crise Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

crise

Luizianne: “Não sou um Ciro Gomes da vida”

Por Wanfil em Partidos

14 de Março de 2019

Luizianne e o dilema do PT no Ceará: responder aos ataques de Ciro e arriscar a aliança ou silenciar e frustar a militância? (Foto – Agência PT)

A deputada federal Luizianne Lins quebrou o silêncio dos petistas cearenses após a troca de farpas entre Ciro Gomes (PDT) e a presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann. O registro é do site Focus.jor.

Na sequência de uma série de críticas sobre a gestão de Roberto Cláudio em Fortaleza – ressaltando que eram considerações feitas de forma consistente e sem picuinha – a petista não resistiu e mandou ver no final: “Não sou um Ciro Gomes da vida”.

Não foi uma resposta direta a Ciro, mas uma referência implícita, ainda que tímida, aos ataques contra a cúpula do PT, incluindo Lula. Estes é que seriam inconsistentes e picuinha.

Que Luizianne e Ciro não se bicam, isso não é novidade. Acontece que agora, em meio ao tiroteio entre PDT e PT na disputa pelo papel de protagonista da esquerda brasileira, e com as eleições do próximo ano no radar dos partidos, as provocações ganham nova relevância diferente, pois podem afetar a aliança entre o partido do governador Camilo Santana e o maior partido de sua base, liderado por Ciro.

Se as lideranças do PT no Ceará preferiram a prudência para preservar espaços na gestão estadual, chega um momento que diante de acusações pesadas (difíceis de refutar, diga-se) que atingem a figura mais idolatrada do petismo, que é Lula, aí fica complicado para essas lideranças explicarem a postura para as bases de sua militância.

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Em defesa da antipolítica

Por Wanfil em Crônica

23 de Fevereiro de 2019

Li um dia desses, levado pelas marés da internet (estava no blog do jornalista Edson Silva), um artigo do professor Filomeno de Morais publicado no site Consultor Jurídico sobre crises e democracia. Resolvi mergulhar por ali pois sempre admirei o seu trabalho. Destaco a passagem abaixo, em itálico e com grifo meu:

Evidentemente, identificam-se distorções no funcionamento das instituições políticas brasileiras, cabendo muitas vezes modificá-las para que se evitem consequências negativas, como a difusão da ideia da ‘antipolítica’, que semeia o sentimento de que o exercício da política está associado, sempre, à corrupção, à farsa e à predominância dos interesses egoísticos individuais ou de oligarquias“.

Pois é. De volta à superfície, me pus a refletir sobre o assunto. Realmente vez por outra alguém alerta o público para os perigos da “antipolítica”. Desde eruditos consagrados até comentaristas anônimos nas redes sociais, a maioria ecoando políticos desacreditados e outros ainda respeitados, que compartilham do mesmo receio. É que às vezes nos deixamos levar pela conversa desse pessoal. Cuidado. Não podemos confundir a política com os políticos, ou melhor, com os maus políticos (nessa classe temos os desonestos, os incompetentes, os desonestos competentes, os honestos incompetentes e os desonestos incompetentes).

Vamos em frente. Por mais que uma categoria profissional seja mal vista, isso não significa que seu oficio seja dispensável. Tomemos por exemplo casual – casual, repito – advogados e ministros do STF. Por mais que sejam criticados e que careçam de credibilidade, ninguém é louco de dizer que a Justiça é um supérfluo, muito menos de sair por aí hasteando a bandeira da anti-justiça. Seria a volta à barbárie. Para não parecer implicância, vamos a outro exemplo: jornalistas e veículos de comunicação. Todos esculhambam algum deles – ou vários, ou todos -, mas sabem que a notícia é fundamental para compor um retrato do mundo a partir do qual cada um pode emitir seus juízos. É possível ter ojeriza a uma categoria sem perder o respeito pela atividade que a sustenta.

Políticos matreiros é que gostam de se confundir com o próprio conceito daquilo que deveriam fazer, como se fossem a quintessência das instituições e da noção mediadora da política. Fale mal de um e ele dirá: “a política não pode ser tratada assim, com desprezo e raiva. Onde vamos chegar, meu Deus?” E fará isso com impressionante pose de ofendido ou injustiçado, sendo capaz de enganar o mais desconfiado cidadão por alguns minutos. É um perigo.

