Capitão Wagner Archives - Página 2 de 3 - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Capitão Wagner

Segundo turno: o apoio do PT ajuda ou atrapalha? Eis a questão

Por Wanfil em Eleições 2016

04 de outubro de 2016

Nas cidades onde acontece segundo turno, é natural que os candidatos que continuam na disputa busquem o apoio daqueles que ficaram pelo meio do caminho. Em Fortaleza, Roberto Cláudio (PDT) e Capitão Wagner (PR) trabalham para conquistar parte dos 15% obtidos por Luizianne Lins (PT), terceira colocada no primeiro turno. Lideranças do PT prometem uma definição para esta quarta-feira. A decisão, porém, não é simples.

A ex-prefeita, que controla o Diretório Municipal do partido, não contou com a ajuda do governador Camilo Santana, que apoiou Roberto Cláudio, que  pertence ao grupo político liderado por Ciro Gomes, desafeto de Luizianne.

Em 2012, o PT chegou a sondar o então vereador Capitão Wagner para ser vice de Elmano de Freitas contra Roberto Cláudio, mas em 2016, o apoio do PMDB e do PSDB à deputado do PR dificulta o diálogo com os petistas.

Assim, embora o ex-presidente Lula e o deputado José Guimarães, que controla a Executiva Estadual do PT, defendam abertamente a aliança com o PDT, para Luizianne, qualquer escolha que não seja a neutralidade guarda contradições com sua trajetória política.

Além do mais, é preciso avaliar até que ponto o apoio ostensivo do PT realmente pode ajudar. A sigla vive sua maior crise de imagem e tenta sobreviver ao duro golpe sofrido nessas eleições, quando perdeu nas principais capitais e viu seu tamanho reduzir em todo o país.

É claro que neste segundo turno Wagner e RC querem atrair os eleitores de Luizianne. O desafio será como fazer isso sem afugentar aqueles que rejeitaram o PT nas urnas. Não foram poucos.

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Eleições 2016: Fortaleza já tem um derrotado e um vencedor

Por Wanfil em Eleições 2016

03 de outubro de 2016

A eleição para a Prefeitura de Fortaleza será decidida no próximo dia 30 de outubro, em segundo turno. Continuam na disputa o prefeito Roberto Cláudio (PDT), que terminou o primeiro turno com 40% dos votos, e Capitão Wagner (PR) com 31%.

Evidentemente, tudo pode acontecer. De todo modo, se por um lado a disputa continua, por outro é possível dizer que o maior derrotado na capital foi o PT, que ainda viu sua bancada na Câmara reduzir de quatro para dois vereadores. Para ser justo, a terceira posição de Luizianne Lins, com 15,06% dos votos válidos, foi resultado que superou a maioria dos candidatos petistas em outras capitais, mas insuficiente para avançar ao segundo turno.

Assim, paradoxalmente, o grande vencedor na capital pode ser o governador Camilo Santana, que pode ampliar sua influência na sigla no momento em que José Guimarães e Luizianne estão enfraquecidos, desde que haja disposição e apetite para isso. A sorte, como dizia Napoleão, sorri para os audazes.

Muito se especula a respeito de uma possível saída de Camilo do PT para o PDT. Parece lógico, dada a sua proximidade com os Ferreira Gomes. Porém, no PDT, o governador nunca será uma liderança, pois esse papel atualmente cabe aos irmãos Ciro e Cid. Já o PT no Ceará, mais do que nunca, precisa de Camilo. Mas para tanto, a vitória do aliado Roberto Cláudio é fundamental, pois fortalece a parceria entre petistas e cidistas, contra a qual Luizianne lutou.

Por ironia, para que isso se confirme de vez, é preciso conquistar os eleitores da ex-prefeita.

