candidatos Archives - Blog do Wanfil 
Publicidade

Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

candidatos

Segurança Pública: o que dizem os programas de governo dos candidatos

Por Wanfil em Eleições 2014

07 de julho de 2014

Os partidos e as coligações que disputarão o governo do Ceará nas eleições de outubro entregaram à Justiça Eleitoral suas propostas de governo. No geral, são textos de pouca informação técnica, repletos de clichês, mas que servem para indicar mais ou menos o tom da abordagens de cada um sobre diversas áreas.

Para ler na íntegra as quatro propostas registradas, basta ir ao site do Tribuna Superior Eleitoral. Aqui no blog selecionei trechos referentes ao tema Segurança Pública, área que promete ser um dos temas centrais das campanhas. Seguem abaixo, reproduzidos na cor azul, tópicos de cada candidatura a respeito do assunto, acompanhados de breves comentários meus.

Camilo Santana – PT – Coligação Para o Ceará Seguir Mudando

– Definir a atuação da política de segurança pública de forma integrada com as demais políticas públicas atuando de forma sistêmica no território, criando nos locais mais vulneráveis ações relacionadas à segurança, saúde, educação, emprego e infraestrutura pública, envolvendo as Secretarias de Governo;
– Estudar o fortalecimento do Programa Ronda do Quarteirão, baseado na cultura da paz e não violência;
– Estabelecer parcerias permanentes com o Governo Federal, através do Programa “Crack é possível vencer” e com os governos municipais;
– Desenvolvimento de um SISTEMA GESTOR OPERACIONAL DE SEGURANÇA PÚBLICA. Esse sistema deverá ter a capacidade de saber “quantos e onde estão posicionados cada PM e PC, carros, motos, equipamentos em qualquer dia do ano, bem como todas as operações realizadas no estado do Ceará com acompanhamento de resultados, além de acompanhar, monitorar e avaliar a performance das Áreas Integradas de Segurança.

É visível o constrangimento no texto da coligação governista, que procura passar uma mensagem de mudança ao mesmo tempo em que precisa dizer que as escolhas do atual governo foram corretas. A primeira proposta é simplesmente uma cópia do programa Pacto pela Vida, implantado em Pernambuco pelo ex-governador Eduardo Campos (PSB), desafeto de Cid e Ciro Gomes, padrinhos de Camilo Santana. Talvez por isso o devido crédito não tenha sido dado, o que é uma desonestidade intelectual.

Manter o Ronda do Quarteirão e uma cultura de não violência é uma homenagem forçada ao que não deu certo na gestão Cid. Dizer que fará parcerias com o governo federal é discurso velho: essa aliança já existe há oito anos e não deu resultados na área. Por fim, dizer que será desenvolvido um sistema de gestão operacional implica em reconhecer que passados dois governos, esse sistema não existe ou não funciona adequadamente. É mais um confissão de má administração do que uma promessa.

Eunício Oliveira –PMDB – Coligação Ceará de Todos

– Basear os esforços pela segurança pública no binômio gente e gestão;
– Aperfeiçoar a inteligência e eficácia da investigação científica;
– Qualificar a gestão da segurança pública;
– Valorizar os profissionais de segurança;
– Aumentar a mobilidade e a presença dos policiais nas ruas.

Por enquanto, são generalidades sem efeito prático. Quem pode dizer que é contra o aperfeiçoamento da segurança e a valorização de seus agentes? De boas intenções, como sabemos, o inferno está cheio. O último tópico é o que mais se parece com uma proposta efetiva: para aumentar a presença da polícia, é presumível um aumento do contingente.

No programa de governo apresentado pela coligação que apoia Eunício Oliveira faz um bom diagnóstico do problema, mas ainda precisa melhorar suas proposições se quiser convencer o eleitor de que pode resolvê-lo.

Leia mais

Publicidade

Que tipo de cidade está sendo debatida nestas eleições?

Por Wanfil em Eleições 2012, Política

18 de setembro de 2012

Sem olhar para os rostos, você sabe diferenciar as propostas dos candidatos à prefeitura da sua cidade? O que eles querem? O que nós queremos?

Um dos benefícios que as campanhas eleitorais pode oferecem nas democracias é a possibilidade de colocar na ordem do dia o confronto entre diferentes visões sobre o papel do poder público – e da sociedade – no encaminhamento de soluções para os problemas de uma cidade, estado ou país.

Nos Estados Unidos, por exemplo, o embate entre democratas e republicanos reflete uma preocupação de ordem conceitual sobre a própria identidade americana: a economia precisa de mais gastos públicos ou de corte de impostos? Apresentadas as opções, os eleitores americanos escolherão que tipo de proposta lhes parece mais adequada para o momento.

Encenações vazias 

Descontadas as devidas diferenças e projetando a essência da questão para a nossa realidade, podemos nos perguntar: Que projetos estão em curso na atual campanha eleitoral? Que cidade está sendo debatida nessas eleições? Quais aspirações emanam desse debate? Qual a noção de espírito público que anima seus protagonistas (candidatos e eleitores)? A resposta é um enorme silêncio, um vácuo preenchido por fórmulas prontas e discursos decorados. Leia mais

Publicidade

Para que serve um partido político? Vinte e nove disputam as eleições em Fortaleza

Por Wanfil em Eleições 2012, Política

12 de julho de 2012

O pluripartidarismo brasileiro mais parece um emaranhado de letras dispostas ao acaso, sem conexão alguma com ideologias ou com a realidade.

