discurso Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

discurso

Omissões da oposição pavimentam caminho para a reeleição de Camilo

Por Wanfil em Política

08 de agosto de 2017

Dispersa, oposição deixa caminho livre para o governo

O site do Governo do Ceará informa: “Governador reúne secretários para balanço do semestre e projeta execução de 1.400 obras no Estado“. O texto da matéria reforça o título: No encontro, foram destacadas as mais de 1.400 obras em andamento no Estado. Como ainda estão em andamento, é lítico concluir que as obras ainda por iniciar e as que já foram concluídas não constam dessa lista. E o próprio governador Camilo Santana ressaltou o que isso significa: No momento difícil que o Brasil vive, o Ceará tem ampliado os serviços.

Tudo isso é tão bacana que instiga a curiosidade. Que obras são essas? Onde estão sendo feitas? Qual o impacto delas? Reparo de adutora mal construída é obra em andamento? Conserto de teto de quadra esportiva que desabou é obra em andamento a constar na listagem de ações que demonstram a operacionalidade e competência da gestão? Não se trata de acusar, mas apenas de lembrar que informações oficiais precisam de critérios que possam avaliar a necessidade, a relação custo-benefício e a qualidade dos investimentos feitos com dinheiro público.

Certamente há méritos em muitos projetos, como também existem problemas em muitos outros. Além do mais, é importante saber se existem desequilíbrios na distribuição desses investimentos pelas regiões e municípios do Ceará. Será que a Região Norte, onde brilha Sobral, recebe mais recursos que o Cariri, de Barbalha, terra do governador? E o Sertão Central? Interesses políticos ou ausência de planejamento podem beneficiar uma área em detrimento de outra. Quem sabe, né?

Caberia à oposição fiscalizar isso. Mas com o PMDB rachado, o PSDB quase extinto, e com os deputados Heitor Férrer (PSB) e Capitão Wagner (PR) atuando isolados, no varejo, sem uma ação estratégica para o atacado, a oposição deita em berço esplêndido esperando as eleições do próximo ano. Sem contraponto ao seu discurso, o governo agradece. Ter uma oposição que não incomoda é o caminho mais curto para uma reeleição.

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Dilma repete Odorico Paraguaçu e mostra o Brasil para a ONU

Por Wanfil em Crônica

22 de Abril de 2016

Odorico na ONU: "I am here to kill the snake and show the stick. Because, with me, is bread bread, cheese cheese"

Odorico na ONU: “I am here to kill the snake and show the stick. Because, with me, is bread bread, cheese cheese”

Causou enorme alvoroço no Brasil a viagem da presidente Dilma Rousseff aos Estados Unidos para evento da Nações Unidas, realizado em Nova Iorque. De início, aventou-se a possibilidade de a presidente usar o espaço para “denunciar” o que ela e seus aliados chamam de golpe.

Ministros do STF deram duras declarações de repúdio a tese, a oposição protestou, um punhado de manifestantes favoráveis e contrários ao impeachment foram às ruas para disputar, vejam só, a opinião pública americana e internacional.

Ao final, Dilma focou sua fala em questões climáticas, objeto do encontro, para falar indiretamente e sem usar a expressão “golpe”, sobre a crise política no Brasil. Foi, portanto, muito barulho por nada.

O caso me fez lembrar um famoso episódio do seriado “O Bem Amado”, escrito por Dias Gomes e produzido pela Rede Globo, quando o prefeito Odorico Paraguaçu (Paulo Gracindo) foi a Nova Iorque oferecer um terreno para sediar a ONU. Enquanto isso, em Sucupira, a oposição acusava-o de inventar pretextos para viajar e governistas comemoravam o espírito visionário de Paraguaçu. Naturalmente, ninguém o ouviu.

Uma comparação direta entre Dilma e Odorico pode até ser feita, mas a associação de ideias que me levou de volta ao antigo seriado foi mesmo a semelhança com a celeuma interna gerada em torno de algo que, para o estrangeiro, fora de alguns círculos comerciais e diplomáticos, é totalmente irrelevante. Ninguém por lá se importa com o Brasil. Por acaso alguém se lembra de alguma comoção internacional diante do impeachment de Collor? Pois é.

