Ceará Archives - Página 30 de 41 - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Ceará

Bolsa Família e eleições: tudo a ver

Por Wanfil em Eleições 2014

21 de julho de 2014

Os presidenciáveis Eduardo Campos (PSB) e Aécio Neves (PSDB) marcaram presença na região do Cariri, sul do Ceará, no final de semana. Visitaram, separados, é  claro, a ExpoCrato, famoso evento de agropecuária. Aécio depois foi a Juazeiro do Norte, acompanhado do ex-governador e candidato ao Senado Tasso Jereissati, onde participou de uma missa em memória aos 80 anos da morte do Padre Cícero.

Lideranças locais e candidatos ao governo estadual também estiveram pelos municípios da região. Eunício Oliveira (PMDB), Eliane Novais (PSB), Camilo Santana (PT), este acompanhado do notório deputado José Guimarães (PT), e Ailton Lopes (Psol), marcaram presença.

Geopolítica eleitoral
Se por um lado o Cariri conseguiu atrair os principais nomes da oposição ao governo federal para os mesmos eventos, por outro, não seduziu os estrategistas da campanha à reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT). Por quê? Ora, não é difícil deduzir a resposta. Existe nisso, como em tudo o mais numa eleição, logica e cálculo. É que se no Sul e Sudeste do Brasil Dilma tem seu pior desempenho nas pesquisas, é no Norte e no Nordeste que tem alguma folga. O corolário é óbvio: cada um precisa manter o que conquistou e avançar onde o adversário é mais forte.

No caso das oposições, reduzir a diferença de intenção de votos no Nordeste, que tem mais densidade populacional do que o Norte, é fundamental para levar a disputa para o segundo turno.

De resto, aliás, isso é coisa antiga: presidentes costumam a ter mais popularidade justamente nas regiões mais pobres do país, onde a população depende mais da assistência do governo.

Bolsa Família
Além da convergência de agenda, Campos e Aécio também coincidiram na estratégia de discurso, que focou o compromisso de manter o Bolsa Família. Segundo o tucano, o PT faz terrorismo eleitoral quando diz que a oposição pretende acabar com o programa, o que seria, a seu ver, sinal de que governistas estariam à beira de um ataque de nervos com a queda de Dilma nas pesquisas. De fato, a tática de anunciar a manutenção do programa é uma manobra de defesa.

Isso tudo faz parte do jogo. Agora, a verdade é que, independente das pesquisas, o uso eleitoreiro do Bolsa Família tem sido recorrente, o que é ruim não apenas do ponto de vista ético, mas também é preocupante pelos aspectos econômico e social. Afinal, após dez anos do seu lançamento, com a promessa de reduzir a miséria, seu evidente peso no debate eleitoral é sinal de que a pobreza e a falta de educação ainda falam alto na nossa democracia.

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BRICS terá 7 mil agentes de segurança. Pena que é nuvem passageira

Por Wanfil em Economia

15 de julho de 2014

Sai de cena a festa da Copa do Mundo e entra em campo a aridez dos temas econômicos, com Fortaleza sediando a 6ª Cúpula do BRICS, o grupo de países emergentes formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do sul. No fundo, é o grupo resulta mesmo da política externa de Chia e Rússia, potências militares que sonham com a liderança no concerto da geopolítica mundial. Mas essa é outra história, jogo de gente grande. Para nós do Ceará o que importa é que esses eventos são indiscutíveis oportunidades de consolidar o nome do estado na rota do turismo mundial: a Copa com o lazer, o BRICS com as chances de negócios.

Segurança
Por isso Fortaleza está um brinco, pelo menos no entorno do Centro de Eventos, onde a limpeza e a pavimentação germânicas (para usarmos um padrão da moda), assim como a segurança, não deixam nada a desejar. O Governo do Estado anunciou que ao todo 7.689 agentes atuarão para que tudo ocorra na mais perfeita tranquilidade. São 4.444 de seu próprio contingente, que contam com o reforço de outros 3.245 profissionais vindos de parcerias com órgãos como a Polícia Federal, a Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Ministério da Defesa e Gabinete de Segurança Institucional da Presidência (GSI), Guarda Municipal de Fortaleza (GMF), entre outros.

