Cid Gomes Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Cid Gomes

A aliança envergonhada de Eunício e Cid

Por Wanfil em Eleições 2018

05 de junho de 2018

O acordo eleitoral entre PDT, PT e MDB no Ceará segue em busca de uma forma ideal para acomodar os interesses de cada partido. É que a união sofre a interferência das eleições nacionais.

Cid Gomes defendeu publicamente no último domingo que a parceria com o MDB seja clandestina: “Eu defendo aqui que a gente lance só um candidato ao Senado e não faça coligação com o MDB”. E qual a razão? Segundo o ex-governador, isso poderia prejudicar o discurso de Ciro Gomes, crítico do MDB, à Presidência da República.

Ciro e o PDT afirmam que parte do MDB é uma quadrilha, incluindo o nome do senador cearense na lista. Eunício já chamou Ciro de batedor de carteira e de desocupado. Pela lógica do respeito próprio, o natural seria que ambos rejeitassem qualquer aproximação, mas a lógica eleitoral é diferente. Camilo Santana, do PT, partido que acusa o MDB de golpista, defende a aliança por razões óbvias: o senador, em busca de um lugar na chapa oficial, tem ajudado o governo a conseguir recursos nos ministérios.

Sendo assim, pela sugestão de Cid, a aliança não se formalizaria no papel, porém, seria mantida por fora. Com apenas um candidato, o governismo abriria caminho para Eunício se reeleger. Seria uma espécie de aliança envergonhada (ou desavergonhada, se é que me entendem).

A ideia tem dois problemas. Primeiro, se Eunício for confirmado como aliado em convenção do PT, Cid sairá como derrotado. Se for barrado, Camilo será visto como perdedor. Segundo, é inconveniente do ponto de vista ético, para dizer o mínimo. No fundo, propõe iludir eleitores, fingindo incompatibilidade moral com o MDB, mas informalmente conciliando projetos com o mesmo MDB no Ceará.

Se vai dar certo, ninguém sabe. O fato é que as acusações mútuas de corrupção, de incompetência, as críticas e ataques pessoais, as objeções supostamente incontornáveis de um passado recente, tudo isso já foi superado em nome de um pragmatismo segundo o qual feio mesmo é perder eleição. O resto vale.

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Incertezas que pairam sobre as eleições no Ceará: aliança PT-MDB, oposição indefinida, delação da JBS, crise na segurança

Por Wanfil em Eleições 2018

24 de Abril de 2018

As eleições no Ceará prometiam ser uma das mais insossas dos últimos tempos. O governo estadual aumentava sua base de apoio e a oposição permanecia desarticulada. Mas os dias que correm estão atribulados de um modo que fazem lembrar de Cícero nas Catilinárias: “oh tempos, oh costumes”. 

Assim, para além da aparência de marasmo, um conjunto de dúvidas ganhou força a ponto de fazer do atual período de pré-campanha um dos mais tensos que já se viu.

A indefinição sobre a candidatura de oposição é apenas um elemento a mais de ansiedade, diante de outras incertezas. O futuro da possível coligação entre o MDB de Eunício Oliveira e o PT de Camilo Santana é uma delas. Ciro Gomes, do PDT, tem feito críticas à presença do senador na chapa governista. Não é para menos, uma vez que essa aliança é uma contradição com o rompimento pregado por Ciro em relação ao MDB.

Por falar em corrupção, o jornal O Globo desta terça-feira informa que Joesley Batista, da JBS, anexou novos documentos para comprovar o suposto pagamento de propina ao ex-governador Cid Gomes para sua reeleição em 2010 e para a campanha de Camilo em 2014.

O caso, se não for apurado rapidamente, gera insegurança, afinal, nunca se sabe quando a Polícia Federal pode fazer uma operação com prisões. E para completar, até o foro privilegiado, tão sonhado por investigados, pode ser revisto pelo Supremo.

Por fim, tem ainda a crise na segurança pública, que gera inegável desgaste para a atual gestão. Nada que seja definitivo, pois as variáveis são muitas. Porém, quando é assim, sempre há o risco de uma tempestade perfeita, como dizem os meteorologistas.

No balanço entre certezas e incertezas para as eleições no Ceará, começa a ganhar peso, o suspense.

