Cid Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Cid

Por que Cid e Ciro ainda defendem Dilma? O que há para “temer”?

Por Wanfil em Política

19 de Março de 2016

Cid Gomes deu uma entrevista coletiva na Assembleia Legislativa ontem (sexta) para fazer uma defesa meio envergonhada da presidente Dilma (“Eu não estou satisfeito com a Dilma, mas ela foi eleita”) – e para criticar de modo estranho o PMDB (“Está no poder desde sempre, porque aquilo é a sobrevivência deles”). Estranho porque, afinal, ter a política como meio de vida não deveria ser algo estranho ao ex-governador. Estranho porque o PMDB fez parte de seu governo por sete anos. De todo modo, é o mesmo discurso de seu irmão Ciro Gomes.

Minoria
A essa altura, poucos fora do PT e de seus satélites ainda se mostram aliados incondicionais de Dilma e Lula. Especialmente por estarmos em ano eleitoral. Mais raro ainda são manifestações públicas nesse sentido. Cid e Ciro falam, gritam, ponderam e reclamam, mas pregam no vazio, porque a população não endossa seus argumentos porque rejeita a presidente. Os governistas são minoria indiscutível e constrangedora. Os protestos de domingo, 13 de março, contra o governo, reuniram, segundo a Secretaria de Segurança (gestão do PT) cerca de 40 mil pessoas. As manifestações a favor do governo, realizadas na sexta, 18 de março, mesmo com o apoio de entidades aparelhadas, levaram às ruas 6 mil pessoas segundo a PM. Só mesmo muita torcida para ver nessa surra um fôlego para Dilma.

Temer
Diante disso tudo, porque Cid e Ciro insistem? Porque estão desolados com a possibilidade, cada vez mais real, de o vice Michel Temer, que não quer ver os dois nem pelas costas, vir a assumir a Presidência da República. Existe a possibilidade de cassação no TSE, mas é um processo lento, com previsão de desfecho para o final do ano – se houver desfecho. Até lá, as portas do Palácio do Planalto estarão fechadas para os irmãos, sem a menor chance de abertura. Pior ainda: seu ex-aliado e hoje desafeto Eunício Oliveira, do PMDB, será o homem forte do governo federal no Ceará. Pior ainda (para a dupla e seus aliados locais): antes das eleições de outubro. O cálculo é político e o choro é livre.

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Cid diz que erros de Lula são perdoáveis. Que erros?

Por Wanfil em Política

13 de Fevereiro de 2016

O ex-governador do Ceará Cid Gomes disse em entrevista ao jornal O Povo que “Lula é um homem que cometeu erros ao longo da sua vida pública, e certamente esses erros são insignificantes perto do bem que ele fez ao Brasil“. Na prática, para bom entendedor, equivale a dizer que são perdoáveis eventuais deslizes de Lula.

Infelizmente, não ficou claro o quais seriam esses erros, aos olhos do ex-ministro relâmpago da Educação. Entre eles estaria a refinaria da Petrobras prometida aos cearenses por Lula e aliados? Ou a demora na conclusão da Transposição do São Francisco? Ou Cid será fala novamente da coligação com entre PT e PMDB? Acho que foi o duque  François de La Rochefoucauld, no século 17 (cito de memória), quem disse que confessamos os pequenos erros para insinuar que não cometemos os grandes. Pois é, a imprecisão abre portas para a especulação. 

Outro ponto importante é separar erro de crime. Ou não tratar crime como mero erro. Porque nessa condição não há perdão. Cid estaria falando do mensalão e do petrolão? Aí tudo mudaria de figura, pois a fala em defesa do ex-presidente se assemelharia à defesa do “rouba mais faz”, o que certamente não deve ter sido a intenção.

