debate Archives - Blog do Wanfil 
Publicidade

Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

debate

MPF investiga intolerância ideológica na UECE: a pluralidade das ideias não pode ser apenas um discurso

Por Wanfil em Ideologia

01 de dezembro de 2018

Durante as eleições deste ano a professora Catarina Rochamonte, do curso de Filosofia da Universidade Estadual do Ceará, publicou dois artigos no jornal O Povo: A guinada à direita e O fascismo da esquerda hipócrita, com fortes críticas a agentes de esquerda que atuam na imprensa e nas universidades.

O que deveria ser uma oportunidade para fomentar o debate público de ideias, acabou se transformado em acusações de difamação e ameaças que atingiriam a professora e alunos simpatizantes. Alguns estudantes que participam de grupos de estudos cristãos levaram o caso ao Ministério Público Federal, com material colhido em prints de redes sociais. O descontentamento com o posicionamento dos artigos é natural e até previsível, mas se limites legais foram ultrapassados, é preciso agir logo.

Desse modo, nesta semana o Ministério Público Federal enviou oficio a UECE para apurar “supostos atos de violência e intolerância política e religiosa” e a “organização de polícia ideológica” no Centro de Humanidades da universidade. Em resposta, a UECE divulgou nota:

“A Universidade Estadual do Ceará (UECE) não reconhece a existência de organização de polícia ideológica no seu âmbito. Reitera o respeito democrático, a autonomia assegurada pelas Constituições Federal e Estadual e o livre debate das ideias como base desta autonomia. Sobre a nota encaminhada pelo Ministério Público Federal, a resposta está sendo diligenciada para envio no prazo estabelecido.”

Que o caso seja esclarecido é o que se espera. De todo modo, seguem aqui algumas considerações, sem entrar no mérito jurídico. O termo polícia ideológica remete à ideia de milícias uniformizadas. Isso, de fato, não existe. O mais adequado é falar em policiamento ideológico, com a imposição do espírito de corpo, de pressões institucionais, isolamento e constrangimentos sociais. A hegemonia da esquerda nas universidades brasileiras não é feita de leis ou de documentos oficiais, é uma realidade construída ao longo de um meticuloso processo de trabalho dentro desses espaços. Com o tempo, a influência se transformou em dominação que, de tão natural, deixou de ser percebida como anomalia e passou a ser vivenciada como o estado natural dos cursos de humanas.

A reação agressiva aos artigos decorre de uma espécie de choque diante da possibilidade de alguém não ser de esquerda nesses ambientes. Entretanto, a maciça predominância ideológica do progressismo segue firme no dia a dia dessas instituições, na seletividade dos autores abordados, da limitada bibliografia adotada, nas entrevistas, na escolha dos cargos administrativos, no enfoque das pesquisas, na repetição de discursos políticos e por aí vai.

Nesse sentido, a nota é pura tergiversação. O livre debate de ideias é letra morta nas universidades. Sei disso por experiência própria, aluno que fui de História na própria UECE e na Universidade Federal do Ceará (leia mais aqui). De todo modo, como são novos tempos, faço aqui uma sugestão de boa fé, em nome do “respeito democrático”:

Que tal a UECE promover um seminário de estudos sobre as divergências e convergências entre o pensamento conservador e liberalismo? Uma discussão que abordasse, claro, textos originais dos autores mais conhecidos e respeitados dessas áreas e não apenas dos seus críticos. Seria uma forma inteligente de mostrar que a pluralidade das ideias é um valor caro e estimulado entre estudiosos.

Seria.

Publicidade

Camilo acertou ou errou ao deixar de ir ao debate?

Por Wanfil em Eleições 2018

23 de agosto de 2018

(FOTO: Reprodução/TV Jangadeiro)

No debate promovido pelo Sistema Jangadeiro e pelo portal Focus.jor, o governador Camilo Santana, do PT, optou por não comparecer ao evento. Certamente sua equipe avaliou as circunstâncias, prós e contras, para definir sua estratégia. Os demais convidados, é claro, aproveitaram a oportunidade.

Durante o debate foi possível perceber algumas linhas de abordagem que deverão dar o tom neste início de campanha.