Basta andar nas ruas próximas ao local para conferir como tudo está tinindo para proteger e impressionar os chefes de estado esperados para o encontro. Temos que causar boa impressão, mirando em futuros investimentos, claro. Nada contra. Quem dera memso essas ações preparadas para o BRICS durassem o ano inteiro e fossem ampliadas para todo o Ceará.

O negócio é tão bacana, que o risco agora é ver essas impressões se confundirem com a realidade. Porém, todo esse arranjo é passageiro, já que a reunião acaba na quarta-feira (16).  Por isso, é bom a gente ficar ligado: assim como promover uma copa não significa dizer que temos uma grande seleção, sediar o encontro do BRICS não é garantia de que temos uma economia equilibrada ou que moramos em lugar seguro.

Economia
Sobre segurança, não é preciso dizer muito. Todos sabem como andam as coisas no Ceará e no Brasil. Já na economia, começamos a sentir no bolso o peso do baixo crescimento e das políticas fiscal e monetária do governo federal. Os dados falam por si. Entre os países do BRICS, o Brasil é o que apresentou pior desempenho econômico nos últimos anos, com a pior taxa de investimentos.

Crescimento (média 2011-2013)
B
rasil – 2%
Rússia – 3%
Índia – 5,4%
China- 8,2%
África do Sul – 2,6%

Taxa de investimento (% PIB)
Brasil – 18%
Rússia – 23%
Índia – 30%
China- 49%
África do Sul – 19% – Fonte: Exame/Abril

O risco inflacionário
O Brasil aparece bem em relação ao PIB per capita e a taxa de pobreza (6%), comparado com o resto do grupo (na China a taxa dobra). Mas essas conquistas estão ameaçadas pela inflação, que já estourou o teto da meta este ano e que no primeiro semestre superou o rendimento da poupança.

Futuro
No futebol, a derrota terminou com a demissão de Felipão e de toda a comissão técnica. Na economia, o debate começa agora, com as eleições entrando de vez no calendário da torcida brasileira. O nome do técnico é Guido Mantega.

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O Pros contra os cacos espalhados – Ou: meu partido é um coração partido…

Por Wanfil em Partidos

11 de julho de 2014

Ao indicar na última hora o petista Camilo Santana para a sucessão estadual na chapa governista no Ceará, Cid Gomes criou uma saia justa entre alguns dos seus correligionários do Pros, que nos últimos meses foram estimulados pelo próprio governador a fazer pré-campanha entre os aliados, mas acabaram preteridos.

Peões
Por diversas vezes, afinal, Cid disse que a escolha recairia sobre um nome do partido, o maior da sua base de apoio. Cinco nomes apareceram concorriam: Zezinho Albuquerque, presidente da Assembleia Legislativa; o vice-governador Domingos Filho; o ex-prefeito de Sobral, Leônidas Cristino; o deputado estadual Mauro filho; e Izolda Cela, ex-secretária da Educação. Do grupo, dois lideravam as bolsas de apostas: Domingos Filho, que articulou intensamente com lideranças políticas, e Zezinho Albuquerque, que percorreu o Estado em campanhas contra as drogas e em defesa da refinaria, todas bancadas pela Assembleia Legislativa.

Tanto esforço de nada valeu. Mais do que a frustração com o desfecho na composição da chapa oficial, restava a todos a vergonha de aparecer publicamente como de meros peões de tabuleiro no xadrez eleitoral.

Prêmio de consolação
Como prêmio de consolação, Mauro filho ganhou a chance de disputar o Senado; Domingos tem prometida uma vaga no Tribunal de Contas do Município. Zezinho foi convidado para concorrer como vice de Camilo, mas recusou, sendo então substituído por Izolda. Aliás, sobre prêmios e acordos eleitorais, vale conferir matéria do Tribuna do Ceará sobre a relação entre a ocupação de cargos públicos e o contexto das alianças.

Juntando os cacos
Para desfazer a má impressão e dar ares de republicanismo ao processo sucessório entre os aliados, Zezinho organizou um almoço de apoio a Camilo Santana, em restaurante de Fortaleza na última quarta-feira. O encontro virou um ato de afago a Zezinho, que foi abraçado por Ciro e elogiado por Camilo, todos felizes com a humildade e a compreensão dos parceiros.

Domingos e Zezinho, assim como os torcedores da seleção brasileira, agora sabem a dor de um sonho interrompido de um modo que ninguém esperava, bem no meio do caminho.

