CNT Archives - Blog do Wanfil 
Publicidade

Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

CNT

Buracos nas estradas do Ceará custarão R$ 150 milhões aos pagadores de impostos

Por Wanfil em Ceará

16 de Abril de 2019

Anúncio de reparos nas estradas esburacadas: na imagem oficial, pista perfeita (Foto: Governo do CE)

O Governo do Ceará anunciou investimentos de 150 milhões de reais para recuperação das rodovias estaduais. De acordo com o governador Camilo Santana, que foi quem deu a notícia na internet, as obras só iniciam após as chuvas.

De fato, ao contrário do IPVA, que deve ser pago faça chuva ou faça sol, reparos no asfalto só podem ser bem feitos se o solo estiver seco.

Pois bem, uma vez que a chuva – de acordo com o governo – é a única causa pelo atual estado das estradas, o grande desafio agora é separar recursos suficientes dos pagadores de impostos para o caso de voltar a chover no ano que vem. Quem sabe, né? A experiência demonstra que o prazo de validade dessas obras é curtíssimo. Por alguma razão que não atiça a curiosidade das autoridades brasileiras e cearenses, a brevidade é uma característica peculiar das nossas rodovias.

Segundo a Confederação Nacional do Transporte, o esperado é que o asfalto tenha vida útil entre 8 e 12 anos, mas por aqui duram em média sete meses. A volta rápida dos buracos nas estradas e ruas, seja neste Brasil de tantos sobressaltos, seja no “Ceará de Ponta a Ponta”, é uma das poucas certezas que podemos ter.

Outra são os remendos que deixam as vias desniveladas, mas que são invariavelmente anunciados como prova de indiscutível competência e jamais vistos como atestado de serviço sem qualidade. Esta inversão perceptiva é mais uma das nossas peculiaridades.

E assim seguimos, nessa espécie de eterno retorno de piche e areia: tome buraco!, e depois, tome operação tapa-buraco!

Publicidade

Pesquisa CNT/MDA mostra que apenas 3,7% confiam na imprensa. Será?

Por Wanfil em Crônica

28 de Fevereiro de 2019

O desafio na leitura das pesquisas de opinião não está bem nas respostas ou nas metodologias de amostragem, mas nas perguntas. O poder das perguntas é infinitamente maior que o das respostas. A ordem de distribuição das questões, a eventual introdução ou omissão de informações, a escolha das palavras, tudo isso pode influenciar o entrevistado.

Faço esse preâmbulo para mostrar dados da mais recente pesquisa CNT/MDA, divulgada nesta semana, com a medição da popularidade do presidente Jair Bolsonaro (aprovado por 57,5%) e de outros temas que passaram quase batidos, como esse: – “Em qual destas instituições ou corporações o(a) Sr. (a) mais confia?” Nove opções foram apresentadas e o resultado foi o seguinte:

Igreja: 34,3% – Bombeiros: 19,7% -Forças Armadas: 16,0% – Justiça: 9,8% – Polícia: 4,1% – Imprensa: 3,7% -Governo: 2,4% – Congresso Nacional: 1,0% – Partidos políticos: 0,2%.

“Pobre imprensa!”, diriam os mais apressados. “Bem-feito!”, comemorariam fiscais de plantão nas redes sociais. “Perde até para a Justiça e só ganha dos políticos”, ironizariam os próprios políticos. No mérito, nada contra. Nelson Rodrigues dizia que só é possível confiar mesmo nas cabras, pela capacidade de guardar segredos. Os Titãs não confiavam em ninguém com 32 dentes.

Para ser sincero, eu não confio integralmente nos jornais, menos ainda nas redações e muito menos nas faculdades de jornalismo, entulhadas de ideologia. Nem mesmo, ou sobretudo, confio na massa de leitores. Lembro da Simone Souza, professora já falecida do curso de História na UFC: “O maior desafio da educação deveria ser ensinar as pessoas a ler jornal”.