Ailton Lopes, do PSOL, insistiu no dualismo antagônico dos ricos contra pobres. Em linhas gerais, pareceu um discurso mais voltado para a própria militância;

General Theophilo, do PSDB, aproveitou para se apresentar. Naturalmente, fez menções ao senador Tasso Jereissati, seu correligionário e principal apoiador. Foi ajudado nesse sentido (involuntariamente) por Ailton Lopes;

Hélio Góis, do PSL, procurou marcar posição à direita. Fez questão de se apresentar como representante do presidenciável Jair Bolsonaro, também do PSL, de olho no seu eleitorado.

Todos, sem exceção, criticaram Camilo Santana e associaram sua ausência a uma postura inata do governador diante de situações mais difíceis, em referência ao avanço dos crimes no Ceará. Não concordo, nem discordo, só observo. Do outro lado, com recall alto e vantagem nas primeiras pesquisas, ainda sem a propaganda eleitoral que poderia repercutir mais ainda o debate, a ida de Camilo poderia render mais visibilidade aos adversários. Faz sentido, mas ao evitar a confrontação, abdicou de se defender.

Esse é precisamente o risco assumido pela equipe de Camilo (e logo o que mais pode expor o candidato), pois deu aos adversários a chance de projetar no governador uma imagem passiva e de frouxidão, quando a população quer pulso firme e determinação para reagir de fato ao avanço das facções.

Respondendo ao título deste post, Camilo acertou se tudo se mantiver como está, mas pode ter errado caso as coisas mudem de rumo com algum fato novo. É o tipo de ação que só pode ser avaliada mesmo, com precisão, retroativamente.

O fato é que as críticas dos opositores já eram esperadas, afinal, é eleição. O problema é se elas acabarem realçadas pelos fatos, potencializando eventuais desgastes, como agora, quando um dia após o debate, três policiais foram executados em Fortaleza. A notícia assusta porque é a repetição de uma rotina onde o poder público parece acuado, impotente como um púlpito vazio.

(Texto publicado originalmente no portal Tribuna do Ceará)

Publicidade

Não terceirize seu discernimento nem sua inteligência

Por Wanfil em Política

25 de Março de 2017

A polêmica sobre a aprovação do projeto de lei que regulamenta contratos de terceirização só não é maior do que a falta de informação sobre o assunto. Que o público em geral opine com base no que ouviu dizer, é compreensível. Que políticos usem o tema e mintam para manipular o público contra seus adversários é nojento, mas não surpreende.

Estranho é ver profissionais de comunicação agindo assim, como manada ou torcida, sem ao menos ler o texto aprovado pela PL 4.302/1998, desconhecendo a realidade das relações trabalhistas com outros mercados e sem contextualizar as mudanças sociais e tecnológicas que agem sobre esse quadro. Não se trata de patrulhar este ou aquele, mas de constatar que o fogo desse debate, como tantos outros, gera mais calor do que luz.

Atenção: no presente caso, ao contrário do que muitos alardeiam por aí, leis trabalhistas não foram suprimidas e o terceirizado tem que ter carteira assinada pela empresa prestadora de serviços. Outros pontos merecem cuidado:

1) empresa de terceirização é quem responde judicialmente pelo trabalhador, porém, se esta não honrar suas obrigações, a responsabilidade é compartilhada com a empresa contratante, que arcará com eventuais dívidas trabalhistas;

2) existem diferenças entre a regulamentação defendida pela ex-presidente Dilma Rousseff e a que foi aprovada agora. A ex-presidente foi contra a inclusão da atividade-fim no escopo das terceirizações.

Particularmente, acredito que terceirizar mão-de-obra pode ser interessante e produtivo para alguns setores, que pode ajudar a recolocar os 13 milhões de desempregados no país, mas entendo que ainda é preciso dar mais segurança aos terceirizados. Há quem diga que a terceirização pode pressionar salários para baixo, o que seria ruim, pois afetaria o consumo. A discussão é válida, desde que racional.  A interdição do debate pelo grito, o chavão, a ameaça, tudo isso serve apenas para postergar uma discussão que precisa ser encarada.

Portanto, se você tem opinião formada a partir dessa briga de torcidas em que se transformou a política brasileira, procure ouvir argumentos de pessoas sensatas quem pensam a favor e ao contrário do que você acha. Acredite, elas existem.

Quem desejar conhecer de verdade o projeto na íntegra e sua intensa tramitação, pode conferir aqui: PL 4302/1998.

Publicidade

Debate Jangadeiro é marcado por duelo de imagens entre Wagner e RC

Por Wanfil em Eleições 2016

25 de outubro de 2016

O debate promovido pelo Sistema Jangadeiro entre os pretendentes a Prefeitura de Fortaleza nesta terça-feira (25) foi marcado pela por um duelo de imagens cuidadosamente planejadas por seus estrategistas.

