crime organizado Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

crime organizado

E a CPI do Narcotráfico no Ceará?

Por Wanfil em Assembleia Legislativa

07 de Fevereiro de 2019

Assembleia Legislativa do Ceará: após ameaças, vias de acesso parcialmente interditadas e CPI do Narcotráfico arquivada. (Foto: Tribuna do Ceará)

Na última terça-feira deputados estaduais deram início ao ano legislativo. Apesar da presença do governador Camilo Santana na abertura dos trabalhos, quem chamou a atenção da imprensa e dos políticos nos bastidores foi o secretário Mauro Albuquerque, da Administração Penitenciária, vestido de agente policial entre autoridades de terno e gravata.

Assim a Assembleia começou o ano, com novos deputados e nova direção (sai Zezinho Albuquerque, entra José Sarto), pautada pela expectativa geral em relação aos rumos da segurança pública. Não poderia ser diferente.

Sobre essa tema, não custa lembrar que em março no ano passado (ano eleitoral) a CPI do Narcotráfico foi arquivada. Com a repercussão, governistas alegaram dificuldades técnicas, falta de objeto para a investigação, situação sob controle e principalmente medo de retaliações dos criminosos. Agora, após a maior onda de ataques da história no Ceará e com a informação de que os agentes da Força Nacional começam a se retirar do estado, nomes da oposição, como o deputado Soldado Noélio (PROS), defendem que a comissão seja novamente apreciada para, entre outras possibilidades, ajudar a “rastrear fontes de financiamento do grupos criminosos”.

De fato, a redução nos ataques não significa propriamente o enfraquecimento das facções. Passadas as eleições, com o governo estadual empenhado junto com o federal na recuperação do sistema prisional, interesses políticos locais também devem ser deixados de lado para reforçar as ações de combate ao crime organizado. Desta vez, quem teria coragem de ser contra?

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O fim de semana em que cearenses ficaram entre facções e convenções

Por Wanfil em Eleições 2018

29 de julho de 2018

Fortaleza foi palco de onda de ataques entre a noite de sexta e a madrugada de domingo (FOTO: Arquivo)

O final de semana no Ceará foi marcado pela realização de convenções e encontros partidários e pelos ataques a ônibus e a prédios públicos e privados, ao que tudo indica, por obra de facções criminosas.

Nada poderia ser mais representativo de uma realidade do que o encontro entre essas agendas. Eleições e segurança, protagonizam o noticiário político desde a disputa de 2006, quando Cid Gomes foi eleito com seu Ronda do Quarteirão.

Nem sempre os ataques ocorrem em sincronia com o calendário eleitoral. Todo ano é a mesma coisa. Mas agora, com a recente onda chamando a atenção do noticiário nacional desde a sexta-feira, o assunto se coloca como imposição dos fatos.

Nos encontros dos partidos de oposição, não faltaram críticas e cobranças. Mais do que normal, é necessário. Foi assim com o PSL e também na convenção do PSDB e Pros. Já na reunião do PT, no sábado, a principal pauta foi a acomodação de aliados na chapa governista.

Nada mais representativo de uma realidade.

(Texto publicado no portal Tribuna do Ceará)

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Segurança pública: uma dica para o governo, outra para a oposição

Por Wanfil em Segurança

22 de junho de 2017

Tenho dito na coluna que tenho da rádio Tribuna Band News e escrito aqui no blog que o governo do Ceará, diante do recrudescimento dos índices de homicídios, que voltaram a subir vertiginosamente, tem errado na estratégia de comunicação. Ao projetar culpar, com excessiva ênfase, o governo federal, que falha no controle das fronteiras nacionais, a gestão estadual deixa a impressão de que não pode – ou não sabe – reagir mais com recursos próprios.

Dei então uma dica: aceitar o fato de que a raiz do problema está nas facções dos presídios que controlam o crime do lado de fora, para focar ações na restauração de investimentos na Secretaria da Justiça, responsável pelo setor.

