conveniência Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

conveniência

Cheirinho de acordão

Por Wanfil em Política

07 de outubro de 2017

Clima de acordão tem como fim a autopreservação de grupos que precisam, como nunca, do foro privilegiado

As incertezas no cenário político nacional dificultam a costura de articulações para as eleições estaduais, perfazendo um ambiente propício à propagação de boatos e hipóteses. Faz parte. No Ceará, porém, o conjunto dessa boataria trafega em sentido único, dando a impressão de que as coisas caminham para uma espécie de pacto de sobrevivência e autopreservação geral, popularmente conhecido como “acordão”.

Indícios não faltam: adversários que passaram a trocar elogios, partidos em litígio que falam agora em estudar alianças com o inimigo, além dos ensaios sobre chapas inusitadas que surgem a todo instante. Sem contar ainda as declarações dúbias, cheias as reticências, do tipo “o momento agora é de unir forças pelo Ceará, eleição a gente pensa depois”. Não se percebe na maior parte disposição pra rupturas ou confrontações.

Pode ser que nada disso aconteça (mais pela dificuldade de encaixar egos do que por incompatibilidade de convicções ou de divergências morais), pessoalmente acho que não irá acontecer, mas que existe um cheiro de jeitinho esperto no ar, isso existe. E ninguém nega a ocorrência, digamos assim, de tratativas iniciais sobre eventuais pactos que até pouco tempo eram inimagináveis. Naturalmente, esse tipo de oportunismo em busca pelo foro privilegiado é apresentado ao distinto público como sinal da mais alta responsabilidade, de desapego altruísta e prudente sabedoria. Tudo isso não muda a natureza dessas conciliações de ocasião.

Um acordão que anula diferenças pessoais, ideológicas e partidárias em nome de conveniências particulares seria um desastre para um eleitor que anseia por mudanças, mas que corre o risco de acabar traído por gente ocupada demais em manter tudo como está.

Acordão é conluio.

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Quem manda no Ceará é o Pros. Quem?!?

Por Wanfil em Partidos

11 de novembro de 2013

O Partido Republicano da Ordem Social (Pros) tem a maior bancada na Assembleia Legislativa do Ceará e comanda 66 prefeituras no Estado, entre as quais a de Fortaleza. É a maior força política local. Mas todos sabem que o grande “mérito” da sigla para esse sucesso se resume a servir de abrigo para o grupo político que hoje comanda o governo estadual, liderado pelos irmãos Ciro e Cid Gomes, após a tumultuada saída do PSB. Em outras palavras, o Pros nasceu para atender contingências de momento, feitas por uma soma de conveniências que fazem do partidarismo brasileiro uma piada.

O próprio PSB e o PSDB já experimentaram aqui o gosto da ascensão e da queda: cresceram enquanto governo, minguaram na oposição. Mas são siglas, goste-se ou não delas, com algum estofo ideológico, conteúdo programático e história. Também o PT cearense tem uma marca própria, apesar de se contentar, atualmente, a orbitar no entorno do governo Cid como força de apoio em busca de migalhas. De todo modo, dos quadros desses três partidos já surgiram lideranças nacionais. E o Pros? O que é o Pros?

O partido foi criado recentemente por um tal de Eurípedes Júnior, que é seu presidente nacional. Vazio por dentro, a sigla se vale de lugares comuns e generalidades como a “consolidação dos direitos individuais e coletivos, o exercício democrático participativo e representativo, a soberania nacional“, blá, blá blá. A indefinição o define como espaço para qualquer um. Nada mais natural para de um partido de aluguel.

O presidente da sigla no Ceará é Danilo Serpa. Até onde me é dado saber, é pessoa de confiança do governador, de quem é chefe de gabinete. Alguns amigos em comum me garantem: é gente boa, jovem trabalhador e leal ao chefe. Falsos companheiros criticam-no pelas costas, acusando-o de ser inacessível (característica que, a meu ver, depõe a seu favor, por revelar pouca disposição para tratar com políticos). No conjunto, parece um perfil mais apropriado a um gerente de loja de departamento ou um a executivo de empresa privada, do que a um líder partidário. Com efeito, não se trata de uma liderança com brilho próprio, mas de um mero arranjo, como tudo mais no Pros.

