cotas Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

cotas

UFC destina 50% de suas vagas para cotas em 2014: confusão entre causa e efeito

Por Wanfil em Educação

07 de outubro de 2013

O Conselho Universitário da Universidade Federal do Ceará decidiu destinar 50% de suas vagas para cotas já a partir de 2014, conforme determina a Lei nº 12.711/2012, antecipando-se assim ao Decreto nº 7.824/2012, que dava prazo até agosto de 2106 para a implantação desse sistema.

Na prática, de acordo com a legislação, o negócio é barrar o pessoal mais bem preparado das escolas privadas, valendo-se de critérios de exclusão baseados na origem do aluno, cor da pele e renda, para garantir o acesso dos alunos da rede pública nas universidades federais, especialmente nos cursos mais disputados.

A medida trata o efeito, mas ignora a causa do problema. Ora, o que impede os alunos das escolas públicas de competir em condições de igualdade com os demais é a má qualidade do ensino que recebem. Em vez de corrigir essa deficiência, opta-se por empurrá-la para dentro das universidades, dando ao truque o cativante nome de inclusão social.

Pode-se argumentar, em favor da lei, que se trata de uma política compensatória.  O site da UFC lembra que o sistema de cotas é “válido inicialmente por dez anos, desde agosto de 2012“. Seria o tempo, suponho, de melhorar o ensino público. Como ninguém acredita muito nisso, foi preciso a ressalva do ‘inicialmente’, deixando claro que o programa poderá ser esticado indefinidamente.

Quer dizer, Wanfil, que alunos da rede pública não devem ir para as faculdades? Claro que devem, por seus esforços e pelo resultado da boa aplicação dos impostos que pagamos para custear o ensino dito “gratuito”. O que não pode é penalizar alunos da rede particular só para o governo fingir que está mudando a realidade da educação.

Também no site da UFC, o Pró-Reitor de Graduação da UFC, Custódio Almeida, acredita que a universidade manterá seu padrão de excelência, graças à grande concorrência nos cursos da UFC, que mantém as notas de corte elevadas. No curso de Medicina (…), a nota de corte na ampla concorrência foi 784.7. Entre as quatro classes de cotas, a que teve menor nota de corte foi 751.04 – o que garantiria acesso a qualquer um dos demais cursos da instituição, com exceção de Direito Diurno, na ampla concorrência”.

Bom, se é assim, se esses estudantes poderiam entrar pelo concurso da ampla concorrência, porque reservar-lhes as cotas? Leia mais

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Cotas nas universidades federais buscam esconder fracasso na escola pública

Por Wanfil em Brasil

09 de agosto de 2012

Aproveitando a moda de cotas raciais, de gênero ou de renda para criar uma justiça social de ofício, nossos nobres senadores aprovaram a criação de uma reserva de 50% das vagas em universidades e escolas técnicas federais para alunos que tenham cursado o ensino médio integralmente em escolas públicas. O projeto já passou pela Câmara e agora segue para sanção da presidente Dilma Rousseff.

Evidentemente, os defensores da iniciativa alegam as melhores e mais angelicais intenções. Vejam o que disse  senador Paulo Paim (PT-RS) comemorou a aprovação: “Não é justo que o preto e pobre trabalhe de dia para pagar a universidade e estudar à noite enquanto o branco descansa o dia todo.”

Nivelando a educação por baixo

Além de racista, a declaração é reveladora do projeto de país que vivenciamos. A ideia, na prática, protege alunos menos preparados de concorrêr com alunos mais preparados. É a meritocracia ao avesso, é a legalização da mediocridade como parâmetro de políticas públicas de educação superior.

É lógico que, por essa equação, as universidades federais terão que nivelar por baixo para absorver a nova demanda, sendo preciso ensinar o que eles não aprenderam no ensino médio (isso já acontece sem as cotas, imaginem depois).

A má formação de alunos oriundos da escola pública é algo que sensibiliza e essa preocupação é importante. No entanto, em nome da vontade de ajudar não podemos simplesmente aceitar soluções equivocadas, aparentemente fáceis, mas que não resolvem o problema e não mudam a realidade desses jovens.

Solução mágica é cortina  de fumaça

A pergunta a ser feita é: Por que alunos das escolas públicas não conseguem competir por vagas com alunos da escola privada em igualdade de condições? Vejam como a coisa muda de perspectiva. A resposta é óbvia: Porque são mal preparados! Culpa de quem? Do contribuinte é que não é. Assim, essas cotas e servem mesmo é de cortina de fumaça para encobrir a incompetência de nossas autoridades. Cadê o método Paulo Freire formando gênios na escola pública? O desempenho dos alunos brasileiros nos exames internacionais como o PISA é vergonhoso, sempre nas últimas colocações.

