Custódio Almeida Archives - Blog do Wanfil 
Publicidade

Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Custódio Almeida

UFC tem 15 mil alunos sem aula por causa da “ocupação”

Por Wanfil em Ceará

17 de novembro de 2016

O blog do Fábio Campos, no portal O Povo, publicou entrevista com o vice-reitor da Universidade Federal do Ceará, Custódio Almeida. É o mesmo que assinou listas de apoio a reeleição de Dilma e contra o seu impeachment. Pois bem, segundo o vice-reitor, dos 28 mil alunos da graduação presencial da instituição, 15 mil estão sem aula por causa das “ocupações” articuladas por militantes de partidos e entidades de esquerda.

Diante disso, que providências foram tomadas? Segue trecho da entrevista: “A reitoria está conversando com as entidades (ADUFC, Sintufc e DCE) e com os diretores em busca de soluções pacíficas e que não causem qualquer prejuízo ao patrimônio e que não impeçam o trabalho administrativo”.

E o prejuízo causado aos alunos que desejam e precisam estudar? E a liberdade do trabalho docente? Como ficam? Um pedido de reintegração de posse seria bastante útil contra esse tipo de manifestação que desrespeita o direito dos outros.

Minha sugestão aos que estão sem poder ministrar ou frequentar aulas, pagas com dinheiro dos nossos impostos, impedidos pela violência dos “ocupantes” de prédios públicos: processem a Reitoria da UFC por prevaricação.

Existe uma ocupação que já dura décadas na UFC, mais conhecida como aparelhamento ou hegemonia. É disso que se trata.

Publicidade

com 50 anos de atraso UFC divulga nota contra o “autoritarismo”

Por Wanfil em Política

28 de Março de 2016

A Reitoria da Universidade Federal do Ceará (UFC) publicou na última quarta-feira (23) uma nota pública para “expressar sua grande preocupação com o grave momento sociopolítico pelo qual atravessa a nação brasileira”, assinada em conjunto pelo reitor Henry de Holanda Campos e pelo vice-reitor Custódio Almeida. Reproduzo a seguir, na cor vermelha, um trecho da nota (grifos meus).

Todos sabemos o quanto a Democracia e o Estado de Direito no Brasil são conquistas políticas jovens e ainda frágeis, alcançadas a partir de altos custos pessoais e institucionais, por meio de lutas contra condicionamentos culturais de origem colonial-escravagista, responsáveis por formas de pensar e agir autoritárias, e que historicamente têm excluído vastos setores de nossa população. Em momentos de dificuldade como o atual, essa resistência está sendo posta à prova e exigirá de todos nós o compromisso em manter a expansão de tais conquistas, evitando soluções fáceis que prometam a redenção de todos os “males” com “boas intenções” e “limpezas éticas”.

Fosse escrita em 23 de março em 1964, ainda na véspera do golpe militar daquele ano, a nota seria perfeita. Mas agora, em plena democracia, o texto fica anacrônico, pois perde o sentido objetivo. O que está sendo posto à prova são as instituições democráticas que trabalham para fazer valer a Constituição, contra uma organização criminosa que se apossou do Estado. Não sou eu quem diz isso. É o Ministério Público Federal, a Procuradoria Geral da República, o Tribunal de Contas da União, delatores da Operação Lava-Jato íntimos do poder (inclusive o ex-líder do governo no Senado) e o próprio STF na sentença do mensalão. Na verdade, a peça demonstra justamente a confusão conceitual que deu início ao “grave momento sociopolítico” e econômico, é bom lembrar. Que confusão? Confundir o público com o privado.

É óbvio que o texto da reitoria, ao defender a democracia e o Estado de Direito, faz uma alusão ao pedido de impeachment, sarcasticamente chamado de “solução fácil” e de ser resultante de um “modo de pensar e agir autoritário”. Pode ser que o alvo seja o juiz Sérgio Moro, mas isso não fica claro. Por isso, acaba dirigido, de modo geral, aos poderes Judiciário (que estabeleceu o rito do impeachment, resguardando, portanto, seu caráter legal) e Legislativo, já que cabe ao Congresso votar o possível afastamento da presidente Dilma Rouseff, que nomeou os reitores da universidades federais.

O reitor e seu vice podem discordar do impeachment, é claro. Podem, inclusive, se manifestar a respeito como cidadãos livres. Isso é tão legítimo quanto, defender o processo. Podem, para isso, escrever artigos em jornais ou mesmo em redes sociais de uso pessoal. O que não pega bem é tomar parte em assuntos partidários valendo-se da posição que ocupam e utilizando recursos públicos, fazendo passar por opinião de toda a universidade o que não passa de posição particular. A nota é da reitoria, da instituição, portanto, um posicionamento oficial da entidade.