Quem sabe a referência aos tais “erros” sejam uma alusão à polêmica do apartamento do Guarujá e do sítio de Atibaia, imóveis frequentados por Lula e família, mas comprados por empresários que enriqueceram mediante contratos públicos e reformados por empreiteiras enroladas na Operação Lava Jato. A suspeita é de que Lula seja o verdadeiro dono de patrimônio e que os favores de empreiteiros sejam retribuição por negócios fraudulentos. Apesar de tudo ainda ser tratado como suspeita, também não cabe aí a comparação com erro no sentido de descuido, já que haveria premeditação e organização para a consumação dos fatos. De todo modo, a investigação deverá esclarecer tudo, não é? Portanto, sendo Lula apenas uma vítima das aparências, não há com que se preocupar. Já do contrário…

Errar é humano, tudo bem. Nas democracias, aceitar as consequências desses “erros”, conforme sua gravidade, também. Sabe como é, ninguém está acima das leis.

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Entenda por que sair do PROS é tão difícil para os cidistas

Por Wanfil em Partidos

13 de julho de 2015

A turma do PROS no Ceará marcou reunião nesta segunda-feira para definir seu rumo. É que o grupo liderado por Cid e Ciro Gomes quer deixar o partido, em razão de conflitos entre a executiva nacional e a comissão provisória do partido no estado. Em jogo, a autonomia para definir coligações para as próximas eleições, conforme exposto no próprio estatuto do PROS:

Art. 60 – Compreende ato de infidelidade partidária, sujeito às sanções disciplinares e legais:
II – apoiar candidato de outro partido ou de outra coligação em eleições que o partido
participe, sem autorização expressa da Executiva Nacional.

Captaram? As parcerias locais estão sujeitas a aprovação de instância partidária superior. E como a relação é de desconfiança mútua, ninguém sabe no que pode dar.

Difícil separação
Na verdade, Cid Gomes e o presidente nacional do PROS, Eurípedes Júnior, nunca se deram bem. Então, por que não se separam? Simples. Para entender o impasse, basta ver as coisas como elas são: o PROS é um partido de aluguel sem substância, ideologia, história ou credibilidade. Porém, tem dono. E aí mora o problema. Ao se mudarem para a nova casa em 2013, os inquilinos cearenses pensaram poder agir sem precisar dar satisfações aos proprietários do partido, que por sua vez, não gostaram dessa postura. Uma das queixas é que Cid negociava cargos federais, inclusive ministérios, sem consultar o partido. Cid dizia que a cota era pessoal. Deu no que deu.

Assim, com o conflito hierárquico estabelecido, os locadores querem romper o contrato de aluguel, mas não conseguem, pois o locatário não abre mão de cobrar a multa pela rescisão. Ou seja, buscar na justiça os cargos dos parlamentares eleitos com a chancela do partido em 2014, uma vez que o STF considera que estes pertencem às siglas, em caso de eleições proporcionais. Ocorre que, para piorar, nem os eleitos em disputas majoritárias estão a salvo.

Além de perder os mandatos, a patota do Pros no Ceará corre o risco de ver o comando nacional agir à revelia de seus interesses paroquiais. Por exemplo: vai que o partido decida fazer uma coligação em apoio a um candidato do PMDB para a Prefeitura de Fortaleza. Já imaginaram? Talvez por isso Roberto Cláudio esteja de malas prontas para mudar de partido, independente do que for decidido pelos demais. Tudo combinado, é claro, mas demasiado constrangedor.

Questão de ética
No estatuto do Pros há uma pérola que ilustra à perfeição em que base contratos de locação partidária são feitos. No mesmo Artigo 60, já mencionado, o item VI define como ato de infidelidade partidária a seguinte conduta: “Negociar a legenda com autoridades políticas em evidente prejuízo do partido”. De onde se conclui que, sendo lucrativo para o partido, não há problema em negociar a legenda.

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Golpe da refinaria gera reação pífia dos representantes do Ceará. Que papelão!

Por Wanfil em Política

30 de Janeiro de 2015

A repercussão no Ceará ao golpe eleitoreiro aplicado por Lula e Dilma, que se valeram da Petrobras para ludibriar os incautos, infelizmente foi decepcionante.

O governo do Estado divulgou nota informando que o governador Camilo Santana, que também é do PT, ficou surpreso e indignado com a decisão – atentem para o alvo – da Petrobras. Vale lembrar que os cearenses não votaram para eleger presidentes da Petrobras, mas para eleger quem os nomeasses, devidamente informados do compromisso assumido por Lula e Dilma, supostamente com base em informações técnicas. Deu no que deu. A dupla obteve votações recordes e a refinaria não veio. Nem virá, diga-se. Mais adiante explico melhor os motivos (e seus números).