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Datafolha também sinaliza cheirinho de segundo turno em Fortaleza

Por Wanfil em Pesquisa

26 de setembro de 2016

Pelas pesquisas, eleitores adiarão o fim das eleições em Fortaleza

Pelas pesquisas, eleitores devem adiar o fim das eleições em Fortaleza para 30 de outubro. Pelas pesquisas…

Pesquisa Datafolha em Fortaleza, contratada pelo jornal O Povo e divulgada no final de semana, mostra Roberto Cláudio (PDT) e Capitão Wagner (PR) isolados na liderança, com 34% e 28% respectivamente.

Luizianne Lins (PT) marca 15% e Heitor Férrer (PSB) tem 6%. Ronaldo Martins (PRB) aparece com 3% e João Alfredo (PSOL) com 1%. Francisco Gonzaga (PSTU) e Tin Gomes (PHS) não pontuaram. Brancos e nulos representam 6%; não sabem ou não responderam, também 6%.

Assim como o Ibope, a segunda pesquisa do Datafolha para a capital nesta campanha mostra um cenário que converge para a realização de um segundo turno entre Roberto Cláudio e Capitão Wagner. Significa então que haverá segundo turno? Não. Além de estarmos pisando no terreno das probabilidades, o eleitorado de Fortaleza é dado a mudanças de última hora.

De todo modo, as campanhas precisam estar preparadas para essa contingência, sobretudo quando ela se mostra bastante possível. Implica dizer que o planejamento financeiro das campanhas precisa ter fôlego até o dia 30 de outubro e que as estrategistas políticos deverão pensar nos eleitores daqueles candidatos que não passarem para o eventual segundo turno.

Nesse sentido, dificilmente RC e Wagner atacarão Luzianne Lins ou Heitor Férrer nessa reta final, para não criar ressentimentos. O momento é de afiar armas estudando tendências, curvas, abstenção, rejeição, histórico, entre outros, na tentativa de enxergar para onde esses votos podem ir e formas de conquistá-los ou, pelo menos, de impedir que migrem para o adversário.

Como fazer isso fica para um próximo texto. Não vamos colocar  o carro à frente dos bois. Por enquanto, aguardemos o desenrolar desta última semana. Pelos números, Roberto Cláudio pode tentar um esforço final para resolver a parada no primeiro turno, o que parece muito difícil de acontecer. Já Wagner precisa manter o ritmo de crescimento para forçar um novo turno, já que uma virada agora também soa improvável. Mas como eu já disse, Fortaleza é imprevisível, especialmente nas 48 horas que antecedem a votação.

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Candidatos mudam estratégias na reta final em Fortaleza

Por Wanfil em Eleições 2016

19 de setembro de 2016

As pesquisas realizadas após o início desta curta campanha eleitoral indicam quais campanhas conseguiram emplacar suas estratégias e quais precisam mudá-la para tentar chegar a um provável segundo turno em Fortaleza. É o que está acontecendo.

Do ponto de vista do marketing eleitoral, o Capitão Wagner (PR) conseguiu definir a segurança pública como tema central do debate. Como saiu do empate técnico com Luizianne Lins (PT) para chegar ao empate técnico com o prefeito Roberto Cláudio (PDT), os demais concorrentes se viram obrigados a abordar o assunto, na tentativa de anular a vantagem tática do candidato do PR.

Para o prefeito, que também cresceu nas pesquisas e praticamente está garantido no segundo turno, pequenos ajustes foram introduzidos, como a lembrança de que o investimento em creches é uma ação que visa também a segurança das crianças. Provavelmente não fará ataques agora, pela razão que explico a seguir.

O cenário das pesquisas forçou mudanças na estratégia de Luizianne, que agora procura desconstruir o discurso de Wagner para a segurança pública. No início da campanha ela mirou a gestão Roberto Cláudio, apostando na polarização da disputa. No entanto, sem emplacar nas pesquisas, a petista percebeu que atacar a gestão do pedetista acabou por beneficiar Wagner, que sem contraponto, avançou tranquilo.