Desde o início Capitão Wagner (PR) buscou ocupar uma posição ofensiva, alternando críticas à gestão do oponente e referências à própria trajetória humilde. Pontuou diversas vezes que o prefeito seria um político tradicional, amarrado por acordos com aliados. Já Roberto Cláudio (PDT), que tenta a reeleição, procurou trabalhar o perfil de candidato propositivo e moderado, reagindo ao concorrente acusando-o de ser despreparado para o cargo e agressivo por não ter propostas.

Cada aposta com seus riscos. Wagner de parecer demasiadamente negativo ou soar arrogante, o que gera antipatias; Roberto Cláudio de afigurar-se muito passivo diante de acusações diretas, condição que prejudica a imagem de líder para quem procurar brilhar por conta própria. Em apenas um momento o prefeito foi mais incisivo na defesa, na maior parte do tempo, limitou-se a lamentar a postura do republicano.

Um dos clichês mais conhecidos do marketing político é o que o desafio do debate é não errar, não cometer uma gafe ou ser surpreendido por um fato novo desconcertante. Sem isso, não há ganhadores e perdedores, No entanto, como eu disse no post anterior (Presença e ausência de aliados nas propagandas revela estratégias opostas na reta final), uma vez que a disputa está apertada, todo detalhe agora pode ser determinante.

Publicidade

Debate Jangadeiro em Fortaleza mostra ansiedade e cautela nos ataques

Por Wanfil em Eleições 2016

27 de setembro de 2016

Candidatos à prefeitura de Fortaleza debatem, trocam farpas, mas evitam o vale-tudo. Foto: Emílio Moreno/Tribuna do Ceará

Candidatos à prefeitura de Fortaleza trocam farpas em debate, mas evitam o vale-tudo. Foto: Emílio Moreno/Tribuna do Ceará

O debate entre candidatos à Prefeitura de Fortaleza realizado pela TV Jangadeiro nesta terça-feira, foi ao mesmo tempo vibrante e cauteloso, à semelhança das partidas nas quais os jogadores guardam prudência na hora de atacar, para não abrir os flancos a contra-ataques do adversário.

Não significa, porém, que os embates não tenham acontecido. Pelo contrário, afinal, é da essência da disputa a necessidade de desconstruir o oponente. O clima foi tenso especialmente entre Roberto Cláudio (PDT), Capitão Wagner (PR) e Luizianne Lins (PT), que lideram as pesquisas, os dois primeiros tecnicamente empatados, seguidos pela ex-prefeita.

Em muitos momentos os candidatos buscaram atingir seus adversários nos temas em que estes se mostraram mais atuantes durante a campanha. Críticas pessoais foram disparadas, algumas mais duras, com afirmações sobre promessas não cumpridas ou inexperiência, mas sem agressões pessoais, xingamentos e baixarias do gênero. (Confira os detalhes na matéria da repórter Jéssica Welma: Roberto Cláudio e Capitão Wagner partem para o ataque mútuo durante debate na TV Jangadeiro).

O limite entre a disputa desejável e o vale-tudo é mérito dos candidatos, que se mostraram maduros, mas também do formato do debate, bem planejado e mediado, e sobretudo, das circunstâncias. Com uma eleição muito acirrada numa capital famosa pela imprevisibilidade dos eleitores, os participantes perceberam que excesso de agressividade pode lhes custar votos agora ou no segundo turno. Pelo menos por enquanto, a artilharia pesada foi contida.

Melhor para cidade.

Publicidade

Prós e contras dos candidatos à Prefeitura de Fortaleza no debate da Nordestv

Por Wanfil em Eleições 2016, Sem categoria

02 de setembro de 2016

Os candidatos à Prefeitura de Fortaleza participaram do debate promovido pela Nordestv, do Sistema Jangadeiro de Comunicação, retransmissora Band no Ceará, realizado na noite desta quinta-feira (1). O Blog do Wanfil faz uma análise com os pontos positivos e negativos de cada um. Confira:

Roberto Cláudio – PDT

Positivo: Mostrou calma diante das críticas e evitou polêmicas na hora de escolher os adversários a quem dirigiu suas perguntas, como estratégia para reduzir confrontos com os candidatos mais fortes. Passou segurança nas respostas.

