carro pipa Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

carro pipa

Quixeramobim sem água e sem obras: retrato do “novo Ceará”

Por Wanfil em Ceará

22 de setembro de 2015

AS promessas de salto para o novo Ceará, assim como o açude Quixeramobim, secaram. Foto: Jamandsa, moradora de Quixeramobim

As promessas de salto para o novo Ceará, assim como o açude Quixeramobim, secaram. Foto: Jamandsa, moradora de Quixeramobim

Os açudes que abastecem Quixeramobim, no Sertão Central do Ceará, secaram. Seus habitantes agora dependem integralmente dos carros-pipa ou da compra de água engarrafada.

No dia 13 de junho passado, durante os festejos de Santo Antônio, o governador Camilo Santana (PT), anunciou uma nova adutora para a cidade que traria, até o final do ano, água do açude Pedras Brancas, na vizinha Quixadá. Nesse mesmo dia o governador visitou as instalações do Hospital Regional do Sertão Central, construído em Quixeramobim, onde garantiu que falaria com a presidente Dilma Rousseff (PT) para que a unidade, inaugurada por Cid Gomes (saindo do PROS para o PDT), mas que não funciona por falta de verbas, recebesse o reforço de recursos federais. As conversas com a presidente não renderam muita coisa, já que a prioridade do Planalto é evitar um processo de impeachment por fraudes fiscal e eleitoral.

Retrato
Apesar da expectativa, o hospital continua parado e a adutora, até o momento, nem sequer começou a ser construída. A seca não esperou até o final do ano. Quixeramobim é o retrato do “novo Ceará” prometido à população nas últimas três eleições nacionais, estaduais e municipais.

Ninguém é culpado pela seca, evidente, mas também é óbvio que se trata de fenômeno recorrente no Nordeste. Surpresa, portanto, é que não é. Aliás, indo mais além, as autoridades sempre souberam da gravidade da atual estiagem, mas preferiram passar os últimos três anos dizendo que tudo estava sob controle, enquanto as reservas hídricas caíam drasticamente, irresponsabilidade semelhante a que aconteceu em São Paulo, do governador Geraldo Alckmin (PSDB), com o agravante de que lá seca é incomum.

E que ninguém se engane: a região metropolitana de Fortaleza segue o mesmo roteiro de imprevidência, com risco no abastecimento a partir do próximo ano, mas pouco se fala sobre o assunto. Nada de racionamento ou de campanhas pesadas contra o desperdício.

Imprevidência
Em outros municípios cearenses, adutoras foram construídas antes de a água acabar, mas tudo feito às pressas, tanto que algumas apresentam problemas constantes. Diante disso, é de se esperar, por pudor, que nenhum gestor federal, estadual ou municipal venha posar de herói por ações emergenciais, porque seca não é desastre repentino. Correr agora para contratar mais carros-pipa ou construir mais adutoras, é prova material da imprevidência dos que tinham que ter atuado antes e não o fizeram.

Pagar o pato
Quando as autoridades dizem que o problema é a falta de dinheiro para esconder a própria incompetência ou a incompetência de seus antecessores e aliados, dizendo ainda que a solução é aumento de impostos, lembre-se desses vídeos, feitos para a campanha “Eu não vou pagar o pato”, da Fiesp. Não esbarramos na crise por acaso. Fomos conduzidos a ela por esses governantes, que pedem que os prejudicados paguem o pato.

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Ministro da Integração Nacional explica por que é natural que cearenses bebam água contaminada

Por Wanfil em Ceará

25 de novembro de 2014

O ministro na Integração Nacional, Francisco Teixeira, participou na última segunda-feira (24) de reunião do Comitê Integrado de Combate à Estiagem, realizada em Fortaleza.

Na ocasião, ao comentar a constatação de que metade da água distribuída por carros pipa no Ceará é imprópria para consumo humano, Teixeira, com a autoridade de quem representa o governo federal nas ações contra a seca, mandou ver: “Quando diminui a quantidade [de água ofertada], é natural que diminua a qualidade. E fica cada vez mais difícil encontrar água de qualidade”. E aí, o que dizer? Parece até uma constatação técnica incontornável, mas não passa de evasiva para evitar cobranças. Fosse um sertanejo obrigado a buscar água em poças sujas, a explicação seria até razoável, mas como se trata de um ministro, sinto dizer, a resposta beira ao cinismo, afinal, se a baixa qualidade é natural nessas circunstâncias, o que não é admissível é o seu consumo por seres humanos. Estamos – não custa lembrar – no Século 21.