É uma situação delicada para Luizianne e o PT. Se bater muito no Capitão e conseguir ultrapassá-lo, corre o risco de perder os eleitores de Wagner em caso de segundo turno, o que ajudaria na reeleição de Roberto Cláudio, aliado de Cid e Ciro Gomes, adversários de Luizianne.

Outra mudança, menos importante, mas significativa como ilustração de uma forma de fazer política, é na campanha de Tin Gomes (PHS), deputado estadual e primo dos Ferreira Gomes. O candidato, que não tem chance alguma e com desempenho pífio, de neutro passou a criticar Wagner indiretamente, mostrando mais preocupação com os concorrentes da atual gestão do que com a própria condução dessa mesma gestão que ele, por algum motivo, acha que merece ser interrompida, caso contrário, por suposto, não seria candidato.

A não ser que aceitasse ser usado por terceiros, especialmente nos debates, hipótese que ninguém pode acreditar, não é mesmo?

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Ibope: a Capital entre o prefeito e o Capitão

Por Wanfil em Pesquisa

15 de setembro de 2016

A segunda pesquisa do Ibope para as eleições em Fortaleza, divulgada ontem pela Verdes Mares, mostra empate técnico, no limite da margem de erro de 3 pontos, entre o prefeito Roberto Cláudio e o deputado estadual Capitão Wagner. Na comparação com o primeiro levantamento, de 22 de agosto, temos a seguinte evolução dos cinco primeiros colocados:

Roberto Cláudio (PDT) – de 29% para 34%
Capitão Wagner (PR) – 21% para 28%
Luizianne Lins (PT) – 18% nas duas pesquisas
Heitor Férrer (PSB) – 9% para 7%
Ronaldo Martins (PRB) – 4% para 3%
Outros (PSOL, PSTU, PHS) – 4% para 1%
Brancos/nulos – 10% para 7%
Não sabe/não respondeu – 5% para 2%

É o seguinte: faltando pouco mais de duas semanas para as eleições, Roberto Cláudio e Capitão Wagner apresentam curvas ascendentes. Luizianne estaciona. Com 40% de rejeição, a petista está próxima do seu teto. Como não cai, tudo indica que é o eleitor cativo do PT. O desempenho dela é o fiel da balança para a provável realização de um segundo turno. Férrer, Martins e indecisos oscilaram negativamente, mas dentro da margem de erro. Desse cenário, podemos concluir:

1 – Os indecisos e eleitores que mudaram de voto se dividiram entre RC e Wagner, com vantagem para o candidato de oposição, que cresceu 7 pontos, contra cinco do prefeito;

2 – Capitão Wagner deixa o empate técnico com Luizianne e marca empate com o prefeito, movimento que acende a luz amarela na campanha do candidato à reeleição;

3 – A dinâmica dos números mostra que Capitão Wagner deve manter a estratégia que alterna criticas a atual gestão e o discurso biográfico para aproximação com o eleitorado. Já Roberto Cláudio precisa desconstruir o rival que o ameaça e que tem a menor rejeição entre os eleitores: 18% contra 24% do prefeito. A questão é como fazer isso. Assessores e comissionados ligados à sua campanha já sinalizam ataques pessoais ao candidato do PR, o que revela um estado de ânimo tenso. Segundo os manuais de marketing eleitoral, bater demais, ou bater errado, pode ser fatal.

A Capital está, nesse momento, entre o prefeito e o Capitão.

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Fortaleza e a eleição dos padrinhos tímidos

Por Wanfil em Pesquisa

12 de setembro de 2016

Pesquisa Datafolha divulgada no final de semana pelo O Povo mostra que a campanha em Fortaleza tende a se polarizar entre Roberto Cláudio (PDT), que aparece com 32%, e Capitão Wagner (PR), com 24%. Em terceiro está Luizianne Lins (PT), que tem 16%.

