Carnaval Archives - Blog do Wanfil 
Publicidade

Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Carnaval

Depois do Carnaval

Por Wanfil em Crônica

01 de Março de 2019

Pierrot – (FOTO: Flickr/Creative Commons/Robert Couse-Baker)

É Carnaval e todo o resto fica para depois. Nada contra. Na verdade, para quase todos, é um fugaz alívio.

Para os políticos em geral (já que sou articulista de política) o Carnaval é o fim do hiato que anuncia a próxima corrida eleitoral. Passada a de 2018, as atenções se voltam para a de 2020, nos municípios. É que o ano – como dizem – só começa mesmo, para quem pode, depois do Carnaval.

Depois do Carnaval os problemas de sempre permanecem. As desculpas também são sempre as mesmas. E as caras igualmente. Sobretudo no Ceará, onde quase todos são governistas, qualquer que seja o governo. São os “Unidos da Governança” desfilando na lúdica avenida do poder. Mais atrás, varrendo o asfalto, cronistas políticos e colunistas sociais, foliões, entidades sociais e eleitores seguem conformados, no ritmo da batucada, tão iguais quanto no Carnaval passado.

Não sei se é impressão minha, mas sinto um quê de depressão rondando o samba dessas linhas. Lembrei do Pierrô e sua lágrima ridícula, solitária. Sai daqui! Agora não é hora de pensar em nada disso. O Carnaval, como outras datas comemorativas, é também uma pausa na rotina. Alívio para os constrangimentos e humilhações do cotidiano. Alegria!

O cidadão comum – que não tem, a exemplo de parlamentares, recessos remuneradíssimos nem Carnaval de 12 dias; que não andam em carros blindados e seguranças para a família feito governantes – arrisca deixar algumas chateações de lado para relaxar um pouco.

O cidadão comum, esfolado pelos impostos do início do ano, pede um tempo para respirar fundo e conseguir, mais adiante, suportar novas apneias.

Pelo menos até a próxima eleição e o próximo Carnaval.

leia tudo sobre

Publicidade

“Fora Temer” foi o hit do Carnaval? Menos, gente…

Por Wanfil em Política

01 de Março de 2017

Foto utilizada pelo PT para ilustrar o “Fora Temer” de Carnaval. Sem bandeiras vermelhas ou cartazes. É a tentativa de construir um “enredo” para a imprensa (Fernando Maia/Riotur)

O site do PT publicou texto afirmando que “Fora Temer” foi o hit do Carnaval 2017, “mais do que qualquer outra música do verão”. Antes de embarcar em releases partidários é preciso rigor redobrado na avaliação dos fatos.

Sim, a expressão “Fora Temer” foi entoada como palavra de ordem aqui e ali. No entanto, não há nada que endosse o tom apoteótico e ensurdecedor sugerido pela agência petista. Além do mais, a irreverência crítica contra políticos é comum nos carnavais.

Temer consegue ser tão impopular quanto Dilma, conforme atestam as pesquisas. Além das manobras contra a Lava-Jato, pesa contra ele uma rejeição de base, que reúne eleitores do PT que o consideram traidor, com aqueles que não votaram em Dilma (e em Temer), indignados desde antes das eleições com a situação do País.

Simpatizantes e militantes do PT se misturaram a foliões de todos os credos para protestar contra a política, elegendo Temer como alvo. Foi isso. Não existe aí um “volta Lula”, que é o que se tenta construir agora. Cuidado, pessoal. Eles são bons em fabricar “narrativas”. Nesse caso, ainda em clima de Carnaval, são bons em criar enredos para a imprensa cantar.

leia tudo sobre

Publicidade

Máscaras de um eterno carnaval

Por Wanfil em Crônica

17 de Fevereiro de 2015

Máscaras de Dilma e Lula para o Carnaval 2015.   (Efeito sobre foto/Fernando Maia/UOL).

Máscaras de Dilma e Lula para o Carnaval 2015: “Diz: não me conheces?”
(Efeito sobre foto/Fernando Maia/UOL).

Em 1919, Manuel Bandeira publicou “Carnaval”. Um dos poemas de que mais gosto nele é “Mascarada”. A fina ironia do texto mostra que as máscaras transcendem o próprio carnaval, mas que, às vezes, elas podem não servir para ludibriar desavisados.

Em 2015 os brasileiros comemoram o carnaval enquanto cai a máscara do marketing eleitoral de governistas que anunciaram folias consumistas e apoteóticos desfiles de ufanismo, mas que entregaram recessão, déficits, vexames e cinzas.

O velho Bandeira continua atual e eterno como o carnaval com suas máscaras de Graça Foster e Nestor Cerveró, retratos de uma promiscuidade que desafia até o mais despudorado folião. Por isso, reproduzo aqui o poema “Mascarada”, do grande Manuel Bandeira. Vale sobretudo para exames de consciência individual, mas também serve para refletirmos sobre a conjuntura atual na política brasileira. Em especial para os mascarados das últimas eleições.

