Congresso Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Congresso

Não basta ser contra Temer, tem que ser diferente dele: eis o problema da oposição

Por Wanfil em Política

02 de agosto de 2017

Dilma e Temer: lembram disso, companheiros? Onde vocês estavam? (Arte sobre foto da Agência Brasil)

Nelson Rodrigues dizia invejar a burrice, que é eterna. Quando o assunto é política, eu invejo a eternidade da hipocrisia. Por ocasião da votação do pedido de investigação contra o presidente Michel Temer, como era de se esperar, a oposição foi a favor da continuidade do processo, em alinhamento, diga-se, com a opinião pública. Até aí tudo bem, é natural.

O problema é quando seus representantes, especialmente nos estados, tentam adornar esse posicionamento com discursos contra, vejam só, a corrupção e a crise econômica, como se seus partidos e lideranças nada tivessem com a maior recessão e o maior escândalo de corrupção da história brasileira. Como se nunca tivessem feito campanha para eleger o próprio Temer, seu aliado até uma dia desses, junto com Dilma. Como se fossem puros. É demais.

Não faltam ao governo Temer defeitos, como a contradição entre a promessa de rigor fiscal e a gastança com emendas parlamentares para garantir apoio no Congresso. Mas falar disso não basta aos adversários do presidente impopular, é preciso tentar ainda apagar as próprias digitais dos problemas que agora dizem combater. E então exageram.

No fim, por falta de correspondência entre discurso e prática no poder, o esforço finda inútil. Toda a indignação fingida de quem nunca fez um mea-culpa por toda essa situação, não passa de jogo de cena. Não enganam ninguém.

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Dilma e Camilo no parlamento: diferenças, antigas novidades e vaia

Por Wanfil em Política

03 de Fevereiro de 2016

O governado do Ceará, Camilo Santana, e a presidente do Brasil, Dilma Rousseff, ambos do PT, discursaram nas sessões de abertura dos trabalhos nas respectivas casas parlamentares com as quais negociam politicamente. Ele na Assembleia Legislativa, ela no Congresso Nacional. É o momento em que falam sobre o que estão fazendo, ou imaginam que estão fazendo, e a respeito de suas expectativas para o ano.

Suas falas contemplaram um ponto em comum, bem específico, que serve bem para ilustrar a diferença entre os momentos por que passam cada um desses gestores: a Transposição do Rio São Francisco. Ele cobrando (com muito cuidado, diga-se); ela, garantindo a entrega. A obra que deveria ter ficado pronta em 2010, mas foi adiada para 2012, 2014, 2015 e agora para 2016, dobrando de preço nesse período. São discursos que nascem velhos por anunciarem, ao final, “antigas novidades”. Depois de tantos atrasos, sem contar as denúncias de corrupção, o melhor é guardar prudência e fazer como São Tomé: só vendo para acreditar.

Vale lembrar que a promessa é sonho antigo e sua realização será um feito, mas que pela forma como foi encaminhada ao longo do tempo, não pode ser vista como prova de competência ou coisa que o valha. Mais do que uma obrigação, será a quitação de uma dívida com os nordestinos que, durante todos esses anos, garantiram recursos para a obra via impostos.

Vaias
Por falar em impostos, o fato inusitado ficou por conta da vaia que a presidente Dilma levou no Congresso Nacional, entoada por parlamentares (e não só os de oposição), na hora em que defendeu a recriação da CPMF para reequilibrar o caixa da união. A claque governista como sempre aplaudiu, mas a vaia entre autoridades, especialmente em ambiente solene, é coisa rara ou mesmo inédita. Parlamentares, malgrado diferenças que tenham com governantes, costumam a respeitar o cargo temporariamente representado pelo chefe do Executivo.

Desse modo, o episódio mostra bem o nível da relação entre parlamento e governo neste início de ano. Dilma prosseguiu lendo o discurso que levara, falando em união, em responsabilidade e preocupação com números, tudo o que ela não fez no primeiro mandato. Posando de solução, pede mais dinheiro do contribuinte para cobrir o rombo nas contas públicas, como se os brasileiros não soubessem a causa do problema.

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Zezinho na Assembleia, Cunha na Câmara e Renan no Senado: a soma de todos os vícios

Por Wanfil em Política

02 de Fevereiro de 2015

Décimo Júnio Juvenal: "Os homens que têm os mesmo vícios, apoiam-se mutuamente".

Décimo Júnio Juvenal: “Os homens que têm os mesmo vícios apoiam-se mutuamente”.

O que significam as eleições de Zezinho Albuquerque (Pros) para a Assembleia Legislativa, Eduardo Cunha (PMDB) para a Câmara dos Deputados e Renan Calheiros (PMDB) para o Senado Federal? E o que eles têm em comum? A resposta é simples: que os vícios são a regra no ambiente político e institucional degradado em que vive o Brasil. Vamos aos casos.

Assembleia Legislativa do Ceará
A recondução de Zezinho Albuquerque à presidência da casa é a confirmação o legislativo estadual permanece submisso ao Palácio da Abolição, mais precisamente, ao comando político dos Ferreira Gomes. Esse é um vício antigo no Ceará: a sedução do governismo. Não por acaso somente uma chapa foi inscrita para a disputa. É que nessa hora um fenômeno intrigante suprime eventuais divergências dos deputados sobre o papel do parlamento, fazendo com que oposição e situação se entreguem a um irresistível desejo de se unirem, combinando em troca cargos na mesa diretora. Só PSOL ficou de fora (esses se unem apenas na hora de indicar consultores aos seus parlamentares). Quando deputados falam em unidade, na verdade estão dizendo: cada um com seu curral (com raras exceções que confirmam a regra).

