Ceará Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Ceará

Aliados no Ceará silenciam no day after de Lula

Por Wanfil em Política

05 de Abril de 2018

No dia que se seguiu à derrota de Lula no STF, a repercussão política no Ceará foi muito discreta. Onde estão aqueles que durante anos pediram votos e fizeram festa orbitando ao redor do petismo, ou mais precisamente, do lulismo no Estado?

Não houve notas, coletivas ou protestos por parte desses aliados. Não houve endosso formal e público às manifestações de repúdio contra a decisão da Suprema Corte. É tudo muito recente, eu sei, mas o calor do momento, especialmente com o ultimato do juiz Sérgio Moro para que o ex-presidente se entregue à Polícia Federal para dar início ao cumprimento de pena, é fundamental para reverberar a mensagem de solidariedade.

É óbvio que esses partidos já estavam preparados para assimilar qualquer desfecho no julgamento, especialmente aqueles que pretendem ter candidatura própria ao Palácio do Planalto, como é o caso do PDT, maior partido no Ceará. Todos disputam o espólio eleitoral do ex-presidente, ms temem o desgaste de associar-se nesse instante a alguém condenado e caminhando para a prisão por crimes de corrupção e lavagem de dinheiro.

Como especula-se que manobras e reviravoltas ainda são possíveis no segundo semestre, quando Dias Toffoli assumira a presidência do STF, os companheiros de outrora preferem esperar quietinhos para ver no que vai dar.

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Vamos falar de “fake news” sem esquecer das “fake promises”

Por Wanfil em Política

02 de Abril de 2018

Refinaria Premium: exemplo de fake promises que rendeu votos e gerou fake news

De olho nos riscos da disseminação de informações pelas redes em ano eleitoral, a Assembleia Legislativa realizou nesta segunda o seminário “Os desafios da comunicação frente ao fenômeno fake news e o uso consciente das mídias sociais”.

A criação e divulgação inescrupulosa de boatos disfarçados de notícias sobre adversários é prática antiga nas disputas eleitorais, agora tremendamente potencializada pela Internet. Por isso, quanto mais as pessoas estiverem informadas desses riscos, mais cuidado podem ter na hora de avaliar, checar e compartilhar esse conteúdo.

O debate, portanto, é tão importante que deveria ser ampliado, com a realização de outros encontros. Tenho até uma sugestão. Mentiras com objetivos eleitoreiros, por exemplo, poderiam ser objeto de um valiosíssimo seminário sobre “fake promisses”, para discutir os truques mais utilizados por marqueteiros e candidatos na hora de confeccionar falsas promessas de campanha.

Um case inesquecível seriam as propagandas com imagens de computação e números fabulosos da refinaria da Petrobras no Ceará, utilizadas em diversas eleições e que gerou, vejam só, inúmeras fake news (com detalhes sobre geração de empregos e impacto no PIB). O negócio foi tão convincente que o próprio parlamento estadual, ao perceber a furada, reagiu e criou um concurso de redações estudantis sobre a importância da refinaria, que tinha até uma pedra fundamental falsa, ou fake foudation stone, para não esquecermos essa mania de falar em inglês.

Talvez um seminário sobre fake CPIs (como a do Narcotráfico) feitas para barrar CPIs incômodas (como a do Acquario Ceará) também fosse oportuno, mas esses casos não estão diretamente relacionados ao processo eleitoral.

De todo modo, fica a dica. Quando o assunto é mentira para enganar eleitores, assunto não falta.

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Virou rotina

Por Wanfil em Crônica

27 de Março de 2018

A rotina da insegurança e a lição de Santo Tomás: “o hábito aperfeiçoa a malícia”

Em resposta à recente onda de ataques criminosos no Ceará, o governador Camilo Santana voltou ao Facebook para defender as iniciativas de sua gestão. Uma rápida pesquisa no Google mostra que essa dinâmica de agressões ao Estado seguidas de explicações oficiais nas redes sociais virou uma espécie de rotina. Vez por outra se repete, não obstante os esforços e investimentos anunciados.

Santo Tomás de Aquino, na Suma Teológica IV, explica que “o hábito mau é pior do que os atos viciosos que logo passam”, porquanto “o hábito aperfeiçoa o ato em sua bondade ou em sua malícia”.

É claro que o governo não tem intenções maldosas no que diz respeito à crise na segurança, mas isso não muda o fato de que estamos diante de um mau hábito involuntário, no sentido de rotina. Assim, ser fizermos um paralelo com o tomismo, mais preocupante do que os atos criminosos em si, coordenados a partir de grupos organizados, é a sua repetição sistemática. Ônibus e prédios públicos como alvos para criar medo e constrangimento político.