Um dos fatos mais interessantes nestas eleições é a ausência de padrinhos políticos nas propagandas. Desde já faço aqui uma distinção: quando falo em padrinho (ou madrinha), não me refiro aos apoiadores que exercem ou já exerceram cargos importantes nos governos e partidos, mas àquela liderança que, segura de seu prestígio e posição, lança um “afilhado” sem sem força própria para a disputa. Via de regra, a presença dos padrinhos nas campanhas de seus escolhidos é intensa, pois o seu sucesso depende justamente na transferência de votos do criador para a criatura.

As eleições de 2012 foram a expressão perfeita dessa forma de controle. Luizianne Lins e Cid Gomes travaram uma batalha por meio da disputa entre seus protegidos, Elmano de Freitas e Roberto Cláudio, dois nomes de pouca densidade eleitoral na cidade. E todos suplicavam pelas bênçãos de Dilma e Lula.

Agora é diferente. O capital político dos principais padrinhos não é o mesmo. Lula e Dilma lutam para não serem presos. O presidente Temer é odiado pelos ex-aliados e não tem, obviamente, a simpatia de quem não votou na chapa Dilma/Temer. O governador Camilo Santana, do PT, apoia o candidato do PDT contra a candidata do PT, o que inviabiliza sua participação direta na propaganda. Curiosamente, Cid e Ciro também não deram notícias em Fortaleza.

A opção por, digamos assim, esconder os padrinhos certamente é baseada em pesquisas. Roberto Cláudio, que na sua primeira eleição precisou muito da chancela dos seus líderes, agora aparece sozinho, buscando, certamente, mostrar que tem liderança própria.

O Capitão Wagner conta com o apoio dos senadores Eunício Oliveira (PMDB) e Tasso Jereissati (PSDB), mas esses entram como apoiadores, pois o candidato surgiu por conta própria e não depende deles para continuar na política. Nesse caso, eleitores de Eunício e Tasso podem se juntar aos eleitores que já se identificam com o próprio candidato.

Luizianne tem liderança própria e eleitoralmente é o maior nome do PT no Ceará, mas sofre nitidamente com o peso do impeachment dos escândalos que abateram o partido. Aliás, candidatos petistas em outras capitais apresentam desempenho bem abaixo ao dela e Fortaleza.

É a eleição dos padrinhos sumidos.

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Impressões sobre o primeiro debate em Fortaleza: as estratégias dos favoritos

Por Wanfil em Eleições 2016

25 de agosto de 2016

Candidatos à Prefeitura de Fortaleza fizeram o primeiro debate eleitoral, promovido pela TV Cidade, nesta quarta-feira (24). É comum que eleitores com posição definida entenderem que seus candidatos venceram o debate, mas como o alvo deles é justamente aqueles que ainda irão se decidir, o evento serve para marcar posição e estabelecer uma imagem.

Desse modo, o que se viu foi o seguinte, por ordem de colocação nas pesquisas:

Roberto Cláudio (PDT) – Como era de se esperar, foi o alvo principal, afinal, é o atual prefeito. Enfatizou realizações de sua gestão, usando expressões como “a maior da História de Fortaleza” ou “pela primeira vez” (bem ao estilo Ferreira Gomes), focando na imagem de realizador moderno. Reconheceu problemas na área da Saúde, pontuando em seguida “que nunca se investiu tanto no setor”.

Capitão Wagner (PR) – Procurou ser propositivo, falando em projetos batizados com nomes de apelo popular, como o “Raio Municipal”. Fez críticas ao governo Roberto Cláudio sem ataques pessoais. Trabalha a imagem de candidato equilibrado mais preocupado com as pessoas do que com os adversários. Diversas vezes disse que não queria dividir, mas unir.

Luizianne Lins (PT) – A ex-prefeita partiu para o ataque contra Roberto Cláudio, dizendo que as ações da atual gestão foram planejadas quando ela governou a cidade, inclusive a captação de recursos. Abusou do tom irônico. O objetivo foi polarizar a disputa entre os dois. Provocado, o prefeito respondeu sem perder a calma e chegou a dizer que não iria polemizar, dando a entender que não entraria no jogo proposto pela adversária.

