Carlos Drummond de Andrade Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Carlos Drummond de Andrade

E agora, Camilo?

Por Wanfil em Crônica

15 de setembro de 2015

Durante a campanha eleitoral, o governador do Ceará dizia assim: “Sou Camilo Santana, candidato a governador com apoio do governador Cid, da presidente Dilma e do Lula, para fazer o Ceará seguir avançando com novos projetos e melhores serviços”.

Ao assumir no início do ano e ver que as contas estaduais necessitavam de reforço, Camilo pressionou, na medida de suas limitações, o governo federal por mais verbas. Conseguiu pouco dinheiro e muitas promessas.

Agora, com o anúncio do pacote de maldades do governo federal para cobrir o rombo nas contas públicas, não apenas novos projetos foram cortados e os serviços piorados, como mais impostos foram propostos. A recessão e o colapso nas contas públicas acabaram com qualquer ilusão de ajuda federal.

Aliás, a recessão se mostrou mais aguda no Ceará, com uma queda de 5,3% do PIB estadual no 2º trimestre. Em busca de algum alívio, o governador cearense foi a Brasília juntar forças com a presidente Dilma na tentativa de recriar a CPMF, ou seja, de cobrar do distinto público, a conta da incompetência dos companheiros. A refinaria não veio, mas isso foi só o começo. Resta torcer para a transposição não atrasar novamente, mas a essa altura, é difícil acreditar.

Diante disso tudo, lembrei do José, aquele da poesia de Drummond, aquele da festa que acaba e fica sem saber o que fazer.

E agora, Camilo?

A eleição passou,
O recessão chegou,
Tudo subiu,
O dinheiro acabou,
e agora Ceará,
e agora você?
você que votou,
que confiou nos outros,
você que persiste,
que luta calado,
e agora, Ceará?

Está sem nada,
esperando o discurso,
procurando o caminho,
já não pode investir,
e não pode reclamar,
não pode viver a esperar
por quem não veio ajudar,
ficar em paz já não pode.

A violência cresceu,
o imposto aumentou,
a obra atrasou,
metrô e transposição,
sobrou conversa,
faltou ação.
Água tem pouca,
refinaria não vem,
e por isso fica
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, Camilo?

Se você protestasse,
se você se indignasse,
se você cansasse…
Mas você não cansa
de acreditar e esquecer

Onde estão os pródigos
anunciantes da redenção?
Onde estão os Ferreiras,
os Arrudas,
os Santanas,
os Oliveiras e Pimenteis?
Cadê os Silvas elitizados
e os Rousseffs improvisados?
Onde estão os aliados?
Estão eleitos e nomeados,
mas em profundo silêncio.

Sem a parte que lhe cabe,
qual sócio enganado,
sem as promessas devidas,
sem oposição decidida,
você bate palmas,
aguardando o porvir que não chega.
Você aplaude, Ceará!
Ceará, palmas pra quem?

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E agora, Camilo?

Por Wanfil em Crônica

15 de setembro de 2015

Durante a campanha eleitoral, o governador do Ceará dizia assim: “Sou Camilo Santana, candidato a governador com apoio do governador Cid, da presidente Dilma e do Lula, para fazer o Ceará seguir avançando com novos projetos e melhores serviços”.

Ao assumir no início do ano e ver que as contas estaduais necessitavam de reforço, Camilo pressionou, na medida de suas limitações, o governo federal por mais verbas. Conseguiu pouco dinheiro e muitas promessas.

Agora, com o anúncio do pacote de maldades do governo federal para cobrir o rombo nas contas públicas, não apenas novos projetos foram cortados e os serviços piorados, como mais impostos foram propostos. A recessão e o colapso nas contas públicas acabaram com qualquer ilusão de ajuda federal.

Aliás, a recessão se mostrou mais aguda no Ceará, com uma queda de 5,3% do PIB estadual no 2º trimestre. Em busca de algum alívio, o governador cearense foi a Brasília juntar forças com a presidente Dilma na tentativa de recriar a CPMF, ou seja, de cobrar do distinto público, a conta da incompetência dos companheiros. A refinaria não veio, mas isso foi só o começo. Resta torcer para a transposição não atrasar novamente, mas a essa altura, é difícil acreditar.

Diante disso tudo, lembrei do José, aquele da poesia de Drummond, aquele da festa que acaba e fica sem saber o que fazer.

E agora, Camilo?

A eleição passou,
O recessão chegou,
Tudo subiu,
O dinheiro acabou,
e agora Ceará,
e agora você?
você que votou,
que confiou nos outros,
você que persiste,
que luta calado,
e agora, Ceará?

Está sem nada,
esperando o discurso,
procurando o caminho,
já não pode investir,
e não pode reclamar,
não pode viver a esperar
por quem não veio ajudar,
ficar em paz já não pode.

A violência cresceu,
o imposto aumentou,
a obra atrasou,
metrô e transposição,
sobrou conversa,
faltou ação.
Água tem pouca,
refinaria não vem,
e por isso fica
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, Camilo?

Se você protestasse,
se você se indignasse,
se você cansasse…
Mas você não cansa
de acreditar e esquecer

Onde estão os pródigos
anunciantes da redenção?
Onde estão os Ferreiras,
os Arrudas,
os Santanas,
os Oliveiras e Pimenteis?
Cadê os Silvas elitizados
e os Rousseffs improvisados?
Onde estão os aliados?
Estão eleitos e nomeados,
mas em profundo silêncio.

Sem a parte que lhe cabe,
qual sócio enganado,
sem as promessas devidas,
sem oposição decidida,
você bate palmas,
aguardando o porvir que não chega.
Você aplaude, Ceará!
Ceará, palmas pra quem?