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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

disputa

Vale-tudo eleitoral: entre a urna, a rinha e o octógono

Por Wanfil em Política

19 de julho de 2012

Duda Mendonça – Das criminosas rinhas de galo para as eleições, um só jeito de ver o mundo. É o vale tudo como filosofia de vida – Foto: Valter Campanato/ABr

Apesar de serem conhecidas como vale-tudo, as competições entre lutadores versados em diferentes artes marciais, muito na moda atualmente, possuem um mínimo de regras com o objetivo de garantir simultaneamente o espetáculo da violência e a preservação de seus protagonistas. Para conseguir sucesso em certas atividades, as regras devem se restringir ao básico. Em outras, o negócio é evitar regras. Para um terceiro tipo, o que vale é ignorar solenemente as regras.

Regras do jogo

Se no octógono só não vale dedo no olho e golpes nas partes íntimas, em outra competição – a “briga de galo” – não há limite algum. Os animais lutam até que um morra. Por isso sua prática é ilegal, definida como crime ambiental. Temos então dois tipos de competições, uma com poucas normas e outra sem qualquer normatização.

No plano simbólico, as disputas eleitorais guardam semelhanças com os octógonos e com as rinhas. No ringue eleitoral existem até algumas regras, mas na prática, poucos as seguem. É a competição com regras de aparência. Caixa dois, por exemplo, é proibido, mas todos sabem que o artifício é amplamente disseminado e tolerado. É um híbrido de vale-tudo com rinha de galo. Ao final, o que importa é vencer a qualquer custo, sem afetação de remorso ou piedade: difamação, promessas impossíveis, traições e calúnias são golpes comuns. Por isso, para quem gosta mesmo de perversidade, nada melhor do que o horário eleitoral gratuito.

A ética do hobby

A figura que melhor encarna e sintetiza a transposição da “ética” das rinhas e das lutas de vale-tudo para as campanhas eleitorais é o Sr. Duda Mendonça, renomado publicitário que chegou a ser preso em 2004 justamente por participação em “brigas de galo”. O baiano trabalhou em várias eleições com Paulo Maluf e depois com Lula da Silva, antecipando, em mais de uma década, a revelação de que entre os dois havia mais em comum – e menos limites – do que supõe nossa vã filosofia.

O Duda dos galos e da dupla Maluf/Lula conhece de perto os golpes baixos das campanhas. Para ele, literalmente, vale tudo. Em depoimento no Congresso Nacional, durante o caso do mensalão, confessou crimes financeiros ao confirmar o recebimento em paraísos fiscais de pagamentos feitos pelo Partido dos Trabalhadores. Não deu em nada, pois como eu disse, essa é uma regra tácita disseminada no vale-tudo eleitoral. E as regras? Para o publicitário, isso é detalhe: “O Brasil todo sabe que eu gosto de rinha de galo e sabe que esse é o meu hobby”. Leia mais

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Vale-tudo eleitoral: entre a urna, a rinha e o octógono

Por Wanfil em Política

19 de julho de 2012

Duda Mendonça – Das criminosas rinhas de galo para as eleições, um só jeito de ver o mundo. É o vale tudo como filosofia de vida – Foto: Valter Campanato/ABr

Apesar de serem conhecidas como vale-tudo, as competições entre lutadores versados em diferentes artes marciais, muito na moda atualmente, possuem um mínimo de regras com o objetivo de garantir simultaneamente o espetáculo da violência e a preservação de seus protagonistas. Para conseguir sucesso em certas atividades, as regras devem se restringir ao básico. Em outras, o negócio é evitar regras. Para um terceiro tipo, o que vale é ignorar solenemente as regras.

Regras do jogo

Se no octógono só não vale dedo no olho e golpes nas partes íntimas, em outra competição – a “briga de galo” – não há limite algum. Os animais lutam até que um morra. Por isso sua prática é ilegal, definida como crime ambiental. Temos então dois tipos de competições, uma com poucas normas e outra sem qualquer normatização.

No plano simbólico, as disputas eleitorais guardam semelhanças com os octógonos e com as rinhas. No ringue eleitoral existem até algumas regras, mas na prática, poucos as seguem. É a competição com regras de aparência. Caixa dois, por exemplo, é proibido, mas todos sabem que o artifício é amplamente disseminado e tolerado. É um híbrido de vale-tudo com rinha de galo. Ao final, o que importa é vencer a qualquer custo, sem afetação de remorso ou piedade: difamação, promessas impossíveis, traições e calúnias são golpes comuns. Por isso, para quem gosta mesmo de perversidade, nada melhor do que o horário eleitoral gratuito.

A ética do hobby

A figura que melhor encarna e sintetiza a transposição da “ética” das rinhas e das lutas de vale-tudo para as campanhas eleitorais é o Sr. Duda Mendonça, renomado publicitário que chegou a ser preso em 2004 justamente por participação em “brigas de galo”. O baiano trabalhou em várias eleições com Paulo Maluf e depois com Lula da Silva, antecipando, em mais de uma década, a revelação de que entre os dois havia mais em comum – e menos limites – do que supõe nossa vã filosofia.

O Duda dos galos e da dupla Maluf/Lula conhece de perto os golpes baixos das campanhas. Para ele, literalmente, vale tudo. Em depoimento no Congresso Nacional, durante o caso do mensalão, confessou crimes financeiros ao confirmar o recebimento em paraísos fiscais de pagamentos feitos pelo Partido dos Trabalhadores. Não deu em nada, pois como eu disse, essa é uma regra tácita disseminada no vale-tudo eleitoral. E as regras? Para o publicitário, isso é detalhe: “O Brasil todo sabe que eu gosto de rinha de galo e sabe que esse é o meu hobby”. (mais…)