críticas Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

críticas

Série de notícias negativas expõe governo Cid. Ou: Como Tirar Proveito de Seus Inimigos

Por Wanfil em Ceará

26 de agosto de 2013

Minha edição de Como Tirar Proveito dos Seus Inimigos (Martins Fontes), obra de Plutarco escrita no início do Século I. Uma leitura que ajuda a entender os dissabores do governo Cid.

Minha edição de Como Tirar Proveito dos Seus Inimigos (Martins Fontes), obra de Plutarco escrita no início do Século I. Uma leitura que ajuda a entender os dissabores do governo Cid.

É impressionante como o governo Cid Gomes acaba enrolado, vez por outra, não por causa de grandes escândalos, como acontece em outros estados, mas por acontecimentos menores que, reunidos, acabam expondo a imagem da gestão a um desgaste progressivo e contínuo.

Alguns desses casos chamam a atenção por serem absolutamente desnecessários, como a contratação da cantora Ivete Sangalo, com cachê altíssimo, para a inauguração de um hospital em Sobral. O mesmo vale para os gastos milionários com o tenor Plácido Domingo em  apresentação privada, ou no recente episódio do buffet cujo cardápio e preços exaltaram o contraste entre o esbanjamento dos governantes com o dinheiro público e a penúria decorrente da seca no Ceará.

São vários os casos de obras e iniciativas que poderiam render bom ganho de imagem mas que acabam ofuscadas por essa ideia de desperdício e de falta de transparência. Até mesmo a compra de algo indispensável como viaturas policiais, terminou em debate sobre a escolha das caríssimas Hilux para o serviço.

E agora essa compra de helicópteros sem licitação. Não há acusação de crime, pois artifícios técnicos teriam sido utilizados, mas fica mais uma vez a suspeição de que as coisas não aconteceram com a transparência que a natureza da função exige, afinal, são recursos públicos. Quanto mais rigor, melhor, pois, ao final, isso ajuda a evitar especulações ou desvios.

A raiz do descuido

Há muito alerto para os riscos que a falta de uma oposição minimamente organizada poderia fazer ao governo. O filósofo grego Plutarco já ensinava, há mais ou menos dois mil anos, que sem o devido contraponto, líderes passam a acreditar que são infalíveis. É que ao adversário é fácil apontar os erros, uma vez que os amigos – por afeto –, e os bajuladores – por interesse –, não querem desgastar o amor-próprio do governante. Saber o ponto de equilíbrio entre as críticas e os elogios é o segredo do grande rei, dizia Plutarco em Como Tirar Proveito de Seus Inimigos.

Voltando ao Ceará, fica a impressão de que ao governo tudo parece menor, intrigas, perseguição da grande mídia, inveja e coisas do tipo. E é por isso mesmo que esses casos se repetem com frequência incômoda. Leia mais

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Ainda Fortaleza Apavorada: Por que o movimento incomoda tanto?

Por Wanfil em Ideologia, Segurança

15 de junho de 2013

Como tudo o que aparece e chama a atenção do público, o movimento Fortaleza Apavorada, criado para manifestar a insatisfação de alguns moradores da capital cearense contra a inegável e crescente onda de violência na cidade, ganhou críticos, a ponto de virar tema de acalorados debates na internet e de artigos de jornal. Curiosamente, no entanto, o debate foi deslocado da área de segurança para uma inócua discussão sobre a origem social do movimento, que ousou se manifestar sem a chancela de algum grupo carente, ONG progressista ou governo.

Basicamente, o movimento é acusado de:

1- Elitismo – Por serem pessoas de classe média que nunca foram às ruas protestar contra os problemas de cidadãos de outras classes, os apavorados não passariam de hipócritas desprovidos de legitimidade para falar sobre uma causa social. O argumento é estúpido, claro, uma vez que a posição social de um indivíduo não o impede de ser crítico a um governo ou a um estado de coisas (pelo contrário, a condição de grupo costuma a anestesiar a consciência individual), muito menos de se reunir em grupo para protestar contra o que quer que seja;

