ditadura Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

ditadura

O significado da morte de Fidel Castro

Por Wanfil em História

26 de novembro de 2016

Morreu Fidel Castro, aos 90 anos. Em 1957, pouco antes de assumir o poder com a revolução em Cuba, Fidel declarou, em entrevista ao jornalista Herbert Matthews, do New York Times: “O poder não me interessa. Depois da vitória, quero regressar à minha cidade e retomar minha profissão de advogado”. Acabou desmentido pelo apego ao poder, do qual só abriu mão quando a idade o impediu de governar.

A morte de Fidel significa um ditador a menos no mundo. A utopia sangrenta do Século 20, que incensou Lênin, Stálin e Mao, morre com seu último garoto propaganda. Há quem considere haver ditadores do bem e ditadores do mal. Há quem defenda a ideia de que as ditaduras podem ser divididas entre as bem intencionadas e as pervertidas por interesses econômicos. E ainda existem os que consentem com ditaduras por simpatizarem com o sinal ideológico que estas representam (quando à esquerda) e por seus supostos bons frutos.

A História mostra que não existem ditaduras do bem. Fidel morreu e temos um ditador a menos no mundo, porém, Cuba permanece uma ditadura, governada por Raul Castro. Não por acaso, irmão daquele abnegado comunista que dizia não ter interesse pelo poder.

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‘Ceará de Atitude’ resgata histórias de torturados na ditadura, mas alguns continuam esquecidos

Por Wanfil em História

26 de agosto de 2016

O Governo do Ceará lançou neste mês de agosto a série de documentários Ceará de Atitude, que relembra “a história de quatro cearenses que sobreviveram à prisão e à tortura durante a ditadura militar”.  A Lei da Anistia foi promulgada em 28 de agosto de 1979.

Foram exibidas as histórias de Valter Pinheiro e Beliza Guedes. Valter participou da luta armada junto ao Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR), que combatia a ditadura militar para instaurar a “ditadura do proletariado”. Foi brutalmente torturado na “Casa dos Horrores”, em Maranguape. Beliza também militou no PCBR. Foi sequestrada por militares para ser interrogada em sessões de tortura psicológica.

Vítimas de arbitrariedades covardes e desumanas, suas histórias merecem ser contadas como exemplos contra os regimes de exceção. Por isso, aproveitando a oportunidade, deixo aqui sugestões de outras vítimas de violência nesse período aqui no Ceará, para outros documentários que eventualmente venham a ser produzidos:

Waldemar Carneiro de Brito – PM de apenas 19 anos assassinado com três tiros no dia 4 de janeiro de 1969, na Avenida Bezerra de Menezes, por integrantes da Ação Libertadora Nacional (ALN), organização revolucionária de esquerda, durante assalto em busca de armas.

José Armando Rodrigues – Comerciante assaltado, sequestrado, torturado e morto a tiros na serra de Ibiapaba, em São Benedito, por José Sales de Oliveira, Antônio Espiridião Neto, Carlos de Montenegro Medeiros, Gilberto Telmo Sidney Marques, Timochenko Soares de Sales, Francisco William e Waldemar Rodrigues Menezes (autor dos disparos), membros da Ação Libertadora Nacional.

Esses casos mostram que também existem vítimas de ações perpetradas por organizações revolucionárias. Fato que não justifica a ditadura, muito menos os seus crimes, mas que são importantes para, como dizem os idealizadores do Ceará de Atitude, “resgatar a memória política brasileira, preservando conhecimento para as futuras gerações”.

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O golpe de 31 de março de 64: para fugir da guerra de versões

Por Wanfil em História

31 de Março de 2014

Um breve comentário sobre os 50 anos do Golpe de 64, completados neste 31 de março de 2014.

Boa parte das reportagens que vi nos grandes veículos limitaram-se a reproduzir lugares comuns e mistificações. Na disputa pelo espólio da História, militares e simpatizantes alegam que salvaram o país de uma possível ditadura comunista. Por outro lado, revolucionários de esquerda, uma vez impedidos de instalar no Brasil um regime comunista, afirmam que lutavam pela democracia. Em comum, ambos se valem da mesma contradição: em nome da liberdade, defendiam regimes de força que eram, em si mesmos, a negação da liberdade. Leia mais

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Médicos cubanos: remédio eficaz para a saúde ou placebo político?

Por Wanfil em Brasil, Ceará

28 de agosto de 2013

Devido ao programa Mais Médicos, o debate sobre saúde pública no Brasil foi deslocado momentaneamente das questões de ordem administrativa, para o exame acalorado, com certo viés ideológico, sobre a postura ética dos profissionais brasileiros de medicina.