Pensei agora em fazer como o meu amigo e colega na Jangadeiro Diego Lage e resumir tudo com uma frase escatológica ou mesmo pornográfica, entanto imitar o seu incrível poder de síntese, mas cá estou eu encompridando a conversa, sendo… político. Palavrões e nomes de bois voltam a rondar esse texto, mas são devidamente contidos pelos pudores do superego e a prudência jurídica (covardia, diria o velho Nelson).

Para encerrar, acho mesmo que os representados (eleitores) querem dos seus representantes (eleitos) o resgate – e não o descarte – da política. A difusão da ideia da antipolítica como negação da politicagem é a única chance da verdadeira política sobreviver.

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Cid mira no PT e acerta em Camilo Santana: “Só foi governador porque o PDT apoiou!”

Por Wanfil em Eleições 2018

16 de outubro de 2018

Cid Gomes cobrou o apoio dado para eleger Camilo Santana (FOTO: Reprodução)

O discurso em que Cid Gomes, senador eleito pelo PDT, esculhamba o PT e os petistas durante evento de apoio a Fernando Haddad, em Fortaleza, ganhou repercussão nacional. A cobertura foca o ressentimento dos pedetistas com Lula e o PT (assunto que tratei em outro artigo no final de semana: PT e PDT se estranham: em casa que falta pão, todo mundo briga e ninguém tem razão), deixando escapar um aspecto local de grande relevância para os cearenses. É que ao mirar no PT, Cid humilhou o governador reeleito Camilo Santana, petista e anfitrião do encontro realizado na noite desta segunda-feira (16), no hotel Marina Park.

Depois de dizer que o PT merecia perder por não se desculpar pelas “besteiras” que fez, referência eufemística aos crimes cometidos pelo partido, Cid criticou a natureza hegemônica do petismo e se colocou como contraponto vivo dessa prática: “Nós sempre fomos democratas. Nós nunca quisemos ser hegemônicos. Nós sempre compartilhamos o poder. Quer prova maior? Eu votei no PT em Sobral!”.

Continuando com o que seriam exemplos de renúncia em benefício do PT, disparou:

“O Camilo só foi governador – com todos os méritos que ele tem, porque também não teria escolhido se não tivesse talento, se não tivesse competência, se não fosse amigo do povo – porque o PDT, compreendendo momentos políticos e sem ser partido hegemônico, apoiou a candidatura do Camilo”.

Na verdade, ao cobrar publicamente a eleição e a reeleição de Camilo, diminuindo a autoridade do governador diante da própria base aliada, Cid expressou uma compreensão particular de hegemonia, em que aliados são colocados em cargos eletivos por uma espécie de concessão política do seu grupo familiar. O recado foi claro: quem manda é quem tem voto.

O deputado federal petista José Guimarães disse no Twitter que “acabou a liança no Ceará”. Depois apagou a postagem, mas o registro já estava feito. E Camilo, como reagiu? Cid deixou o palanque sem anunciar formalmente apoio a Haddad. Logo depois o governador foi chamado para discursar e mandou ver:

“Boa noite! Tá um calor danado aqui, não tá. Quem tá com calor aí levanta o braço! (…) Queria cumprimentar e agradecer a presença de todos pedindo uma salva de palmas a todos vocês que estão aqui: prefeitos, prefeitas, vice-prefeitos prefeitos, vereadores, lideranças, deputados estaduais e deputados federais. (…) E queria cumprimentar o nosso senador Cid Ferreira Gomes, o senador mais votado proporcionalmente no País”.

Já imaginou alguém fazendo o mesmo quando Cid era governador? O fato é que agora Camilo terá que decidir entre PT e PDT. Não precisa romper, mas um posicionamento é inevitável. O governador, ao seu estilo conciliador, disse entender Cid, ressaltando que o momento é de união. Não é, definitivamente, o que Cid pensa sobre a relação entre seus partidos. Fingir que nada aconteceu, dizer que nem concorda e nem discorda, fragiliza a posição de quem precisa mostrar, por força do cargo, liderança e brilho próprio.