2 – Sensacionalismo – A estratégia do grupo reforçaria a insegurança, uma vez que aposta no medo como propaganda. Há uma crença entre os mais sensíveis de que a expressão é “apavorada” é apelativa. Queriam que o movimento alheio fosse batizado com algo mais construtivo, como paz ou harmonia,  coisas sublimes que não os fizessem lembrar a escalada da criminalidade no Estado, o que seria ilógico, pois descaracterizaria o ponto de convergência de seus membros;

3 – Oportunismo – Por não apresentar propostas para solucionar o problema da insegurança, o movimento serviria apenas para abrir espaço a críticas oportunistas. Como se o sujeito, para abrir um processo contra uma operadora de telefonia tivesse que estudar engenharia de telecomunicações, de forma a sugerir soluções para obter um serviço de qualidade. Não me parece uma ideia prática. Ademais, cobrar do paciente a cura que o médico não providencia por negligência ou incompetência é que oportunismo.

As críticas não partem de um centro, mas ganharam certa relevância entre pessoas de classe média, unidas por uma concepção sobre a natureza dos movimentos sociais que possui, ainda que eles não saibam, um DNA ideológico evidente.

Movimentos sociais, ideologia e partidos políticos

O filósofo italiano Antonio Gramsci cunhou no início do século XX a expressão “sociedade civil organizada” para definir entidades que controladas para servirem de apêndice ao Partido (no caso dele, o comunista), noção incorporada posteriormente por quase todas as agremiações de esquerda (menos os anarquistas).

No Brasil, com a predominância do marxismo no sistema educacional desde os anos 60 e 70, desde o ensino infantil até o superior, os movimentos sociais mais atuantes e – atenção! – ricos, passaram a incorporar o discurso que, invariavelmente, prega contra o capitalismo (transformando qualquer empreendedor em explorador, o lucro em pecado, o sucesso em culpa e as empresas entidades maléficas), o americanismo (com a exaltação de ditaduras como a cubana ou norte-coreana), a injustiça social (definida dentro dos parâmetros esquerdistas) e a desigualdade (como forma de manter aceso o ódio que alimente a aposta na luta de classes).

Estão aí o MST, a Cufa, a CUT e a UNE para comprovar o que digo, todos recebendo dinheiro público direta ou indiretamente, a serviço de governos com possuam ligação ideológica. Mobilizam-se apenas contra o agronegócio ou para desgastar gestões de adversários.

Órfãos 

A ideia de um grupo formado por indivíduos que dispensam as antigas estruturas dos movimentos sociais controlados por partidos políticos é inconcebível para os barões do ativismo social. Pior ainda se esse grupo assume uma bandeira que não guarda relação com o arquétipo maniqueísta da luta entre o bem e o mal que interessa à propaganda esquerdista. O Fortaleza Apavorada não prega a revolução, não grita o “fora Cid”, não culpa o sistema. Ele pede eficiência administrativa observada em outros estados. Pede paz para que os indivíduos, e não as classes, possam trabalhar. E isso gera desconfiança.

“Afinal, a quem eles servem?” Essa é a indagação que perturba os que se sentem é órfãos de uma noção de justiça social atrelada a velhos cacoetes ideológicos.

O Fortaleza Apavorada incomoda porque surgiu ao largo da estrutura profissionalizada do ativismo social no Brasil, distante do monitoramento e do assédio de forças político partidárias. Pelo menos até agora. Quanto as críticas ou dúvidas, elas devem existir, claro, mas não com argumentos alheios ao cerne da questão: a obscena insegurança no Ceará.

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Ainda Fortaleza Apavorada: Por que o movimento incomoda tanto?

Por Wanfil em Ideologia, Segurança

15 de junho de 2013

Como tudo o que aparece e chama a atenção do público, o movimento Fortaleza Apavorada, criado para manifestar a insatisfação de alguns moradores da capital cearense contra a inegável e crescente onda de violência na cidade, ganhou críticos, a ponto de virar tema de acalorados debates na internet e de artigos de jornal. Curiosamente, no entanto, o debate foi deslocado da área de segurança para uma inócua discussão sobre a origem social do movimento, que ousou se manifestar sem a chancela de algum grupo carente, ONG progressista ou governo.