Negativo: Com exceção da segurança pública, não reconheceu problemas (em desacordo com o que dizem as pesquisas), apresentou poucas propostas para os próximos quatro anos.

Capitão Wagner – PR

Positivo: A desenvoltura na gesticulação, firme e sem exageros, reforçou a imagem de candidato com disposição para agir. Buscou diversas vezes o debate direto com o atual prefeito, sem radicalismos, para mostrar propostas e demarcar posição como alternativa de oposição.

Negativo: Fez algumas críticas sem o devido embasamento com números ou fontes.

Luizianne Lins – PT

Positivo: A ex-prefeita apostou na comparação entre suas gestões e a atual, procurando polarizar a disputa. No final, obrigou o prefeito Roberto Cláudio a se posicionar contra o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, do PT, embora Moroni Torgan, vice de sua chapa, tenha votado a favor da cassação.

Negativo: A insistência em desfazer a todo momento da atual gestão e a ausência de propostas deixam a impressão de ressentimento

Heitor Férrer – PSB

Positivo: Tranquilo, transpareceu experiência política. Foi incisivo nos questionamentos e críticas relacionadas à saúde e acusou a Prefeitura de “assaltar” a população com fotossensores.

Negativo: Em certos momentos pareceu um tanto apático, especialmente quando debateu com candidatos menos expressivos nas pesquisas.

Ronaldo Martins – PRB

Positivo: Cobrou o enxugamento da máquina pública e falou sobre a necessidade de participação popular para direcionar ações de saúde.

Negativo: Excessivamente cuidadoso, evita riscos na hora de confrontar ideias, ficando sem personalidade.

Tin Gomes – PHS

Positivo: Lembrou mais de uma vez que é preciso considerar os limites orçamentários da prefeitura na hora de fazer promessas.

Negativo: Dificuldade na articulação do discurso, apresentou propostas genéricas, aparentemente sem muita convicção. Deixa a impressão de que trabalha o nome para outras disputas.

Avaliação geral

Os candidatos mostraram preparo no controle de seus tempos de fala e evitaram ataques pessoais, centrando as discussões nos problemas da cidade. Faltando pouco mais de um mês para as eleições, todos ainda estudam as estratégias dos concorrentes. Com o passar do tempo e das pesquisas, a tendência é que o clima fique mais acirrado somente mais adiante.

Publicidade

Impressões sobre o primeiro debate em Fortaleza: as estratégias dos favoritos

Por Wanfil em Eleições 2016

25 de agosto de 2016

Candidatos à Prefeitura de Fortaleza fizeram o primeiro debate eleitoral, promovido pela TV Cidade, nesta quarta-feira (24). É comum que eleitores com posição definida entenderem que seus candidatos venceram o debate, mas como o alvo deles é justamente aqueles que ainda irão se decidir, o evento serve para marcar posição e estabelecer uma imagem.

Desse modo, o que se viu foi o seguinte, por ordem de colocação nas pesquisas:

Roberto Cláudio (PDT) – Como era de se esperar, foi o alvo principal, afinal, é o atual prefeito. Enfatizou realizações de sua gestão, usando expressões como “a maior da História de Fortaleza” ou “pela primeira vez” (bem ao estilo Ferreira Gomes), focando na imagem de realizador moderno. Reconheceu problemas na área da Saúde, pontuando em seguida “que nunca se investiu tanto no setor”.

Capitão Wagner (PR) – Procurou ser propositivo, falando em projetos batizados com nomes de apelo popular, como o “Raio Municipal”. Fez críticas ao governo Roberto Cláudio sem ataques pessoais. Trabalha a imagem de candidato equilibrado mais preocupado com as pessoas do que com os adversários. Diversas vezes disse que não queria dividir, mas unir.

Luizianne Lins (PT) – A ex-prefeita partiu para o ataque contra Roberto Cláudio, dizendo que as ações da atual gestão foram planejadas quando ela governou a cidade, inclusive a captação de recursos. Abusou do tom irônico. O objetivo foi polarizar a disputa entre os dois. Provocado, o prefeito respondeu sem perder a calma e chegou a dizer que não iria polemizar, dando a entender que não entraria no jogo proposto pela adversária.

Heitor Férrer (PSB) – Começou bem, especialmente ao falar de saúde como prioridade. Depois foi mais comedido, como quem pretende comer pelas beiradas. No final, disse que irá reduzir em 50% os fotossensores na capital, visando provavelmente o eleitor de classe média, onde obteve melhor votação nas últimas eleições.

