DIlma Rousseff Archives - Blog do Wanfil 
Publicidade

Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

DIlma Rousseff

Bolsa Família: o eterno ativo eleitoral

Por Wanfil em Política

15 de agosto de 2017

O governador cerense Camilo Santana, do PT, classificou de “crime” o recente anúncio de cortes no programa Bolsa Família. Segundo o petista, “quem deve pagar a conta da má administração do país não são os mais pobres, mais humildes”.

Quem há de discordar? A questão, porém, é outra: quem pode realmente cobrar em nomes dos mais humildes? Durante os anos de crescimento da economia brasileira (impulsionada por commodities e sempre abaixo da média dos países emergentes, festivamente embalada como verdadeiro milagre para consumo local), o conceito de política compensatória que inspirou o  Bolsa Família foi pervertido ativo eleitoreiro paternalista, a comprar gratidão em troca de votos.

E como deu certo, não obstante a contradição entre o aumento na distribuição dos benefícios e os anúncios sobre a maior redução de pobreza do mundo. Ora, com menos pobres, o programa deveria progressivamente reduzir, como reflexo da emancipação dos assistidos ou de seus filhos, a geração que teria condições de ir à escola. Se cresceu é porque a pobreza aumentou, não é lógico?

Sim, o programa é importante e necessita de maior controle, mas é evidente que o combate à pobreza pela mera via da transferência de recursos da classe média para os miseráveis é limitado, pois a base material não muda.

O problema é que a gestão Temer não inspira confiança em ninguém. Politicamente, é óbvio que a oposição tentará tirar, mais uma vez, proveito eleitoral da situação. Os governistas, cuja maioria até outro dia era parceira do petismo, que se expliquem agora. Isso, todavia, não autoriza o oportunismo dos responsáveis pela crise. Se hoje o mais humilde “paga pela má administração do país”, é preciso lembrar que essa incompetência administrativa diz respeito sobretudo a gestão da ex-presidente Dilma Rouseff, com a maior recessão da história, juros e inflação nas alturas, corroendo renda e ceifando vagas de trabalho, sem que nenhum dos seus aliados jamais reclamasse de nada.

Publicidade

Ibope mostra que Temer é quase tão impopular quanto Dilma. Pudera…

Por Wanfil em Pesquisa

31 de Março de 2017

Separados pela crise, unidos na impopularidade

Pesquisa CNI/Ibope divulgada nesta sexta mostra que 73% dos brasileiros desaprovam Michel Temer. No mesmo período do ano passado outra pesquisa Ibope registrou que 82% dos brasileiros desaprovavam a maneira de Dilma Rousseff governar.

Significa arrependimento de quem foi às ruas protestar contra a pobre Dilma, como insinuam aliados da ex-presidente? Não, claro que não. A petista colheu o que plantou. É apenas a constatação de que medidas impopulares para sair da recessão não são chamadas de impopulares à toa.

Além do mais, quem apoiou o impeachment não o fez por simpatia a Temer, ou por ver sinais de austeridade moral na sua figura, mas por entender que naquela conjuntura a troca de comando representaria o menor dos males.

Na verdade, a imensa maioria dos que pediram a saída da petista sempre desconfiou do peemedebista, afinal, não por acaso eles foram parceiros de chapa, unidos como os dois lados de uma mesma moeda que apenas virou de cara para coroa. É até curioso que o resultado não seja pior, pois boa parte dos que votaram nele agora guarda indisfarçável ressentimento.

De qualquer modo, é bom que seja assim, pois a História mostra que no Brasil a popularidade anda de mãos dadas com o populismo.

Publicidade

Lula convida Ciro a visitar transposição para impedir que Temer se aproprie da obra

Por Wanfil em Política

16 de Março de 2017

Temer que aparecer – sozinho! – na foto da transposição – (Beto Barata/Presidência da República)

Lula convidou Dilma Rousseff e Ciro Gomes, que foi ministro da Integração nacional na gestão do petista, para visitar a transposição do Rio São Francisco no próximo domingo, na Paraíba. Pelo menos é o que dizem os principais jornais do país. Seria uma resposta ao presidente Michel Temer, que recentemente foi inspecionar a obra, com direito a discursos na expectativa de mostrar serviço aos nordestinos. Na prática, os ex-aliados disputam sua paternidade.