Confira abaixo trecho do discurso proferido por Odorico Paraguaçu na calçada da ONU:

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Polêmica sobre golpe é cortina de fumaça para governo não falar de corrupção

Por Wanfil em Política

01 de Abril de 2016

A manifestação contra o impeachment em Fortaleza, que contou com a presença do governador Camilo Santana (PT), seguiu o mesmo roteiro de outras cidades, definido a partir de um comando comum, encenado de cima para baixo, e que pode ser resumido pelo bordão “não vai ter golpe”.

Nada disso é espontâneo. Os manuais de marketing eleitoral ensinam que larga na frente na disputa pela opinião pública o candidato que conseguir pautar o debate com temas e termos de seu interesse. Quem define o assunto e a forma de abordá-lo tem vantagem sobre o oponente. Pois bem, não é difícil perceber que essa estratégia foi transportada para as discussões sobre o impeachment, na medida em que o debate sobre corrupção e incompetência (origem dos protestos contra o governo) deslocou-se para o terreno do bate-boca político em torno de um suposto golpe que estaria em curso.

Assim os apoiadores do impeachment, seja no Congresso Nacional ou nas redes sociais, dedicam boa parte de seu tempo para se justificarem, receosos de serem mal interpretados, argumentando que o afastamento de presidentes é previsto na Constituição. Na sequência desse recuo de seus críticos, o governo, embora acuado por acusações diversas e crimes comprovados, flagrado em grampos e exposto por delações, passa a se apresentar como vítima para, junto com seus simpatizantes, dar lições de moral nos que defendem a operação Lava-Jato e que se valem das conclusões do TCU sobre crimes fiscais embasar o impedimento de Dilma.

O cúmulo se dá quando os que rejeitam o impeachment endossam (de modo consciente ou como massa de manobra) a tese segundo a qual ser contra os desmandos do PT no governo não é ser contra a corrupção, mas ser contra, vejam só, a própria democracia. E qualquer tentativa de rebater o sofisma é prontamente rebatida com um sonoro “não vai ter golpe”.

Essa inversão não é simples de ser feita. Resulta do confronto retórico entre uma força política organizada, coesa e experiente, contra grupos apartidários que atuam de forma improvisada, com os quais a oposição tenta pegar carona. Assim, toda vez que defensores do impeachment tentam explicar que não são golpistas apenas reforçam a polêmica sobre um tema de interesse do governo, enquanto este, por sua vez, escapa do fato óbvio de que, diante de tudo o que se sabe, ele é quem deveria dar explicações.

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Beto Studart: “Acordamos para reagir e começar um novo tempo”

Por Wanfil em Ceará

10 de Março de 2016

Em solenidade realizada na FIEC nesta sexta-feira, o Banco do Nordeste, presidido por Marcos Holanda, lançou o “Cartão FNE” para agilizar financiamentos com juros reduzidos com recursos do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste. Participaram empresários e políticos, incluindo os governadores do Ceará, Camilo Santana (PT); do Piauí, Wellington Dias (PT); e de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB).

Na maior parte do tempo os discursos foram técnicos, evitando na medida do possível as tensões políticas do momento. Pontualmente algumas ponderações nesse sentido foram feitas, de forma cautelosa, especialmente na fala do empresário Beto Studart, presidente da Fiec, cuja passagem reproduzo abaixo (grifos meus):

“Estou confiante de que acordamos para reagir e começar um novo tempo (…), porque sabemos que o cerne do problema não é econômico, é ético, é moral.

Está muito claro que as soluções para o Brasil vão além da economia e não podem ser postergadas nem mais um dia. Cada um de nós precisa exercer sua cidadania da forma mais transparente, para superarmos os entraves que impedem que o país siga o caminho correto e avance com sua vocação para potência mundial.

Cidadania, meus amigos, se pratica todos os dias, mas são nos momentos de maior dificuldade que precisamos exercê-la com mais força, com mais intensidade, com toda a paixão. São nesses períodos que devem aflorar o amor maior à nação, o patriotismo, o compromisso com o Brasil. A hora é agora e a missão é nossa.”