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O efeito Aécio

Por Wanfil em Política

18 de Abril de 2018

Nos anos 80 do Século 20 uma campanha publicitária da vodca Orloff fez muito sucesso no Brasil. Nas propagandas, um sujeito era abordado por uma versão de si mesmo vinda do futuro, que o aconselhava qual marca escolher para evitar ressaca. Surpreso, ele perguntava: “Quem é você?”. E a resposta, tornada bordão nacional, era clara e direta: “Eu sou você amanhã”. Fez tanto sucesso que a expressão “Efeito Orloff” passou a ser usada para as mais diversas situações, especialmente na política.

Aécio Neves, do PSDB, virou réu no STF acusado de corrupção passiva e obstrução da justiça. O senador alega inocência dizendo que recebeu R$ 2 milhões da JBS, em espécie, sem oferecer favores ou benefícios como contrapartida. Sem isso, não haveria corrupção.

Acontece o entendimento da justiça sobre o que venha a ser contrapartida tem sido diferente. Ninguém doa ou empresta milhões de reais a políticos somente por gentileza, altruísmo ou compaixão. Assim, receber fortunas em função do prestígio dos cargos que ocupam já configuraria vantagem indevida.

E o “efeito Orloff”? Calma, chego lá. Se a delação da JBS serviu para colocar Aécio no banco dos réus, é inevitável lembrar que a mesma empresa sustenta que doou, a pedido do ex-governador Cid Gomes (PDT), nada menos que R$ 20 milhões para a campanha de Camilo Santana (PT) em 2014, supostamente em troca de R$ 100 milhões em créditos fiscais do estado. Os acusados negam, claro. Nesse caso, teríamos que concluir então que a JBS doou esses R$ 20 milhões a fundo perdido.

De todo modo, fica evidente que, sem prejuízo à presunção de inocência, o caso de Aécio abre precedente para outros processos e julgamentos, que podem atingir muita gente ainda, e talvez, quem sabe, antes da eleição.

Preparando-se para a campanha, o político citado em delação encontraria Aécio Neves, surgido do nada, e surpreso indagaria: “Quem é você?”. E ele responderia: “Eu sou você, amanhã”. Se não tiver foro privilegiado, a coisa piora. Nessa condição, o “efeito Lula” pode ser o precedente.

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Sobre aliança com PMDB no Ceará Cid diz sim, Ivo diz não e Ciro talvez: parece divergência, mas é método

Por Wanfil em Política

05 de dezembro de 2017

A respeito da possibilidade de subir no mesmo palanque de Eunício Oliveira, do PMDB, a trindade política dos irmãos Cid, Ivo e Ciro Gomes, atualmente no PDT, consegue ao mesmo tempo ser a favor, contra e neutra: um admite, o outro critica e o terceiro lava as mãos. O que pode parecer divergência aos olhos do público é na verdade a velha e boa estratégia de ocupar todos os espaços possíveis para confundir adversários, ludibriar aliados incômodos e aumentar as possibilidades de escolha ao sabor das circunstâncias quando for a hora das convenções estaduais.

Foi assim com Tasso em 2010, Luizianne em 2012, e com o próprio Eunício em 2014: declarações dúbias ou divergentes, hesitações nos bastidores, gestos contraditórios, tudo meticulosamente trabalhado até o momento certo, às vésperas das eleições. É método.

Desse modo, se Ciro estiver bem nas pesquisas no próximo ano a presença de Eunício ao lado de seus aliados no Ceará será um constrangimento para quem se apresenta como o candidato mais crítico ao PMDB. Nesse caso, sem uma aliança formal, Camilo Santana poderá selar um pacto de não agressão com Eunício, porém, a experiência de disputas anteriores mostra que a garantia desses acordos não é lá essas coisas, especialmente se levarmos em conta que a chapa governista teria duas vagas para candidatos ao Senado.