Aos fatos: o empreendimento saiu do papel na gestão de Lula em 2007, com previsão de ser concluída em 2010, mas atrasou. Dilma o sucedeu, mas não conseguiu terminar a transposição. Aliás, a obra chegou a parar na sua administração. Michel Temer agora corre para destravar entraves burocráticos e problemas financeiros para concluí-la e faturar politicamente com sua inauguração.

Disputas à parte, é evidente que se existe um “pai” para a transposição, esse é Lula. Não há o que discutir. Tudo o que diz respeito a sua execução deve ser atribuído ao petismo, por uma questão de justiça. Tudo! A obra, os custos estratosféricos, as licitações complicadas, as relações com empreiteiras enroladas na Lava-Jato e os atrasos injustificáveis. Temer, na condição de aliado importante, com boa vontade pode figurar como padrinho, para bem ou para o mal.

Não sei o porquê de tanta discussão. Resta saber se Ciro topa ir fazer palanque para o réu Lula, já que os dois são pré-candidatos à Presidência da República.

Publicidade

Odebrecht usou cervejaria com amigos no Ceará para disfarçar propina

Por Wanfil em Corrupção

03 de Março de 2017

A imprensa nacional repercute o depoimento de Marcelo Odebrecht à Justiça Eleitoral, que confessou, entre outros crimes, ter usado a Cervejaria Petrópolis para terceirizar doações para o caixa dois para a campanha de Dilma Rousseff e Michel Temer em 2014. A empresa, que pertence ao enrolado empresário Walter Farias, é dona da marca Itaipava, “a cerveja 100%”.

Não há notícias de doações da cervejaria para candidatos no Ceará. Não significa dizer que a empresa não tenha relações influentes no Estado. Veja um resumo do que o blog já publicou a respeito nos posts A cerveja 100% e Justiça põe água no chope de Cid Gomes:

Segundo reportagem da revista Época, em 2014 a Petrópolis renegociou um empréstimo de R$ 830 milhões com o BNB, que liberou a empresa de oferecer garantias para sua quitação, manobra de interesse político que gerou insatisfação interna junto aos técnicos do banco. Logo em seguida, a cervejaria doou R$ 17,5 milhões para a candidata Dilma Rousseff.

Também em 2014, a Petrópolis fechou acordo para alugar um galpão em Sobral, que ainda seria construído pelo então governador Cid Gomes e um sócio. Valor do aluguel: R$ 36 mil mensais, de acordo com outra matéria da Época. No mesmo ano, o BNB emprestou em condições especiais R$ 1,3 milhão de reais para uma empresa de Cid construir o tal galpão. O financiamento foi questionado pelo Ministério Público e Cid agora é réu em processo que corre na Justiça Federal sobre o caso.

E o que tem a ver o caso da propina com tudo isso? Além da cervejaria de Walter Farias, das datas, da relação com a campanha de Dilma e da proximidade de todos com o BNB na gestão petista, nada. Nadinha. São casos distintos que apenas mostram como o mundo é pequeno. É 100% coincidência.

Publicidade

Camilo finalmente cobra o Governo Federal por transposição: antes tarde do que nunca!

Por Wanfil em Ceará

08 de novembro de 2016

Dilma vistoria transposição atrasada no Ceará

Dilma vistoria transposição no Ceará, em 2014. Na ocasião, a conclusão da obra, prevista para 2010 e depois para 2012, foi adiada para 2015. Seus aliados nunca reclamaram.

O governador Camilo Santana, ainda no PT, responsabilizou publicamente, em entrevista coletiva, o governo Michel Temer (PMDB) pelo atraso das obras de transposição do Rio São Francisco. A cobrança é válida e pertinente, uma vez que a conclusão do projeto foi mais uma vez adiada, agora para o ano que vem, embora os efeitos da seca prolongada se agravem a cada dia.