Mascarada

Você me conhece?
(Frase dos mascarados de antigamente)

Manuel Bandeira alertava: não se deixe enganar pelas máscaras, que carnaval é ilusão.

Manuel Bandeira: Cuidado com as máscaras!

– Você me conhece?
– Não conheço não.
– Ah, como fui bela!
Tive grandes olhos,
que a paixão dos homens
(estranha paixão!)
Fazia maiores…
Fazia infinitos.
Diz: não me conheces?
– Não conheço não.

– Se eu falava, um mundo
Irreal se abria
à tua visão!
Tu não me escutavas:
Perdido ficavas
Na noite sem fundo

Do que eu te dizia…
Era a minha fala
Canto e persuasão…
Pois não me conheces?
– Não conheço não.
– Choraste em meus braços
– Não me lembro não.

– Por mim quantas vezes
O sono perdeste
E ciúmes atrozes
Te despedaçaram!

Por mim quantas vezes
Quase tu mataste,
Quase te mataste,
Quase te mataram!
Agora me fitas
E não me conheces?

– Não conheço não.
Conheço que a vida
É sonho, ilusão.
Conheço que a vida,
A vida é traição.

Publicidade

Homicídios no Carnaval do Ceará: desastre anunciado

Por Wanfil em Segurança

05 de Março de 2014

Qualquer festa popular no mundo que acabe com dezenas de pessoas assassinadas é imediatamente classificada, com toda razão, de tragédia, consternando sua população e autoridades. A não ser que isso ocorra em ambientes de degradação da ordem e degeneração quase completa da autoridade constituída, onde o impacto do desastre se dilui no torpor anestesiado de uma sociedade já sem forças para reagir.

No Ceará, a discussão do momento é saber se o número de homicídios no Estado durante o Carnaval foi maior do que o registrado no ano anterior, ou se constitui ou não, uma curva ascendente que destoa dos outros finais de semana. Fala-se em 70 homicídios no período, o governo, reservadamente, nega. O balanço final deve ser divulgado pela Secretaria de Segurança nesta quinta.

Qualquer que sejam esses números, a simples expectativa de que tudo piorou, sentimento que nasce da percepção sensível e da famosa sensação de insegurança, já basta para mostrar que a coisa desandou de vez. Some-se a isso o avanço absurdo dos números da violência no Ceará, para que o quadro pós-carnaval se configure em morticínio anunciado, de certa forma, pela própria dinâmica do crime.

Publico abaixo uma foto que tirei na terça-feira de Carnaval, em Fortaleza, de um outdoor na Avenida Desembargador Gonzaga, no bairro Cidade dos Funcionários, que considero significativa dos dias atuais:

 

Outdoor Sindipol CE - Foto - Wanfil

Outdoor do Sindicato dos Policiais Civis do Ceará. Foto: Wanderley Filho

 

Trata-se de uma campanha movida pelo Sindicato dos Policiais Civis de Carreira do Estado do Ceará, com um retumbante alerta aos cidadãos: CUIDADO! Para dar credibilidade ao recado, a peça se vale do descrédito do governo estadual na área e manda ver: SEIS PESSOAS SÃO ASSALTADAS A CADA HORA NO CEARÁ.

O que esperar de um Estado onde policiais civis e militares vivem a denunciar a violência?

A resposta nos remete ao início do texto: vivemos o ápice de um processo de degeneração. Agora, resta-nos esperar a mórbida contagem oficial dos cadáveres do Carnaval. Restou-nos a contagem fria dos mortos. E resta-nos ainda rezar para que novos gestores apareçam o quanto antes.

Publicidade

Notas quase carnavalescas

Por Wanfil em Ceará

28 de Fevereiro de 2014

PIADA DE SALÃO

Delúbio Soares assim profetizou, em 2005: “No futuro, o mensalão vai virar piada de salão”. O que ninguém imaginava era que o salão da piada seria o Supremo Tribunal Federal, palco da manobra jurídica que reduziu as penas de José Dirceu, o próprio Delúbio, José Genoíno e João Paulo Cunha. O porta-bandeira-vermelha no desfile do bloco do jeitinho foi o ministro Luís Roberto Barroso, que chegou para completar a “maioria de circunstância”, expressão utilizada por Joaquim Barbosa para denominar a frente partidária instalada no STF.

CACHAÇA NÃO É ÁGUA

No Ceará, em meio à seca, pegou muito mal a intenção de algumas prefeituras de municípios em situação de emergência, de gastar dinheiro público com festas de Carnaval. Diante da má repercussão e da fiscalização do Tribunal de Contas dos Municípios e do Ministério Público estadual, muitas dessas festas, tradicionais fontes de contratos superfaturados, foram canceladas. Mas outras serão feitas na marra. É que para muitos espertalhões, a gastança com a folia servirá para alimentar, lá adiante, outra festa: a das eleições.