Na mesma linha, o deputado Zezinho Albuquerque, do partido de aluguel Pros, presidente da Assembleia Legislativa, muito polidamente classificou a farsa de “descortesia”. Será que Graça Foster não sabe que o parlamento cearense promoveu um concurso de redação para estudantes sobre a importância do empreendimento? Parece que não.

Pois bem, com a má repercussão do calote (sim, pois promessa é dívida), as autoridades locais ficam politicamente fragilizadas, afinal, a parceria com o governo federal era alardeada como condição fundamental para o desenvolvimento do Ceará, ressaltando sempre que a refinaria dobraria o PIB do Estado. Desse modo, Camilo e Zezinho anunciaram a reação.

Ficamos sabendo, ainda pela nota, que o governador ligou o chefe da Casa Civil da Presidência da República, o petista Aloízio Mercadante, para pedir uma audiência com Dilma. Na hora de pedir voto, ela soube vir aqui sem a necessidade de intermediários, mas na hora de dar explicações, tem que marcar hora com o secretário da chefe. Quem sabe ela faça o favor de receber Camilo, não é? Já Zezinho avisou que continuará cobrando a refinaria, como se isso fizesse alguma diferença para o Palácio do Planalto. A falta de senso aí beira a uma psicopatia. Parece delírio esquizofrênico.

Essas lamúrias, beicinhos e queixumes não têm efeito prático algum nesse caso, porque não dão nome aos bois, nem indicam atitudes concretas. Além do mais, o silêncio do agora ministro Cid Gomes, principal avalista da promessa não cumprida e líder de Camilo e Zezinho, é sinal de que o remédio para a base é mesmo se conformar e pronto. Sabe como é: aliados bem comportados não devem constranger Dilma e Lula. Portanto, qualquer aceno de que datas podem ser revistas mais adiante para a retomada da refinaria não passará de mentira grande. Volto agora à explicação sobre os motivos pelos quais a refinaria não virá pelas mãos dessa turma: o balanço não auditado da Petrobras, divulgado com dois meses de atraso, mostra que a dívida bruta da estatal em 2014 é de 331,704 bilhões de reais, um aumento de 157% em relação a 2011. Assim, Petrobras tem a maior dívida corporativa do mundo.

De resto, o momento de cobrar a refinaria já passou: era antes da eleição. Agora não adianta chorar o petróleo que não vem. A saída seria falar a verdade, que a refinaria não vem porque nas gestões Dilma e Lula a ineficiência e a corrupção descapitalizaram a Petrobras, em benefício da patota governista e de algumas empreiteiras. Mas isso a maior parte das nossas autoridades não pode falar, por motivos óbvios. Isso não impediria, no entanto, que a bancada cearenses, sob o comando do Palácio da Abolição, mostrassem disposição para romper com o governo nas votações de interesse do governo federal. Se aliados, são tratados assim, quem lhes pode cobrar obediência? Vale lembrar que o Ceará, um Estado pobre, gastou 657 milhões de reais por causa da refinaria de mentira. Portanto, motivos para brigar não faltam, o que falta é independência, coragem e indignação de verdade.

PS. Já que a Assembleia Legislativa se empenhou tanto em lutar pela refinaria, embora nada pudesse fazer, talvez possa pelo menos tornar “personas non gratas” no Ceará os senhores Sérgio Gabriele e Lula, e as senhoras Graça Foster e Dilma Rousseff. Hummm… Deixa pra lá né?

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Gaudêncio diz que aliança “foi boa enquanto durou”. Boa pra quem?

Por Wanfil em Eleições 2014

02 de Maio de 2014

Nesse chove-não-molha da novela eleitoral no Ceará, diante da um iminente um racha na base aliada, o vice-prefeito de Fortaleza, Gaudêncio Lucena (PMDB), sócio do senador e Eunício Oliveira, declarou que a parceria entre Pros e PMDB na gestão Cid Gomes “foi boa enquanto durou”. Claro que Gaudêncio não fala por conta própria. Apenas extravasa um sentimento dominante no seu partido. Por isso a fala é significativa. Ademais, não duvido que tenha sido boa, ótima mesmo. A questão é saber: boa pra quem?