Ronaldo Martins (PRB) – Falou como pastor e insistiu na tecla de que suas propostas foram registradas em cartório. Desenvolto na gesticulação, parece seguir a estratégia de usar a disputa para ficar conhecido.

Tin Gomes (PHS) – Coadjuvante, foi basicamente neutro. Se trabalha como força de apoio para outra candidatura, só adiante isso se revelará.

Publicidade

Debate Jangadeiro – Eunício e Camilo buscam o confronto como ele deve ser: intenso, mas com respeito ao público

Por Wanfil em Eleições 2014

21 de outubro de 2014

De olho nos votos dos eleitores indecisos, os candidatos Eunício Oliveira (PMDB) e Camilo Santana (PT), que disputam o governo do Ceará, protagonizaram ataques e trocas de acusações durante o debate promovido pelo Sistema Jangadeiro de Comunicação, realizado nos estúdios da Tribuna Bandnews nesta segunda (20). Descontadas as diferenças de estilo e postura, a estratégia de ambos foi a mesma: buscar aumentar a rejeição ao adversário, que os especialistas chamam de “desconstrução”.

A lógica é simples. Empatados tecnicamente, com as pesquisas registrando uma diferença entre os dois menor do que a quantidade de indecisos, a prioridade é convencer esse eleitor a não votar no concorrente. Isso pode aumentar o número de votos nulos e brancos, mas a intenção mesmo é evitar o crescimento do oponente nessa reta final e, de quebra, conquistar votos na condição de opção menos ruim para esse grupo. Qualquer um por cento a mais ou a menos pode ser a diferença entre a vitória e a derrota.

Assim, durante o debate, Eunício Oliveira, que já foi ministro das Comunicações no governo Lula, fez questão de ressaltar que Camilo Santana nunca ocupou cargos de relevância nacional, para destacar a inexperiência do petista, que acusou o golpe ao responder em outro bloco: “Posso não ter audiência com o Lula, mas tenho com o povo”. Por sua vez, Camilo afirmou que Eunício nunca teria ido a uma UPA (Unidade de Pronto Atendimento) em Fortaleza, na tentativa de mostrar um candidato distante das pessoas, especialmente dos mais pobres.

Em outro momento, Eunício disse que não tem patrão e que Camilo seria controlado pelo governador Cid Gomes (PROS). De outra feita, Camilo afirmou o peemedebista desconhece as ações do governo estadual por não passar muito tempo no Ceará.

No geral, como está numericamente atrás do petista, ainda que em situação de empate técnico, e sabendo da força da máquina no dia da eleição, Eunício assumiu uma postura mais contundente, mas foi habilidoso para não deixar espaço para pedidos de direito de resposta. Ao ser indagado por um ouvinte sobre corrupção, Eunício disse que trabalharia para aprovar uma lei que impedisse pessoas com bens bloqueados na justiça de serem candidatos. Foi uma indireta clara para o adversário que, no entanto, manteve, dentro dos limites possíveis, a cabeça fria e não passou recibo.

O mais difícil nesse jogo de desconstrução do adversário é controlar as emoções e os impulsos. Uma resposta errada, mais agressiva, pode render efeito contrário. No entanto, mesmo nos momentos mais tensos, tanto Eunício como Camilo evitam as adjetivações grosseiras. Em vez de “mentiroso”, preferem acusar um ao outro de “faltar com a verdade”. Esse é um detalhe de grande relevância. O confronto faz parte do embate eleitoral, mas não devemos confundir o ataque legítimo que pode ser necessário em determinado momento de uma campanha, com baixaria, que é coisa diferente.

Os debates locais têm se mostrado mais elegantes do que os nacionais, para presidente. Provavelmente isso reflete a natureza dos dois candidatos ao governo estadual, políticos de características conciliatórias e experiência no parlamento, ao contrário da disputa presidencial, onde a campanha candidata à reeleição adota uma postura de beligerância que só tem paralelo com a campanha de Collor contra Lula, em 1989, que hoje, inclusive, são aliados. Prova de que o exagero não passa mesmo de teatro eleitoral.

Eunício e Camilo estavam ali lutando o voto dos indecisos, imersos em ambiente de disputa acirrada e cercados de aliados que atiçam os nervos, mas conseguiram mostrar equilíbrio e respeito pelo público. Caberá aos indecisos dizerem nas urnas quem se saiu melhor.