Enquanto isso, as escolas públicas continuam sucateadas e carentes de planejamento; o magistério não atrai os melhores profissionais, pelo contrário, com raríssimas exceções. Colocar alunos de um sistema de base falido em universidades pela janela não resolve nenhum desses problemas. Leia mais

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Supremo legaliza cotas raciais em universidades. E agora: black or white?

Por Wanfil em Judiciário

27 de Abril de 2012

Separados: À esquerda, setor de cotas para estudantes negros; à direita, vagas para brancos. A imagem ilustra uma nova realidade. No Brasil, a partir de agora, essa seperação é legal.

O Supremo Tribunal Federal decidiu por unanimidade que o sistema de cotas raciais em universidades é constitucional. Os que concordam celebram o progressismo da mais alta Corte do País. Os que são contrários, lamentam a decisão. O que importa agora são os fatos. De agora em diante as universidades podem destinar vagas com base na cor dos candidatos sem se preocupar. As notas, o desempenho e o esforço individual passam a valer como critérios secundários. Isso não é opinião. É fato.

Argumentar agora sobre a possível inconstitucionalidade da medida é perder tempo. No entanto, ainda existem dúvidas, apesar a liberação da reserva racial de vagas.

Dúvidas: quem define a sua cor? E como?
Primeiro, e mais urgente, é preciso saber como classificar um indivíduo com base na cor da pela. Kant ensinava que só pode ser ético o que é universal. Ou seja, as regras precisam ser objetivas e transparentes. A partir de que tonalidade uma pessoa passa a ser considerada negra? Ou branca? E se não houver como medir dessa forma, exististirão exames de avaliação sanguínea ou genética que determinem se no sujeito pardo prevalece uma herança africana ou europeia? Ou bastará ao candidato declarar a cor que acredita possuir? Essa última possibilidade tem um problema. Como evitar o risco de que alguém se declare negro apenas para evitar a disputa por vagas com candidatos de outras cores?

Portanto, sendo necessário que a raça alegada pelo candidato seja validada por um método seguro, surge a segunda sequência de dúvidas: quem serão os classificadores raciais, aqueles que validarão o pedido. Será uma banca de professores? Será um magistrado? E se a banca for composta apenas de brancos, com poderes para definir quem é ou não negro? Será uma junta médica? Será alguma ONG? Leia mais

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Supremo legaliza cotas raciais em universidades. E agora: black or white?

Por Wanfil em Judiciário

27 de Abril de 2012

Separados: À esquerda, setor de cotas para estudantes negros; à direita, vagas para brancos. A imagem ilustra uma nova realidade. No Brasil, a partir de agora, essa seperação é legal.

O Supremo Tribunal Federal decidiu por unanimidade que o sistema de cotas raciais em universidades é constitucional. Os que concordam celebram o progressismo da mais alta Corte do País. Os que são contrários, lamentam a decisão. O que importa agora são os fatos. De agora em diante as universidades podem destinar vagas com base na cor dos candidatos sem se preocupar. As notas, o desempenho e o esforço individual passam a valer como critérios secundários. Isso não é opinião. É fato.

Argumentar agora sobre a possível inconstitucionalidade da medida é perder tempo. No entanto, ainda existem dúvidas, apesar a liberação da reserva racial de vagas.

Dúvidas: quem define a sua cor? E como?
Primeiro, e mais urgente, é preciso saber como classificar um indivíduo com base na cor da pela. Kant ensinava que só pode ser ético o que é universal. Ou seja, as regras precisam ser objetivas e transparentes. A partir de que tonalidade uma pessoa passa a ser considerada negra? Ou branca? E se não houver como medir dessa forma, exististirão exames de avaliação sanguínea ou genética que determinem se no sujeito pardo prevalece uma herança africana ou europeia? Ou bastará ao candidato declarar a cor que acredita possuir? Essa última possibilidade tem um problema. Como evitar o risco de que alguém se declare negro apenas para evitar a disputa por vagas com candidatos de outras cores?

Portanto, sendo necessário que a raça alegada pelo candidato seja validada por um método seguro, surge a segunda sequência de dúvidas: quem serão os classificadores raciais, aqueles que validarão o pedido. Será uma banca de professores? Será um magistrado? E se a banca for composta apenas de brancos, com poderes para definir quem é ou não negro? Será uma junta médica? Será alguma ONG? (mais…)