Cunha Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Cunha

Cunha, assim como Dilma, diz ser vítima de injustiça. Coitadinhos…

Por Wanfil em Brasil

09 de julho de 2016

Ao renunciar à Presidência da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha disse que ser vítima de uma perseguição. Sobre o impeachment, Dilma disse ser vítima de uma farsa jurídica. Lula garante ser vítima de complô. José Dirceu e José Genoino, condenados por corrupção, posam de presos políticos vítimas das elites. Collor de Mello, relembrando seu próprio impeachment, afirma ter sido vítima de um golpe parlamentar.

Dizer o quê? Como se ninguém soubessem o quanto são poderosos, acenam ao público como se fossem criaturas indefesas. Alardeiam suas mentiras numa mescla de indignação e lamento, às vezes com fúria, outras com a candura dos puros. Vítimas de si mesmos, fazem da verdade a vítima maior de suas idiossincrasias.

Para tentar entender como conseguem fazer isso com tanta convicção, tomo emprestadas as palavras de Affonso Romano de Sant’Anna no poema a A Implosão da Mentira:

Mentiram-me. Mentiram-me ontem
e hoje mentem novamente. Mentem
de corpo e alma, completamente.
E mentem de maneira tão pungente
que acho que mentem sinceramente.

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Dilma e Cunha estão na marca do pênalti. Ainda falta Renan

Por Wanfil em Brasil

14 de junho de 2016

O parecer pela cassação do presidente afastado da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), foi aprovado nesta terça-feira. Todos apostam agora que o plenário confirme a decisão. Assim como aconteceu com Dilma, a maioria dos deputados não irá contra a opinião pública.

Afastados, que sejam riscados da cena pública pelos próximos anos. Tudo feito como manda a Constituição. Nada de golpe. Falta ainda o presidente do Senado, Renan Calheiros, tão enrolado com denúncias, grampos e delações, quanto os outros dois.

A esperança agora é que a queda dos chefes dos poderes executivo e legislativo se consolide como uma quebra de paradigma. Como disse o filósofo Clóvis de Barros Filho em palestra recente na FIEC, é preciso que os poderosos tenham pelo menos algum medo de cometer crimes, que não confiem tão cegamente na impunidade, que pensem duas vezes antes de aceitar correr esse tipo de risco. Se isso acontecer, convenhamos, já será um avanço e tanto.

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Catilinárias – nome perfeito para a nova operação da PF na Lava Jato

Por Wanfil em Corrupção

15 de dezembro de 2015

No site da Polícia Federal:

“A Polícia Federal, em conjunto com o Ministério Público Federal, deflagrou hoje, 15, a Operação Catilinárias que tem como objetivo o cumprimento de 53 mandados de busca e apreensão expedidos pelo Supremo Tribunal Federal, referentes a sete processos instaurados a partir de provas obtidas na Operação Lava Jato.”

“* Catilinárias são uma série de quatro discursos célebres do cônsul romano Cícero contra o senador Catilina.”

Os nomes das operações da Polícia Federal são fantásticos. Na investigação do roubo de verbas na Transposição do São Francisco, na semana passada, foi a Vidas Secas – Sinhá Vitória, em alusão à personagem criada  por Graciliano Ramos, que denunciava a exploração de fazendeiros inescrupulosos contra sertanejos.

Agora é a Operação Catilinárias, que mira figurões do PMDB, entre os quais Eduardo Cunha e Henrique Alves, além de nomes menores, como os cearenses Sérgio Machado e Aníbal Ferreira Gomes. O nome, mais uma vez, é perfeito.

Cícero discursou contra Catilina porque este tencionava dissolver o Senado Romano e com desfaçatez assombrosa, insistia em frequentar o local como se ninguém soubesse de sua intenção. Logo no primeiro discurso, Cícero, que viveu entre 106 e 43 a.C, e foi um dos maiores oradores da História, disparou:

“Por quanto tempo ainda há de zombar de nós essa tua loucura? Não sentes que os teus planos estão à vista de todos?”

Depois mandou ver ainda:

“Quem, de entre nós, pensas tu que ignora o que fizeste na noite passada e na precedente, em que local estiveste, a quem convocaste, que deliberações foram as tuas?”

