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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

culpa

Zé Mayer, assédios e culpas

Por Wanfil em Crônica

06 de Abril de 2017

O ator José Mayer assediou uma colega de trabalho e caiu em merecida desgraça. Assédio moral e sexual. Em nota, tentou amenizar o ocorrido, mas no fim admitiu a culpa sem contestar o duro relato feito pela vítima. Talvez por isso, a confissão, Mayer tenha sido apenas suspenso em vez de sumariamente demitido. Não sei.

De todo modo, fazendo um paralelo nesse Brasil de tantos escândalos, é muito raro ver figuras públicas assumindo seus erros ou crimes. Na política então, a regra é morrer negando ou fingindo que nada aconteceu.

No Ceará basta lembrar do golpe da refinaria, do hospital no Sertão Central que nunca funcionou, dos tatuzões que enferrujam a céu aberto, exemplos de assédios eleitorais impunes, sem que ninguém seja devidamente responsabilizado por atrasos e prejuízos. Não há pedidos de perdão, sinais de arrependimento ou vergonha.

Em Brasília, mesmo diante do maior escândalo de corrupção e da maior recessão da história nacional, os protagonistas do desastre continuam a fingir que nada fizeram demais.

No caso do ator, a opinião pública o condenou, com toda a razão, sem precisar esperar o “trânsito em julgado” dos tribunais. A confiança foi quebrada e isso não tem perdão. Ano que vem será a chance para  o eleitor mostrar que é tão exigente quanto o telespectador.

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A culpa

Por Wanfil em Política

30 de setembro de 2016

Michel Temer disse que a culpa pela crise não é dele. Fica evidente que, no seu entendimento, o fato de ter sido vice-presidente por duas vezes na chapa de Dilma Rousseff não o torna cúmplice pelo desastre econômico que passamos.

De fato, em última instância, a culpa é de quem efetivamente tem o poder de decisão. Vice não conta. Do mesmo modo, não podemos dizer que aliados ou eleitores da ex-presidente sejam culpados pelo desemprego e pela inflação.

Isso, porém, não os isenta totalmente de responsabilidade, afinal, elegeram e deram sustentação política ao projeto que fracassou. Especialmente os aliados. No entanto, estes podem dizer, uns por esperteza, outros por arrependimento, que cometeram um erro. E ao erro, todos estão sujeitos.

Existem, no entanto, os que insistem em dizer que a recessão foi um mero acidente de percurso, ação do estrangeiro ou de forças econômicas ressentidas. Chamam de golpe o impeachment. Ao persistirem no erro, abraçados com Dilma, sem um mea-culpa, perdem o benefício da dúvida e assumem a culpa moral pela crise, tudo em nome de um projeto de poder.

PS. Não adianta Temer culpar Dilma. Ela perdeu o cargo exatamente por isso. Se não mostrar serviço e a situação não melhorar, a culpa será dele e ponto final.

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Você é uma pessoa bacana, bem resolvida e sem culpas? Então leia Mencken

Por Wanfil em Cultura

28 de julho de 2012

H. L. Mencken – Sem medo das unanimidades ou das “verdades” estabelecidas.

Algumas pessoas possuem um poder de síntese de tal forma aguçado que seus aforismas acabam superando seus textos mais longos. No Brasil, Millôr Fernandes, Otto Lara Resende e Aparício Torelly (Barão de Itararé), são alguns dos representantes mais conhecidos desse tipo de intelectual.

Nos Estados Unidos, a arte de expressar em poucas palavras aspectos sensíveis da natureza humana e das relações sociais tem como um de seus expoentes o jornalista  H. L. Mencken (1880 – 1956). É dele a frase:

A consciência é uma voz interior que nos adverte de que alguém pode estar olhando.

Em tempos de unanimidade politicamente correta, em que a dita boa consciência pode ser adquirida com a simples adesão aos pensamentos influentes do dia, o sarcasmo de Mencken alerta para algo intrínseco ao gênero humano: a culpa. Se antes o pecado, e consequentemente a danação, era o terror a ser evitado, hoje é papel de vilão cabe à culpa. Por isso a maioria finge ser completamente realizada, bastando para isso se declarar ambientalista, saudável, holístico, tolerante, moderno, relativista, socialista, feminista pró-aborto, igualitário e outras rotulações bem aceitas na comunidade das pessoas lindas e maravilhosas.

