crimes Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

crimes

Cid diz que erros de Lula são perdoáveis. Que erros?

Por Wanfil em Política

13 de Fevereiro de 2016

O ex-governador do Ceará Cid Gomes disse em entrevista ao jornal O Povo que “Lula é um homem que cometeu erros ao longo da sua vida pública, e certamente esses erros são insignificantes perto do bem que ele fez ao Brasil“. Na prática, para bom entendedor, equivale a dizer que são perdoáveis eventuais deslizes de Lula.

Infelizmente, não ficou claro o quais seriam esses erros, aos olhos do ex-ministro relâmpago da Educação. Entre eles estaria a refinaria da Petrobras prometida aos cearenses por Lula e aliados? Ou a demora na conclusão da Transposição do São Francisco? Ou Cid será fala novamente da coligação com entre PT e PMDB? Acho que foi o duque  François de La Rochefoucauld, no século 17 (cito de memória), quem disse que confessamos os pequenos erros para insinuar que não cometemos os grandes. Pois é, a imprecisão abre portas para a especulação. 

Outro ponto importante é separar erro de crime. Ou não tratar crime como mero erro. Porque nessa condição não há perdão. Cid estaria falando do mensalão e do petrolão? Aí tudo mudaria de figura, pois a fala em defesa do ex-presidente se assemelharia à defesa do “rouba mais faz”, o que certamente não deve ter sido a intenção.

Quem sabe a referência aos tais “erros” sejam uma alusão à polêmica do apartamento do Guarujá e do sítio de Atibaia, imóveis frequentados por Lula e família, mas comprados por empresários que enriqueceram mediante contratos públicos e reformados por empreiteiras enroladas na Operação Lava Jato. A suspeita é de que Lula seja o verdadeiro dono de patrimônio e que os favores de empreiteiros sejam retribuição por negócios fraudulentos. Apesar de tudo ainda ser tratado como suspeita, também não cabe aí a comparação com erro no sentido de descuido, já que haveria premeditação e organização para a consumação dos fatos. De todo modo, a investigação deverá esclarecer tudo, não é? Portanto, sendo Lula apenas uma vítima das aparências, não há com que se preocupar. Já do contrário…

Errar é humano, tudo bem. Nas democracias, aceitar as consequências desses “erros”, conforme sua gravidade, também. Sabe como é, ninguém está acima das leis.

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Governador, os inimigos não são os policiais, são os bandidos! Ou: Contando os mortos

Por Wanfil em Segurança, Tribuna Band News FM

16 de Maio de 2013

Meu comentário desta quinta na rádio Tribuna BandNews FM 101.7

Na noite da última segunda-feira (13) um estudante universitário foi assassinado vítima de uma tentativa de assalto no bairro Luciano Cavalcante, em Fortaleza.

Diariamente, assistimos impotentes a escalada da violência no Ceará.  Cada vez mais novas tragédias são registradas, mais vidas são interrompidas, de tal modo que nos resta somente conferir, incrédulos, a contagem de mortos subir assustadoramente, como só se vê nas guerras.

De acordo com dados divulgados ontem (15) pela Secretaria de Segurança, 1.356 pessoas foram assassinadas no Ceará somente nos quatro primeiros meses do ano. Na capital, foram registrados 661 homicídios, o que corresponde a um aumento de 30% na comparação com o ano passado.

Enquanto isso, o Governo do Estado anuncia as negociações com as associações de policiais militares estão encerradas, criando um impasse de consequências imprevisíveis, entre as quais, uma nova greve da PM.

Pior ainda é ver as autoridades responsáveis pela área dizerem que o descontentamento da corporação inteira é obra de apenas meia dúzia de líderes que agem para atingir politicamente o governo.

A essa altura, fechar os olhos e os ouvidos para as reivindicações dos policiais e subestimar a insatisfação generalizada que os motiva apenas revela que o comando não sabe o que fazer para resolver o problema, deixando no ar, de quebra, a suspeita de que o que está ruim pode piorar.

O momento deveria ser de apaziguamento, de diálogo, de humildade para reconhecer falhas, de revisão de estratégias e de novas propostas! É preciso lembrar o governo de que o seu verdadeiro inimigo não são os policiais, mas os bandidos! Eles é que precisam “sentir o braço firme da lei”.

Portanto, agir para criar mais impasses e constrangimentos, desmotivando ainda mais as forças de seguranças, e justo quando a criminalidade explode, é de uma irresponsabilidade que somente poderá ser medida na macabra contagem de mortos que não para de subir. Mas aí poderá ser tarde demais para qualquer um de nós ou de nossos amigos e familiares.