Na própria UFC, órgão público que deve primar pela impessoalidade, já que custeado por impostos de contribuintes de todas as cores partidárias, políticas, ideológicas e posições sociais, certamente tem professores, funcionários e alunos que concordam com o impeachment como solução viável e legal. Eu mesmo conheço alguns.

Quando gestores públicos usam as instituições que administram (órgãos de estado e não de governos), que pertencem aos brasileiros (e não a um partido), como instrumentos privados em disputas políticas para reverberar o discurso oficial, tornam-se eles mesmos, agentes do autoritarismo que fingem combater.

Publicidade

com 50 anos de atraso UFC divulga nota contra o “autoritarismo”

Por Wanfil em Política

28 de Março de 2016

A Reitoria da Universidade Federal do Ceará (UFC) publicou na última quarta-feira (23) uma nota pública para “expressar sua grande preocupação com o grave momento sociopolítico pelo qual atravessa a nação brasileira”, assinada em conjunto pelo reitor Henry de Holanda Campos e pelo vice-reitor Custódio Almeida. Reproduzo a seguir, na cor vermelha, um trecho da nota (grifos meus).

Todos sabemos o quanto a Democracia e o Estado de Direito no Brasil são conquistas políticas jovens e ainda frágeis, alcançadas a partir de altos custos pessoais e institucionais, por meio de lutas contra condicionamentos culturais de origem colonial-escravagista, responsáveis por formas de pensar e agir autoritárias, e que historicamente têm excluído vastos setores de nossa população. Em momentos de dificuldade como o atual, essa resistência está sendo posta à prova e exigirá de todos nós o compromisso em manter a expansão de tais conquistas, evitando soluções fáceis que prometam a redenção de todos os “males” com “boas intenções” e “limpezas éticas”.

Fosse escrita em 23 de março em 1964, ainda na véspera do golpe militar daquele ano, a nota seria perfeita. Mas agora, em plena democracia, o texto fica anacrônico, pois perde o sentido objetivo. O que está sendo posto à prova são as instituições democráticas que trabalham para fazer valer a Constituição, contra uma organização criminosa que se apossou do Estado. Não sou eu quem diz isso. É o Ministério Público Federal, a Procuradoria Geral da República, o Tribunal de Contas da União, delatores da Operação Lava-Jato íntimos do poder (inclusive o ex-líder do governo no Senado) e o próprio STF na sentença do mensalão. Na verdade, a peça demonstra justamente a confusão conceitual que deu início ao “grave momento sociopolítico” e econômico, é bom lembrar. Que confusão? Confundir o público com o privado.

É óbvio que o texto da reitoria, ao defender a democracia e o Estado de Direito, faz uma alusão ao pedido de impeachment, sarcasticamente chamado de “solução fácil” e de ser resultante de um “modo de pensar e agir autoritário”. Pode ser que o alvo seja o juiz Sérgio Moro, mas isso não fica claro. Por isso, acaba dirigido, de modo geral, aos poderes Judiciário (que estabeleceu o rito do impeachment, resguardando, portanto, seu caráter legal) e Legislativo, já que cabe ao Congresso votar o possível afastamento da presidente Dilma Rouseff, que nomeou os reitores da universidades federais.

O reitor e seu vice podem discordar do impeachment, é claro. Podem, inclusive, se manifestar a respeito como cidadãos livres. Isso é tão legítimo quanto, defender o processo. Podem, para isso, escrever artigos em jornais ou mesmo em redes sociais de uso pessoal. O que não pega bem é tomar parte em assuntos partidários valendo-se da posição que ocupam e utilizando recursos públicos, fazendo passar por opinião de toda a universidade o que não passa de posição particular. A nota é da reitoria, da instituição, portanto, um posicionamento oficial da entidade.

Na própria UFC, órgão público que deve primar pela impessoalidade, já que custeado por impostos de contribuintes de todas as cores partidárias, políticas, ideológicas e posições sociais, certamente tem professores, funcionários e alunos que concordam com o impeachment como solução viável e legal. Eu mesmo conheço alguns.

Quando gestores públicos usam as instituições que administram (órgãos de estado e não de governos), que pertencem aos brasileiros (e não a um partido), como instrumentos privados em disputas políticas para reverberar o discurso oficial, tornam-se eles mesmos, agentes do autoritarismo que fingem combater.