Olho aberto
Corre em rodas políticas que a vaga de conselheiro do TCM negociado com Domingos Filho teria sido oferecida também a Mauro Filho, se este perder a eleição para Tasso Jereissati (PSDB). Para evitar riscos, Domingos esperaria assumir em julho ou agosto, antes da eleição. Se ficar para depois, não tem acordo.

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Eleição é igual a caminhão sem freio descendo a ladeira

Por Wanfil em Eleições 2014

02 de julho de 2014

Como explicar que ex-adversários se unam de uma hora para outra e que ex-aliados acabem em lados opostos às vésperas de uma eleição no Brasil? Como é possível uma aliança com vinte partidos? A união entre Lula, Collor e Maluf é certamente hoje a expressão maior de uma prática antiga em nossa política.

A tradição de conciliar incompatibilidades
Para quem quiser estudar mais a fundo esse fenômeno, sempre indico a leitura do livro “A Consciência Conservadora no Brasil”, do historiador Paulo Mercadante, do qual tomei conhecimento por um artigo de Olavo de Carvalho. O conservador do título não faz referência direta à concepção clássica do termo como movimento doutrinário, mas antes, denuncia a deturpação desse conceito, amoldado às nossas práticas e vícios. Conservar aí é reduzido ao desejo espúrio de manter privilégios e vantagens, mesmo que para isso seja preciso mudar de convicções. É uma tradição conciliadora, capaz de acomodar valores teoricamente incompatíveis e assimilar ideais contraditórios em parcerias improváveis; que celebra o pragmatismo amoral como estratégia de perpetuação (a conservação) no poder. Ninguém foi melhor nisso do que José Sarney.

A prática também é reforçada pela fragilidade dos partidos na democracia brasileira, o fisiologismo, o culto ao personalismo e a própria legislação. Tudo converge para a bagunça. É nela que os políticos se entendem. Não que isso justifique toda e qualquer aliança espúria. Mesmo em ambientes degradados, existem limites.

Sabe de nada, inocente!
No Ceará, o governador Cid Gomes e seu irmão Ciro parecem muito surpresos e indignados com o fato de Eunício Oliveira, de quem receberam o apoio nas últimas três eleições (duas para governador e uma para a Prefeitura de Fortaleza), ter lançado candidatura própria ao governo estadual, imaginando poder contar com a reciprocidade dos antigos parceiros. Como não conseguiu apoio, rompeu. E rompido, buscou apoio dos adversários de Cid, com quem mantinha uma relação, digamos, sem atritos.

O problema é que os Gomes há mais de vinte anos mudam de lado ao sabor de eleições. Hoje são aliados objetivos, por exemplo, dos citados Collor, Sarney e Maluf, pela reeleição da presidente Dilma. E nem por isso acusam a candidata de ser incoerente, vejam só. É a velha indignação seletiva: só vale para os outros. Aí, não cola.

Metáfora pragmática
Conversando sobre essas alianças, um amigo me contou nesses dias uma história interessante, que disse ter ouvido pessoalmente de Leonel Brizola. “Eleição é como um caminhão sem freio descendo a ladeira. Na boleia ficam os amigos, os mais próximos. Na parte de trás, sobe quem quiser. Quando o carro chegar lá embaixo (as eleições), quem cair, caiu, quem se segurar, fica. Aí é tocar a primeira e seguir caminho”. É o tal pragmatismo.

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A tensão pré-convenções e as falsas notícias

Por Wanfil em Eleições 2014

27 de junho de 2014

No próximo domingo (29) finalmente o Pros e o PT anunciam em convenção conjunta quem serão seus candidatos para as eleições de outubro. No mesmo dia e na mesma hora, o PMDB confirmará a candidatura de Eunício Oliveira ao governo estadual. Na segunda (30), prazo final determinado pela Lei Eleitoral, será a vez do PSDB formalizar sua posição.

Por enquanto, sobram especulações. Jornais, sites, blogs e colunas buscam antecipar supostas decisões, e quadros diferentes surgem de um dia para o outro. Um festival de chutes imprecisos.

Uma hora Zezinho Albuquerque aparece como o preferido de Cid Gomes. O mesmo acontece com Leônidas Cristino. Logo depois o comentário de bastidor garante que Domingos Filho é o queridinho das bases, e que por isso pode ser o candidato do Pros, mesmo sem a inteira confiança do governador. A última conta que Isolda Cela ainda tem chances por contemplar o perfil desenhado nas pesquisas, mas ninguém diz que perfil seria esse.