Tradução
Alguns dos presentes com os quais conversei queriam algo mais direto. É que as pessoas andam exaltadas. Como não se tratava de evento político, o discurso foi contundente dentro dos limites impostos pela liturgia e natureza da ocasião. Considerando ainda que estamos às vésperas de uma nova rodada de protestos contra Dilma e Lula, isso fica mais evidente, conforme demonstro em tradução livre que faço a seguir.

“Reagir” para começar um “novo tempo” significa agilizar a mudança de governo. Reconhecer que “o problema não é econômico”, mas “ético” e “moral”, é concordar que a gestão Dilma foi desmoralizada pela Lava Jato, perdendo, assim, qualquer condição de liderança. As “soluções que vão além da economia e não podem mais ser postergadas” são três: renúncia, cassação ou impeachment da presidente. “Exercer a cidadania com mais força e intensidade” significa ir às ruas. Quando? No próximo domingo, claro, pois “a hora é agora”. Retirada a maquiagem da formalidade, essa foi a essência do recado.

Repito: essa interpretação é exclusivamente minha. Na relação entre emissor e receptor da mensagem, foi assim que a decodifiquei.

Sem reação
Em seguida, o presidente e técnicos do BNB falaram. Ninguém citou o governo federal, muito menos a presidente. O elogiado do dia foi Marcos Holanda, economista de boa reputação indicado para a presidência do BNB por Eunício Oliveira (PMDB).

Finalizando o evento, a palavra foi concedida aos governadores. Nada sobre “escalada golpista”, “crise internacional” ou “recriação da CPMF”, que ninguém ali é bobo. Só Wellington Dias falou explicitamente o nome de Dilma Rousseff, mas só de passagem, em alusão a uma reunião. Camilo Santana ainda disse que o momento pede união e não divisão, sem maiores detalhes. Nenhum elogiou a presidente.

Esse silêncio também pode ser traduzido. Significa “Dilma está por conta própria”.

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Aula de cinismo: ministro da Educação ignora a realidade e diz que Ceará e Brasil estão crescendo. De onde ele tirou isso?

Por Wanfil em Educação

29 de outubro de 2015

O ministro da Educação, Aluísio Mercadante, veio no Ceará em busca de uma agenda positiva na quarta-feira. Participou de vários eventos cuidadosamente produzidos, falou em pacto nacional pela educação, fez elogios e discursos.

A certa altura, falando a uma plateia de professores e estudantes de escolas premiadas pelo governo estadual, e embalado pela recepção festiva, algo raro nesses tempos de crise, o ministro mandou ver:

“Hoje, o Ceará é o estado que mais cresce no Brasil. E são vocês que ajudam a fazer esse país crescer, pois é através do esforço de cada um de vocês que teremos um futuro ainda mais promissor para o Brasil.”

Correções
De onde Mercadante tirou isso? O país, ministro, está em RECESSÃO! Vamos aos fatos:

O Ceará não é o estado que mais cresce, pelo contrário, está entre os que mais sentem a crise. A economia estadual desabou 5,32% no segundo trimestre de 2015, superando, por exemplo, São Paulo (-5%), Minas Gerais (3,5%), Bahia (-1,9) e Rio Grande do Sul (-0,6).

O Brasil não está crescendo também, como todos sabem. Para o mercado, a expectativa é de que o PIB nacional registre uma retração na casa dos 3% em 2015 e de 1,5% em 2016.

Reprovado
Aluísio Mercadante foi colocado no Ministério da Educação como prêmio de consolação na última reforma ministerial, após ser demitido da poderosa Casa Civil, a pedido, ou melhor, por exigência de Lula e do PMDB. Substituiu o professor Renato Janine Ribeiro, que passou poucos meses no cargo, nomeado depois da saída de Cid Gomes da pasta, que também ficou poucos meses no cargo.

Sem intimidade técnica com a área, Mercadante fez o que sabe fazer: política ruim. Não realizou nada e distorce a realidade para fazer festa. Para isso, não há nada melhor do que vir ao Ceará.