No entanto, a culpa que nos espreita em silêncio, de soslaio, como bem revela Mencken, é o reconhecimento de que somos feitos não apenas de certezas edificantes, mas essencialmente de conflitos e contradições. E isso não é ruim como pode parecer. As dúvidas – e a busca pela verdade –  são o combustível que movem o pensamento humano. Indo mais além, Mencken nos faz lembrar que a consciência é atributo individual, demonstrando a primazia do sujeito sobre o grupo. Não existem culpas coletivas: isso é política. Existe o indivíduo.

Experimente dizer que você reprova alguns aspectos do Islamismo, ou que as democracias ocidentais são formas de organização social superiores às tribos indígenas. Diga que as cotas raciais constituem a legalização próprio racismo. Ouse afirmar que a igualdade plena é uma ideia injusta pois o talento é privilégio de poucos. O risco de você virar alvo da patrulha do pensamento, apontado nos círculos mais influentes como alguém a ser evitado, é grande. Mas se você quiser ser uma pessoa superior dentro do arquétipo da correção política, fale mal de Israel, dos americanos, da Igreja Católica, ou diga que os brancos estão em dívida com os negros e que isso tem que ser compensado pelo estado. Nunca fale que hip-hop é apologia da ignorância, que pichação não é arte ou que acha maracatu um saco. Pode fumar maconha e pedir sua descriminação, mas o tabagismo está proibido. Pronto. Você já pode ser aceito no clube da felicidade onde não existe culpa (a culpa é dos americanos e da direita, lembra?).

Quando as coisas ficam simples demais, quando as contradições são suprimidas do debate por opressão das unanimidades, é hora de ler gente como H. L. Mencken.

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Você é uma pessoa bacana, bem resolvida e sem culpas? Então leia Mencken

Por Wanfil em Cultura

28 de julho de 2012

H. L. Mencken – Sem medo das unanimidades ou das “verdades” estabelecidas.

Algumas pessoas possuem um poder de síntese de tal forma aguçado que seus aforismas acabam superando seus textos mais longos. No Brasil, Millôr Fernandes, Otto Lara Resende e Aparício Torelly (Barão de Itararé), são alguns dos representantes mais conhecidos desse tipo de intelectual.

Nos Estados Unidos, a arte de expressar em poucas palavras aspectos sensíveis da natureza humana e das relações sociais tem como um de seus expoentes o jornalista  H. L. Mencken (1880 – 1956). É dele a frase:

A consciência é uma voz interior que nos adverte de que alguém pode estar olhando.

Em tempos de unanimidade politicamente correta, em que a dita boa consciência pode ser adquirida com a simples adesão aos pensamentos influentes do dia, o sarcasmo de Mencken alerta para algo intrínseco ao gênero humano: a culpa. Se antes o pecado, e consequentemente a danação, era o terror a ser evitado, hoje é papel de vilão cabe à culpa. Por isso a maioria finge ser completamente realizada, bastando para isso se declarar ambientalista, saudável, holístico, tolerante, moderno, relativista, socialista, feminista pró-aborto, igualitário e outras rotulações bem aceitas na comunidade das pessoas lindas e maravilhosas.

No entanto, a culpa que nos espreita em silêncio, de soslaio, como bem revela Mencken, é o reconhecimento de que somos feitos não apenas de certezas edificantes, mas essencialmente de conflitos e contradições. E isso não é ruim como pode parecer. As dúvidas – e a busca pela verdade –  são o combustível que movem o pensamento humano. Indo mais além, Mencken nos faz lembrar que a consciência é atributo individual, demonstrando a primazia do sujeito sobre o grupo. Não existem culpas coletivas: isso é política. Existe o indivíduo.

Experimente dizer que você reprova alguns aspectos do Islamismo, ou que as democracias ocidentais são formas de organização social superiores às tribos indígenas. Diga que as cotas raciais constituem a legalização próprio racismo. Ouse afirmar que a igualdade plena é uma ideia injusta pois o talento é privilégio de poucos. O risco de você virar alvo da patrulha do pensamento, apontado nos círculos mais influentes como alguém a ser evitado, é grande. Mas se você quiser ser uma pessoa superior dentro do arquétipo da correção política, fale mal de Israel, dos americanos, da Igreja Católica, ou diga que os brancos estão em dívida com os negros e que isso tem que ser compensado pelo estado. Nunca fale que hip-hop é apologia da ignorância, que pichação não é arte ou que acha maracatu um saco. Pode fumar maconha e pedir sua descriminação, mas o tabagismo está proibido. Pronto. Você já pode ser aceito no clube da felicidade onde não existe culpa (a culpa é dos americanos e da direita, lembra?).

Quando as coisas ficam simples demais, quando as contradições são suprimidas do debate por opressão das unanimidades, é hora de ler gente como H. L. Mencken.