No Ceará, Pros (sigla de aluguel que hoje abriga dissidentes do PSB ligados ao governador), PMDB e PT são as forças que contam nessa aliança. Juntas nos governos municipal (Fortaleza), estadual e federal, são elas que conduzem esse conjunto de administrações que, uma vez nas mãos de aliados, teriam maior sinergia e harmonia na hora de promover obras e serviços públicos. Especialmente as que deveriam ficar a cargo da União, que tem maior capacidade orçamentária.

Disso que deveria ser o “espetáculo do crescimento”, passados oito anos de Lula e quatro de Dilma, os cearenses podem contabilizar quatro grandes promessas não cumpridas: refinaria da Petrobras, metrô de Fortaleza, ferrovia Transnordestina e transposição do São Francisco. Sem contar os escândalos no BNB. Nem sequer uma simples reforma aeroporto internacional Pinto Martins, obra para a Copa do Mundo, não conseguiram fazer. O Ceará ainda é, basicamente, Orós, Castanhão e Porto do Pecém, obras de governos anteriores.

Enquanto por aqui nada congemina, Pernambuco não tem do que se queixar em relação a empreendimentos.  Lá realmente a aliança (entre PSB e PT) foi boa enquanto durou.

Uma boa pista

Depois da conversa entre o governador Cid Gomes e a presidente Dilma Rousseff, na última segunda-feira, a turma de Cid garante que Dilma deu carta branca ao governador para tocar a sucessão, lavando as mãos com se não tivesse o que perder. Já o pessoal de Eunício diz que a presidente fez questão de esclarecer a Cid que a aliança com o senador deve ser mantida a qualquer custo.

Essas versões, independente de quem tenha razão, são indicativos que podem ajudar na compreensão da relação, digamos, superficial, entre nossas autoridades e o poder central. Existe aí uma posição demasiadamente subalterna dessas lideranças diante da presidente. É diferente, por exemplo, vou comparar de novo com Pernambuco, da postura do ex-governador Eduardo Campos. Sabe como é, quem muito se sujeita, perde o respeito e a importância.

Ao pedirem, obsequiosos, as bênçãos de Dilma, Cid e Eunício se fragilizam enquanto lideranças aptas a  conduzir o processo eleitoral. Deixam no ar a impressão que necessitam de autoridade. No lugar de qualquer um deles, eu diria: “A presidente tem grandes serviços prestados aos nosso Estado e algumas dívidas a saldar com os cearenses. Estamos aqui para colaborar na realização desses compromissos. Espero que ela esteja conosco”.  E pronto! Esse disse me disse parece coisa de menino. Assim discutem os nossos estadistas: – “Ela disse que me apoia”.  -“Não! Ela prometeu me ajudar”. – “Eu sou amigo dela”. – “E eu sou amigo do Lula”.

Enfim, tudo miúdo demais.

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Quadrilha eleitoral

Por Wanfil em Política

24 de Fevereiro de 2014

O poema Quadrilha, de Carlos Drummond de Andrade, é de uma atualidade e de uma amplitude próprias dos grandes escritores. Em diversas situações podemos fazer alusões e paralelos com o ritmo dos pares que se fazem e se desfazem no texto do poeta:

João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história.

Pedindo desde já perdão por misturar arte com política, especialmente arte de qualidade com política ruim, o poema me fez lembrar as relações estremecidas na imensa base do governo estadual no Ceará. É só trocar o “amor” por “apoio”. Vejamos.

Cid apoiava Luizianne, que apoiava Pimentel, que apoiava Eunício, que apoiava Cid. Juntos, todos apoiavam Lula, que elegeu Dilma, garantindo tratar-se de grande gestora. Cid e Luizianne romperam. Eunício e Pimentel nunca foram mesmo muito próximos e Inácio foi descartado. Cid agora procura um nome que ainda não entrou nessa história.