ASA DE ÁGUIA

Um grupo de vereadores da região do Cariri esteve reunido com membros da agremiação unidos da Assembleia Legislativa, para pedir ajuda na reforma de um aeroporto na região. O deputado Zezinho Albuquerque (Pros), presidente da Casa, explicou que apesar de não ter a caneta, irá pleitear junto com o governador Cid Gomes, uma audiência com o ministro da Aviação Civil, Moreira Franco, responsável, vejam só, pelo atraso nos aeroportos para a Copa. Pode ser que não resolva o problema, mas o desfile está garantido.

ETERNOS CONFETES

A Petrobras, na semana que antecedeu o Carnaval, para a alegria da base aliada no Ceará, anunciou nova data para o início das obras da refinaria prometida por Lula e Dilma. Será em… 2018! Esse é o bloco dos aliados, que só desfila em carnavais de ano eleitoral.

Publicidade

Já que não chove, tome Carnaval!

Por Wanfil em Ceará

26 de Fevereiro de 2014

O Carnaval está chegando, mas a farra deste ano corre o risco de virar escândalo em diversas cidades do Ceará. Uma reportagem do portal Tribuna do Ceará mostra que 176 dos 184 municípios do Estado estão em situação de emergência por causa da grave seca que castiga o semiárido nordestino desde 2012.

O governo estadual já admite que sem medidas de socorro, 10 cidades correm risco iminente de colapso no abastecimento d’água. E mesmo assim, 44 prefeituras pretendem financiar, com dinheiro público, festas de carnaval.

Não vamos ser radicais e dizer que tudo é um absurdo e todos estão errados. Com alguma condescendência, é verdade que alguns municípios realmente conseguem fazer do Carnaval uma oportunidade de incrementar sua economia. Mas é fato que não existem 44 cidades nessa condição. Não no Ceará.

A Tribuna mostrou alguns exemplos. Brejo Santo e Sobral pretendem gastar 260 mil reais cada uma, com os festejos. Santa Quitéria quer torrar 400 mil reais. O caso de Granja é emblemático. A cidade, que tem o 2º pior índice de desenvolvimento humano do Estado e que há dois anos está em situação de emergência, pretende “investir” quase 900 mil reais no Carnaval. Que festa! Teve gente ligada à prefeitura de Granja que não gostou da matéria e, indignada, justificou a disposição para a folia dizendo que ninguém tem culpa se não chove lá.

A questão, claro, não é essa. Existe, pela lógica, grande chance de haver dinheiro público desperdiçado ou desviado em eventos dessa natureza. Tanto é assim que o TCM e o Ministério Público já se anunciaram que irão fiscalizar todos os contratos. No entanto, há também o bom senso e o dever de responsabilidade que a atual situação de emergência exige dos gestores públicos. O momento é crítico, já virando desastre.

Na hora em que o governo estadual corre contra o tempo para construir adutoras emergenciais – buscando assim compensar a própria imprevidência -, é um acinte priorizar festas de carnaval que não darão retorno algum para esses municípios. E se alguns ficam constrangidos com a cobertura da imprensa, é porque, no fundo, sabem que isso é uma irresponsabilidade e um crime contra a população carente de água.

Publicidade

Depois do Carnaval, hora de trabalhar

Por Wanfil em Política

15 de Fevereiro de 2013

"Mas, agora que o Carnaval passou, que vamos fazer de tantos quilos de miçangas...? Mas os homens gostam de ilusão...

Cecília Meireles: “Mas, agora que o Carnaval passou, que vamos fazer de tantos quilos de miçangas…? Mas os homens gostam de ilusão…”

O Carnaval terminou e o ano, como se diz por aí, agora começa de verdade. Para os brasileiros comuns, o ano começou faz tempo. Mas para outros, como os nossos parlamentares, as coisas ainda estão por começar. E trabalho não falta. É que as demandas e os problemas não tiram férias nem entram em recesso. Vejamos como estão as coisas!

Sem efeito prático

A bancada federal do Ceará em Brasília ainda não disse a que veio, passados mais de dois anos da atual legislatura. Sofremos com a seca e a Transposição do Rio São Francisco, que deveria ter sido concluída no ano passado, se arrasta sem previsão certa, por causa de atrasos indesculpáveis e irregularidades criminosas. Mesmo assim, ninguém faz nada. Onde estão senadores e deputados federais que nas eleições souberam pedir votos para si e para a presidente Dilma?

