campanha Archives - Blog do Wanfil 
Publicidade

Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

campanha

PF prende assessora da primeira-dama do Ceará com dinheiro vivo: história que se repete

Por Wanfil em Política

01 de outubro de 2016

18 brumario

Quem disse que nossos socialistas não o levam à sério?

Julho de 2005: José Adalberto Vieira, dirigente petista no Ceará e assessor de José Guimarães, então deputado estadual, é preso no aeroporto de Congonhas (SP) com US$ 100 mil na cueca e mais R$ 209 mil em uma maleta. Uma vez solto, Adalberto foi expulso do partido e perdeu o emprego, mas nunca revelou a origem do dinheiro. Guimarães garante que não sabia de nada.

Setembro de 2016, antevéspera de eleição: Ana Quitéria, assessora da primeira-dama do Ceará, Onélia Santana, é presa em Juazeiro do Norte com maços de dinheiro em envelopes e com material de campanha Fernando Santana, candidato à prefeitura de Barbalha apoiado pelo governador Camilo Santana. Ambos são do PT de Adalberto e Guimarães, hoje deputado federal que também apoia Fernando Santana. A polícia investiga a origem (e o destino) do dinheiro.

Na obra “O 18 Brumário de Luís Bonaparte”, Karl Marx diz que a história se repete como farsa, no sentido de peça ruim, ridícula, destinada à troça pela falta de originalidade de seus autores e atores.

Com onze anos de diferença, as coincidências entre as prisões de Adalberto e Ana Quitéria dão razão ao filósofo alemão.

PS. O primeiro episódio não gerou consequências eleitorais graves para o PT. Lula se reelegeu, elegeu aliados no Ceará e o mensalão virou petrolão. E dessa vez, haverá consequências nas eleições? Saberemos neste domingo.

 

Publicidade

Vice-governadora do Ceará em ação

Por Wanfil em Eleições 2016

13 de setembro de 2016

Cadê o prefeito de Sobral na foto? Esqueceram?

Segunda, quatro da tarde. Prioridade é prioridade.

Enquanto o governador Camilo Santana estava em Brasília para a posse da ministra Cármen Lúcia na Presidência do Supremo Tribunal Federal, a vice-governadora Izolda Cela (PDT) foi até Sobral, para evento do candidato à prefeitura Ivo Gomes, seu correligionário.

O convite informa que o ato de campanha teria início às 16 horas, em plena segunda-feira. Tudo bem, a prioridade tem explicação. No início de agosto, o próprio governador foi claro: “Podemos perder em todos os municípios cearenses, só não podemos perder em Sobral”. Trata-se, com efeito, do berço político da família Ferreira Gomes. O resto, portanto, vem depois.

Ademais, a vice-governadora é casada com o atual prefeito de Sobral, Veveu Arruda, do PT, que apoia Ivo, irmão de Cid e Ciro Gomes, que apoiaram Arruda em 2012. Apesar disso, o prefeito Veveu não aparece no material de divulgação do evento de Ivo, certamente por causa da baixa popularidade (63% de desaprovação).

Segundo o Ibope, no dia 26 passado Ivo  tinha 33% de intenções de voto e 38% de rejeição, contra 36% de seu principal adversário, Moses Rodrigues, do PMDB, que aparecia com 28% de rejeição. Eleição disputadíssima, a qualquer hora e dia da semana.

Publicidade

Começam as eleições! Apesar das novas regras, será mais do mesmo

Por Wanfil em Eleições 2016

16 de agosto de 2016

Está aberta, a partir de hoje, a temporada de caça aos votos deste ano. Estão liberados comícios, carreatas, caminhadas, distribuição de material gráfico e os famigerados carros de som. É permitido aos candidatos pedir votos pela internet. Já a propaganda eleitoral “gratuita” de rádio e televisão começará apenas no próximo dia 26.

As grandes novidades destas eleições, definidas pela minirreforma eleitoral aprovada no ano passado, são a proibição para doação de empresas e a redução do tempo total de campanha de 90 para 45 dias. Os programas de rádio e TV também foram diminuídos: de 30 para 10 minutos, com 70 minutos diários para as inserções de 30 ou de 60 segundos (60% reservados para candidatos a prefeito, e 40% para vereadores).