Para ouvir o comentário:

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Comissões da Verdade no Ceará e uma verdade incômoda

Por Wanfil em História

27 de Fevereiro de 2013

Revisões da história necessitam de objetividade e transparência, para evitar distorções que embaçam a mente.

Revisões da história necessitam de objetividade e transparência, para evitar distorções que embaçam a mente.

Será instalada nesta quarta-feira (27) a Comissão da Verdade dos Jornalistas do Ceará, com a missão de investigar crimes cometidos contra integrantes da categoria durante a ditadura militar, entre 1964 e 1985. Já existem comissões semelhantes por todo o Brasil. Aqui mesmo no Ceará temos a Comissão Especial de Anistia Wanda Sidou. Muito provavelmente, jornalistas já foram indenizados pela comissão mais antiga, sendo desnecessário mais pagamentos feitos pela nova entidade. No entanto, não quero aqui me ater a essas particularidades, mas ao espírito que emana dessas iniciativas como um todo e do risco de distorções históricas.

A anistia

Para que a transição do regime autoritário para o democrático se desse em ambiente de estabilidade política, em 1979 foi promulgada a Lei da Anistia, de caráter geral, amplo e irrestrito, perdoando todos os que “cometeram crimes políticos ou conexo com estes”. No período, muitos crimes comuns e hediondos foram perpetrados em nome de princípios políticos, tanto pelos agentes da ditadura como por guerrilheiros que viam no combate ao governo militar a oportunidade para um novo golpe, com sinal ideológico invertido. Existiam, claro, militares que não cometeram crimes e democratas que combateram o regime de forma pacífica, arriscando apenas a própria vida.

Com o passar do tempo, a anistia passou a ser vista por alguns grupos engajados como sinônimo de impunidade. Uma vez que a lei não foi revogada, a solução para atender o natural pedido de justiça de parentes de vítimas da ditadura foi a criar comissões que pudessem, pelo menos, compensar com indenizações o sofrimento dos que foram perseguidos pelo estado.

Dilema

A questão é que existe um dilema pouco debatido, encoberto por uma fantasia ideológica que intenta a uma construção histórica. Se por um lado o estado é moralmente reconhecido como responsável pelos crimes que cometeu – o que é justo -, por outro, aqueles que pereceram e foram perseguidos pelos grupos revolucionários não têm a quem pedir justiça ou reparação. Oficialmente, são crimes sem reconhecimento, sem autores, só com vítimas.

Temos assim uma revisão capenga, que pende desequilibrada para um lado. Não por acaso, essas comissões estão apinhadas de filiados a partidos de esquerda e de simpatizante de guerrilhas totalitaristas, imbuídos do desejo mal disfarçado de acertar contas com os inimigos do passado.

Tudo seria simples se apenas militares e agentes do governo fossem maus e tivessem cometidos violações em nome de uma causa: a própria ditadura. Acontece que militantes de esquerda também cometeram crimes como roubo, sequestro, tortura e assassinato, só que em nome de outra causa: a revolução comunista para instaurar a ditadura do proletariado. Aliás, o movimento revolucionário armado no Brasil começou antes de 64, e não como reação ao golpe (ver Combate nas Trevas, do marxista-leninista Jacob Gorender).

Esses grupos radicais se inspiravam em ditaduras estrangeiras, como a soviética (alguns eram patrocinados por Moscou – ver Camaradas, de William Waack). Portanto, não é correto imaginar que toda luta contra a ditadura foi uma luta pela democracia. Essa ideia é uma impostura que busca construir mitos e apagar fatos.

Como um dos ideais da democracia é a igualdade de todos perante a lei, não é possível que crimes cometidos por um lado, ainda que seja o mais forte, sejam punidos, enquanto os cometidos pelo outro lado fiquem impunes ou, no mínimo, sem reconhecimento oficial. Essa é uma verdade que incomoda.

Justiça ou revanche?

No Ceará há um caso que bem ilustra essa dificuldade em separar o preto do branco quando tudo é cinza. Em 29 de agosto de 1970, o empresário José Armando Rodrigues foi assaltado, sequestrado, torturado e morto a tiros por membros da Ação Libertadora Nacional (ALN). Seu corpo foi jogado num precipício na serra de Ibiapaba, no município de São Benedito. Seus autores, muitos ainda vivos, assim como os militares da época envolvidos com crimes, foram anistiados.