PS. O governador Camilo Santana e o ministro Mercadante, ambos do PT, inauguraram mais uma escola profissionalizante em Fortaleza. Bacana. O nome da escola é Leonel Brizola, maior liderança na história do PDT. É que agora todo mundo por aqui é pedetista desde criancinha.

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A posse de Camilo: a distância entre discurso e prática

Por Wanfil em Política

02 de Janeiro de 2015

Camilo em discurso de posse: boas intenções esbarram em práticas antigas

Camilo em discurso de posse: boas intenções esbarram em práticas antigas. Foto: montagem sobre divulgação (Governo do Estado).

O discurso de posse do governador Camilo Santana (PT) seguiu o protocolo para ocasiões desse tipo: agradecimentos e palavras de otimismo e motivação.

Como foi candidato da situação, pregou a continuidade do “legado” que recebeu. No entanto, elegeu a redução dos índices de violência como uma de suas principais metas. Assunto complicado. Prudente, Camilo evitou críticas à gestão da Segurança Pública no governo Cid Gomes, que deixou o Ceará na condição de segundo estado mais violento do Brasil. Mas o reconhecimento de que a área exige mais atenção, dentro das circunstâncias, soa quase como uma autocrítica. O novo governador poderia ter falado sobre os investimentos recordes em segurança ou culpar supostas milícias pela situação, mas preferiu ser sucinto ao dizer que coordenará “diretamente as ações para combater a criminalidade”. Perfeito. Não deixa de ser uma confissão indireta de que as coisas realmente fugiram ao controle.

De resto, em linhas gerais, o discurso foi um apanhado de boas intenções: só gente de bem interessada em fazer tudo pelos mais necessitados, sem esquecer nunca de combater a corrupção. É de praxe. Aqui vale uma menção ao momento poético em que, após agradecer familiares, o governador afirmou que agora todos os cearenses são a sua família. Redação inspirada.

Até aí o discurso estava bacana, no campo das vontades e das linhas gerais que devem nortear a administração. Mas a conversa desandou quando Camilo mencionou os critérios para a formação de sua equipe: “todos foram escolhidos por sua competência e potencialidade”. Como? Não é bem assim… É possível reconhecer indicações predominantemente técnicas no novo secretariado, mas é inegável o peso de questões políticas como cotas partidárias (o velho e bom loteamento de cargos), projetos eleitorais para candidatos a deputado ou a prefeituras em 2016, nomeação de representantes da gestão Cid, acomodação de aliados não eleitos, entre outros, como critérios vigentes no processo de escolha.

Simplesmente não é possível explicar com argumentos de competência técnica a escolha de alguns indicados. Inácio Arruda (PCdoB) para a Secretaria da Ciência e Tecnologia, Osmar Baquit (PSD) para a Pesca e Aquicultura, David Duran (PRB) para o Esporte, Zé Linhares (PP) no Conselho de Educação, Míriam Sobreira (Pros) na Secretaria de Políticas sobre Drogas,  Dedé Teixeira (PT) na Secretaria de Desenvolvimento Agrário e Artur Bruno (PT) para o Meio Ambiente, são exemplos disso. Podem se sair bem, mas não foi na base do currículo profissional e do conhecimento profundo nas respectivas áreas para as quais foram nomeados, que se deu a escolha. Melhor seria dizer que “alguns foram chamados por questões técnicas e outros pela capacidade política de articulação etc., etc.”. Ficaria menos distante da realidade. Por fim, querer disfarçar o óbvio faz parecer que certas indicações constrangem o novo chefe do Executivo estadual.

Fica a lição. Quando tratam de fatos objetivos, concretos, palavras precisam estar conectadas com ações se quiserem ser levadas a sério.

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E o tema da eleição é: ‘milionários X profissionais da política’

Por Wanfil em Eleições 2014

04 de agosto de 2014

“Aqui não tem milionários”, diz Camilo Santana, candidato do PT ao governo do Ceará, que na verdade é um candidato genérico do Pros, partido que hoje comanda o Estado. É uma crítica aos patrimônios dos candidatos Eunício Oliveira, do PMDB, e Tasso Jereissati, do PSDB. Tecnicamente, é uma aposta na clivagem surrada, mas de algum apelo em países de grande desigualdade social, entre ricos e pobres. A mensagem é: somos nós, os pobres, contra eles, os ricos.