Publicidade

Debate Jangadeiro: as estratégias na reta final

Por Wanfil em Eleições 2014

02 de outubro de 2014

Debate JangadeiroO debate realizado pelo Sistema Jangadeiro refletiu o clima desse final de campanha. Via de regra, ocasiões específicas costumam reproduzir o panorama geral na qual estão inseridas. Se uma campanha ataca um oponente de forma dura, qualquer debate que aconteça sob o efeito dessa ação será igualmente conflituoso; se o embate acontece quando os ânimos estão mais comedidos, a tendência é que seja menos agressivo. É uma tautologia, é verdade, mas serve para mostrar que nada é improvisado e os movimentos são calculados antes de qualquer execução.

O momento mais agudo da campanha para o governo do Ceará aconteceu entre o final da semana passada e o início desta, com o surgimento do escândalo dos “banheiros fantasmas” e a consequente troca de acusações entre Eunício Oliveira, do PMDB, e Camilo Santana, do PT, que lideram as pesquisas. Com o fim da propaganda eleitoral no rádio e televisão, a intensidade dessa etapa foi reduzida, pelo menos publicamente.

Assim, como o debate do Sistema Jangadeiro foi último confronto direto entre os candidatos nessa campanha, a maior preocupação dos participantes foi não errar.

Favoritos reforçam discursos
Os favoritos trataram de reforçar suas estratégias de comunicação. Camilo Santana, do PT, se apresentou como continuidade do projeto liderado pelo governador Cid Gomes. Nessa condição, aproveitou mais uma vez qualquer para apresentar números oficiais cuidadosamente escolhidos, com a intenção de mostrar que a atual administração é um sucesso absoluto.

Por outro lado, Eunício Oliveira, do PMDB, afirmou que é possível sim melhorar a gestão, principalmente nas áreas em que o governo é mais reprovado pela população, notadamente segurança pública e saúde. Apresentou-se então como gestor experiente e de sucesso nos setores privado e público, capaz de colocar ordem na casa.

Desconstrução
Já Eliane Novais, do PSB, e Ailton Lopes, do Psol, buscaram novamente desconstruir os discursos principais candidatos, no papel de polemizadores do debate. Como a chance de vitória dessas candidaturas é praticamente impossível, a intenção parece ser demarcar espaço como forças de oposição ao futuro governo, ganhe quem ganhar. Política de longo prazo.

Agora é com o eleitor
A bola agora está com o eleitor, que terá três dias para fazer um balanço do que viu na campanha, trocar impressões com outros eleitores, avaliar as posturas candidatos e comparar históricos. Ah, também é a hora das autoridades responsáveis pela lisura do pleito mostrarem serviço para conter eventuais abusos.

Publicidade

E a eleição no Ceará chega ao ‘escândalo dos banheiros’. Mais do que previsível…

Por Wanfil em Eleições 2014

29 de setembro de 2014

Quando o governador Cid Gomes bateu o martelo e decidiu que seu candidato à sucessão estadual seria o ex-secretário das Cidades Camilo Santana, conseguiu manter o PT em sua coligação, mas deixou aberta a possibilidade de resgate para aquele que foi o maior caso de corrupção de sua gestão, o “escândalo dos banheiros”.

Associação direta e automática
É que Camilo tem o nome associado ao episódio, por ter assinado a prorrogação de convênios celebrados com associações comunitárias fantasmas. Além disso, no decorrer das investigações, chegou a ter os bens indisponibilizados por ordem da Justiça. Não estou dizendo que o candidato é criminalmente culpado, pois as ações estão em andamento, mas apenas lembrando que seu nome é vinculado ao caso. Isso é inegável, tanto quanto o potencial negativo dessa ligação para suas pretensões eleitorais.

Na reta final da campanha, com a disputa parelha, contando com o apoio dos governos do Estado e da prefeitura de Fortaleza, é natural que seus adversários, cedo ou tarde, trouxessem o ‘escândalo dos banheiros’ à tona. Era previsível. E foi o que aconteceu. A coligação de Eunício Oliveira, do PMDB, passou a veicular inserção na propaganda eleitoral relembrando o caso. Nos debates da NordesTV (dia 26) e da TV Diário (dia 28), o tema rendeu os momentos de maior tensão da campanha até o momento.