É tempo de eleições municipais. Junto com a inundação de propagandas eleitorais, temos a profusão de números e letras que identificam os partidos políticos envolvidos na disputa. Em Fortaleza, nada menos que 29 partidos participam do processo eleitoral deste ano. Diga aí amigo leitor: Você é capaz de citar mais que cinco ou seis siglas? Eu não vou muito além disso. Poucos conseguem. Certamente ninguém se lembra de todos (confira no final do post).

Nas democracias representativas, no mundo ideal, partidos políticos constituem espaços nos quais propostas de intervenção na realidade são apresentadas à sociedade, baseadas em pressupostos consagrados por uma ideologia. Em suma, é o primeiro passo para tentativa de por uma visão de mundo em prática.

Imaturidade institucional

No Brasil, país de história marcada por sucessivos golpes e acordos venais, o sistema partidário ainda luta para se consolidar como instância confiável. Aqui, clubes de futebol são centenários, partidos políticos não. Os mais antigos estão na casa dos 30. Para efeito de comparação, o partido Democrata, nos EUA, é do tempo da Revolução Francesa. Além da imaturidade institucional, os partidos brasileiros convivem com velhos vícios próprios de uma cultura personalista, populista e clientelista.

Muitos não possuem representatividade alguma e carecem mesmo de base ideológica consistente. Existem apenas para sugar verbas do fundo partidário e vender tempo de propaganda no rádio e televisão. Se o partido cresce um pouco mais, aí já pode sonhar com algum órgão da estrutura administrativa – e suas verbas – para chamar de seu.

Marketing sem conteúdo

Para piorar, as siglas mais fortes, que poderiam fazer a diferença, abdicaram de ter personalidade própria para se homogeneizarem em discursos fabricados por equipes de marketing político. Não quero dizer que o marketing suprimiu a política. Isso seria uma tremenda injustiça. Digo apenas que os profissionais de marketing, na ausência de conteúdo dos partidos, precisam improvisar. A solução mágica é dizer o que o eleitor deseja ouvir, na esperança de conquistar a sua simpatia. Por isso, tome pesquisa.

Não por acaso partidos se alternam nos governos e a política econômica, por exemplo, pouco muda. No plano federal, por exemplo, a última novidade nesse campo, vejam só, foram o Plano Real, a Lei de Responsabilidade Fiscal e as políticas compensatórias, hoje conhecidas como Bolsa Família. Lá se vão quase vinte anos.

Militância e aparelhamento

Os poucos partidos que conseguiram constituir um corpo doutrinário e arregimentar alguma militância genuína, se perderam no aparelhamento do Estado. Leia mais

Publicidade

Para que serve um partido político? Vinte e nove disputam as eleições em Fortaleza

Por Wanfil em Eleições 2012, Política

12 de julho de 2012

O pluripartidarismo brasileiro mais parece um emaranhado de letras dispostas ao acaso, sem conexão alguma com ideologias ou com a realidade.

É tempo de eleições municipais. Junto com a inundação de propagandas eleitorais, temos a profusão de números e letras que identificam os partidos políticos envolvidos na disputa. Em Fortaleza, nada menos que 29 partidos participam do processo eleitoral deste ano. Diga aí amigo leitor: Você é capaz de citar mais que cinco ou seis siglas? Eu não vou muito além disso. Poucos conseguem. Certamente ninguém se lembra de todos (confira no final do post).

Nas democracias representativas, no mundo ideal, partidos políticos constituem espaços nos quais propostas de intervenção na realidade são apresentadas à sociedade, baseadas em pressupostos consagrados por uma ideologia. Em suma, é o primeiro passo para tentativa de por uma visão de mundo em prática.

Imaturidade institucional

No Brasil, país de história marcada por sucessivos golpes e acordos venais, o sistema partidário ainda luta para se consolidar como instância confiável. Aqui, clubes de futebol são centenários, partidos políticos não. Os mais antigos estão na casa dos 30. Para efeito de comparação, o partido Democrata, nos EUA, é do tempo da Revolução Francesa. Além da imaturidade institucional, os partidos brasileiros convivem com velhos vícios próprios de uma cultura personalista, populista e clientelista.

Muitos não possuem representatividade alguma e carecem mesmo de base ideológica consistente. Existem apenas para sugar verbas do fundo partidário e vender tempo de propaganda no rádio e televisão. Se o partido cresce um pouco mais, aí já pode sonhar com algum órgão da estrutura administrativa – e suas verbas – para chamar de seu.

Marketing sem conteúdo

Para piorar, as siglas mais fortes, que poderiam fazer a diferença, abdicaram de ter personalidade própria para se homogeneizarem em discursos fabricados por equipes de marketing político. Não quero dizer que o marketing suprimiu a política. Isso seria uma tremenda injustiça. Digo apenas que os profissionais de marketing, na ausência de conteúdo dos partidos, precisam improvisar. A solução mágica é dizer o que o eleitor deseja ouvir, na esperança de conquistar a sua simpatia. Por isso, tome pesquisa.

Não por acaso partidos se alternam nos governos e a política econômica, por exemplo, pouco muda. No plano federal, por exemplo, a última novidade nesse campo, vejam só, foram o Plano Real, a Lei de Responsabilidade Fiscal e as políticas compensatórias, hoje conhecidas como Bolsa Família. Lá se vão quase vinte anos.

Militância e aparelhamento

Os poucos partidos que conseguiram constituir um corpo doutrinário e arregimentar alguma militância genuína, se perderam no aparelhamento do Estado. (mais…)