Dito de outra forma, o problema é a falta de solução eficaz ou de ações que pelo menos o amenizem. Ainda de acordo com São Tomás de Aquino, “o hábito está no meio entre a potência e o ato”. Existe, portanto, o mal em potencial. Na comparação com os problemas de segurança pública no Ceará e no Brasil, essa potência se apresenta nas articulações do crime organizado, especialmente dentro dos presídios. Para que o mal não degenere em hábito, é preciso pois separar a potência do ato.

Amém.

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Segurança pública e eleições no Ceará: novas ideias, novas conquistas

Por Wanfil em Eleições 2018

20 de Março de 2018

Os péssimos resultados na área da segurança pública obrigaram o Governo do Ceará a reescrever seu discurso, com o duplo objetivo de reduzir o desgaste de imagem e impedir que opositores possam se beneficiar eleitoralmente da situação.

Seguidas campanhas eleitorais alimentaram na população uma expectativa de soluções de curto e médio prazos que não se concretizou, gerando imensa frustração. A menos de oito meses para as eleições, dificilmente o quadro agudo de insegurança será revertido. Não podendo mudar a realidade em tempo hábil, o jeito é mudar a conversa.

Dessa forma, mais do que meras desculpas de gestores sem resultados, as cobranças de apoio federal e as explicações sobre a complexidade do problema, com “décadas de falta de planejamento”, procuram constituir antes uma vacina contra eventuais candidaturas da oposição.

Convencer o público de que ninguém – notadamente governos estaduais – é capaz de resolver o problema da segurança, sugerindo que agora, somente agora, promessas nesse sentido são demagógicas e “exploração da desgraça”, é a melhor forma de desestimular, no eleitor, a vontade de mudar.

São novas ideias para novas conquistas… eleitorais.

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No Teatro do Acordão Ciro e Eunício agora se respeitam pelo bem do Ceará

Por Wanfil em Política

06 de Março de 2018

A arte de encenar requer muitas máscaras

Novos atos do Teatro do Acordão no Ceará foram encenados neste início de março. Ciro Gomes fala em agradecimento e diálogo com Eunício Oliveira, que por sua vez, fica feliz com o reconhecimento do presidenciável do PDT. Tudo devidamente registrado pela imprensa.

Por que chamo a isso de teatro? Simples. Pela contradição entre o novo e o velho discurso de ambos. Antes e continuar, faço uma ponderação.

Romper e reatar relações políticas é normal até um certo limite. É possível um partido discordar de um ponto programático de um ex-aliado e depois, em outra circunstância, estabelecer um acordo em nome de pontos convergentes. É perfeitamente aceitável uma pessoa rever posições e mudar de opinião. E em muitos casos, até mesmo um adversário em comum pode servir de elo estratégico em determinado momento. Isso é política.

Coisa muito diferente é um rompimento justificado por objeções de natureza ética ou moral. Ciro dizia até recentemente que Eunício era corrupto e membro de uma quadrilha que precisava ser banida da vida. Eunício rebatia chamando Ciro de desequilibrado e questionando a fonte de renda do adversário para insinuar discrepância entre receitas e despesas de seu desafeto. Não eram, portanto, meras divergências ideológicas ou conceituais sobre problemas específicos, mas considerações sobre falhas de caráter.

E o que os fez mudar? Segundo eles mesmos, a defesa dos interesses do Estado do Ceará e dos cearenses, que estariam acima de diferenças pessoais. O fato de haver eleições neste ano seria somente uma coincidência. Nessa peça fica difícil é saber onde termina a comédia e onde começa a tragédia.

Curiosamente, até o momento, nenhum dos dois disse que estavam errados ou que pelo menos que exageraram. Voltam assim a acenar com a possibilidade de voltarem a compartilhar o mesmo projeto político, sem retirarem nada do que disseram um do outro. É muito amor pelo Ceará.

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Começou a chuva… de promessas

Por Wanfil em Política

23 de Fevereiro de 2018

Quem acompanha o noticiário já deve ter observado que se intensificaram os anúncios de centenas de milhões e milhões e milhões de reais de verbas federais para o Ceará. A última cifra estava em R$ 1,7 bilhão. Ocasiões sempre festivas que viram palco para apresentar a reaproximação do PT e PDT com o MDB no estado como uma necessidade incontornável, com seus protagonistas colocando o interesse coletivo acima das questões pessoais.