Cid já deu a senha para eventuais mudanças de última hora, lembrando que alianças não podem ser impostas, que precisa ser construída com todos do grupo e por aí vai. Bem entendido o discurso, está dizendo que pode não entregar o que está na vitrine. Assim, quem sonha com ela assume o risco de ficar com as mãos abanando. Mas é claro que Eunício sabe disso. Se aceita participar da encenação, sujeitando-se a nova decepção (nas eleições passada deveria ter sido o candidato governista ao Palácio da Abolição, no que acabou preterido por Camilo, o escolhido do “grupo”) é porque precisa muito e não enxerga na oposição alternativa para suas necessidades. Não há outra explicação.

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A arte de esperar: Eunício espera por Tasso, que espera por Eunício, que espera por Camilo, que espera por Cid, que espera por Ciro…

Por Wanfil em Política

21 de outubro de 2017

Entre as várias artes da política – falo das habilidades desenvolvidas dentro da legalidade – a de esperar é uma das mais difíceis de administrar. E quanto mais confusos o ambiente e o período, maior a necessidade de saber esperar até o último minuto, para não queimar etapas ou perder oportunidades. E como toda espera gera ansiedade, é comum que os espíritos fiquem mais sensíveis a todo tipo de interpretação, sugestão, indícios e especulações.

Atualmente, descontadas as manchetes que refletem as excitações do momento, o que temos no Ceará é um conjunto de esperas que se misturam. O senador Eunício Oliveira, que disputará uma das duas vagas em jogo para continuar no Senado, precisa de um nome que atue como carro-chefe para ao governo estadual, puxando as demais candidaturas da chapa oposicionista. Assim, espera que o senador Tasso Jereissati concorra ao Executivo: é conhecido e tem mandato garantido no Senado por mais quatro anos após as eleições.

Tasso, por sua vez, espera que Eunício feche antes com a oposição para depois escolher alguém para disputar o executivo no Estado. A estrutura de campanha e o recall de ambos fariam alavancar a candidatura oposicionista ao Palácio da Abolição.

Camilo espera que Eunício feche com o governo para enfraquecer a oposição. Eunício espera que esse flerte pressione Tasso a concorrer ao governo. Se isso não acontecer, Eunício espera que Camilo possa convencer Cid Gomes, também candidato ao Senado, por uma aliança com o ex-aliado. Cid não veta por antecipação porque espera ver como a candidatura de Ciro à Presidência da República se encaminha para então decidir o que fazer.

Nesse jogo, qualquer declaração definitiva, no estilo ou vai ou racha, será precipitação.

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Guardas municipais de Sobral fazem segurança particular em propriedade de Cid: Qual a surpresa?

Por Wanfil em Política

12 de agosto de 2017

O Ministério Público do Ceará acusa o ex-governador Cid Gomes de usar a Guarda Municipal de Sobral como segurança particular em Meruoca, onde tem uma propriedade. Por isso a Câmara Municipal de Sobral aprovou uma lei casuística que regulamenta o uso de guardas municipais para a segurança de ex-prefeitos, mesmo que seja em outro município.

Curiosamente a notícia repercutiu pouco. Talvez seja por causa daquela sensação de filme repetido, afinal, estamos diante da mesma lógica, a mesma compreensão sobre o que é público e privado, o velho cacoete patrimonialista do mesmo grupo político que protagonizou o famoso caso da viagem com a sogra para a Europa em jatinho fretado pelo Governo do Ceará.

Para saber mais, o caso foi tema do quadro conjunturas, da Tribuna BandNews:

Câmara de Sobral aprova lei que dá segurança pessoal a ex-prefeitos do município

 

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Cid acusa perseguição política após ter obra embargada pelo Ibama – A questão, porém, é outra

Por Wanfil em Ceará

07 de junho de 2017

As obras do empreendimento imobiliário ligado ao ex-governador Cid Gomes, na Serra da Meruoca, foram embargadas pelo Ibama e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), sob a acusação de irregularidades ambientais. Cabe recurso.

Em nota, a assessoria de Cid nega qualquer irregularidade e afirma que a ação é arbitrária, fruto de perseguição política do deputado federal Moses Rodrigues e o senador Eunício Oliveira, ambos do PMDB. E que o ex-governador acionará a Justiça.