Presídios
Talvez por coincidência, o governador Camilo Santana anunciou, nesta semana, que aguarda do Ministério da Justiça a autorização para a construção de um presídios de segurança máxima. Não há data confirmada para a obra, mas em ano pré-eleitoral, tem-se ao menos um novo discurso e finalmente um foco de atuação diferente.

Batalhão de Divisas
Sendo assim, vai que andam lendo o que escrevo e ouçam o que digo, tenho também uma dica para a oposição – ou para opositores, pois o grupo é disperso -, sempre pensado, é claro, em contribuir com o debate. Se um dos problemas apontados pelo governo do Estado é a falta de policiamento nas fronteiras com países produtores de drogas, é razoável perguntar às autoridades locais como anda o trabalho do Batalhão de Divisas da Polícia Militar do Ceará, criada em 2015 com muita expectativa, justamente para combater o tráfico de drogas, de armas e os ataques a banco.

Será que o contingente é suficiente para cobrir as fronteiras estaduais? Quanto policiais atuam no batalhão e quantos seriam necessários? Quais são as áreas mais vulneráveis?

Fiscalizar para melhorar
São informações pertinentes que devem ser cobradas, não como forma de constranger adversários, mas por dever de ofício, afinal, é para isso que a população vota na oposição. Além do mais, verificar a eficiência das ações de segurança em execução hoje, no presente, é a melhor forma de evitar que erros se repitam nas novas ações que estão sendo propostas para o futuro próximo.

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Wagner e Camilo trocam insultos enquanto bandidagem segue firme

Por Wanfil em Segurança

22 de Abril de 2017

No rastro de fumaça deixado pelos ataques e incêndios em Fortaleza e Região Metropolitana, o deputado Capitão Wagner (PR) e o governador Camilo Santana (PT), possíveis adversários nas eleições do ano que vem, trocaram farpas que em nada ajudam na solução do problema. É fogo sem calor.

Wagner chamou Camilo de “frouxo” acusando-o de não concordar com a estratégia adotada pela Secretaria de Segurança para normalizar a situação. Já o governador rebateu chamando o deputado de “moleque”, dizendo que o parlamentar busca tirar proveito político do momento.

É papel da oposição criticar, função tanto mais importante nos momentos de crise, como é o caso. Por outro lado, é compreensível que governos façam a defesa de suas atuações e abordagens, mesmo quando pressionados pelos fatos.

Ocorre que a substituição de critérios objetivos relacionados a políticas públicas pelo mero insulto tem efeito prático nulo, sobressaindo-se apenas seu teor emocional. Na verdade, impede o debate sobre as causas do problema e atrapalha a avaliação sobre a eficiência as medidas emergenciais adotadas. Sem isso, casos como o que assistimos se repetirão toda vez que facções criminosas assim decidirem.

É preciso que o governo seja cobrado, afinal, não é normal que o crime organizado faça o que fez. Wagner faz o que a oposição deixou de fazer há muito tempo no Ceará: cutucar e chamar a discussão. Camilo, por sua vez, precisa explicar sem subterfúgios como o governo foi pego de surpresa e como pretende evitar que novos ataques aconteçam. Isso é normal, pelo menos, deveria ser.

Não precisam concordar, é óbvio, mas podem discordar um do outro de forma construtiva, trazendo informações, apresentando alternativas e opções. Para isso, entretanto,é necessário que passem a comunicar suas ideias em outro nível.

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Segurança pública no Ceará: o novo e o velho

Por Wanfil em Segurança

05 de Janeiro de 2017

Delegado aposentado da Polícia Federal, Delci Teixeira deixa o comando da Secretaria de Segurança. Assume o posto André Costa, jovem delegado da Polícia Federal.

O legado de Teixeira pode ser resumido na quebra da escalada dos homicídios no Estado, com dois anos consecutivos de uma gradual redução nesse tipo de crime, e no restabelecimento do diálogo com os policiais, patrocinado pelo governador Camilo Santana. Por outro lado, os assaltos continuam a crescer, assim como as mortes de policiais.