São mudanças na forma. Em relação ao financiamento, as limitações impostas deverão ser contornadas pelo uso do caixa 2. Quanto ao conteúdo propriamente dito, mudanças de ocasião deverão ser percebidas, como o sumiço da imagem da presidente afastada Dilma Rousseff nas campanhas de seus aliados. De resto, teremos mais do mesmo: as mesmas promessas, as mesmas brigas, as mesmas frases, as mesmas desculpas, as mesmas músicas, os mesmos santinhos, tudo na esperança de que o eleitor, apesar da crise econômica, política e moral que levou o país ao buraco, seja o mesmo de sempre.

Publicidade

Roberto Cláudio inaugura mesma obra duas vezes e diz que não pensa em eleição

Por Wanfil em Eleições 2016

06 de junho de 2016

O jornal O Povo desta segunda-feira afirma que o prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio (PDT), inaugurou uma ciclovia na Avenida Beira Mar em menos de um mês. O prefeito rebate e esclarece que o primeiro evento (18 de maio) foi apenas uma entrevista coletiva para anunciar que a ciclovia estava funcionando, mas que a inauguração mesmo, de verdade, só aconteceu no domingo (5 de junho).

Divergências à parte, o fato é que promover eventos públicos com a devida cobertura de imprensa e mobilização do aparato municipal para a mesma obra em tão curto prazo, em ano eleitoral, quando o prefeito é candidato natural à reeleição, é muita coincidência. Mas RC esclarece: trata-se de ação administrativa, “serviço à população”, que nada tem a ver com sucessão. Então, tá.

É preciso, entretanto, reconhecer que concentrar inaugurações de obras, algumas com direito a show, perto da data limite definida na lei eleitoral, dá a impressão de que essas coincidências inocentes são de fato ações de campanha para as eleições.

Publicidade

Novo vice-presidente nacional do PT, Guimarães recebeu R$ 250 mil do velerioduto em 2003

Por Wanfil em Política

12 de dezembro de 2013

O deputado federal José Guimarães assume a 1ª vice-presidência do PT. Foto: Blog do Augusto Nunes/Veja

O deputado federal José Guimarães assume a 1ª vice-presidência do PT e é cotado para coordenar a campanha de Dilma em 2014. Foto: Blog do Augusto Nunes/Veja

O deputado federal pelo Ceará José Nobre Guimarães assume nesta quinta-feira (12) o cargo de 1º vice-presidente na Executiva Nacional do Partido dos Trabalhadores.

O parlamentar, que é líder do PT na Câmara Federal e irmão de José Genoíno, ex-presidente do partido recentemente preso por corrupção no caso do mensalão, é cotado ainda para ser um dos coordenadores à reeleição da presidente Dilma Rousseff. Em 2010, o petista foi coordenador da campanha no Nordeste.

Como todos sabem, Guimarães ficou nacionalmente conhecido quando um de seus assessores, José Adalberto Vieira, foi preso pela Polícia Federal no aeroporto de Congonhas com 100 mil dólares na cueca, em 2005.

No entanto, outro episódio menos famoso mas não menos polêmico  pode constranger a sigla em 2014, ano eleitoral. Quando estourou o escândalo do mensalão e todos souberam das ações do empresário Marcos Valério, o operador do esquema condenado à prisão pelo STF na ação penal 470, José Guimarães admitiu ter recebido R$ 250 mil ilegais do valerioduto em 2003 para quitar dívidas da campanha eleitoral de José Airton Cirilo para o governo estadual, disputada no ano anterior, por intermédio do tesoureiro Delúbio Soares, outro condenado.

Vale dizer que Guimarães não foi condenado em nenhum dos casos. Alegou que nada sabia das atividades do assessor (que disse que a grana foi o apurado da venda de legumes), nem da origem dos recursos enviados por Marcos Valério. Houve um processo de cassação na Assembleia Legislativa por quebra de decoro, mas com o apoio do próprio partido e de deputados do grupo cirista liderados por Ivo Gomes, o petista manteve o mandato.

