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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

convenção partidária

Vices roubam a cena em Fortaleza

Por Wanfil em Eleições 2012

02 de julho de 2012

Diga-me com quem tu andas, que te direi quem tu és. O ditado popular serve para candidatos em busca de vices, mas também é válido para vices que aceitam referendar candidatos.

Para que serve um vice? Como agente administrativo, vale pouco, quase nada. É um reserva de luxo que eventualmente pode virar titular. Como peça estratégica em disputa eleitorais vale ao menos de três formas: 1) para composição de imagem da chapa; 2) como moeda de troca em alianças de ocasião; 3) como personificação de uma aliança programática.

Via de regra, o papel do vice é secundário e as alianças são feitas na base do fisiologismo, geralmente de olho no tempo de propaganda no rádio e na televisão. Ocorre que cada eleição tem suas peculiaridades e o peso do vice pode variar conforme a conjuntura.

Em Fortaleza, a grande quantidade de candidaturas aumenta a disputa e valoriza a figura o vice como peça de complemento. Não por acaso, os vices roubaram a cena nas convenções partidárias realizadas no último final de semana. Roubar no sentido de protagonizar, que fique bem claro (melhor não deixar espaço para dubiedades).

De médico, todo mundo tem um pouco

A surpresa ficou por conta do médico Antônio Mourão na chapa de Elmano de Freitas, do PT, o candidato de última hora escolhido pela prefeita Luizianne Lins. Articulista com presença em jornal e rádio, Mourão tinha sido, até o último sábado, um duro crítico da gestão que agora terá que defender. A composição indica que a candidatura oficial – que sofre com a baixa popularidade da prefeita – tentará oferecer ao eleitor o discurso da “continuidade sem continuísmo”.

Outro médico – profissão em alta no mercado político-partidário – aparecerá ao lado do candidato crônico Moroni Torgan, do Democratas: é o doutor Lineu Jucá, que também se notabilizou pelas críticas ao governo petista, especialmente na área da saúde. A escolha pode ajudar na construção de uma chapa que não se restringe a monotemática da segurança pública.

No PDT, onde o deputado estadual e… médico! Heitor Férrer é o cabeça de chapa, o empresário Alexandre Pereira, do PPS, pode não trazer votos, mas além do tempo a mais na propaganda, a parceria pode garantir maior acesso a financiadores de campanha, o que é fundamental para quem não tem a máquina pública como fator de atração.

Chapas puras

Marcos Cals, do PSDB, e Inácio Arruda, do PCdoB, isolados, optaram por soluções caseiras em chapas puras e escolheram correligionários com boa votação em Fortaleza.

Os tucanos deram vez ao deputado estadual Fernando Hugo, parlamentar popular e verborrágico, médico também, um dos maiores críticos da gestão o governo petista em Fortaleza. Soma para construir uma imagem mais enérgica para a candidatura e a consolida como polo de oposição. O risco é ter um vice mais lembrado do que o próprio candidato.

Já os comunistas apresentaram o deputado federal Chico Lopes, que apesar das boas votações pouco acrescenta à imagem de Inácio: os dois tem perfis parecidos, com histórico recente de parcerias com o governador Cid Gomes e a prefeita Luizianne Lins. Surge como plano B do campo governista.

Padrinhos e afilhados

Por último, para fazer companhia ao desconhecido (do eleitorado) deputado estadual Roberto Cláudio, o PSB indicou o desconhecido (do eleitorado) empresário Gaudêncio Lucena, do PMDB, mais conhecido por ser sócio do senador Eunício Oliveira. É uma candidatura cuja potencialidade advém exclusivamente de seus padrinhos: Cid com a máquina estadual e Eunício com a máquina peemedebista (tempo e recursos).

É isso. Até aqui, curiosamente, os vices tem dado o tom das campanhas. São apostas, mas apenas o vencedor será lembrado como gênio da estratégia política.

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Vices roubam a cena em Fortaleza

Por Wanfil em Eleições 2012

02 de julho de 2012

Diga-me com quem tu andas, que te direi quem tu és. O ditado popular serve para candidatos em busca de vices, mas também é válido para vices que aceitam referendar candidatos.

Para que serve um vice? Como agente administrativo, vale pouco, quase nada. É um reserva de luxo que eventualmente pode virar titular. Como peça estratégica em disputa eleitorais vale ao menos de três formas: 1) para composição de imagem da chapa; 2) como moeda de troca em alianças de ocasião; 3) como personificação de uma aliança programática.

Via de regra, o papel do vice é secundário e as alianças são feitas na base do fisiologismo, geralmente de olho no tempo de propaganda no rádio e na televisão. Ocorre que cada eleição tem suas peculiaridades e o peso do vice pode variar conforme a conjuntura.

Em Fortaleza, a grande quantidade de candidaturas aumenta a disputa e valoriza a figura o vice como peça de complemento. Não por acaso, os vices roubaram a cena nas convenções partidárias realizadas no último final de semana. Roubar no sentido de protagonizar, que fique bem claro (melhor não deixar espaço para dubiedades).

De médico, todo mundo tem um pouco

A surpresa ficou por conta do médico Antônio Mourão na chapa de Elmano de Freitas, do PT, o candidato de última hora escolhido pela prefeita Luizianne Lins. Articulista com presença em jornal e rádio, Mourão tinha sido, até o último sábado, um duro crítico da gestão que agora terá que defender. A composição indica que a candidatura oficial – que sofre com a baixa popularidade da prefeita – tentará oferecer ao eleitor o discurso da “continuidade sem continuísmo”.

Outro médico – profissão em alta no mercado político-partidário – aparecerá ao lado do candidato crônico Moroni Torgan, do Democratas: é o doutor Lineu Jucá, que também se notabilizou pelas críticas ao governo petista, especialmente na área da saúde. A escolha pode ajudar na construção de uma chapa que não se restringe a monotemática da segurança pública.

No PDT, onde o deputado estadual e… médico! Heitor Férrer é o cabeça de chapa, o empresário Alexandre Pereira, do PPS, pode não trazer votos, mas além do tempo a mais na propaganda, a parceria pode garantir maior acesso a financiadores de campanha, o que é fundamental para quem não tem a máquina pública como fator de atração.

Chapas puras

Marcos Cals, do PSDB, e Inácio Arruda, do PCdoB, isolados, optaram por soluções caseiras em chapas puras e escolheram correligionários com boa votação em Fortaleza.

Os tucanos deram vez ao deputado estadual Fernando Hugo, parlamentar popular e verborrágico, médico também, um dos maiores críticos da gestão o governo petista em Fortaleza. Soma para construir uma imagem mais enérgica para a candidatura e a consolida como polo de oposição. O risco é ter um vice mais lembrado do que o próprio candidato.

Já os comunistas apresentaram o deputado federal Chico Lopes, que apesar das boas votações pouco acrescenta à imagem de Inácio: os dois tem perfis parecidos, com histórico recente de parcerias com o governador Cid Gomes e a prefeita Luizianne Lins. Surge como plano B do campo governista.

Padrinhos e afilhados

Por último, para fazer companhia ao desconhecido (do eleitorado) deputado estadual Roberto Cláudio, o PSB indicou o desconhecido (do eleitorado) empresário Gaudêncio Lucena, do PMDB, mais conhecido por ser sócio do senador Eunício Oliveira. É uma candidatura cuja potencialidade advém exclusivamente de seus padrinhos: Cid com a máquina estadual e Eunício com a máquina peemedebista (tempo e recursos).

É isso. Até aqui, curiosamente, os vices tem dado o tom das campanhas. São apostas, mas apenas o vencedor será lembrado como gênio da estratégia política.