Não custa lembrar, porém, que o governo federal avisou que sem a reforma da Previdência o Orçamento para 2019 sofrerá um corte de R$ 14 bi. Como a votação ficou para depois das eleições, ou mesmo para a próxima gestão, é bem possível que o aperto fiscal comece já neste ano, com os habituais contingenciamentos de gastos.

Como PT e PDT são contra a reforma, atuam, de acordo com o MDB, para comprometer a saúde fiscal do País, dificultando a execução dos que foi anunciado, ou melhor, prometido para estados e municípios.

A união em nome da atração de investimentos e a sublimação das diferenças para superar crises são posturas desejáveis. O problema é quando se manifestam apenas em ano eleitoral, permitindo chuvas de anúncios grandiosos, sem que ninguém lhes testemunhe a colheita.

Por isso, para quem já foi enganado com promessas alvissareiras e redentoras, como a refinaria da Petrobras ou a inauguração da transposição do São Francisco, o melhor mesmo é ver antes para crer depois. 

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Força-Tarefa no Ceará: a palavra-chave é Controle

Por Wanfil em Segurança

19 de Fevereiro de 2018

A Força-Tarefa com 36 homens enviada pelo Governo Federal ao Ceará para ajudar (ou assumir?) a área da inteligência na segurança pública é boa notícia, pois a necessidade realmente existe. Isso é consenso. A questão, política, está no intervalo entre o anúncio desse reforço e seus resultados. Esse intervalo será palco de uma disputa de “narrativas” na composição dos discursos eleitorais.

De cara, a iniciativa repercute politicamente nas seguintes questões: 1) há o reconhecimento de que o Estado não tem mesmo condições de combater sozinho as facções, ou seja, nem tudo está sob controle como garante o governo; 2) essa responsabilidade está doravante compartilhada com o governo federal, que assume o controle na frente investigativa, embora todos neguem que haja transferência de controle; 3) o governo cearense ganha tempo diante das cobranças por redução nos crimes (e se for o caso, qualquer ônus por eventual insucesso será transferido para os federais); 4) reforça, neste início, a imagem do senador Eunício Oliveira, que controla a mediação entre o presidente Michel Temer e Camilo Santana. Em caso de insucesso, ou de agravamento nos índices, o senador poderá ser cobrado junto com o Governo Federal.

O risco, como já disse, reside na possibilidade de fracasso. Foi gerada muita expectativa em cima da atuação federal. Em tese, a oposição poderia se beneficiar, mas precisa tomar cuidado e controlar a ansiedade para não ser acusada de torcer contra, portanto, tem que se mostrar propositiva e até, por incrível que pareça, colaborativa. Por outro lado, sem prazos definidos ou metas claras (na primeira entrevista nada foi apresentado nesse sentido), a presença da Força-Tarefa pode alimentar aquele tipo de lorota que os cearenses escutam há onze anos, de que tudo está sendo feito e que os efeitos pacificadores vão aparecer logo, logo. Tomara que dessa vez apareçam, é claro, pelo bem de todos.

Resumindo, o governo diz que tem o controle da situação, mesmo assim pede a ajuda da Força-Tarefa para manter o controle, sem que se anunciem quais são as metas para o controle de avaliação, na expectativa de reduzir o controle das facções.

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Deputados estaduais evitam CPI do Narcotráfico por medo das facções. Mas o salário…

Por Wanfil em Ceará

16 de Fevereiro de 2018

“Assim não, pessoal!”, diria Max Weber

O maior problema hoje no Ceará é a segurança pública, fato comprovado pelos sucessivos recordes de violência. Chegou-se a um ponto em que o próprio líder do governo na Assembleia Legislativa, Evandro Leitão (PDT), ao rebater críticas do  Capitão Wagner (PR), confessou ter medo de assinar a CPI do Narcotráfico: “É muito fácil estar se cobrando nesta Casa a CPI do Narcotráfico. Eu botar minha assinatura, não boto, não. Eu tenho três filhos para criar, eu tenho um neto, eu não ando com segurança 24 horas do meu lado”.

A declaração contradiz o discurso oficial que estaria “tudo sob controle”, mas isso é lá com eles da base aliada. E o deputado não é o único. Silvana Oliveira (MDB) já posicionou em plenário contra a investigação alegando que o assunto é perigoso. Na verdade esse sentimento é partilhado por muitos outros deputados que não se manifestam para preservar o governo, mas que também não assinam o pedido de jeito nenhum.