Além disso, o fortalecimento do crime organizado a partir do caos no sistema penitenciário, área da Secretaria da Justiça, é uma realidade que afeta a segurança pública como um todo. No ano passado, de dentro dos presídios, facções ordenaram ataques a ônibus, delegacias e prédios públicos. Colocaram um carro com dinamites ao lado da Assembleia Legislativa. Organizaram ainda na maior rebelião da História no Ceará, obrigando o governo estadual a pedir o socorro de tropas federais. É um problema nacional que, por sua vez, encontra solo fértil nos estados mais violentos.

Sobre isso, o governo federal lançou um programa para a modernização das penitenciárias estaduais, após a repercussão internacional do massacre de presos em Manaus, decorrente de uma guerra entre criminosos. Pode ser que algo melhore. Vamos aguardar.

De resto, a mudança na Secretaria de Segurança acontece menos de um mês após a saída de Andrade Júnior, também a pedido, do cargo de Delegado-Geral da Polícia Civil. Aparentemente, para quem acredita em coincidências, não há correlação entre essas baixas.

A novidade que chega e o ano que se inicia se deparam com alguns velhos problemas de anos que se prolongam. Por tudo isso, boa sorte ao novo secretário André Costa.

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Retrospectiva política: o ano da vergonha

Por Wanfil em Política

28 de dezembro de 2016

vergonha

Vergonha alheia, diga-se.

Este 2016 que se encerra já pode entrar para os anais da História cearense, pelo menos no que diz respeito à clássica divisão do poder político em três poderes, como o Ano da Vergonha.

Não é preciso muito esforço para situar essa condição. Vejamos aqui, de memória mesmo, casos que marcaram o ano:

Poder Executivo: Apesar dos esforços para a contenção da escalada da violência dos últimos anos, o Governo do Estado enviou projeto para a Assembleia Legislativa para organizar a instalação de bloqueadores de celulares nos presídios, após as rebeliões de maio, que resultaram em 18 mortes. A bem da verdade o sistema carcerário é ruim não é de hoje, mas agora as coisas chegaram a um ponto surreal. O crime organizado reagiu, enviou recados, colocou um carro bomba ao lado da Assembleia. No final, o fato é que os bloqueadores não foram instalados. Uma vergonha fora da curva para as outras vergonhas que marcam as administrações públicas nos Brasil.

Poder Legislativo: No mês de dezembro a Assembleia Legislativa aceitou ser usada pelo Executivo como instrumento de vingança contra ex-aliados que enfrentaram o governo na disputa pela presidência do parlamento estadual. O alvo escolhido para a retaliação foi o Tribunal de Contas dos Municípios, que foi extinto de uma hora para outra, às pressas, em razão de ajustes particulares entre nossas autoridades. Uma vergonha até mesmo para um poder acostumado a humilhações.

Poder Judiciário: No final de setembro o Tribunal de Justiça do Ceará foi alvo de uma operação da Polícia Federal que investiga um esquema de vendas de liminares para beneficiar traficantes e quadrilhas organizadas, envolvendo desembargadores e advogados. Muito provavelmente, a maior vergonha do Judiciário, não obstante os péssimos serviços prestados aos cidadãos.

Esses episódios desmoralizantes foram, entretanto, de certo modo ofuscados pelos escândalos nacionais, prisões, delações e pelo impeachment de Dilma. A sorte deles, é sempre o nosso azar.

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A lógica do crime organizado contra o Estado do Ceará: imagem é tudo

Por Wanfil em Segurança

19 de julho de 2016

É óbvio que a recente onda de ataques contra delegacias, viaturas e ônibus são ações para desmoralizar a Segurança Pública no Ceará. Lembra a natureza das ações militares de guerrilha: não podendo eliminar o exército inimigo, o objetivo passa a ser destruir o moral de suas tropas, colocando a opinião pública em estado de alerta por causa do efeito psicológico dos atentados.

No caso mais recente, uma carta com ameaças ao governador Camilo Santana foi deixada com o motorista de um ônibus incendiado em Fortaleza. O texto, que também reclama da situação de “irmãos” nos presídios, é assinado pelo “Crime”, ou seja, sujeito indefinido e difuso que naturalmente infere medo na população.