Heitor Férrer (PSB) – Começou bem, especialmente ao falar de saúde como prioridade. Depois foi mais comedido, como quem pretende comer pelas beiradas. No final, disse que irá reduzir em 50% os fotossensores na capital, visando provavelmente o eleitor de classe média, onde obteve melhor votação nas últimas eleições.

Ronaldo Martins (PRB) – Falou como pastor e insistiu na tecla de que suas propostas foram registradas em cartório. Desenvolto na gesticulação, parece seguir a estratégia de usar a disputa para ficar conhecido.

Tin Gomes (PHS) – Coadjuvante, foi basicamente neutro. Se trabalha como força de apoio para outra candidatura, só adiante isso se revelará.

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Quem diria: agora o Capitão Wagner é gente boa

Por Wanfil em Segurança

09 de Janeiro de 2015

As voltas que o mundo dá… Há menos de um mês o Capitão Wagner, liderança entre policiais do Ceará, era apontado pelo agora ex-governador Cid Gomes e seu irmão Ciro Gomes como causa principal dos problemas de segurança no Ceará nos últimos anos, sendo acusado de liderar uma suposta milícia e de agir com interesses meramente eleitorais. Pois agora o governador Camilo Santana (PT) fez o que parecia inimaginável: recebeu Wagner no Palácio da Abolição, na condição de deputado estadual eleito pelo PR e interlocutor legítimo para assuntos de segurança.

A conversa foi mais uma entre os vários encontros individuais que o governador tem feito com deputados estaduais, mas, de todas, a audiência com Wagner, policial militar que liderou uma paralisação da categoria entre o final de 2011 e início de 2012, era a que gerava mais expectativas.

É simplesmente o mais inteligente a ser feito. Se de um lado realmente é preocupante a existência de movimentos que ameacem o sentido de hierarquia nas corporações militares, de outro é inegável que a relação da gestão Cid com os policiais se desgastou até se transformar numa crise de autoridade que degenerou para uma crise institucional, que por fim agravou ainda mais a insegurança no estado, já cambaleante, com índices obscenos de criminalidade, políticas públicas equivocadas e investimentos caros sem retorno. Assim, ao tentar personalizar esse processo na figura de uma única pessoa para fazê-la de bode expiatório da violência, a gestão Cid acabou catapultando a liderança do Capitão – em que pese eventuais críticas ao seu discurso -, para além dos limites da militância corporativa. A reação intempestiva e inábil das autoridades fez com que parte considerável do eleitorado passasse a ver nele o contraponto de protesto contra a situação precária da segurança e o elegesse com votações recordes para vereador e deputado estadual.

Por tudo isso, a nova gestão, ao contrário da anterior, não pretende, ao que tudo indica, enveredar pelo caminho da confrontação. Seria burrice. Os militares também acenam com uma postura mais amistosa. Para não ficar apenas nas palavras, no mesmo dia do encontro o governo anunciou a troca no comando da PM. O novo secretário de Segurança, Delci Teixeira, já trocou elogios públicos com o Wagner. Ficou decidido ainda que o deputado será recebido pelo chefe de gabinete Hélcio Batista e pela vice-governadora Isolda Cela, para tratar sobre reivindicações dos policiais e questões de segurança pública. Como dizem os mais jovens: bufo!

Ao ver essa mudança, fico aqui pensando nos comissionados e terceirizados pendurados nas repartições públicas (herança que lamentavelmente não entrou, por questões políticas, no corte dos gastos de custeio da nova administração), bem como em alguns secretários, assessores e deputados que saíram pelas redes sociais esculhambando o Capitão Wagner na campanha eleitoral. E agora? Poderiam ficar indignados e pedir para saírem, ou romperem com o governo acusando traição, mas algo me diz que ficarão caladinhos. São lindos, eles.

