Demina Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Demina

Dica de leitura: Demian, de Hermann Hesse

Por Wanfil em Livros

31 de julho de 2016

Capa Demian V3 MFDica de livro do Wanfil: Demian, de Hermann Hesse, escritor alemão ganhador do Nobel, publicado em 1916. Fala da amizade entre o narrador, Emil Sinclair, de dez anos, e seu colega de escola Max Demian, crianças buscando descobrir o mundo e que permitem ao autor trabalhar reflexões sobre a natureza humana, num contexto em que a promessa de prosperidade do Século 19 entra em choque com as sombrias mazelas do Século 20, o mais sanguinário da História.

Simbolicamente, essa divisão é magistralmente retratada nas diferenças entre a segurança do lar e a imprevisibilidade das ruas, onde a regra é a luta pela sobrevivência. Daí o nome do primeiro capítulo ser “Dois mundos”. Segue um trecho, retirado ainda do prólogo do livro, em primeira pessoa:

Não é agradável a minha história, não é suave e harmoniosa como as histórias inventadas; sabe a insensatez e a confusão, a loucura e o sonho, como a vida de todos os homens que já não querem mais mentir para si mesmos.”

Literatura de qualidade é assim: resulta em exercício de autoavaliação (como indivíduo e como sociedade), com o ritmo instigante das histórias envolventes, distante da superficialidade das lições de autoajuda. Nada mais fundamental nesses tempos, quando as pessoas alardeiam certezas ao sabor de ideologias idiotizantes. Reparem que o trecho destacado acima não elogia os que não mentem para si mesmos, mas os que almejam essa condição. O ponto de inflexão está na vontade do sujeito. Até porque, como sabemos por experiência própria, a disposição de enfrentar nossos erros não é certeza de imunidade aos enganos.

Assim, o tentar, a busca por algo maior, o estado de alerta com os próprios atos e pensamentos e o compromisso com a essas intenções é o que pode distinguir o homem adulto daquele que aceita, passivamente, iludir-se como se fosse criança, porém, sem a inocência da idade.

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Dica de leitura: Demian, de Hermann Hesse

Por Wanfil em Livros

31 de julho de 2016

Capa Demian V3 MFDica de livro do Wanfil: Demian, de Hermann Hesse, escritor alemão ganhador do Nobel, publicado em 1916. Fala da amizade entre o narrador, Emil Sinclair, de dez anos, e seu colega de escola Max Demian, crianças buscando descobrir o mundo e que permitem ao autor trabalhar reflexões sobre a natureza humana, num contexto em que a promessa de prosperidade do Século 19 entra em choque com as sombrias mazelas do Século 20, o mais sanguinário da História.

Simbolicamente, essa divisão é magistralmente retratada nas diferenças entre a segurança do lar e a imprevisibilidade das ruas, onde a regra é a luta pela sobrevivência. Daí o nome do primeiro capítulo ser “Dois mundos”. Segue um trecho, retirado ainda do prólogo do livro, em primeira pessoa:

Não é agradável a minha história, não é suave e harmoniosa como as histórias inventadas; sabe a insensatez e a confusão, a loucura e o sonho, como a vida de todos os homens que já não querem mais mentir para si mesmos.”

Literatura de qualidade é assim: resulta em exercício de autoavaliação (como indivíduo e como sociedade), com o ritmo instigante das histórias envolventes, distante da superficialidade das lições de autoajuda. Nada mais fundamental nesses tempos, quando as pessoas alardeiam certezas ao sabor de ideologias idiotizantes. Reparem que o trecho destacado acima não elogia os que não mentem para si mesmos, mas os que almejam essa condição. O ponto de inflexão está na vontade do sujeito. Até porque, como sabemos por experiência própria, a disposição de enfrentar nossos erros não é certeza de imunidade aos enganos.

Assim, o tentar, a busca por algo maior, o estado de alerta com os próprios atos e pensamentos e o compromisso com a essas intenções é o que pode distinguir o homem adulto daquele que aceita, passivamente, iludir-se como se fosse criança, porém, sem a inocência da idade.