A sigla fez um jantar de adesão (e quem não aderir considere-se fora do governo) na última sexta-feira (8), cujo convite custava mil reais. Foram tantos os abnegados filiados empolgados abrindo o bolso que ao final foi anunciada uma arrecadação de R$ 1,2 milhão.Na ocasião, Ciro Gomes discursou para os correligionários enfatizando que é preciso defender as conquistas do governo. Disso eu não duvido. Defender conquistas é um ideal bem arraigado nesse pessoal que muda de partido dia sim, dia não.

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Dissidentes do PSB no Ceará ensinam como procurar um novo partido

Por Wanfil em Partidos

27 de setembro de 2013

A segunda reunião para definir o destino do grupo político ligado ao governador Cid Gomes, realizada na noite de ontem com a presença de parlamentares e prefeitos dissidentes do PSB, acabou, mais uma vez, sem definição. Outra reunião ficou acertada para a próxima terça-feira (01/10). O prazo para uma decisão é curto e termina na sexta-feira (04/10) da semana que vem.

Os meios que (des)qualificam o fim

De concreto, Cid adiantou que o grupo seguirá em bloco para uma nova sigla e que o PT não é alternativa viável. Entre as opções em análise estão PP, PDT, PC do B, PSD e o recém-fabricado PROS. A ordem é buscar aquele que ofereça maior segurança contra questionamentos jurídicos e possíveis prejuízos aos aliados que exercem mandato.

Questões como ideologia, valores e princípios ficam, portanto, em segundo plano, diante das conveniências eleitorais do momento, como é muito comum no Brasil e no Ceará em especial, onde manadas de políticos sempre vivem a seguir seus chefes de um lado para o outro. Raro mesmo é ver uma confissão explícita nesse sentido, feita não por um impulso de denúncia, mas pela assimilação do oportunismo como prática normal e perfeitamente aceitável.

Em busca do tempo perdido

A estratégia de alimentar especulações para em seguida, aos poucos, ir desmentindo os boatos, prolongando assim o suspense geral, resulta, por um lado, das dúvidas a respeito das consequências de uma mudança de partido feita às pressas e na última hora, e por outro, da necessidade de ganhar mais tempo para ver como atuam outras forças políticas.

Nova pesquisa

Sobre isso, a nova pesquisa do instituto Ibope sobre a corrida presidencial, divulgada também ontem, pode servir para justificar a saída de Cid e sua turma do PSB, já que Dilma aparece na liderança com 38% das preferências, enquanto Eduardo Campos fica com apenas 5%.

No entanto, isso não basta pra resolver as questões internas que afligem os governistas no Estado. Na verdade, fortalece o PT e o PMDB, aliados de Cid que podem lançar candidaturas próprias e se transformarem em seus maiores adversários. Mas nada é certo ainda.

Com tanta indefinição, resta mesmo esperar cenas dos próximos capítulos.

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PSB no Ceará: Como confiar em quem muda demais?

Por Wanfil em Partidos

25 de setembro de 2013

A reunião da executiva do PSB do Ceará para decidir se o grupo ligado ao governador Cid Gomes sai ou fica na legenda, realizada às pressas na noite de terça, acabou sem definição. Cid, que é o presidente estadual da sigla, afirma que fica no partido se a executiva nacional permitir que seus filiados aqui no estado possam fazer campanha para a reeleição de Dilma Rousseff, do PT. Como é? Declarar apoio a candidatura de outro partido contra o seu próprio, já que o PSB deve ir de Eduardo Campos em 2014, é mais do que pedir para sair. Tem caroço debaixo desse angu.

Mais tempo

A expectativa geral no meio político e na imprensa era a de que Cid anunciasse a saída do partido, uma vez que pairava no ar uma suposta ameaça de intervenção nacional no diretório estadual.

Na verdade, pelas conversas que tive com alguns parlamentares do PSB, é possível dizer Cid tem dois objetivos imediatos. Um é ganhar tempo para articular mais até a quinta-feira, pois as negociações (e as especulações) estão intensas. Há uma dúvida sobre o posicionamento dos demais governadores do PSB, que sofrem pressão do governo federal para não endossar a candidatura própria do partido.

Cid poderia levar um ou outro com ele e assim enfraquecer o palanque de Campos. Outro é enviar um recado para a própria Dilma, valorizando o próprio “sacrifício”, o que aumentaria a necessidade de uma compensação à altura.

O que é um partido?