De manhã, Eunício Oliveira (PMDB) é fiel aliado da presidente Dilma Rousseff (PT), à tarde já teria acertado com Aécio Neves (PSDB).

Em certo momento dá-se por certo a candidatura de José Guimarães (PT) ao Senado. Mas rumores sempre dão conta de o Pros resiste ao seu nome por receio de uma associação com o escândalo dos dólares na cueca. Todos negam, mas nesse ambiente de desconfiança geral, a negativa é lida como desfaçatez.

Segundo o noticiário, Tasso Jereissati pode tanto ser candidato a vice-presidente como ao Senado, em parceria com Eunício, ou ainda continuar tocando suas empresas, longe da disputa. Pode acontecer tudo, ou nada.

O certo mesmo é que os principais nomes nada dizem de concreto. Em silêncio, jogam o xadrez da política, enquanto suas equipes atuam na guerra de informações. Por isso, até domingo ou segunda, cuidado com o que você lê. Pode ser apenas uma cortina de fumaça, um balão de ensaio, uma fofoca, uma maledicência, um interesse oculto, disfarçado de notícia.

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O recado de Ciro Gomes

Por Wanfil em Eleições 2014

26 de junho de 2014

Ciro Gomes (Pros) passou a atacar o ex-aliado Eunício Oliveira (PMDB). Chama agora o novo adversário de “biruta de aeroporto”, “lambanceiro” e “riquinho”, além de fazer insinuações sobre suposta prática de suborno (crime tipificado) e ilações desabonadoras sobre as atividades empresarias do senador pelo PMDB.

Sem entrar no mérito desse, digamos assim, estilo retórico carente de provas, cabe observar que o expediente já se tornou um padrão que não surpreende ninguém, afinal, nada mais previsível do que Ciro batendo em alguém, enquanto seu irmão Cid opta por uma atuação mais discreta. A estratégia já perdeu a capacidade de atingir seus alvos com impacto. As falas dos irmãos parecem formas opostas de lidar com a situação, mas são ações sincronizadas e complementares. Tanto é assim que Ciro nunca é desautorizado, muito menos convidado a calar-se. É um porta-voz informal a passar recados que não cairiam bem se pronunciados pelo governador.

E que recados são esses? Tolices, na maioria. Indiretas que revelam o estado de espírito no Palácio da Abolição. Juras de inimizade. Sugestões de que segredos podem ser revelados. Ameaças veladas. Um conjunto de declarações que acabam revelando que há um nervosismo no ar, misto de mágoa, raiva e medo.

Se no passado a palavra de Ciro tinha o peso de um potencial candidato competitivo à Presidência da República, no presente guarda a autoridade limitada de um secretário estadual. Daí que Eunício, líder do PMDB no Senado Federal, nem se deu ao trabalho de responder-lhe as críticas, como quem dissesse ter mais o que fazer. Fosse o governador a fazê-las, seria outra a reação.

Por fim, Ciro cobra lealdade e coerência ideológica do peemedebista. Não deixa de ter razão, uma vez que Eunício foi governista até um dia desses, mas o problema é que o próprio Ciro nunca criou raízes em partido político algum e leva consigo um histórico de ex-aliados deixados de lado em períodos eleitorais. Ciro, aliás, generaliza dizendo que o PMDB é um ajuntamento de assaltantes, mas nunca viu problema em se aliar com o partido que ele mesmo desqualifica. Assim, fica difícil ser levado a sério nesses quesitos.

Ao final, o recado de Ciro Gomes não altera nada, não repercute como outrora, não gera ansiedade nos adversários e talvez nem anime os aliados. É  mais do mesmo.

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Queda na pressão de Cid faz subir pressão de cidistas

Por Wanfil em Política

23 de junho de 2014

Cid Gomes passa mal em convenção do PDT e é amparado por aliados - Foto: Tribuna do Ceará

Cid Gomes passa mal em convenção do PDT e é amparado por aliados – Foto: Tribuna do Ceará

O governador Cid Gomes passou mal e chegou a desmaiar durante convenção estadual do PDT, realizada em Fortaleza neste domingo (22). Segundo boletim médico do HGF, a causa foi uma “hipotensão postural”. Felizmente, apesar do susto, o governador recebeu alta no mesmo dia e se recupera em casa.