O resto é história. Guimarães deu a volta por cima, consolidando a posição de nome influente nos círculos de Brasília e junto a órgãos federais, como o Banco do Nordeste.

O risco disso tudo, para a presidente (que tem evitado referências a Dirceu, Genoíno e Delúbio)  é ter como coordenador de campanha alguém que se notabilizou por escândalos ligados “recursos não contabilizados”.

Publicidade

Seca de água, seca de ações. E uma sugestão ao deputados estaduais

Por Wanfil em Ceará, Política

05 de agosto de 2013

Meu comentário desta segunda na coluna Política, da rádio Tribuna BandNews FM (101.7).

A Assembleia Legislativa do Ceará tem se esforçado numa campanha para cobrar do Governo Federal a construção de uma refinaria da Petrobras no estado. Ocorre que, apesar da boa intenção, não é prerrogativa dos parlamentos estaduais cobrar ou fiscalizar a União. Para isso existe o Congresso Nacional. O assunto, portanto, deveria ser tratado pela bancada federal do Ceará em Brasília, incluindo aí os nossos senadores, que não gostam muito de falar no assunto.

Mas aproveitando esse ímpeto de cobrança, existe outra causa que poderia ser objeto de uma campanha bem mais adequada para as funções dos deputados estaduais. É que na própria Assembleia Legislativa, a Comissão Especial de Acompanhamento da Problemática da Estiagem e Perspectivas de Chuvas do Ceará tem feito um trabalho que merece todo o apoio da casa e dos cearenses.

A Comissão divulgou recentemente relatório mostrando que já existem municípios em situação de colapso no abastecimento d’água e que a expectativa para o segundo semestre deste ano é de assustar, com o agravamento da situação, especialmente a partir de setembro. E diante desse quadro, também ficou constatada a falta de ações eficazes dos governos estadual e federal, como baixa quantidade de poços perfurados, ausência de adutoras e carros pipa com água imprópria para o consumo humano.

Em suma, muita promessa foi feita, mas pouco se realizou. Daí que a Presidência da Assembleia poderia muito bem iniciar uma campanha, nos mesmos moldes da que foi feita para a refinaria, com propaganda na TV e no rádio, e caravanas pelo interior, para cobrar do governo estadual medidas contra a seca.

Além de ser do interesse do Estado, cada deputado sabe que o Legislativo acaba sendo cobrado pela população no lugar do Executivo. É na visita às suas bases eleitorais, que eles escutam o lamento e a insatisfação dos que sofrem com a estiagem. Vamos lá senhores, coragem! Levem ao governo a cobrança que todos fazem.

Publicidade

Deputados estaduais querem mobilização por refinaria no Ceará: ora senhores, cobrem Lula e Dilma!

Por Wanfil em Ceará

14 de Maio de 2013

É perfeitamente natural e desejável um governo ter a aspiração de ter uma refinaria de petróleo no Ceará. Foi com esse objetivo que muitas obras de infraestrutura foram desenvolvidas, a começar pelo Porto do Pecém.

Dadas as condições básicas para tocar o projeto e após idas e vindas, o ex-presidente Lula, ainda na gestão do ex-governador Lúcio Alcântara, veio ao Ceará garantir que a Petrobras materializaria o sonho. O tempo passou e, com todos sabem, o projeto é cronicamente adiado, muito embora em períodos eleitorais a refinaria apareça como realidade inquestionável, favas contadas e, pasmem!, promessa que está sendo cumprida dentro de um cronograma malandro e elástico o suficiente para fazer de uma pedra fundamental (pois é, lançaram a pedra fundamental de uma obra que não existe) a prova máxima de confiança da qual ninguém pode duvidar.

Já escrevi em artigos de jornal que a diferença entre Lula e Zé do Burro, personagem da peça O Pagador de Promessas, é que este levava a sério a palavra empenhada, ainda que isso lhe custasse a vida, enquanto aquele sabe que não precisa se comprometer com as esperanças que vende para ter assegurado a grande maioria dos votos no Ceará.

Tapeação

Diante de todas as provas e evidências de que os cearenses foram tapeados no caso da refinaria, o deputado Zezinho Albuquerque, presidente da Assembleia Legislativa, anunciou a criação de uma campanha em defesa da refinaria da Petrobras no Ceará.