Pode parecer estranho, mas essa desconfiança generalizada é a base da confiança nos regimes democráticos. Cria uma espécie de ética da vigilância mútua. De resto, melhor com imprensa e leitores plurais do que sem imprensa ou com imprensa única. E leitores também. Mas indo ao que interessa, o que complica a pesquisa da CNT/MDA é que fica difícil comprar uma atividade com uma corporação.

Será que na hora de divulgar uma informação, o entrevistado escolheria os confiáveis bombeiros? O certo seria perguntar, numa escala de 0 a 10, qual nota o entrevistado daria para cada uma dessas instituições. Além do mais, a imprensa é feita de um sem-número de veículos. Posso confiar mais em um do que em outros.

Se repararmos bem, a CNT/MDA não quis saber como pesquisas e institutos de pesquisa seriam avaliados. Talvez desconfiem da pergunta que apresentaram. Poderiam, nesse caso, colocar um item à parte, para não se misturar, e arriscar: “O (a) Sr. (a) confia na gente?”

leia tudo sobre

Publicidade

Pesquisa mostra Lula na liderança e Ciro valendo meio Bolsonaro

Por Wanfil em Pesquisa

16 de Fevereiro de 2017

Ciro tem 5%, menos da metade de Marina e Bolsonaro, que anotaram 11%. Tá difícil

Pesquisa CNT/MDA divulgada na quarta-feira (15) mostra que se as eleições para a Presidência da República fosse hoje, de cada 100 entrevistados, 30 votariam em Lula (PT), 11 em Marina Silva (REDE), 11 em Jair Bolsonaro (PSC), 10 em Aécio Neves (PSDB), cinco em Ciro Gomes (PDT) e três em Michel Temer (PMDB).

No que interessa ao Ceará, Ciro Gomes tem apenas metade das intenções de voto declaradas a Jair Bolsonaro, que dispensa apresentações. Na verdade, Ciro ganha apenas – e por pouco! – do impopular Michel Temer.

A candidatura do ex-governador cearense é a última esperança de seu grupo político no Estado para ter novamente acesso aos favores do Governo Federal. As perspectivas não parecem boas, mas existe um trunfo: a possível prisão de Lula (réu em cinco processo por corrupção). Nesse caso, quem herdar a maior parte dos votos do petista (Marina também disputa esse quinhão) pode ter chance. Quem sabe, né?

Agora, se essa é a expectativa de poder que o hoje pedetista tem a oferecer aos seus aliados no Ceará, complica. É claro que outras variáveis podem mudar o cenário. Ainda falta um ano e oito meses para as eleições. O que fica evidente é que a caminhada de Ciro ao Planalto é bem mais longa que a dos seus adversários. E isso obriga muitos dos seus parceiros a considerar eventuais alternativas. É do jogo.

Publicidade

CNT/MDA: brasileiros rejeitam Dilma, o governo, o Congresso e os partidos. E agora?

Por Wanfil em Partidos

28 de outubro de 2015

Pesquisa de opinião do instituto MDA divulgada nesta semana pela Confederação Nacional dos Transportes mostra que 70% dos entrevistados avaliam negativamente a gestão de Dilma Rouseff e que 80% desaprovam o desempenho pessoal da presidente.

Também foi avaliada a confiança da população nas instituições. Destaco, em negrito, as três últimas, para depois comentar:

Igreja: 50,8% confiam sempre e 14,6% não confiam nunca
Forças Armadas: 26,1% confiam sempre e 20,3% não confiam nunca
Imprensa: 16,1% confiam sempre e 26,1% não confiam nunca
Justiça: 14,2% confiam sempre e 27,5% não confiam nunca
Polícia: 10,7% confiam sempre e 28,6% não confiam nunca
Governo: 4,1% confiam sempre e 61,1% não confiam nunca
Congresso nacional: 3,2% confiam sempre e 55,0% não confiam nunca
Partidos políticos: 1,5% confia sempre e 76,2% não confiam nunca

(Veja aqui a pesquisa completa).