Marxismo de botequim como estratégia
Esse apelo ao marxismo de botequim não é à toa e tem função estratégica clara. Foi lançado nessas eleições por Ciro Gomes, outro que se quer humilde despossuído, com seu estilo peculiar. Camilo depois retoma o assunto, de forma mais moderada, para deixá-lo em evidência. De quebra, é uma alusão ao fato de Eunício possuir empresas que tem contratos com governos. Como um de seus clientes é o governo federal, seria bom que Ciro e Camilo alertassem Dilma caso realmente saibam de algo desabonador, não é?

Outro ponto interessante é que, apesar de fazer graça com a história de que não tem milionários na chapa, a coligação tem previsão de gastos de dezenas de milhões de reais. Pode parecer uma contradição, e milhões sem milionários é algo suspeito por natureza, mas como estamos falando de política, o raciocínio lógico nem sempre prevalece.

Notem que se trata de um cálculo. O candidato poderia dizer: “Aqui não tem corrupto”. Mas seu partido é o partido do mensalão. Melhor não ir por aí. Quem sabe um “aqui não tem traidor”, mas aí complicava o pessoal do Pros, aliados de Cid que mudam de partido vez por outra.

Revide
A resposta de Eunício e alguns aliados tem sido mais ou menos esta: “Não vamos baixar o nível e entrar em bate-boca, mas aqui não tem profissional da política”, em referência ao fato de Cid e Ciro Gomes, padrinhos da candidatura de Camilo, não possuírem atividade profissional conhecida fora da política, afinal, desde jovens ocupam cargos públicos.

Ficasse apenas na primeira parte, seria uma boa resposta, mas com o complemento, perde a eficácia, pois acaba servindo ao propósito dos ataques, pois termina dentro do tema proposto pelos adversários. Qualquer resposta que repercuta as acusações e ilações feitas por quem está atrás nas pesquisas tem o poder de colocá-lo no debate em condição estratégica favorável. Tem muito consultor dizendo que não responder é o pior. Nada disso. Responder aquilo o que espera o concorrente é que é o erro. O segredo aí é mudar o eixo da prosa. O revide precisa desmontar a intenção do outro candidato.

Se provocam com o “aqui não tem milionário”, a melhor resposta seria “aqui não tem incompetente”, ou “aqui tem gente indignada com a insegurança, com a seca, com a saúde precária”. Tirar o foco da discussão do patrimônio pessoal dos candidatos, que a rigor não tem nada demais (a não ser que existam provas de crimes), afinal, não é ilegal ser rico ou ter a política como profissão, e trazê-la para as questões administrativas.

Quem define o tema do debate leva vantagem
Aprendi que leva sempre vantagem quem estabelece os temas sobre os quais a campanha irá se desenrolar. Nesse momento, a luta é exatamente essa. Estamos com açudes secando, uma situação calamitosa, violência em alta e saúde desaprovada em pesquisas. Por enquanto, tudo isso aguarda por um debate. Pode ser que estejam esperando a propaganda de televisão. A demora, no entanto, beneficia quem não quer falar desses assuntos.

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O que não dá pra disfarçar é a insegurança

Por Wanfil em Segurança

11 de Abril de 2014

O governo do Estado lançou na quinta-feira (10) o Programa em Defesa da Vida, que já vinha funcionando em “caráter experimental” desde janeiro. É o conjunto de ações implementadas pelo secretário Servilho Paiva, importado de Pernambuco para tentar estancar a sangria nos índices de violência no Ceará, com destaque para divisão do Estado em 18 áreas de segurança e a remuneração extra para policiais que alcançarem as metas estabelecidas.

Na ocasião, o governador Cid Gomes afirmou, em tom de desabafo, que gostaria de andar disfarçado para ver como funciona a criminalidade. Trata-se, claro, de uma figura de linguagem que não deve ser levada ao pé da letra. Na verdade, o desejo aí expressado é uma forma oblíqua de dizer que a complexidade da insegurança ultrapassa a efetividade das ações empreendidas na área até o momento. Indo mais longe um pouco, não deixa de ser um reconhecimento de que a autoridade constituída não sabe o que fazer. Daí a necessidade de um programa em “caráter experimental” lançado no último ano de sua segunda gestão.