Desde já, sinto dizer que tudo não passa de encenação para consumo interno, com o objetivo de passar a impressão de que nossos representantes são altivos defensores dos interesses do estado. Tanto é que o objetivo declarado da campanha não é de cobrar que fez a promessa, mas de “mobilizar” a sociedade cearense para a importância do petróleo. Quem precisa disso? Acaso alguém imagina que petróleo é supérfluo?

Sem contar ainda que o assunto não é da esfera do legislativo estadual. Mesmo assim, levando em consideração que o parlamento não faria movimentações como essas sem o aval do governador Cid Gomes, se quisessem mesmo pressionar o governo federal a agir, os representantes cearenses poderiam agir em conjunto e optar por ações mais contundentes. Segue, abaixo, algumas sugestões do blog que certamente teriam muito mais impacto do que conversas comportadas e recados velados:

1) Os deputados estaduais viriam a público dizer em alto e bom som que Lula e Dilma sabem vir ao Ceará pedir votos, mas não cumprem o que prometeram aos cearenses;

2) a bancada federal passaria a votar sistematicamente contra o governo até que a promessa fosse atendida;

3) aliados do governo federal no estado entregariam todos os cargos e;

4) com uma dose extra de maquiavelismo o próprio governador Cid Gomes começaria a elogiar o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, estado que aliás tem uma refinaria da Petrobras.

Sem dar nome aos bois, sem cobrar responsabilidades, sem demonstrar que o Ceará tem orgulho e que não aceita ser tratado como pedinte, campanhas como essa da Assembleia Legislativa não passam de factóides destinados a manter as aparências para deixar tudo como está.

Publicidade

Debate Jangadeiro: Candidatos de oposição partem para o ataque – Ainda há tempo?

Por Wanfil em Eleições 2012

03 de outubro de 2012

Candidatos à Prefeitura de Fortaleza no estúdio da TV Jangadeiro

O Sistema Jangadeiro de Comunicação realizou na noite desta terça-feira o seu segundo debate entre os candidatos à Prefeitura de Fortaleza.

Pressionados pelas pesquisas e na reta final da campanha, pela primeira vez os candidatos de oposição atuaram com forte viés de crítica em relação aos candidatos lançados pelo governador Cid Gomes e pela prefeita Luizianne Lins.

Moroni Torgan (DEM), Marcos Cals (PSDB), Renato Roseno (PSOL) e Heitor Ferrer (PDT) apresentaram sintonia nas análises  dirigidas especialmente à aliança recentemente desfeita entre o governador Cid Gomes e a prefeita Luizianne Lins e ao uso da máquinas. Procuraram, em suma, fazer um alerta ao eleitorado sobre a importância de eleger um nome independete, lembrando que os ex-aliados que comandam as máquinas tiveram tempo para fazer aquilo que agora seus indicados prometem.

Por outro lado, Elmano de Freitas (PT) e Roberto Cláudio (PSB), líderes nas pesquisas de opinião, entraram em campo para jogar com o regulamento debaixo do braço e evitaram polêmicas.

No momento mais duro, Marcos Cals citou declarações do ex-governador Ciro Gomes chamando o candidato Elmano de Freitas de “pau mandado”. O petista se mostrou que foi bem orientado no midia trainer e não mudou o semblante enquanto rebatia dizendo que seus adversários o atacavam por não ter propostas. Roberto Cláudio ressaltava a parceria com o governo do estado como trunfo.

Heitor Férrer e Moroni chegaram a abordar o caso do mensalão, provavelmente na esperança de reproduzir em Fortaleza o desgaste que o PT vive em outras capitais por causa do julgamento no Supremo Tribunal Federal.

Política não é “paz e amor”

No início da campanha, com pesquisas mostrando um acentuado desejo de mudança no eleitorado, diversas candidaturas se apresentaram. Imaginando que o desgaste da atual gestão fosse irreversível, todos optaram pela estratégia “paz e amor”, celebrada por Duda Mendonça e Lula da Silva. O que era uma especificidade – Lula tinha a imagem de político agressivo e instável – se transformou em uma espécie de regra absoluta aplicável a toda e qualquer circunstância. Um erro que beneficia justamente aos que são poupados de críticas. Obama não seria eleito sem criticar Bush.