(Texto publicado originalmente no Portal Tribuna do Ceará)

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Pacientes morrem por falta de condições de trabalho nos hospitais do Ceará: tome uma atitude, governador!

Por Wanfil em Saúde

14 de dezembro de 2017

Candidatos à reeleição, Eunício e Camilo pedem dinheiro ao governo Temer para custeio de hospital inaugurado na gestão Cid, enquanto pacientes sofrem sem remédios e cirurgias nos outros hospitais (Foto: divulgação)

O paciente Valcides Pereira, de 58 anos, internado no Hospital de Messejana à espera de um transplante de coração, morreu no dia 7 de dezembro porque faltou material para a realização da cirurgia. O caso ganhou repercussão nacional no jornal Bom Dia Brasil, da Rede Globo.

Relatos de interrupção de tratamentos, de internações e de realização de cirurgias também foram registrados nos últimos meses em muitos outros hospitais públicos. Entidades como o Conselho de Medicina e o Sindicato dos Médicos já fizeram alertas públicos sobre riscos de morte em razão dessa precariedade crônica.

Recebi ontem pelo Whatsapp a seguinte mensagem um médico, que prefiro não identificar: “Enquanto o Camilo fica no Facebook, vejo pacientes morrendo por falta de tudo, insumos básicos, antibióticos. César Cals, HGF e Messejana nesse estado”.

No início do mês uma médica, que também não identifico para evitar retaliações (essa é uma preocupação constante entre os profissionais de saúde com que falo), me enviou esta outra mensagem: “Falta papel higiênico aqui no hospital. Vários anti-hipertensivos, morfina e Tramal, que são duas medicações importantes para dor forte, também estão faltando”.

Outro relato: “Dá vontade até de largar o trabalho! Mudamos antibióticos o tempo todo, conforme disponibilidade na farmácia. Exames então? Suspeita de infarto não tem dosagem de troponina, uma enzima cardíaca que altera na condição”.

A Secretaria da Saúde diz contra todas as evidências que são problemas pontuais e culpa fornecedores. É sempre a mesma conversa sem jamais reconhecer erros próprios. Ninguém é responsabilizado pelas licitações sem parâmetros de segurança para atrasos e desabastecimento (se fornecedores falham, pacientes estão condenados? Não existem alternativas para compras de emergência? O controle é feito apenas de um mês para o outro?); ninguém é cobrado pelo controle de estoque desse material. DE QUE SERVE O ISGH? Não seria a entidade, contratada a peso de ouro, responsável pela administração e distribuição dos insumos para os hospitais? Nada se faz.

Fica tudo por isso mesmo. Pior: pela ótica de nossos governantes está tudo muito bem, obrigado. Tanto que o secretário da Saúde, Henrique Javi (coincidentemente ex-presidente do ISGH), foi homenageado em novembro na Câmara Municipal de Fortaleza, pelos serviços realizados, apesar da profunda crise no setor. É inacreditável.

Ontem o governador Camilo e seu novo aliado Eunício Oliveira conseguiram a liberação de R$ 30 milhões para o custeio de atividades no Hospital de Quixeramobim, obra eleitoreira inaugurada em 2014 e que não funciona por falta de verbas. Notícia importante, sim, mas reveladora de uma situação constrangedora: autoridades concentram esforços para cobrir falhas de planejamento nas gestões de Cid e Dilma, enquanto pacientes morrem agora em hospitais de referência por falta de remédios e insumos. Médicos, enfermeiros e técnicos sofrem com o estresse no trabalho. Sem contar que colocar mais dinheiro nas mãos de quem não consegue suprir o básico, é temerário. Ia esquecendo: o governo estadual fez palanque festivo recentemente para anunciar a assinatura de autorização para a construção de um hospital regional em Limoeiro do Norte. A ideia de expandir uma rede com problemas de funcionamento não parece sensata.

A essa altura não adianta esperar mais do que desculpas esfarrapadas por parte da Secretaria ou do secretário. Cabe ao governador, candidato à reeleição, tomar uma providência.