Governo, Congresso e partidos são as três instituições avaliadas que conseguem ter a desconfiança da maioria. É o cenário perfeito para o surgimento de uma surpresa nas próximas eleições, tal como aconteceu nas eleições de Collor, que sucedeu Sarney (desgastado com o fracasso do Plano Cruzado), e também na primeira vitória de FHC, eleito depois do curto mandato de Itamar Franco, que assumira após o impeachment de Collor. Evidentemente, não se compara aqui o desempenho dos dois no cargo, mas as semelhanças no ambiente político em que apareceram.

Na história recente do país o que temos visto é que em eleições disputadas em períodos de crise econômica e instabilidade política, como o que vivemos agora, os eleitores evitam os medalhões e procuram nomes diferentes. Além disso, a fragilidade histórica do sistema partidário brasileiro reforça o personalismo.

É impossível que, nessas circunstâncias, um bom nome seja escolhido para reorganizar o país? Não. Às vezes dá certo. Mas o risco embutido nesse ambiente de desconfiança e decepção – responsabilidade dos próprios partidos – é o surgimento de um candidato ou candidata voluntarista e inconsequente, desses que dizem estar acima dos partidos e da própria política, autoproclamados independentes, acusando todos de serem igualmente ruins, excetuando-se, claro, eles mesmos. E o pior: com soluções mágicas que adiante, invariavelmente, cedo ou tarde se mostram ineficazes.

Publicidade

Pesquisa mostra que 60% apoiam impeachment da presidente. Lembra do Titanic?

Por Wanfil em Pesquisa

24 de Março de 2015

Pesquisa mostra que o buraco no casco é grande. Base aliada já de colete procura por botes salva-vidas. Alguns tripulantes já pularam do barco governista, que ameaça afundar junto com os passageiros da classe econômica.

Pesquisa mostra que o buraco no casco é grande. Base aliada já de colete procura por botes salva-vidas. Alguns tripulantes já pularam do barco governista, que ameaça afundar junto com os passageiros da classe econômica.

Uma pesquisa do instituto MDA encomendada pela Confederação Nacional do Transporte mostra que 64,8% dos entrevistados reprovam o governo Dilma, contra 10,8% que o aprovam. Quase 70% culpam a presidente pela corrupção na Petrobras (Lula também é responsabilizado por 67,9% – ou seja: a culpa, para esse grupo, é do PT).

Segundo o levantamento, 84% acreditam que Dilma cometeu estelionato eleitoral e quase 83% entendem que a presidente é incompetente para lidar com a crise.

Ponto crítico
Esse é apenas o preâmbulo que nos leva ao número crítico: em relação a um eventual impeachment de Dilma, 59,7% são favoráveis, contra 34,7% que não concordam com a ideia. Não está em discussão aqui aspectos técnicos da ideia, mas o sentimento coletivo.

A pesquisa mostra que o governo não tem credibilidade junto à população para resolver a crise que ele mesmo criou, que a imensa maioria o consideram ruim de doer e que boa parte entende que: 1) foi traída; 2) a gestão é corrupta e 3) que por tudo isso, é melhor que a presidente saia. O Titanic governista bateu no iceberg da crise econômica e o rombo no casco, assim como na Petrobras, é gigante.

O socorro de Eduardo Cunha
Se o momento é grave para a economia, para o governo é desesperador, como atestam os números. Não adiantou chamar de golpe ou culpar a imprensa. Aliás, ninguém deu manchete para a informação sobre o impeachment. Os principais jornais se limitaram a citar que a popularidade do governo é baixa, ajudando a colocar o desejo pelo impedimento da presidente apenas – e rapidamente – dentro dos textos.

Significa que vai haver impeachment? Ainda não é possível afirmar. Eu mesmo não concordo. Acho mais fácil uma cassação em razão das investigações da Operação Lava Jato, mas essa é outra história. Até o momento, não há clima institucional para tirar Dilma via Congresso Nacional. Adivinhem quem, perguntado sobre o resultado da pesquisa, se disse contra o impeachment? O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, achacador filiado ao famigerado PMDB, nas palavras do ex-ministro da Educação Cid Gomes. Para Cunha, não é possível banalizar a hipótese de afastar um presidente eleito, coisa e tal. Pois é, por enquanto, os dois inimigos defendem Dilma, divergências à parte. No entanto, se a pressão continuar a crescer nas ruas, nunca se sabe. Já aconteceu antes.