No entanto, a pressão política entre os liderados do governador só aumenta. É que acaba no próximo dia 30 de junho o prazo para que os partidos definam seus candidatos. E nesse momento, o grupo político liderado por Cid vive a tensão de ainda não saber quem será o candidato oficial à sucessão. Tempo é que não faltou, mas após duas gestões, a indefinição acaba sugerindo duas possibilidades: a) um erro de estratégia; b) uma crise que se prolonga por ainda haver arestas a serem aparadas entre os próprios aliados. Mas esse não é o único problema que faz subir a pressão dos governistas no Ceará.

Estresse
Recentemente, Cid viveu dias de muito estresse por causa de divergências com a direção nacional do Pros, seu atual partido. Isso lhe consumiu energia, capital político e tempo. Tem ainda a pré-candidatura de Eunício Oliveira (PMDB) ao governo estadual. A movimentação junto à base aliada no Estado e a desenvoltura nas articulações com o comando do PMDB e do PT em Brasília, fazem do ex-aliado o maior risco ao projeto de poder dos Ferreira Gomes.

Outro fator de risco para a pressão política entre os cidistas é que apesar da agenda de inaugurações e dos investimentos em publicidade, o governo se ressente com a falta de bons indicadores na área da segurança pública, fato que naturalmente vem sendo explorado por adversários e mina a credibilidade da gestão, como indicam as pesquisas.

E, para completar, não é de hoje que o governador apresenta problemas de saúde em público. Em abril, ele chegou a se licenciar do cargo para um tratamento misterioso, após ter passado mal em Limoeiro do Norte. Também com problemas de pressão arterial, Cid já havia sido internado em 2012.

Doença não tem hora
De tudo isso, fica a impressão de que a rotina crescente de cobranças, dificuldades, intrigas, indefinições e disputas, acabam somatizando fisicamente e o corpo pede assim uma pausa. No entanto, por causa do calendário eleitoral e da opção por deixar tudo para última hora, isso não poderá acontecer nesta semana, quando a demanda pela liderança política do governador é intensamente exigida para costurar apoios e segurar descontentamentos. Qualquer repouso para convalescer que seja indicado a Cid terá esperar para depois, a não ser que a situação seja mais grave e exija cuidados maiores.

O fato é que as condições de saúde de Cid entram agora como um elemento a mais de suspense na reta final para a consolidação das chapas que disputarão as eleições e para o cenário político do Ceará.

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Mapa da Violência 2014 mostra desastre na segurança: é assim que a gente faz, um novo Ceará…

Por Wanfil em Segurança

28 de Maio de 2014

Ceará-mapaUma prévia do Mapa da Violência 2014 divulgada nesta terça-feira (27) mostrou o Ceará como o segundo estado brasileiro com maior crescimento em números de homicídios, com uma alta de 37,7% entre 2011 e 2012. Ficou ainda na terceira posição no índice de assassinatos, com uma taxa de 44,6 por grupo de 100 mil habitantes. Ao ler isso, imediatamente me veio à mente aquela canção da propaganda: “é assim que a gente faz, um novo Ceará…” É… O marketing realmente toca fundo nos labirintos da mente.

O estudo foi realizado pela Faculdade Latino-America de Ciências Sociais, a partir de dados consolidados pelo Ministério da Saúde em todo o país, relativos ao ano de 2012. Como em 2013 o quadro degenerou ainda mais no Ceará, conforme estatísticas da própria Secretaria de Segurança, a situação tende a piorar na edição de 2015. Mas o que temos já basta para comprovar a realidade que o cearense vive.

O todo e as partes
De modo geral, a violência cresceu no Brasil como um todo. Pulou de 49 mil homicídios em 2002 para 56 homicídios em 2012. São números estarrecedores, de guerra civil, que servem ainda para dar verossimilhança ao argumento defendido pelo governador Cid Gomes e seus liderados, para explicar a onda de crimes no Ceará. Para as nossas autoridades locais, como o fenômeno é nacional, com especial gravidade no Nordeste, a responsabilidade dos governos estaduais nesses resultados acabaria reduzida. Ocorre que o quadro geral esconde a heterogeneidade da distribuição desses crimes  no território nacional.