Acontece que as coisas não param por aí. Com o propósito de mostrar que o governo não se rende às fatalidades do clima, Teixeira continua: “Pra isso [encontrar água de qualidade] a operação carro pipa busca o máximo possível ir atrás de água nos sistemas convencionais de distribuição de água: adutoras da Cagece no Ceará, por exemplo”.

O que isso quer dizer? Nada! Pior: significa dizer que a oferta de água tratada é limitada e pronto. Quem não puder ser atendido pela Cagece, paciência!, afinal, o Ministério da Integração Nacional fez o “máximo possível”.

Por fim, para não perder o hábito deste governo, a conclusão da transposição do Rio São Francisco foi prometida para o final de 2015. Como a obra está atrasadíssima – deveria ter ficado pronta em 2010 – e seu cronograma já foi alterado diversas vezes, o melhor é desconfiar e não baixar a guarda na hora de cobrar celeridade.

No momento em que a gestão Dilma vive uma crise fiscal sem precedentes e já anuncia um ano de corte de despesas, um bom começo seria pedir que ministros saíssem de Brasília somente em casos de necessidade real. A visita de Francisco Teixeira ao Ceará, por exemplo, não passou de gasto desnecessário de dinheiro público com passagens e hospedagem. Não disse nada de novo, não inaugurou nada, não trouxe coisa alguma. Foi somente mais do mesmo e solução que é bom, nada.

Na reunião do tal Comitê especialista em cisternas e carros pipa, todos foram devidamente servidos de água mineral. Sabe como é…

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Ministro da Integração Nacional explica por que é natural que cearenses bebam água contaminada

Por Wanfil em Ceará

25 de novembro de 2014

O ministro na Integração Nacional, Francisco Teixeira, participou na última segunda-feira (24) de reunião do Comitê Integrado de Combate à Estiagem, realizada em Fortaleza.

Na ocasião, ao comentar a constatação de que metade da água distribuída por carros pipa no Ceará é imprópria para consumo humano, Teixeira, com a autoridade de quem representa o governo federal nas ações contra a seca, mandou ver: “Quando diminui a quantidade [de água ofertada], é natural que diminua a qualidade. E fica cada vez mais difícil encontrar água de qualidade”. E aí, o que dizer? Parece até uma constatação técnica incontornável, mas não passa de evasiva para evitar cobranças. Fosse um sertanejo obrigado a buscar água em poças sujas, a explicação seria até razoável, mas como se trata de um ministro, sinto dizer, a resposta beira ao cinismo, afinal, se a baixa qualidade é natural nessas circunstâncias, o que não é admissível é o seu consumo por seres humanos. Estamos – não custa lembrar – no Século 21.

Acontece que as coisas não param por aí. Com o propósito de mostrar que o governo não se rende às fatalidades do clima, Teixeira continua: “Pra isso [encontrar água de qualidade] a operação carro pipa busca o máximo possível ir atrás de água nos sistemas convencionais de distribuição de água: adutoras da Cagece no Ceará, por exemplo”.

O que isso quer dizer? Nada! Pior: significa dizer que a oferta de água tratada é limitada e pronto. Quem não puder ser atendido pela Cagece, paciência!, afinal, o Ministério da Integração Nacional fez o “máximo possível”.

Por fim, para não perder o hábito deste governo, a conclusão da transposição do Rio São Francisco foi prometida para o final de 2015. Como a obra está atrasadíssima – deveria ter ficado pronta em 2010 – e seu cronograma já foi alterado diversas vezes, o melhor é desconfiar e não baixar a guarda na hora de cobrar celeridade.

No momento em que a gestão Dilma vive uma crise fiscal sem precedentes e já anuncia um ano de corte de despesas, um bom começo seria pedir que ministros saíssem de Brasília somente em casos de necessidade real. A visita de Francisco Teixeira ao Ceará, por exemplo, não passou de gasto desnecessário de dinheiro público com passagens e hospedagem. Não disse nada de novo, não inaugurou nada, não trouxe coisa alguma. Foi somente mais do mesmo e solução que é bom, nada.

Na reunião do tal Comitê especialista em cisternas e carros pipa, todos foram devidamente servidos de água mineral. Sabe como é…