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Camilo, RC e Eunício confraternizam enquanto Estado vive crise na saúde

Por Wanfil em Sem categoria

17 de novembro de 2017

O governador Camilo Santana, o prefeito Roberto Cláudio e o senador Eunício Oliveira trocaram afagos durante solenidade de lançamento do programa “Juntos por Fortaleza”, nesta sexta-feira.

No mesmo horário, funcionários do Hospital do Coração, em Messejana, protestavam contra o atraso nos salários. Durante a semana, entidades como o Conselho Regional de Medicina e o Sindicato dos Médicos do Ceará denunciaram a falta de remédios e insumos cirúrgicos em diversos hospitais estaduais e da capital.

É claro que ninguém deve criticar quando autoridades deixam diferenças partidárias de lado para cumprir suas obrigações em benefício da população. É desejável a separação entre questões políticas e funções administrativas ou representativas. Agora, é diferente quando essas diferenças são ignoradas em razão de projetos particulares, de natureza eleitoral, deixando em segundo plano os problemas reais da população. Quando projetos que ainda estão no papel recebem mais atenção do que crises como a que temos nos hospitais, é sinal de que alguma coisa está fora da ordem, numa inversão de prioridades entre gestão e eleição.

Nesse exato instante, doentes correm o risco de morrer por falta de condições mínimas de atendimento. Se isso não for uma urgência, nada mais será. Em nota à imprensa, a Secretaria da Saúde justificou o caos jogando a culpa em fornecedores e na burocracia. Repete assim o padrão de desculpas já bem estabelecido na área da Segurança: nunca, jamais admitir erro algum; sempre sustentar que somente as melhores medidas são tomadas; jamais tentar explicas como é que apesar de tantos acertos, os resultados continuam desastrosos.

Sem solução para os problemas do presente, importantes autoridades se reúnem para celebrar novas promessas para o futuro. É o cartão de visitas do acordão entre PT, PMDB e PDT.

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Caso Aécio: senador não é o Senado

Por Wanfil em Política

20 de outubro de 2017

A decisão do Senado de barrar as medidas cautelares impostas pelo STF ao senador mineiro Aécio Neves, do PSDB, nesta semana, contou com a seguinte composição: o corporativismo da maioria do legislativo, a proteção dos colegas de partido e o interesse próprio de uma penca de senadores investigados ou réus na justiça. Uns por esperteza, outros por amizade e mesmo alguns movidos pela ideia equivocada de que a independência do Senado estava em jogo, confundindo o Senado com um de seus membros, gravado pedindo dinheiro a Joesley Batista.

Desse conjunto, apenas os que estão enrolados com a lei, a começar pelo próprio Aécio, têm o que comemorar. Para o resto, o estrago foi gigantesco. O Senado passou a ser visto como antro de impunidade e o PSDB conseguiu ficar pior no filme que o PT, protagonista maior da Lava Jato, junto com o PMDB. 

A perceberem o erro, talvez tarde demais, parte do Senado cobra agora que Aécio responda ao Conselho de Ética da Casa por quebra de decoro, e parte do PSDB quer que o mineiro renuncie à presidência da sigla, da qual está apenas afastado, aprofundando a divisão entre os tucanos governistas, ligados a Temer e Aécio, e os que pedem a independência do partido, ligados ao presidente interino Tasso Jereissati. Segundo Tasso, a situação chegou ao limite, é o que informa a Folha de São Paulo. Aliás, a imprensa nacional afirma que Aécio está chateado com Tasso, que seguiu o partido e votou contra as medidas cautelares. Como recompensa, ganharam a maior crise de imagem que já experimentaram.

Para os que festejam, em silêncio, a impunidade de Aécio (gente de todos os partidos, diga-se), quanto mais todos forem vistos como farinha do mesmo saco, melhor. A conversa de políticos em maus lençóis de que suas pessoas são a quintessência das instituições que deveriam respeitar, é truque para diluir entre seus pares os ônus de seus erros particulares.

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Bolsa Família: o eterno ativo eleitoral

Por Wanfil em Política

15 de agosto de 2017

O governador cerense Camilo Santana, do PT, classificou de “crime” o recente anúncio de cortes no programa Bolsa Família. Segundo o petista, “quem deve pagar a conta da má administração do país não são os mais pobres, mais humildes”.