Como é bastante improvável que Cid permaneça no PSB e acabe orientando seus aliados a migrarem para o tal de PROS, o mais novo partido de aluguel da praça, a reunião pode ser resumida como “a volta dos que não foram”. Iam sair, disseram que ficam, mas deverão partir. A próxima reunião será “a saída dos que não chegaram”. Sim. O grupo político de Cid e Ciro é contumaz praticante da arte de mudar de partido: PDS (hoje DEM), PMDB, PPS (ex-PCB) e PSB.

Em tese, partidos deveriam representar um conjunto de valores e princípios que, reunidos, deveriam embasar uma série de propostas de intervenção na realidade social e econômica de uma sociedade. Assim, mudar de sigla significaria adotar uma nova postura diante do mundo após um profundo exame de consciência. Acontece e pode ser mesmo sinal de evolução de um indivíduo.

Acontece que, na prática, essas agremiações são usadas e descartadas ao sabor das circunstâncias por políticos movidos apenas por um princípio: a sede de poder.

Quem confia em quem muda demais?

É claro que podem existir problemas internos, disputas, essas coisas. Mas a mudança constante revela mesmo a prevalência de projetos particulares sobre os ideais partidários.

Com o tempo, esse excesso retroalimenta a fragilidade do grupo dentro de partidos, pois acaba construindo uma imagem de inconsistência e falta de confiabilidade que desperta a desconfiança de seus correligionários.

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PSB no Ceará: Como confiar em quem muda demais?

Por Wanfil em Partidos

25 de setembro de 2013

A reunião da executiva do PSB do Ceará para decidir se o grupo ligado ao governador Cid Gomes sai ou fica na legenda, realizada às pressas na noite de terça, acabou sem definição. Cid, que é o presidente estadual da sigla, afirma que fica no partido se a executiva nacional permitir que seus filiados aqui no estado possam fazer campanha para a reeleição de Dilma Rousseff, do PT. Como é? Declarar apoio a candidatura de outro partido contra o seu próprio, já que o PSB deve ir de Eduardo Campos em 2014, é mais do que pedir para sair. Tem caroço debaixo desse angu.

Mais tempo

A expectativa geral no meio político e na imprensa era a de que Cid anunciasse a saída do partido, uma vez que pairava no ar uma suposta ameaça de intervenção nacional no diretório estadual.

Na verdade, pelas conversas que tive com alguns parlamentares do PSB, é possível dizer Cid tem dois objetivos imediatos. Um é ganhar tempo para articular mais até a quinta-feira, pois as negociações (e as especulações) estão intensas. Há uma dúvida sobre o posicionamento dos demais governadores do PSB, que sofrem pressão do governo federal para não endossar a candidatura própria do partido.

Cid poderia levar um ou outro com ele e assim enfraquecer o palanque de Campos. Outro é enviar um recado para a própria Dilma, valorizando o próprio “sacrifício”, o que aumentaria a necessidade de uma compensação à altura.

O que é um partido?

Como é bastante improvável que Cid permaneça no PSB e acabe orientando seus aliados a migrarem para o tal de PROS, o mais novo partido de aluguel da praça, a reunião pode ser resumida como “a volta dos que não foram”. Iam sair, disseram que ficam, mas deverão partir. A próxima reunião será “a saída dos que não chegaram”. Sim. O grupo político de Cid e Ciro é contumaz praticante da arte de mudar de partido: PDS (hoje DEM), PMDB, PPS (ex-PCB) e PSB.

Em tese, partidos deveriam representar um conjunto de valores e princípios que, reunidos, deveriam embasar uma série de propostas de intervenção na realidade social e econômica de uma sociedade. Assim, mudar de sigla significaria adotar uma nova postura diante do mundo após um profundo exame de consciência. Acontece e pode ser mesmo sinal de evolução de um indivíduo.

Acontece que, na prática, essas agremiações são usadas e descartadas ao sabor das circunstâncias por políticos movidos apenas por um princípio: a sede de poder.

Quem confia em quem muda demais?

É claro que podem existir problemas internos, disputas, essas coisas. Mas a mudança constante revela mesmo a prevalência de projetos particulares sobre os ideais partidários.

Com o tempo, esse excesso retroalimenta a fragilidade do grupo dentro de partidos, pois acaba construindo uma imagem de inconsistência e falta de confiabilidade que desperta a desconfiança de seus correligionários.