Alertei em outros textos para o risco dessa decisão, que deixava terreno livre para que um governo avaliado negativamente buscasse uma recuperação. Política é embate, é confronto de ideias, de visões. Sem isso, as estruturas milionárias das candidaturas de situação se impuseram sobre a divisão dos opositores.

Vai dar tempo?

Agora que a eleição está na reta final para o primeiro turno, os opositores finalmente entederam que é preciso fazer política e não apenas promessas adornadas pelo marketing. Entretanto, a questão que se evidencia neste momento é saber se essa mudança de postura fará efeito e, se fizer, se haverá tempo hábil para influenciar os eleitores.

Publicidade

Debate Jangadeiro: Candidatos de oposição partem para o ataque – Ainda há tempo?

Por Wanfil em Eleições 2012

03 de outubro de 2012

Candidatos à Prefeitura de Fortaleza no estúdio da TV Jangadeiro

O Sistema Jangadeiro de Comunicação realizou na noite desta terça-feira o seu segundo debate entre os candidatos à Prefeitura de Fortaleza.

Pressionados pelas pesquisas e na reta final da campanha, pela primeira vez os candidatos de oposição atuaram com forte viés de crítica em relação aos candidatos lançados pelo governador Cid Gomes e pela prefeita Luizianne Lins.

Moroni Torgan (DEM), Marcos Cals (PSDB), Renato Roseno (PSOL) e Heitor Ferrer (PDT) apresentaram sintonia nas análises  dirigidas especialmente à aliança recentemente desfeita entre o governador Cid Gomes e a prefeita Luizianne Lins e ao uso da máquinas. Procuraram, em suma, fazer um alerta ao eleitorado sobre a importância de eleger um nome independete, lembrando que os ex-aliados que comandam as máquinas tiveram tempo para fazer aquilo que agora seus indicados prometem.

Por outro lado, Elmano de Freitas (PT) e Roberto Cláudio (PSB), líderes nas pesquisas de opinião, entraram em campo para jogar com o regulamento debaixo do braço e evitaram polêmicas.

No momento mais duro, Marcos Cals citou declarações do ex-governador Ciro Gomes chamando o candidato Elmano de Freitas de “pau mandado”. O petista se mostrou que foi bem orientado no midia trainer e não mudou o semblante enquanto rebatia dizendo que seus adversários o atacavam por não ter propostas. Roberto Cláudio ressaltava a parceria com o governo do estado como trunfo.

Heitor Férrer e Moroni chegaram a abordar o caso do mensalão, provavelmente na esperança de reproduzir em Fortaleza o desgaste que o PT vive em outras capitais por causa do julgamento no Supremo Tribunal Federal.

Política não é “paz e amor”

No início da campanha, com pesquisas mostrando um acentuado desejo de mudança no eleitorado, diversas candidaturas se apresentaram. Imaginando que o desgaste da atual gestão fosse irreversível, todos optaram pela estratégia “paz e amor”, celebrada por Duda Mendonça e Lula da Silva. O que era uma especificidade – Lula tinha a imagem de político agressivo e instável – se transformou em uma espécie de regra absoluta aplicável a toda e qualquer circunstância. Um erro que beneficia justamente aos que são poupados de críticas. Obama não seria eleito sem criticar Bush.

Alertei em outros textos para o risco dessa decisão, que deixava terreno livre para que um governo avaliado negativamente buscasse uma recuperação. Política é embate, é confronto de ideias, de visões. Sem isso, as estruturas milionárias das candidaturas de situação se impuseram sobre a divisão dos opositores.

Vai dar tempo?

Agora que a eleição está na reta final para o primeiro turno, os opositores finalmente entederam que é preciso fazer política e não apenas promessas adornadas pelo marketing. Entretanto, a questão que se evidencia neste momento é saber se essa mudança de postura fará efeito e, se fizer, se haverá tempo hábil para influenciar os eleitores.