Está, portanto, certíssimo o governador em expor a situação na sua realidade. Quem tem que resolver o problema é o governo Temer e pronto.

Pena que Camilo, e antes dele Cid Gomes, e a bancada federal cearense, com pouquíssimas exceções, não fizeram essas cobranças públicas quando a transposição atolava no mar de incompetência e suspeitas de corrupção que engolia a obra, sem o peso da crise econômica, das gestões dos ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff.

Foi preciso esperar o impeachment para que os então governistas do Ceará acordassem para a urgência que o caso pede, denunciando a situação para a população. Em 2014, ano eleitoral, uma exposição dessas poderia ter acelerado o cronograma. Agora a cobrança ficou tão atrasada quanto a obra. Porém, nos dois casos, antes tarde do que nunca.

Publicidade

Ídolos finados

Por Wanfil em Ideologia

02 de novembro de 2016

Referências para uns, assombrações para outros

Referências para uns, assombrações para outros

A ex-prefeita de Fortaleza Luizianne Lins (PT) tinha em sua sala no Paço um retrato de Che Guevara, ídolo das esquerdas e administrador do campo de concentração La Cabaña (pesquisem, jovens). É um finado que vive como símbolo.

O atual prefeito reeleito de Fortaleza, Roberto Cláudio (PDT), tem em sua sala um retrato da ex-presidente Dilma Rousseff, ídolo (sem flexão de gênero, é claro) da esquerda nacional e administradora responsável pela maior recessão da História do Brasil. É uma finada política condenada ao ostracismo.

São imagens extraoficiais que ilustram referências históricas e ideológicas. Parafraseando Carlos Drummond no célebre poema sobre Itabira, não passam de fotografias na parede que para alguns representam inspiração e para outros servem como lembranças de assombrações perversas.

Publicidade

Luizianne para RC: “O que você acha do impeachment da presidente Dilma”?

Por Wanfil em Eleições 2016

02 de setembro de 2016

A candidata Luizianne Lins (PT) trouxe o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff para a disputa eleitoral em Fortaleza, durante o debate realizado pela Nordestv (ver cobertura aqui:  Capitão Wagner muda estratégia e confronta Roberto Cláudio em debate), ao indagar a posição do atual prefeito, Roberto Cláudio (PDT), candidato à reeleição, sobre o tema. Abaixo, reproduzo pergunta e resposta, com grifos meus, e em seguida comento rapidamente.

Luizianne Lins: “Eu queria perguntar para o candidato Roberto Cláudio. Eu estive ontem com a presidente Dilma, porque nós tivemos um processo que considero um ‘golpe’ grave na democracia brasileira, e o candidato tem como seu vice um candidato que é do DEM, que foi um dos partidos artífices do ‘golpe’ contra a presidente Dilma. Como eu não ouvi nenhuma manifestação de vossa excelência sobre essa questão, eu gostaria de lhe perguntar: o que você acha do impeachment da presidente Dilma e o seu vice?

Roberto Cláudio: “Se não ouviu, deputada, não foi por falta de oportunidade em eu ter dito. Já manifestei publicamente, inclusive estive com ex-presidente pessoalmente, junto com seis outros prefeitos, entendendo que o impeachment é um erro, o impeachment trará à democracia brasileira cicatrizes que nós não sabemos ainda os exatos contornos dela, e enfim, minha posição pública e clara é essa. Lamento o que aconteceu, o processo tanto o processo de impeachment quanto o desfecho dele. De fato meu vice tem uma posição diferente a respeito do assunto. Não só disso! Ele pensa diferente de mim em outros assuntos também. Entretanto nós estamos juntos nessa empreitada pelo que nos une e não pelo que nos separa.”

Iguais, mas diferentes

O processo de impeachment da presidente mais impopular que já houve, cassada por crime de responsabilidade em maior a maior recessão da História do País, pode afetar as campanhas de seus correligionários e aliados.