Camilo afirma que tudo isso é uma reação do crime organizado contra a atual política de segurança. O secretário Delci Teixeira disse que as ordens partem dos presídios e que os responsáveis foram identificados, sem dar, porém, maiores detalhes. É normal o sigilo para não atrapalhar as investigações, coisa e tal, mas é preciso que o governo entenda que uma guerra de imagem está em curso. Os bandidos sabem que seus crimes serão noticiados e que haverá pressão sobre o Estado por respostas.

Assim, a demora em dar explicações precisas, quando não o silêncio como resposta de quem atua como se não precisasse dar satisfações ao público, como se isso fosse um favor, apenas alimentam a sensação de que as autoridades de segurança estão um passo atrás dos bandidos.

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Anunciada delegacia contra crime organizado no Ceará: já não era sem tempo!

Por Wanfil em Segurança

18 de julho de 2016

Eu não vou responder a boatos e especulações irresponsáveis!”. Foi o que o governador do Ceará, Camilo Santana, disse em fevereiro deste ano, sobre a possível ação de facções criminosas do Rio de Janeiro e de São Paulo, que teriam assumido o controle do tráfico em bairros de Fortaleza.

No sábado passado, dia 16 de julho, após uma sequência constante de ataques a policiais, delegacias, prédios públicos e ônibus, além de rebeliões e fugas nos presídios, o governador anunciou “a criação imediata da Delegacia Especializada de Combate ao Crime Organizado do Ceará“, com a seguinte justificativa: “As ações criminosas das últimas horas contra prédios públicos e agentes de segurança são uma clara reação do crime às ações rigorosas realizadas pela nossa polícia”.

Boa medida. Talvez o governo tenha resistido a aceitar essa realidade por receio de perder o ganho de confiança obtido com a redução nos números de homicídios. Essa hesitação acarretou atraso considerável para a tomada de iniciativa, uma vez que as ações criminosas que a ensejaram não aconteceram apenas nas “últimas horas”, mas ao longo, no mínimo, dos últimos meses. E quando se trata de segurança, tempo é vida.

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Sossego da comunidade

Por Wanfil em Segurança

30 de junho de 2016

A foto que ilustra esta postagem tem circulado em grupos do WhatsApp em Fortaleza. Até que ponto a mensagem é verídica não é possível dizer.Comunicado

Imagens com cartazes semelhantes fixados em postes e muros da capital e de cidades do interior também circulam pelo aplicativo e ganham outras redes sociais.

Sobre isso, duas considerações:

1 – Rumores anteriores sobre supostos acordos de paz entre grupos de traficantes em Fortaleza e Sobral para levar tranquilidade aos seus pontos de drogas reforçam a “credibilidade” dos cartazes. Por coincidência, os homicídios de jovens caíram mais significativamente na capital após os boatos de pacto entre gangues. O governo nega que seja por isso.

2 – Caso exista mesmo relação direta entre a redução da violência e acordos entre facções de bandidos, estaremos vivendo o inacreditável paradoxo de ver a violência e o crime sendo combatidos por criminosos violentos, assumindo o papel de garantidores do “sossego da comunidade”.

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Sossego da comunidade

Por Wanfil em Segurança

30 de junho de 2016

A foto que ilustra esta postagem tem circulado em grupos do WhatsApp em Fortaleza. Até que ponto a mensagem é verídica não é possível dizer.Comunicado

Imagens com cartazes semelhantes fixados em postes e muros da capital e de cidades do interior também circulam pelo aplicativo e ganham outras redes sociais.

Sobre isso, duas considerações:

1 – Rumores anteriores sobre supostos acordos de paz entre grupos de traficantes em Fortaleza e Sobral para levar tranquilidade aos seus pontos de drogas reforçam a “credibilidade” dos cartazes. Por coincidência, os homicídios de jovens caíram mais significativamente na capital após os boatos de pacto entre gangues. O governo nega que seja por isso.

2 – Caso exista mesmo relação direta entre a redução da violência e acordos entre facções de bandidos, estaremos vivendo o inacreditável paradoxo de ver a violência e o crime sendo combatidos por criminosos violentos, assumindo o papel de garantidores do “sossego da comunidade”.