Evidentemente, esse caso não justifica a ditadura ou invalida as indenizações pagas pelas comissões. Também não se trata de escolher um lado entre os radicais de direita e os radicais de esquerda, pois isso seria incorrer no erro que aqui se aponta. Serve mesmo para ilustrar que o maniqueísmo é inadequado para a investigação histórica desse período, pois limita o processo de revisão. O ideal é que essas comissões sejam compostas por pessoas que não ajam motivadas por paixões ideológicas e que não as usem para reescrever a biografia de gente que, apesar de perseguida pela ditadura, também cometeu crimes imperdoáveis, ignorando o sofrimento de suas vítimas. Se não for assim, a busca pela justiça termina em simples revanche.

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Assaltos em via pública e à luz do dia: a única certeza é que vivemos em perigo em Fortaleza

Por Wanfil em Segurança

16 de dezembro de 2012

O secretário de Segurança Pública do Ceará impediu uma tentativa de assalto no cruzamento da Av. Alberto Sá com a Via Expressa, na manhã do sábado (15), em Fortaleza.A vitima era um homem em um carro e o secretário, ao avistar a tentativa, atirou nos criminosos. O episódio é emblemático. Os bandidos foram frustrados em sua ação criminosa, um foi preso. Mas, infelizmente, longe de ser uma demonstração de força policial, de destreza operacional, o que fica evidente no caso é a situação de perigo no Ceará. Na verdade, o crime não escolhe hora, lugar ou faz distinção de sexo e classe.

No mesmo dia, à tarde, um policial militar foi morto por assaltantes em plena Av. Pontes Vieira, uma das vias mais movimentadas da capital. O policial estava com o filho pequeno numa loja de peças de automóveis.

O fato é que somos potenciais vítimas, restando-nos rezar para não ter o azar de cruzar o caminho de assaltantes. Pior, os criminosos, profissionais, quando são presos, sabem que rapidamente estarão em liberdade. Nos jornais vemos que, quase sempre, quando um assaltante ou homicida é preso, já responde por uma série de outros crimes. Como podem andar soltos?

No começo, todos alegavam que a legislação penal brasileira seria uma das melhores do mundo, pois teria como prioridade a recuperação do criminoso, tomado sempre como uma vítima da sociedade, aquele papo de intelectual do miolo mole. E aí?

Se os números mostram que nossa polícia é ineficiente para reduzir os índices de criminalidade, os fatos comprovam que essa legislação funciona como um incentivo ao crime.

Na escalada em que seguimos, já com ares de epidemia, com a certeza de que ninguém mais está protegido, nem juízes, nem legisladores e nem policiais, pode ser que assim, as autoridades sejam impelidas a tomar providências mais eficazes. Se não vai pela inteligência, vai pela dor.

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Assaltos em via pública e à luz do dia: a única certeza é que vivemos em perigo em Fortaleza

Por Wanfil em Segurança

16 de dezembro de 2012

O secretário de Segurança Pública do Ceará impediu uma tentativa de assalto no cruzamento da Av. Alberto Sá com a Via Expressa, na manhã do sábado (15), em Fortaleza.A vitima era um homem em um carro e o secretário, ao avistar a tentativa, atirou nos criminosos. O episódio é emblemático. Os bandidos foram frustrados em sua ação criminosa, um foi preso. Mas, infelizmente, longe de ser uma demonstração de força policial, de destreza operacional, o que fica evidente no caso é a situação de perigo no Ceará. Na verdade, o crime não escolhe hora, lugar ou faz distinção de sexo e classe.

No mesmo dia, à tarde, um policial militar foi morto por assaltantes em plena Av. Pontes Vieira, uma das vias mais movimentadas da capital. O policial estava com o filho pequeno numa loja de peças de automóveis.

O fato é que somos potenciais vítimas, restando-nos rezar para não ter o azar de cruzar o caminho de assaltantes. Pior, os criminosos, profissionais, quando são presos, sabem que rapidamente estarão em liberdade. Nos jornais vemos que, quase sempre, quando um assaltante ou homicida é preso, já responde por uma série de outros crimes. Como podem andar soltos?

No começo, todos alegavam que a legislação penal brasileira seria uma das melhores do mundo, pois teria como prioridade a recuperação do criminoso, tomado sempre como uma vítima da sociedade, aquele papo de intelectual do miolo mole. E aí?

Se os números mostram que nossa polícia é ineficiente para reduzir os índices de criminalidade, os fatos comprovam que essa legislação funciona como um incentivo ao crime.

Na escalada em que seguimos, já com ares de epidemia, com a certeza de que ninguém mais está protegido, nem juízes, nem legisladores e nem policiais, pode ser que assim, as autoridades sejam impelidas a tomar providências mais eficazes. Se não vai pela inteligência, vai pela dor.