Na mesma toada, Luizianne avisa que Eunício será traído por Cid. Em resposta, Cid jura que nunca traiu ninguém e sempre cumpriu acordos, que é um modo de dizer que não deve a quem agora lhe cobra.  Guimarães coloca o PT cearense a serviço do candidato que Cid escolher, pois espera, em retribuição, contar com seu apoio para o Senado.

Fisiologismo
O que vale no poema como ponto de apoio para a crônica política é o seguinte: ninguém é de ninguém. Quando um grupo político cresce demais, na base da cooptação, reduzindo assim a oposição a um ou outro nome isolado, a unidade desse grupo passa a correr riscos de implosão quando seu idealizador não pode mais se reeleger, pois o amálgama de sua coesão é o fisiologismo.

Política é assim: sem o perigo da ameaça externa, o caminho que resta para alcançar o poder é a disputa interna. O que está em jogo, para essa turma, é saber quem comandará a banca que distribui cargos e verbas.

Dicionário
No poema, a palavra ‘quadrilha‘ é relacionada à dança caracterizada por grupos de quatro ou mais pares, originária da Europa. O significado de ‘quadrilha’ como  grupo de ladrões ou malfeitores, neste texto, é apenas coincidência.

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Cid critica Tasso e repercute propaganda da oposição

Por Wanfil em Política

07 de novembro de 2013

Na última segunda-feira (4), na propaganda partidária do PSDB cearense veiculada em rádio e televisão, o ex-senador Tasso Jereissati, sem citar nomes, deu o mote da crítica que a sigla deverá explorar em 2014: “Não dá pra ficar brincando de política. O Ceará merece respeito”. Dois dias depois, o governador Cid Gomes respondeu em sua página no Facebook: “Penso, sinceramente, e é o que farei até o final do meu governo, que alguém na condição de ex-Governador (sic) como Tasso deveria se dar ao respeito”. Por fim, o governador fez alusão depreciativa às privatizações da Coelce e do BEC (que, na verdade, foi privatizado por Lula e Antônio Palocci).

Não fica claro por qual motivo Tasso estaria impedido de criticar a atual gestão, coisa natural nas democracias. Também não se sabe porque isso seria falta de respeito. Aliás, os questionamentos na propaganda do PSDB focam temas administrativos, sem enveredar nas searas dos escândalos, das questões particulares ou das acusações de corrupção. Se fosse com o PT na oposição, aí sim o negócio seria pesado, com direito a adjetivações contundentes.

Pois bem, em sua resposta aparentemente intempestiva, Cid interpreta essa oposição comedida como agressão, o que é uma forma pouco tolerante de enxergar as divergências. Entre pedir respeito ao Ceará e mandar alguém se dar ao respeito, onde está a agressão?

O governador também desafiou Tasso a comparar suas respectivas gestões: “O desafio vale para qualquer área: Educação, Saúde, Emprego, Estradas, Habitação, Saneamento, Aeroportos, Recursos Hídricos, etc.”. Ainda que tenha feito mais – e não estou concordando ou discordando, pois essas comparações são arriscadas porque tratam de conjunturas distintas –, isso não invalida os questionamentos de opositores sobre, por exemplo, segurança pública, item que não foi relacionado por Cid no texto.

Tiro no pé ou esperteza?

No que tange às consequências desse, digamos assim, desabafo, com as informações disponíveis até o momento, tanto é possível dizer que a abordagem foi um tiro no pé, na medida em que jogou uma lente de aumento nas críticas do PSDB, como também é permitido suspeitar que existam outras motivações nas declarações, como a intenção de pautar o debate eleitoral na área de infra-estrutura, evitando, naturalmente, questões espinhosas, como a explosão da criminalidade no Ceará. Na prática, a oposição quer discutir resultados, o governo quer falar de investimentos. Se a intenção é mudar o foco do debate, a isca foi lançada.

O fato é que a propaganda eleitoral do PSDB cearense dispõe de apenas 10 minutos de inserção, diluídos em 20 comerciais de 30 segundos a serem exibidos no mês de novembro. Sem deputados estaduais ou vereadores para repercutirem seu conteúdo, faltava aos tucanos alguém que pudesse chamar a atenção geral para o seu discurso. Foi exatamente o que Cid Gomes fez: jogou luz no que carecia de iluminação própria. O resultado da estratégia do governador é de difícil avaliação, pois o fato é recente, mas já é considerável a quantidade de comentários negativos no Facebook do governador com referências aos problemas da administração.