Se esse movimento de diálogo e aproximação vai render dividendos, eu não sei. Espero, pelo bem geral, que sim. Agora é possível dizer apenas que os primeiros passos rumo a uma solução estão sendo dados. Governo e policiais parecem ter consciência de que a intransigência é o pior caminho para quem deseja realmente negociar. Enquanto isso, resta esperar e torcer para que tudo se desenrole de maneira positiva e que enfim os responsáveis pela segurança pública – autoridades, oficiais e tropa -, possam finalmente focar sua atenções no combate ao crime e na redução dos índices de violência. Isso é o que realmente interessa.

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Denúncia sobre milícia é blefe para desviar atenção do eleitor

Por Wanfil em Eleições 2014

15 de outubro de 2014

Existe mesmo uma milícia atuando no Ceará com objetivos eleitorais? De acordo com Cid e Ciro Gomes, governador e do secretário da Saúde do Ceará, a resposta é sim. E de acordo com os irmãos Ferreira Gomes, o líder do grupo seria o vereador Capitão Wagner, eleito deputado estadual com a maior votação da história no Estado.

Como nenhuma prova da existência dessa tal milícia é apresentada, a acusação sobrevive apenas como retórica política, sem sustentação material. Tanto é assim que Ciro Gomes pediu ajuda a um grupo militantes partidários, divulgando o próprio telefone para receber denúnciasÉ o disque-me-ajude-a-provar-o-que-eu-digo. Eis um factoide em busca de indícios que lhe sirvam de justificativa. Assim, a imagem de um policial prendendo um aliado do governo por crime eleitoral será utilizada como prova de que, num caso inédito no mundo, a oposição no Ceará persegue a situação com instrumentos do Estado.

Cortina de fumaça

Como a suposta milícia existe somente nas palavras de autoridades envolvidas no processo eleitoral, é preciso verificar os efeitos práticos dessas acusações feitas sem o mínimo rigor investigativo.

De imediato, podemos constatar que: 1) a polêmica desvia o foco do debate sobre políticas de segurança no Ceará, tema evitado na campanha governista por motivos óbvios; 2) a questão acaba reduzida a uma briga entre Ciro Gomes e o Capitão Wagner, evitando uma discussão racional sobre o problema; 3) a baixaria encobre o fato escandaloso de que a grande maioria dos crimes eleitorais ocorridos no primeiro turno envolveu aliados do governo, conforme atesta o próprio Ministério Público Eleitoral. Em resumo, a presepada é tática diversionista para proteger o candidato do governo. O que parece desequilíbrio é, na verdade, método.

Oposição tímida

A denúncia sem prova que toma conta do noticiário durante as eleições também prospera à medida que a oposição não denuncia a armação, única reação eficiente nesses casos, como ensina  Arthur Schopenhauer em suas considerações sobre a dialética erística. Diante de um sofisma, o debatedor deve alertar o público para a manipulação das premissas, de modo a criar nele a desconfiança sobre as conclusões do adversário.

O candidato ao governo Eunício Oliveira (PMDB) poderia dizer, por exemplo, algo assim: “Meu adversário se esconde atrás das agressões feitas por Cid e Ciro, posando de pacífico, mas sem nunca contestar o que dizem, para fugir do debate responsável e profundo sobre segurança pública”.

Já o Capitão Wagner, atendendo ao chamado à passionalidade feito por Ciro, apenas morde a isca do diversionismo. O melhor seria cobrar ao secretário Servilho Paiva, por via judicial, informações sobre a existência ou não de investigação formal sobre as supostas milícias e se o seu nome consta nelas, para depois trazer a discussão de volta ao que interessa: por que os investimentos em segurança não deram os resultados esperados? E como fazer para corrigir o desastre dos últimos anos? Isso é tudo o que o governo quer evitar, o que tem sido feito com sucesso até agora.

