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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

confiteor

Mea culpa, mea culpa, mea maxima culpa

Por Wanfil em Crônica

10 de setembro de 2015

Ao maquiar as contas públicas para conseguir sua reeleição, a presidente Dilma Rousseff destruiu o frágil equilíbrio entre gastos e despesas da União. Agora estamos em recessão, com previsão de mais recessão para o próximo ano, situação devidamente registrada pelo humilhante rebaixamento do Brasil no rating da Standard & Poor´s. Junto com a credibilidade da presidente, foi-se a economia nacional.

Ainda que fosse excepcionalmente preparada, Dilma, sozinha, não conseguiria criar e manter uma farsa dessa magnitude. Foi preciso o empenho de muitos agentes para levar adiante o engodo do “desenvolvimentismo” brasileiro. De partidos a intelectuais, de inocentes úteis e a militantes profissionais.

Digo isso porque vejo aqui e ali parceiros, aliados e simpatizantes da presidente arriscando críticas ao desgoverno, à frouxidão fiscal da gestão, à inabilidade política da cúpula palaciana, ao tamanho da máquina, ao loteamento de cargos e à corrupção, como se tudo isso fosse novidade e como se não tivessem eles, os entusiastas do governismo, nada a ver com o desastre em curso. Gente que até poucos meses atrás garantia que a petista representava a continuidade de um modelo econômico sólido, amparado em convicções técnicas modernas, justas e inovadoras.

Profissionais diversos, como jornalistas e professores, além de políticos e autoridades, aderem agora ao coro dos descontentes ou se fazem de meros expectadores, sem assumirem, convenientemente, a parcela de responsabilidade que lhes cabe. Não é só Dilma que deve desculpas aos brasileiros. Falta de aviso não foi e nada do que acontece agora era segredo em 2014. Basta lembrar o caso da economista demitida pelo Santander após descrever com franqueza o cenário econômico. Mesmo assim, os passageiros do trem da alegria preferiram fechar os olhos, em nome de um mal menor, que de menor não tem nada, pelo contrário.

No Ceará, até ontem, aplaudiam obras inacabadas, fazendo pouco caso de seus atrasos inexplicáveis; publicavam e depois publicavam de novo releases discorrendo sobre as maravilhas da refinaria que não veio, como se fosse fato consumado; diziam-se admiradores sapientes da competência administrativa da “presidenta”. E agora, onde estão? Por que não pedem, junto com Dilma, desculpas?

Vejo-os por aí, em artigos de jornal e depoimentos nas redes sociais, dissimulados, disfarçando para melhor passarem, fugindo de si mesmos. Me fazem lembrar de um trecho famoso da prece católica – Confiteor (“Eu confesso”, em latim):

Pequei muitas vezes, por pensamentos, palavras e obras, por minha culpa, minha culpa, minha máxima culpa (peccavi nimis cogitatione verbo, et opere: mea culpa, mea culpa, mea maxima culpa).

Me parece um tanto dramática, mas no presente, serve à perfeição, pois lembra que as decisões individuais possuem consequências (notem que a culpa não é do demônio, que na versão da teologia marxista, também pode ser chamado de mercado). A culpa não é só da presidente Dilma, mas isso, ninguém confessa.

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Mea culpa, mea culpa, mea maxima culpa

Por Wanfil em Crônica

10 de setembro de 2015

Ao maquiar as contas públicas para conseguir sua reeleição, a presidente Dilma Rousseff destruiu o frágil equilíbrio entre gastos e despesas da União. Agora estamos em recessão, com previsão de mais recessão para o próximo ano, situação devidamente registrada pelo humilhante rebaixamento do Brasil no rating da Standard & Poor´s. Junto com a credibilidade da presidente, foi-se a economia nacional.

Ainda que fosse excepcionalmente preparada, Dilma, sozinha, não conseguiria criar e manter uma farsa dessa magnitude. Foi preciso o empenho de muitos agentes para levar adiante o engodo do “desenvolvimentismo” brasileiro. De partidos a intelectuais, de inocentes úteis e a militantes profissionais.

Digo isso porque vejo aqui e ali parceiros, aliados e simpatizantes da presidente arriscando críticas ao desgoverno, à frouxidão fiscal da gestão, à inabilidade política da cúpula palaciana, ao tamanho da máquina, ao loteamento de cargos e à corrupção, como se tudo isso fosse novidade e como se não tivessem eles, os entusiastas do governismo, nada a ver com o desastre em curso. Gente que até poucos meses atrás garantia que a petista representava a continuidade de um modelo econômico sólido, amparado em convicções técnicas modernas, justas e inovadoras.

Profissionais diversos, como jornalistas e professores, além de políticos e autoridades, aderem agora ao coro dos descontentes ou se fazem de meros expectadores, sem assumirem, convenientemente, a parcela de responsabilidade que lhes cabe. Não é só Dilma que deve desculpas aos brasileiros. Falta de aviso não foi e nada do que acontece agora era segredo em 2014. Basta lembrar o caso da economista demitida pelo Santander após descrever com franqueza o cenário econômico. Mesmo assim, os passageiros do trem da alegria preferiram fechar os olhos, em nome de um mal menor, que de menor não tem nada, pelo contrário.

No Ceará, até ontem, aplaudiam obras inacabadas, fazendo pouco caso de seus atrasos inexplicáveis; publicavam e depois publicavam de novo releases discorrendo sobre as maravilhas da refinaria que não veio, como se fosse fato consumado; diziam-se admiradores sapientes da competência administrativa da “presidenta”. E agora, onde estão? Por que não pedem, junto com Dilma, desculpas?

Vejo-os por aí, em artigos de jornal e depoimentos nas redes sociais, dissimulados, disfarçando para melhor passarem, fugindo de si mesmos. Me fazem lembrar de um trecho famoso da prece católica – Confiteor (“Eu confesso”, em latim):

Pequei muitas vezes, por pensamentos, palavras e obras, por minha culpa, minha culpa, minha máxima culpa (peccavi nimis cogitatione verbo, et opere: mea culpa, mea culpa, mea maxima culpa).

Me parece um tanto dramática, mas no presente, serve à perfeição, pois lembra que as decisões individuais possuem consequências (notem que a culpa não é do demônio, que na versão da teologia marxista, também pode ser chamado de mercado). A culpa não é só da presidente Dilma, mas isso, ninguém confessa.