É compreensível. Em 2016 um carro bomba foi deixado ao lado da Assembleia como recado das facções contra a instalação de bloqueadores de celulares nos presídios. A questão é que deputados são autoridades que encarnam o poder legislativo e que representam os cidadãos do estado. Se não querem, por medo, enfrentar o problema mais urgente dos seus representados – um medo que, repito, é compreensível –, não podem seguir na condição de representantes do povo. É um imperativo moral que renunciem aos cargos aqueles que não desejarem o início da CPI, obrigação imposta pelas circunstâncias e pelos cargos que ocupam.

Antes de continuar, faço um breve desvio: Max Weber observou a tensão entre o que chamou de Ética da Convicção e Ética da Responsabilidade. Para resumir, a primeira diz respeito as decisões individuais, e a segunda, no caso das autoridades, versa sobre decisões que deve ser tomadas para o bem geral. Por exemplo: um pacifista convencido de jamais reagir a uma agressão, uma vez na condição de presidente, estaria obrigado a declarar guerra caso seu país fosse atacado por outra nação, situação em que a ética pessoal estaria vencida pela ética da função que exerce.

Voltando ao Ceará, certamente a CPI não seria a solução mágica da qual os governistas, com impressionante desfaçatez, se dizem injustamente cobrados (quem afinal cobrou isso?), mas seria um esforço a mais em busca de uma política de segurança realmente eficaz. 

Imaginem Vossas Excelências que comunidades inteiras vivem sob a lei do estado paralelo do crime, que diariamente testemunham execuções. Lembrem-se de que existem crianças no Ceará que arriscam a vida para ir a escola. O risco existe, sim. Realmente é um tema perigoso. E por isso mesmo seu enfrentamento é necessário.

Não dá pra ficar escolhendo qual tema é mais confortável discutir, que problema é conveniente ou não, e depois ainda receber no final do mês o generoso salário de parlamentar (com seus penduricalhos), enquanto os cearenses, além de pagar a conta, permanecem expostos a uma taxa de violência que não para de crescer.

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Foi Camilo quem pediu votos prometendo uma política de segurança pública. Se não cumpriu…

Por Wanfil em Segurança

31 de Janeiro de 2018

O empenho da gestão Camilo Santana em terceirizar responsabilidades pelo caos na segurança pública do Ceará é tão intenso e nervoso que acaba tendo efeito contrário, fica parecendo desculpa. Ainda mais quando nenhuma autocrítica é feita. Inacreditavelmente governador e assessores (muitos sem experiência política) insistem em dizer que as melhores medidas foram adotadas, que tudo está sob controle e coisas do tipo, sem explicar como tantos acertos conseguiram produzir os piores índices para a área. O discurso não se encaixa nos fatos, isso é óbvio.

Na ânsia de projetar falhas nos outros, o governo esquece de reconhecer os próprios equívocos. Isso não exime o Governo Federal de sua parcela de responsabilidade nesse quadro. O problema é que da forma como o assunto é denunciado por autoridades locais, e na medida em que o governo Federal diz que pode ajudar se o Estado pedir, a impressão é de que todos estão mais preocupados nesse momento de crise em fugir de cobranças do que em resolver mesmo o problema.

Sem contar que os discursos do presente não combinam com as abordagens de outros momentos, principalmente os períodos eleitorais, o que aumenta a desconfiança geral. Se hoje o Governo do Ceará reclama ostensivamente do Governo Federal, é bom lembrar que até 2016 (ano do impeachment) isso era proibido, por pura conveniência política, pois as estatísticas no Estado já estavam entre as piores do país desde 2007, sem que jamais os então aliados do Palácio do Planalto associassem segurança pública com as gestões Lula ou Dilma. Se antes não havia conexão direta, agora fica complicado tentar estabelecê-la.

Outro ponto: entre o final do governo Cid e o início da gestão Camilo, quando houve uma breve redução nos homicídios, resultado de um frágil acordo entre as facções (que o governo negava na intenção de levar todos os méritos), ninguém do Executivo parabenizou o Judiciário, o Legislativo ou a Polícia federal. Era tudo pois obra do governo estadual. Assim, por que não haveria também de ser quando as coisas pioram?

Por último, nas campanhas eleitorais os principais candidatos sempre destacam o protagonismo do Estado nas políticas de segurança, prometendo ações, programas e liderança. Com Camilo não foi diferente. Por isso tudo, a repentina lembrança de que existe uma divisão de responsabilidades acaba com jeito de tentativa de inverter culpas.