Quem há de discordar? A questão, porém, é outra: quem pode realmente cobrar em nomes dos mais humildes? Durante os anos de crescimento da economia brasileira (impulsionada por commodities e sempre abaixo da média dos países emergentes, festivamente embalada como verdadeiro milagre para consumo local), o conceito de política compensatória que inspirou o  Bolsa Família foi pervertido ativo eleitoreiro paternalista, a comprar gratidão em troca de votos.

E como deu certo, não obstante a contradição entre o aumento na distribuição dos benefícios e os anúncios sobre a maior redução de pobreza do mundo. Ora, com menos pobres, o programa deveria progressivamente reduzir, como reflexo da emancipação dos assistidos ou de seus filhos, a geração que teria condições de ir à escola. Se cresceu é porque a pobreza aumentou, não é lógico?

Sim, o programa é importante e necessita de maior controle, mas é evidente que o combate à pobreza pela mera via da transferência de recursos da classe média para os miseráveis é limitado, pois a base material não muda.

O problema é que a gestão Temer não inspira confiança em ninguém. Politicamente, é óbvio que a oposição tentará tirar, mais uma vez, proveito eleitoral da situação. Os governistas, cuja maioria até outro dia era parceira do petismo, que se expliquem agora. Isso, todavia, não autoriza o oportunismo dos responsáveis pela crise. Se hoje o mais humilde “paga pela má administração do país”, é preciso lembrar que essa incompetência administrativa diz respeito sobretudo a gestão da ex-presidente Dilma Rouseff, com a maior recessão da história, juros e inflação nas alturas, corroendo renda e ceifando vagas de trabalho, sem que nenhum dos seus aliados jamais reclamasse de nada.

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Reajuste de 2% não mobiliza sindicatos de servidores no Ceará. Por que será?

Por Wanfil em Política

17 de Março de 2017

Reajuste criticado, mas sem protestos constrangedores para o governo estadual

Foi aprovado pela Assembleia Legislativa do Ceará a proposta do Governo do Estado que concede aumento de 6,29% para servidores que recebem salário mínimo e de 2% para os demais. É pouco, mas ninguém ignora a crise econômica.

No Ceará, muitos servidores já dão de bom tamanho receber em dia, obrigação que, de fato, virou um feito no atual contexto nacional. Talvez por isso os sindicatos ligados ao funcionalismo não tenham conseguido fazer grande pressão sobre o governo.

Também concorre para amenizar o espírito contestador dessas entidades uma predisposição política, uma vez que o governador Camilo Santana é do Partido dos Trabalhadores, que tem inegável e notória ascendência sobre o movimento sindical.

Se fosse em outros tempos, ameças de greve geral, paralisações de setores fundamentais e até manifestações em frente a sede do governo seriam algumas das ações contra uma proposta de reajuste menor que a inflação. Agora, não.

É diferente ainda, por exemplo, dos protestos contra a reforma da previdência. Nesses os sindicatos mergulharam de cabeça com a esperança de iniciar um movimento que ultrapasse os limites da militância partidária e chegue ao cidadão comum, tudo para atingir o governo federal, que agora é do PMDB. É legítimo, claro, mas não deixa de ser revelador, se lembrarmos que na época em que Dilma propôs reformas nesse sentido, nada disso não aconteceu. A diferença de postura mostra que, no fundo, é o tipo de convicção que atende antes as demandas da disciplina política.

Desse modo, a reação contrária ou favorável não depende tanto do mérito do debate, mas de quem propõe reformas ou reajustes. No final, tudo se resume mesmo a uma questão de conveniência.

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Pacote no Ceará: teto de gasto que revela teto de vidro

Por Wanfil em Economia

13 de dezembro de 2016

Teto de vidroO Governo do Ceará enviou para a Assembleia Legislativa um pacote de medidas para equilibrar as finanças nesses tempos de crise, batizado de “Plano de Sustentabilidade para o Desenvolvimento do Estado do Ceará”.