Temos, como é de conhecimento geral, uma política de saúde cara e ruim. E sabemos disso não por causa das propagandas dos governos, onde hospitais são verdadeiras maravilhas repletas de profissionais felizes e pacientes gratos, mas pela experiência direta de quem precisa de atendimento em unidades públicas. Não é por acaso que os políticos mais poderosos, especialmente os que gostam de fazer proselitismo elogiando o SUS, correm para o hospital Sírio Libanês, em São Paulo, ao sinal de qualquer enfermidade.

Por isso, quando o assunto é saúde, eu nunca acredito no que um governo diz. Nenhum. Assim, segundo o governo federal, o serviço público de saúde é ruim no Brasil porque os médicos que não querem trabalhar nas cidades e nas regiões mais pobres e distantes do país. Pois é, não tem nada a ver com desperdício, incompetência administrativa e corrupção. Os médicos dizem que o problema é falta de estrutura, salários atrasados e calotes. Eu acredito nos médicos. Alguns preferem acreditar no políticos que só conhecem o Sírio Libanês.

Tiro no pé

Acontece que as associações de médicos, na melhor tradição sindical brasileira, puseram seu próprio discurso a perder, quando passaram a hostilizar os médicos cubanos “importados” para suprir a carência nesses lugares, digamos, inóspitos. Um vídeo gravado no aeroporto de Fortaleza mostra médicos brasileiros ofendendo médicos cubanos. São cenas constrangedoras que mais contribuíram para legitimar a obscena convocação de médicos estrangeiros sem exames de qualificação e “contratados” junto a uma ditadura.

Os médicos poderiam criar uma lista pública de municípios que não cumprem os contratos com os profissionais da categoria ou abrir um escritório de apoio aos estrangeiros em parceria com os dissidentes cubanos de Miami, de forma a mostrar que o núcleo da questão não é a nacionalidade ou uma reserva de mercado, mas medicina.

Dispensar esses médicos importados dos exames de conhecimentos é uma irresponsabilidade com os pacientes, claro, mas a culpa é do governo brasileiro. Os cubanos, coitados, vivem numa ditadura sanguinária ganhando 50 dólares mensais. Pare eles, ser explorados no Brasil rende mais do que ser explorado na fazenda de Fidel e Raul Castro.

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Médicos cubanos: remédio eficaz para a saúde ou placebo político?

Por Wanfil em Brasil, Ceará

28 de agosto de 2013

Devido ao programa Mais Médicos, o debate sobre saúde pública no Brasil foi deslocado momentaneamente das questões de ordem administrativa, para o exame acalorado, com certo viés ideológico, sobre a postura ética dos profissionais brasileiros de medicina.

Temos, como é de conhecimento geral, uma política de saúde cara e ruim. E sabemos disso não por causa das propagandas dos governos, onde hospitais são verdadeiras maravilhas repletas de profissionais felizes e pacientes gratos, mas pela experiência direta de quem precisa de atendimento em unidades públicas. Não é por acaso que os políticos mais poderosos, especialmente os que gostam de fazer proselitismo elogiando o SUS, correm para o hospital Sírio Libanês, em São Paulo, ao sinal de qualquer enfermidade.

Por isso, quando o assunto é saúde, eu nunca acredito no que um governo diz. Nenhum. Assim, segundo o governo federal, o serviço público de saúde é ruim no Brasil porque os médicos que não querem trabalhar nas cidades e nas regiões mais pobres e distantes do país. Pois é, não tem nada a ver com desperdício, incompetência administrativa e corrupção. Os médicos dizem que o problema é falta de estrutura, salários atrasados e calotes. Eu acredito nos médicos. Alguns preferem acreditar no políticos que só conhecem o Sírio Libanês.

Tiro no pé

Acontece que as associações de médicos, na melhor tradição sindical brasileira, puseram seu próprio discurso a perder, quando passaram a hostilizar os médicos cubanos “importados” para suprir a carência nesses lugares, digamos, inóspitos. Um vídeo gravado no aeroporto de Fortaleza mostra médicos brasileiros ofendendo médicos cubanos. São cenas constrangedoras que mais contribuíram para legitimar a obscena convocação de médicos estrangeiros sem exames de qualificação e “contratados” junto a uma ditadura.

Os médicos poderiam criar uma lista pública de municípios que não cumprem os contratos com os profissionais da categoria ou abrir um escritório de apoio aos estrangeiros em parceria com os dissidentes cubanos de Miami, de forma a mostrar que o núcleo da questão não é a nacionalidade ou uma reserva de mercado, mas medicina.

Dispensar esses médicos importados dos exames de conhecimentos é uma irresponsabilidade com os pacientes, claro, mas a culpa é do governo brasileiro. Os cubanos, coitados, vivem numa ditadura sanguinária ganhando 50 dólares mensais. Pare eles, ser explorados no Brasil rende mais do que ser explorado na fazenda de Fidel e Raul Castro.