Especulações

É preciso ainda considerar subjetividades no episódio. Não é do estilo de Cid agir ou reagir de forma açodada. Assim, o tom de orgulho ferido da resposta deixa transparecer o que parece ser uma contrariedade de caráter pessoal. São as emoções que fazem da política uma atividade imprevisível.

Outra frente de interpretações nos bastidores sugere que a reação desproporcional não se resume a uma resposta ao programa do PSDB, mas a uma articulação de várias frentes contra o governo estadual, que envolveria, além de Tasso, Eduardo Campos (governador de Pernambuco), os senadores Aécio Neves (PSDB) e  Eunício Oliveira (PMDB), e membros do Centro Industrial do Ceará (CIC). Nada confirmado. Tudo ao sabor das especulações da hora, de olho nas eleições do ano que vem.

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O PROS é pró, pô! O resto é papo

Por Wanfil em Partidos

02 de outubro de 2013

Tá sem partido? Precisa de uma legenda que se molde às suas necessidades do momento? Seus problemas acabaram!

Tá sem partido? Precisa de uma legenda que se amolde às suas necessidades do momento? Seus problemas acabaram!

Você já ouviu falar no Partido Republicano da Ordem Social, o PROS? Na sopa de letrinhas do partidarismo brasileiro, é mais uma sigla de conveniência, criada na semana passada sabe-se lá por quem para servir sabe-se lá a quais interesses. Certo mesmo é que o PROS será a maior força política do Ceará, no comando do governo estadual, da Prefeitura de Fortaleza e da presidência da Assembleia Legislativa.

Sem saída e sem programa

É que o grupo político liderado pelo governador Cid Gomes não teve alternativa senão desembarcar no PROS, depois que se viu obrigado a sair do PSB. A decisão foi anunciada durante encontro realizado na noite desta terça-feira (1), após uma semana de suspense. Na prática, pelos discursos proferidos na ocasião, o PROS agrada por oferecer segurança jurídica e razoável liberdade de organização no estado, podendo ser construído à imagem e semelhança dos seus novos filiados.

É isso. Por não ter identidade própria, o partido configura uma oportunidade, quase um alento, aos olhos de quem se vê pressionado pela falta de alternativas. É mais ou menos assim: agora que a sigla foi criada, seu programa será construído. Coisas do Brasil.

É pró, é bom!

Diante da incógnita que é essa nova legenda, é certo ainda que o PROS, como explicou o deputado Zezinho Albuquerque, é pró!, condição ideal para quem não abre mão do compromisso de trabalhar pela reeleição da presidente Dilma, como é o caso dos cidistas.

Na verdade, o encontro serviu mesmo para ratificar uma escolha imposta pelas circunstâncias. O anúncio de que o representante e presidente do PROS no Ceará será Danilo Serpa, chefe do Gabinete do Governador, mostra que as articulações já estavam avançadas, acertadas mesmo, desde antes da reunião.

Novo arranjo

O golpe da saída do PSB parece ter sido assimilado pelo governo e a ordem agora é reorganizar os colégios eleitorais em função do novo arranjo partidário. É tudo mudando, para continuar como estava.

Esse foi meu comentário desta quarta-feira na coluna Política da rádio Tribuna BandNews FM 101.7

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PSB no Ceará: Como confiar em quem muda demais?

Por Wanfil em Partidos

25 de setembro de 2013

A reunião da executiva do PSB do Ceará para decidir se o grupo ligado ao governador Cid Gomes sai ou fica na legenda, realizada às pressas na noite de terça, acabou sem definição. Cid, que é o presidente estadual da sigla, afirma que fica no partido se a executiva nacional permitir que seus filiados aqui no estado possam fazer campanha para a reeleição de Dilma Rousseff, do PT. Como é? Declarar apoio a candidatura de outro partido contra o seu próprio, já que o PSB deve ir de Eduardo Campos em 2014, é mais do que pedir para sair. Tem caroço debaixo desse angu.