Basicamente, o movimento é acusado de:

1- Elitismo – Por serem pessoas de classe média que nunca foram às ruas protestar contra os problemas de cidadãos de outras classes, os apavorados não passariam de hipócritas desprovidos de legitimidade para falar sobre uma causa social. O argumento é estúpido, claro, uma vez que a posição social de um indivíduo não o impede de ser crítico a um governo ou a um estado de coisas (pelo contrário, a condição de grupo costuma a anestesiar a consciência individual), muito menos de se reunir em grupo para protestar contra o que quer que seja;

2 – Sensacionalismo – A estratégia do grupo reforçaria a insegurança, uma vez que aposta no medo como propaganda. Há uma crença entre os mais sensíveis de que a expressão é “apavorada” é apelativa. Queriam que o movimento alheio fosse batizado com algo mais construtivo, como paz ou harmonia,  coisas sublimes que não os fizessem lembrar a escalada da criminalidade no Estado, o que seria ilógico, pois descaracterizaria o ponto de convergência de seus membros;

3 – Oportunismo – Por não apresentar propostas para solucionar o problema da insegurança, o movimento serviria apenas para abrir espaço a críticas oportunistas. Como se o sujeito, para abrir um processo contra uma operadora de telefonia tivesse que estudar engenharia de telecomunicações, de forma a sugerir soluções para obter um serviço de qualidade. Não me parece uma ideia prática. Ademais, cobrar do paciente a cura que o médico não providencia por negligência ou incompetência é que oportunismo.

As críticas não partem de um centro, mas ganharam certa relevância entre pessoas de classe média, unidas por uma concepção sobre a natureza dos movimentos sociais que possui, ainda que eles não saibam, um DNA ideológico evidente.

Movimentos sociais, ideologia e partidos políticos

O filósofo italiano Antonio Gramsci cunhou no início do século XX a expressão “sociedade civil organizada” para definir entidades que controladas para servirem de apêndice ao Partido (no caso dele, o comunista), noção incorporada posteriormente por quase todas as agremiações de esquerda (menos os anarquistas).

No Brasil, com a predominância do marxismo no sistema educacional desde os anos 60 e 70, desde o ensino infantil até o superior, os movimentos sociais mais atuantes e – atenção! – ricos, passaram a incorporar o discurso que, invariavelmente, prega contra o capitalismo (transformando qualquer empreendedor em explorador, o lucro em pecado, o sucesso em culpa e as empresas entidades maléficas), o americanismo (com a exaltação de ditaduras como a cubana ou norte-coreana), a injustiça social (definida dentro dos parâmetros esquerdistas) e a desigualdade (como forma de manter aceso o ódio que alimente a aposta na luta de classes).

Estão aí o MST, a Cufa, a CUT e a UNE para comprovar o que digo, todos recebendo dinheiro público direta ou indiretamente, a serviço de governos com possuam ligação ideológica. Mobilizam-se apenas contra o agronegócio ou para desgastar gestões de adversários.

Órfãos 

A ideia de um grupo formado por indivíduos que dispensam as antigas estruturas dos movimentos sociais controlados por partidos políticos é inconcebível para os barões do ativismo social. Pior ainda se esse grupo assume uma bandeira que não guarda relação com o arquétipo maniqueísta da luta entre o bem e o mal que interessa à propaganda esquerdista. O Fortaleza Apavorada não prega a revolução, não grita o “fora Cid”, não culpa o sistema. Ele pede eficiência administrativa observada em outros estados. Pede paz para que os indivíduos, e não as classes, possam trabalhar. E isso gera desconfiança.

“Afinal, a quem eles servem?” Essa é a indagação que perturba os que se sentem é órfãos de uma noção de justiça social atrelada a velhos cacoetes ideológicos.

O Fortaleza Apavorada incomoda porque surgiu ao largo da estrutura profissionalizada do ativismo social no Brasil, distante do monitoramento e do assédio de forças político partidárias. Pelo menos até agora. Quanto as críticas ou dúvidas, elas devem existir, claro, mas não com argumentos alheios ao cerne da questão: a obscena insegurança no Ceará.