Bom, se tudo está em conformidade com a legislação, não há com o que se preocupar, não é verdade? Basta apresentar as devidas autorizações e pronto. Na verdade esse problema surgiu após o caso ganhar repercussão por outro motivo: a sociedade entre o ex-governador e o dono de uma empresa que cresceu prestando serviços para sua gestão

O leitor pode indagar: “Qual o problema? Os dois são adultos e Cid hoje não tem cargo público”. De fato, a princípio não existe ilegalidade, mas os inconvenientes são constrangedores. Descontadas as delações premiadas, é como se Lula virasse sócio de Marcelo Odebrecht ou Michel Temer abrisse uma empresa com Joesley Batista. Ainda que não existisse a Lava jato, não pegaria bem, pois a separação entre negócios privados e atuação política precisa estar acima de qualquer suspeita.

Gianfranco Pasquino, no Dicionário de Política, define o verbete Corrupção como “o fenômeno pelo qual um funcionário público é levado a agir de modo diverso dos padrões normativos do sistema, favorecendo interesses particulares em troca de recompensa“.

Nada no empreendimento embargado na Serra da Meruoca indica, objetivamente, corrupção enquanto crime tipificado. Não existe nem sequer acusação nesse sentido. Porém, ainda que tudo seja perfeitamente legal, o fato de um ex-governador virar sócio de empresa que lucrou durante sua gestão parece recompensa, ainda que não seja. E na política, ao contrário da seara jurídica, a dúvida não é benefício, é desgaste.

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Denúncias contra Cid: amigos na praça e problemas problemas na Justiça

Por Wanfil em Corrupção

06 de junho de 2017

Fica a dica…

É… Os últimos dias não andam nada fáceis para Cid Gomes, agora réu em ação na Justiça Federal, acusado de crime financeiro no caso de um empréstimo de R$ 1,3 milhão feito junto ao BNB, ainda em 2014, para a construção de um galpão em sobral, junto com um amigo de infância.

Em outra frente, o portal Tribuna do Ceará publicou matéria mostrando a inusitada sociedade do ex-governador com um outro amigo de infância, cuja empresa (Easy Táxi Aéreo) ganhou licitações de quase R$ 55 milhões prestando serviços ao Governo do Ceará durante a gestão Cid. Juntos, estão construindo um luxuoso empreendimento imobiliário na serra da Meruoca. Coisa fina.

Não para por aí. Wesley Batista, da JBS acusou Cid de mandar emissários cobrarem R$ 20 milhões de propina em troca do pagamento de R$ 110 milhões em créditos de ICMS. Cid admite a doação e a posterior liberação dos créditos, mas nega veementemente qualquer relação entre as movimentações. Disse ainda que processará o delator e que seu patrimônio, após 34 anos de vida pública, é de R$ 782 mil. Convenhamos, valor modesto para um, digamos assim, empreendedor de destaque. Não chega a comprar um apartamento novo de tamanho médio nos bairros nobres de Fortaleza.

Bom, como todos são inocentes até prova em contrário, resta evidente apenas, até o momento, que alguns amigos de Cid casualmente prosperaram – e muito – durante os mandatos do então governador. Pode ser nada nada de errado venha a ser constatado na ação da Justiça Federal ou nos demais casos, mas para o homem público é o tipo de coincidência que arranha a imagem, especialmente quando começam a se multiplicar.


Confira ainda as matérias do Tribuna do Ceará:

Cid Gomes torna-se réu por crime contra o sistema financeiro nacional 
Cid faz condomínio de luxo em sociedade com empresário que ganhou licitações em seu governo 

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O impeachment de Camilo e a natureza das coisas

Por Wanfil em Política

25 de Maio de 2017

A oposição pediu o impeachment do governador Camilo Santana (PT) com base nas revelações feitas pelo delator Wesley Batista, da JBS. Tecnicamente não faz muito sentido, pois os crimes supostamente cometidos, o pagamento de R$ 110 milhões em créditos de incentivo às vésperas da eleição para uma empresa que doou R$ 20 milhões logo em seguida, por mais suspeitos que sejam, teriam acontecido na gestão do ex-governador Cid Gomes.

Com efeito, esse não é o melhor instrumento para o episódio. Na verdade, até facilita a vida da base aliada. Seria melhor convidar ou convocar os secretários estaduais envolvidos nos episódios citados para que estes falem sobre o caso. Mas a natureza da oposição é focar na atual gestão.