Mais tempo

A expectativa geral no meio político e na imprensa era a de que Cid anunciasse a saída do partido, uma vez que pairava no ar uma suposta ameaça de intervenção nacional no diretório estadual.

Na verdade, pelas conversas que tive com alguns parlamentares do PSB, é possível dizer Cid tem dois objetivos imediatos. Um é ganhar tempo para articular mais até a quinta-feira, pois as negociações (e as especulações) estão intensas. Há uma dúvida sobre o posicionamento dos demais governadores do PSB, que sofrem pressão do governo federal para não endossar a candidatura própria do partido.

Cid poderia levar um ou outro com ele e assim enfraquecer o palanque de Campos. Outro é enviar um recado para a própria Dilma, valorizando o próprio “sacrifício”, o que aumentaria a necessidade de uma compensação à altura.

O que é um partido?

Como é bastante improvável que Cid permaneça no PSB e acabe orientando seus aliados a migrarem para o tal de PROS, o mais novo partido de aluguel da praça, a reunião pode ser resumida como “a volta dos que não foram”. Iam sair, disseram que ficam, mas deverão partir. A próxima reunião será “a saída dos que não chegaram”. Sim. O grupo político de Cid e Ciro é contumaz praticante da arte de mudar de partido: PDS (hoje DEM), PMDB, PPS (ex-PCB) e PSB.

Em tese, partidos deveriam representar um conjunto de valores e princípios que, reunidos, deveriam embasar uma série de propostas de intervenção na realidade social e econômica de uma sociedade. Assim, mudar de sigla significaria adotar uma nova postura diante do mundo após um profundo exame de consciência. Acontece e pode ser mesmo sinal de evolução de um indivíduo.

Acontece que, na prática, essas agremiações são usadas e descartadas ao sabor das circunstâncias por políticos movidos apenas por um princípio: a sede de poder.

Quem confia em quem muda demais?

É claro que podem existir problemas internos, disputas, essas coisas. Mas a mudança constante revela mesmo a prevalência de projetos particulares sobre os ideais partidários.

Com o tempo, esse excesso retroalimenta a fragilidade do grupo dentro de partidos, pois acaba construindo uma imagem de inconsistência e falta de confiabilidade que desperta a desconfiança de seus correligionários.

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Dilma no Ceará: Ô memória traiçoeira!

Por Wanfil em Ceará

19 de julho de 2013

Cid e Dilma em mais uma inauguração do Metrô de Fortaleza. À direita, quase fora do enquadramento, o prefeito Roberto Cláudio. Foto: Ricardo Stucker/PR/Agência Brasil

Cid e Dilma em mais uma inauguração do Metrô de Fortaleza. À direita, quase fora do enquadramento, o prefeito Roberto Cláudio. Foto: Ricardo Stucker/PR/Agência Brasil

Dilma Rousseff foi traída pela memória durante evento oficial realizado no Ceará nesta quinta-feira. A presidente esqueceu o nome do prefeito Roberto Cláudio, quando discursava na cerimônia de inauguração, em caráter experimental, de duas estações da Linha Sul do Metrô de Fortaleza, o metrô mais inaugurado do Brasil, embora ainda não funcione pra valer.

Tudo bem, exagerar sobre isso é bobagem. Quem nunca passou por uma situação dessas? Mas, aproveitando a deixa, esse não foi o único ‘esquecimento’ que marcou a visita presidencial. Na verdade, esse foi o menor deles.

Outros ‘esquecimentos’

Os deputados estaduais esqueceram de aproveitar a oportunidade para cobrar a refinaria prometida por Dilma, como fazem em propaganda paga, quando ela está longe. Tudo bem, o dia era de festa e se a refinaria não veio até agora, não valia estragar a visita com esse negócio de cobranças. Talvez por isso, por esse espírito de congraçamento entre políticos, algumas autoridades se viram obrigadas a deixar o local por saídas laterais, esquecidos dos manifestantes que protestavam do lado de fora.