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Segurança Pública: bons exemplos não faltam

Por Wanfil em Segurança

23 de Maio de 2013

Aconteceu o indesejável, o tosco, o deplorável: o debate sobre a onda de criminalidade no Ceará perdeu qualquer sentido prático e descambou em baixaria infrutífera. No lugar da lógica, a confusão que turva a realidade. Autoridades, deputados e vereadores, abordam o tema, mas não como objeto de políticas públicas e sim como espetáculo de intrigas, sem que nada seja produzido ajuda para amenizar o problema.

Tudo isso apesar do clamor geral da população, do medo generalizado, das mortes e dos assaltos. O ex-governador Ciro Gomes e a deputada Patrícia Saboya se valem de xingamentos para criticar o vereador Capitão Wagner. Opositores do governo retrucam em linguagem parecida. É um festival de “picareta”, “marginal”, “desocupado”, entre outros adjetivos de igual qualidade. Produz-se assim um fogo sem calor e sem luz, mas que basta para encobrir a realidade e mudar o foco das discussões, enquanto o cidadão continua aí refém dos bandidos.

Direto ao ponto

As brigas que tomam o noticiário, fortes nas aparências mas vazias de conteúdo, contribuem para misturar alhos com bugalhos e diluir responsabilidades. E aí é preciso voltar à realidade: é dever do governo, nesse momento crítico, resgatar a razão e colocar o interesse público de volta no centro do debate. Nesse sentido, esse papel cabe ao próprio governador Cid Gomes. É dele que se espera um sonoro “por que não te calas?” dirigido aos que atrapalham a condução de uma saída para a situação que constrange seu governo e a sociedade.

Apesar de ver equívocos de lado a lado, não tomo partido, nem digo que o governo deva agir contra suas convicções ou que policiais esqueçam suas reivindicações. Agir assim seria repetir a tática dos brigões. Ressalto apenas que uma trégua temporária é uma necessidade diante do quadro crítico na segurança.

Bons exemplos de civilidade e eficácia

O tempo e a energia desperdiçados até agora poderiam ser utilizados na mobilização de uma ampla frente de combate ao crime. Exemplos não faltam, como mostra a série especial Por um Ceará mais Seguro, do Sistema Jangadeiro.

No Rio de Janeiro as Unidades de Polícia Pacificadora ocuparam territórios dominados por traficantes e implantaram um policiamento mais próximo da comunidade. Em entrevista à rádio Tribuna BandNews, o secretário de Segurança do Rio, José Beltrame, explicou que a operação envolveu o Ministério Público, o Judiciário, ONGs e associações de moradores.

Em Pernambuco os elevados índices de homicídios recuaram após uma ação que reuniu governo, Legislativo, Judiciário e sociedade civil. As forças policiais mapearam as regiões mais violentas de Recife e tiraram de circulação os elementos mais perigosos. Depois uma força-tarefa de 14 secretarias atuaram em cima de problemas sociais que fragilizavam essas regiões. (Sobre isso, recomendo o artigo Oito das tantas perguntas sobre a insegurança em Fortaleza, do jornalista Hélcio Brasileiro).

Em São Paulo o governo anunciou um plano de metas vinculado ao pagamento de prêmios aos policiais que conseguirem cumpri-las. Se vai dar certo ou não, isso é uma incógnita, e há quem o critique. Mas o fato é que lá, onde os índices são bem inferiores aos registrados no Ceará, as autoridades vieram a público dar algum encaminhamento à questão.

Trabalho conjunto

Em todos esses casos, o que fica evidente é que os esforços foram coordenados por seus governos estaduais e contaram com a consciência de que algumas situações exigem o pragmatismo da união de competências.

No Ceará, perde-se tempo, perdem-se vidas, perde-se paz. Bem vistos os exemplos acima, o governo cearense e seus aliados tem nas mãos carta branca da sociedade para agir, mas não sabe o que fazer com ela, ocupados que estão em brigas de comadres.