Ceará é o pior do NE
O aspecto mais interessante do Mapa da Violência é a oportunidade de comparar dados entre os estados. Assim, enquanto no Ceará a Taxa de Homicídios cresceu 36,5% entre 2011 e 2012, em Pernambuco esse índice caiu 5,1%, na Paraíba recuou 6,2% e em Alagoas despencou 10,4%! Nos demais estados do Nordeste que registraram alta nos assassinatos, todos ficaram abaixo do Ceará. Na região, a segunda maior taxa é de Sergipe, com 18,3%, metade da cearense! Ou seja, se a situação é ruim no Brasil como um todo e no Nordeste em particular, no Ceará é pior ainda. A diferença, nesses casos, é preciso dizer, tem nome: gestão!

Segurança e eleições
O tema segurança pública é o assunto das eleições estaduais neste ano. O governo tem buscado ações de curto prazo, um esforço na comunicação institucional e no campo político, vem procurando rebater com mais energia críticas de adversários.

Recentemente, o próprio governador Cid Gomes acusou de eleitoreiras as propagandas partidárias da oposição que tocaram no tema. O problema é que contra fatos, não há argumentos. Dizer que fez tudo o que era possível não cola mais, pois basta comparar nossa situação com a dos vizinhos. Pior ainda é insistir na conversa de que nunca tantos recursos foram investidos na área. É verdade, mas olhando os resultados obtidos, isso aos mais como uma confissão de incompetência. Pedir mais tempo é ridículo, afinal, lá se vão sete anos e meio de gestão (entre 2002 e 2012, os homicídios no Ceará cresceram 166%).

Eu poderia dar sugestões de como abordar o tema de outra forma. Mas aí seria pretensão demais. Afinal, o que não faltam no governo são equipes de assessores e de consultores de segurança, comunicação e marketing (“é assim que gente faz…”) muito bem pagos para orientar a gestão Cid Gomes como explicar a situação. Sabe como é: sem resultados concretos para apresentar, a saída é apostar na velha e boa lábia.

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Eleições no Ceará: o que reúne 22 partidos numa aliança?

Por Wanfil em Eleições 2014

26 de Maio de 2014

No Ceará, base governista tem 22 partidos aliados, unidos por um vício antigo em dose recorde.

Base aliada com 22 partidos unidos por vícios antigos, em doses recordes.

Numa demonstração de “força persuasiva”, o Pros do Ceará, sigla de aluguel que atualmente abriga Cid Gomes & Cia., reuniu outros 21 partidos na última sexta-feira (23) para falar de eleições. Marcaram presença PEN, PHS, PMN, PP, PPL, PPS, PRP, PRTB, PSC, PSD, PSDC, PSL, PT, PTdoB, DEM, PCdoB, PDT, PTB, PTC, PTN e SDD. É a sopa de letrinhas que abre o apetite de qualquer candidato majoritário disposto a bancar o prato.

O objetivo declarado do encontro foi a necessidade de uma discussão para trabalhar as diretrizes de um programa de governo para o candidato que representará a coalizão situacionista. Na verdade o evento serviu para que os aliados cobrassem do governador a definição de quem será o nome do candidato oficial, e também para mostrar ao PMDB de Eunício Oliveira que a base continua orbitando no centro de gravidade governista.

Por outro lado, o PMDB tem experiência nessas negociações. Sabe que nessas gigantescas alianças partidárias não é bem a fidelidade a princípios programáticos o que conta, mas a expectativa de poder. Assim, fazer reuniões com os partidos da base não significa obrigatoriamente que haja unidade nessa relação. Um exemplo é o próprio PT, que está dividido. Caso confirme apoio ao candidato de Cid, o diretório de Fortaleza já sinalizou que não pede votos para o Pros.

E o resto é o resto. Partidos inexpressivos do ponto de vista ideológico, mas que possuem, cada qual, seu pequeno quinhão de tempo de propaganda para traficar em busca de cargos nos acordos eleitorais.

Por isso, os aliados do governo continuam casados com o governo, mas acenam com piscadelas com outras forças, especialmente o PMDB. Nunca se sabe, né? Vai que o escolhido de Cid não decola…

Aparências
Enquanto isso, o Pros faz o velho jogo de cena que procura dar ares de profundidade conceitual ao acordo entre esses partidos. Na reunião ficou acertado que serão realizados mais três encontros para discutir temas como educação, saúde, segurança pública, etc, etc, etc…

Na verdade, o que todos querem mesmo é saber quem será o candidato oficial, para poder então fazer suas apostas, de olho em espaços em futuros governos. Esse teatro não é exclusividade do Pros. PT, PSB, PSDB e o próprio PMDB já o encenaram em outros momentos. Não falo isso para justificar a frouxidão moral que permeia esses acordões. É justamente para denunciá-la como prática antiga, levada agora à potência máxima no governo Cid Gomes, que quase não tem opositores. O vício não é novo, mas sua intensidade é inédita.