É um recado direto para Eduardo Cunha, o presidente da Câmara dos Deputados enrolados com denúncias de corrupção e que usa suas prerrogativas e manobras para obstruir investigações no Conselho de Ética, além de reduzir o robusto pedido de impeachment feito por Hélio Bicudo, Miguel Reale Jr. e Janaína Paschoal contra Dilma Rousseff, a mero instrumento de retaliação contra o governo, também ele enrolado com a lei.

A quem Cunha imagina enganar? Após o discurso de Cícero exortando seus colegas a tomar uma iniciativa, Catilina deixou Roma.

No Brasil de hoje, a diferença é que nos falta um Cícero, papel que não pode ser exercido pela PF. E que em Roma Catilina era apenas um, enquanto por aqui, é uma legião. Lula, Renan, Dilma, Edinho Silva, José Guimarães, Carlos Lupi, Romero Jucá, Jacques Wagner e tantos outros, já sentem que seus planos estão à vista de todos, mas fingem que não.

Na falta de um Cícero, para esses que tramam contra o interesse público, fica a dica: cuidado com o japonês da Polícia Federal.

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Catilinárias – nome perfeito para a nova operação da PF na Lava Jato

Por Wanfil em Corrupção

15 de dezembro de 2015

No site da Polícia Federal:

“A Polícia Federal, em conjunto com o Ministério Público Federal, deflagrou hoje, 15, a Operação Catilinárias que tem como objetivo o cumprimento de 53 mandados de busca e apreensão expedidos pelo Supremo Tribunal Federal, referentes a sete processos instaurados a partir de provas obtidas na Operação Lava Jato.”

“* Catilinárias são uma série de quatro discursos célebres do cônsul romano Cícero contra o senador Catilina.”

Os nomes das operações da Polícia Federal são fantásticos. Na investigação do roubo de verbas na Transposição do São Francisco, na semana passada, foi a Vidas Secas – Sinhá Vitória, em alusão à personagem criada  por Graciliano Ramos, que denunciava a exploração de fazendeiros inescrupulosos contra sertanejos.

Agora é a Operação Catilinárias, que mira figurões do PMDB, entre os quais Eduardo Cunha e Henrique Alves, além de nomes menores, como os cearenses Sérgio Machado e Aníbal Ferreira Gomes. O nome, mais uma vez, é perfeito.

Cícero discursou contra Catilina porque este tencionava dissolver o Senado Romano e com desfaçatez assombrosa, insistia em frequentar o local como se ninguém soubesse de sua intenção. Logo no primeiro discurso, Cícero, que viveu entre 106 e 43 a.C, e foi um dos maiores oradores da História, disparou:

“Por quanto tempo ainda há de zombar de nós essa tua loucura? Não sentes que os teus planos estão à vista de todos?”

Depois mandou ver ainda:

“Quem, de entre nós, pensas tu que ignora o que fizeste na noite passada e na precedente, em que local estiveste, a quem convocaste, que deliberações foram as tuas?”

É um recado direto para Eduardo Cunha, o presidente da Câmara dos Deputados enrolados com denúncias de corrupção e que usa suas prerrogativas e manobras para obstruir investigações no Conselho de Ética, além de reduzir o robusto pedido de impeachment feito por Hélio Bicudo, Miguel Reale Jr. e Janaína Paschoal contra Dilma Rousseff, a mero instrumento de retaliação contra o governo, também ele enrolado com a lei.

A quem Cunha imagina enganar? Após o discurso de Cícero exortando seus colegas a tomar uma iniciativa, Catilina deixou Roma.

No Brasil de hoje, a diferença é que nos falta um Cícero, papel que não pode ser exercido pela PF. E que em Roma Catilina era apenas um, enquanto por aqui, é uma legião. Lula, Renan, Dilma, Edinho Silva, José Guimarães, Carlos Lupi, Romero Jucá, Jacques Wagner e tantos outros, já sentem que seus planos estão à vista de todos, mas fingem que não.

Na falta de um Cícero, para esses que tramam contra o interesse público, fica a dica: cuidado com o japonês da Polícia Federal.