Indo ao que interessa, o pacote estadual consiste em aumento de impostos, corte de gastos, fusão de secretarias e criação de um teto para o aumento nos gastos públicos. Isso mesmo que você leu: um teto de gastos! Tudo muitíssimo semelhante à proposta feita pelo Governo Federal aprovada nesta terça no Senado: a famosa PEC 55. Iniciativa que movimentos sociais aparelhados pela esquerda chamam de “PEC do Fim do Mundo”, não obstante o fato de ser necessária para compensar os efeitos da recessão criada pelos governos apoiados por esses movimentos aparelhados.

O governador do Ceará, Camilo Santana, é do PT, e conta com o fundamental parceria do PDT, do pré-candidato à Presidência Ciro Gomes. Curiosamente, os mesmos PT e PDT que cerram fileiras contra o teto de gastos proposto pelo Governo Federal, mas que propõem igualmente um teto para o Governo Estadual.

É mais que contradição, é prova de dissociação completa e intencional entre discurso e prática. É método. Nesse “Plano de Sustentabilidade”, só o que não se sustenta é a impostura.

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Falta combinar com os bielorrussos

Por Wanfil em Ceará

23 de novembro de 2016

Vinte e cinco governadores foram a Brasília pedir dinheiro ao presidente Michel Temer. Alguns estados quebraram, outros estão no limite. Como o governo federal também está em apuros, conseguiram apenas um alívio temporário com a divisão de recursos extras que pingaram no caixa da União. Em contrapartida, os governadores se comprometeram com a reforma previdenciária nos seus estados.

Mas enquanto Camilo Santana continuava sua rotina de peregrinações à Brasília em busca de verbas, o assessor Especial de Assuntos Internacionais do Estado, Antonio Balhmann, estava na Bielorrússia para falar com investidores sobre a conjuntura brasileira e o potencial para negócios internacionais do Ceará.

Com entusiasmo, o site do governo estadual fala sobre a possibilidade de uma fábrica de tratores se instalar no Ceará, embora não exista nada concreto a respeito, a não ser o agendamento de uma visita dos diretores da empresa ao Ceará. Quando? Ninguém diz.

Isso me fez lembrar do famoso episódio em que o jogador Garrincha, após ouvir o técnico da seleção brasileira explanar sobre um esquema perfeito para uma partida contra a seleção soviética, perguntou-lhe: “Tá legal, seu Feola, mas o senhor combinou isso com os russos?”.

A diferença é que a combinação com os bielorrussos é mais difícil ainda, pois estes muito provavelmente ja sabem como está a conjuntura brasileira e a quantas anda o nosso potencial para negócios. Sem contar que Camilo não conta com um secretário que corresponda, para o seu time, a um Garrincha.

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Falta combinar com os bielorrussos

Por Wanfil em Ceará

23 de novembro de 2016

Vinte e cinco governadores foram a Brasília pedir dinheiro ao presidente Michel Temer. Alguns estados quebraram, outros estão no limite. Como o governo federal também está em apuros, conseguiram apenas um alívio temporário com a divisão de recursos extras que pingaram no caixa da União. Em contrapartida, os governadores se comprometeram com a reforma previdenciária nos seus estados.

Mas enquanto Camilo Santana continuava sua rotina de peregrinações à Brasília em busca de verbas, o assessor Especial de Assuntos Internacionais do Estado, Antonio Balhmann, estava na Bielorrússia para falar com investidores sobre a conjuntura brasileira e o potencial para negócios internacionais do Ceará.

Com entusiasmo, o site do governo estadual fala sobre a possibilidade de uma fábrica de tratores se instalar no Ceará, embora não exista nada concreto a respeito, a não ser o agendamento de uma visita dos diretores da empresa ao Ceará. Quando? Ninguém diz.

Isso me fez lembrar do famoso episódio em que o jogador Garrincha, após ouvir o técnico da seleção brasileira explanar sobre um esquema perfeito para uma partida contra a seleção soviética, perguntou-lhe: “Tá legal, seu Feola, mas o senhor combinou isso com os russos?”.

A diferença é que a combinação com os bielorrussos é mais difícil ainda, pois estes muito provavelmente ja sabem como está a conjuntura brasileira e a quantas anda o nosso potencial para negócios. Sem contar que Camilo não conta com um secretário que corresponda, para o seu time, a um Garrincha.