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Consagração do protesto-arruaça revela profunda crise de autoridade

Por Wanfil em Ceará

23 de Maio de 2014

Fortaleza foi mais uma vez vítima de uma ação violenta promovida por “estudantes” e pelo Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil, que tocaram o terror na cidade na tarde desta quinta-feira. As causas? Uns querem passe livre para andar de ônibus, os outros pedem reajuste salarial. Mas grande mesmo foi a ação do sindicato. Os estudantes (queria ver as notas…) foram no embalo.

Qual a diferença entre um sindicato que bloqueia vias públicas, ameaça jornalistas e transeuntes, apedreja carros, ataca prédios e enfrenta a polícia, de uma torcida organizada de futebol que barbariza nos estádios? Apesar dos métodos serem parecidos, há uma diferença que transforma, com razão, “torcedores” arruaceiros em vândalos criminosos, mas que magicamente faz de arruaceiros sindicalizados meros trabalhadores reivindicado melhores dias. Por que isso?

Caldo ideológico
Simples. É que existe uma distinção ideológica segundo a qual tudo o que diz respeito a sindicatos e afins deriva da luta de classes. O Brasil é definitivamente um subproduto cultural do marxismo. Em nome de um entendimento enviesado do que seria a “justiça social”, esses movimentos entendem que estão acima das leis, que são vistas, não raro, como entraves, poias constituídas pelas elites e tal. E assim, o interesse de classe lhes conferiria um senso de justiça telúrico e inquestionável.

Quantas vezes o MST jã não invadiu órgãos públicos cobrando repasse de verbas para assentamentos, sem prestar conta de como gastam esses recurso? E todos acham isso justíssimo. E ninguém toma providência para não parecer – cruz, credo! – de direita! Cotas raciais estabeleceram critérios legais de distinção pela cor e tudo é muito lindo. E como em nome de uma causa justa tudo é permitido, por que não impedir outras pessoas de ir e vir? Por que não apedrejar portas de jornais, como fez esse mesmo sindicato com o Diário do Nordeste em 2012? Aliás, por que não agredir profissionais da imprensa que estão registrando o vandalismo sem endossá-lo?

Quantos desses “manifestantes” foram presos ou pelo menos multados por seus atos de afronta à lei? Nenhum, pois na cabeça da maioria, eles não cometeram crimes, apenas… protestaram. De tanto adular o coitadismo dos movimentos sociais (que não representam a sociedade civil coisa nenhuma, mas sim interesses próprios e particulares), o poder público e a sociedade agora são reféns dessas, digamos, reivindicações truculentas.

Pega fogo, cabaré!
Se por um lado a base para a disseminação da violência desvairada como método válido de protesto para alguns grupos (só para alguns) é o refugo ideológico do marxismo, é preciso reconhecer que as velhas práticas da política brasileira, especialmente a corrupção e a impunidade, também agem para desgastar a tessitura das instituições, das autoridades e da própria ordem legal. Afinal, porque exigir compostura somente de vândalos, sem estender essa cobrança aos governantes? Ora, que se danem então, conclui o sujeito comum. “Pega fogo, cabaré”, diria um cearense mais exaltado.

Sim, é inegável o sentimento generalizado de descontentamento entre os brasileiros com os rumos do país. O cidadão comum saturou, chegou ao seu limite. Tanto que o inimaginável aconteceu: a Copa do Mundo da Fifa, que pretendia ser vitrine de um sucesso de um Brasil que não existe (a tal potência mais rica do que a Inglaterra), acabou virando vidraça. E disso se aproveitam diferentes grupos de arruaceiros, que acreditam que podem impor suas próprias regras aos demais, como se não existissem leis garantindo o direito à greve e a liberdade para protestar. É mais um passo rumo à degradação e não há quem saiba mais aonde poderemos chegar.