Como era de se esperar, o presidente da Assembleia, Zezinho Albuquerque (PDT), aliado de Camilo e também beneficiário das doações da JBS, rejeitou o pedido de impeachment. Não houve nem sequer suspense. Independente de provas, é da natureza do legislativo estadual proteger, em vez de fiscalizar, qualquer governo (com as raras exceções que confirmam a regra), mesmo nos casos mais gritantes. Não haverá CPI para investigar incentivos fiscais concedidos a doadores de campanha ou coisa do gênero. Já faz uma semana que as delações chegaram ao Ceará e nada…

O sapo pula, o passarinho voa, a chuva cai, a gravidade puxa e o parlamento cearense obedece ao Executivo. É a natureza das coisas. Resta aos cearenses esperarem que investigadores de fora, de preferência de Curitiba, passem essa história a limpo.

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Delação JBS 4 – A coletiva de Cid

Por Wanfil em Corrupção

22 de Maio de 2017

O ex-governador Cid Gomes (PDT) concedeu entrevista nesta segunda-feira, na Assembleia Legislativa, para rebater a delação de Wesley batista, dono da JBS. O empresário relatou a suposta liberação de R$110 milhões de créditos de ICMS em troca do repasse de R$ 20 milhões para a campanha de Camilo Santana (PT).

Cid admitiu os encontros com os irmãos Joesley e Wesley Batista, o pagamento dos créditos para a empresa e as doações para a campanha, mas repudiou com indignação qualquer relação entre esses fatos. Os Batista afirmam que a doação foi propina para a liberação dos créditos.  Na coletiva, o ex-governador estava acompanhado dos aliados de sempre, que também receberam doações da JBS, a garantir a idoneidade do líder.

Voltando ao que interessa, se é assim, por que então os delatores inventariam tudo isso? Segundo Cid, para ter material com que negociar acordos com os investigadores. É estranho, pois a JBS já acusou nomes bem maiores, como o presidente Michel Temer (PMDB), o senador Aécio Neves e os ex-presidentes Lula e Dilma, do PT, entre outros mais. Nomes que bastariam para garantir a delação premiada.

Assim como Cid, todos os outros negam as acusações (mais ou menos nos mesmos termos) e se dizem vítimas de conspiração. Somente as investigações poderão dizer quem realmente é culpado ou inocente nessa história. Como ninguém pode negar o relacionamento e as doações milionárias que receberam, até lá, todos são suspeitos, não importam o que digam agora. Os justos, caso existam, pagam pelos pecadores.

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Delação JBS 4 – A coletiva de Cid

Por Wanfil em Corrupção

22 de Maio de 2017

O ex-governador Cid Gomes (PDT) concedeu entrevista nesta segunda-feira, na Assembleia Legislativa, para rebater a delação de Wesley batista, dono da JBS. O empresário relatou a suposta liberação de R$110 milhões de créditos de ICMS em troca do repasse de R$ 20 milhões para a campanha de Camilo Santana (PT).

Cid admitiu os encontros com os irmãos Joesley e Wesley Batista, o pagamento dos créditos para a empresa e as doações para a campanha, mas repudiou com indignação qualquer relação entre esses fatos. Os Batista afirmam que a doação foi propina para a liberação dos créditos.  Na coletiva, o ex-governador estava acompanhado dos aliados de sempre, que também receberam doações da JBS, a garantir a idoneidade do líder.

Voltando ao que interessa, se é assim, por que então os delatores inventariam tudo isso? Segundo Cid, para ter material com que negociar acordos com os investigadores. É estranho, pois a JBS já acusou nomes bem maiores, como o presidente Michel Temer (PMDB), o senador Aécio Neves e os ex-presidentes Lula e Dilma, do PT, entre outros mais. Nomes que bastariam para garantir a delação premiada.

Assim como Cid, todos os outros negam as acusações (mais ou menos nos mesmos termos) e se dizem vítimas de conspiração. Somente as investigações poderão dizer quem realmente é culpado ou inocente nessa história. Como ninguém pode negar o relacionamento e as doações milionárias que receberam, até lá, todos são suspeitos, não importam o que digam agora. Os justos, caso existam, pagam pelos pecadores.

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