Não adianta. Quem prometeu e não cumpriu sempre estará em dívida. Fica a lição para as próximas eleições.

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Governo atarantado após Chacina das Cajazeiras

Por Wanfil em Segurança

29 de Janeiro de 2018

As entrevistas e declarações de autoridades cearenses depois da chacina das Cajazeiras, em Fortaleza, foram desastrosas para a imagem do governo do Ceará, pelo menos nesse primeiro instante. Se a intenção foi conter danos, o tiro saiu pela culatra. Tiro no sentido metafórico.

O secretário de Segurança Pública, André Costa, comparou o episódio aos atentados terroristas nos países desenvolvidos, igualando crimes de naturezas distintas. O governador Camilo Santana se irritou com um repórter da Folha de São Paulo durante entrevista coletiva, que perguntou sobre a capacidade de controle do Estado diante desse quadro de violência. Segundo Camilo, tudo está sob controle e o governo “tem todas as informações em relação ao que acontece de homicídios, todos os dias no Estado, por área, por hora, por região, por cidade e por bairro”. Há uma evidente confusão entre informação e controle, no sentido de contenção, de afirmação do poder público sobre o todo o território no estado.

Manifestações precipitadas, disparadas (sentido literal, novamente) no calor do momento, revelam que a reação diante da repercussão negativa na imprensa nacional e internacional, especialmente no Jornal Nacional, da Rede Globo, se deu na base do improviso. Nada disso aconteceu quando se anunciou o balanço de homicídios de 2017, com alta de 50% em relação ao ano anterior, perfazendo o recorde de cinco mil assassinatos. Ninguém deu coletiva ou formou força-tarefa. Nada aconteceu, embora os índices exigissem medidas emergenciais. Se agora é diferente, é por causa da repercussão em ano eleitoral.

Pela complexidade do problema, com a multiplicidade de diagnósticos e de intervenções possíveis, a segurança pede mesmo um profundo debate com setores organizados da sociedade, como se propõe a fazer a força-tarefa anunciada às pressas pelo governo. Mas ao fazer isso somente no último ano da atual gestão, tem-se a impressão de que o governo perdeu o timing para propor mudanças. Acossado pelos fatos, corre atarantado, batendo cabeça, atrás de novas desculpas e novos culpados para a escalada da violência no Ceará.

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Governo atarantado após Chacina das Cajazeiras

Por Wanfil em Segurança

29 de Janeiro de 2018

As entrevistas e declarações de autoridades cearenses depois da chacina das Cajazeiras, em Fortaleza, foram desastrosas para a imagem do governo do Ceará, pelo menos nesse primeiro instante. Se a intenção foi conter danos, o tiro saiu pela culatra. Tiro no sentido metafórico.

O secretário de Segurança Pública, André Costa, comparou o episódio aos atentados terroristas nos países desenvolvidos, igualando crimes de naturezas distintas. O governador Camilo Santana se irritou com um repórter da Folha de São Paulo durante entrevista coletiva, que perguntou sobre a capacidade de controle do Estado diante desse quadro de violência. Segundo Camilo, tudo está sob controle e o governo “tem todas as informações em relação ao que acontece de homicídios, todos os dias no Estado, por área, por hora, por região, por cidade e por bairro”. Há uma evidente confusão entre informação e controle, no sentido de contenção, de afirmação do poder público sobre o todo o território no estado.

Manifestações precipitadas, disparadas (sentido literal, novamente) no calor do momento, revelam que a reação diante da repercussão negativa na imprensa nacional e internacional, especialmente no Jornal Nacional, da Rede Globo, se deu na base do improviso. Nada disso aconteceu quando se anunciou o balanço de homicídios de 2017, com alta de 50% em relação ao ano anterior, perfazendo o recorde de cinco mil assassinatos. Ninguém deu coletiva ou formou força-tarefa. Nada aconteceu, embora os índices exigissem medidas emergenciais. Se agora é diferente, é por causa da repercussão em ano eleitoral.

Pela complexidade do problema, com a multiplicidade de diagnósticos e de intervenções possíveis, a segurança pede mesmo um profundo debate com setores organizados da sociedade, como se propõe a fazer a força-tarefa anunciada às pressas pelo governo. Mas ao fazer isso somente no último ano da atual gestão, tem-se a impressão de que o governo perdeu o timing para propor mudanças. Acossado pelos fatos, corre atarantado, batendo cabeça, atrás de novas desculpas e novos culpados para a escalada da violência no Ceará.