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Segurança Pública: bons exemplos não faltam

Por Wanfil em Segurança

23 de Maio de 2013

Aconteceu o indesejável, o tosco, o deplorável: o debate sobre a onda de criminalidade no Ceará perdeu qualquer sentido prático e descambou em baixaria infrutífera. No lugar da lógica, a confusão que turva a realidade. Autoridades, deputados e vereadores, abordam o tema, mas não como objeto de políticas públicas e sim como espetáculo de intrigas, sem que nada seja produzido ajuda para amenizar o problema.

Tudo isso apesar do clamor geral da população, do medo generalizado, das mortes e dos assaltos. O ex-governador Ciro Gomes e a deputada Patrícia Saboya se valem de xingamentos para criticar o vereador Capitão Wagner. Opositores do governo retrucam em linguagem parecida. É um festival de “picareta”, “marginal”, “desocupado”, entre outros adjetivos de igual qualidade. Produz-se assim um fogo sem calor e sem luz, mas que basta para encobrir a realidade e mudar o foco das discussões, enquanto o cidadão continua aí refém dos bandidos.

Direto ao ponto

As brigas que tomam o noticiário, fortes nas aparências mas vazias de conteúdo, contribuem para misturar alhos com bugalhos e diluir responsabilidades. E aí é preciso voltar à realidade: é dever do governo, nesse momento crítico, resgatar a razão e colocar o interesse público de volta no centro do debate. Nesse sentido, esse papel cabe ao próprio governador Cid Gomes. É dele que se espera um sonoro “por que não te calas?” dirigido aos que atrapalham a condução de uma saída para a situação que constrange seu governo e a sociedade.

Apesar de ver equívocos de lado a lado, não tomo partido, nem digo que o governo deva agir contra suas convicções ou que policiais esqueçam suas reivindicações. Agir assim seria repetir a tática dos brigões. Ressalto apenas que uma trégua temporária é uma necessidade diante do quadro crítico na segurança.

Bons exemplos de civilidade e eficácia

O tempo e a energia desperdiçados até agora poderiam ser utilizados na mobilização de uma ampla frente de combate ao crime. Exemplos não faltam, como mostra a série especial Por um Ceará mais Seguro, do Sistema Jangadeiro.

No Rio de Janeiro as Unidades de Polícia Pacificadora ocuparam territórios dominados por traficantes e implantaram um policiamento mais próximo da comunidade. Em entrevista à rádio Tribuna BandNews, o secretário de Segurança do Rio, José Beltrame, explicou que a operação envolveu o Ministério Público, o Judiciário, ONGs e associações de moradores.

Em Pernambuco os elevados índices de homicídios recuaram após uma ação que reuniu governo, Legislativo, Judiciário e sociedade civil. As forças policiais mapearam as regiões mais violentas de Recife e tiraram de circulação os elementos mais perigosos. Depois uma força-tarefa de 14 secretarias atuaram em cima de problemas sociais que fragilizavam essas regiões. (Sobre isso, recomendo o artigo Oito das tantas perguntas sobre a insegurança em Fortaleza, do jornalista Hélcio Brasileiro).

Em São Paulo o governo anunciou um plano de metas vinculado ao pagamento de prêmios aos policiais que conseguirem cumpri-las. Se vai dar certo ou não, isso é uma incógnita, e há quem o critique. Mas o fato é que lá, onde os índices são bem inferiores aos registrados no Ceará, as autoridades vieram a público dar algum encaminhamento à questão.

Trabalho conjunto

Em todos esses casos, o que fica evidente é que os esforços foram coordenados por seus governos estaduais e contaram com a consciência de que algumas situações exigem o pragmatismo da união de competências.

No Ceará, perde-se tempo, perdem-se vidas, perde-se paz. Bem vistos os exemplos acima, o governo cearense e seus aliados tem nas mãos carta branca da sociedade para agir, mas não sabe o que fazer com ela, ocupados que estão em brigas de comadres.