Dilma, José Guimarães, Cid Gomes e, mais atrás, Roberto Cláudio. Foto: Ricardo Stucker/PR/Agência Brasil

Dilma, José Guimarães, Cid Gomes e, mais atrás, Roberto Cláudio. Para quem gosta de semiótica, a imagem diz muito sobre a gafe de Dilma no evento. Foto: Ricardo Stucker/PR/Agência Brasil

O cerimonial da Presidência esqueceu ainda de chamar alguns aliados para a inauguração, como o ex-ministro Ciro Gomes, a ex-prefeita Luizianne Lins ou o senador Eunício Oliveira. Ou então foram eles que esqueceram de ir… De qualquer forma, as ausências de figuras que ainda causam dúvidas sobre o futuro, mostram que de uma coisa ninguém esquece: as eleições do ano que vem.

No evento, vale destacar, estavam presentes o governador Cid Gomes, claro, e o deputado federal Eudes Xavier. Certamente esqueceram que os dois trocaram acusações mútuas de espionagem recentemente.

Na ocasião, Dilma assinou uma ordem de serviço para a construção do Cinturão das Águas, obra que, de acordo com a promessa, deverá resolver o problema de abastecimento d’água no estado. Parece que a presidente esqueceu que, para o Cinturão funcionar, é preciso antes concluir a transposição do Rio São Francisco.

Ô memória traiçoeira!

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Dilma no Ceará: Ô memória traiçoeira!

Por Wanfil em Ceará

19 de julho de 2013

Cid e Dilma em mais uma inauguração do Metrô de Fortaleza. À direita, quase fora do enquadramento, o prefeito Roberto Cláudio. Foto: Ricardo Stucker/PR/Agência Brasil

Cid e Dilma em mais uma inauguração do Metrô de Fortaleza. À direita, quase fora do enquadramento, o prefeito Roberto Cláudio. Foto: Ricardo Stucker/PR/Agência Brasil

Dilma Rousseff foi traída pela memória durante evento oficial realizado no Ceará nesta quinta-feira. A presidente esqueceu o nome do prefeito Roberto Cláudio, quando discursava na cerimônia de inauguração, em caráter experimental, de duas estações da Linha Sul do Metrô de Fortaleza, o metrô mais inaugurado do Brasil, embora ainda não funcione pra valer.

Tudo bem, exagerar sobre isso é bobagem. Quem nunca passou por uma situação dessas? Mas, aproveitando a deixa, esse não foi o único ‘esquecimento’ que marcou a visita presidencial. Na verdade, esse foi o menor deles.

Outros ‘esquecimentos’

Os deputados estaduais esqueceram de aproveitar a oportunidade para cobrar a refinaria prometida por Dilma, como fazem em propaganda paga, quando ela está longe. Tudo bem, o dia era de festa e se a refinaria não veio até agora, não valia estragar a visita com esse negócio de cobranças. Talvez por isso, por esse espírito de congraçamento entre políticos, algumas autoridades se viram obrigadas a deixar o local por saídas laterais, esquecidos dos manifestantes que protestavam do lado de fora.

Dilma, José Guimarães, Cid Gomes e, mais atrás, Roberto Cláudio. Foto: Ricardo Stucker/PR/Agência Brasil

Dilma, José Guimarães, Cid Gomes e, mais atrás, Roberto Cláudio. Para quem gosta de semiótica, a imagem diz muito sobre a gafe de Dilma no evento. Foto: Ricardo Stucker/PR/Agência Brasil

O cerimonial da Presidência esqueceu ainda de chamar alguns aliados para a inauguração, como o ex-ministro Ciro Gomes, a ex-prefeita Luizianne Lins ou o senador Eunício Oliveira. Ou então foram eles que esqueceram de ir… De qualquer forma, as ausências de figuras que ainda causam dúvidas sobre o futuro, mostram que de uma coisa ninguém esquece: as eleições do ano que vem.

No evento, vale destacar, estavam presentes o governador Cid Gomes, claro, e o deputado federal Eudes Xavier. Certamente esqueceram que os dois trocaram acusações mútuas de espionagem recentemente.

Na ocasião, Dilma assinou uma ordem de serviço para a construção do Cinturão das Águas, obra que, de acordo com a promessa, deverá resolver o problema de abastecimento d’água no estado. Parece que a presidente esqueceu que, para o Cinturão funcionar, é preciso antes concluir a transposição do Rio São Francisco.

Ô memória traiçoeira!