A frustração do governador é compreensível. Certamente, ninguém mais do que ele gostaria de acertar o rumo, mas isso não basta, como atestam os números surreais no setor. E com poucos meses restando para o fim do mandato, é praticamente impossível alguma mudança de impacto ainda na a gestão Cid Gomes. Resta tentar estabilizar o quadro e reduzir os danos de imagem aferidos em pesquisas, já que estamos em ano eleitoral.

Consciente disso, o governo busca um novo discurso para amenizar as inevitáveis críticas de opositores de até de aliados. A conversa batida sobre grandes investimentos, apesar de verdadeira, não cola mais, uma vez que os resultados não apareceram. Aliás, soa mesmo como uma confissão de que os recursos não foram bem utilizados. Por isso agora o reforço de argumentação, com o anúncio de novas metodologias baseadas em análises científicas. A prioridade agora é reunir material para os marqueteiros trabalharem.

Só que aí relatórios de organismos internacionais (até a ONU!) teimam em ofuscar o discurso oficial, classificando o Ceará como um do lugares mais perigosos do mundo. Se o governador quisesse mesmo andar disfarçado, isso seria fácil, porém, perigoso. Difícil mesmo é enxergar uma saída até outubro ou até o final da gestão. Se tem algo que não tem como disfarçar de jeito nenhum, é a nossa insegurança.

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O que não dá pra disfarçar é a insegurança

Por Wanfil em Segurança

11 de Abril de 2014

O governo do Estado lançou na quinta-feira (10) o Programa em Defesa da Vida, que já vinha funcionando em “caráter experimental” desde janeiro. É o conjunto de ações implementadas pelo secretário Servilho Paiva, importado de Pernambuco para tentar estancar a sangria nos índices de violência no Ceará, com destaque para divisão do Estado em 18 áreas de segurança e a remuneração extra para policiais que alcançarem as metas estabelecidas.

Na ocasião, o governador Cid Gomes afirmou, em tom de desabafo, que gostaria de andar disfarçado para ver como funciona a criminalidade. Trata-se, claro, de uma figura de linguagem que não deve ser levada ao pé da letra. Na verdade, o desejo aí expressado é uma forma oblíqua de dizer que a complexidade da insegurança ultrapassa a efetividade das ações empreendidas na área até o momento. Indo mais longe um pouco, não deixa de ser um reconhecimento de que a autoridade constituída não sabe o que fazer. Daí a necessidade de um programa em “caráter experimental” lançado no último ano de sua segunda gestão.

A frustração do governador é compreensível. Certamente, ninguém mais do que ele gostaria de acertar o rumo, mas isso não basta, como atestam os números surreais no setor. E com poucos meses restando para o fim do mandato, é praticamente impossível alguma mudança de impacto ainda na a gestão Cid Gomes. Resta tentar estabilizar o quadro e reduzir os danos de imagem aferidos em pesquisas, já que estamos em ano eleitoral.

Consciente disso, o governo busca um novo discurso para amenizar as inevitáveis críticas de opositores de até de aliados. A conversa batida sobre grandes investimentos, apesar de verdadeira, não cola mais, uma vez que os resultados não apareceram. Aliás, soa mesmo como uma confissão de que os recursos não foram bem utilizados. Por isso agora o reforço de argumentação, com o anúncio de novas metodologias baseadas em análises científicas. A prioridade agora é reunir material para os marqueteiros trabalharem.

Só que aí relatórios de organismos internacionais (até a ONU!) teimam em ofuscar o discurso oficial, classificando o Ceará como um do lugares mais perigosos do mundo. Se o governador quisesse mesmo andar disfarçado, isso seria fácil, porém, perigoso. Difícil mesmo é enxergar uma saída até outubro ou até o final da gestão. Se tem algo que não tem como disfarçar de jeito nenhum, é a nossa insegurança.