Já a Assembleia Legislativa do Ceará, anda parada, preocupada em salvar o deputado Carlomano Marques de uma cassação determinada pela Justiça eleitoral! Enquanto o espírito corporativista mobiliza os deputados estaduais em defesa do colega em apuros, outras questões ficam de lado. Afinal, por exemplo, onde foi parar o dinheiro desviado no caso do escândalo dos banheiros? Ninguém será obrigado a devolver um centavo?

Na Câmara Municipal de Fortaleza, a polêmica sobre a construção de um empreendimento em área de proteção ambiental faz parecer que a cidade se resume à região do Cocó. A equipe do prefeito Roberto Cláudio denunciou supostos desvios de dinheiro público na área da saúde. E o que fizeram os vereadores? Até agora, nada. Eles são os fiscais do município! Por que o líder do governo na Câmara não propõe uma CPI para tirar essa história a limpo?

Ilusão e realidade

Na famosa crônica Depois do Carnaval, a escritora Cecília Meireles diz: “Agora que o Carnaval passou, que vamos fazer de tantos quilos de miçangas, de tantos olhos faraônicos, de tantas coroas superpostas, de tantas plumas, leques, sombrinhas…? (…) Mas os homens gostam da ilusão. E já vão preparar o próximo Carnaval…”.

Festa é bom, claro. Mas tudo demais é veneno. É hora de trabalhar! Mas os homens gostam da ilusão. E já preparam as copas e as próximas festas…

Publicidade

A fugaz alegria do Carnaval

Por Wanfil em Cultura

09 de Fevereiro de 2013

Carnaval, 1970, óleo sobre tela, de Di Cavacanti.

Carnaval, 1970, óleo sobre tela –  Di Cavacanti

Qual o significado do Carnaval? A resposta, evidentemente, pode assumir formas distintas, dependendo dos aspectos histórico-culturais do lugar, da religião, idade e personalidade das pessoas, e infinitas outras variáveis individuais ou de grupo.

O certo é que, diferenças à parte, o Carnaval é a maior festa popular do país, capaz de mobilizar atenções e recursos, fazendo que tudo o mais se torne secundário nesse período.

Existem ainda as explicações didáticas, que remetem às origens europeias ou pagãs da festa, posteriormente adaptadas a preceitos religiosos diversos. Mas o Carnaval, na prática, possui características bem mais imediatas, que ignoram toda essa teorização. É algo facilmente observável nas imagens e entrevistas feitas com famosos e anônimos: a manifestação de uma alegria histriônica, por vezes histérica, advinda da busca obsessiva por diversão e da obrigação de externar felicidade, como se o contentamento e a alegria fossem bens de consumo fast food e não estados de espírito resultantes de ações e crenças duradouras.

Via de regra (as exceções confirmam a regra), nas entrevistas as pessoas recorrem a lugares-comuns como “tudo é festa!”, “momento de extravasar”, “esquecer os problemas”, “beijar muito!”, “beber até cair”, “vale tudo”, enfim, um conjunto de frases feitas que denotam uma ansiedade de aproveitar aquele momento limitado em detrimento das obrigações cotidianas. É a celebração do fugaz. Leia mais

leia tudo sobre

Publicidade

A fugaz alegria do Carnaval

Por Wanfil em Cultura

09 de Fevereiro de 2013

Carnaval, 1970, óleo sobre tela, de Di Cavacanti.

Carnaval, 1970, óleo sobre tela –  Di Cavacanti

Qual o significado do Carnaval? A resposta, evidentemente, pode assumir formas distintas, dependendo dos aspectos histórico-culturais do lugar, da religião, idade e personalidade das pessoas, e infinitas outras variáveis individuais ou de grupo.

O certo é que, diferenças à parte, o Carnaval é a maior festa popular do país, capaz de mobilizar atenções e recursos, fazendo que tudo o mais se torne secundário nesse período.

Existem ainda as explicações didáticas, que remetem às origens europeias ou pagãs da festa, posteriormente adaptadas a preceitos religiosos diversos. Mas o Carnaval, na prática, possui características bem mais imediatas, que ignoram toda essa teorização. É algo facilmente observável nas imagens e entrevistas feitas com famosos e anônimos: a manifestação de uma alegria histriônica, por vezes histérica, advinda da busca obsessiva por diversão e da obrigação de externar felicidade, como se o contentamento e a alegria fossem bens de consumo fast food e não estados de espírito resultantes de ações e crenças duradouras.

Via de regra (as exceções confirmam a regra), nas entrevistas as pessoas recorrem a lugares-comuns como “tudo é festa!”, “momento de extravasar”, “esquecer os problemas”, “beijar muito!”, “beber até cair”, “vale tudo”, enfim, um conjunto de frases feitas que denotam uma ansiedade de aproveitar aquele momento limitado em detrimento das obrigações cotidianas. É a celebração do fugaz. (mais…)