Crise de autoridade
Não, leis não faltam. Na verdade, sobram leis. O que falta é autoridade política, moral e institucional de quem deveria zelar pela ordem institucional no país e no Ceará. Como estão todos, ou quase todos, desmoralizados e desacreditados, aos poucos, e às vésperas da Copa, a desordem vai imperando.

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Consagração do protesto-arruaça revela profunda crise de autoridade

Por Wanfil em Ceará

23 de Maio de 2014

Fortaleza foi mais uma vez vítima de uma ação violenta promovida por “estudantes” e pelo Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil, que tocaram o terror na cidade na tarde desta quinta-feira. As causas? Uns querem passe livre para andar de ônibus, os outros pedem reajuste salarial. Mas grande mesmo foi a ação do sindicato. Os estudantes (queria ver as notas…) foram no embalo.

Qual a diferença entre um sindicato que bloqueia vias públicas, ameaça jornalistas e transeuntes, apedreja carros, ataca prédios e enfrenta a polícia, de uma torcida organizada de futebol que barbariza nos estádios? Apesar dos métodos serem parecidos, há uma diferença que transforma, com razão, “torcedores” arruaceiros em vândalos criminosos, mas que magicamente faz de arruaceiros sindicalizados meros trabalhadores reivindicado melhores dias. Por que isso?

Caldo ideológico
Simples. É que existe uma distinção ideológica segundo a qual tudo o que diz respeito a sindicatos e afins deriva da luta de classes. O Brasil é definitivamente um subproduto cultural do marxismo. Em nome de um entendimento enviesado do que seria a “justiça social”, esses movimentos entendem que estão acima das leis, que são vistas, não raro, como entraves, poias constituídas pelas elites e tal. E assim, o interesse de classe lhes conferiria um senso de justiça telúrico e inquestionável.

Quantas vezes o MST jã não invadiu órgãos públicos cobrando repasse de verbas para assentamentos, sem prestar conta de como gastam esses recurso? E todos acham isso justíssimo. E ninguém toma providência para não parecer – cruz, credo! – de direita! Cotas raciais estabeleceram critérios legais de distinção pela cor e tudo é muito lindo. E como em nome de uma causa justa tudo é permitido, por que não impedir outras pessoas de ir e vir? Por que não apedrejar portas de jornais, como fez esse mesmo sindicato com o Diário do Nordeste em 2012? Aliás, por que não agredir profissionais da imprensa que estão registrando o vandalismo sem endossá-lo?

Quantos desses “manifestantes” foram presos ou pelo menos multados por seus atos de afronta à lei? Nenhum, pois na cabeça da maioria, eles não cometeram crimes, apenas… protestaram. De tanto adular o coitadismo dos movimentos sociais (que não representam a sociedade civil coisa nenhuma, mas sim interesses próprios e particulares), o poder público e a sociedade agora são reféns dessas, digamos, reivindicações truculentas.

Pega fogo, cabaré!
Se por um lado a base para a disseminação da violência desvairada como método válido de protesto para alguns grupos (só para alguns) é o refugo ideológico do marxismo, é preciso reconhecer que as velhas práticas da política brasileira, especialmente a corrupção e a impunidade, também agem para desgastar a tessitura das instituições, das autoridades e da própria ordem legal. Afinal, porque exigir compostura somente de vândalos, sem estender essa cobrança aos governantes? Ora, que se danem então, conclui o sujeito comum. “Pega fogo, cabaré”, diria um cearense mais exaltado.

Sim, é inegável o sentimento generalizado de descontentamento entre os brasileiros com os rumos do país. O cidadão comum saturou, chegou ao seu limite. Tanto que o inimaginável aconteceu: a Copa do Mundo da Fifa, que pretendia ser vitrine de um sucesso de um Brasil que não existe (a tal potência mais rica do que a Inglaterra), acabou virando vidraça. E disso se aproveitam diferentes grupos de arruaceiros, que acreditam que podem impor suas próprias regras aos demais, como se não existissem leis garantindo o direito à greve e a liberdade para protestar. É mais um passo rumo à degradação e não há quem saiba mais aonde poderemos chegar.

Crise de autoridade
Não, leis não faltam. Na verdade, sobram leis. O que falta é autoridade política, moral e institucional de quem deveria zelar pela ordem institucional no país e no Ceará. Como estão todos, ou quase todos, desmoralizados e desacreditados, aos poucos, e às vésperas da Copa, a desordem vai imperando.