tinham que dar. Qual o próximo passo? Como atrair novos investimentos? Como depender menos do governo federal? Qual o papel estratégico da educação para aprimorar nossa mão de obra?

São questões sem resposta porque nossas lideranças preferem dedicar tempo, dinheiro e energia em presepadas políticas. Para onde quer que eu olhe, vejo apenas presepeiros.

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Domingos Filho sai do PMDB – Ou: Meu partido é um coração partido

Por Wanfil em Política

17 de setembro de 2013

Cazuza: "Ideologia, eu quero uma pra viver". A não ser que você seja uma liderança partidária...

Cazuza: “Ideologia, eu quero uma pra viver”. A não ser que você seja uma liderança partidária…

O vice-governador Domingos Filho decidiu sair do PMDB para buscar abrigo em um novo partido que, de acordo com o noticiário, será escolhido conforme a orientação do governador Cid Gomes. Nada a ver, portanto, com convicções ideológicas ou com lealdade a princípios, mas somente com as conveniências par a próxima eleição.

Nada disso representa constrangimento algum para a maioria dos políticos, pois eles sabem – e tiram proveito disso – que o brasileiro não vota em partido ou em programa partidário; sabem que o brasileiro vive da eterna busca por um salvador da pátria, pelo líder carismático, seduzido pela promessa redentora e a ilusões fáceis, sempre esperançosos da caridade governamental.

Domingos Filho saiu do PMDB porque seu projeto pessoal não converge com o projeto pessoal de Eunício Oliveira, candidato de si mesmo à governo do Ceará, contra quem quer que seja o escolhido de Cid (incluindo nessa lista de possíveis candidatos o próprio Domingos Filho).

Partido do coração

Uma pesquisa do Ibope divulgada no começo do ano mostrava que 56% dos brasileiros não têm preferência por partido algum (imagino que após os protestos de junho esse número tenha aumentado). Em 1988, esse índice  era de 38%. Foi nessa época, há 24 anos, que o cantor e compositor Cazuza gravou a música IdeologiaMeu partido / É um coração partido / E as ilusões / Estão todas perdidas / Os meus sonhos / Foram todos vendidos / Tão barato / Que eu nem acredito / Ah! eu nem acredito…

Nesse tempo, muitos intelectuais ainda acreditavam que existiam partidos que, por causa da ideologia professada, seriam puros por natureza. Hoje como sabemos, o ceticismo de Cazuza estava certo.

Decepção

O número de pessoas que não acreditam em partidos no Brasil cresceu e agora expressa a maioria porque aos otários do passado, somaram-se os cínicos (no sentido filosófico da expressão) e incrédulos em geral do presente. Nos dias que correm, o otimista político não passa de um militante a serviço de algum projeto eleitoral.

No Ceará, não é diferente. O PMDB é o que é no resto do, uma colcha de retalhos feita de interesses paroquiais; o PSDB cresceu e depois murchou na mesma ordem em que chegou e saiu do poder; o PSB trilha o mesmo caminho dos tucanos, subjugado por uma família de políticos; o PT desistiu de seu projeto para aderir ao coro dos contentes. Sem contar as siglas de aluguel.

Na mesma canção, Cazuza dizia: “Ideologia, eu quero uma pra viver!”. Era o apelo derradeiro à esperança. Se pudessem responder na mesma moeda, a maioria dos líderes partidários cantariam alegremente: “Ideologia, eu não preciso de uma para vencer”.

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Domingos Filho sai do PMDB – Ou: Meu partido é um coração partido

Por Wanfil em Política

17 de setembro de 2013

Cazuza: "Ideologia, eu quero uma pra viver". A não ser que você seja uma liderança partidária...

Cazuza: “Ideologia, eu quero uma pra viver”. A não ser que você seja uma liderança partidária…

O vice-governador Domingos Filho decidiu sair do PMDB para buscar abrigo em um novo partido que, de acordo com o noticiário, será escolhido conforme a orientação do governador Cid Gomes. Nada a ver, portanto, com convicções ideológicas ou com lealdade a princípios, mas somente com as conveniências par a próxima eleição.

Nada disso representa constrangimento algum para a maioria dos políticos, pois eles sabem – e tiram proveito disso – que o brasileiro não vota em partido ou em programa partidário; sabem que o brasileiro vive da eterna busca por um salvador da pátria, pelo líder carismático, seduzido pela promessa redentora e a ilusões fáceis, sempre esperançosos da caridade governamental.

Domingos Filho saiu do PMDB porque seu projeto pessoal não converge com o projeto pessoal de Eunício Oliveira, candidato de si mesmo à governo do Ceará, contra quem quer que seja o escolhido de Cid (incluindo nessa lista de possíveis candidatos o próprio Domingos Filho).

Partido do coração

Uma pesquisa do Ibope divulgada no começo do ano mostrava que 56% dos brasileiros não têm preferência por partido algum (imagino que após os protestos de junho esse número tenha aumentado). Em 1988, esse índice  era de 38%. Foi nessa época, há 24 anos, que o cantor e compositor Cazuza gravou a música IdeologiaMeu partido / É um coração partido / E as ilusões / Estão todas perdidas / Os meus sonhos / Foram todos vendidos / Tão barato / Que eu nem acredito / Ah! eu nem acredito…

Nesse tempo, muitos intelectuais ainda acreditavam que existiam partidos que, por causa da ideologia professada, seriam puros por natureza. Hoje como sabemos, o ceticismo de Cazuza estava certo.

Decepção

O número de pessoas que não acreditam em partidos no Brasil cresceu e agora expressa a maioria porque aos otários do passado, somaram-se os cínicos (no sentido filosófico da expressão) e incrédulos em geral do presente. Nos dias que correm, o otimista político não passa de um militante a serviço de algum projeto eleitoral.

No Ceará, não é diferente. O PMDB é o que é no resto do, uma colcha de retalhos feita de interesses paroquiais; o PSDB cresceu e depois murchou na mesma ordem em que chegou e saiu do poder; o PSB trilha o mesmo caminho dos tucanos, subjugado por uma família de políticos; o PT desistiu de seu projeto para aderir ao coro dos contentes. Sem contar as siglas de aluguel.

Na mesma canção, Cazuza dizia: “Ideologia, eu quero uma pra viver!”. Era o apelo derradeiro à esperança. Se pudessem responder na mesma moeda, a maioria dos líderes partidários cantariam alegremente: “Ideologia, eu não preciso de uma para vencer”.