Ao obrigar Roberto Cláudio se posicionar contra o impeachment (e ficou evidente que ele estava com a resposta bem ensaiada), Luizianne, que não é amadora em campanhas eleitorais, muito pelo contrário, procurou expor o adversário. Ela sabe que os eleitores que rejeitam Dilma tendem a rejeita-la, por razões óbvias. Portanto, reforçar que RC também é próximo da ex-presidente pode fazer esse mesmo público rejeitar igualmente o prefeito.

Por outro lado, eleitores mais moderados do PT podem votar até votar em RC, mas se perceberem que este faz uma defesa tímida, protocolar para não parecer que deu as costas para a antiga aliada, podem se decepcionar e ficar com a candidata do próprio PT. Reparem que o prefeito não falou as palavras “golpe”, “inocente” ou “honesta”. Apenas disse que se trata de um “erro” que pode deixar cicatrizes na democracia.

Nas atuais circunstâncias, foi uma resposta para agradar a média de seus eleitores. Se o assunto voltará a ser explorado, os próximos dias irão dizer.

Publicidade

Em ato final Dilma cita Maiakósvik, o poeta que se matou decepcionado com a revolução

Por Wanfil em Cultura

01 de setembro de 2016

Vladimir Maiakóvski: o poeta que acreditou nas promessas do "Partido" e depois se decepcionou

Vladimir Maiakóvski: o “Poeta da Revolução” que acreditou nas promessas do “Partido” e seus líderes, para depois morrer de decepção

No pronunciamento que fez logo após a aprovação do impeachment pelo Senado Federal, a ex-presidente Dilma Rousseff encerrou declamando uma poesia:

“Neste momento, não direi adeus a vocês. Tenho certeza de que posso dizer “até daqui a pouco”. Encerro compartilhando com vocês um belíssimo alento do poeta russo Maiakóvski:

Não estamos alegres, é certo,
Mas também por que razão haveríamos de ficar tristes?
O mar da história é agitado
As ameaças e as guerras, haveremos de atravessá-las,
Rompê-las ao meio,
Cortando-as como uma quilha corta.”

Vladimir Maiakóvski suicidou-se com um tiro, aos 36 anos, em 14 de Abril de 1930, decepcionado com a ditadura do proletariado, da qual foi entusiasta na juventude, especialmente quan­do Stá­lin passa a perseguir os que não se enquadrassem na or­to­do­xia do Partido Comunista.

Poeta de grande envergadura, Maiakóvski até que tentou, mas não conseguiu fugir da depressão por ter que submeter sua arte à degradação da propaganda engajada (foi obrigado a escrever poemas sobre políticas sanitárias). Matou-se, por fim, ao reconhecer que os sonhos anunciados pela Revolução e o anúncio do paraíso igualitarista não se encaixavam com liberdade.

Depois do suicídio, Stálin faz de Maiakóvski o “Poeta da Revolução”. Não há poeta mais apropriado para ilustrar a incompatibilidade entre as promessas de mudanças do petismo e suas práticas em 13 anos no poder.

Publicidade

Camilo Santana, agora oficialmente na oposição, lamenta impeachment de Dilma

Por Wanfil em Política

31 de agosto de 2016

O governador do Ceará, Camilo Santana, do PT, lamentou, em sua página no Facebook, o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, também do PT, consumado em sessão realizada no Senado Federal nesta quarta-feira, 31 de agosto. Reproduzo trecho:

“A deposição da presidenta Dilma Rousseff teve hoje seu ato final no Senado Federal. (…) Não poderia deixar de dizer que considero o desfecho do mais injusto processo da história democrática deste país, quando uma mulher honrada, honesta, foi punida da forma mais severa, extirpada da cadeira da Presidência. A resposta para a insatisfação com um governo deve ser a voz democrática das urnas; jamais a imposição da vontade dos opositores como uma espécie de eleição indireta. O que está em jogo não é apenas o mandato de uma presidenta, mas o direito sagrado conquistado pelos brasileiros de escolher seus representantes democraticamente pelo voto direto.

Hoje é um dia muito triste para a democracia brasileira. A história haverá de julgar este momento. Quero prestar a minha solidariedade à presidenta Dilma pela sua resistência, força, decência e convicção nos seus ideais democráticos. Sai deste processo deixando uma lição de coragem e firmeza.”

