centrais sindicais Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

centrais sindicais

Nem impopularidade de Temer ajuda greve “geral” das centrais. Geral mesmo é o descrédito de ambos

Por Wanfil em Política

30 de junho de 2017

Greve “geral” em Fortaleza contra governo impopular . Mas onde estão os trabalhadores?

Centrais sindicais organizaram nesta sexta nova greve geral contra o governo federal e contra as reformas trabalhista e da Previdência. Como em dia útil e no horário de expediente a maioria dos trabalhadores está ocupada, novamente a greve geral não é geral, muito pelo contrário.

Já que Temer bate recorde de impopularidade, talvez se as manifestações fossem marcadas para o final de sema, tal como nos protestos contra Dilma, mais pessoas participassem. Mas nesse caso, para os organizadores, há um problema. É que as centrais sindicais não conseguem mobilizar grandes contingentes, a não ser pressionando empregados de algumas categorias nas portas das fábricas e lojas. No máximo, conseguem fazer barulho atrapalhando o trasporte público.

E por que essas centrais não conseguem atrair quem deveriam representar? Simples. Porque são imediatamente vinculadas pelo cidadão comum aos partidos políticos de oposição que as controlam, com suas bandeiras vermelhas, tão corruptos e desmoralizados quanto o atual governo. E assim, o sujeito até desaprova Temer e questiona pontos das reformas, mas não aceita por isso andar ao lado daqueles que quebraram o país e assaltaram os cofres públicos, não vai dar discurso a quem deveria estar calado.

Ao tentarem pegar carona na insatisfação geral usando seus ativistas no sindicalismo, esses partidos políticos acabam mesmo é constrangendo a participação espontânea de muitos que, sem confiar em mais ninguém, resolveram esperar para ver no que vai dar. Geral mesmo é a falta de representatividade de governantes, opositores e sindicatos.

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Desacordo com reformas não justifica greve: por que não protestam no feriado?

Por Wanfil em Política

27 de Abril de 2017

É assim que se protesta: sem atrapalhar o público e sem matar o trabalho.

A maioria dos brasileiros já tem opinião – qualquer uma – sobre as reformas trabalhista e da Previdência. Por isso nem entro no mérito da questão, embora tenha lido os projetos e nos dois casos, encontrado pontos com os quais concordo (maioria) ou discordo. Quero mesmo é chamar a atenção para o ânimo que marca os debates e divergências. Penso que falta paixão e o que tenho percebido é desânimo, a prevalência de certo desalento com o futuro.

O cineasta Woody Allen diz que o pessimista é o sujeito que acredita ter chegado ao fundo poço e o otimista é aquele que acha possível cair um pouco mais. Pois é, no Brasil estamos mais ou menos assim. Não se pode confiar em conceitos como esquerda ou mercado, relação por aqui personificada na relação entre Lula e Emílio Odebrecht. Na práxis política, tanto reformistas como antirreformistas eram aliados  – ou comparsas – até outro dia. Se hoje estão separados, não é por causa de divergências sobre reformas, mas pela insaciável disputa por cargos, verbas e propinas. As referências de lideranças ficam assim escassas.

Alguma pressão poderia vir das ruas. Centrais sindicais convocaram uma greve geral, mas aí voltamos ao mesmo ponto: as centrais, sempre agindo a serviço de partidos políticos de esquerda, esses que quebraram o País e destruíram os fundos  de pensão, sempre cegas aos escândalos de corrupção, também estão desacreditadas. O direito à greve é indiscutível, porém, nesse caso, não se trata de impasse entre empregados e empregadores deste ou daquele setor, mas de ato político contra um governo. É perfeitamente legítimo se posicionar politicamente, mas para tanto seria mais adequado que protestassem no final de semana, como fizeram os que pediam a saída de Dilma. O que passageiros de ônibus ou estudantes, por exemplo, têm a ver com isso? Por que precisam ser atingidos?

As reformas, sem a força das convicções e sem representantes ou críticos de credibilidade, acabarão em arremedos para dar algum alívio temporário aos governos. E o Brasil continuará entre “o velho que não quer passar e o novo que não quer chegar”, expressão que tomo emprestada do filósofo alemão Ernest Bloch, publicada no livro “O Princípio da Esperança”.

A esperança pode ser um antídoto contra o desalento. Pois bem: a única esperança, a única chance de renovação para o Brasil está nas urnas. O risco é grande.

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Desacordo com reformas não justifica greve: por que não protestam no feriado?

Por Wanfil em Política

27 de Abril de 2017

É assim que se protesta: sem atrapalhar o público e sem matar o trabalho.

A maioria dos brasileiros já tem opinião – qualquer uma – sobre as reformas trabalhista e da Previdência. Por isso nem entro no mérito da questão, embora tenha lido os projetos e nos dois casos, encontrado pontos com os quais concordo (maioria) ou discordo. Quero mesmo é chamar a atenção para o ânimo que marca os debates e divergências. Penso que falta paixão e o que tenho percebido é desânimo, a prevalência de certo desalento com o futuro.

O cineasta Woody Allen diz que o pessimista é o sujeito que acredita ter chegado ao fundo poço e o otimista é aquele que acha possível cair um pouco mais. Pois é, no Brasil estamos mais ou menos assim. Não se pode confiar em conceitos como esquerda ou mercado, relação por aqui personificada na relação entre Lula e Emílio Odebrecht. Na práxis política, tanto reformistas como antirreformistas eram aliados  – ou comparsas – até outro dia. Se hoje estão separados, não é por causa de divergências sobre reformas, mas pela insaciável disputa por cargos, verbas e propinas. As referências de lideranças ficam assim escassas.

Alguma pressão poderia vir das ruas. Centrais sindicais convocaram uma greve geral, mas aí voltamos ao mesmo ponto: as centrais, sempre agindo a serviço de partidos políticos de esquerda, esses que quebraram o País e destruíram os fundos  de pensão, sempre cegas aos escândalos de corrupção, também estão desacreditadas. O direito à greve é indiscutível, porém, nesse caso, não se trata de impasse entre empregados e empregadores deste ou daquele setor, mas de ato político contra um governo. É perfeitamente legítimo se posicionar politicamente, mas para tanto seria mais adequado que protestassem no final de semana, como fizeram os que pediam a saída de Dilma. O que passageiros de ônibus ou estudantes, por exemplo, têm a ver com isso? Por que precisam ser atingidos?

As reformas, sem a força das convicções e sem representantes ou críticos de credibilidade, acabarão em arremedos para dar algum alívio temporário aos governos. E o Brasil continuará entre “o velho que não quer passar e o novo que não quer chegar”, expressão que tomo emprestada do filósofo alemão Ernest Bloch, publicada no livro “O Princípio da Esperança”.

A esperança pode ser um antídoto contra o desalento. Pois bem: a única esperança, a única chance de renovação para o Brasil está nas urnas. O risco é grande.