À beira do “salve-se quem puder”
Se o governo não mostrar capacidade de reagir nas próximas semanas, os especialistas em salvar a própria pele irão se afastar da presidente, para não se contaminarem com sua impopularidade. Quando o Titanic começa a afundar, a turma da primeira classe corre para os botes, enquanto o resto dos passageiros afunda com o navio.

Publicidade

Pesquisa mostra que 60% apoiam impeachment da presidente. Lembra do Titanic?

Por Wanfil em Pesquisa

24 de Março de 2015

Pesquisa mostra que o buraco no casco é grande. Base aliada já de colete procura por botes salva-vidas. Alguns tripulantes já pularam do barco governista, que ameaça afundar junto com os passageiros da classe econômica.

Pesquisa mostra que o buraco no casco é grande. Base aliada já de colete procura por botes salva-vidas. Alguns tripulantes já pularam do barco governista, que ameaça afundar junto com os passageiros da classe econômica.

Uma pesquisa do instituto MDA encomendada pela Confederação Nacional do Transporte mostra que 64,8% dos entrevistados reprovam o governo Dilma, contra 10,8% que o aprovam. Quase 70% culpam a presidente pela corrupção na Petrobras (Lula também é responsabilizado por 67,9% – ou seja: a culpa, para esse grupo, é do PT).

Segundo o levantamento, 84% acreditam que Dilma cometeu estelionato eleitoral e quase 83% entendem que a presidente é incompetente para lidar com a crise.

Ponto crítico
Esse é apenas o preâmbulo que nos leva ao número crítico: em relação a um eventual impeachment de Dilma, 59,7% são favoráveis, contra 34,7% que não concordam com a ideia. Não está em discussão aqui aspectos técnicos da ideia, mas o sentimento coletivo.

A pesquisa mostra que o governo não tem credibilidade junto à população para resolver a crise que ele mesmo criou, que a imensa maioria o consideram ruim de doer e que boa parte entende que: 1) foi traída; 2) a gestão é corrupta e 3) que por tudo isso, é melhor que a presidente saia. O Titanic governista bateu no iceberg da crise econômica e o rombo no casco, assim como na Petrobras, é gigante.

O socorro de Eduardo Cunha
Se o momento é grave para a economia, para o governo é desesperador, como atestam os números. Não adiantou chamar de golpe ou culpar a imprensa. Aliás, ninguém deu manchete para a informação sobre o impeachment. Os principais jornais se limitaram a citar que a popularidade do governo é baixa, ajudando a colocar o desejo pelo impedimento da presidente apenas – e rapidamente – dentro dos textos.

Significa que vai haver impeachment? Ainda não é possível afirmar. Eu mesmo não concordo. Acho mais fácil uma cassação em razão das investigações da Operação Lava Jato, mas essa é outra história. Até o momento, não há clima institucional para tirar Dilma via Congresso Nacional. Adivinhem quem, perguntado sobre o resultado da pesquisa, se disse contra o impeachment? O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, achacador filiado ao famigerado PMDB, nas palavras do ex-ministro da Educação Cid Gomes. Para Cunha, não é possível banalizar a hipótese de afastar um presidente eleito, coisa e tal. Pois é, por enquanto, os dois inimigos defendem Dilma, divergências à parte. No entanto, se a pressão continuar a crescer nas ruas, nunca se sabe. Já aconteceu antes.

À beira do “salve-se quem puder”
Se o governo não mostrar capacidade de reagir nas próximas semanas, os especialistas em salvar a própria pele irão se afastar da presidente, para não se contaminarem com sua impopularidade. Quando o Titanic começa a afundar, a turma da primeira classe corre para os botes, enquanto o resto dos passageiros afunda com o navio.