Câmara dos Deputados
A briga entre PT e PMDB deu a impressão – aos mais ingênuos – de que uma fronteira ética entre os dois havia sido estabelecida. Petistas diziam que o PMDB era má companhia, vejam só. No final o peemedebista Eduardo Cunha derrotou o Planalto, mas não se trata de um opositor programático, apenas de um aliado que vende mais caro o apoio do partido. No fundo, é briga de casal, que gera ressentimento, algumas pequenas traições, mas que ainda não acaba em divórcio. Tanto é assim que o PT apoiou Renan Calheiros, do mesmo PMDB, para a presidência do Senado (próximo tópico).

Senado Federal
Renan Calheiros foi eleito com apoio do PT e do governo Dilma. Quando se trata de cumprir acordos, esse entrega o que o que foi combinado e – como vimos – recebe o que lhe foi prometido. Tem ainda todo o interesse e a expertise para atrapalhar as investigações na Petrobras, ou pelo menos impedir que os comandos do PMDB e do PT amigo sejam alcançados pela justiça.  É o velho Renan de guerra, que já foi ministro de Collor e que já renunciou o mandato de senador uma vez para não ser cassado. Portanto, hoje, quem é Lula (que no passado prometia acabar com a prática da cooptação), quem é Dilma, quem é governo e quem é PT, no fundo, parafraseando uma propaganda eleitoral, é um pouco Renan.

Vícios
Os processos para a escolha do comando desses parlamentos tiveram de tudo um pouco: conchavos, intrigas, chantagem, submissão voluntária, troca de favores, traições, distribuição de cargos, e por aí vai. Esse conjunto de amoralidades e imoralidades é produto de uma lógica que põe as conveniências pessoais ou de grupo acima das convicções programáticas e do interesse público. Nem todos são bandidos, mas é bom não alimentar ilusões: sem pressão da opinião pública, os raros nomes dispostos a trabalhar sério pouco poderão fazer. É preciso, portanto, vigilância. Olho neles!

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Zezinho na Assembleia, Cunha na Câmara e Renan no Senado: a soma de todos os vícios

Por Wanfil em Política

02 de Fevereiro de 2015

Décimo Júnio Juvenal: "Os homens que têm os mesmo vícios, apoiam-se mutuamente".

Décimo Júnio Juvenal: “Os homens que têm os mesmo vícios apoiam-se mutuamente”.

O que significam as eleições de Zezinho Albuquerque (Pros) para a Assembleia Legislativa, Eduardo Cunha (PMDB) para a Câmara dos Deputados e Renan Calheiros (PMDB) para o Senado Federal? E o que eles têm em comum? A resposta é simples: que os vícios são a regra no ambiente político e institucional degradado em que vive o Brasil. Vamos aos casos.

Assembleia Legislativa do Ceará
A recondução de Zezinho Albuquerque à presidência da casa é a confirmação o legislativo estadual permanece submisso ao Palácio da Abolição, mais precisamente, ao comando político dos Ferreira Gomes. Esse é um vício antigo no Ceará: a sedução do governismo. Não por acaso somente uma chapa foi inscrita para a disputa. É que nessa hora um fenômeno intrigante suprime eventuais divergências dos deputados sobre o papel do parlamento, fazendo com que oposição e situação se entreguem a um irresistível desejo de se unirem, combinando em troca cargos na mesa diretora. Só PSOL ficou de fora (esses se unem apenas na hora de indicar consultores aos seus parlamentares). Quando deputados falam em unidade, na verdade estão dizendo: cada um com seu curral (com raras exceções que confirmam a regra).

Câmara dos Deputados
A briga entre PT e PMDB deu a impressão – aos mais ingênuos – de que uma fronteira ética entre os dois havia sido estabelecida. Petistas diziam que o PMDB era má companhia, vejam só. No final o peemedebista Eduardo Cunha derrotou o Planalto, mas não se trata de um opositor programático, apenas de um aliado que vende mais caro o apoio do partido. No fundo, é briga de casal, que gera ressentimento, algumas pequenas traições, mas que ainda não acaba em divórcio. Tanto é assim que o PT apoiou Renan Calheiros, do mesmo PMDB, para a presidência do Senado (próximo tópico).

Senado Federal
Renan Calheiros foi eleito com apoio do PT e do governo Dilma. Quando se trata de cumprir acordos, esse entrega o que o que foi combinado e – como vimos – recebe o que lhe foi prometido. Tem ainda todo o interesse e a expertise para atrapalhar as investigações na Petrobras, ou pelo menos impedir que os comandos do PMDB e do PT amigo sejam alcançados pela justiça.  É o velho Renan de guerra, que já foi ministro de Collor e que já renunciou o mandato de senador uma vez para não ser cassado. Portanto, hoje, quem é Lula (que no passado prometia acabar com a prática da cooptação), quem é Dilma, quem é governo e quem é PT, no fundo, parafraseando uma propaganda eleitoral, é um pouco Renan.

Vícios
Os processos para a escolha do comando desses parlamentos tiveram de tudo um pouco: conchavos, intrigas, chantagem, submissão voluntária, troca de favores, traições, distribuição de cargos, e por aí vai. Esse conjunto de amoralidades e imoralidades é produto de uma lógica que põe as conveniências pessoais ou de grupo acima das convicções programáticas e do interesse público. Nem todos são bandidos, mas é bom não alimentar ilusões: sem pressão da opinião pública, os raros nomes dispostos a trabalhar sério pouco poderão fazer. É preciso, portanto, vigilância. Olho neles!