Respostas frágeis
Por ter sido escolhido apesar desse passivo político, era de se esperar que o candidato governista tivesse uma carta na manga para um contra-ataque, ou uma prova consistente e cabal de inocência. Camilo se defende em três frentes: 1) diz que mandou investigar tudo, quando a investigação foi realizada pela Procuradoria dos Crimes contra a Administração Pública (PROCAP), do Ministério Público do Estado do Ceará; 2) diz que não era o secretário quando os convênios foram assinados, jogando a culpa em seus antecessores, o que depõe contra a gestão que ele defende; 3) diz que foi induzido a erro por funcionários de segundo escalão quando assinou as prorrogações dos convênios fajutos, minando a própria imagem de gestor capaz. Convenhamos, são argumentos frágeis.

No debate da NordesTV, Camilo acenou com essas saídas ao ser questionado pela deputada Eliane Novais, do PSB, sem maiores problemas, uma vez que a tréplica mudou de assunto. Mesmo assim, sentindo o risco da abordagem, o candidato pediu direito de resposta. Já no debate da TV Diário, Camilo surpreendeu ao abordar ele mesmo o tema, no ataque, desafiando seu principal adversário, Eunício Oliveira – a quem chamou de covarde, no melhor estilo Ciro Gomes -, a dizer-lhe diretamente, “na cara” (de novo o estilo Ciro Gomes), quais eram especificamente as acusações que tinha contra ele. A resposta foi desconcertante: “Eu nunca fiz uma acusação ao senhor. (…) Quem faz acusações ao senhor é o Tribunal de Contas do Estado, quem está investigando o senhor é o Ministério Público. Nós somos os candidatos ao Governo do Estado e a população tem o direito de saber em quem vai votar no dia 5”.

Camilo retrucou lembrando que alguns dos envolvidos no caso, apoiam Eunício. O problema aí é que, para efeito de eleição, o que vale mesmo é a imagem do candidato e não tanto de seus aliados mais distantes. Camilo é apoiado, por exemplo, por José Guimarães, do PT, conhecido pelos episódio dos “dólares na cueca” de uma assessor, e nem por isso acaba ligado a esse caso. Além de mais, outros existem outros citados na investigação dos “banheiros fantasmas”, como Sávio Pontes, ex-prefeito de Ipu, que são aliados dos governistas.

O tamanho do estrago
A questão, nesse momento, não é o caráter processual do ‘escândalo dos banheiros’, mas sua significação política e eleitoral, carregada de simbologias. Nada mais escatológico do que um caso de corrupção envolvendo desvio de dinheiro público destinado a construção de banheiros para famílias de baixa renda. É o paraíso dos chargistas, que cravam esse aspecto em imagens de assimilação rápida: verbas descendo pela descarga, políticos sentados em vasos sanitários, a palavra impunidade escrita em papel higiênico, e por aí vai. A cobertura da imprensa, principalmente pelo jornal O Povo, o primeiro a publicar a investigação da Procap, e pela TV Jangadeiro, que mostrou que o esquema funcionava em diversos municípios e não apenas em Pacajus, também foram fundamentais para não deixar as denúncias caírem no esquecimento. Presidentes do BNB e do TCE caíram por causa delas.

Agora, enquanto os processos judiciais se arrastam, a emergência de uma eleição retoma esse conjunto para fazer a associação (natural, diga-se) de um caso de corrupção de grande magnitude, fácil de compreender (diferente, por exemplo, dos desmandos na Petrobras), fresco na memória e amplamente conhecido pela população, com o candidato governista. Acreditar que isso não seria levantado numa campanha eleitoral seria ingenuidade e ingênuos não existem nesse meio. Talvez o governo tenha subestimado o potencial de estrago da exploração desse escândalo. Ou não. As urnas dirão.

Publicidade

E a eleição no Ceará chega ao ‘escândalo dos banheiros’. Mais do que previsível…

Por Wanfil em Eleições 2014

29 de setembro de 2014

Quando o governador Cid Gomes bateu o martelo e decidiu que seu candidato à sucessão estadual seria o ex-secretário das Cidades Camilo Santana, conseguiu manter o PT em sua coligação, mas deixou aberta a possibilidade de resgate para aquele que foi o maior caso de corrupção de sua gestão, o “escândalo dos banheiros”.

Associação direta e automática
É que Camilo tem o nome associado ao episódio, por ter assinado a prorrogação de convênios celebrados com associações comunitárias fantasmas. Além disso, no decorrer das investigações, chegou a ter os bens indisponibilizados por ordem da Justiça. Não estou dizendo que o candidato é criminalmente culpado, pois as ações estão em andamento, mas apenas lembrando que seu nome é vinculado ao caso. Isso é inegável, tanto quanto o potencial negativo dessa ligação para suas pretensões eleitorais.