É compreensível a solidariedade do governador cearense, não obstante o fato de Dilma ter atrasado as obras de transposição do São Francisco e cancelado a refinaria da Petrobras. Vale destacar ainda a postura discreta do governador durante o impeachment, processo naturalmente carregado de emoção, priorizando as obrigações de gestor. Porém, sobre manifestação a respeito da cassação de Dilma por crimes de responsabilidade, faço rápidas considerações:

1) Michel Temer foi eleito com os mesmos votos diretos de Dilma, tal como vice-governadora Izolda Cela recebeu os mesmos votos de Camilo Santana. Portanto, assume segundo as regras de nossa democracia. Aliados cearenses, gostem ou não, pediram votos para Temer também;

2) O impeachment tem previsão constitucional e foi presidido pelo chefe do Poder Judiciário, Ministro Ricardo Lewandowski, tudo dentro da legalidade;

3) Além da “lição de coragem e firmeza”, Dilma deixa também uma taxa de desemprego de 11,6% (o sétimo maior do mundo) e PIB em queda de 3,8%, inflação de 9% nos últimos doze meses, juros de 14,25% e queda de 20% nos repasses do Fundo de Participação dos Estados para o Ceará.

Publicidade

Impeachment de Dilma é duro golpe para candidatos petistas

Por Wanfil em Política

31 de agosto de 2016

O impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, detentora do recorde de impopularidade, em meio à campanha eleitoral para prefeitos e vereadores, é um duro golpe (sem trocadilhos) contra candidatos do PT e aliados.

Num ambiente de recessão econômica, desemprego em alta e inflação, além da corrupção revelada pela Lava Jato, a condenação de Dilma se transforma numa espécie de síntese de um projeto político sem força para apresentar, por enquanto, expectativa de futuro. Sem dúvida, as marcas do fracasso e da decepção se projetam sobre as candidaturas do partido, seja nas capitais ou no interior.

No Ceará, a disputa em cidades como Fortaleza, Juazeiro, Quixadá e Sobral, onde o PT registrou forte atuação nos últimos anos, tende a ficar mais difícil para candidatos ligados à sigla e à ex-presidente. E não adianta falar em golpe ou injustiça, pois o eleitor é quem se sente injustiçado diante da crise.

Evidentemente, candidatos do PMDB ou apoiado pelo partido do presidente Michel Temer podem anunciar que contam com o apoio do governo federal, o que, em tese, é uma vantagem. Temer não é popular, mas a crença no poder federal pode surtir efeito.

De resto, é aguardar para conferir quantas lideranças políticas no Estado permanecerão ao lado do PT decaído.

Publicidade

Impeachment de Dilma é duro golpe para candidatos petistas

Por Wanfil em Política

31 de agosto de 2016

O impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, detentora do recorde de impopularidade, em meio à campanha eleitoral para prefeitos e vereadores, é um duro golpe (sem trocadilhos) contra candidatos do PT e aliados.

Num ambiente de recessão econômica, desemprego em alta e inflação, além da corrupção revelada pela Lava Jato, a condenação de Dilma se transforma numa espécie de síntese de um projeto político sem força para apresentar, por enquanto, expectativa de futuro. Sem dúvida, as marcas do fracasso e da decepção se projetam sobre as candidaturas do partido, seja nas capitais ou no interior.

No Ceará, a disputa em cidades como Fortaleza, Juazeiro, Quixadá e Sobral, onde o PT registrou forte atuação nos últimos anos, tende a ficar mais difícil para candidatos ligados à sigla e à ex-presidente. E não adianta falar em golpe ou injustiça, pois o eleitor é quem se sente injustiçado diante da crise.

Evidentemente, candidatos do PMDB ou apoiado pelo partido do presidente Michel Temer podem anunciar que contam com o apoio do governo federal, o que, em tese, é uma vantagem. Temer não é popular, mas a crença no poder federal pode surtir efeito.

De resto, é aguardar para conferir quantas lideranças políticas no Estado permanecerão ao lado do PT decaído.