Na reta final da campanha, com a disputa parelha, contando com o apoio dos governos do Estado e da prefeitura de Fortaleza, é natural que seus adversários, cedo ou tarde, trouxessem o ‘escândalo dos banheiros’ à tona. Era previsível. E foi o que aconteceu. A coligação de Eunício Oliveira, do PMDB, passou a veicular inserção na propaganda eleitoral relembrando o caso. Nos debates da NordesTV (dia 26) e da TV Diário (dia 28), o tema rendeu os momentos de maior tensão da campanha até o momento.

Respostas frágeis
Por ter sido escolhido apesar desse passivo político, era de se esperar que o candidato governista tivesse uma carta na manga para um contra-ataque, ou uma prova consistente e cabal de inocência. Camilo se defende em três frentes: 1) diz que mandou investigar tudo, quando a investigação foi realizada pela Procuradoria dos Crimes contra a Administração Pública (PROCAP), do Ministério Público do Estado do Ceará; 2) diz que não era o secretário quando os convênios foram assinados, jogando a culpa em seus antecessores, o que depõe contra a gestão que ele defende; 3) diz que foi induzido a erro por funcionários de segundo escalão quando assinou as prorrogações dos convênios fajutos, minando a própria imagem de gestor capaz. Convenhamos, são argumentos frágeis.

No debate da NordesTV, Camilo acenou com essas saídas ao ser questionado pela deputada Eliane Novais, do PSB, sem maiores problemas, uma vez que a tréplica mudou de assunto. Mesmo assim, sentindo o risco da abordagem, o candidato pediu direito de resposta. Já no debate da TV Diário, Camilo surpreendeu ao abordar ele mesmo o tema, no ataque, desafiando seu principal adversário, Eunício Oliveira – a quem chamou de covarde, no melhor estilo Ciro Gomes -, a dizer-lhe diretamente, “na cara” (de novo o estilo Ciro Gomes), quais eram especificamente as acusações que tinha contra ele. A resposta foi desconcertante: “Eu nunca fiz uma acusação ao senhor. (…) Quem faz acusações ao senhor é o Tribunal de Contas do Estado, quem está investigando o senhor é o Ministério Público. Nós somos os candidatos ao Governo do Estado e a população tem o direito de saber em quem vai votar no dia 5”.

Camilo retrucou lembrando que alguns dos envolvidos no caso, apoiam Eunício. O problema aí é que, para efeito de eleição, o que vale mesmo é a imagem do candidato e não tanto de seus aliados mais distantes. Camilo é apoiado, por exemplo, por José Guimarães, do PT, conhecido pelos episódio dos “dólares na cueca” de uma assessor, e nem por isso acaba ligado a esse caso. Além de mais, outros existem outros citados na investigação dos “banheiros fantasmas”, como Sávio Pontes, ex-prefeito de Ipu, que são aliados dos governistas.

O tamanho do estrago
A questão, nesse momento, não é o caráter processual do ‘escândalo dos banheiros’, mas sua significação política e eleitoral, carregada de simbologias. Nada mais escatológico do que um caso de corrupção envolvendo desvio de dinheiro público destinado a construção de banheiros para famílias de baixa renda. É o paraíso dos chargistas, que cravam esse aspecto em imagens de assimilação rápida: verbas descendo pela descarga, políticos sentados em vasos sanitários, a palavra impunidade escrita em papel higiênico, e por aí vai. A cobertura da imprensa, principalmente pelo jornal O Povo, o primeiro a publicar a investigação da Procap, e pela TV Jangadeiro, que mostrou que o esquema funcionava em diversos municípios e não apenas em Pacajus, também foram fundamentais para não deixar as denúncias caírem no esquecimento. Presidentes do BNB e do TCE caíram por causa delas.

Agora, enquanto os processos judiciais se arrastam, a emergência de uma eleição retoma esse conjunto para fazer a associação (natural, diga-se) de um caso de corrupção de grande magnitude, fácil de compreender (diferente, por exemplo, dos desmandos na Petrobras), fresco na memória e amplamente conhecido pela população, com o candidato governista. Acreditar que isso não seria levantado numa campanha eleitoral seria ingenuidade e ingênuos não existem nesse meio. Talvez o governo tenha subestimado o potencial de estrago da exploração desse escândalo. Ou não. As urnas dirão.